segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
O futuro e a composição do consumo
Por Carlos Lessa - Valor 26/12
Palavras que contêm significados positivos e simpáticos são frequentemente deslizadas de seu uso tradicional para, mediante a ampliação de sua "cobertura", melhor "vestir" atos e comportamentos. Tais deslizamentos servem de disfarce. Há um velho provérbio turco que diz: "Se quereis vender um corvo, pinte-o de rouxinol".
A palavra produto sugere algo material e útil; tem, associada, a ideia de produtividade. A palavra serviço é menos estimada. Assisti os bancos fazerem uma operação de metamorfose, deixando de prestar serviços e passando a oferecer "produtos". A palavra investimento foi utilizada por gerações de economistas para descrever a decisão de ampliar, modernizar ou criar nova capacidade de produção. Como a geração de emprego e renda está associada ao investimento, a ideia de adiar para o futuro decisões de gozar no presente a renda obtida sustentou o mérito da poupança. A construção do primado e da precedência da poupança sobre o investimento associa a geração de emprego e renda à decisão precedente de poupar. Na verdade, o investimento como decisão de ampliar a capacidade de produção deriva de uma afirmação soberana do Estado (por exemplo, criando fontes de energia, aperfeiçoando sistemas de transporte, defendendo a saúde e o acesso aos bens culturais aos cidadãos, etc.) ou da decisão privada de preservar ou ampliar a fatia de mercado.
Houve uma apropriação vulgar da palavra investimento. Ao comprar um imóvel, uma ação ou qualquer um dos múltiplos instrumentos financeiros, utiliza-se a palavra investimento. Normalmente, trata-se da compra e venda de algo preexistente, seja uma construção de anos passados, seja a fração da capacidade produtiva já instalada por uma empresa ou, a partir de metamorfose, ao que represente dívida de alguém (Estado, família ou empresa). É uma aplicação financeira, que pode ter sido realizada em busca de um rendimento no futuro ou de um ganho na compra e venda do ativo - neste último caso, trata-se de uma aplicação financeira especulativa. Encobrir tudo isso com a palavra investimento não garante novos empregos ou maior renda para a economia nacional; pode, inclusive, ser o detonador de uma crise com depressão e geração de desemprego e decrescimento da atividade produtiva.
Para um debate sobre perspectivas brasileiras, é útil deslocar o olhar para o consumo privado. Pensemos num alface, num automóvel, numa nova construção e numa aula de conhecimento geral. O pé de alface desaparece ao ser consumido; o automóvel se desgasta ao longo de anos de uso; a nova construção é bem mais duradoura e, provavelmente, o solo que ela ocupa será valorizado ao longo de sua vida útil; se a aula for assimilada, o cidadão terá melhorado seu nível de conhecimento. Tanto o alface quanto o automóvel, a nova construção e o serviço de educação, ao serem produzidos, geram renda e emprego. Tanto o alface quanto o automóvel podem ser importados, porém é melhor para o Brasil que sejam produzidos internamente (ver num supermercado uma salada de alface pré-preparada importada do exterior sugere um desperdício e um esnobismo de algum consumidor que goste de se exibir). No caso do carro importado, é patente a vontade de ser diferente e superior ao motorista do carro fabricado no Brasil.
Ambas as importações atendem a consumo supérfluo e de pouca prioridade para o desenvolvimento da sociedade brasileira. No caso da nova construção, a maioria dos materiais (areia, saibro, madeira, pedra, tijolo) é produzida em local próximo ao canteiro de obras; cimento, ferro e madeira, provavelmente, em território nacional; talvez alguma ferragem ou material cerâmico decorativo seja importado, porém, provavelmente, é produzido no país. A aula assimilada pelo cidadão, tenha sido disponibilizada no país ou fruída no exterior, será relevante se a atividade do cidadão for benéfica para o corpo social nacional. Tanto o alface como o automóvel e a nova construção exigem do consumidor um pagamento ao produtor. O serviço educacional pode ser gratuito (se a sociedade tiver ensino público universal gratuito), porém pode ser comprado de uma empresa que presta serviços de educação. O economista gosta de chamar serviços públicos de consumo público.
As implicações do consumo sobre a dinâmica familiar são variadas. O alface alimenta e melhora o processo digestivo; o automóvel dá o prazer do auto-deslocamento e o desprazer dos congestionamentos, porém exige de seu usuário compra de combustível, lubrificantes, peças de reposição, pagamentos de impostos, seguros, pedágios e gratificações aos flanelinhas, por vezes importantes despesas ligadas a consertos e reparações mas, ao envelhecer, o automóvel perde valor. A nova construção permite melhoria habitacional; impõe despesas, porém reduz o gasto de aluguel e tudo se passa como se, ao longo da vida, estivessem sendo acumulados os aluguéis, formando um patrimônio central para a vida familiar. A aula, se bem assimilada, permite uma melhoria da existência do cidadão, quer pela convivência, pela integração social ou pela vida cultural, quer pela atividade profissional.
"É um erro estimular o endividamento de famílias sem residência à compra com longas prestações, juros embutidos e novas despesas imprevistas de produções de empresas existentes no país, mas que importam componentes e remetem lucros para o exterior."
É extremamente importante perceber os empregos, as oportunidades e as consequências dos tipos de consumo. Obviamente, para a integração nacional, multiplicação de empregos e disseminação de atividades, a nova construção tem méritos indiscutíveis: fortalece o mercado interno e cria bases para futuras produções de móveis, eletrodomésticos etc; é, por seus efeitos dinâmicos, preferível à compra de automóveis.
A cadeia produtiva da construção é predominantemente nacional e não pressiona a capacidade para importar, a não ser que cresçam, virtuosamente, a siderurgia, a indústria de cimento, a cerâmica fina, a indústria química, etc. Neste caso, o país estará importando máquinas para ampliar sua capacidade interna de produção e não gastando divisas com importações esnobes.
Para a família, do ponto de vista patrimonial, o resultado da aquisição de um imóvel é radicalmente diferente. É um erro estimular o endividamento de famílias sem residência à compra com longas prestações, juros embutidos e novas despesas imprevistas de produções de empresas existentes no país, mas que importam componentes e remetem lucros para o exterior.
Em tempo: não compre mercadorias feitas na China neste fim de ano!
Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.
O poder de viver na verdade
Por Jeffrey D. Sachs
A maior carência do mundo não é de petróleo, água limpa ou alimentos, mas de liderança moral. Ao assumir um compromisso com a verdade - científica, ética e pessoal - uma sociedade pode superar muitas crises de pobreza, doença, fome e instabilidade que nos confrontam. Mas o poder abomina a verdade e a combate implacavelmente. Assim, façamos uma pausa para expressar gratidão a Václav Havel, que morreu neste mês, por permitir que uma geração conquistasse a oportunidade de viver na verdade.
Havel foi um líder fundamental dos movimentos revolucionários que culminaram em liberdade na Europa Oriental e, 20 anos atrás, neste mês, no fim da União Soviética. As peças, ensaios e cartas de Havel descreveram o embate moral no empenho de viver honestamente sob ditaduras comunistas da Europa do Leste. Ele arriscou tudo para viver na verdade, como ele caracterizava sua vida - honesto consigo e heroicamente honesto em face do poder autoritário que reprimiu a sociedade e esmagou a liberdade de centenas de milhões.
Ele pagou caro por essa escolha, passando vários anos na prisão e outros mais sob vigilância, perseguição e censura a seus textos. Apesar de tudo, o fulgor da verdade se disseminou. Havel deu esperança, coragem e ousadia a uma geração de seus compatriotas. Quando a teia de mentiras entrou em colapso em novembro de 1989, centenas de milhares de tchecos e eslovacos saíram às ruas para proclamar sua liberdade - e conduzir o dramaturgo proibido e preso ao Castelo de Praga como recém-eleito presidente da Tchecoslováquia.
Eu, pessoalmente, testemunhei o poder de viver na verdade, naquele ano, quando a liderança do movimento Solidariedade, da Polônia, pediu-me que ajudasse na transição para a democracia e para a economia de mercado. Eu conheci e fui profundamente inspirado por muita gente na região que, como Havel, viveu na verdade: Adam Michnik, Jacek Kuron, Bronislaw Geremek, Gregorsz Lindeberg, Jan Smolar, Irena Grosfeld e, claro, Lech Walesa. Esses bravos homens e mulheres, e aqueles que, como Tadeusz Mazowiecki e Leszek Balcerowicz, que comandaram a Polônia tiveram êxito graças à combinação de coragem, inteligência e integridade.
O poder de dizer a verdade naquele ano criou uma sensação deslumbrante de possibilidades, pois provou a reversão de um das mais recalcitrantes hegemonias na história: a dominação soviética sobre a Europa Oriental. Michnik, como Havel, irradiava a alegria da verdade sem medo. Perguntei-lhe, em julho de 1989, quando o regime comunista polonês já estava se esgarçando, quando a liberdade chegaria a Praga. Ele respondeu: "Até o fim do ano". "Como você sabe?" indaguei. "Acabei de me encontrar com Havel nas montanhas", disse ele. "Não tenha medo. A liberdade está a caminho." Sua previsão estava certa, é claro, com um mês de antecedência.
Assim como mentiras e corrupção são contagiosas, também a verdade moral se dissemina de um paladino a outro. Havel e Michnik puderam ter sucesso em parte por causa do milagre de Mikhail Gorbachev, o líder soviético que surgiu de um sistema envenenado, mas valorizava a verdade acima da força. E Gorbachev pode triunfar em parte devido ao puro poder da honestidade do seu compatriota, Andrei Sakharov, o grande e destemido físico nuclear que também arriscou tudo para falar a verdade no império soviético - e que por isso pagou com anos de exílio interno.
A vida de Havel é um lembrete dos milagres que tal credo pode produzir, mas é também um lembrete do fato mais sombrio de que as vitórias da verdade nunca são definitivas. Cada geração precisa adaptar suas bases morais às condições constantemente cambiantes das mudança políticas, culturais, sociais e tecnológicas.
A morte de Havel acontece num momento de grandes manifestações na Rússia em protesto contra fraudes eleitorais, violência no Egito quando ativistas democráticos combatem militares profundamente enraizados no poder; revolta na China rural contra funcionários locais corruptos; e tropas de choque policiais desmantelando violentamente reuniões de protesto do movimento "Ocupar" nas cidades americanas.
Grande parte da luta, hoje - em toda parte - opõe a verdade à ganância. Mesmo que nossos desafios sejam diferentes dos enfrentados por Havel, a importância de viver na verdade não mudou.
A realidade contemporânea é de um mundo em que a riqueza se traduz em poder e em que o poder é usado para aumentar a riqueza pessoal às custas dos pobres e do ambiente natural. À medida que as pessoas que estão no poder destroem o ambiente, iniciam guerras sob falsos pretextos, fomentam a agitação social e ignoram o sofrimento dos pobres, parecem ignorar que elas próprias e seus filhos pagarão um preço pesado.
Muitas pessoas hoje desesperam-se quanto às possibilidades de mudança construtiva. No entanto, as batalhas com que nos defrontamos - contra poderosos interesses empresariais, implacáveis distorções de fatos por firmas de relações públicas e as mentiras incessantes de nossos governos - são uma sombra do que Havel, Michnik, Sakharov e outros enfrentaram ao se opor aos brutais regimes apoiados pelos soviéticos.
Em contraste com estes dissidentes titãs, temos à nossa disposição os instrumentos das mídias sociais para disseminar a mensagem, superar o isolamento e mobilizar milhões em apoio a reformas e renovação. Muitos de nós desfrutamos de proteções mínimas à liberdade de expressão e de reunião, ainda que duramente conquistadas, imperfeitas e frágeis. Porém, da mais profunda importância e consequência, também somos abençoados pela inspiração permanente da vida de Havel na verdade. (Tradução de Sergio Blum)
Jeffrey D, Sachs é professor de economia e diretor do Instituto Terra, na Columbia University. Ele também é Assessor Especial do Secretário-Geral da ONU para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Afundando na "grande estagnação"
Por Martin Wolf - Valor 21/12
O futuro não é o que costumava ser. Nem o presente. Esse é o tema de "The Great Stagnation" (A grande estagnação), de Tyler Cowen, da George Mason University.* O tema está em seu subtítulo: "How America ate all the low-hanging fruit of modern history, got sick and will (eventually) feel better". O livro é um modelo de texto popular: lúcido, conciso e provocador. Mas será o argumento verdadeiro? Se o for, o que poderia isso implicar?
"Os EUA estão em tumulto", afirma Cowen, "e nossa economia está nos deixando na mão". Ele cita o lento crescimento da mediana salarial a partir dos anos 1970, as ilusões da década de 2000 e a ausência de "criação líquida de novos empregos nesta última década". Além disso, "estamos diante de uma crise fiscal de longo prazo, impulsionada pelo custo cada vez maior de direitos sociais, nossa... dependência de endividamento e nossa vontade de ir empurrando as coisas, em vez de encarar a necessidade de pagar as contas".
Até aqui, o argumento é familiar. Mais nova é a explicação de Cowen para a situação dos EUA: "A economia americana beneficiou-se... de insumos ao alcance da mão pelo menos desde o século XVII, seja terra ociosa... trabalho de imigrantes ou novas e poderosas tecnologias. No entanto, durante os últimos 40 anos, quando os frutos maduros começaram a desaparecer, começamos a fingir que ainda estavam disponíveis. Foi isso o que deu errado".
O papel de insumos baratos e da importação de mão de obra no crescimento americano passado é claro. Mas Cowen acrescenta um ponto importante. Em 1900, apenas 6,4% dos americanos diplomavam-se em universidades; no fim dos anos 1960, 80%. Analogamente, até 2009, 40% dos jovens entre 18 e 24 anos já estavam matriculados em faculdades. Tornou-se muito mais difícil melhorar a qualidade da força de trabalho.
Boa parte da causa mais importante do crescimento econômico sustentado são as novas ideias. Infelizmente, as taxas de invenção e inovação também têm diminuído. O ponto alto foi o fim do século XIX e início do século XX, que produziu produtos químicos modernos e, portanto, fertilizantes artificiais; eletricidade e, portanto, o motor elétrico, luz, geladeiras, aspiradores de pó, aparelhos de ar-condicionado, rádios, vitrolas e a televisores; o motor de combustão interna e portanto o automóvel; aviões, produtos farmacêuticos e, não menos importante, a produção em massa. Tudo isso transformou vidas.
"Hoje, em contraste", argumenta Cowen, "além da aparentemente mágica internet, a vida material, em termos gerais, não é tão distinta do que era em 1953". Eu acrescentaria o computador e o telefone celular. Mas é difícil não concordar com que o fluxo de inovações fundamentais desacelerou. Hoje é mais difícil e mais caro inovar.
Para justificar seu pessimismo, Cowen cita a estagnação da renda familiar média a partir de meados dos anos 1970. Mas mudanças na distribuição de renda - um fenômeno nítido - moldam esse cenário. No entanto, dados sobre a renda per capita e sobre a "produtividade multifatorial", a parte do crescimento econômico não explicada por crescentes insumos de capital e de mão de obra - apoiam a tese de Cowen. No primeiro trimestre de 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) real per capita foi 13% inferior do que teria sido se a tendência de 1947 a 1973 tivesse persistido. No terceiro trimestre de 2011, o PIB foi 22% menor. Num estudo aprofundado, Robert Gordon, da Northwestern University, conclui, analogamente, que o crescimento multifatorial de produtividade no setor empresarial não agrícola atingiu um pico na primeira metade do século XX e caiu entre 1972 e 1996**. O PIB, então, viveu um surto em maio à onda da "Nova Economia". Mas esse impulso se dissipou. É possível imaginar outro surto inovador com impacto na economia como um todo com origem em biotecnologia ou nanotecnologia. Mas, neste momento, isso não está ocorrendo.
É possível divergir da tese de Cowen em seus detalhes. Ele exagera o papel negativo de governo grande e subestima sua influência positiva. Mas o quadro mais amplo que ele desenha parece correto. Assim, o que a estagnação americana implica para o restante do mundo?
Cowen tira duas conclusões. A primeira é que "a política americana é muito difícil, num país sem muitos frutos maduros ao alcance das mãos". A segunda é que a explicação da crise financeira está em "pensarmos que éramos mais ricos do que efetivamente somos". Com efeito, ele acredita que os americanos demandaram, tanto coletiva como individualmente, o que não tinham condições de pagar. Pode muito bem ser verdade que o desejo de tomar tantos empréstimos e de resistir tanto a impostos mais altos e a contenção de gastos reflita o decepcionante aumento das rendas reais.
Agora consideremos o restante do mundo. Aqui podemos ver boas e más notícias. Uma boa notícia é que a grande maioria dos seres humanos vivem em economias distantes da fronteira econômica. O PIB real per capita chinês é cerca de um quinto dos níveis nos EUA e o da Índia é inferior a um décimo. Assim, melhorias em educação e adoção de conhecimentos já existentes proporcionam grandes oportunidades. A segunda boa notícia é que o potencial de incorporação de um número muito maior de pessoas em descoberta científica, invenção e inovação é também enorme. Pode ser cada vez mais difícil conquistar novos conhecimentos. Mas os recursos destinados a essa tarefa podem também ser muito maiores do que em qualquer momento anterior. A má notícia é que a era dos insumos baratos não está terminando não apenas para os EUA. O que antes era tratado como gratuito é caro.
Eu gosto desse livro: ele começa com teses provocativas e termina com um apelo a investimentos em ciência. Eu não concordo com tudo o que defende, longe disso. Mas é bom lembrar que existem histórias econômicas muito maiores do que o fracasso do mundo financeiro ou o apelo à austeridade. No longo prazo, nosso futuro depende de boas ideias. Pode não caber a nós determiná-las. Mas sempre estarão sujeitas à nossa influência.
* Dutton, Nova York, junho 2011.
** "Revisitando o crescimento da produtividade americana", março de 2010, www.nber.org.
(Tradução de Sergio Blum)
Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT.
É preciso reduzir importações "predatórias", afirma Dilma
Valor 21/12
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem em Montevidéu, na cerimônia de encerramento da cúpula do Mercosul, que os países do bloco precisam reduzir o que chamou de " avalanche de importações predatórias" proveniente dos países com maior índice de industrialização, na Europa, América do Norte e Asia. "Essas importações comprometem a geração de emprego e o crescimento econômico e devemos combatê-las com eficácia", disse Dilma em seu discurso.
Entre as medidas mencionadas pela presidente, está "a construção de mecanismos comuns que defendam a nossa economia de práticas ilegais e fraudulentas". Dilma anunciou ainda, como uma decisão do Mercosul como um todo, " a ampliação do alcance da lista dos produtos incluídos na Tarifa Externa Comum (TEC), permitindo uma gestão flexível, integrada e estratégica". Na prática, a proposta amplia temporariamente em cem itens a lista de exceções para cobrança de alíquota acima da TEC para importações de fora da zona.
Essa era a proposta inicial do Brasil desde o início da cúpula, mas,durante as reuniões realizadas anteontem pelos ministros das áreas econômicas do bloco, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a afirmar que o Brasil havia concordado em ampliar em 200 novos produtos a lista de exceção à TEC, conforme havia proposto a Argentina.
A lista de exceção permite que os países cobrem uma alíquota diferente dos demais membros do bloco para determinado produto, desde que não seja ultrapassado o teto de 35% que a tarifa determina. A ampliação das exceções durará até dezembro de 2014.
A sessão aberta do Mercosul começou com seis horas de atraso, devido à morte de um integrante da delegação argentina, o subsecretário de Comércio Exterior Ivan Heyn. O economista, que havia completado 34 anos na semana passada, foi encontrado em seu quarto de hotel, no centro da capital uruguaia, aparentemente enforcado. A polícia uruguaia investiga a hipótese de suicídio.
Quando a notícia chegou ao prédio que abriga a sede do Mercosul, no instante em que os presidentes iam abrir formalmente o encontro, a reunião foi paralisada a pedido da presidente argentina, Cristina Kirchner. A cúpula foi retomada, instantes depois, com o cancelamento de diversos atos públicos. Até mesmo a foto oficial deixou de ser feita. Durante o encontro, foi transferida do Uruguai para a Argentina a presidência pro-tempore da instituição.
O encontro dos presidentes chegou a um impasse quando se debateu o ingresso pleno da Venezuela. O Uruguai apresentou uma proposta para que as admissões de países passassem a ser tratadas por um grupo especial de trabalho, e não mais pelo Poder Legislativo de cada país. O presidente venezuelano Hugo Chávez não era esperado para a reunião, mas decidiu viajar para Montevidéu na noite de anteontem, quando se tornou claro que havia dificuldades para o Paraguai aceitar a proposta uruguaia.
O processo de ingresso da Venezuela está travado desde 2008, com a resistência do Senado paraguaio, controlado pela oposição ao presidente Fernando Lugo, em votar a admissão. Com a criação da comissão, a decisão sobre o ingresso ficaria concentrada nas presidências dos países-membros. Logo ao chegar ao Uruguai, em uma entrevista coletiva, Chávez foi contemporizador.
" Ninguém colocou como meta a aprovação dessa proposta hoje", disse o presidente venezuelano. Durante a sessão de encerramento do encontro, Dilma e Cristina anunciaram abertamente o apoio ao ingresso pleno da Venezuela. Lugo não comentou o tema.
Além da Venezuela, o presidente do Equador, Rafael Correa, também pediu formalmente o ingresso do país no bloco, embora no caso equatoriano a adesão seja ainda mais complexa que a do Venezuela, porque o Equador faz parte de outro bloco comercial, o Pacto Andino, e usa o dólar como moeda doméstica. " Espero que o Equador tenha melhor sorte que nós e que o seu processo não leve o mesmo tempo", disse Chávez em discurso.
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem em Montevidéu, na cerimônia de encerramento da cúpula do Mercosul, que os países do bloco precisam reduzir o que chamou de " avalanche de importações predatórias" proveniente dos países com maior índice de industrialização, na Europa, América do Norte e Asia. "Essas importações comprometem a geração de emprego e o crescimento econômico e devemos combatê-las com eficácia", disse Dilma em seu discurso.
Entre as medidas mencionadas pela presidente, está "a construção de mecanismos comuns que defendam a nossa economia de práticas ilegais e fraudulentas". Dilma anunciou ainda, como uma decisão do Mercosul como um todo, " a ampliação do alcance da lista dos produtos incluídos na Tarifa Externa Comum (TEC), permitindo uma gestão flexível, integrada e estratégica". Na prática, a proposta amplia temporariamente em cem itens a lista de exceções para cobrança de alíquota acima da TEC para importações de fora da zona.
Essa era a proposta inicial do Brasil desde o início da cúpula, mas,durante as reuniões realizadas anteontem pelos ministros das áreas econômicas do bloco, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a afirmar que o Brasil havia concordado em ampliar em 200 novos produtos a lista de exceção à TEC, conforme havia proposto a Argentina.
A lista de exceção permite que os países cobrem uma alíquota diferente dos demais membros do bloco para determinado produto, desde que não seja ultrapassado o teto de 35% que a tarifa determina. A ampliação das exceções durará até dezembro de 2014.
A sessão aberta do Mercosul começou com seis horas de atraso, devido à morte de um integrante da delegação argentina, o subsecretário de Comércio Exterior Ivan Heyn. O economista, que havia completado 34 anos na semana passada, foi encontrado em seu quarto de hotel, no centro da capital uruguaia, aparentemente enforcado. A polícia uruguaia investiga a hipótese de suicídio.
Quando a notícia chegou ao prédio que abriga a sede do Mercosul, no instante em que os presidentes iam abrir formalmente o encontro, a reunião foi paralisada a pedido da presidente argentina, Cristina Kirchner. A cúpula foi retomada, instantes depois, com o cancelamento de diversos atos públicos. Até mesmo a foto oficial deixou de ser feita. Durante o encontro, foi transferida do Uruguai para a Argentina a presidência pro-tempore da instituição.
O encontro dos presidentes chegou a um impasse quando se debateu o ingresso pleno da Venezuela. O Uruguai apresentou uma proposta para que as admissões de países passassem a ser tratadas por um grupo especial de trabalho, e não mais pelo Poder Legislativo de cada país. O presidente venezuelano Hugo Chávez não era esperado para a reunião, mas decidiu viajar para Montevidéu na noite de anteontem, quando se tornou claro que havia dificuldades para o Paraguai aceitar a proposta uruguaia.
O processo de ingresso da Venezuela está travado desde 2008, com a resistência do Senado paraguaio, controlado pela oposição ao presidente Fernando Lugo, em votar a admissão. Com a criação da comissão, a decisão sobre o ingresso ficaria concentrada nas presidências dos países-membros. Logo ao chegar ao Uruguai, em uma entrevista coletiva, Chávez foi contemporizador.
" Ninguém colocou como meta a aprovação dessa proposta hoje", disse o presidente venezuelano. Durante a sessão de encerramento do encontro, Dilma e Cristina anunciaram abertamente o apoio ao ingresso pleno da Venezuela. Lugo não comentou o tema.
Além da Venezuela, o presidente do Equador, Rafael Correa, também pediu formalmente o ingresso do país no bloco, embora no caso equatoriano a adesão seja ainda mais complexa que a do Venezuela, porque o Equador faz parte de outro bloco comercial, o Pacto Andino, e usa o dólar como moeda doméstica. " Espero que o Equador tenha melhor sorte que nós e que o seu processo não leve o mesmo tempo", disse Chávez em discurso.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Comércio mundial enfrenta nova escassez de crédito
Por Assis Moreira - Valor 19/12
De Genebra
O comércio mundial enfrenta uma nova escassez de crédito, com bancos europeus cortando financiamentos, o que pode intensificar a queda das trocas mundiais em 2012. A crise no financiamento das exportações é global, e não só europeia, disseram analistas à margem da conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), encerrada no sábado.
Para o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, a crise atual ameaça mais o comércio mundial que a de 2008, à medida que os governos dispões de menos munição financeira para atenuar seus efeitos e estimular a retomada das atividades.
Bancos europeus controlam 80% do mercado global de crédito ao comércio ("trade finance"), descrito como a "graxa" que facilita exportações e importações, normalmente com maturação de até 180 dias. Esse tipo de operação cobre até 90% dos mais de US$ 12 trilhões do comércio mundial.
Ocorre que os bancos europeus estão sob pressão para se recapitalizar e elevar seu capital próprio. Eles devem desalavancar entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões, pelas estimativas do Morgan Stanley. Em consequência, não há mais liquidez suficiente para financiar todas as transações. E "trade finance" é considerado um dos setores onde os bancos tem mais custos em termos de capital e liquidez, por causa de suposto risco, apesar da garantia real em mercadorias.
Na semana passada, o banco francês Credit Agricole, o segundo maior em "trade finance", anunciou que fechará várias atividades de financiamento ao comércio, como parte de seu esforço para elevar seu capital de base.
O BNP Paribas, o maior operador de "trade finance", já tinha também anunciado a decisão de reduzir significativamente sua exposição nesse setor, para cortar seus ativos em cerca de 25%.
No total, o "trade finance" de commodities poderá sofrer redução de 25% a 30% no ano que vem, nas projeções de Jacques-Olivier Thomann, presidente da Geneva Trading and Shipping Association e diretor do BNP Paribas no financiamento de matérias-primas.
Um assessor da OMC para essa área confirmou que tem havido uma retração de grandes bancos no financiamento do comércio, em particular bancos europeus.
BNP Paribas e Credit Agricole fornecem 20% do crédito para grandes traders de commodities, como Glencore e Cargill, de forma que a redução pode ser administrável. Já para clientes menores, a expectativa é que o crédito será improvável em 2012. Com isso, muitos deles terão de acelerar a venda de estoques, como ocorreu em 2008, quando a demanda de várias commodities degringolou.
Outro aspecto discutido paralelamente à reunião da OMC foi que o recuo de bancos europeus não está sendo automaticamente ocupado por bancos de países emergentes. Ou seja, instituições chinesas, por exemplo, não estão aumentando sua fatia de mercado.
O ministro de Comércio da França, Pierre Lelouche, chegou a apontar uma espécie de guerra no financiamento oficial à exportação. Analistas notam que os EUA são especialmente agressivos, para estimular suas vendas. Há um compromisso americano com o Brasil, na disputa do algodão, de reduzir o subsídio no financiamento a seus exportadores. Mas os americanos até agora fizeram apenas alterações cosméticas.
Na crise de 2008, os principais governos prepararam um pacote de US$ 250 bilhões para socorrer o comércio mundial, que ainda assim teve forte deterioração.
O que aprendi com a crise econômica
Por Luiz Carlos Mendonça de Barros - Valor 19/12
Esta é minha última coluna de um ano muito rico e desafiante para os que se aventuram pelos caminhos da análise econômica. Confesso que nesse período aprendi muito como economista, tanto pelos meus erros que foram muitos, como pelos acertos, estes bem menos frequentes. Creio que sou hoje um profissional com instrumentos analíticos mais sólidos, mas, certamente, mais humilde e sem algumas certezas que carregava no passado.
Vou dividir com o leitor algumas das lições mais importantes desses longos anos de vaivém constante dos preços - muitas vezes histéricos até - dos principais ativos financeiros nos mercados do mundo. A primeira delas é que a crise financeira iniciou-se de verdade em novembro de 2007, embora a mídia lembre sempre da quebra do banco Lehman Brothers em junho de 2008 como sua origem. Na verdade, nos momentos finais de 2007, as primeiras rachaduras no mercado de hipotecas ficaram claras e levaram a uma crise de pânico entre os investidores mais atentos. A economia americana sentiu esse primeiro golpe e os valores do Produto Interno Bruto (PIB) mensal mostram queda forte entre novembro e fevereiro de 2008.
Mas a economia real nos Estados Unidos recuperou-se ao longo do primeiro trimestre de 2008, de forma que o PIB atingiu seu ponto histórico máximo da década em maio daquele ano, quando chegou a US$ 13,5 trilhões. Logo a seguir, com a quebra do Lehman Brothers, ele iniciou um período longo de queda, até atingir US$ 12,7 trilhões em dezembro de 2009, uma queda de mais de 6%. Esse foi o pior momento para a maior economia do mundo.
Somente agora, em outubro passado, o PIB nos Estados Unidos voltou ao nível alcançado em maio de 2008. Se considerarmos outubro de 2007 como o ponto final do ciclo de crescimento americano que começou no início do século, a crise custou aos americanos o equivalente a US$ 1,3 trilhão, ou seja, 10% de toda riqueza gerada anualmente. Esse valor corresponde à perda de quatro anos de crescimento a uma taxa média de 2,5% ao ano, que prevaleceu entre 2001 e 2007.
Outra lição importante desse período é a que mostra a diferença entre as recessões criadas por rupturas financeiras e as que acontecem, de tempos em tempos, por ajustes cíclicos normais a uma economia de mercado. O período de quatro anos necessários para recuperar o mesmo nível de PIB de antes do início da recessão foi mais de duas vezes superior ao das recessões cíclicas. Também podemos visualizar hoje o grau de sucesso da atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesse período ao compararmos os quatro anos de agora aos quase dez anos necessários para a saída da Grande Depressão dos anos 30 do século passado. E ainda assim com a ajuda decisiva da Segunda Guerra Mundial.
Muitos analistas perderam sua áurea e credibilidade ao prever que algo semelhante também ocorreria agora e ao berrar aos quatro cantos a sua certeza de que o Fed falharia na sua missão. Também não têm razão os que simplesmente comparam a recessão de agora com as que tiveram origem nos ajustes cíclicos do passado e criticam a ação da autoridade monetária americana (Fed) pela demora da recuperação da atividade.
Mas é preciso lembrar que setores importantes da economia americana ainda não apresentam uma funcionalidade normal e que serão necessários talvez mais dois anos para que a economia - como um todo - possa ser considerada totalmente recuperada. Serão então longos seis anos perdidos para a sociedade americana em função dos excessos e loucuras do setor financeiro americano.
Outra forma de avaliarmos o sucesso da ação de Ben Bernanke e sua equipe na condução da política monetária americana dos últimos anos é a de olharmos para a forma como o Banco Central Europeu (BCE) vem lidando com os problemas da Europa atualmente. Focados apenas em uma inexistente ameaça inflacionária, paranoia que domina o corpo técnico do Bundesbank, e no fato de não terem nenhum compromisso institucional com o crescimento econômico da região, se recusam a usar os mesmos instrumentos de ação que levaram o Fed a ter o sucesso em estabilizar a economia. Por essa razão é correto esperarmos que a duração do período de recessão na Europa será muito maior do que os quatro anos que ocorreram nos Estados Unidos.
Mas se a economia americana realmente consolidar sua recuperação as dificuldades nas economias do Velho Continente poderão ser enfrentadas sem que o mundo sofra um novo período de instabilidades.
No quadro abaixo está listada a variação de alguns dos ativos mais importantes do mercado neste incrível período de quatro anos que vivemos. Três coisas chamam a atenção do analista: a incrível valorização das commodities exportadas pelo Brasil, a estabilidade do real e a posição dos juros Selic como o campeão de valorização nesse período.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações.
De qual Estado precisamos para o desenvolvimento?
Por Evelyn Levy - Valor 19/12
Estamos ainda pouco habituados a pensar o Brasil a médio e longo prazo e o impacto que terão nossas decisões de hoje dentro de algumas décadas. Vários países já têm planos de longo prazo, em que projeções demográficas são relacionadas à evolução das finanças públicas, como a Austrália que tem um "Intergenerational Plan", que prevê as despesas nos próximos 40 anos e corrige os dados a cada cinco anos.
No Brasil, dada a rigidez das despesas com pessoal no setor público, uma das dimensões que deveríamos considerar é aquela relativa à contratação de servidores públicos.
O debate sobre esse assunto, em geral, está, entre nós, centrado em torno de posições que condenam o número - supostamente exagerado - de servidores, versus argumentos em favor de concursos para garantir a meritocracia e sua implícita imparcialidade.
Creio que colocar o debate em torno desses eixos é um equívoco. De fato, o número de servidores não é exagerado: o Brasil tem mantido, há décadas, a média histórica de ter em torno de 11% de sua População Economicamente Ativa (PEA) trabalhando no setor público. Em termos comparativos também a situação não é anômala: entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) essa participação varia de 5% a 28%.
Os parâmetros mais adequados então para esse debate deveriam ser quanto pode o país dispender com salários e previdência do setor público? E, nos limites impostos por essa despesa, qual a melhor maneira de realizá-la?
O país gasta hoje cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) com a despesa de pessoal do setor público (Medeiros, 20111), o que representa cerca de 43% da despesa pública (Medeiros, 2011) enquanto esse percentual, em termos médios, gira em torno de 24% entre os países da OCDE (OCDE, 20112). Seria importante diminuir essa despesa a médio prazo. Isso não significa necessariamente diminuir os salários. Esses deveriam sempre flutuar em torno dos valores pagos pelo mercado privado para ocupações equivalentes, para garantir a atratividade do setor público. Retornando aos exemplos de países da OCDE, vemos que muitos deles estão estabelecendo "taxas" de substituição para os servidores que se aposentam nos governos centrais. Áustria, Portugal e França estabeleceram admitir um servidor para cada dois que se aposentam; a Itália e a Grécia, um em cada cinco; a Espanha definiu um parâmetro mais rigoroso, um para cada dez que se aposentam (OCDE, 2011).
Atendida a premissa de um "teto" de despesa de pessoal, a questão que resta discutir (e que é raramente lembrada) é qual é o perfil de servidor que o Estado brasileiro irá necessitar daqui em diante? De qual Estado necessitamos para o desenvolvimento do país?
Atualmente a definição de concursos no setor público - para quais cargos deve haver recrutamento - se faz por pressão dos interesses já organizados, sejam eles dos órgãos públicos existentes e/ou dos sindicatos. Os governos - federal, estaduais e municipais - costumam não ter uma visão estratégica dos recursos humanos de que irão necessitar no futuro mais próximo e mais distante. Segundo dados da PNAD (Marconi4, 2010), entre 2002 e 2007, a força de trabalho no setor público cresceu em torno de 20%, principalmente nos Estados e municípios. Cerca de 20% desse total foi incorporado em atividades auxiliares, técnicas e de apoio, que ainda hoje absorvem mais de 30% da força de trabalho.
Os múltiplos desafios que cercam as sociedades contemporâneas, suas economias e meio ambiente, exigem políticas públicas mais complexas e integradas, baseadas em evidências sobre seus impactos. Demandam regulação continuamente aperfeiçoada, para não se tornar um obstáculo, em vez de uma alavanca ao desenvolvimento. Exigem mais, melhores e novos serviços públicos - em virtude do envelhecimento da população, por exemplo - e nesse sentido nosso passivo ainda é muito grande. Quais as prioridades?
Uma resposta genérica a essa questão é: as prioridades são as de contratação de servidores para exercerem as atividades que são exclusivamente estatais. Onde o setor privado e/ou o terceiro setor puderem atuar deveriam ser fortemente considerados, como, aliás, admite a Constituição brasileira. Essa é, não por acaso, a forte tendência dos países como o Reino Unido, os Estados Unidos e outros.
Preconizar a terceirização não significa aceitar condições precárias de trabalho; pelo contrário, esses contratos devem ser judiciosamente acompanhados de modo a garantir a esses empregados seus direitos trabalhistas, protegendo-os de relações oportunistas.
Os recentes casos de relacionamento espúrio entre os governos e as entidades não governamentais também não deveriam impedir esse caminho. O aperfeiçoamento das formas de controle (Modesto, 20103) seria uma resposta muito mais eficaz. A contínua incorporação de servidores que não exercem atividades exclusivas de Estado está comprometendo a despesa de pessoal atual e futura, talvez por mais de quatro décadas, eventualmente impedindo que as ações estratégicas do Estado possam ser executadas.
Medidas contínuas para aumento da transparência do setor público, dando oportunidade ao exercício do controle social e participação; a qualificação permanente dos servidores para o melhor desenvolvimento das competências necessárias; a construção de carreiras mais flexíveis, que não cristalizem grupos de servidores em atividades que poderão se tornar obsoletas, ou em órgãos que poderão ser remodelados para atenderem a novas agendas; a contínua incorporação da tecnologia da informação para o aumento da produtividade, da transversalidade das políticas e da oferta de serviços diretos ao cidadão; e a realização de processos seletivos para a ocupação de cargos comissionados poderiam contribuir igualmente para um aumento considerável do desempenho da administração pública brasileira. Essas ponderações estão longe de indicar soluções. O debate precisa continuar, mas necessita mudar de patamar.
1 (OCDE,2011)" Government at a Glance 2011, Public Workforce Restructuring", OCDE, Paris
2 (Medeiros, 2011) "As despesas com pessoal dos estados brasileiros" apresentação feita no IV Congresso CONSAD de Gestão Pública, Brasília
3 (Modesto, 2010)"Nova Organização Administrativa Brasileira", Editora Fórum e instituto Brasileiro de Direito Público, Belo Horizonte
4 (Marconi, 2010) ""Uma radiografia do emprego público no Brasil: análise e sugestões de políticas", in Burocracia e politica no Brasil: desafio para a ordem democrática no século XXI. Editora da FGV, Rio de Janeiro
Evelyn Levy é especialista em Gestão Pública, consultora para o Banco Mundial, BID e Consad.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
BNDES financia 'maquininhas' da Cielo
Por Aline Lima - Valor 16/12
De São Paulo
A Cielo, credenciadora líder do mercado de cartões, passou a acessar no terceiro trimestre deste ano linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aquisição de máquinas e equipamentos (Finame), com o objetivo de renovar seu parque de POS ("point of sale", em inglês) - as maquininhas de capturas de transações.
Foram investidos, entre julho e setembro, R$ 130 milhões na aquisição de novas "maquininhas", mas a operação com o BNDES só deve aparecer no balanço da Cielo do quarto trimestre.
Segundo Clovis Poggetti Junior, diretor financeiro e de relações com os investidores (RI) da empresa, toda nova compra de POS que a empresa fizer, daqui para frente, será por meio do Finame. "Obviamente, os equipamentos deverão atender aos requisitos do banco de fomento", ressaltou o executivo.
Todas as máquinas da Cielo fornecidas hoje aos estabelecimentos comerciais contam com a tecnologia "contactless", na qual o pagamento com o cartão é feito por aproximação. A Cielo tem um parque de 1,4 milhão de máquinas de POS, com idade média de 1,7 ano.
Ontem, durante apresentação a analistas e investidores promovida pela Associação dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-SP), a Cielo informou ainda que o valor da comissão paga à bandeira Visa, de 0,11% sobre o volume de transações com cartões de crédito e débito, permanecerá nesse patamar pelos próximos seis anos e meio. O valor sofreu um reajuste no terceiro trimestre deste ano, quando era, até então, de 0,082%.
Este é o terceiro reajuste desde a abertura de capital da Cielo, em junho de 2009, quando a Visa deixou a sociedade. Em 2008, o valor cobrado pela Visa era de 0,035% sobre o volume de transações com cartões de crédito e débito.
O valor da comissão paga para a bandeira MasterCard é superior ao valor pago à Visa, mas a Cielo não informa o percentual.
Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, não acredita que o valor pago à MasterCard será reajustado. "Somos a maior empresa de adquirência da América Latina e tamanho tem importância", afirmou.
O alarme de Krugman e a austeridade
Por Amity Shlaes - Valor 16/12
Então, é oficial. O "The New York Times", ou pelo menos o colunista Paul Krugman, declarou que estamos em uma depressão mundial. E chegou bem a tempo para o Natal.
A democracia está em jogo, sustentou Krugman em sua coluna de 11 de dezembro e a Europa, social e economicamente, se inclinará ao fascismo, se não deixar de buscar uma "austeridade cada vez mais rigorosa, sem esforço de contrabalanço para promover o crescimento".
São suposições importantes e previsões assustadoras. Krugman, no entanto, sente-se à vontade em fazê-las porque diz ter evidências. Sua evidência de que a democracia europeia cambaleia em favor de uma repressão é o caso da Hungria, membro da União Europeia (UE), mas que ainda tem sua própria moeda, o florim. No país, o partido governista Fidesz defende políticas que suprimem a liberdade de expressão, a independência judicial e a mídia jornalística.
Quanto à teoria de que a austeridade desacelera o crescimento, Krugman evoca a Grande Depressão. Fazê-lo traz autoridade por si só, já que a Grande Depressão é misteriosa e sua força na imaginação pública é forte.
O colunista, frequentemente, faz referências ao relato em três estágios. No fim dos anos 20 ou início dos 30, o presidente dos Estados Unidos, Herbert Hoover, cometeu um erro fatal e impôs medidas de austeridade, na forma de aumentos de impostos e cortes orçamentários. A economia dos EUA faliu. O presidente Franklin Roosevelt veio, gastou e começamos a nos recuperar. Depois de 1936, Roosevelt hesitou e apertou o cinto governamental - de novo, a austeridade. Caímos em depressão econômica. A economia não voltou às taxas de crescimento de 1929 até o aumento de gastos da Segunda Guerra Mundial.
Nem todos entre nós concordam com os detalhes desse roteiro. Hoover, por exemplo, aumentou os gastos. Argumentar, no entanto, que a austeridade, caso tivesse sido promovida em grau suficiente, teria promovido o crescimento e a recuperação nos anos 30 é embarcar em uma aventura condicional vulnerável.
Há evidências de que a austeridade promoveu o crescimento no passado e não o fascismo. Esses exemplos podem ser menos conhecidos, mas sugerem que a austeridade pode trazer a recuperação com mais velocidade do que quando se gasta.
Um forte exemplo na história dos EUA é a recessão no início dos anos 20. O governo reagiu à desaceleração sem gastar; cortou-se pela metade. A recuperação foi tão rápida que poucas pessoas se lembram dessa recessão.
Para seguir o modelo de Krugman de selecionar um único país, podemos observar a Austrália dos anos 30. No início da década, a Austrália, assim como os EUA, sofria de deflação e desemprego acentuado. A renda nacional havia encolhido em todos os anos entre 1925 e 1932. Nesse ano, o índice de desemprego chegou a 19,7%. O governo considerou substituir o padrão-ouro com um "padrão-mercadorias", atrelado às commodities.
Os australianos se perguntavam se os gastos poderiam trazer a recuperação. O poderoso premiê de Nova Gales do Sul, J.T. Lang, procurou focar seus eleitores em um projeto de obras públicas, a grande ponte Sydney Harbour Bridge, que foi completada em 1932. Muitas autoridades imaginaram que ainda mais liquidez seria a resposta para os problemas da Austrália.
Como a escritora Anne Henderson destaca na nova biografia de Joseph Lyons, o primeiro-ministro do país na época, o governo federal australiano afastou-se da política de gastos e optou pela austeridade. A partir de 1932, Lyons liderou o país em meio a uma campanha de corte de orçamento para reduzir em 20% todos os gastos desvinculados, que o governo pode usar livremente, o que incluiu os salários do setor público. Lyons e outros líderes se comprometeram a pagar dívidas australianas, no que ficou conhecido como o "plano dos premiês".
"A Austrália converteu empréstimos imensos em Londres" e recomprou dívidas "para assegurar, aos que emprestavam dinheiro, a solidez da política da Austrália", contou-me Henderson, por e-mail. Os impostos foram elevados em uma campanha total para transformar o déficit federal em superávit. A Austrália permitiu-se apenas um ano de déficit.
De início, as pessoas disseram que Lang, e não Lyons, estava certo. De 1933 em diante, no entanto, a Austrália começou a recuperar-se. Em 1936, o desemprego havia recuado para cerca de 11%. E continuou em queda. A Austrália recuperou-se com muito mais velocidade que os EUA.
Em 1935, um Lyons triunfante navegou aos EUA, no cruzeiro italiano Renault, para relatar o sucesso de seu governo: "Tivemos de cortar salários e aposentadorias cruelmente durante o auge da Depressão", disse Lyons a repórteres no píer, em Nova York. Naquele momento, contudo, já estava recuperando as aposentadorias. Ao cortar, a Austrália deu à sua economia a chance de crescer e, à sua moeda a crucial credibilidade. Lyon pode ter elogiado Mussolini, mas a Austrália não virou fascista.
Outros contam a história da Austrália de forma diferente. Enfatizam a depreciação da libra australiana e a resultante melhora das relações de troca. Ou argumentam que a Austrália, pequena, e os EUA, um país poderoso, não são comparáveis.
A questão é, contudo, que esses tipos de dados, da Hungria à Austrália, precisam ser examinados cuidadosamente. Os roteiros normalmente conhecidos nem sempre são os certos.
E nem sempre são análogos ao presente. O experimento de austeridade de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, é recente demais para ser declarado como um fracasso. A recuperação pode ser lenta, como foi a da Austrália. O Reino Unido, no entanto, verá os benefícios a sua competitividade relativa criados pelos cortes mais cedo do que tarde. O dinheiro que evita a incerta área do euro fluirá para o Reino Unido.
Em resumo, só porque alguém evoca a Grande Depressão não significa que uma nova era fascista esteja sobre nós. Ou que é hora de uma "suspensão da descrença". (Tradução de Sabino Ahumada).
Amity Shlaes é colunista da Bloomberg News e diretora do Four Percent Growth Project, no Bush Institute.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
TV ON LINE
DIRETORES DO BANCO CENTRAL EXPLICAM VENDA DO BANCO PANAMERICANO TEMPO: 00:01:37
14/12/2011 - 21:14:29
Diretores do Banco Central explicaram hoje (14) na Câmara detalhes da venda do Banco PanAmericano no início deste ano. O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, também será convidado a falar na Comissão de Fiscalização e Controle.
Segundo as explicações, o repasse da instituição financeira não se valeu de recursos públicos.
TV: TV RECORD DF
PROGRAMA: JORNAL DA RECORD
APRESENTADOR: ANA PAULA PADRÃO
MIRIAM LEITÃO ANALISA CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZAS NO BRASIL E DADOS DO BANCO CENTRAL TEMPO: 00:05:37
15/12/2011 - 08:10:00
Uma pequena cidade no interior de São Paulo registrou a maior alta no ranking que mede as contribuições de riquezas do país. A renda do município Monções passou de R$ 30,2 milhões em 2008 para R$ 143,8 milhões em 2009. A maior preocupação da cidade agora, que teve o número de empregos dobrados, é a capacitação profissional.
Em relação ao crescimento da cidade de Monções e o desenvolvimento nacional, a comentarista do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, Miriam Leitão, relatou que a renda brasileira ainda é muito concentrada em algumas cidades. Ela também analisou um novo índice publicado pelo Banco Central, que soma todos os indicadores e antecipa os resultados do PIB.
*JEFFERSON MARIANO, analista sócio-econômico.
*SÉRGIO SOUZA, gestou municipal.
TV: TV GLOBO DF
PROGRAMA: BOM DIA BRASIL
APRESENTADOR: RENATA VASCONCELLOS
ECONOMISTA FALA SOBRE O CENÁRIO ECONÔMICO NACIONAL - PARTE I TEMPO: 00:05:49
14/12/2011 - 19:53:00
Em entrevista ao Conta Corrente, a economista Zeina Latif falou sobre o cenário econômico nacional que sofre os efeitos da crise internacional e das próprias políticas macro-econômicas. Segundo ela, índice do Banco Central mostra que economia recuou muito em outubro.
*ZEINA LATIF, economista
TV: GLOBO NEWS
PROGRAMA: CONTA CORRENTE
APRESENTADOR: GUTO ABRANCHES
ECONOMISTA FALA SOBRE O CENÁRIO ECONÔMICO NACIONAL - PARTE II
Em entrevista ao Conta Corrente, a economista Zeina Latif falou sobre o cenário econômico nacional que sofre os efeitos da crise internacional e das próprias políticas macro-econômicas. Segundo ela, índice do Banco Central mostra que economia recuou muito em outubro.
TV: GLOBO NEWS
PROGRAMA: CONTA CORRENTE
APRESENTADOR: GUTO ABRANCHES
BC diz que não errou no caso PanAmericano
Por Mônica Izaguirre - Valor 15/12
De Brasília
O diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, afirmou ontem que a autoridade supervisora ainda não tinha conhecimento da fraude no PanAmericano quando, em julho de 2010, deu autorização preliminar para a compra de fatia acionária do banco pela Caixa Econômica Federal.
O diretor participou ontem de audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados sobre a aquisição, pela Caixa Econômica Federal, de parte do capital do banco PanAmericano, cujas demonstrações contábeis foram fraudadas, dando origem, em 2010, a um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.
Meirelles afirmou que o BC não tem competência legal para julgar o mérito de atos societários envolvendo instituições financeiras, mas sim evitar o risco sistêmico do sistema financeiro. Segundo ele, as compras de participações acionárias, fusões e incorporações desse tipo de empresa são analisadas pelo BC apenas sob o ponto de vista do enquadramento legal e do impacto nas condições de concorrência do sistema financeiro.
O diretor do BC reiterou que foi o próprio BC quem descobriu as fraudes que geraram o rombo patrimonial no PanAmericano. O sinal de alerta foi aceso quando a autoridade supervisora decidiu fazer uma avaliação do mercado de cessão de créditos, ou seja, de compra e venda de carteiras de empréstimos e financiamentos entre instituições financeiras.
O trabalho mostrou uma concentração muito grande de negócios no PanAmericano. Ao iniciar a partir daí uma fiscalização mais específica, o BC descobriu que o banco vendia créditos mas não os tirava de seu balanço, o que inflava o ativo e os resultados. A fraude tinha sido incorporada ao sistema de informática, o que tornava a irregularidade automática a cada venda de carteira.
Meirelles destacou ainda que o Banco Central não substitui o papel das auditorias internas e externas, legalmente obrigatórias no caso do PanAmericano, empresa de capital aberto. "O Banco Central tem como foco o risco sistêmico. Não tem competência legal para efetuar auditoria nos demonstrativos contábeis, tarefa que cabe aos auditores contratados pelas partes para esse fim", disse.
A solução de mercado dada ao caso, acrescentou, não impede os processos de apuração e punição de responsabilidades, já nas mãos do Ministério Público (esfera criminal), do Conselho Federal de Contabilidade e da Comissão de Valores Mobiliários, cada um na sua esfera.
Para ele, o Banco Central evitou um problema sistêmico, ou seja, evitou que outras instituições fossem prejudicadas. Se não fosse possível uma solução de mercado, o BC teria que liquidar o banco, o que teria custos para os depositantes e para o sistema financeiro.
O negócio entre o banco estatal e a instituição privada foi anunciado em dezembro de 2009. Como cumpria todos os requisitos legais, em julho, uma autorização em caráter preliminar foi concedida pelo BC para que a operação prosseguisse. Naquele momento, disse Meirelles, a fraude não era conhecida.
A fraude foi constatada entre agosto e outubro de 2010, revelando inicialmente um rombo patrimonial de R$ 2,5 bilhões, reavaliado depois para R$ 4,3 bilhões. O diretor admitiu que, quando saiu a autorização definitiva, em novembro de 2010, o BC já tinha, portanto, detectado os problemas. Mas àquela altura dos acontecimentos, todas as providências para o saneamento do PanAmericano já tinham sido atendidas pelo então acionista controlador, o empresário e apresentador de TV Silvio Santos, sem prejuízo a investidores e depositantes.
Com o banco saneado, explicou ele, não tinha por que não autorizar o negócio. Inicialmente, o rombo foi coberto por Silvio Santos com dinheiro emprestado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, em fevereiro, com a compra já aprovada pelo BC, descobriu-se que o rombo era maior. Então, com a exigência do BC para troca de controlador, o empresário se livrou da dívida ao vender o controle ao Banco BTG Pactual. O BC exigiu ainda troca de todos os administradores, o que foi feito. A Caixa manteve sua participação, de 35% do capital total e 49% do capital votante.
Rumo da China determina o destino das commodities
Por Liam Pleven
The Wall Street Journal
Você quer saber para onde os mercados de commodities irão nos próximos anos? Então, é melhor que você tenha em mente uma palavra: China.
Como a maior e uma das economias que mais crescem entre as emergentes, a China se tornou uma voraz consumidora de commodities industriais e agrícolas. As mudanças em sua demanda são hoje o principal motor dos preços de vários produtos. Os produtores costumam tomar decisões sobre grandes investimentos com base na expectativa da demanda da China por seus produtos. Investidores fazem cálculos semelhantes para vender ou comprar contratos de commodities ou relacionados a elas.
É por isso que nenhum outro fator, provavelmente, terá um impacto mais abrangente sobre o mercado de commodities nos próximos anos que as transformações da economia chinesa, conforme a evolução econômica do país. "Essa é a grande questão", diz Richard Adkerson, diretor-presidente da Freeport-McMoRan Cooper & Gold Inc.
Se o consumo chinês de commodities continuar crescendo no ritmo dos últimos dez anos, isto é o que o mundo deveria fazer para atender à demanda em 2020 (considerando que o apetite coletivo global não mudasse em nada):
- Extrair adicionalmente quase o mesmo volume de petróleo ofertado atualmente pela Arábia Saudita;
- Produzir três vezes o volume de soja que hoje sai do Estado americano de Iowa, que sozinho é responsável por 5% da produção mundial;
- Retirar das minas quase três vezes mais a produção anual de cobre do Chile, que já produz cerca de quatro vezes mais que qualquer outro país.
E isso seria só para começar. Grandes quantidades de suprimento seriam necessárias também para várias commodities.
Os preços que dispararam para valores recordes nos últimos anos, puxados pela demanda chinesa, poderiam voar até mais alto. Seria uma boa notícia para empresas que produzem essas commodities e para os investidores que apostaram nelas - a menos que os preços altos, abruptamente reprimam a demanda ou estimulem os chineses e outros consumidores de commodities a buscarem produtos alternativos.
Produtos que têm estoques apertados ou risco de restrições, como é o caso do petróleo, do cobre e do paládio, poderiam se tornar vulneráveis a fortes altas.
Muitos analistas consideram o cenário de forte expansão como improvável. O consenso é que a China está caminhando para um crescimento econômico mais lento que o visto entre 2001 e 2010, quando a taxa anual de expansão variou entre 8,3% a 14,2% e alcançou dois dígitos em seis ocasiões, de acordo com o Banco Mundial. Se o consenso estiver correto, a questão é em quanto o crescimento da China vai cair.
Uma taxa de crescimento de 4% a 6% seria de ótimo tamanho para o Brasil e outras economias. Mas não para a China. Essa é a faixa de expansão projetada para a economia chinesa para ao redor de 2013 ou 2014 pela Roubini Global Economics LLC, empresa de consultoria e pesquisa sediada em Nova York. Shelley Goldberg, diretora de estratégia global para commodities e recursos naturais, considera isso uma "freada brusca", ou "hard landing", depois de uma expansão bem mais veloz na década passada. "Obviamente, não é um bom presságio para as commodities", diz Goldberg.
A demanda por aço, cobre e outros metais industriais poderia encolher bastante se a China, de fato, estagnar, já que esses materias são muito na construção civil - que estaria em risco, no caso de um desaquecimento do mercado imobiliário chinês. A China normalmente responde por cerca de 40% da demanda global por esses materiais. A demanda de carvão também poderia despencar, diz ela, porque ele é muito utilizado na China para gerar energia.
Algumas commodities poderiam sofrer não porque a China as utiliza mais que qualquer um, mas porque o país tem sido o grande responsável pelo crescimento de seus mercados. Por exemplo, embora a China responda por apenas cerca de 11% da demanda global de petróleo, de acordo com o Barclays Capital, o país é responsável por 60% do crescimento dessa demanda.
Da mesma forma, uma freada brusca poderia ser mais danosa para o mercado de soja que o de milho porque a China é um grande importador de soja, mas produz quase todo o milho que consome, diz Kevin Norrish, diretor-gerente da área de pesquisa de commodities do Barclays Capital.
A China já se tornou o principal destino das exportações brasileiras, e a soja é a segunda maior exportação para o país, atrás de minério de ferro, segundo o Ministério do Desenvolvimento.
Para muitos observadores da China, incluindo o Barclays, o mais provável é um cenário em que a economia continue se expandindo fortemente, mas num ritmo menos acelerado. Isso se traduziria em uma contínua pressão de alta para os preços da maioria das commodities, com algumas subindo bastante, mas na maioria dos casos não atingindo a disparada que seria provocada por uma economia ardente.
"Nós ainda vemos uma série de razões pelas quais o crescimento deve continuar, mas com o tempo a taxa de expansão vai se desacelerar", diz Jim Lennon, analista especializado no mercado chinês de commodities, do Macquarie Group Ltd, uma das principais referências para os produtores de commodities.
Mesmo em um momento mais lento, mas estável, a demanda - e os preços - de algumas commodities podem dar saltos. Por exemplo, a China usa menos gás natural per capita que muitos outros países, diz Neil Beveridge, um analista sênior do banco de investimento Sanford C. Bernstein, em Hong Kong. Isso vai mudar, diz ele, à medida que mais pessoas usarem o combustível para aquecer ou refrescar suas casas e volumes maiores sejam consumidos pela indústria.
Ao mesmo tempo, a demanda por algumas commodities agrícolas deve crescer, mas pode diminuir por outras, diz Scott Rozelle, professor da Universidade de Stanford, que estuda agricultura chinesa.
Afinal, a China é um mercado tão grande que qualquer aumento em consumo - mesmo uma expansão econômica lenta, mas estável - cria um grande volume de demanda fresca e proporcionalmente estimula dos preços. Como diz Goldberg: "Eles ainda são 1,3 bilhão de pessoas".
Um acordo carregado de empecilhos
Por Wolfgang Münchau - Valor 15/12
A União Europeia (UE) destruiu na semana passada a ilusão de que a região do euro e o Reino Unido poderiam coexistir alegremente dentro da UE. Esse motivo pode ter tornado o encontro de cúpula histórico. A decisão de criar uma união fiscal fora dos tratados europeus, no entanto, não fará nada em absoluto para resolver a crise da região do euro.
Há diferentes noções de união fiscal - algumas mais integradas, algumas menos, algumas obcecadas com a disciplina fiscal, outras com os bônus conjuntos. Seja qual for sua preferência, no entanto, essa união não é algo recomendável de levar-se adiante fora dos tratados europeus. Os atuais tratados formam a base legal para toda a coordenação política da união monetária. Quando se tenta contorná-los, a situação fica muito confusa.
Mudar tratados é tarefa complicada e entendo porque não há grande apetite em promover essas alterações. Todos ainda lembram-se do tratado constitucional fracassado da década passada. O que é conhecido como Tratado de Lisboa levou quase dez anos desde sua origem até a ratificação. Um novo tratado exige o consentimento de todos os integrantes, uma convenção, uma conferência intergovernamental, um acordo final no Conselho Europeu e Parlamento Europeu e, então, a ratificação de cada país, em alguns por meio de referendo.
A Alemanha entendeu perfeitamente bem que suas propostas precisam de uma mudança completa dos tratados. O envolvimento do Tribunal de Justiça da UE como executor das regras fiscais não pode ser alcançado de outra forma. Discordo com o conteúdo das propostas alemãs e da fixação apenas na disciplina fiscal. Concordo, no entanto, com a avaliação legal: se o que se deseja é uma união fiscal, nada além de uma mudança completa dos tratados seria suficiente. Se a UE tivesse aceitado a ideia, um consenso sobre os tratados poderia ter produzido uma união fiscal muito mais equilibrada que a desejada agora por Alemanha e França, em um tratado separado de tramitação rápida.
Agora que David Cameron bloqueou a opção de mudar os tratados europeus, o maquinário de Bruxelas trabalha com força total para encontrar uma forma legal de tornar possível um tratado separado entre os membros da região do euro. Uma das formas candidatas é o procedimento conhecido como "cooperação aprimorada". Introduzido nos anos 90 e posteriormente modificado com emendas, foi idealizado para dar a um grupo com pelo menos nove países-membros o direito de seguir em frente sozinho. Trata-se, no entanto, mais de um procedimento do tipo "tratado dentro de tratado". Foi invocado apenas para a patente única europeia e, apropriadamente, para a lei comum de divórcio. É de se perguntar, portanto, se seria possível usar a cooperação aprimorada como base legal para criar-se uma união fiscal. Será que poderia até ser usada como portal ao espaço externo, para que outro tratado que interaja com o atual? Considero isso muito improvável. Em primeiro lugar, o procedimento exige unanimidade. Portanto, se Cameron vetou uma revisão do tratado porque ele não quer uma união fiscal mais profunda que discrimine contra a City londrina, ele certamente tampouco aceitará uma união fiscal criada por uma cooperação aprimorada. Além disso, o procedimento não é orientado a alterar provisões atuais do tratado. Foi idealizado para que países-membros colaborem em áreas ainda não cobertas pelo tratado.
Outra possível base legal é o Artigo 136, sob o qual os integrantes da região do euro têm permissão para "fortalecer a coordenação e supervisão de sua disciplina orçamentária" e para tentar "determinar as diretrizes de política econômica para eles". Essa é a base legal para que os países-membros coordenem políticas tributárias, melhorem o funcionamento dos mercados de trabalho ou enviem um representante conjunto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O Artigo 136, no entanto, tampouco foi idealizado como um portal para o espaço externo dos tratados.
Uma união fiscal criada fora do espaço dos tratados europeus se depararia com várias limitações práticas e legais. A menos que se encontre algum truque, não pode ter acesso aos recursos e instituições da região do euro. Também não pode emitir bônus da região do euro. A única contraparte concebível para um bônus da região do euro é a própria UE.
Ainda mais importante, uma união fiscal criada por meio de um alçapão legal não ajudaria a resolver a crise. A região do euro enfrenta uma perda generalizada de confiança. Os investidores não acreditam mais em sua administração de crise, na solidariedade de seus cidadãos ou mesmo em sua capacidade de conduzir políticas econômicas adequadas. A UE não conseguirá recuperar a confiança por meio de artimanhas legais que enfrentarão diversos desafios nos tribunais.
Os líderes deveriam ter admitido na sexta-feira que o encontro de cúpula simplesmente fracassou ou talvez tê-lo estendido por mais alguns dias. As negociações poderiam ter resultado em algum compromisso. Com a simulação de outro tratado, isso não é mais possível. Lembrem-se do que todos diziam há uma semana? Para solucionar a crise, a região do euro precisa, no longo prazo, de uma união fiscal com a perspectiva de um bônus da região do euro e, no curto prazo, de apoio ilimitado ao mercado de bônus soberanos pelo Banco Central Europeu (BCE). O que temos agora é nenhuma mudança de tratado, nenhum bônus da região do euro e nenhum aumento no fundo de resgate ou do apoio do BCE.
As mudanças de políticas anunciadas pelo BCE na semana passada ajudarão os bancos diretamente e os bancos indiretamente. Mas a UE não conseguiu nenhum dos elementos que formariam um acordo abrangente. Na sexta-feira, os investidores reagiram de forma positiva ao que lhes foi vendido como um "compacto fiscal". Mas, uma vez que as implicações de um tratado separado sejam compreendidas, receio que a desilusão prevalecerá.
Na semana passada, os líderes europeus criaram um fato que desviou as atenções. Ficaremos falando sobre o Reino Unido por algum tempo. A crise, enquanto isso, segue adiante. Tradução de Sabino Ahumada)
Wolfgang Münchau é editor do FT onde escreve sobre União Europeia.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Modelo precisa mudar para Brasil sustentar crescimento, diz CNI
O último ciclo de forte expansão da economia brasileira – o período 2004-2008, quando o Brasil cresceu mais que a economia mundial – foi liderado pela indústria. No período pós-crise econômica mundial esse quadro se modificou. Em 2011, o Brasil voltou a crescer menos que o mundo e a indústria menos que o Brasil: o PIB aumentou 2,8% e a indústria apenas 1,8%.
A perda de dinamismo das economias avançadas e a mudança do eixo dinâmico da economia mundial para a Ásia se refletem negativamente na indústria brasileira. A mudança significa menor demanda líquida por produtos manufaturados brasileiros, pois a Ásia é nossa concorrente direta nesses produtos. Não apenas encolheu o mercado externo para nossas exportações industriais como aumentou a penetração de produtos estrangeiros no atendimento do mercado brasileiro.
Nesse cenário, a prevalência de uma equação macroeconômica de juros altos e câmbio valorizado e os poucos avanços na eliminação dos entraves à melhoria da competitividade mostram-se fatais: a indústria de transformação cresceu apenas 1,1% em 2011.
Para a indústria voltar a ser o centro dinâmico da economia brasileira, e o país sustentar um ciclo de expansão maior que a média mundial, é essencial mudar nossa estratégia de crescimento e enModelo
precisa mudar para Brasil sustentar crescimentocarar dois desafios. De um lado, aumentar a competitividade brasileira de modo a permitir aos produtos industriais enfrentar a concorrência com os asiáticos. De outro, mudar o padrão de expansão doméstico e eleger o investimento – e não o consumo – como a alavanca do crescimento. Em um modelo de crescimento sustentável, o consumo não pode crescer mais que o PIB.
Do ponto de vista macroeconômico, o aumento da taxa de investimento precisa ser financiado pela maior disponibilidade de poupança. Na insuficiência da poupança doméstica, esse esforço de investimento se traduz em aumento do déficit em conta corrente.
Como cerca de 60% do PIB são formados por “nontradables” (aqueles bens que não fazem parte do comércio internacional, como os serviços) e o setor intensivo em recursos naturais é muito competitivo, o déficit de poupança se traduz em um crescente déficit nos produtos manufaturados. O câmbio valorizado viabiliza essa estratégia.
A indústria precisa crescer mais que o PIB e o PIB mais que o consumo. Sem mudança no modelo, a indústria de transformação brasileira irá crescer pouco – menos que o PIB – e o processo de perda de participação relativa do setor na economia irá prosseguir. Sem ter completado seu ciclo de desenvolvimento, o Brasil não pode correr o risco de se tornar precocemente uma economia pós-industrial.
Veja relatório completo neste link
A perda de dinamismo das economias avançadas e a mudança do eixo dinâmico da economia mundial para a Ásia se refletem negativamente na indústria brasileira. A mudança significa menor demanda líquida por produtos manufaturados brasileiros, pois a Ásia é nossa concorrente direta nesses produtos. Não apenas encolheu o mercado externo para nossas exportações industriais como aumentou a penetração de produtos estrangeiros no atendimento do mercado brasileiro.
Nesse cenário, a prevalência de uma equação macroeconômica de juros altos e câmbio valorizado e os poucos avanços na eliminação dos entraves à melhoria da competitividade mostram-se fatais: a indústria de transformação cresceu apenas 1,1% em 2011.
Para a indústria voltar a ser o centro dinâmico da economia brasileira, e o país sustentar um ciclo de expansão maior que a média mundial, é essencial mudar nossa estratégia de crescimento e enModelo
precisa mudar para Brasil sustentar crescimentocarar dois desafios. De um lado, aumentar a competitividade brasileira de modo a permitir aos produtos industriais enfrentar a concorrência com os asiáticos. De outro, mudar o padrão de expansão doméstico e eleger o investimento – e não o consumo – como a alavanca do crescimento. Em um modelo de crescimento sustentável, o consumo não pode crescer mais que o PIB.
Do ponto de vista macroeconômico, o aumento da taxa de investimento precisa ser financiado pela maior disponibilidade de poupança. Na insuficiência da poupança doméstica, esse esforço de investimento se traduz em aumento do déficit em conta corrente.
Como cerca de 60% do PIB são formados por “nontradables” (aqueles bens que não fazem parte do comércio internacional, como os serviços) e o setor intensivo em recursos naturais é muito competitivo, o déficit de poupança se traduz em um crescente déficit nos produtos manufaturados. O câmbio valorizado viabiliza essa estratégia.
A indústria precisa crescer mais que o PIB e o PIB mais que o consumo. Sem mudança no modelo, a indústria de transformação brasileira irá crescer pouco – menos que o PIB – e o processo de perda de participação relativa do setor na economia irá prosseguir. Sem ter completado seu ciclo de desenvolvimento, o Brasil não pode correr o risco de se tornar precocemente uma economia pós-industrial.
Veja relatório completo neste link
Demanda por petróleo vai crescer menos, diz a AIE; China puxa o carvão
Por Agências internacionais
A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu sua previsão para o crescimento da demanda por petróleo em 2012 devido à piora no cenário da economia global e à manutenção dos preços elevados da commodity. Já a demanda por carvão deve ter um aumento impulsionado pela China.
Apesar da desaceleração no consumo, que deve se manter nos próximos cinco anos, a demanda por petróleo continuará robusta. Nas estimativas da agência, a demanda terá uma alta média de 1,2%, ou 1,1 milhão de barris/dia, puxada pelos países emergentes.
A AIE prevê que no ano que vem a demanda média será de 90,3 milhões de barris/dia - cerca de 200 mil barris a menos do que o estimado há apenas um mês. A agência calcula que em 2016 a demanda global por petróleo estará em 95 milhões de barris/dia. Em 2010, a média de consumo registrada foi de 88,3 milhões de barris/dia. Em 2011, deve chegar a 89 milhões.
"A demanda global estrutural está cerca de 300 mil barris/dia menor do que acreditávamos no meio do ano, principalmente na OCDE [países ricos], de modo que, sim, um desempenho econômico mais fraco certamente está alimentando isso e puxando para baixo a demanda", disse David Fyfe, que elaborou o relatório da AIE.
Nos últimos dois anos, os países produtores de petróleo estão trabalhando com uma margem excedente pequena. Esse panorama pode melhorar nos próximos cinco anos, com a recuperação da capacidade de extração de Líbia e Iraque e também com a alta da produção americana de óleo de xisto.
Já a demanda global por carvão deve crescer 2,8% ao ano até 2016, atingindo um total de 6,18 bilhões de toneladas. Segundo a AIE, a China responderá por 63% do aumento, compensando o fraco consumo nos 34 países da OCDE. "A demanda continuará crescendo no período, mas o ritmo de expansão diminuirá. A China, em termos absolutos, e a Índia, em termos relativos, liderarão o crescimento."
Uma consequência, segundo a AIE, é que as emissões de dióxido de carbono relacionadas com a queima de carvão atingirão níveis recordes. "Apesar de tudo o que se fala sobre remover o carbono do sistema energético, a AIE prevê um crescimento médio na demanda por carvão de 600 mil toneladas diárias pelos próximos cinco anos", disse Maria van der Hoeven, diretora-executiva da agência. "Os formuladores de políticas públicas precisam estar cientes disso na hora de preparar estratégias para aprimorar a segurança energética e combater a mudança climática."
Cresce disputa entre México e Brasil nas vendas para a América do Sul
Por Marta Watanabe - Valor 14/12
De São Paulo
Num cenário de desaceleração econômica de mercados tradicionais, como Estados Unidos e Europa, os países da América do Sul surgem como importantes destinos, nos quais os produtos brasileiros podem ganhar espaço, principalmente os manufaturados. Nos últimos dois anos, porém, o Brasil não enfrenta somente a concorrência da China, mas também de outro fornecedor que se tornou mais presente na região: o México.
Levando em conta os principais mercados do Brasil na América do Sul - Argentina, Chile, Venezuela, Paraguai, Colômbia, Peru e Uruguai -, as exportações do país cresceram 26,2% de janeiro a setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Para os mesmos destinos, a exportação mexicana teve elevação maior, de 31,8%.
A exportação mexicana para esses países ainda é bem menor do que a brasileira. Durante os nove primeiros meses do ano, o México vendeu o equivalente a US$ 9,7 bilhões, menos de um terço do resultado obtido pelo Brasil (US$ 31,7 bilhões).
O que tem chamado a atenção, porém, inclusive em análises do Ministério do Desenvolvimento, é o crescimento da participação do México em regiões específicas. A exportação para a Colômbia, por exemplo, atingiu US$ 4,2 bilhões de janeiro a setembro, o que significa alta de 58,1% em relação ao mesmo período de 2010. As vendas do México para o Peru tiveram elevação de 30,1%. Na mesma comparação, as vendas brasileiras aos colombianos cresceram 24,4%. Para os peruanos, a alta foi de 14,1%.
A maior presença dos mexicanos em mercados da América do Sul, diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), é resultado de uma tentativa dos mexicanos de reduzir sua dependência do mercado americano. Os Estados Unidos representam 78,8% das vendas do México ao exterior, mas essa fatia vem diminuindo ano a ano, porque as exportações mexicanas para outros destinos têm crescido de forma mais acelerada.
De janeiro a setembro de 2011, as vendas do México para os americanos cresceram 17,6% em relação aos mesmos meses do ano passado. No período, as vendas para a América do Sul tiveram alta de 29,3%, e para a Europa, 38,5%.
"O México ainda não tem oferta variada de bens para exportação, mas tem conseguido atrair investimentos para diversificar produção", diz Castro. Além disso, aponta, há outra vantagem importante. "O México é o país com o maior número de acordos bilaterais de comércio, o que facilita a elevação do ritmo de exportação." Diferentemente do que ocorre no Mercado Comum do Sul (Mercosul), o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) permite que seus membros assinem acordos bilaterais com países ou blocos.
Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores, lembra que essa política de fazer acordos para diminuir a dependência dos americanos vem de longo tempo, mas a menor demanda dos Estados Unidos tornou o assunto uma prioridade. Nessa política de diversificação de destinos, lembra ele, os acordos com a União Europeia e com o Peru estão entre os últimos assinados pelo México.
De janeiro a setembro de 2011, os mexicanos exportaram para a Europa US$ 15,6 bilhões, o que representou crescimento de 38,5% em relação ao mesmo período de 2010. O comércio com os europeus também teve crescimento a um ritmo maior que a venda aos americanos, que teve alta de 17,6% na mesma comparação.
Para Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, a maior presença dos mexicanos é passageira e deve diminuir quando houver recuperação maior da economia americana. "É um movimento de oportunidade, que incomoda, mas que não deve ser seguido de um crescimento no mesmo ritmo para os próximos anos", diz o economista. "Não creio que os mexicanos tenham capacidade de produção para uma expansão tão grande. O que acontece agora é o redirecionamento do que antes era exportado para os Estados Unidos."
Barral acredita que a maior preocupação do México em investir em novos destinos também pode ser aproveitada pelo Brasil como oportunidade para selar um acordo com um parceiro que pode se tornar importante. Entre 2008 e 2009, houve uma série de reuniões com a intenção de firmar um acordo bilateral, mas não houve sucesso. "Os dois países têm vários segmentos com grande complementariedade, da mesma forma que já acontece no setor automotivo. Os segmentos de petroquímicos e químicos são bons exemplos."
O comércio do Brasil com o México é deficitário para os brasileiros. De janeiro a outubro, os embarques com destino ao México foram de US$ 3,27 bilhões. As vendas dos mexicanos ao Brasil no período alcançaram US$ 4,05 bilhões.
Fracasso desastroso na cúpula
Por Martin Wolf - Valor 14/12
Aqueles a quem os deuses querem destruir, eles primeiro deixam loucos. Essa foi minha reação ao conhecer o resultado do encontro do Conselho da União Europeia na semana passada. Muitos concentraram sua atenção na decisão do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, de vetar um novo tratado. Esse comportamento desviou a atenção do fracasso dos líderes da região do euro em preparar um tratamento confiável para os males da união monetária. Em vez disso, propuseram apertar ainda mais os parafusos sobre os países fora do rumo fiscal. Pode até passar uma sensação agradável. Mas não funciona.
Cameron apresentou a seus colegas uma lista de exigências voltadas a proteger a City londrina e a capacidade de regulamentação desse centro financeiro pelo governo do Reino Unido, em grande parte sem a possibilidade de obstáculos de autoridades reguladoras europeias. Cameron poderia ter declarado que teria aceitado um tratado aplicável apenas para os membros ou candidatos a membros da região do euro. Poderia ter sugerido que colocaria um tratado equivalente para votação em referendo no Reino Unido. Em vez disso, acabou sem salvaguardas para a City e com o status de estar semidescolado da União Europeia (UE), da qual ele quer que o Reino Unido continue membro. Ele não atingiu nada positivo, a não ser corroer a credibilidade do Reino Unido como membro da UE. Isso traz custos substanciais.
Bem mais importante do que essa peça de teatro político britânico, entretanto, é o que agora pode acontecer dentro da região do euro. Quanto a isso, sou pessimista. Alemanha e França concordaram que não deve haver união política, financeira ou fiscal. O fracasso em transcender os defeitos da construção original é previsível, mas terrível.
A decisão central acertada foi fortalecer a disciplina fiscal, construir o que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, chamaram na semana passada de "união de crescimento e estabilidade" - ou, como eu a vejo, uma "união de estagnação e instabilidade". Mesmo sob um tratado intergovernamental, essa disciplina reforçada provavelmente ainda poderia ocorrer via instituições da UE, como argumenta agora Olli Rehn, comissário europeu de Assuntos Monetários e Econômicos.
Quais são os principais detalhes? Primeiro, "os déficits orçamentários gerais dos governos devem ser equilibrados ou passar a superávits: esse princípio deve ser considerado respeitado se, como regra, o déficit estrutural anual não exceder 0,5% do Produto Interno Bruto nominal". Segundo, "tal regra também será incluída nos sistemas judiciários [...] dos países-membros [...]. A regra conterá um mecanismo de correção automática que deverá ser acionado no caso de desvio".
Uma simples objeção a essas ideias poderia apontar que são absurdamente difíceis, como destacado no "FT Alphaville". O Conselho da União Europeia diz que "serão adotados passos e sanções propostas ou recomendadas, a menos que uma maioria qualificada dos países-membros da região do erro se oponha". Ainda assim, continuo sem estar convencido de que os perus votarão a favor do Natal. Suponhamos, no entanto, que votassem. Isso significaria que, a partir de estimativas profundamente incertas de déficits estruturais, a comissão - um órgão de burocratas não eleitos - imporia sanções sobre governos eleitos, quando estes estivessem sob imensa pressão. O que a comissão fará se os países ainda assim deixarem de cumprir o tratado? Tomará seu controle? A resposta, agora sabemos, é: sim. Isso é uma monstruosidade constitucional.
Ainda mais importante, como o professor Kevin O'Rourke, da universidade de Oxford, argumenta no "Project Syndicate", é o fato disso ser uma monstruosidade econômica. Permita-me reafirmar esse argumento transformando a análise da semana passada sobre balanço de pagamentos em uma análise sobre os balanços financeiros externos, dos governos e do setor privado dos países da região do euro. Para relembrar os leitores: a soma desses balanços, por definição, é zero. A forma como ocorre essa soma, no entanto, é bem reveladora.
Como destaquei na semana passada, os desequilíbrios fiscais antes da crise eram modestos, mas os atuais desequilíbrios em conta corrente eram imensos. Os superávits de fundos privados em alguns países (mais notavelmente, Alemanha e Holanda) foram intermediados pelo sistema financeiro para financiar déficits de fundos privados em outros (notavelmente, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). Quando a crise chegou, os fluxos cessaram. Os déficits dos setores privados desmoronaram (a maioria tornando-se superávits), enquanto os déficits fiscais explodiram. Agora, diz a Alemanha, os déficits fiscais devem ser cortados.
Por definição, a soma dos déficits em conta corrente e privados também deve ser zero. Os setores privados de países outrora importadores de capital tornaram-se superavitários por um bom motivo: tentam reduzir suas dívidas, até porque o valor de seus ativos está em queda.
Os déficits externos, portanto, precisam cair. Isso pode ocorrer de uma forma boa ou má. A forma boa seria por meio de um aumento de produção das exportações e das substituições de importações; a má seria por meio de uma recessão mais profunda.
Em resumo: é extremamente difícil eliminar déficits fiscais em países estruturalmente importadores de capital, a não ser com recessões prolongadas ou melhoras profundas em sua competitividade externa; mas a competitividade é relativa; então, a melhora necessária no desempenho externo dos países mais enfraquecidos da região do euro implica deterioração no desempenho dos exportadores de capital da região do euro ou uma melhora radical no desempenho externo da região do euro como um todo. A primeira opção significa que a Alemanha seja bem menos Alemanha. A última, que região do euro se torne uma Mega-alemanha. Quem consegue acreditar que qualquer uma das duas opções seja plausível?
Isso nos deixa basicamente com o resultado mais plausível da orgia de austeridade fiscal: recessões estruturais de longo prazo em países vulneráveis. Para dizer de forma seca, a moeda única significará quedas nos salários, deflação das dívidas e depressões econômicas. Será que isso pode sustentar-se, por maiores que sejam os custos de uma separação da região do euro?
A região do euro não tem um plano confiável para consertar os defeitos da região do euro, além da maior austeridade fiscal: não há união fiscal, financeira ou política; e não há mecanismo equilibrado para ajuste econômico dos dois lados da divisão credor-devedor. A decisão foi, em vez disso, tentar ainda com mais força um pacto de crescimento e estabilidade, cujas falhas são tanto previsíveis como persistentes. Sim, Cameron cometeu um erro crasso na semana passada. Mas o da região do euro parece ter sido bem maior.
Martin Wolf é editor e principal comentarista econômico do FT.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Crise nos países ricos contagia as principais economias emergentes
Por Assis Moreira e Alex Ribeiro - Valor 13/12
De Genebra e Washington
A forte queda na produção industrial da Índia, divulgada ontem, após dados similares relativos a Brasil e China, confirma que as principais economias emergentes estão em desaceleração, contagiadas pela crise nos países ricos.
A produção industrial da Índia caiu 5,1% em outubro, comparado ao mesmo mês de 2010, na primeira contração observada em mais de dois anos. Ainda ontem, o México divulgou que sua produção industrial caiu 0,54% em outubro, em relação a setembro, apesar de ainda manter alta de 3,3% nos últimos 12 meses.
Na semana passada, o IBGE divulgou números que mostram que a economia brasileira ficou estagnada no terceiro trimestre, comparado com o período imediatamente anterior, numa forte desaceleração em relação ao crescimento de 7,5% observado em 2010. O indice de atividade industrial da China caiu para 49 em novembro, ante 50,4 em outubro, o que já indica contração do setor, no pior resultado desde o início de 2009. No sábado, a China relatou ainda uma forte queda de seu superávit comercial em novembro, de US$ 17 bilhões para US$ 14,5 bilhões.
"A situação [dos emergentes] tende a piorar, porque a crise é na Europa, EUA e Japão, e os três juntos perfazem 70% da produção mundial", afirmou o economista-chefe da Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Heiner Flassbeck.
"Os emergentes estão longe de serem imunes à crise da zona do euro, especialmente nas manufaturas", disse Chris Williamson, economista-chefe da consultoria britânica Markit, especializada em monitorar a atividade industrial globalmente. As exportações de bens estão sob pressão por causa da demanda em baixa, principalmente dos países mais endividados da Europa, que agora aplicam novas medidas de austeridade.
Essa desaceleração já começa a repercutir nas projeções para os países emergentes. A empresa de avaliação de risco de crédito Fitch Ratings reduziu em 0,4 ponto percentual, para 6,3%, a sua projeção para o crescimento dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) em 2012. Para 2011, a projeção é expansão de 6,7%, abaixo dos 8,4% observados no ano passado.
Coletivamente, o crescimento econômico dos emergentes desacelerou para cerca de 6% em novembro, bem abaixo dos dois dígitos do começo do ano. Antes da recessão, esse crescimento fraco dos emergentes não ocorria desde metade de 2003. A desaceleração tem sido evidente no Brasil, na China e na Índia, mas também em economias como Coreia do Sul e Taiwan.
A perda de dinamismo nas economias emergentes se deve, de um lado, ao contágio da crise da Europa, que tornou investidores mais avessos a riscos. Também é resultado, de outro lado, de políticas monetária e macroprudenciais mais restritivas postas em prática por alguns países, como Brasil, Índia e China, para conter pressões inflacionárias e combater o surgimento de bolhas nos seus mercados.
"É a cada dia menor o número de economias emergentes que mostram alguma resistência", afirma o estrategista-chefe para mercados emergentes do banco Societe Generale, Benoit Anne.
Uma rara exceção positiva é a Turquia, que divulgou ontem uma expansão de 8,4% no terceiro trimestre (leia texto abaixo).
O temor sobre o impacto de menor crescimento no mundo desenvolvido sobre os emergentes se intensificou em agosto, e só aumentou desde então. Com a expansão nos ricos próxima de 1% no momento, e pouco espaço de melhora para o ano que vem, o crescimento dos emergentes "inevitavelmente será contido por algum tempo", disse Williamson.
A expectativa nos mercados é de que mais bancos centrais nos emergentes vão baixar os juros para promover o crescimento, como já vem fazendo o Brasil. É o que se espera na India, onde a manutenção do aperto monetário, devido à inflação em alta, claramente afetou a atividade industrial na terceira maior economia da Asia.
"A produção industrial na China também vem caindo, especialmente na indústria pesada, que precisa de muita energia", diz Qinwei Wang, da Capital Economics, de Londres. A produção chinesa cresceu 12,4%, abaixo do 13,2% anterior e o mais baixo nivel desde meados de 2009. Isso ocorreu por duas razões: queda nas exportações e na construção civil.
"A queda de novembro na inflação, produção industrial e nos investimentos fez o governo chinês falar de politica monetária prudente, mas que na prática já vem sendo flexibilizada", diz o analista.
Para Flassbeck, da Unctad, os emergentes vão ser mais afetados à medida que as três grandes economias - Europa, EUA e Japão - estão quase em recessão. Os resultados nos EUA foram menos ruins no terceiro trimestre porque os consumidores começaram a usar a poupança. No Japão, o consenso é de que os estímulos para recuperação do desastre do tsunami já estão se esgotando. E na Europa, a cúpula na semana passada acertou mais cortes de gastos, o que "piora a situação" para os emergentes.
O Instituto Internacional de Finanças (IIF) continua a projetar sólido crescimento na demanda doméstica nos emergentes em 2012-13. Muito desse vigor representa "um processo de longo prazo de convergência economica". Os emergentes estão num processo de crescimento da classe média.
Brasil rejeita proposta de não adoção de medidas protecionistas até 2013
Valor 13/12
O Brasil assume papel importante para rechaçar o "compromisso antiprotecionismo" da maneira que a Austrália tentará emplacar na conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta semana, em Genebra. A Austrália quer validar a nível multilateral o que países do G-20 aprovaram no encontro de cúpula do mês passado - a não adoção de novas medidas protecionistas até o fim de 2013, para não piorar o estado já calamitoso da economia mundial.
O Brasil aceitou o compromisso no G-20, mas na OMC insiste que a questão é do que está contido no "standstill" (congelamento da situação atual). "A grande objeção do Brasil está na seletividade do que está contido na proposta e na unilateralidade das contribuições pelos países", disse o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo. Segundo ele, os desenvolvidos querem congelar apenas as tarifas, mas não os subsídios que em boa parte distorcem as trocas internacionais. Além disso, o Brasil considera que uma coisa é procurar responder à crise econômica e outra é transformar isso em posição por tempo determinado, quando a situação é diferente de 2009, inclusive com as assimetrias cambiais que reemergiram desde então.
Em 2008, o real brasileiro se desvalorizou por algum tempo, em seguida países desenvolvidos adotaram estímulos monetários, voltaram a dar subsídios para suas indústrias, e a moeda brasileira voltou a se valorizar "alucinadamente", na expressão de alguns negociadores.
A movimentação australiana provocou reações contrárias de vários países em desenvolvimento, que não admitem a possibilidade de perder espaço de políticas públicas que estimam ter pelas regras da OMC. Para a delegação brasileira, desde que uma medida seja compatível com as regras do comércio internacional, sua adoção é absolutamente legitimada, e pode estar inclusive respondendo a outras ações protecionistas, como as provocadas por outros países na área cambial.
A avaliação do lado brasileiro é de que, se as tarifas de importação forem congeladas na realidade cambial de hoje, o corte tarifário seria maior do que os países desenvolvidos exigiam no começo da negociação da Rodada Doha.
A suspeita é de que os países desenvolvidos se deram conta de que o congelamento da situação atual é uma boa maneira de conseguir uma tarifa aplicada baixa, mais ambiciosa que na Rodada Doha e obtida de graça, sem necessidade de dar contrapartida em outros setores. No G-20, em novembro, o Brasil ficou isolado, com o raro apoio da Argentina, mas evitou o compromisso proposto por países desenvolvidos e pela China de ampliar o congelamento de tarifas para até 2015 e a retirada de medidas adotadas recentemente pelos países.
Nesta semana, quando mais de 60 ministros estarão em Genebra, o mais provável é que o "standstill" como quer a Australia não passe.
Ministros do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reunirão amanhã em Genebra e a divisão sobre o "compromisso antiprotecionismo" deverá ser escondida diplomaticamente num comunicado que enfatizará mais as convergências na área comercial. A China, que defende a maior abertura possível dos mercados dos outros, deverá apoiar a posição do resto dos Brics mais por solidariedade do que por interesse, pelo menos no momento. Índia e África do Sul estão firmes com o Brasil.
Já a Rússia entrará nesta semana na OMC, depois de ter negociado sua adesão como país desenvolvido, enquanto os outros Brics procuram justamente manter a briga pelo status de países em desenvolvimento para fazerem menos concessões nas negociações internacionais.
Assinar:
Postagens (Atom)


















