quarta-feira, 10 de julho de 2013

Produção de petróleo em maio desceu 2,7% em relação ao ano passado

 

Fonte: ANP/Assessoria de Imprensa - (21) 2112-8333 - imprensa@anp.gov.br

03/07/2013
A produção de petróleo no Brasil em maio de 2013 foi de aproximadamente 1,993 milhões de barris por dia (bbl/d) em maio, o que representa aumento de em torno de 3,7% em comparação ao mês anterior e redução na faixa de 2,7% em relação ao mesmo mês em 2012. Foram produzidos em torno de 74,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia (MMm³/d), um crescimento de aproximadamente 9,4% frente ao mesmo mês em 2012 e de 0,2% em relação a abril de 2013.
Queima de gás
Houve redução na queima de gás, que foi de aproximadamente 3,2 milhões de m³/d, queda de em torno de 11,3% se comparada ao mesmo mês de 2012 e de 18,1% frente a abril de 2013. Este é o segundo menor nível de queima de gás natural desde junho de 2000. Neste período, somente no mês de abril de 2011 foi registrada uma queima menor, quando foi queimado um volume de aproximadamente 2,9 milhões de m³/d. Todo gás natural queimado foi oriundo de contratos de concessões na fase de produção. O aproveitamento de gás natural no mês foi de 95,7%.
Pré-sal
A produção do pré-sal em maio foi de 272,6 mil bbl/d de petróleo e 8,9 milhões de m³/d de gás natural, totalizando 328,8 mil boe/d, uma redução de 8,1% em relação ao mês anterior. A principal justificava para a redução na produção do pré-sal foi a parada programada para manutenção da plataforma FPSO Cidade de Angra dos Reis, unidade produtora do campo de Lula, onde todos os poços são produtores do pré-sal.
Campos produtores
O campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, foi o maior produtor de petróleo e o segundo maior produtor de gás natural, com um volume total médio de 336,2 mil barris de óleo equivalente por dia (Mboe/d). O campo de Manati, na Bacia de Camamu, foi o maior produtor de gás natural com uma produção média de 6,4 milhões de m³/d.
Em torno de 92,3% da produção de petróleo e gás natural foram provenientes de campos operados pela Petrobras. Aproximadamente 91,2% da produção de petróleo e 72,3% da produção de gás natural do Brasil foram explotados de campos marítimos. A produção de petróleo e gás natural no Brasil foi oriunda de 9.112 poços, sendo 793 marítimos e 8.319 terrestres. O campo com o maior número de poços produtores foi Carmópolis, Bacia de Sergipe, com 1.116 poços.
A plataforma P-56, localizada no campo de Marlim Sul foi a unidade com maior produção, aproximadamente 145,5 mil boe/d através de oito poços a ela interligados. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 24,1°, sendo que 8,9% da produção são considerados óleo leve (>=31°API), 61,1%, óleo médio (>=22°API e <31 09="" 30="" a="" acordo="" anp="" classifica="" com="" da="" de="" e="" leo="" n="" o="" p="" pesado="" portaria="">

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Oil prices flirt with 2013 peak

 
 
NEW YORK (CNNMoney)

Oil prices touched a 2013 high Friday, driven by anxiety over a military coup in Egypt.


U.S. oil futures for the August contract rose as high as $102.44 a barrel, above Wednesday's intraday peak of $102.18, which was the highest level in more than a year. The price eased in later trading to $101.77, up 53 cents from Wednesday's settlement price of $101.24.


The Egyptian army seized control of the government Wednesday amid violent protests, deposing the country's first democratically elected president, Mohamed Morsy of the Muslim Brotherhood. On Friday, the African Union announced that it was suspending Egypt.

Egypt produces a negligible amount of oil. But the Suez Canal, which passes through the north African nation, is a major thoroughfare for oil shipping that links the Mediterranean Sea with the Red Sea and the Persian Gulf.

"I think most folks don't believe that violence in Egypt is going to cause a shutdown of the Suez Canal," said Tom Kloza, chief oil analyst for Gasbuddy.com. "But when you have a coup, no one wants to be short oil."

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Oil was on the rise, even before the Egyptian coup. Oil prices have climbed more than 8% in the last month, driven by economic growth.

Brent crude, the benchmark for oil prices in Europe, rose 57 cents, or 0.6%, to $106.33 a barrel.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Baderna chega na economia

 

Dificuldades nas estradas continuam

Apesar de decisões judiciais terem liberado a circulação de veículos nas estradas de alguns Estados ontem, empresas continuaram a dar relatos de prejuízos e dificuldades na operação logística decorrente das manifestações.
"Temos reclamações de clientes que não recebem nossos produtos", disse ontem Sérgio Macedo, vice-presidente industrial da Vilma Alimentos, tradicional fabricante de farinha e massas de macarrão de Minas Gerais. A companhia, segundo ele, enfrenta dois problemas: motoristas que não conseguiram voltar das estradas para recarregar e os que partiram para fazer as entregas e que estão parados. "Não tem solução, temos só que esperar".
Macedo disse também que os bloqueios já causaram um impacto de mais de R$ 1 milhão à Vilma Alimentos em dois dias. O faturamento diário que em geral é de R$ 2,2 milhões ficou em R$ 1,4 milhão na segunda-feira e R$ 1,7 milhão na terça.
A fabricante de pão de queijo Forno de Minas estuda readequar as rotas de entrega caso os protestos nas rodovias continuem, diz José Gorgulho, gerente de logística da companhia. A sede fica em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, e a massa, fresca e congelada, sai de lá para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro - trechos que estão entre os que mais enfrentam paralisações de caminhoneiros.
A Usiminas também foi atingida pelos protestos. Por meio de nota, informou que "o escoamento de produtos sofreu impactos em função das paralisações de caminhoneiros ocorridas nos últimos dias, com atrasos nas entregas finais". "A empresa busca soluções para atender às necessidades dos clientes", diz o texto.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) não havia calculado até ontem os impactos dos protestos na produção e distribuição de produtos e insumos pelas estradas no Estado. Mas apontou que os principais afetados têm sido a indústria alimentícia, a distribuição de combustível, siderúrgicas e a revenda de eletroeletrônicos, que em geral tem estoques reduzidos nas lojas.
A Paranapanema, fabricante de produtos de cobre, também não passou imune. Segundo o presidente da companhia, Edson Monteiro, como a Paranapanema sempre tem cargas para entregar em diversos locais, está sujeita, assim como outras empresas, a ter parte de suas entregas afetadas por bloqueios de estradas. A companhia tem unidades de produção industrial em Dias D'Ávila (BA) e em Santo André (SP) e clientes em diversas regiões do país.
A Receita Federal chegou a ampliar em duas horas o período de atendimento no porto seco de Uruguaiana (RS), na fronteira entre o Brasil e a Argentina, para normalizar o fluxo de caminhões entre os dois países. Quase 300 caminhões estavam parados no fim da tarde de ontem no pátio e nas vias de acesso ao porto seco, que recebe em média 500 veículos por dia.



S&P reitera preocupação fiscal com Brasil

Por Aline Oyamada e Daniela Machado | De São Paulo
 
A agência de classificação de risco Standard & Poor's afirmou ontem que a fraqueza dos investimentos têm sido "a grande decepção" no Brasil e que monitorará com cautela a política fiscal do país. A S&P afirmou também que as recentes manifestações populares criam pressões fiscais e incutem um "senso de urgência" ao governo.
Em conferência sobre o país, o diretor de ratings soberanos da S&P, Sebastian Briozzo, afirmou que a estratégia do governo para incentivar o investimento privado no país não está sendo bem sucedida. Segundo ele, a taxa de investimentos em relação ao PIB do Brasil é menor que a de outros emergentes. O diretor reiterou que reformas estruturais, como a da previdência e a tributária, poderiam ajudar nesse aspecto.
Há cerca de um mês, a S&P revisou a perspectiva para a nota soberana do Brasil de estável para negativa, citando o investimento fraco e o crescimento menor que o esperado. O rating de longo prazo em moeda estrangeira do país está, atualmente, em "BBB".
As recentes manifestações populares, segundo Briozzo, devem incutir um senso de urgência ao governo. "Existe uma pressão social que pode levar a uma maior pressão fiscal. As demonstrações podem ter efeito, mas teremos que esperar para ver", afirmou Briozzo. Segundo ele, é cedo para dizer se essas manifestações forçarão o governo a gastar mais. A S&P, portanto, seguirá atenta às respostas do governo às pressões sociais. "Até agora, não acredito que as manifestações possam ser um fator determinante no nosso rating, mas certamente aumentam os desafios políticos para o governo".
Sobre as contas externas, Briozzo afirmou que apesar da deterioração recente, o atual déficit é totalmente gerenciável. A S&P projeta um superávit primário de 1,8% do PIB em 2013. A maior preocupação da agência é com o limitado espaço de manobra fiscal do Brasil, sobre o qual diz que o governo está ciente.
Já o sistema financeiro brasileiro não é foco de preocupação da agência de modo geral, pois os indicadores de solvência e liquidez são fortes. Ainda assim, a S&P deve acompanhar de perto o ritmo de evolução do crédito. "Tínhamos uma taxa de expansão [dos financiamentos] entre 25% e 30% nos grandes bancos e agora temos algo entre 10% e 15%. Essa é uma desaceleração significativa", comentou o diretor.
A expectativa da S&P é que o Banco Central (BC) aumente a Selic em 0,75 ponto percentual até o fim do ano. Briozzo afirmou, contudo, que "definitivamente não vamos voltar para as altas taxas de juros do passado".

Para Goldman, incerteza local afeta câmbio
 
O câmbio no Brasil está desancorado, e a piora nos fundamentos da economia doméstica é a principal razão para isso. Essa é a avaliação do diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, para quem o país corre risco de enfrentar um rebaixamento da nota de crédito em meio a uma variável até então não tão preocupante: o risco político.
Na avaliação de Ramos, o real já sofreria de qualquer forma, pois a perspectiva de redução de liquidez pelo banco central americano e a desaceleração econômica da China vêm pressionando todas as principais divisas emergentes e associadas aos preços das commodities. Mas a moeda brasileira vem sendo mais impactada pelas incertezas que persistem no plano doméstico, relacionadas sobretudo a inflação, crescimento e política fiscal.
Veja os principais trechos da entrevista concedida ao Valor.

Valor: O que tem chamado mais sua atenção na alta do dólar ante o real desde maio?

Alberto Ramos: O descolamento do câmbio reflete fatores domésticos e externos. Os externos são comuns a praticamente todos os mercados emergentes, tendo a ver com o reposicionamento da política monetária americana. Isso acabou tirando suporte das divisas emergentes. Mas não é só o fator Estados Unidos. A desaceleração da China é outro risco importante nesse cenário, o que sugere que o superciclo das commodities parece estar chegando ao fim. Tudo isso tira o vento de cauda favorável aos mercados emergentes. Mas não há nada de errado com isso. Em níveis mais depreciados, essas moedas devem ajudar na realidade macro local, se ajustando ao entorno externo menos amigável. Mas, no Brasil, há claramente fatores domésticos pesando no câmbio. Apesar da intervenção agressiva do BC, o câmbio continua sem âncora, porque estamos num ambiente macroeconômico doméstico ruim. Mesmo a R$ 2,20, o câmbio ainda está desalinhado dos fundamentos, e isso gera mais perda de competitividade.

Valor: O câmbio deve se depreciar mais nos próximos 12 meses?

Ramos: A tendência é que sim, até porque, mesmo com os fundamentos mais fracos, o Brasil ainda é um país caro e precisa de um câmbio mais competitivo. E essa alta nominal do dólar precisa ser acompanhada pela queda do câmbio real. Mesmo se não houvesse todo esse ruído macro e político, o câmbio teria que se mover simplesmente para compensar a inflação alta. Isso mostra a urgência de se conseguir um câmbio menos apreciado.

Valor: A questão política passou a preocupar?

Ramos: Esse é um elemento de incerteza que não estava no radar. Eu diria que um fator que diferenciava o Brasil de outros mercados emergentes era a estabilidade política. Ninguém falava sobre isso em conversas, não era tema. Eu acho que ainda é um fato que diferencia. O que está acontecendo no Brasil não tem comparação com o que ocorre na Turquia ou Egito, por exemplo. Mas, de qualquer forma, é mais um elemento de incerteza nessa equação já difícil. O que precisa se monitorar agora é qual vai ser a resposta do governo a essas demandas da sociedade. Vai ser uma resposta de populismo fiscal fácil ou vai ser uma que privilegie a disciplina fiscal? Se for populista, o governo não estará entregando absolutamente nada de positivo, apenas um déficit maior que seria cobrado mais tarde com mais imposto e inflação.

Valor: O Brasil pode ter problemas de financiamento diante da perspectiva de redução de liquidez pelo Federal Reserve?

Ramos: A possível diminuição da liquidez pelo Federal Reserve tende a aumentar os custos de financiamentos das empresas e é claro que isso impõe um desafio extra ao Brasil. O país precisa cobrir um déficit de US$ 75 bilhões neste ano e mais US$ 75 bilhões em amortizações estão por vir. Ou seja, são US$ 150 bilhões em necessidade de financiamento. Acho que o Brasil vai continuar tendo acesso a esses financiamentos, mas eles vão ficar mais caros, mais seletivos. Por isso o país precisa adotar uma política macroeconômica mais clara ao estrangeiro e garantir esses recursos.

Valor: O Brasil pode ter sua nota de crédito rebaixada?

Ramos: Se o crescimento não melhorar, a inflação continuar elevada e houver ainda mais expansionismo fiscal, as chances de um "downgrade" pelas agências de risco são reais. O país já está em perspectiva negativa pela S&P. O risco não é desprezível.

Valor: Estamos piores em relação a nossos pares?

Ramos: Sim, porque os fundamentos domésticos estão mais fracos e deixam o país mais vulnerável às turbulências externas. A queda mais forte dos ativos brasileiros, sobretudo do real e das ações, é um claro reflexo disso.


 
 

Dólar bate nova máxima em três anos, cotado a R$ 2,269

 

Por José de Castro, Silvia Rosa e Antonio Perez | De São Paulo - Valor 04/07

A pressão no câmbio não deu trégua na quarta-feira, e o dólar renovou a máxima de fechamento ante o real em mais de três anos. Novamente, a demanda de estrangeiros no mercado futuro e saídas de recursos pela conta financeira, em meio a nova queda do Ibovespa, pesaram sobre o real e impuseram à moeda brasileira um desempenho pior que o de seus pares internacionais.
A preocupação com o fluxo cambial ao país, que tem se mostrado cadente, levou o governo a adotar mais uma medida de estímulo à entrada de capital. Após o fechamento dos mercados, o BC informou que permitirá que as empresas recebam pré-pagamento à exportação com prazo superior a cinco anos. Em dezembro passado, mês em que o fluxo cambial foi negativo em quase US$ 6,8 bilhões, o BC havia elevado de um para cinco anos o prazo máximo para a contratação desse instrumento, conhecido como PA.
No fechamento, o dólar subiu 0,84%, a R$ 2,269, maior patamar desde 1º de abril de 2009, quando encerrou em R$ 2,28.


Para o diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, a medida reflete a preocupação do governo com a deterioração nas perspectivas para o fluxo, mas não altera significativamente o cenário adiante.
"Acho que o BC está no caminho certo, tirando essas amarras à entrada de capital. Mas o problema é que essas medidas têm vindo muito tarde, quando o problema já está instalado", diz, prevendo que o dólar deve sofrer um alívio apenas "pontual" nos negócios de hoje.
"O BC evitou intervir no mercado hoje [ontem], mesmo com o dólar claramente descolando do movimento lá de fora. Amanhã [hoje], se a pressão no câmbio continuar, ele vai ter que intervir. Caso contrário, o mercado pode fazer queda de braço e puxar esse câmbio para perto de R$ 2,30", diz.
Recentemente, o governo zerou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incidia sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa. Zerou também o IOF sobre aumento de posições vendidas em derivativos cambiais e isentou os bancos de recolher ao BC compulsório sobre o que excedesse posição vendida em dólar à vista a partir de US$ 3 bilhões. O governo ainda cobra IOF sobre captações externas com prazo menor que um ano.
Os números divulgados pelo BC ontem reforçaram a fragilidade do cenário para as entradas de capital. Após um mês de maio mais robusto, as saídas de dólares superaram as entradas em US$ 2,636 bilhões em junho. É o pior saldo para um mês desde dezembro passado (-US$ 6,755 bilhões) e o mais fraco para meses de junho desde 2010, quando houve déficit de US$ 4,279 bilhões.
Principal suporte do fluxo em maio, o câmbio contratado para operações comerciais foi o vilão de junho, ficando negativo em US$ 1,865 bilhão - o pior para um mês desde janeiro passado (-US$ 4,755 bilhões) e o maior déficit para meses de junho desde o início da série histórica do BC (1982). Do lado das operações financeiras, o déficit em junho (-US$ 771 milhões) foi menor que o de maio (-US$ 3,343 bilhões). Mas fica clara a piora quando o desempenho dessa conta é comparado com um ano antes, quando o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 1,280 bilhão.
No mercado de juros futuros, o pregão foi de volume reduzido e de oscilações modestas nas taxas de DI. Os contratos mais curtos embutem a perspectiva amplamente majoritária de alta de 0,50 ponto da taxa básica na próxima semana, para 8,50%. Saiu de cena a aposta de taxa básica em dois dígitos este ano. O DI de janeiro de 2014 fechou com taxa de 8,84% (mesma de terça-feira), indicando a probabilidade de elevação da Selic até 9,50%. Com a atividade deprimida e a perspectiva de que o PIB feche o ano com alta de cerca de 2%, o mercado de juros futuros passou a desconsiderar um aperto monetário mais forte, mesmo com o BC trabalhando sem a ajuda de um ajuste fiscal crível. Mais líquido do dia, com cerca de 238 mil contratos negociados, o DI de janeiro de 2015 fechou a 9,64%, leve queda.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

How Brazil can win back investors



Investors will be waiting on the sidelines until they see that Brasilia is making a true and concerted effort to stamp out corruption and govern in a way fitting for the world's seventh-largest economy.



FORTUNE -- The massive protests in Brazil may have subsided, but the unrest is far from over, as evidenced by the tear gas earlier this week outside the Brazil-Spain soccer game in Rio. The turmoil threatens to exacerbate an already tense situation for the nation's shaky financial markets. The protests, which erupted last month in response to a hike in bus fares, is undermining the Brazilian government's attempt to alleviate a potentially disastrous flight of foreign capital as investors cycle out of emerging markets.

If the government doesn't move to address the grievances of its restless and frustrated population quickly and prove to the investment community that it is still committed to responsible government spending, then the country could be setting itself up for a severe economic downturn.

Brazilians rarely like to rock the boat. They have lived through dictatorships, corrupt governments and wild economic swings without much popular dissent. Indeed, this was, after all, the last western nation to ban slavery -- and it didn't come about because of a mass popular uprising, it just happened because it was time.

But Brazil has changed dramatically in the last few years. Brazilians, now numbering nearly 200 million, are richer and more educated than at any time in the nation's short history. An amazing 20% of the population, around 40 million people, have been lifted out of poverty in the past decade. At the same time, enrollment in higher education has doubled and the nation's literacy rates among youths now tops 97%.

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These are all good things for investors to hear. A richer and more educated population usually leads to a healthy uptick in spending within the country on a variety of services and assets. This creates an upward spiral in economic growth where investors are able to reap healthy returns across a variety of markets.

As such, with an abundance of exploitable natural resources and a growing service sector, Brazil was the favorite emerging market for many investors, especially those concentrated in fixed income. Investors were able to park their cash with ease and reap returns that well exceeded whatever they could get back in Europe or even in the United States.

Furthermore, as a legitimate democracy with a somewhat competent legal system, Brazil also offered investors security from political risk, a rarity among emerging market economies. Brazil was so popular that foreign direct investment had held steady at around $65 billion from 2011 to 2012 even though economic growth in the country had stalled. The hope was that Brazil would bounce back.

But instead of things picking up, Brazil's economy just seems to be getting worse. Credit rating agencies Moody's and S&P both downgraded Brazilian debt last month after the government said it was expecting a further slowdown in economic growth. Traders in Brazilian government debt tell Fortune that this is causing a major outflow of capital from Brazil's fixed income markets. As such, dollar-denominated Brazilian bonds are down nearly 8% in the second quarter of this year, the largest such decrease for a single quarter since 2002, according to an analysis by Bloomberg.

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There are a few things going on here. First, there has been a mass sell-off in emerging market debt by investors from Wall Street to London in the last two months. What started out as a trickle of selling has since turned into a stampede for the exits -- with debt markets across the emerging market space taking a pounding, especially Brazil. Secondly, the rout was exacerbated by the US Federal Reserve, which signaled last month that it may be willing to raise interest rates in the not-so-distant future. The promise of higher rates, and, thus, potentially higher returns on U.S. investments, managed to lure investors away from the emerging markets and back to the U.S.

Brazil's finance ministry has quickly sprung into action to prevent the hemorrhaging of foreign capital from the nation's debt and equity markets. It first eliminated a 6% tax foreigners had to pay to invest in Brazilian local bonds. The tax, put in place by the government in 2010 to supposedly prevent wild swings in the Brazilian currency, now levels the playing field and should draw in new investors. In addition, the government recently cut a 1% tax on currency derivatives in an attempt to boost the value of the Brazilian Real.

Normally, such actions would have been enough to at least stabilize the sell-off. Investors who had hesitated to enter the Brazilian markets due to the "foreigners tax" would have jumped in the second they heard the news that the tax was history. But the tax changes haven't been enough this time around to lure back investors. That's because of what's going on in the streets of Brazil's largest cities -- protests and riots.

Fund managers who had stuck by Brazil during the recent market rout will now find it even harder to do so with millions of Brazilians on the street, shutting down ports, creating traffic jams, and scaring the government. What turned out to be outrage at the government for raising transit fares (which had since been reversed) has now become a protest for everything by everyone with no clear leader or agenda. Among the dozens of causes that people are protesting include: transportation costs; Native Indian rights; government spending on the 2014 World Cup and the 2016 Summer Olympics; corruption in state and local governments; and a bill in the Brazilian congress that would authorize psychologists to try and "cure" homosexuals.

So far the government, led by President Dilma Rousseff, has failed miserably to contain the protests, many of which have become violent and chaotic. For example, over the weekend, hooded protesters armed with screwdrivers and slingshots set fires and attacked police outside the Confederations Cup soccer game in Rio de Janeiro. It was a terrible embarrassment for the government.

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So what is the government to do here? With so many different causes and no real leadership, it seems impossible to get control of the situation. But while there are many different causes, they all share a common root -- corruption and mismanagement in Brasilia. Brazil's new middle class is simply fed up with Brazil's shoddy infrastructure, terrible medical system, super high taxes and shoddy education. The government purse continues to expand thanks to the economic boom, but it has failed to reinvest that money in a productive way. Indeed, the 40 million people who pulled themselves out of poverty did so because of a surge in commodity prices that helped fuel a boom in the service sector. The government did little, if anything, to encourage the development of the boom and kept income taxes at around 40%, by far the highest such tax rate for an emerging market economy.

It is clear that the Brazilian government needs major reform. For starters, the President could send a gesture of goodwill to the protestors by reshuffling her cabinet and firing ministers who have failed to perform. She can also create an action plan that addresses all the causes and sets forth ideas on how to address the problems. She should also explain to the Brazilian people that the protests, while understandably valid to some degree, could be setting the country up to take a big economic hit. Bond traders from Lisbon to Sao Paulo tell Fortune that they are afraid of jumping back into the Brazilian debt markets because of the uncertainty surrounding the protests. Foreign direct investment last year in Brazil was around $65 billion, but is set to take a big dive in the weeks to come.

The protests in Brazil aren't going away without some proactive steps taken by the government to show that it "gets it." So far, the Brazilian government's usual plan of action, to do nothing and wait things out, isn't working. The government needs to see the protests as part of a larger social revolution and should get to the roots of the problem. Investors will be waiting on the sidelines until they see that Brasilia is making a true and concerted effort to stamp out corruption and govern in a way fitting for the world's seventh-largest economy.

'Efeito X' e mau humor geral provocam baixa de 4,2% na bolsa de SP


Valor 03/07

A culpa não foi só de Eike Batista, mas as empresas "X" tiveram papel relevante no estrago sofrido pela bolsa ontem, que teve baixa de 4,24%, a maior desde 22 de setembro de 2011. Participantes do mercado apontaram um conjunto de fatores para a onda vendedora que atingiu quase todas as ações - só 2 das 71 do Índice Bovespa tiveram alta.
Vendas pesadas de investidores estrangeiros e a disparada das ordens automáticas para limitar as perdas ampliaram a baixa. Do lado macroeconômico, o mercado digeriu mal o dado de produção industrial, que mostrou queda de 2% em maio. O risco político também foi levado em conta, por causa da agitação provocada pela proposta de plebiscito para reforma constitucional sugerida pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso. Além disso, os diversos protestos e as cenas de vandalismo que acontecem pelo país prejudicam a imagem do Brasil perante o investidor estrangeiro.
No ambiente corporativo, porém, o tema preferido é a crise das empresas "X" e suas possíveis consequências, especialmente sobre os bancos credores de Eike. Quase todos os bancos de investimento revisaram drasticamente para baixo suas projeções para as companhias do grupo, especialmente a OGX. O novo "teto" para a ação foi fixado em R$ 0,10 pelo BofA e pelo Deutsche.



 

Esquizofrenia hiperativa

 

Por Antonio Delfim Netto - Valor 02/07
 
A "voz das ruas" está lembrando aos governos do mundo as prioridades que eles esqueceram. No Brasil, que vive um processo civilizatório de profundidade e rapidez sem precedentes, a insatisfação se relaciona com a péssima qualidade dos serviços de transportes urbanos, o atendimento precário à saúde e o ensino público de má qualidade. E exige o fim da corrupção, seja lá o que isso for.

Em São Paulo, o problema da mobilidade urbana assumiu a condição de tragédia urbana. Há três anos, uma pesquisa mostrou a situação pré-incendiária na maior metrópole brasileira: mais de um milhão de paulistanos se obrigava, diariamente, a ir e voltar de casa para o trabalho caminhando, duas, três e até quatro horas. A maior parte por não poder pagar o preço das passagens, e também porque, mesmo pagando, o tempo gasto não seria muito diferente. É razoável admitir, como condição "normal" de vida, a cidadã ou cidadão gastar um terço do dia apenas para chegar ao local do trabalho e retornar à moradia geralmente à noite, muitas vezes de madrugada? Até quando tal ordem de coisas seria suportável?

O que os movimentos estão dizendo é apenas que há coisas mais importantes que os estádios esportivos: que os governos deveriam estar investindo ativamente em sistemas de transportes públicos para oferecer um mínimo de conforto à população que paga impostos. Para dar uma pequena quantificação desse descaso, basta lembrar que São Paulo tem menos que 75 quilômetros de metrô. Pois bem, um quilômetro de metrô custa em torno de R$ 200 milhões. Os provavelmente subestimados R$ 15 bilhões aplicados até agora em eventos esportivos significam 75 quilômetros de metrô, parte dos quais já poderia estar servindo à população.
O aumento da insatisfação pela má qualidade dos serviços públicos essenciais deveria ser vista com naturalidade, mesmo porque é menos um problema de recursos e mais atributo da má gestão do governo. O lamentável é que a "surpresa" produziu nos poderes Executivo e Legislativo uma resposta esquizofrênica hiperativa, com ilusionismos, aprovação apressada e inconsequente de subsídios, de gastos e de promessas de imaginárias receitas futuras, que todos sabem não caberão no PIB.

Provavelmente nunca poderão ser implementados, a não ser à custa da maior destruição fiscal, que levará - ao fim e ao cabo - ou a maior taxa de inflação e maior déficit em conta corrente (enquanto os credores tiverem paciência), ou, o que é pior, a alguma forma de restrição à liberdade individual com a qual já namoram alguns vizinhos latino-americanos.

O movimento das ruas é uma daquelas circunstâncias que levam a refletir sobre a natureza e o futuro da organização social em que vivemos. A história mostra: 1) que a utilização dos "mercados" para organizar a produção é resultado de um mecanismo evolutivo. Não foi inventado por alguém. Foi gerado por uma seleção quase natural entre os muitos sistemas que os homens foram experimentando, desde que saíram da África há 150 mil anos, para combinar relativa eficiência na conquista de sua subsistência material com aumento paulatino da liberdade para viver; 2) que deixado a si mesmo, ele amplia as desigualdades e tende a gerar flutuações cíclicas no nível de emprego; 3) que um Estado forte, constitucionalmente limitado e um poder incumbente escolhido pelo sufrágio universal, são fundamentais para civilizá-lo; e 4) que a crença na moralidade da intermediação financeira, essencial ao desenvolvimento produtivo, leva à submissão deste à primeira e, com tempo suficiente, ao controle do próprio Estado, como vimos em 1929 e 2008, o que exige forte regulação.

O mecanismo de seleção continua a trabalhar na direção de aumentar a liberdade do homem para viver a sua humanidade com a redução do trabalho necessário à sua subsistência material, e dar-lhe segurança através do aperfeiçoamento da organização social, que busca combinar três objetivos não plenamente conciliáveis: maior liberdade individual, maior igualdade de oportunidade e maior eficiência produtiva. É importante lembrar que esses três valores estão implícitos na Constituição de 1988. Ela reforçou as instituições para realizá-los.

A história sugere, também, que o método proposto pelo velho e ingênuo "socialismo fabiano", de aproximações sucessivas através da dialética interminável entre a "urna" e o "mercado", é, talvez, o único caminho assintótico para produzi-los. As alternativas propostas de sua substituição voluntarista por cérebros peregrinos lotaram de tragédias o século XX: mataram a liberdade sem aumentar a igualdade, ou melhorar a eficiência produtiva. A lógica é paciente, porque sabe que é inevitável.

A sociedade mundial está inserida numa profunda revolução apoiada em novas tecnologias e no aumento dramático da transmissão e acumulação de informações. Ela vai produzir ainda maior redução do trabalho material e imenso aumento da liberdade individual, no sentido da mesma seleção "quase" natural que nos levou até aqui.

No Brasil, as implicações desse novo passo civilizador precisam ser antecipadas por um dramático aumento da qualidade de nossa educação para elevar o espírito crítico dos eleitores. As exigências das ruas estão mostrando que esse é essencial para salvar a economia e, principalmente, a democracia...

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.



sexta-feira, 28 de junho de 2013

Banqueiros centrais caem "na real"

 

Por Raghuram Rajan - Valor 28/06
 
Os mercados estão mais uma vez em crise, após a sinalização do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) de que até o fim do ano poderá reduzir suas compras de títulos. A intensidade da reação do mercado foi surpreendente, pelo menos, em vista da percepção de como funciona a política de afrouxamento quantitativo do Fed. Afinal de contas, o Fed teve o cuidado de indicar que conservará sua política de manutenção dos juros perto de zero e não esvaziará seu estoque de títulos.
A teoria dominante sobre como funciona a flexibilização quantitativa é a abordagem do tipo "equilíbrio de carteira". Basicamente, mediante a compra de títulos de longo prazo do Tesouro nas carteiras dos investidores privados, o Fed espera que esses investidores venham a reequilibrar suas carteiras. Devido à remoção de um ativo de risco e sua substituição por reservas seguras do banco central, os apetites por risco não satisfeitos, por parte dos investidores, vai crescer, o preço de todos os ativos de risco (inclusive os dos títulos do Tesouro de longo prazo remanescentes em carteiras privadas) subirão, e os rendimentos dos títulos cairão.
Um elemento central da teoria é que o estoque de títulos que o Fed removeu de carteiras privadas, e não o fluxo de compras do Fed, será o fator determinante do apetite dos investidores por risco. A menos que os investidores pensassem que o Fed manteria indefinidamente suas compras de títulos, as notícias sobre a redução nas compras pelo Fed deveria ter tido um efeito apenas moderado sobre as expectativas de mercado quanto ao eventual estoque de títulos que o Fed pretende acumular. Então, por que ocorreu uma reação tão violenta nos mercados mundiais?


Uma resposta possível é que o volume de compras mensais pelo Fed também é relevante para os preços de ativos em todo o mundo. Outra possibilidade é que os investidores em todo o mundo leram muito mais, nas afirmações do Fed, do que o próprio Fed pretendia. Qualquer dessas respostas é preocupante, pois sugere que os bancos centrais - que agora detêm trilhões de dólares em ativos - têm menor capacidade para administrar o processo de reversão da flexibilização quantitativa do que gostaríamos. Winston Churchill poderia ter filosofado sobre a flexibilização quantitativa: "Nunca no campo da política econômica tanto foi gasto, com tão pouca evidência, por tão poucos".
A flexibilização quantitativa foi realmente um passo no escuro. Dadas todas as incertezas - por que ela funciona, como torná-la mais eficaz e como revertê-la - por que os banqueiros centrais, para quem "inovador" é geralmente um "palavrão", abandonaram seu habitual conservadorismo e a adotaram?
Uma possibilidade é de que, no passado, as crises ocorriam tipicamente em países com economistas de formação não tão sólida quanto os disponíveis, por exemplo, nos EUA e na Europa. Quando às autoridades econômicas de países emergentes era dito que precisavam implementar substancial austeridade, assim como promover um fechamento generalizado de bancos para purificar a economia na esteira de uma crise, eles não protestaram, apesar da perspectiva de anos de desemprego elevado. Em suma, as pessoas que determinavam as políticas estavam distantes das que iriam sofrer.


Quando a crise bateu em casa, os economistas ocidentais mostraram-se muito menos dispostos a aceitar que o sofrimento era necessário. O keynesianismo, que promete respostas indolores, ressurgiu, mais uma vez. O Fed, presidido pelo economista monetário possivelmente mais importante do mundo, propôs soluções criativas que poucos nos círculos políticos, inclusive nas instituições multilaterais geralmente conservadoras, questionaram.
Mas essa não é uma explicação inteiramente satisfatória. Economistas agraciados com o prêmio Nobel, como Joe Stiglitz, protestaram pública e enfaticamente sobre o tipo de austeridade a que a Indonésia, por exemplo, foi sujeita.
Consideremos uma outra explicação: talvez o sucesso dos banqueiros centrais em impedir o colapso do sistema financeiro após a crise de 2008 tenha lhes assegurado tal confiança do público que puderam ir mais longe. Talvez seu socorro bem sucedido ao sistema bancário também tenha levado alguns bancos centrais a acreditarem possuir o toque de Midas. Afinal, apesar de seu conservadorismo natural, teria sido difícil para os bancos centrais nada fazerem para melhorar o crescimento e reduzir o desemprego.
Pouca gente ficou feliz com o socorro aos grandes bancos, e muitos não entenderam por que o sistema financeiro tinha de ser salvo quando seus próprios empregadores estavam demitindo ou fechando as portas.
Com efeito, talvez a melhor explicação seja que em vez de criar mais espaço para os bancos centrais, os socorros bancários estreitaram seu espaço político de manobra. Talvez o que obrigou os bancos centrais a agir de forma criativa foi a dificuldade política de nada fazer após terem gasto bilhões socorrendo bancos privados. Afinal de contas, como seria possível permitir que um problema técnico, como o limite inferior de juro nominal nulo poderia antepor-se a um socorro à economia em geral, quando linhas de financiamento inovadoras foram utilizadas para salvar Wall Street? Depois que os banqueiros centrais promoveram o necessário socorro aos bancos, talvez eles tenham ficado enredados no cenário político, o que tornou a flexibilização quantitativa um resultado inevitável.
Assim como muita coisa relacionada com as recentes políticas monetárias não convencionais, há muitas coisas sobre as quais só podemos imaginar, inclusive por que foram implementadas. No fim das contas, se houver um mito de que os fatos recentes explodiram, é provavelmente o que considera os banqueiros centrais, como tecnocratas imunes ao cenário político e às ideologias de seu tempo. Também eles caíram "na real". (Tradução de Sergio Blum)

Raghuram Rajan foi economista chefe do FMI, é professor de Finanças na School of Business, da Universidade de Chicago, e principal conselheiro econômico do governo da Índia. É autor de Fault Lines: How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy (linhas de fraturas: como falhas ocultas ainda ameaçam a economia mundial. Copyright: Project Syndicate, 2013.
www.project-syndicate.org


domingo, 23 de junho de 2013

A baderna


Por Ronaldo Pignataro

Observem que o único partido existente é o PT na boca do povo.

Nossa democracia, portanto, é unipartidária e a oposição criada é a baderna, nenhum partido, para combater a baderna dentro de nosso sistema político.

Combatemos baderna com baderna e criamos essa baderna espetacular que são essas manifestações, uma revolução carnavalesca que reflete a seriedade com que tratamos os nossos problemas.

É o fato.

Por que não podemos ver a realidade?

Quando vamos às ruas, ridiculamente fantasiados, impedindo o tráfego provocando enormes congestionamentos, estamos queimando combustível para nada, poluindo o ar para nada depredando o maior patrimônio necessário à vida que é o oxigênio, para nada.

Saímos para depredar o que não nos custa nada aparentemente, a maioria, mas vão os que chamamos de "vândalos" que vão se aproveitar da bagunça por nós criada e nos fornecem o prazer de ver o circo pegar fogo.

Fazem o que reprimimos no nosso dia a dia e chutam, por nós, o pau da barraca.

É a realidade!

Queremos emoção para essa vida monótona, ridícula em que passamos metade do dia nesse transporte público terrível, nesse trânsito que não anda e que só piora.

Estamos fartos dessa vida mecânica e sem sentido e nos pintamos como índios para quebrar ou assistir.

Ninguém se dá conta do que está fazendo nem o que pretendem, enebriados que estão pela vaidade, pelo narcisismo, por esse eufemismo tolo e a vergonhosa projeção internacional que estamos obtendo.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Os EUA e a América Latina

 

Por Kevin P. Gallagher - Valor 21/06
 
O governo Obama e a mídia americana fizeram muito barulho sobre o "giro" dos Estados Unidos em direção à Ásia. O que, em grande medida, lhes passou despercebido é que a China vem arregimentando aliados econômicos no antigo "quintal" dos EUA.
Bem, da mesma forma que uma competição acirrada serve para avivar os impulsos criativos nos negócios, é hora de os EUA apresentarem uma política econômica adequada para a América Latina antes que seja tarde demais.
A diferença das abordagens dos EUA e China em relação à América Latina ficou abertamente em foco quando o vice-presidente americano, Joseph Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, visitaram a região.


A principal oferta dos EUA a seus vizinhos latino-americanos é a Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês). A TPP oferece aos países da América Latina e Ásia acesso ao mercado dos EUA com base em uma condicionalidade tripla.
Primeira, precisam desregulamentar seus mercados financeiros; segundo, precisam adotar provisões de propriedade intelectual que deem preferência às firmas dos EUA; e terceiro, precisam permitir que firmas dos EUA possam processar diretamente governos de países que assinam o TPP, por infrações das condições do tratado.
Um condicionamento mais do que pesado. Mas, então, qual a abordagem da China? Em sua visita à região, o presidente chinês Xi Jinping ofereceu mais de US$ 5,3 bilhões em financiamentos, sem exigir muitas condições, a seus novos amigos latino-americanos. Essas ofertas ainda precisam ser confirmadas, mas de acordo com notícias na imprensa os chineses assinaram acordos nesta viagem para: 1- conceder US$ 3 bilhões a projetos de infraestrutura e energia de oito países caribenhos; 2- conceder US$ 1,3 bilhão à Costa Rica em empréstimos e linhas de crédito, incluindo um empréstimo de US$ 900 milhões do Banco de Desenvolvimento Chinês para modernizar uma refinaria de petróleo e uma linha de US$ 400 milhões para infraestrutura rodoviária, do Ex-Im Bank of China; e 3- uma linha de crédito do Ex-Im Bank da China de US$ 1 bilhão ao México, para sua petrolífera estatal Pemex.
Esses financiamentos somam-se aos US$ 86 bilhões já fornecidos pela China aos governos da América Latina desde 2003. É verdade, essa quantia -por maior que seja - parece ser apenas mais um número no mundo de hoje. Então, para dar uma ideia melhor: desde 2003, portanto, nos últimos dez anos, os bancos de políticas públicas da China forneceram mais financiamento à América Latina do que o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ex-Im Bank dos EUA.


Essa comparação deveria ser suficiente para acordar os EUA de sua letargia passada e por assumir que sua relação com a América Latina é algo garantido. Em termos simples, os EUA e o grupo de instituições financeiras internacionais em grande parte dominadas pelo Ocidente foram superadas pela força financeira da China. Bem-vindos ao admirável mundo novo!
Não se trata, entretanto, de uma mera questão de números. Ao contrário dos tratados comerciais dos EUA e do financiamento das instituições financeiras internacionais, em grande parte sob o controle dos EUA, a China oferece seus empréstimos sem fazer grandes exigências.
Em uma região que é, compreensivelmente, muito sensível a qualquer ideia de condicionalidade, tendo em vista as dolorosas experiências do passado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, a China preocupa-se em garantir que sua política não seja baseada em condicionalidades.
Dito isso, os chineses não deixam de ter uma forte preocupação comercial. Muitas vezes, a China apresenta ofertas casadas - exigindo que empresas chinesas sejam contratadas para trabalhar em grande parte do projeto previsto.
Além disso, o que os EUA oferecem no TPP aos países latino-americanos não significa muito no mundo real. Na verdade eles já têm tratados comerciais com os EUA que lhes garantem acesso ao mercado do país.
Em poucos anos a China tornou-se a maior parceira comercial do Brasil e do Chile e a segunda maior do Peru e México. Não são quaisquer países. São as economias mais importantes da América Latina.
Os EUA, é claro, ainda são o maior parceiro econômico da região como um todo. Mesmo assim, não podem, contudo, continuar a ver sua posição na América Latina como garantida.
Por um tempo longo demais, os EUA recorreram a um mecanismo bastante imperial - apenas dizer à América Latina o que ela precisa. Compare isso com a abordagem da China: o país oferece à América Latina o que a região quer (na forma de financiamento e comércio com a China).
Quando o presidente Obama assumiu o comando, ele e sua equipe comprometeram-se a apertar o botão de "reinicializar" das relações com a região e a repensar seu regime comercial com a América Latina. Não foi o que ocorreu. Até agora, "reinicializar" basicamente significou apresentar a mesma oferta, mas por meio de novos rostos.
Além disso, grande parte da interação com os governos da região foi direcionada aos esforços para o combate às drogas. Esses países, acertadamente, não veem isso com uma grande abordagem em prol do crescimento e desenvolvimento, mas como um mecanismo defensivo e estrangeiro, para proteger o território dos EUA.
Tendo em vista tudo isso, passou da hora de o governo dos EUA realmente repensar sua política econômica em relação à América Latina. Muito em breve pode ser tarde demais. (Tradução de Sabino Ahumada)

Kevin P. Gallagher é professor de relações internacionais na Boston University e pesquisador do Global Development and Environment Institute.





 

Movimento Passe Livre suspende novas manifestações em São Paulo




SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre anunciou nesta sexta-feira a suspensão de novas manifestações em São Paulo. Segundo um dos integrantes do grupo, que pleiteia tarifa zero nos transportes públicos, "grupos conservadores se infiltraram nas manifestações" e defenderam propostas como a redução da maioridade penal.
Rafael Siqueira, 38, ativista do MPL, afirmou que as agressões a militantes de partidos políticos na manifestação de ontem, na avenida Paulista e em outras cidades, também motivaram o grupo a tomar essa decisão.
"A gente acha que grupos conservadores se infiltraram nos últimos atos para defender propostas que não nos representam", disse Siqueira. De acordo com ele, o recuo do movimento foi decidido no final da noite de ontem, após os incidentes na Paulista.
"Nacionalistas"
Na quinta-feira, um grupo de manifestantes, denominados "nacionalistas" entrou em confronto com pessoas que estavam com bandeiras de partidos durante protesto contra tarifas na avenida Paulista, centro de São Paulo. Segundo o Datafolha, a manifestação reunia cerca de 70 mil pessoas na via.
O principal confronto ocorreu entre um grupo de nacionalistas e manifestantes com bandeiras do PSTU e PT. Os "nacionalistas" queriam que o protesto prosseguisse sem bandeiras partidárias e sem a interferência de partidos políticos.
Após uma das confusões, o advogado Guilherme Nascimento, 26, deixou a avenida Paulista com um ferimento na cabeça. "Foi o PT que fez isso, me deram uma paulada". O rapaz foi carregado por amigos até um carro da Polícia Militar, que o levou a um pronto-socorro.
Um homem usou um taco de hóquei para ameaçar petistas. Durante a confusão, uma mulher caiu no chão e quase foi pisoteada. Ao menos duas bandeiras do PSTU e uma do PT foram tomadas de manifestantes e queimadas na avenida Paulista.
Apolíticos partiram para cima dos partidários com chutes e socos. Parte deles respondeu com bandeiradas e pedradas. A Polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo para conter a pancadaria.
Um grupo de nacionalistas armados com facas gritaram contra os manifestantes do PT dizendo que vão "meter a faca". Eles entoaram gritos e disseram que iam tomar todas as bandeiras
Membros do PSTU, PSOL, UNE, UJS (União Jovem Socialista) foram hostilizados por manifestantes na avenida Paulista, em frente à Fiesp. Juntos, os partidários começaram a deixar a região. A manifestante Fátima Sandalhel disse ter sofrido retaliações por vestir uma camiseta vermelha e estar próxima a grupos partidários.
"Nós estivemos em todas as manifestações anteriores para agora sermos expelidos na manifestação. Usar camisa vermelha é um direito, usar bandeira é um direito. O que aconteceu hoje aqui é um atentado à democracia", disse Sandalhel.
Houve um princípio de confusão, quando uma bandeira do PSTU foi rasgada e um militante partiu para cima de um manifestante. As pessoas também cantaram gritos de guerra contra o PT. "Os caras com bandeira de partido querem levar vantagem. O Passe Livre está com o PT", disse o universitário Bruno Scorziello, 22, após tentar impedir a passagem do protesto.
Após a confusão, muitos militantes choraram: "Estão acabando com anos de luta. Não queremos reivindicar para nós, queremos somar", disse um deles sem se identificar.
(Folhapress)


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O legado tóxico da crise grega


 

Por Martin Wolf - Valor 19/06
 
Há 2,5 mil anos, a Grécia deu forma à mentalidade ocidental. Mais recentemente, deu forma às respostas para uma crise financeira. A Grécia sofreu uma calamidade - e o medo de que outros a seguissem justificou a passagem para um cenário de austeridade. O resultado foi uma recuperação fraca da recessão pós-crise, em especial na região do euro e no Reino Unido. A Grécia, infelizmente, teve a crise errada, no momento errado.
Simon Wren-Lewis, da Oxford University, conta a história em um texto excelente em seu blog. Ele aproveita uma avaliação crítica do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o programa de auxílio à Grécia acertado em maio de 2010. Aqui está o sumário dos fracassos: "A confiança do mercado não foi recuperada, o sistema bancário perdeu 30% de seus depósitos e a economia deparou-se com uma recessão muito mais profunda do que a prevista, com um desemprego excepcionalmente alto. A dívida pública continuou muito alta e acabou sendo reestruturada, com danos colaterais aos balanços patrimoniais dos bancos, também enfraquecidos pela recessão. A competitividade melhorou um pouco, sustentada pela queda nos salários, mas as reformas estruturais se detiveram e ganhos de produtividade mostraram-se elusivos".
Enquanto o programa projetava declínio de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB) real entre 2009 e 2012, o resultado foi uma queda de 17%. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a associação dos países de alta renda, a demanda privada real caiu 33% entre os primeiros trimestres de 2008 e de 2013, enquanto o desemprego subiu para 27% da população economicamente ativa.
O FMI supostamente só empresta a um país se sua dívida for sustentável. Esse, contudo, não foi o caso, nem de longe, como muitos comentaristas indicaram na época. Em vez de tornar as dívidas sustentáveis, o programa apenas deixou muitos credores privados escaparem ilesos. No fim das contas, uma redução na dívida aos credores privados foi imposta. A dívida pública grega, entretanto, continua alta demais: o FMI projeta que estará próxima a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Esse excesso de endividamento tornará mais difícil para a Grécia retornar aos mercados e à solidez econômica. Uma redução mais profunda da dívida ainda é necessária.
Tudo isso nos conta uma história deprimente sobre a politização do FMI e a incapacidade da região do euro para agir no melhor interesse de seus países-membros mais fracos. A crise grega também teve dois resultados internacionais.
Primeiro, dentro da região do euro, o fato de a Grécia ser o primeiro país a entrar em crise deu mais força ao ponto de vista dos norte-europeus de que a crise foi fiscal. Isso porque a Grécia, de fato, foi um caso de impressionante libertinagem fiscal, com o endividamento público líquido chegando a mais de 100% do PIB mesmo antes da crise. Em outros países, entretanto, foi bem diferente: as captações privadas foram a raiz das crises na Irlanda, Espanha e, em menor medida, em Portugal. A dívida pública italiana estava alta, mas não por algum relaxamento fiscal recente. Ao decidir que a crise era amplamente uma crise fiscal, as autoridades puderam ignorar a verdade de que a causa do desarranjo foram empréstimos irresponsáveis entre fronteiras, algo pelo qual os captadores são tão culpados quanto os que concedem o crédito. Se a culpabilidade dos dois lados - captadores e credores - tivesse sido compreendida, o argumento moral para o cancelamento de dívidas teria sido mais evidente.
Segundo, a crise grega assustou autoridades por todo o mundo. Em vez de concentrar os esforços em remediar o colapso do setor financeiro e reduzir o excesso de dívidas privadas, que foram os motivos da crise, voltaram as atenções para os déficits fiscais. Estes, contudo, em grande medida, foram um sintoma da crise, embora, também, em parte, uma resposta adequada a ela. Como destaquei, em junho de 2010, pouco depois do primeiro programa grego, os líderes do G-20, reunidos em Toronto, decidiram reverter os estímulos, declarando que "as economias avançadas se comprometeram a planos fiscais que vão cortar pelo menos pela metade os déficits em 2013". Seguiu-se um forte aperto. As autoridades justificaram a mudança com pesquisas acadêmicas: a ideia de que a contração fiscal poderia ser expansionista foi um encorajamento; a ideia de que o crescimento cairia, se a dívida pública aumentasse muito, foi um alerta.
O que parecia ser, até meados de 2010, uma recuperação sólida do pesadelo da "Grande Recessão" foi abortado, em especial, no Reino Unido e na região do euro. O maior grau de sucesso dos Estados Unidos em sobreviver à austeridade deveu-se provavelmente à limpeza mais agressiva do setor financeiro, à maior aceitação da desalavancagem pelas famílias e a sua política monetária mais agressiva, em particular, em comparação à região do euro. Se as previsões mais recentes da OCDE estiverem certas, o PIB da região do euro será menor no quarto trimestre de 2014 do que era no primeiro trimestre de 2008 e apenas 0,7% maior do que no primeiro trimestre de 2011. Foi o aperto fiscal que causou, por si só, essa fraca recuperação? Certamente, não. Mas retirou um contrapeso, ainda desesperadamente necessário, às forças contracionistas emanando dos setores privados atingidos pela crise.
O que torna essa história deprimente é que foi desnecessária. De início, pode ter havido lógica em sentir receio de que a crise grega era o primeiro surto de uma crise fiscal pandêmica. Logo ficou claro, no entanto, que os países com moedas com livre flutuação ainda podiam lançar títulos de dívidas públicas com juros ultrabaixos. Isso, em parte, graças à "flexibilização quantitativa" de seus bancos centrais. Ter seu próprio banco central dá a um governo certo grau de liberdade para administrar sua reação a uma crise financeira. Para esses países, o momento apropriado para um forte aperto fiscal estrutural chega apenas depois que seus setores privados começam a eliminar seus superávits financeiros estruturais. Isso ocorre apenas logo depois da crise. Também requer uma reestruturação anterior do setor financeiro e baixas contábeis de dívidas privadas excessivas.
Em resumo, a crise grega mostrou-se uma calamidade tripla: uma calamidade para os próprios gregos; uma calamidade para o ponto de vista popular sobre a crise dentro da região do euro; e uma calamidade para a política fiscal nos demais lugares. O resultado foi a estagnação - ou desempenho ainda pior, em particular, na Europa. Hoje, precisamos admitir que a enorme queda na produção em relação à tendência pré-crise pode muito bem nunca ser retomada. A reação das autoridades, contudo, não foi admitir os erros, mas redefinir, em um novo patamar, mais baixo, o que é um desempenho aceitável. É uma história triste.

Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT




terça-feira, 18 de junho de 2013

A crise da União Europeia



 

 

Por Víctor Pou - Valor 18/06
 
A União Europeia atravessa a situação mais difícil de sua história. Joschka Fisher, ex-ministro alemão de Relações Exteriores, acaba de escrever: "Na Europa, sabemos que a atual crise ou destrói a UE ou cria sua união política". Trata-se mais de uma concatenação de crises, em cujo núcleo está a região do euro, com 17 dos 27 países da UE.
A crise da região do euro traz entranhada uma crise de legitimidade, porque as receitas de austeridade e reformas estruturais impostas por Bruxelas e inspiradas na Alemanha, assim como as formas de aplicação, são rejeitadas por muitos países, em especial, os países periféricos devedores. O descontentamento da população com a UE alcança níveis preocupantes e até agora inéditos. A Grécia está na ponta, com 81% dos cidadãos dizendo não confiar na UE. A seguir vem a Espanha, com 72%. O descontentamento chega até a países centrais, como a Alemanha, com 59%. Uma sondagem recente, do Pew Research Center, dos Estados Unidos, mostra declínio na confiança em todos os países da UE. Na França, caiu de 60% a 40% em um ano. Essa desconfiança, no entanto, não afeta o euro, que ainda goza de forte apoio nos países socorridos, como a Grécia, ou socorridos em parte, como a Espanha.
Reina na Europa uma crise política de grandes proporções, marcada pelo forte declínio dos grandes partidos nas pesquisas e pelo aparecimento de grupos populistas, demagógicas, extremistas e antieuropeias.
Tudo isso é indicador de uma crise de "story telling". Com a crise da região do euro, acabou-se o "consenso passivo" dos cidadãos europeus com as propostas de Bruxelas, como as de reconciliação de velhos inimigos, paz e prosperidade, integração e harmonia, defesa da democracia e das liberdades fundamentais diante das ditaduras autoritárias do sul da Europa e do totalitarismo comunista soviético. As receitas que agora chegam aos cidadãos - austeridade, sacrifício, produtividade, aumento de competividade - criam uma rejeição frontal; e não se vê uma narrativa que volte a seduzir os europeus.
A crise de governança também é evidente. Instituições tradicionais e genuinamente comunitárias, como a Comissão Europeia (CE) ou o Parlamento Europeu, com as urgências da crise monetária, deram lugar a estruturas como o Eurogrupo, a famosa troika - como são chamados os representantes do Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e CE - e, principalmente, o Conselho Europeu, cuja frequência de reuniões aumentou, evidenciando a preponderância do método intergovernamental na tomada de decisões, em vez do método comunitário, no qual a CE é o motor que propõe, o Conselho decide e o Parlamento
Além disso, é notória a crise de liderança política na Europa, assim como o sentimento de nostalgia por grandes personalidades, como as que possibilitaram a criação das primeiras Comunidades Europeias - os "pais" da Europa, como Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide Degasperi ou Robert Schuman - e seu feliz desenvolvimento nas décadas posteriores, com personagens como Mitterand, Kohl ou Delors.

O epicentro da tempestade é a crise da região do euro, decorrente principalmente de seu projeto inicial defeituoso. A União Econômica e Monetária (UEM) nasceu sem união política, governo econômico e união fiscal. Era integrada por um grupo de Estados que não formavam uma união monetária ideal e apresentavam um alto índice de heterogeneidade produtiva. Em seus primeiros dez anos, funcionou bem e os mercados não distinguiram entre os títulos de dívidas públicas emitidos por seus países-membros. Quando chegou a crise financeira de 2007/2008, no entanto, viu-se que o comportamento dos membros da UEM havia sido muito distinto durante os anos de bonança.
A Alemanha havia conduzido profundas reformas estruturais em seu mercado de trabalho e atingido grandes índices de competitividade internacional, mas outros países haviam gerado enormes bolhas financeiras e imobiliárias. A crise da dívida soberana na região do euro se consolidou com força em 2010 e, então, chegaram os socorros financeiros internacionais à Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre, além do resgate aos bancos na Espanha. Entre 2010 e 2012, foram improvisadas medidas para combater a tempestade e temeu-se pela vida do euro. No verão de 2012, seguiu-se rumo a uma profunda reforma da UEM, por meio do avanço em direção à união bancária, à coordenação das políticas econômicas e à mutualização parcial da dívida acumulada. O futuro do euro parece assegurado.

Os especialistas, contudo, ainda consideram que há quatro cenários em aberto para o futuro: status quo e ameaça de estagnação no estilo do Japão; desintegração; fragmentação entre centro e periferia; e êxito das reformas em andamento, dirigindo-se no médio prazo à união política. Apenas este último cenário pode salvar a Europa da irrelevância internacional em um século XXI caracterizado pela continuidade de pujança dos EUA e o enorme crescimento de países emergentes como a China, Brasil e Índia. (Tradução de Sabino Ahumada).

Víctor Pou é professor de economia do Iese Business School





Não é o que parece


 
Por Antonio Delfim Netto - Valor 18/06
 
Como tem feito nos últimos anos, o Pew Research Center divulgou, em 23 de maio, os resultados de sua pesquisa sobre como os cidadãos de 39 países "sentem" as suas vidas e explicitam suas esperanças sobre o futuro próximo. O levantamento ouviu nada menos do que 37.653 pessoas no período de 2 de março a 1º de maio de 2013.

No Brasil, uma amostra estratificada pelas cinco regiões, e pelo tamanho dos municípios, pôs em contato físico com os pesquisadores, entre 4 de março e 21 de abril, 900 pessoas adultas. A estimativa do erro amostral é de mais ou menos 4,1%. Em todos os países o levantamento tem erro amostral relativamente próximo, de forma que as porcentagens das respostas podem ser diretamente comparadas.

O Brasil sai bem na fotografia. O fato mais interessante é que os resultados da pesquisa contrariam as expectativas pessimistas que hoje parecem prevalecer em amplos setores da sociedade brasileira. Qual seria um indicador das expectativas mais profundas de qualquer cidadão? É difícil dizer. Provavelmente, entretanto, ninguém recusaria que a resposta à questão: "Quais suas esperanças para o nível de bem estar dos seus filhos: será ele melhor ou pior do que o seu?" contém uma informação importante sobre aquelas expectativas. A resposta no caso brasileiro deixa pouca dúvida, como se vê abaixo.

Das 900 pessoas adultas consultadas em todo o Brasil, 684 diante da sua situação atual e das perspectivas que enxergam para o futuro manifestaram a esperança que o bem-estar dos seus filhos seria melhor do que o seu. É difícil conciliar essa resposta com as manifestações de pessimismo que emanam de alguns setores da sociedade, principalmente o financeiro.

O levantamento da Pew contém outras informações que confirmam aquela esperança. É o caso, por exemplo, das respostas à questão: "Nos próximos 12 meses (de maio de 2013 a abril de 2014), a situação da economia nacional vai melhorar ou piorar?" (veja tabela "Resultados da pesquisa")

Existe uma certa correlação entre as duas respostas, mas a distância do Brasil e da China da mediana dos países emergentes (48, 25 e 17, respectivamente) revela claramente as expectativas mais otimistas dos seus cidadãos. Fato importante é que, quando a pesquisa pergunta se a situação pessoal do entrevistado é boa ou ruim, os aspectos positivos da situação brasileira se destacam, como se observa no quadro abaixo.

Uma questão fundamental revelada pela pesquisa é a sensação generalizada que a organização social em que vivemos, uma economia de mercado controlada pelas finanças (cujo codinome é "capitalismo financeiro"), é portadora de graves problemas de desigualdade, que favorecem os mais ricos. Em 31 dos 39 países participantes da amostra, mais de metade da população considera a desigualdade um grave problema (no Brasil, 75%).

Com algumas exceções, na maioria dos países há a sensação de que o funcionamento do sistema beneficia os mais ricos (no Brasil, 80%). O curioso é que em nenhum deles, com exceção da Alemanha (onde o nível de desigualdade cresceu enormemente), a redistribuição das riquezas é colocada como uma prioridade nacional.



Nessa perspectiva mundial, é difícil dizer que a economia brasileira vai tão mal quanto insistem alguns de nossos analistas financeiros. Temos sim problemas graves que precisam ser enfrentados, o mais importante dos quais é devolver à indústria nacional o vigor que lhe foi tirado por uma política econômica que, descuidadamente, roubou-lhe as condições isonômicas de competição.

A análise histórica dos levantamentos feitos pelo mesmo Pew Research, feitos de 2010 a 2013, deixam, entretanto, uma pequena preocupação. Aos olhos das pessoas consultadas no Brasil, a administração geral do país parece ter sofrido uma ligeira deterioração, ainda que a variação do indicador não seja significativa (tendo em vista os erros de amostragem). A resposta à mesma pergunta feita em todos os anos - "Em geral, você está satisfeito ou não, como as coisas estão indo hoje?" mostra isso (veja tabela "Grau de satisfação").

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.



 



 

 
 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Títulos causam perda de R$ 120 bi


 

Por Lucinda Pinto | De São Paulo - Valor 14/06
 
A instabilidade do mercado de renda fixa global assistida desde o início do mês de junho já deixa uma perda potencial para os detentores de títulos públicos brasileiros estimada em mais de R$ 120 bilhões neste ano. Essa conta leva em consideração a desvalorização dos papéis prefixados e indexados a índices de preço emitidos pelo Tesouro Nacional no mercado doméstico, cujo estoque nas mãos do mercado é de aproximadamente R$ 1,3 trilhão. São os títulos preferidos dos investidores estrangeiros, mas também os que estão espalhadas entre fundos de investimento e de previdência. O cálculo refere-se a uma perda meramente contábil. Para que se torne um prejuízo real, os investidores têm que vender seus papéis aos preços atuais. Caso os mantenham em carteira, podem recuperar o prejuízo.
A intensa volatilidade nesse mercado levou o Tesouro Nacional a voltar a recomprar títulos públicos, ontem, das mãos dos investidores pela primeira vez em quase cinco anos. A última vez que uma operação semelhante havia sido feita foi em outubro de 2008, em meio à crise gerada pela quebra do banco Lehman Brothers.
A atuação do Tesouro teve como objetivo dar parâmetros de preços a um mercado distorcido por uma onda de zeragem de posição e dúvidas sobre qual é o valor justo dos ativos que os investidores carregam em suas carteiras. De fato, a ação teve efeito imediato e as taxas pagas voltaram a ceder. Mas, para especialistas, essa atuação não interrompe definitivamente os riscos de perda para os investidores. "Foi uma ação oportuna, mas em que se combate os efeitos, e não a causa da tensão", explica um analista.
Desde o início de junho, o mercado vem assistindo a uma onda de desvalorização no mercado de renda fixa nada trivial. As perdas são mais evidentes entre os títulos atrelados ao IPCA, as chamadas NTN-B, que têm os prazos mais longos da dívida mobiliária federal e menor liquidez no mercado secundário. Para esses papéis, a perda estimada é de cerca de R$ 60 bilhões. Quanto mais longo o prazo do papel, maior é a perda.
São principalmente razões externas ao Brasil as que explicam esse quadro. A alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, detonada pela possibilidade de a política monetária americana mudar de rumo nos próximos meses, estimula investidores globais - especificamente os chamados fundos hedge, que buscam altas taxas de retorno e que são sensíveis a qualquer alteração de cenário - a desfazer seus investimentos em renda fixa no mundo. Os juros, assim, sobem em todos os mercados emergentes para onde o capital internacional migrou nos últimos anos. É o chamado efeito portfólio, em que ajustes nas carteiras dos investidores globais provocam mudanças drásticas nos preços dos ativos em todas as praças.
Esse movimento pegou o mercado local já fragilizado. Um processo de aperto monetário foi iniciado em abril deste ano, fenômeno que por si só faz o investidor em ativos prefixados perder dinheiro. Diante desse quadro, o investidor ainda põe na balança as dúvidas sobre a capacidade de o governo gerar crescimento e conter a inflação, além dos riscos que o quadro fiscal expansionista oferece.
O que se vê nestes dias, portanto, é uma bola de neve. À medida que o investidor estrangeiro vende títulos, os preços dos papéis caem. E os fundos de investimento e de pensão têm de marcar seus papéis a mercado, ou seja, corrigir o valor de suas carteiras para o nível praticado pelo mercado. O problema é que fundos têm metas a cumprir e se veem obrigados a se desfazer de parte desses papéis, reforçando a desvalorização. Muito do nervosismo vem do simples receio de que o mercado embarque nessa dinâmica.
Grandes fundos, muito alavancados em títulos de longo prazo, foram vistos liquidando suas aplicações nestes dias de fortes perdas dos títulos. No mês de junho, o IRF-M, índice que mede o desempenho dos papéis prefixados do Tesouro no mercado secundário, acumula perda de 1%. Títulos de longo prazo, como a LTN 2017, passaram a ser negociados com rendimento superior a 11% - muito acima da taxa Selic, que hoje está em 8%. Somente o IMA-B, relativo às NTN-Bs, papéis atrelados ao IPCA, tem queda de 4,15% no mês.
Quando a volatilidade torna-se aguda como a que se viu nestes dias, as corretores sequer conseguem definir um preço justo para o papel. E foi nesse contexto que o Tesouro decidiu se colocar à disposição do mercado para recomprar 1 milhão de NTN-F (títulos prefixados) com vencimento em 2021 e mais 1 milhão para 2023. Desse volume, foram recomprados apenas 200 mil papéis do vencimento mais longo.
Além de dar saída para o investidor que tentava vender seus papéis, a atuação oferece um sinal de que o Tesouro tem caixa e está disposto a agir para dar equilíbrio ao mercado. E o resultado do leilão, com a venda de apenas 10% do volume ofertado, demonstrou que a necessidade de venda efetiva dos títulos não era tão elevada. Mas, em um mercado pouco líquido e machucado por dias seguidos de perdas, era o suficiente para distorcer os preços. "Em momentos como o atual, bastaria que 1% dos investidores quisessem sair para fazer as taxas disparar", explica um especialista. "Mas quando o mercado percebe que Tesouro está atento e que há uma porta de saída, muitos agentes desistem de vender os papéis."
O leilão do Tesouro conseguiu colocar os juros futuros de volta à trajetória de queda ontem, mas as taxas ainda seguem carregando um prêmio considerável em relação ao fim de maio. O contrato do DI para janeiro de 2017 negociado na BM&FBovespa fechou com taxa de 10,34%, ante 10,65% na véspera. No fim do mês passado, era negociado por volta de 9,75%. Entre os contratos de curto prazo, o DI janeiro/2014 registrou taxa de 8,70%, ante 8,77%.

domingo, 16 de junho de 2013

Setor industrial gera apenas 11% dos empregos no Brasil





Jornal Econômico, 16 de abril de 12.
MACROECONOMIA
Setor industrial gera apenas 11% dos empregos no Brasil
 
Por Carlos Giffoni | De São Paulo
 
SÃO PAULO - A participação da indústria de transformação na geração de empregos caiu quase pela metade entre 2002 e 2011, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Entre as mais de 760 mil vagas criadas naquele ano, 21,1% foram para a indústria de transformação. No ano passado, a fatia que cabe ao setor ficou em 11,2% - em um total de 1,56 milhão de empregos líquidos gerados no país. No mesmo período, o peso do setor de serviços passou de 37,5% para 50,2% dos novos empregos.

A fatia da indústria de transformação frente ao saldo líquido de empregos do Caged no ano passado está bem aquém do índice registrado no acumulado dos últimos dez anos. De 2002 para cá, foram criados 13,2 milhões de vagas líquidas, sendo que o setor respondeu por 18,7% desse total (2,47 milhões).
Esse movimento, dizem os economistas, ocorreu tanto por fatores próprios do setor- como ganhos de produtividade e mudança na composição da indústria com aumento da participação de setores menos intensivos em mão de obra - como pela maior presença dos importados e pelo crescimento mais expressivo de outros setores, especialmente serviços.

Na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a perda de participação do emprego industrial no período também fica evidente. Enquanto na maior parte dos setores, inclusive na construção civil, a distribuição da população ocupada (estimada em 22,6 milhões nas seis principais regiões metropolitanas do país) se manteve mais ou menos igual, na indústria houve queda de 1,5 ponto percentual em dez anos (incluindo-se aí a indústria extrativa).
Em 2002, a participação do setor era de 17,6%. Em dezembro do ano passado, ficou em 16,1% - em fevereiro deste ano, dado mais atualizado, a participação caiu para 16%. Apenas o setor de serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira apresentou alta significativa no período (3,2 pontos percentuais).

"Essa perda de 1,5 ponto percentual de participação no estoque de emprego sugere um processo de mudanças estruturais muito lento que está em curso no Brasil", diz o economista David Kupfer, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e assessor da presidência do BNDES.

Em contrapartida, a produtividade do trabalhador industrial (relação entre a produção industrial e o número de horas pagas) cresceu 27,2% no acumulado entre 2002 e o fim do ano passado. Ou seja, apesar de a fatia de ocupados na indústria - especialmente na de transformação - ter sofrido uma forte queda nos últimos anos, o trabalhador que se mantém no setor aumentou a sua produtividade.

Kupfer explica que, por ter ganho de produtividade maior que os outros setores, o emprego na indústria tende a crescer em ritmo menor que o emprego em serviços, por exemplo. "Se a produção crescer de maneira isonômica entre os setores, o emprego industrial perde participação no total do país, já que a produtividade da indústria cresce mais que a de outros setores. É uma trajetória normal para o desenvolvimento."

Um processo de desindustrialização no Brasil está na pauta de discussão de diversos setores da indústria e de analistas de mercado. Entre os principais argumentos está o fato de que a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cai seguidamente há sete anos. Em 2002, ficou em 16,9%. No ano passado, o setor respondeu por 14,6% das riquezas geradas no ano, sendo que o setor atingiu um pico de relevância em 2004, quando foi responsável por 19,2% do PIB.

O fato de a indústria estar andando de lado e a invasão de produtos importados entram nessa conta - e explicam também, em parte, a menor geração de empregos na indústria. "Determinados insumos passaram a ser importados. Se você aumenta a participação de importados no seu produto final, você diminui a demanda por trabalho no processo produtivo", afirma Mariano Laplane, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. "Com um câmbio menos distorcido, seria possível recuperar a produção, inclusive de componentes e de insumos. Precisamos de uma política industrial voltada para isso."

Os economistas observam que, na última década, houve uma mudança de peso dos setores que compõem a indústria e, consequentemente, do perfil do emprego. "Tivemos um crescimento industrial apoiado em commodities e recursos naturais. Houve uma evolução mais forte de setores de insumos básicos da cadeia produtiva e mais fraca nas manufaturas, como na indústria têxtil, de calçados e móveis, em que a mão de obra é mais intensiva", explica Kupfer.

"Os setores vinculados a petróleo, insumos pesados, como siderurgia e química, são setores que empregam, proporcionalmente, menos que a indústria tradicional. Uma mudança na composição setorial da indústria, ou seja, o avanço mais modesto da indústria de transformação, que emprega mais, leva a essa queda do setor na relação de empregos criados [Caged] e estoque [PME]", diz Laplane.
Para Kupfer, essa mudança não é desejável. "A indústria tradicional é a que está mais fragilizada pelo atual quadro do setor, mas é a que gera mais empregos e empregos mais acessíveis ao perfil de qualificação da sociedade brasileira. Essa indústria pode se espalhar pelo território e promover o desenvolvimento regional necessário", afirma.

Kupfer reconhece que a indústria de transformação já teve momentos em que o salário era "maior" do que o pago pelos outros setores. "Os serviços estão se expandindo e encontram menor disponibilidade de mão de obra, por isso aumentam os salários", diz. "Além disso, há um claro movimento de formalização, mas não entendo que isso desestimule a busca de emprego no setor industrial."

"Não acho que a indústria deixou de ser interessante para o trabalhador", concorda Laplane. O professor da Unicamp acredita que o momento no mercado de trabalho brasileiro é de qualificação do emprego. "Estamos com um nível de desemprego muito baixo. Se a indústria voltar a crescer, principalmente com mais investimentos, haverá um aumento de produtividade, e isso vai exigir mão de obra mais qualificada, oferecendo melhores salários, como consequência", diz.


(Carlos Giffoni | Valor)