quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Refletir, não dói!


Por Idalvo Toscano


Os teóricos do equilíbrio geral lograram realizar uma obra considerável: mostrar sob quais condições verifica-se o apólogo de Adam Smith, segundo o qual a busca do interesse individual garantiria um resultado coletivo favorável desde que as interações fossem intermediadas pelo mercado, sem outras interferências.

Resulta que a existência, a estabilidade e a otimização do equilíbrio de uma economia de mercado são mais difíceis de garantir do que consideraram os pais da economia política. É preciso que entre outras coisas a moeda seja exógena, que a concorrência seja perfeita, que a avaliação da qualidade não cause nenhum problema, que não exista nenhum bem público, que as técnicas de produção ofereçam rendimentos constantes, que a inovação não manifeste nenhuma externalidade positiva, e assim também que a poluição não produza externalidades negativas.

Importa igualmente que o efeito perturbador das expectativas seja anulado graças à criação de mercados futuros para todos os bens, em todos os períodos e para todos os estados do mundo... enquanto nas economias concretas, uns poucos mercados financeiros garantem sozinhos a coordenação de percepções sobre o futuro.

Last but not least, é preciso que as considerações de justiça social não exerçam nenhuma influência sobre a alocação de recursos e as condições de eficiência. Caso uma ou outra destas sete condições não seja atendida, outros mecanismos de coordenação são necessários. Estado, mercado e desenvolvimento: uma nova síntese para o século XXI – (Robert Boyer – Economia e Sociedade, Campinas, (12): 20 1-20, jun. 1999).

"Devemos pensar grande" – SUSAN GEORGE

Está o planeta salvaguardado enquanto o capitalismo internacional prevalece, com seu foco no crescimento e no lucro a todo custo, com a captura predatória de recursos e com a euforia financeira?

Como disse um homem sábio:

“Tudo para nós e nada para outro povo parece, em todas as épocas do mundo, ter sido a máxima vil dos senhores da humanidade”.

[Quem disse isso foi Adam Smith, em A Riqueza das Nações, não Karl Marx].

Os mercados se propuseram a ser uma espécie de remédio para todos os males.

Você tem um problema? Pois então recorra ao Mercado e este aportará a riqueza absoluta e a solução dos problemas. Mas agora nos damos contra de que o mercado acarreta devastações.

Greenspan disse: “pensava que a avidez dos banqueiros era a melhor regulação possível. Agora, me dou conta de que isso não funciona mais e não sei por que!”.

A gestão dinâmica da divergência, que é um fundamento democrático, não é mais compatível com a lógica financeira.

Se deixarmos esta lógica se impor, chegaremos ao que descreveu Paul Krugman, Nobel de Economia. Para ele, os programas de austeridade equivalem aos sacrifícios humanos entre os maias. É preciso analisar a crise atual com base nas categorias de uma crise de fé – portanto, uma crise religiosa, não apenas de confiança. Estamos sob domínio de um feixe de crenças e credulidades segundo as quais não há, diante dos novos deuses coroados que são os mercados financeiros, outra atitude exceto os sacrifícios. E sacrifícios humanos! Cada anúncio de um plano de austeridade implica mais desemprego, menos leitos hospitalares, menos educação.

É uma destruição de riqueza real e humana tão absurda quanto os sacrifícios maias, incapazes de deter os eclipses do sol ou a derrocada daquela civilização. Sabemos que são ineficazes, mas nos afirmam que o motivo é o fato de não termos nos sacrificado o suficiente. Ora, se deixarmos que esta lógica sacrificial vá até as últimas conseqüências colocaremos em xeque não apenas a democracia, mas a própria paz (Patrick Viveret: para salvar a Europa e o planeta)

Ah! realmente não existe luta de classes. Minha faxineira até falou ontem: "eu sempre quis trabalhar na faxina; nunca desejei ser médica... no fundo, sou uma preguiçosa!!"

Idalvo

Nenhum comentário:

Postar um comentário