sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Investimento estrangeiro forte em setembro



Credit Suisse  25/10/2013

Foreign investment in fixed-income securities still very
strong in September
 
Overview: The current-account deficit was $2.6bn in September, much
lower than the deficit of the previous months and similar to that of
September 2012. September’s lower current-account deficit was
mainly due to a higher trade surplus and a net inflow of    
remittances of profits and dividends, the first net inflow
since January 2000. The current-account deficit in rolling
12-month terms remained stable at 3.6% of GDP ($80.5bn) in
September 2013. Foreign direct investments (FDI) totaled $4.8bn
in September, in line with our forecast and very similar to the
 monthly average so far this year. In cumulative 12-month terms,
FDI increased to $61.5bn, reducing the gap to the current-account    
deficit. Foreign investment in fixed-income securities totaled $7.2bn
in September and $25bn from the date the Tax on
Financial Transactions (IOF) on these investments was removed
(June 4) through October 23 (latest data available).
 We expect the current-account deficit to stabilize at around 3.6%
of GDP until the end of the year.

We forecast that the rolling 12-month FDI will increase to $65bn by
 the end of the year, owing mainly to the payment for oil exploration
concessions. The figures already available for October suggest that
FDI will be significant for the month and that there will be a deceleration
 in portfolio investments.
 


Foreign direct investments (FDI) totaled $4.8bn in September, higher than the inflows of $3.8bn in August and $4.4bn in September 2012. The result was in line with our forecast and the median market consensus. In cumulative 12-month terms, FDI rose from $61.1bn in August to $61.5bn in September (Exhibit 3). The FDI breakdown for September shows that intercompany loans posted a deficit of $0.3bn. Thus, FDI in equity capital ($5.1bn) accounts for all FDI inflows into the country in September. Each transaction for FDI in equity capital amounted to $0.5bn or less in September. The Central Bank of Brazil expects FDI of $5.2bn in October, given that the result through October 23 totaled $4.2bn.


Foreign portfolio investments (in equities and fixed-income securities traded in Brazil) posted a net inflow of $9.5bn in September, versus an inflow of $6.2bn in August and an outflow of $0.5bn in September 2012. Investments in equities accounted for an inflow of $2.2bn last month. Net inflows into fixed-income securities traded in Brazil posted a surplus of $7.2bn in September and $24.9bn from the withdrawal of the IOF levy on June 4 through 23 October. In 12-month terms, foreign portfolio investments rose from $31.2bn in August to $41.1bn in September. According to the Central Bank of Brazil, foreign investment into fixed income securities totaled $0.9bn in October through 23, and there was an outflow of $0.3bn in equities in the same period.

Déficit em conta corrente em setembro é o dobro do previsto pelo BC

Por Alex Ribeiro e Eduardo Campos | Valor 25/10
 
BRASÍLIA - O Brasil registrou, em setembro, déficit de US$ 2,629 bilhões em suas transações correntes com outros países, conta que já acumula saldo negativo de US$ 60,416 bilhões desde o início do ano, informou nesta sexta-feira o Banco Central (BC).
O déficit previsto pelo próprio BC era de US$ 1,3 bilhão. Para o ano, a previsão é de conta negativa em US$ 75 bilhões.
Em 12 meses, a diferença entre o que país gastou e o que recebeu nas transações internacionais relativas a comércio, serviços, rendas e transferências unilaterais alcançou US$ 80,507 bilhões, o equivalente a 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pela autoridade monetária para o mesmo período.
Ainda em setembro, o Brasil registrou déficit de US$ 1,224 bilhão no balanço de pagamentos em setembro. No mesmo mês de 2012, havia registrado leve superávit, de US$ 84 milhões.
Apesar do resultado negativo de setembro, nos dados acumulados no ano de janeiro a setembro, o balanço de pagamentos segue superavitário, em US$ 2,313 bilhões. Em igual período do ano passado, porém, o superávit era bem maior, em US$ 22,964 bilhões.
O déficit no balanço de pagamentos em setembro é resultado de um déficit de US$ 2,629 bilhões na conta corrente, que não foi integralmente coberto pelos ingressos líquidos na conta capital e financeira, de US$ 1,506 bilhão no mês.
(Alex Ribeiro e Eduardo Campos | Valor)



É o bem-estar....

 

Por Antonio Delfim Netto
 
Estudos internacionais mostram que, no Brasil, a relação entre o valor do estoque dos investimentos em infraestrutura (energia, portos, rodovias, ferrovias, telecomunicações etc.) e o fluxo do valor adicionado por seu uso pela mão de obra empregada, o Produto Interno Bruto, é muito pequena, quando comparada com o de outras economias.
Há pelo menos 30 anos o Estado brasileiro vem perdendo capacidade de planejamento logístico. O processo iniciou-se com a prática destruição do Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes (Geipot) e acelerou-se com a dissolução do Imposto Único Sobre Combustíveis e Lubrificantes (IUCL). O primeiro produzia projetos logisticamente integrados de boa qualidade e o segundo garantia a continuidade do seu financiamento.


Hoje, em matéria de infraestrutura, o governo funciona mal. Não há projetos bem feitos e tudo conspira contra sua execução: 1) a interferência exagerada do Tribunal de Contas da União (TCU), que, aos poucos, conquistou poderes que transcendem de muito à sua tarefa fundamental de "órgão auxiliar do Legislativo" para verificar a qualidade e o rigor financeiro da execução orçamentária, que foi esquecida, porque ninguém a levava a sério; 2) a intromissão extravagante do Ministério Público. Combinada com a ação do TCU e a ligeireza com que levantam suspeitas que, mesmo quando não confirmadas, destroem em 15 segundos de oportunismo e exibicionismo televisivo a vida de gente honesta sem que sejam minimamente responsabilizados. O "terror" eliminou a capacidade de decisão dos funcionários sérios e competentes e produziu uma "paralisia" funcional. Ninguém assina um papel. Todas as decisões devem ser coletivas... para que possam ser deixadas para amanhã; e 3) a ausência de mecanismos de financiamento seguro (como o IUCL) introduziu enorme incerteza na regularidade do suprimento de recursos, que, juntamente com os argumentos anteriores, levam à procrastinação na execução de praticamente todos os projetos. Os bem-sucedidos, em não menos de três ou quatro anos! É preciso deixar claro que ninguém pode ser contra o papel fiscalizador e protetor dos direitos do cidadão do Ministério Público e do TCU. O que se pede é que seja exercido com mais cuidado e menos fúria midiática. E, principalmente, que tenham sempre presente nas decisões a visão mais larga da relação custo/benefício para a sociedade, ponderada pelos interesses das minorias que corretamente defendem.

É claro que esses problemas não nasceram no governo Dilma. São produtos quase naturais de uma sociedade que deseja consolidar o regime republicano, onde todos são sujeitos à mesma lei, apoiados numa crescente participação democrática inclusiva e no avanço persistente da igualdade de oportunidades. Esses são os valores prescritos na Constituição de 1988. Não há nada que possa condená-los do ponto de vista "científico", mas é preciso compreender que eles têm consequências práticas: podem tornar mais lento e ineficiente o crescimento material da economia quando medido pelo precário indicador que é o PIB per capita. Ele, obviamente, não mede, o "nível de bem-estar".
Que nossos problemas com a gestão pública são antigos e não têm melhorado, vê-se no recentíssimo "Doing Business - 2013", do Banco Mundial, onde o Brasil dá o maior vexame. O governo tem consciência que nosso problema é de gestão, tanto que "fazer um pouco mais com um pouco menos" foi o lema do primeiro dia do governo Dilma. Ele foi infelizmente, desfocado no meio de tantos ativismos na direção certa no longo prazo, mas complicados no curto prazo pelas dificuldades de cooptar a confiança do setor privado.
Uma parte dessas dificuldades se deve, por exemplo, à enorme complexidade de transferir monopólios públicos para o setor privado com leilões e regulação adequados para proteger o usuário final, porque as concessões são de longo prazo e os contratos necessariamente incompletos. Todos sabemos dos grandes problemas das concessões rodoviárias no Brasil, na Argentina, na Colômbia e no Chile nos anos 90 e, ainda recentemente, no governo Lula, na base do "privatize agora e regulamente depois". De fato, é difícil afirmar que elas tenham sido um sucesso. É mais razoável dizer que os resultados são menores do que as expectativas.
Por outro lado, é preciso reconhecer que tais dificuldades foram acompanhadas por um processo redistributivo abrangente. O índice de "bem-estar", que combina aumento de renda real com redução da desigualdade (gráfico), revela esse fato. Em condições normais de pressão e temperatura, será o "sentimento" de progresso revelado por ele a partir de 2003, e a "perspectiva" futura que constroem sobre ele os eleitores que determinarão a "fala" das urnas.
Ela não se modificará por nenhum "espetáculo" de malabarismo político. Talvez, eventualmente, apenas pela demora do governo Dilma de concentrar o seu enfoque e, junto com o Congresso e a cooptação da sociedade, liderar com determinação as reformas estruturais que o Brasil espera, única garantia do aumento do "bem-estar" no futuro.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.
E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br



 
 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Esperanças ou mentiras



 

Fonte: ANP/Assessoria de Imprensa - (21) 2112-8333 - imprensa@anp.gov.br





01/10/2013
Em agosto, a produção de petróleo no Brasil aumentou em 0,3% comparada com a do mesmo mês em 2012 e cresceu em 1,9% em relação a julho do corrente ano. Foram cerca de 2,011 milhões de barris por dia (bbl/d). A produção de gás natural ficou em torno de 77 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), um crescimento de 7,9% frente ao mesmo mês em 2012 e uma redução de 1,9% em relação ao mês anterior. A produção total (petróleo e gás) foi de 2,495 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Em agosto, 313 concessões, operadas por 26 empresas, foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 79 são concessões marítimas e 234 terrestres. As informações são do Boletim de Produção da ANP de agosto de 2013 (link)
Pré-sal
A produção do pré-sal foi de 302 mil bbl/d de petróleo e 10,1 milhões de m³/d de gás natural, totalizando 365,6 mil boe/d, um aumento de 1,9% em relação ao mês anterior. Estes volumes foram oriundos de 26 poços: 6BRSA631DBESS, 7BAZ2ESS, 7BAZ4ESS e 7BAZ6ESS (Campo de Baleia Azul), 6BRSA806RJS (Caratinga e Barracuda), 6BRSA639ESS, 7BFR6ESS e 7JUB34HESS (Jubarte), 3LI0005RJS, 7LI0017DRJS, 3RJS0168RJ e 4RJS0156RJ (Linguado), 3BRSA496RJS, 9BRSA716RJS, 9BRSA908DRJS, 7LL3DRJS e 7LL11RJS (Lula), 6BRSA770DRJS (Marlim e Voador), 6BRSA817RJS, 3BRSA1054DRJS e 3BRSA1017DRJS (Marlim Leste), 3RJS0159RJ e 7PM0017DRJS (Pampo), 7PRB1ESS (Pirambu), 1BRSA594SPS (Sapinhoá) e 4RJS0265ARJ (Trilha).
Campos
Marlim Sul, na Bacia de Campos, foi o campo com maior produção de petróleo, uma média de 291,4 mil bbl/d. Manati, na Bacia de Camamu, registrou foi o maior volume de gás natural, com em média de 5,9 milhões de m³/d. Aproximadamente 92,8% da produção de petróleo e gás natural foram provenientes de campos operados pela Petrobras e em torno de 91,4% da produção de petróleo e 73,5% da produção de gás natural do Brasil foram extraídos de campos marítimos. A plataforma P-56, localizada no campo de Marlim Sul, foi a unidade com maior produção, com em torno de 146,5 mil boe/d.
A produção de petróleo e gás natural em agosto foi oriunda de 9.042 poços, sendo 778 marítimos e 8.264 terrestres. O campo com o maior número de poços produtores foi Canto do Amaro, bacia de Potiguar, com 1.112 poços.

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Enquanto isso, o Valor noticia:

Petrobras prevê acréscimo de 1 milhão de barris/dia a partir de 2014

Simplesmente um aumento de 50% na produção em um ano... alguém acredita?
 


A realidade do futuro fiscal dos EUA

 

Por Martin Wolf - Valor 24/10
 
A partir da frenética batalha política e dos choques de opinião das últimas semanas, um observador poderia concluir que os Estados Unidos se defrontam com uma catástrofe fiscal. Não é verdade. A posição fiscal do país melhorou drasticamente e não representa qualquer risco de médio prazo. A única crise fiscal com que os EUA se defrontam é a infligida pelo suposto desejo de evitar um episódio desse tipo. A verdadeira questão é que governo os americanos querem e a maneira pela qual eles optam por custeá-lo.
Entre 2007 e 2009 o déficit fiscal do governo geral dos EUA, que inclui Estados e municípios, saltou de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 12,9%, em decorrência da crise financeira. Mas a mais recente projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta para um déficit de 5,8% do PIB neste ano e de 3,9% em 2015. Boa parte desse aperto é considerada estrutural, com um déficit de apenas 3,9% este ano, inferior aos 8% de 2010. O aperto fiscal de 2,6% deste ano ajuda a explicar a precariedade do crescimento. Com o abrandamento do entrave fiscal, o crescimento deverá se intensificar. As mais recentes previsões de longo prazo do apartidário Departamento de Orçamento do Congresso (CBO, nas iniciais em inglês) também justificam o otimismo com o médio prazo. Elas mostram uma queda, de 73% para 71%, da relação dívida federal em poder do público sobre PIB nos próximos dez anos.
No ano passado o CBO fez duas previsões: uma básica e uma alternativa. A básica tinha como pressuposto que as reduções de impostos da era George W. Bush expirariam, como previsto em lei. Em decorrência desse e de outros fatores, a receita alcançaria 24% do PIB em 2037. O BCO considerou essa projeção implausível - corretamente, como ficou claro depois: os cortes de impostos de Bush não expirariam na totalidade. O CBO forneceu uma alternativa. Partiu do pressuposto de que as reduções de impostos (e o alívio proporcionado pelo imposto mínimo alternativo) seriam prorrogadas até 2022. Depois, sua premissa foi de que as receitas permaneceriam em seu nível de 2022, de 18,5% do PIB. As novas previsões, que mostram a dívida alcançando 100% do PIB 25 anos a partir dessa data, são piores do que o cenário básico do ano passado, no qual as reduções de impostos de Bush expiravam, mas muito melhores que a alternativa anterior do CBO.


Será que essa projeção de longo prazo é um desastre? Não. Os Estados Unidos provavelmente conseguirão sustentar a dívida em poder do público em 100% do PIB. É um coeficiente alto, mas, no limite, administrável. Os custos de fazer isso dependerão da taxa real de juros. Se ela não for superior à taxa real de crescimento (em consonância com a experiência de longo prazo), o país sequer precisará ter um superávit primário para estabilizar o coeficiente de endividamento. Além disso, os aumentos de arrecadação e as reduções de gastos necessários para manter a dívida em 73% corresponderiam a 0,8% do PIB atualmente e a 1,3% em 2020. Isso é pouco em relação ao que foi obtido nos últimos anos.
O CBO sustenta que "reduzir a dívida de novo a 39% do PIB em 2038 - nível em que estava em 2008 -, exigirá uma combinação de aumentos de arrecadação e de reduções em gastos não referentes a juros num total de 2% do PIB nos próximos 25 anos". As previsões de 2012 sugerem que deixar as reduções de impostos de Bush expirar teria gerado parte desse declínio.
Uma vez que a economia americana teve um bom desempenho na década de 1990, antes dessas reduções financeiramente inacessíveis, é estranho que Barack Obama não as tenha deixado expirar quando teve a oportunidade, na luta em torno do "abismo fiscal" do fim de 2012. Essa iniciativa teria dado ao presidente a alavancagem que lhe falta agora para obter um ajuste fiscal equilibrado. Em vez disso, ele deixou o país na angustiante perspectiva do gatilho automático de cortes previsto em lei.
Mesmo assim é bem possível que não seja necessário qualquer ajuste fiscal mais profundo para reduzir o endividamento. No segundo trimestre de 2013, o PIB estava 14% inferior à sua tendência de 1980 a 2007. Ele poderá recuperar boa parte disso. Na verdade, como observou o ex-secretário do Tesouro, Lawrence Summers, as projeções da diferença entre os números muito maiores da arrecadação e dos gastos durante um quarto de século são violentamente incertas.



O crescimento não apenas é incerto, mas facilmente maleável à formulação de uma política pública inteligente tanto no curto quanto no mais longo prazo. O país pode esperar até a década de 2020 para decidir fazer mais alguma coisa. Mas isso não significa que não haja importantes desafios fiscais. É fácil vislumbrar pelo menos cinco deles.
Primeiro, o processo de ativação do gatilho automático de cortes é arbitrário. Precisa ser mudado. Segundo, como observa Ezra Klein, de "The Washington Post", o governo federal é "um conglomerado de seguro protegido por um exército grande, permanente". O CBO prevê que os gastos com previdência social vão crescer de 4,9% do PIB para 6,2%, e que os gastos com assistência médica se elevarão de 4,6% para 8% do PIB no próximo quarto de século. Outros gastos, como os voltados à ciência e educação, sofrerão violento aperto. Se os gastos militares corresponderem a 4% do PIB, os demais gastos, além dos com previdência social, assistência médica e juros, corresponderão a 3% do PIB em 2038 - nível excessivamente baixo para sustentar serviços essenciais.
Terceiro, uma parte da solução é reduzir os gastos com aposentadorias e despesas médicas. Quanto a estas, há uma oportunidade. O governo americano gasta em saúde o mesmo percentual do PIB que muitos Estados de bem-estar social europeus, ao mesmo tempo em que cobre uma parcela muito menor da população. Quarto, os EUA precisam de uma reforma fiscal. Nesse caso o espaço para uma maior eficiência e equidade é enorme.
Finalmente, a parcela do PIB arrecadada terá de subir. Os 19,7% do PIB previstos pelo CBO para 2038 são baixos demais, a não ser que o Tea Party diminua os gastos com previdência social e com o Medicare. Os dados do CBO sugerem que pode ser necessário um aumento da receita federal para 22% do PIB.
Esse percentual é certamente alcançável e define a natureza do debate, que não diz respeito à dívida. Diz respeito à possibilidade, ou não, de os americanos pagarem os impostos necessários para custear o governo que instalaram. Os EUA criaram grandes programas sociais. Mas parecem incapazes de chegar a um consenso em torno dos impostos necessários para custeá-los, sustentando, ao mesmo tempo, as funções governamentais essenciais num nível razoável. Essa luta está disfarçada por trás da retórica em torno da insustentabilidade da dívida e do desestímulo representado pelos aumentos modestos da taxação. Se os EUA criarem, efetivamente, um enorme problema fiscal para si, será porque o acordo em torno do equilíbrio entre o que o governo faz e a forma pela qual isso é financiado é impossível. Mas, em primeiro lugar, as crises artificiais das últimas semanas têm de cessar. (Tradução de Rachel Warszawski).
Martin Wolf é editor e principal analista econômico do FT



 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Produção de petróleo em maio desceu 2,7% em relação ao ano passado

 

Fonte: ANP/Assessoria de Imprensa - (21) 2112-8333 - imprensa@anp.gov.br

03/07/2013
A produção de petróleo no Brasil em maio de 2013 foi de aproximadamente 1,993 milhões de barris por dia (bbl/d) em maio, o que representa aumento de em torno de 3,7% em comparação ao mês anterior e redução na faixa de 2,7% em relação ao mesmo mês em 2012. Foram produzidos em torno de 74,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia (MMm³/d), um crescimento de aproximadamente 9,4% frente ao mesmo mês em 2012 e de 0,2% em relação a abril de 2013.
Queima de gás
Houve redução na queima de gás, que foi de aproximadamente 3,2 milhões de m³/d, queda de em torno de 11,3% se comparada ao mesmo mês de 2012 e de 18,1% frente a abril de 2013. Este é o segundo menor nível de queima de gás natural desde junho de 2000. Neste período, somente no mês de abril de 2011 foi registrada uma queima menor, quando foi queimado um volume de aproximadamente 2,9 milhões de m³/d. Todo gás natural queimado foi oriundo de contratos de concessões na fase de produção. O aproveitamento de gás natural no mês foi de 95,7%.
Pré-sal
A produção do pré-sal em maio foi de 272,6 mil bbl/d de petróleo e 8,9 milhões de m³/d de gás natural, totalizando 328,8 mil boe/d, uma redução de 8,1% em relação ao mês anterior. A principal justificava para a redução na produção do pré-sal foi a parada programada para manutenção da plataforma FPSO Cidade de Angra dos Reis, unidade produtora do campo de Lula, onde todos os poços são produtores do pré-sal.
Campos produtores
O campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, foi o maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural, com um volume total médio de 336,2 mil barris de óleo equivalente por dia (Mboe/d). O campo de Manati, na Bacia de Camamu, foi o maior produtor de gás natural com uma produção média de 6,4 milhões de m³/d.
Em torno de 92,3% da produção de petróleo e gás natural foram provenientes de campos operados pela Petrobras. Aproximadamente 91,2% da produção de petróleo e 72,3% da produção de gás natural do Brasil foram explotados de campos marítimos. A produção de petróleo e gás natural no Brasil foi oriunda de 9.112 poços, sendo 793 marítimos e 8.319 terrestres. O campo com o maior número de poços produtores foi Carmópolis, Bacia de Sergipe, com 1.116 poços.
A plataforma P-56, localizada no campo de Marlim Sul foi a unidade com maior produção, aproximadamente 145,5 mil boe/d através de oito poços a ela interligados. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 24,1°, sendo que 8,9% da produção são considerados óleo leve (>=31°API), 61,1%, óleo médio (>=22°API e <31 09="" 30="" a="" acordo="" anp="" classifica="" com="" da="" de="" e="" leo="" n="" o="" p="" pesado="" portaria="">

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Oil prices flirt with 2013 peak

 
 
NEW YORK (CNNMoney)

Oil prices touched a 2013 high Friday, driven by anxiety over a military coup in Egypt.


U.S. oil futures for the August contract rose as high as $102.44 a barrel, above Wednesday's intraday peak of $102.18, which was the highest level in more than a year. The price eased in later trading to $101.77, up 53 cents from Wednesday's settlement price of $101.24.


The Egyptian army seized control of the government Wednesday amid violent protests, deposing the country's first democratically elected president, Mohamed Morsy of the Muslim Brotherhood. On Friday, the African Union announced that it was suspending Egypt.

Egypt produces a negligible amount of oil. But the Suez Canal, which passes through the north African nation, is a major thoroughfare for oil shipping that links the Mediterranean Sea with the Red Sea and the Persian Gulf.

"I think most folks don't believe that violence in Egypt is going to cause a shutdown of the Suez Canal," said Tom Kloza, chief oil analyst for Gasbuddy.com. "But when you have a coup, no one wants to be short oil."

Related: Beware dire predictions on Obama's war on coal

Oil was on the rise, even before the Egyptian coup. Oil prices have climbed more than 8% in the last month, driven by economic growth.

Brent crude, the benchmark for oil prices in Europe, rose 57 cents, or 0.6%, to $106.33 a barrel.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Baderna chega na economia

 

Dificuldades nas estradas continuam

Apesar de decisões judiciais terem liberado a circulação de veículos nas estradas de alguns Estados ontem, empresas continuaram a dar relatos de prejuízos e dificuldades na operação logística decorrente das manifestações.
"Temos reclamações de clientes que não recebem nossos produtos", disse ontem Sérgio Macedo, vice-presidente industrial da Vilma Alimentos, tradicional fabricante de farinha e massas de macarrão de Minas Gerais. A companhia, segundo ele, enfrenta dois problemas: motoristas que não conseguiram voltar das estradas para recarregar e os que partiram para fazer as entregas e que estão parados. "Não tem solução, temos só que esperar".
Macedo disse também que os bloqueios já causaram um impacto de mais de R$ 1 milhão à Vilma Alimentos em dois dias. O faturamento diário que em geral é de R$ 2,2 milhões ficou em R$ 1,4 milhão na segunda-feira e R$ 1,7 milhão na terça.
A fabricante de pão de queijo Forno de Minas estuda readequar as rotas de entrega caso os protestos nas rodovias continuem, diz José Gorgulho, gerente de logística da companhia. A sede fica em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, e a massa, fresca e congelada, sai de lá para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro - trechos que estão entre os que mais enfrentam paralisações de caminhoneiros.
A Usiminas também foi atingida pelos protestos. Por meio de nota, informou que "o escoamento de produtos sofreu impactos em função das paralisações de caminhoneiros ocorridas nos últimos dias, com atrasos nas entregas finais". "A empresa busca soluções para atender às necessidades dos clientes", diz o texto.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) não havia calculado até ontem os impactos dos protestos na produção e distribuição de produtos e insumos pelas estradas no Estado. Mas apontou que os principais afetados têm sido a indústria alimentícia, a distribuição de combustível, siderúrgicas e a revenda de eletroeletrônicos, que em geral tem estoques reduzidos nas lojas.
A Paranapanema, fabricante de produtos de cobre, também não passou imune. Segundo o presidente da companhia, Edson Monteiro, como a Paranapanema sempre tem cargas para entregar em diversos locais, está sujeita, assim como outras empresas, a ter parte de suas entregas afetadas por bloqueios de estradas. A companhia tem unidades de produção industrial em Dias D'Ávila (BA) e em Santo André (SP) e clientes em diversas regiões do país.
A Receita Federal chegou a ampliar em duas horas o período de atendimento no porto seco de Uruguaiana (RS), na fronteira entre o Brasil e a Argentina, para normalizar o fluxo de caminhões entre os dois países. Quase 300 caminhões estavam parados no fim da tarde de ontem no pátio e nas vias de acesso ao porto seco, que recebe em média 500 veículos por dia.



S&P reitera preocupação fiscal com Brasil

Por Aline Oyamada e Daniela Machado | De São Paulo
 
A agência de classificação de risco Standard & Poor's afirmou ontem que a fraqueza dos investimentos têm sido "a grande decepção" no Brasil e que monitorará com cautela a política fiscal do país. A S&P afirmou também que as recentes manifestações populares criam pressões fiscais e incutem um "senso de urgência" ao governo.
Em conferência sobre o país, o diretor de ratings soberanos da S&P, Sebastian Briozzo, afirmou que a estratégia do governo para incentivar o investimento privado no país não está sendo bem sucedida. Segundo ele, a taxa de investimentos em relação ao PIB do Brasil é menor que a de outros emergentes. O diretor reiterou que reformas estruturais, como a da previdência e a tributária, poderiam ajudar nesse aspecto.
Há cerca de um mês, a S&P revisou a perspectiva para a nota soberana do Brasil de estável para negativa, citando o investimento fraco e o crescimento menor que o esperado. O rating de longo prazo em moeda estrangeira do país está, atualmente, em "BBB".
As recentes manifestações populares, segundo Briozzo, devem incutir um senso de urgência ao governo. "Existe uma pressão social que pode levar a uma maior pressão fiscal. As demonstrações podem ter efeito, mas teremos que esperar para ver", afirmou Briozzo. Segundo ele, é cedo para dizer se essas manifestações forçarão o governo a gastar mais. A S&P, portanto, seguirá atenta às respostas do governo às pressões sociais. "Até agora, não acredito que as manifestações possam ser um fator determinante no nosso rating, mas certamente aumentam os desafios políticos para o governo".
Sobre as contas externas, Briozzo afirmou que apesar da deterioração recente, o atual déficit é totalmente gerenciável. A S&P projeta um superávit primário de 1,8% do PIB em 2013. A maior preocupação da agência é com o limitado espaço de manobra fiscal do Brasil, sobre o qual diz que o governo está ciente.
Já o sistema financeiro brasileiro não é foco de preocupação da agência de modo geral, pois os indicadores de solvência e liquidez são fortes. Ainda assim, a S&P deve acompanhar de perto o ritmo de evolução do crédito. "Tínhamos uma taxa de expansão [dos financiamentos] entre 25% e 30% nos grandes bancos e agora temos algo entre 10% e 15%. Essa é uma desaceleração significativa", comentou o diretor.
A expectativa da S&P é que o Banco Central (BC) aumente a Selic em 0,75 ponto percentual até o fim do ano. Briozzo afirmou, contudo, que "definitivamente não vamos voltar para as altas taxas de juros do passado".

Para Goldman, incerteza local afeta câmbio
 
O câmbio no Brasil está desancorado, e a piora nos fundamentos da economia doméstica é a principal razão para isso. Essa é a avaliação do diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, para quem o país corre risco de enfrentar um rebaixamento da nota de crédito em meio a uma variável até então não tão preocupante: o risco político.
Na avaliação de Ramos, o real já sofreria de qualquer forma, pois a perspectiva de redução de liquidez pelo banco central americano e a desaceleração econômica da China vêm pressionando todas as principais divisas emergentes e associadas aos preços das commodities. Mas a moeda brasileira vem sendo mais impactada pelas incertezas que persistem no plano doméstico, relacionadas sobretudo a inflação, crescimento e política fiscal.
Veja os principais trechos da entrevista concedida ao Valor.

Valor: O que tem chamado mais sua atenção na alta do dólar ante o real desde maio?

Alberto Ramos: O descolamento do câmbio reflete fatores domésticos e externos. Os externos são comuns a praticamente todos os mercados emergentes, tendo a ver com o reposicionamento da política monetária americana. Isso acabou tirando suporte das divisas emergentes. Mas não é só o fator Estados Unidos. A desaceleração da China é outro risco importante nesse cenário, o que sugere que o superciclo das commodities parece estar chegando ao fim. Tudo isso tira o vento de cauda favorável aos mercados emergentes. Mas não há nada de errado com isso. Em níveis mais depreciados, essas moedas devem ajudar na realidade macro local, se ajustando ao entorno externo menos amigável. Mas, no Brasil, há claramente fatores domésticos pesando no câmbio. Apesar da intervenção agressiva do BC, o câmbio continua sem âncora, porque estamos num ambiente macroeconômico doméstico ruim. Mesmo a R$ 2,20, o câmbio ainda está desalinhado dos fundamentos, e isso gera mais perda de competitividade.

Valor: O câmbio deve se depreciar mais nos próximos 12 meses?

Ramos: A tendência é que sim, até porque, mesmo com os fundamentos mais fracos, o Brasil ainda é um país caro e precisa de um câmbio mais competitivo. E essa alta nominal do dólar precisa ser acompanhada pela queda do câmbio real. Mesmo se não houvesse todo esse ruído macro e político, o câmbio teria que se mover simplesmente para compensar a inflação alta. Isso mostra a urgência de se conseguir um câmbio menos apreciado.

Valor: A questão política passou a preocupar?

Ramos: Esse é um elemento de incerteza que não estava no radar. Eu diria que um fator que diferenciava o Brasil de outros mercados emergentes era a estabilidade política. Ninguém falava sobre isso em conversas, não era tema. Eu acho que ainda é um fato que diferencia. O que está acontecendo no Brasil não tem comparação com o que ocorre na Turquia ou Egito, por exemplo. Mas, de qualquer forma, é mais um elemento de incerteza nessa equação já difícil. O que precisa se monitorar agora é qual vai ser a resposta do governo a essas demandas da sociedade. Vai ser uma resposta de populismo fiscal fácil ou vai ser uma que privilegie a disciplina fiscal? Se for populista, o governo não estará entregando absolutamente nada de positivo, apenas um déficit maior que seria cobrado mais tarde com mais imposto e inflação.

Valor: O Brasil pode ter problemas de financiamento diante da perspectiva de redução de liquidez pelo Federal Reserve?

Ramos: A possível diminuição da liquidez pelo Federal Reserve tende a aumentar os custos de financiamentos das empresas e é claro que isso impõe um desafio extra ao Brasil. O país precisa cobrir um déficit de US$ 75 bilhões neste ano e mais US$ 75 bilhões em amortizações estão por vir. Ou seja, são US$ 150 bilhões em necessidade de financiamento. Acho que o Brasil vai continuar tendo acesso a esses financiamentos, mas eles vão ficar mais caros, mais seletivos. Por isso o país precisa adotar uma política macroeconômica mais clara ao estrangeiro e garantir esses recursos.

Valor: O Brasil pode ter sua nota de crédito rebaixada?

Ramos: Se o crescimento não melhorar, a inflação continuar elevada e houver ainda mais expansionismo fiscal, as chances de um "downgrade" pelas agências de risco são reais. O país já está em perspectiva negativa pela S&P. O risco não é desprezível.

Valor: Estamos piores em relação a nossos pares?

Ramos: Sim, porque os fundamentos domésticos estão mais fracos e deixam o país mais vulnerável às turbulências externas. A queda mais forte dos ativos brasileiros, sobretudo do real e das ações, é um claro reflexo disso.


 
 

Dólar bate nova máxima em três anos, cotado a R$ 2,269

 

Por José de Castro, Silvia Rosa e Antonio Perez | De São Paulo - Valor 04/07

A pressão no câmbio não deu trégua na quarta-feira, e o dólar renovou a máxima de fechamento ante o real em mais de três anos. Novamente, a demanda de estrangeiros no mercado futuro e saídas de recursos pela conta financeira, em meio a nova queda do Ibovespa, pesaram sobre o real e impuseram à moeda brasileira um desempenho pior que o de seus pares internacionais.
A preocupação com o fluxo cambial ao país, que tem se mostrado cadente, levou o governo a adotar mais uma medida de estímulo à entrada de capital. Após o fechamento dos mercados, o BC informou que permitirá que as empresas recebam pré-pagamento à exportação com prazo superior a cinco anos. Em dezembro passado, mês em que o fluxo cambial foi negativo em quase US$ 6,8 bilhões, o BC havia elevado de um para cinco anos o prazo máximo para a contratação desse instrumento, conhecido como PA.
No fechamento, o dólar subiu 0,84%, a R$ 2,269, maior patamar desde 1º de abril de 2009, quando encerrou em R$ 2,28.


Para o diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, a medida reflete a preocupação do governo com a deterioração nas perspectivas para o fluxo, mas não altera significativamente o cenário adiante.
"Acho que o BC está no caminho certo, tirando essas amarras à entrada de capital. Mas o problema é que essas medidas têm vindo muito tarde, quando o problema já está instalado", diz, prevendo que o dólar deve sofrer um alívio apenas "pontual" nos negócios de hoje.
"O BC evitou intervir no mercado hoje [ontem], mesmo com o dólar claramente descolando do movimento lá de fora. Amanhã [hoje], se a pressão no câmbio continuar, ele vai ter que intervir. Caso contrário, o mercado pode fazer queda de braço e puxar esse câmbio para perto de R$ 2,30", diz.
Recentemente, o governo zerou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incidia sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa. Zerou também o IOF sobre aumento de posições vendidas em derivativos cambiais e isentou os bancos de recolher ao BC compulsório sobre o que excedesse posição vendida em dólar à vista a partir de US$ 3 bilhões. O governo ainda cobra IOF sobre captações externas com prazo menor que um ano.
Os números divulgados pelo BC ontem reforçaram a fragilidade do cenário para as entradas de capital. Após um mês de maio mais robusto, as saídas de dólares superaram as entradas em US$ 2,636 bilhões em junho. É o pior saldo para um mês desde dezembro passado (-US$ 6,755 bilhões) e o mais fraco para meses de junho desde 2010, quando houve déficit de US$ 4,279 bilhões.
Principal suporte do fluxo em maio, o câmbio contratado para operações comerciais foi o vilão de junho, ficando negativo em US$ 1,865 bilhão - o pior para um mês desde janeiro passado (-US$ 4,755 bilhões) e o maior déficit para meses de junho desde o início da série histórica do BC (1982). Do lado das operações financeiras, o déficit em junho (-US$ 771 milhões) foi menor que o de maio (-US$ 3,343 bilhões). Mas fica clara a piora quando o desempenho dessa conta é comparado com um ano antes, quando o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 1,280 bilhão.
No mercado de juros futuros, o pregão foi de volume reduzido e de oscilações modestas nas taxas de DI. Os contratos mais curtos embutem a perspectiva amplamente majoritária de alta de 0,50 ponto da taxa básica na próxima semana, para 8,50%. Saiu de cena a aposta de taxa básica em dois dígitos este ano. O DI de janeiro de 2014 fechou com taxa de 8,84% (mesma de terça-feira), indicando a probabilidade de elevação da Selic até 9,50%. Com a atividade deprimida e a perspectiva de que o PIB feche o ano com alta de cerca de 2%, o mercado de juros futuros passou a desconsiderar um aperto monetário mais forte, mesmo com o BC trabalhando sem a ajuda de um ajuste fiscal crível. Mais líquido do dia, com cerca de 238 mil contratos negociados, o DI de janeiro de 2015 fechou a 9,64%, leve queda.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

How Brazil can win back investors



Investors will be waiting on the sidelines until they see that Brasilia is making a true and concerted effort to stamp out corruption and govern in a way fitting for the world's seventh-largest economy.



FORTUNE -- The massive protests in Brazil may have subsided, but the unrest is far from over, as evidenced by the tear gas earlier this week outside the Brazil-Spain soccer game in Rio. The turmoil threatens to exacerbate an already tense situation for the nation's shaky financial markets. The protests, which erupted last month in response to a hike in bus fares, is undermining the Brazilian government's attempt to alleviate a potentially disastrous flight of foreign capital as investors cycle out of emerging markets.

If the government doesn't move to address the grievances of its restless and frustrated population quickly and prove to the investment community that it is still committed to responsible government spending, then the country could be setting itself up for a severe economic downturn.

Brazilians rarely like to rock the boat. They have lived through dictatorships, corrupt governments and wild economic swings without much popular dissent. Indeed, this was, after all, the last western nation to ban slavery -- and it didn't come about because of a mass popular uprising, it just happened because it was time.

But Brazil has changed dramatically in the last few years. Brazilians, now numbering nearly 200 million, are richer and more educated than at any time in the nation's short history. An amazing 20% of the population, around 40 million people, have been lifted out of poverty in the past decade. At the same time, enrollment in higher education has doubled and the nation's literacy rates among youths now tops 97%.

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These are all good things for investors to hear. A richer and more educated population usually leads to a healthy uptick in spending within the country on a variety of services and assets. This creates an upward spiral in economic growth where investors are able to reap healthy returns across a variety of markets.

As such, with an abundance of exploitable natural resources and a growing service sector, Brazil was the favorite emerging market for many investors, especially those concentrated in fixed income. Investors were able to park their cash with ease and reap returns that well exceeded whatever they could get back in Europe or even in the United States.

Furthermore, as a legitimate democracy with a somewhat competent legal system, Brazil also offered investors security from political risk, a rarity among emerging market economies. Brazil was so popular that foreign direct investment had held steady at around $65 billion from 2011 to 2012 even though economic growth in the country had stalled. The hope was that Brazil would bounce back.

But instead of things picking up, Brazil's economy just seems to be getting worse. Credit rating agencies Moody's and S&P both downgraded Brazilian debt last month after the government said it was expecting a further slowdown in economic growth. Traders in Brazilian government debt tell Fortune that this is causing a major outflow of capital from Brazil's fixed income markets. As such, dollar-denominated Brazilian bonds are down nearly 8% in the second quarter of this year, the largest such decrease for a single quarter since 2002, according to an analysis by Bloomberg.

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There are a few things going on here. First, there has been a mass sell-off in emerging market debt by investors from Wall Street to London in the last two months. What started out as a trickle of selling has since turned into a stampede for the exits -- with debt markets across the emerging market space taking a pounding, especially Brazil. Secondly, the rout was exacerbated by the US Federal Reserve, which signaled last month that it may be willing to raise interest rates in the not-so-distant future. The promise of higher rates, and, thus, potentially higher returns on U.S. investments, managed to lure investors away from the emerging markets and back to the U.S.

Brazil's finance ministry has quickly sprung into action to prevent the hemorrhaging of foreign capital from the nation's debt and equity markets. It first eliminated a 6% tax foreigners had to pay to invest in Brazilian local bonds. The tax, put in place by the government in 2010 to supposedly prevent wild swings in the Brazilian currency, now levels the playing field and should draw in new investors. In addition, the government recently cut a 1% tax on currency derivatives in an attempt to boost the value of the Brazilian Real.

Normally, such actions would have been enough to at least stabilize the sell-off. Investors who had hesitated to enter the Brazilian markets due to the "foreigners tax" would have jumped in the second they heard the news that the tax was history. But the tax changes haven't been enough this time around to lure back investors. That's because of what's going on in the streets of Brazil's largest cities -- protests and riots.

Fund managers who had stuck by Brazil during the recent market rout will now find it even harder to do so with millions of Brazilians on the street, shutting down ports, creating traffic jams, and scaring the government. What turned out to be outrage at the government for raising transit fares (which had since been reversed) has now become a protest for everything by everyone with no clear leader or agenda. Among the dozens of causes that people are protesting include: transportation costs; Native Indian rights; government spending on the 2014 World Cup and the 2016 Summer Olympics; corruption in state and local governments; and a bill in the Brazilian congress that would authorize psychologists to try and "cure" homosexuals.

So far the government, led by President Dilma Rousseff, has failed miserably to contain the protests, many of which have become violent and chaotic. For example, over the weekend, hooded protesters armed with screwdrivers and slingshots set fires and attacked police outside the Confederations Cup soccer game in Rio de Janeiro. It was a terrible embarrassment for the government.

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So what is the government to do here? With so many different causes and no real leadership, it seems impossible to get control of the situation. But while there are many different causes, they all share a common root -- corruption and mismanagement in Brasilia. Brazil's new middle class is simply fed up with Brazil's shoddy infrastructure, terrible medical system, super high taxes and shoddy education. The government purse continues to expand thanks to the economic boom, but it has failed to reinvest that money in a productive way. Indeed, the 40 million people who pulled themselves out of poverty did so because of a surge in commodity prices that helped fuel a boom in the service sector. The government did little, if anything, to encourage the development of the boom and kept income taxes at around 40%, by far the highest such tax rate for an emerging market economy.

It is clear that the Brazilian government needs major reform. For starters, the President could send a gesture of goodwill to the protestors by reshuffling her cabinet and firing ministers who have failed to perform. She can also create an action plan that addresses all the causes and sets forth ideas on how to address the problems. She should also explain to the Brazilian people that the protests, while understandably valid to some degree, could be setting the country up to take a big economic hit. Bond traders from Lisbon to Sao Paulo tell Fortune that they are afraid of jumping back into the Brazilian debt markets because of the uncertainty surrounding the protests. Foreign direct investment last year in Brazil was around $65 billion, but is set to take a big dive in the weeks to come.

The protests in Brazil aren't going away without some proactive steps taken by the government to show that it "gets it." So far, the Brazilian government's usual plan of action, to do nothing and wait things out, isn't working. The government needs to see the protests as part of a larger social revolution and should get to the roots of the problem. Investors will be waiting on the sidelines until they see that Brasilia is making a true and concerted effort to stamp out corruption and govern in a way fitting for the world's seventh-largest economy.

'Efeito X' e mau humor geral provocam baixa de 4,2% na bolsa de SP


Valor 03/07

A culpa não foi só de Eike Batista, mas as empresas "X" tiveram papel relevante no estrago sofrido pela bolsa ontem, que teve baixa de 4,24%, a maior desde 22 de setembro de 2011. Participantes do mercado apontaram um conjunto de fatores para a onda vendedora que atingiu quase todas as ações - só 2 das 71 do Índice Bovespa tiveram alta.
Vendas pesadas de investidores estrangeiros e a disparada das ordens automáticas para limitar as perdas ampliaram a baixa. Do lado macroeconômico, o mercado digeriu mal o dado de produção industrial, que mostrou queda de 2% em maio. O risco político também foi levado em conta, por causa da agitação provocada pela proposta de plebiscito para reforma constitucional sugerida pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso. Além disso, os diversos protestos e as cenas de vandalismo que acontecem pelo país prejudicam a imagem do Brasil perante o investidor estrangeiro.
No ambiente corporativo, porém, o tema preferido é a crise das empresas "X" e suas possíveis consequências, especialmente sobre os bancos credores de Eike. Quase todos os bancos de investimento revisaram drasticamente para baixo suas projeções para as companhias do grupo, especialmente a OGX. O novo "teto" para a ação foi fixado em R$ 0,10 pelo BofA e pelo Deutsche.



 

Esquizofrenia hiperativa

 

Por Antonio Delfim Netto - Valor 02/07
 
A "voz das ruas" está lembrando aos governos do mundo as prioridades que eles esqueceram. No Brasil, que vive um processo civilizatório de profundidade e rapidez sem precedentes, a insatisfação se relaciona com a péssima qualidade dos serviços de transportes urbanos, o atendimento precário à saúde e o ensino público de má qualidade. E exige o fim da corrupção, seja lá o que isso for.

Em São Paulo, o problema da mobilidade urbana assumiu a condição de tragédia urbana. Há três anos, uma pesquisa mostrou a situação pré-incendiária na maior metrópole brasileira: mais de um milhão de paulistanos se obrigava, diariamente, a ir e voltar de casa para o trabalho caminhando, duas, três e até quatro horas. A maior parte por não poder pagar o preço das passagens, e também porque, mesmo pagando, o tempo gasto não seria muito diferente. É razoável admitir, como condição "normal" de vida, a cidadã ou cidadão gastar um terço do dia apenas para chegar ao local do trabalho e retornar à moradia geralmente à noite, muitas vezes de madrugada? Até quando tal ordem de coisas seria suportável?

O que os movimentos estão dizendo é apenas que há coisas mais importantes que os estádios esportivos: que os governos deveriam estar investindo ativamente em sistemas de transportes públicos para oferecer um mínimo de conforto à população que paga impostos. Para dar uma pequena quantificação desse descaso, basta lembrar que São Paulo tem menos que 75 quilômetros de metrô. Pois bem, um quilômetro de metrô custa em torno de R$ 200 milhões. Os provavelmente subestimados R$ 15 bilhões aplicados até agora em eventos esportivos significam 75 quilômetros de metrô, parte dos quais já poderia estar servindo à população.
O aumento da insatisfação pela má qualidade dos serviços públicos essenciais deveria ser vista com naturalidade, mesmo porque é menos um problema de recursos e mais atributo da má gestão do governo. O lamentável é que a "surpresa" produziu nos poderes Executivo e Legislativo uma resposta esquizofrênica hiperativa, com ilusionismos, aprovação apressada e inconsequente de subsídios, de gastos e de promessas de imaginárias receitas futuras, que todos sabem não caberão no PIB.

Provavelmente nunca poderão ser implementados, a não ser à custa da maior destruição fiscal, que levará - ao fim e ao cabo - ou a maior taxa de inflação e maior déficit em conta corrente (enquanto os credores tiverem paciência), ou, o que é pior, a alguma forma de restrição à liberdade individual com a qual já namoram alguns vizinhos latino-americanos.

O movimento das ruas é uma daquelas circunstâncias que levam a refletir sobre a natureza e o futuro da organização social em que vivemos. A história mostra: 1) que a utilização dos "mercados" para organizar a produção é resultado de um mecanismo evolutivo. Não foi inventado por alguém. Foi gerado por uma seleção quase natural entre os muitos sistemas que os homens foram experimentando, desde que saíram da África há 150 mil anos, para combinar relativa eficiência na conquista de sua subsistência material com aumento paulatino da liberdade para viver; 2) que deixado a si mesmo, ele amplia as desigualdades e tende a gerar flutuações cíclicas no nível de emprego; 3) que um Estado forte, constitucionalmente limitado e um poder incumbente escolhido pelo sufrágio universal, são fundamentais para civilizá-lo; e 4) que a crença na moralidade da intermediação financeira, essencial ao desenvolvimento produtivo, leva à submissão deste à primeira e, com tempo suficiente, ao controle do próprio Estado, como vimos em 1929 e 2008, o que exige forte regulação.

O mecanismo de seleção continua a trabalhar na direção de aumentar a liberdade do homem para viver a sua humanidade com a redução do trabalho necessário à sua subsistência material, e dar-lhe segurança através do aperfeiçoamento da organização social, que busca combinar três objetivos não plenamente conciliáveis: maior liberdade individual, maior igualdade de oportunidade e maior eficiência produtiva. É importante lembrar que esses três valores estão implícitos na Constituição de 1988. Ela reforçou as instituições para realizá-los.

A história sugere, também, que o método proposto pelo velho e ingênuo "socialismo fabiano", de aproximações sucessivas através da dialética interminável entre a "urna" e o "mercado", é, talvez, o único caminho assintótico para produzi-los. As alternativas propostas de sua substituição voluntarista por cérebros peregrinos lotaram de tragédias o século XX: mataram a liberdade sem aumentar a igualdade, ou melhorar a eficiência produtiva. A lógica é paciente, porque sabe que é inevitável.

A sociedade mundial está inserida numa profunda revolução apoiada em novas tecnologias e no aumento dramático da transmissão e acumulação de informações. Ela vai produzir ainda maior redução do trabalho material e imenso aumento da liberdade individual, no sentido da mesma seleção "quase" natural que nos levou até aqui.

No Brasil, as implicações desse novo passo civilizador precisam ser antecipadas por um dramático aumento da qualidade de nossa educação para elevar o espírito crítico dos eleitores. As exigências das ruas estão mostrando que esse é essencial para salvar a economia e, principalmente, a democracia...

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.



sexta-feira, 28 de junho de 2013

Banqueiros centrais caem "na real"

 

Por Raghuram Rajan - Valor 28/06
 
Os mercados estão mais uma vez em crise, após a sinalização do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) de que até o fim do ano poderá reduzir suas compras de títulos. A intensidade da reação do mercado foi surpreendente, pelo menos, em vista da percepção de como funciona a política de afrouxamento quantitativo do Fed. Afinal de contas, o Fed teve o cuidado de indicar que conservará sua política de manutenção dos juros perto de zero e não esvaziará seu estoque de títulos.
A teoria dominante sobre como funciona a flexibilização quantitativa é a abordagem do tipo "equilíbrio de carteira". Basicamente, mediante a compra de títulos de longo prazo do Tesouro nas carteiras dos investidores privados, o Fed espera que esses investidores venham a reequilibrar suas carteiras. Devido à remoção de um ativo de risco e sua substituição por reservas seguras do banco central, os apetites por risco não satisfeitos, por parte dos investidores, vai crescer, o preço de todos os ativos de risco (inclusive os dos títulos do Tesouro de longo prazo remanescentes em carteiras privadas) subirão, e os rendimentos dos títulos cairão.
Um elemento central da teoria é que o estoque de títulos que o Fed removeu de carteiras privadas, e não o fluxo de compras do Fed, será o fator determinante do apetite dos investidores por risco. A menos que os investidores pensassem que o Fed manteria indefinidamente suas compras de títulos, as notícias sobre a redução nas compras pelo Fed deveria ter tido um efeito apenas moderado sobre as expectativas de mercado quanto ao eventual estoque de títulos que o Fed pretende acumular. Então, por que ocorreu uma reação tão violenta nos mercados mundiais?


Uma resposta possível é que o volume de compras mensais pelo Fed também é relevante para os preços de ativos em todo o mundo. Outra possibilidade é que os investidores em todo o mundo leram muito mais, nas afirmações do Fed, do que o próprio Fed pretendia. Qualquer dessas respostas é preocupante, pois sugere que os bancos centrais - que agora detêm trilhões de dólares em ativos - têm menor capacidade para administrar o processo de reversão da flexibilização quantitativa do que gostaríamos. Winston Churchill poderia ter filosofado sobre a flexibilização quantitativa: "Nunca no campo da política econômica tanto foi gasto, com tão pouca evidência, por tão poucos".
A flexibilização quantitativa foi realmente um passo no escuro. Dadas todas as incertezas - por que ela funciona, como torná-la mais eficaz e como revertê-la - por que os banqueiros centrais, para quem "inovador" é geralmente um "palavrão", abandonaram seu habitual conservadorismo e a adotaram?
Uma possibilidade é de que, no passado, as crises ocorriam tipicamente em países com economistas de formação não tão sólida quanto os disponíveis, por exemplo, nos EUA e na Europa. Quando às autoridades econômicas de países emergentes era dito que precisavam implementar substancial austeridade, assim como promover um fechamento generalizado de bancos para purificar a economia na esteira de uma crise, eles não protestaram, apesar da perspectiva de anos de desemprego elevado. Em suma, as pessoas que determinavam as políticas estavam distantes das que iriam sofrer.


Quando a crise bateu em casa, os economistas ocidentais mostraram-se muito menos dispostos a aceitar que o sofrimento era necessário. O keynesianismo, que promete respostas indolores, ressurgiu, mais uma vez. O Fed, presidido pelo economista monetário possivelmente mais importante do mundo, propôs soluções criativas que poucos nos círculos políticos, inclusive nas instituições multilaterais geralmente conservadoras, questionaram.
Mas essa não é uma explicação inteiramente satisfatória. Economistas agraciados com o prêmio Nobel, como Joe Stiglitz, protestaram pública e enfaticamente sobre o tipo de austeridade a que a Indonésia, por exemplo, foi sujeita.
Consideremos uma outra explicação: talvez o sucesso dos banqueiros centrais em impedir o colapso do sistema financeiro após a crise de 2008 tenha lhes assegurado tal confiança do público que puderam ir mais longe. Talvez seu socorro bem sucedido ao sistema bancário também tenha levado alguns bancos centrais a acreditarem possuir o toque de Midas. Afinal, apesar de seu conservadorismo natural, teria sido difícil para os bancos centrais nada fazerem para melhorar o crescimento e reduzir o desemprego.
Pouca gente ficou feliz com o socorro aos grandes bancos, e muitos não entenderam por que o sistema financeiro tinha de ser salvo quando seus próprios empregadores estavam demitindo ou fechando as portas.
Com efeito, talvez a melhor explicação seja que em vez de criar mais espaço para os bancos centrais, os socorros bancários estreitaram seu espaço político de manobra. Talvez o que obrigou os bancos centrais a agir de forma criativa foi a dificuldade política de nada fazer após terem gasto bilhões socorrendo bancos privados. Afinal de contas, como seria possível permitir que um problema técnico, como o limite inferior de juro nominal nulo poderia antepor-se a um socorro à economia em geral, quando linhas de financiamento inovadoras foram utilizadas para salvar Wall Street? Depois que os banqueiros centrais promoveram o necessário socorro aos bancos, talvez eles tenham ficado enredados no cenário político, o que tornou a flexibilização quantitativa um resultado inevitável.
Assim como muita coisa relacionada com as recentes políticas monetárias não convencionais, há muitas coisas sobre as quais só podemos imaginar, inclusive por que foram implementadas. No fim das contas, se houver um mito de que os fatos recentes explodiram, é provavelmente o que considera os banqueiros centrais, como tecnocratas imunes ao cenário político e às ideologias de seu tempo. Também eles caíram "na real". (Tradução de Sergio Blum)

Raghuram Rajan foi economista chefe do FMI, é professor de Finanças na School of Business, da Universidade de Chicago, e principal conselheiro econômico do governo da Índia. É autor de Fault Lines: How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy (linhas de fraturas: como falhas ocultas ainda ameaçam a economia mundial. Copyright: Project Syndicate, 2013.
www.project-syndicate.org


domingo, 23 de junho de 2013

A baderna


Por Ronaldo Pignataro

Observem que o único partido existente é o PT na boca do povo.

Nossa democracia, portanto, é unipartidária e a oposição criada é a baderna, nenhum partido, para combater a baderna dentro de nosso sistema político.

Combatemos baderna com baderna e criamos essa baderna espetacular que são essas manifestações, uma revolução carnavalesca que reflete a seriedade com que tratamos os nossos problemas.

É o fato.

Por que não podemos ver a realidade?

Quando vamos às ruas, ridiculamente fantasiados, impedindo o tráfego provocando enormes congestionamentos, estamos queimando combustível para nada, poluindo o ar para nada depredando o maior patrimônio necessário à vida que é o oxigênio, para nada.

Saímos para depredar o que não nos custa nada aparentemente, a maioria, mas vão os que chamamos de "vândalos" que vão se aproveitar da bagunça por nós criada e nos fornecem o prazer de ver o circo pegar fogo.

Fazem o que reprimimos no nosso dia a dia e chutam, por nós, o pau da barraca.

É a realidade!

Queremos emoção para essa vida monótona, ridícula em que passamos metade do dia nesse transporte público terrível, nesse trânsito que não anda e que só piora.

Estamos fartos dessa vida mecânica e sem sentido e nos pintamos como índios para quebrar ou assistir.

Ninguém se dá conta do que está fazendo nem o que pretendem, enebriados que estão pela vaidade, pelo narcisismo, por esse eufemismo tolo e a vergonhosa projeção internacional que estamos obtendo.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Os EUA e a América Latina

 

Por Kevin P. Gallagher - Valor 21/06
 
O governo Obama e a mídia americana fizeram muito barulho sobre o "giro" dos Estados Unidos em direção à Ásia. O que, em grande medida, lhes passou despercebido é que a China vem arregimentando aliados econômicos no antigo "quintal" dos EUA.
Bem, da mesma forma que uma competição acirrada serve para avivar os impulsos criativos nos negócios, é hora de os EUA apresentarem uma política econômica adequada para a América Latina antes que seja tarde demais.
A diferença das abordagens dos EUA e China em relação à América Latina ficou abertamente em foco quando o vice-presidente americano, Joseph Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, visitaram a região.


A principal oferta dos EUA a seus vizinhos latino-americanos é a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês). A TPP oferece aos países da América Latina e Ásia acesso ao mercado dos EUA com base em uma condicionalidade tripla.
Primeira, precisam desregulamentar seus mercados financeiros; segundo, precisam adotar provisões de propriedade intelectual que deem preferência às firmas dos EUA; e terceiro, precisam permitir que firmas dos EUA possam processar diretamente governos de países que assinam o TPP, por infrações das condições do tratado.
Um condicionamento mais do que pesado. Mas, então, qual a abordagem da China? Em sua visita à região, o presidente chinês Xi Jinping ofereceu mais de US$ 5,3 bilhões em financiamentos, sem exigir muitas condições, a seus novos amigos latino-americanos. Essas ofertas ainda precisam ser confirmadas, mas de acordo com notícias na imprensa os chineses assinaram acordos nesta viagem para: 1- conceder US$ 3 bilhões a projetos de infraestrutura e energia de oito países caribenhos; 2- conceder US$ 1,3 bilhão à Costa Rica em empréstimos e linhas de crédito, incluindo um empréstimo de US$ 900 milhões do Banco de Desenvolvimento Chinês para modernizar uma refinaria de petróleo e uma linha de US$ 400 milhões para infraestrutura rodoviária, do Ex-Im Bank of China; e 3- uma linha de crédito do Ex-Im Bank da China de US$ 1 bilhão ao México, para sua petrolífera estatal Pemex.
Esses financiamentos somam-se aos US$ 86 bilhões já fornecidos pela China aos governos da América Latina desde 2003. É verdade, essa quantia -por maior que seja - parece ser apenas mais um número no mundo de hoje. Então, para dar uma ideia melhor: desde 2003, portanto, nos últimos dez anos, os bancos de políticas públicas da China forneceram mais financiamento à América Latina do que o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ex-Im Bank dos EUA.


Essa comparação deveria ser suficiente para acordar os EUA de sua letargia passada e por assumir que sua relação com a América Latina é algo garantido. Em termos simples, os EUA e o grupo de instituições financeiras internacionais em grande parte dominadas pelo Ocidente foram superadas pela força financeira da China. Bem-vindos ao admirável mundo novo!
Não se trata, entretanto, de uma mera questão de números. Ao contrário dos tratados comerciais dos EUA e do financiamento das instituições financeiras internacionais, em grande parte sob o controle dos EUA, a China oferece seus empréstimos sem fazer grandes exigências.
Em uma região que é, compreensivelmente, muito sensível a qualquer ideia de condicionalidade, tendo em vista as dolorosas experiências do passado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, a China preocupa-se em garantir que sua política não seja baseada em condicionalidades.
Dito isso, os chineses não deixam de ter uma forte preocupação comercial. Muitas vezes, a China apresenta ofertas casadas - exigindo que empresas chinesas sejam contratadas para trabalhar em grande parte do projeto previsto.
Além disso, o que os EUA oferecem no TPP aos países latino-americanos não significa muito no mundo real. Na verdade eles já têm tratados comerciais com os EUA que lhes garantem acesso ao mercado do país.
Em poucos anos a China tornou-se a maior parceira comercial do Brasil e do Chile e a segunda maior do Peru e México. Não são quaisquer países. São as economias mais importantes da América Latina.
Os EUA, é claro, ainda são o maior parceiro econômico da região como um todo. Mesmo assim, não podem, contudo, continuar a ver sua posição na América Latina como garantida.
Por um tempo longo demais, os EUA recorreram a um mecanismo bastante imperial - apenas dizer à América Latina o que ela precisa. Compare isso com a abordagem da China: o país oferece à América Latina o que a região quer (na forma de financiamento e comércio com a China).
Quando o presidente Obama assumiu o comando, ele e sua equipe comprometeram-se a apertar o botão de "reinicializar" das relações com a região e a repensar seu regime comercial com a América Latina. Não foi o que ocorreu. Até agora, "reinicializar" basicamente significou apresentar a mesma oferta, mas por meio de novos rostos.
Além disso, grande parte da interação com os governos da região foi direcionada aos esforços para o combate às drogas. Esses países, acertadamente, não veem isso com uma grande abordagem em prol do crescimento e desenvolvimento, mas como um mecanismo defensivo e estrangeiro, para proteger o território dos EUA.
Tendo em vista tudo isso, passou da hora de o governo dos EUA realmente repensar sua política econômica em relação à América Latina. Muito em breve pode ser tarde demais. (Tradução de Sabino Ahumada)

Kevin P. Gallagher é professor de relações internacionais na Boston University e pesquisador do Global Development and Environment Institute.





 

Movimento Passe Livre suspende novas manifestações em São Paulo




SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre anunciou nesta sexta-feira a suspensão de novas manifestações em São Paulo. Segundo um dos integrantes do grupo, que pleiteia tarifa zero nos transportes públicos, "grupos conservadores se infiltraram nas manifestações" e defenderam propostas como a redução da maioridade penal.
Rafael Siqueira, 38, ativista do MPL, afirmou que as agressões a militantes de partidos políticos na manifestação de ontem, na avenida Paulista e em outras cidades, também motivaram o grupo a tomar essa decisão.
"A gente acha que grupos conservadores se infiltraram nos últimos atos para defender propostas que não nos representam", disse Siqueira. De acordo com ele, o recuo do movimento foi decidido no final da noite de ontem, após os incidentes na Paulista.
"Nacionalistas"
Na quinta-feira, um grupo de manifestantes, denominados "nacionalistas" entrou em confronto com pessoas que estavam com bandeiras de partidos durante protesto contra tarifas na avenida Paulista, centro de São Paulo. Segundo o Datafolha, a manifestação reunia cerca de 70 mil pessoas na via.
O principal confronto ocorreu entre um grupo de nacionalistas e manifestantes com bandeiras do PSTU e PT. Os "nacionalistas" queriam que o protesto prosseguisse sem bandeiras partidárias e sem a interferência de partidos políticos.
Após uma das confusões, o advogado Guilherme Nascimento, 26, deixou a avenida Paulista com um ferimento na cabeça. "Foi o PT que fez isso, me deram uma paulada". O rapaz foi carregado por amigos até um carro da Polícia Militar, que o levou a um pronto-socorro.
Um homem usou um taco de hóquei para ameaçar petistas. Durante a confusão, uma mulher caiu no chão e quase foi pisoteada. Ao menos duas bandeiras do PSTU e uma do PT foram tomadas de manifestantes e queimadas na avenida Paulista.
Apolíticos partiram para cima dos partidários com chutes e socos. Parte deles respondeu com bandeiradas e pedradas. A Polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo para conter a pancadaria.
Um grupo de nacionalistas armados com facas gritaram contra os manifestantes do PT dizendo que vão "meter a faca". Eles entoaram gritos e disseram que iam tomar todas as bandeiras
Membros do PSTU, PSOL, UNE, UJS (União Jovem Socialista) foram hostilizados por manifestantes na avenida Paulista, em frente à Fiesp. Juntos, os partidários começaram a deixar a região. A manifestante Fátima Sandalhel disse ter sofrido retaliações por vestir uma camiseta vermelha e estar próxima a grupos partidários.
"Nós estivemos em todas as manifestações anteriores para agora sermos expelidos na manifestação. Usar camisa vermelha é um direito, usar bandeira é um direito. O que aconteceu hoje aqui é um atentado à democracia", disse Sandalhel.
Houve um princípio de confusão, quando uma bandeira do PSTU foi rasgada e um militante partiu para cima de um manifestante. As pessoas também cantaram gritos de guerra contra o PT. "Os caras com bandeira de partido querem levar vantagem. O Passe Livre está com o PT", disse o universitário Bruno Scorziello, 22, após tentar impedir a passagem do protesto.
Após a confusão, muitos militantes choraram: "Estão acabando com anos de luta. Não queremos reivindicar para nós, queremos somar", disse um deles sem se identificar.
(Folhapress)


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O legado tóxico da crise grega


 

Por Martin Wolf - Valor 19/06
 
Há 2,5 mil anos, a Grécia deu forma à mentalidade ocidental. Mais recentemente, deu forma às respostas para uma crise financeira. A Grécia sofreu uma calamidade - e o medo de que outros a seguissem justificou a passagem para um cenário de austeridade. O resultado foi uma recuperação fraca da recessão pós-crise, em especial na região do euro e no Reino Unido. A Grécia, infelizmente, teve a crise errada, no momento errado.
Simon Wren-Lewis, da Oxford University, conta a história em um texto excelente em seu blog. Ele aproveita uma avaliação crítica do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o programa de auxílio à Grécia acertado em maio de 2010. Aqui está o sumário dos fracassos: "A confiança do mercado não foi recuperada, o sistema bancário perdeu 30% de seus depósitos e a economia deparou-se com uma recessão muito mais profunda do que a prevista, com um desemprego excepcionalmente alto. A dívida pública continuou muito alta e acabou sendo reestruturada, com danos colaterais aos balanços patrimoniais dos bancos, também enfraquecidos pela recessão. A competitividade melhorou um pouco, sustentada pela queda nos salários, mas as reformas estruturais se detiveram e ganhos de produtividade mostraram-se elusivos".
Enquanto o programa projetava declínio de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB) real entre 2009 e 2012, o resultado foi uma queda de 17%. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a associação dos países de alta renda, a demanda privada real caiu 33% entre os primeiros trimestres de 2008 e de 2013, enquanto o desemprego subiu para 27% da população economicamente ativa.
O FMI supostamente só empresta a um país se sua dívida for sustentável. Esse, contudo, não foi o caso, nem de longe, como muitos comentaristas indicaram na época. Em vez de tornar as dívidas sustentáveis, o programa apenas deixou muitos credores privados escaparem ilesos. No fim das contas, uma redução na dívida aos credores privados foi imposta. A dívida pública grega, entretanto, continua alta demais: o FMI projeta que estará próxima a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Esse excesso de endividamento tornará mais difícil para a Grécia retornar aos mercados e à solidez econômica. Uma redução mais profunda da dívida ainda é necessária.
Tudo isso nos conta uma história deprimente sobre a politização do FMI e a incapacidade da região do euro para agir no melhor interesse de seus países-membros mais fracos. A crise grega também teve dois resultados internacionais.
Primeiro, dentro da região do euro, o fato de a Grécia ser o primeiro país a entrar em crise deu mais força ao ponto de vista dos norte-europeus de que a crise foi fiscal. Isso porque a Grécia, de fato, foi um caso de impressionante libertinagem fiscal, com o endividamento público líquido chegando a mais de 100% do PIB mesmo antes da crise. Em outros países, entretanto, foi bem diferente: as captações privadas foram a raiz das crises na Irlanda, Espanha e, em menor medida, em Portugal. A dívida pública italiana estava alta, mas não por algum relaxamento fiscal recente. Ao decidir que a crise era amplamente uma crise fiscal, as autoridades puderam ignorar a verdade de que a causa do desarranjo foram empréstimos irresponsáveis entre fronteiras, algo pelo qual os captadores são tão culpados quanto os que concedem o crédito. Se a culpabilidade dos dois lados - captadores e credores - tivesse sido compreendida, o argumento moral para o cancelamento de dívidas teria sido mais evidente.
Segundo, a crise grega assustou autoridades por todo o mundo. Em vez de concentrar os esforços em remediar o colapso do setor financeiro e reduzir o excesso de dívidas privadas, que foram os motivos da crise, voltaram as atenções para os déficits fiscais. Estes, contudo, em grande medida, foram um sintoma da crise, embora, também, em parte, uma resposta adequada a ela. Como destaquei, em junho de 2010, pouco depois do primeiro programa grego, os líderes do G-20, reunidos em Toronto, decidiram reverter os estímulos, declarando que "as economias avançadas se comprometeram a planos fiscais que vão cortar pelo menos pela metade os déficits em 2013". Seguiu-se um forte aperto. As autoridades justificaram a mudança com pesquisas acadêmicas: a ideia de que a contração fiscal poderia ser expansionista foi um encorajamento; a ideia de que o crescimento cairia, se a dívida pública aumentasse muito, foi um alerta.
O que parecia ser, até meados de 2010, uma recuperação sólida do pesadelo da "Grande Recessão" foi abortado, em especial, no Reino Unido e na região do euro. O maior grau de sucesso dos Estados Unidos em sobreviver à austeridade deveu-se provavelmente à limpeza mais agressiva do setor financeiro, à maior aceitação da desalavancagem pelas famílias e a sua política monetária mais agressiva, em particular, em comparação à região do euro. Se as previsões mais recentes da OCDE estiverem certas, o PIB da região do euro será menor no quarto trimestre de 2014 do que era no primeiro trimestre de 2008 e apenas 0,7% maior do que no primeiro trimestre de 2011. Foi o aperto fiscal que causou, por si só, essa fraca recuperação? Certamente, não. Mas retirou um contrapeso, ainda desesperadamente necessário, às forças contracionistas emanando dos setores privados atingidos pela crise.
O que torna essa história deprimente é que foi desnecessária. De início, pode ter havido lógica em sentir receio de que a crise grega era o primeiro surto de uma crise fiscal pandêmica. Logo ficou claro, no entanto, que os países com moedas com livre flutuação ainda podiam lançar títulos de dívidas públicas com juros ultrabaixos. Isso, em parte, graças à "flexibilização quantitativa" de seus bancos centrais. Ter seu próprio banco central dá a um governo certo grau de liberdade para administrar sua reação a uma crise financeira. Para esses países, o momento apropriado para um forte aperto fiscal estrutural chega apenas depois que seus setores privados começam a eliminar seus superávits financeiros estruturais. Isso ocorre apenas logo depois da crise. Também requer uma reestruturação anterior do setor financeiro e baixas contábeis de dívidas privadas excessivas.
Em resumo, a crise grega mostrou-se uma calamidade tripla: uma calamidade para os próprios gregos; uma calamidade para o ponto de vista popular sobre a crise dentro da região do euro; e uma calamidade para a política fiscal nos demais lugares. O resultado foi a estagnação - ou desempenho ainda pior, em particular, na Europa. Hoje, precisamos admitir que a enorme queda na produção em relação à tendência pré-crise pode muito bem nunca ser retomada. A reação das autoridades, contudo, não foi admitir os erros, mas redefinir, em um novo patamar, mais baixo, o que é um desempenho aceitável. É uma história triste.

Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT