segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em busca do Tesouro


Bernanke prolonga a agonia do mercado
Por Daniele Camba Valor 29/08

Setembro se aproxima e promete ser mais um mês de alta volatilidade e falta de tendência. O principal responsável por esse prolongamento da indefinição é o presidente do banco central americano (Federal Reserve, o Fed) e atende pelo nome de Ben Bernanke.

O mercado passou a semana passada inteira de olho no que Bernanke falaria na reunião em Jackson Hole, na sexta-feira. A grande expectativa era que fosse anunciada a terceira versão do pacote de recompra de títulos - o "Quantitative Easing 3".

Com toda sua habilidade, Bernanke não entregou nada de concreto à plateia presente na pacata cidade americana. Mas de alguma forma satisfez os investidores ou, no mínimo, não os decepcionou, o que já é alguma coisa.

Em seu discurso, o presidente do Fed não anunciou um novo pacote de recompra de títulos, mas também não disse que ele não virá. Simplesmente não disse nada a respeito. Bernanke deixou claro que vai avaliar as ferramentas de estímulo à economia na próxima reunião do Fed, que acontecerá nos dias 20 e 21 de setembro, e não apenas em um dia, como é de praxe.

A interpretação dos investidores foi de que Bernanke deu o recado que o pacote de recompra de títulos foi apenas adiado e deve vir antes que setembro chegue ao fim. Ainda na visão dos investidores, até por esse motivo o presidente do BC americano estendeu a reunião para dois dias.

Como ninguém sabe se Bernanke vai mesmo anunciar um novo pacote na próxima reunião do Fed, o mercado deve oscilar muito, mas sem direção alguma, pelo menos até a chegada desse encontro do BC dos Estados Unidos.

"O mercado deve continuar funcionando um dia de cada vez, oscilando muito mais ao sabor dos indicadores econômicos do dia, do que seguindo uma tendência de mais longo prazo", diz o chefe da área de renda variável da Fundação Cesp, Paulo de Sá Pereira. Para ele, mais até do que o cenário econômico, a parte política tanto nos Estados Unidos quanto na Europa torna a situação indefinida. "O lado político aumenta o grau de imprevisibilidade dos mercados", afirma Sá Pereira.

Não por acaso, em seu discurso, Bernanke fez questão de criticar a atuação do Congresso americano, lembrando que o crescimento econômico de longo prazo depende muito mais de políticas públicas do que de medidas pontuais do xerife da economia.


A despeito de qualquer torcida a favor, o executivo da Fundação Cesp está no grupo dos que acreditam que não haverá um novo "Quantitative Easing". "Do jeito que a economia e a inflação estão me parece bem pouco provável o Fed voltar a fazer uso desse instrumento de estímulo econômico", argumenta Sá Pereira, que não acredita numa recessão americana.

Se ele estiver certo, existem grandes chances de o mercado assumir um lado mais negativo, à medida que for ficando claro que não haverá um novo pacote.


Em busca do Tesouro

Por Luciana Monteiro De São Paulo Valor 29/08

Os juros em níveis altos neste ano enquanto a bolsa patina estão favorecendo as aplicações em renda fixa. E o investidor descobre cada vez mais a aplicação direta em títulos públicos. Os números mostram que os cadastros no Tesouro Direto - sistema de compra e venda de papéis do governo via internet - superaram a marca de 38 mil novos investidores nos sete primeiros meses do ano.

Só para se ter ideia, o total de cadastros recém-abertos acumulado entre janeiro e julho deste ano é o maior no período desde o início do programa, em 2002. É também 70% superior aos 22.486 registrados no mesmo período de 2010. O aumento no número de aplicadores turbinou também o volume de papéis vendidos via Tesouro Direto no mesmo período. No ano, até julho, as vendas de papéis públicos somaram R$ 2,137 bilhões. O valor é 68,7% superior ao R$ 1,266 bilhão registrado nos sete primeiros meses do ano passado.

Diante do rame-rame da bolsa neste ano, muitas corretoras estão buscando formas alternativas de atrair os investidores e, dentro dessa estratégia, o Tesouro Direto tem ganhando lugar de destaque. Depois dos tradicionais incentivos - como taxas mais baixas de corretagem -, agora as instituições distribuem até brindes para quem se tornar aplicador.

A Mirae Asset Securities, por exemplo, pretende competir fortemente no mercado de renda fixa e lança hoje uma promoção para atrair mais investidores para o Tesouro Direto. Até o dia 30 de setembro, os novos clientes que adquirirem a partir de dez títulos públicos pelo sistema - valor próximo a R$ 10 mil - ganharão um vale-presente da Saraiva no valor de R$ 100,00. Com a promoção, a corretora espera dobrar sua carteira de clientes em Tesouro Direto, passando dos atuais 3,5 mil para 7 mil clientes.

As corretoras são sempre lembradas por suas operações com ações, mas a ideia é divulgar que também há a possibilidade de aplicar em renda fixa nelas, explica Luciana Pazos, chefe da divisão de gestão de fortunas da Mirae Asset Securities. "E o momento é também bastante propício para as aplicações no Tesouro Direto, diante das preocupações com o cenário internacional e com as taxas de juros ainda altas por aqui", avalia a executiva, que ainda vê oportunidades nos papéis atrelados à alta de preços, já que a inflação deve continuar pressionada. "A crise precisaria ser muito mais severa para conseguir retrair o crescimento do país", diz.

Na Ágora, o número de novos investidores que aplicam em Tesouro Direto cresceu 30% nos últimos 12 meses, afirma Helio Pio, gerente-comercial da corretora. Com o Índice Bovespa em queda de 23,02% no ano até sexta-feira, muitos investidores optaram por reduzir parte das aplicações em ações e elevar as em renda fixa, conta o executivo. "A bolsa não compete com o Tesouro Direto, pois os investidores não têm 100% em ações", afirma Pio. "Eles costumam ter uma parte em renda variável e outra em renda fixa e o Tesouro Direto fica justamente com a parcela mais conservadora dos recursos." Diante do maior interesse dos investidores, a Ágora lançou há um ano um relatório com recomendações de papéis aos investidores.

Além da popularização do sistema de compra e venda de títulos públicos, a expansão no número de investidores está ligada ao programa da BM&FBovespa de oferecer um incentivo financeiro aos agentes de custódia. Ele é dado às corretoras conforme a evolução da base de investidores com saldo em conta no Tesouro Direto. Colocado em prática no início deste ano, o programa distribuiu R$ 2,7 milhões em junho, pagos proporcionalmente às instituições de acordo com o crescimento do número de aplicadores com saldo no primeiro semestre do ano. O crédito é feito em forma de incentivo nos pacotes de serviços que os agentes de custódia pagam para a bolsa.

A integração entre os sistemas de negociação eletrônica de ações (home broker) com o de títulos públicos também é responsável por uma parte desse crescimento, lembra Eric Cardoso, gerente do home broker da corretora Renascença. A integração de sistemas é resultado de um projeto da bolsa de 2009, que fechou acordo com o Tesouro Direto para a junção. Isso significa que o investidor que já aplica em bolsa via home broker não precisa deixar o sistema para comprar títulos públicos, facilitando a vida do cliente, explica o executivo.

O ranking dos agentes de custódia no site do Tesouro Direto mostra que há corretoras que reduziram, ou mesmo eliminaram, os custos dos investidores. Hoje já são cinco que não cobram taxa de corretagem dos investidores do sistema. Uma dela é a Socopa, que há anos utiliza o Tesouro Direto como um chamariz aos investidores. "Muitos chegam à corretora para operar renda fixa e, mais tarde, acabam aplicando também em ações", afirma Rogério Manente, gerente de home broker da corretora. Segundo ele, a taxa de conversão dos clientes ativos que foram para a instituição atraídos pelo Tesouro Direto também começaram a negociar ações.

No prazo de um ano, a Socopa dobrou o número de clientes em Tesouro Direto e elevou em 40% seu volume negociado no sistema. "Além do cenário pior para a bolsa, muitos clientes estão migrando de outras aplicações, como caderneta de poupança ou CDBs, para o Tesouro Direto", afirma Manente.

Hoje são três as taxas cobradas pelo sistema. Uma, no momento da compra, que é a taxa de negociação, de 0,10% sobre o valor da operação. Há ainda a taxa de custódia da BM&FBovespa, de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda dos papéis e às informações e movimentações dos saldos, cobrada semestralmente. E os agentes de custódia cobram taxas de serviços, e são justamente esses custos que estão cada vez menores.

Iniciativas para elevar as aplicações no Tesouro Direto, entretanto, justamente num momento de tanta volatilidade como o atual, podem influenciar a decisão do investidor, ressalta Paulo Levy, diretor do home broker MyCAP, da Icap. "Isso pode, indiretamente, fazer com que os clientes sejam levados a sair de ações e migrar para o Tesouro justamente quando eles deveriam estar entrando na bolsa", afirma. "E quem sai de bolsa em momentos de crise perde dinheiro."

O mal-estar dos nossos dias


Por LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA FSP 29/08


VIVEMOS UM tempo de crise, um tempo de mal-estar. A selvagem revolta no Reino Unido mostrou com clareza; foi uma reedição agravada das revoltas da França de 2005.
Essas, como as manifestações mais moderadas e mais objetivas na Grécia, na Espanha, e na própria Inglaterra contra as políticas de austeridade impostas pelos credores ou então autoimpostas pelo próprio governo conservador, demonstram que não vivemos dias felizes.
A miséria material continua a identificar países pobres e explorados da periferia, mas a miséria humana, a sensação de insegurança e falta de perspectivas e a frustração generalizada estão em toda parte. Especialmente no mundo rico.
Os EUA, que no pós-guerra eram uma sociedade coesa e vigorosa, hoje são uma sociedade dividida e desorientada. Na Europa a crise provocada pelo euro sugere para todos a estagnação senão a decadência econômica.
Como explicar o que está acontecendo?
É o capitalismo que fracassou, é o Estado social que foi destruído, como afirma um crítico tão radical como brilhante como é Slavoj Zizek?
Não aceito esse tipo de diagnóstico.
Os 30 anos neoliberais do capitalismo foram um tempo de retrocesso social e político, de aumento brutal das desigualdades e da instabilidade financeira e de diminuição das taxas de crescimento econômico. Mas o Estado social europeu sobreviveu porque foi defendido em eleições democráticas.
Foi então porque o mundo moderno perdeu seus parâmetros morais, como pretendem os conservadores?
Não vale a pena perder tempo com esse tipo de não-explicação.
As revoltas nem sempre são racionais, e muitas vezes não são sequer razoáveis, mas são sempre morais.
Mostram sempre indignação moral contra a injustiça, o privilégio e a corrupção dos ricos. Os revoltosos de Londres agiram em alguns momentos como criminosos, mas não subestimemos sua indignação.
Houve, sim, decadência moral no nosso tempo.
Mas a perda de parâmetros morais decorreu da aliança contraditória e malsã do conservadorismo com o neoliberalismo - com uma ideologia ferozmente individualista, que nega de forma militante solidariedade e interesse público.
Os progressistas não têm o monopólio da moral, já que os conservadores foram sempre guardiões da moralidade, embora a confundindo com a ordem estabelecida.
O conservador apenas não estava disposto, como estão o progressista e o revolucionário, a arriscar a ordem em nome da justiça social.
Quando, entretanto, nos 30 anos neoliberais, o conservadorismo foi capturado pelo neoliberalismo, tornou-se uma fonte de desorganização social e de retrocesso moral.
O mal-estar do nosso tempo só será superado quando o mundo rico redescobrir o futuro. Mas essa redescoberta só pode ser feita quando fizer a crítica ao neoliberalismo.
Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008, que os desmoralizou, como desmoralizou a teoria econômica neoclássica que os justificava.
Mas nem as elites conservadoras nem os intelectuais progressistas foram capazes de fazer a crítica necessária do que aconteceu.
Nem de reafirmar sua confiança na ideia do progresso ou do desenvolvimento.

O Plano Brasil Maior


Por David Kupfer - Valor 29/08

No início deste mês de agosto o governo federal trouxe a público o novo plano de política industrial. Editado com o nome de "Brasil Maior", o novo plano desdobra-se em 35 iniciativas, algumas já em curso, outras de implementação imediata e outras ainda dependentes de regulamentação ou definição dos mecanismos de efetivação.

Em linhas gerais, o Plano Brasil Maior volta-se para quatro frentes: investimento; inovação; comércio exterior e defesa do mercado interno. Para incentivar o investimento, o plano recorre a uma bateria de incentivos financeiros e tributários convencionais. Além de rodada adicional de desonerações tributárias, cabe destacar o aumento da cobertura setorial e a prorrogação até dezembro de 2012 do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), uma iniciativa bem sucedida adotada pelo BNDES como resposta contracíclica aos efeitos da crise de 2008, e que parece prudente preservar diante da deterioração do cenário econômico internacional.

No que tange ao estímulo ao desenvolvimento tecnológico, tão ou mais importantes do que o reforço do caixa da Finep e das linhas de financiamento do BNDES parecem ser as mudanças introduzidas no marco legal da inovação. A regulamentação de contratos com cláusulas de risco tecnológico que, embora previstos na Lei de Inovação, não vinham sendo celebrados devido à insegurança jurídica que os cercava poderá tornar-se um elemento importante de disseminação de encomendas tecnológicas. Juntamente com o aumento do escopo de atuação das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) públicas e privadas, constituem iniciativas que, embora relativamente tímidas, apontam na direção correta de buscar conferir maior verticalidade ao processo de alocação de recursos destinados a essa finalidade.

No campo do comércio exterior, o Plano prevê igualmente uma rodada adicional de medidas de desoneração ou correção de algumas das tantas distorções tributárias que desestimulam as exportações. Também aqui o principal avanço parece provir do plano institucional, expresso em ações que visam o fortalecimentos da defesa comercial em diversas de suas vertentes, especialmente no que diz respeito às regras de origem, prática de preços subfaturados e outras reconhecidas fragilidades desses mecanismos no país. Chama a atenção, porém, a ausência de iniciativas voltadas para a melhoria do acesso dos produtos brasileiros a terceiros mercados, tema que efetivamente não pode deixar de integrar o escopo da política comercial brasileira.

Por fim, o conjunto de medidas de defesa do mercado interno pode ser considerado como a principal novidade do Plano. Ao introduzir um projeto piloto para desoneração da folha de pagamento em setores intensivos em trabalho como vestuário, calçados, móveis e software e buscar regulamentar a Lei que instituiu mecanismos de mobilização preferencial do poder de compra governamental para produtos e serviços nacionais, o governo sugere uma mudança no diagnóstico e na linha geral de ação diante do agravamento dos problemas de competitividade da indústria brasileira. Se bem sucedidas, essas iniciativas podem servir de modelo para a definição de novos instrumentos capazes de potencializar o alcance da própria política industrial.

Porém, de pouco adianta contabilizar pontos positivos ou lacunas dessa família de medidas sem que as mesmas sejam colocadas na moldura dada pela preocupante evolução do cenário econômico mundial. De fato, embora muitos analistas prefiram compartilhar o diagnóstico de que a crise maior está circunscrita à Europa, há boas razões para se acreditar que também os EUA enfrentarão uma longa recessão e, pior, cuja saída poderá ser muito custosa em termos do aprofundamento dos atuais desequilíbrios da economia mundial.

Um mergulho para valer também da economia americana terá o efeito de enfraquecer a máquina de crescimento chinesa, tornando o Brasil muito mais dependente de seu dinamismo endógeno do que tem sido a norma nos últimos anos. Nesse cenário, o pós-crise certamente implicará uma profunda reorganização dos fluxos internacionais de mercadorias e de capitais e, neste contexto, a China, que possui estrutura produtiva parcialmente complementar, mas também parcialmente competitiva com a brasileira, poderá empurrar a indústria nacional para a produção de commodities e outros itens pouco elaborados.

Evidentemente, uma transformação dessa natureza virá na contramão dos objetivos de desenvolvimento nacional, razão pela qual é imprescindível a inclusão da dimensão da mudança estrutural na reflexão sobre as diretrizes gerais da política industrial. Especialmente diante do aprofundamento das incertezas que rondam a economia mundial, o reposicionamento da indústria brasileira não poderá prescindir da manutenção ou mesmo aceleração do processo de aumento das escalas técnicas e econômicas das empresas, da maior convergência entre o esforço exportador e as estratégias de internacionalização das bases produtivas dessas empresas e da retomada do processo de diversificação estrutural das atividades produtivas, tanto na indústria quanto nos serviços, recuperando o padrão que historicamente sempre caracterizou o desenvolvimento brasileiro.

Não somente na economia prepondera a incerteza; na vida também. Um acidente inimaginável levou prematuramente Antonio Barros de Castro, ainda no auge da sua capacidade intelectual. O desenvolvimentismo perdeu um dos seus esteios e o pensamento econômico brasileiro um dos seus mais competentes formuladores.

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TV ON LINE


SARDENBERG ANALISA A QUEDA NO DESEMPREGO REGISTRADA PELO IBGE TEMPO: 00:03:19
O índice de desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chegou a 6% em julho. É o nível mais baixo registrado neste ano.

Em comentário ao Jornal da Globo, Carlos Alberto Sardenberg analisa a pesquisa e fala sobre como o governo recebeu o resultado.
*CARLOS ALBERTO SARDENBERG, colunista de economia.
TV: TV GLOBO DF | PROGRAMA: JORNAL GLOBO | APRESENTADOR: WILLIAM WAACK

25/08/2011 - 22:41:00


MERCADO DE TRABALHO ESTÁ FORTE, AFIRMA SARDENBERG TEMPO: 00:04:24
Em comentário ao Jornal das Dez, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg falou sobre os dados do IBGE, que apontou o desemprego para julho como o menor da série histórica que teve início em 2002. A taxa de desocupados, em julho, foi a menor já registrada para o mês e o salário médio do trabalhador o maior.

*CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista
TV: GLOBO NEWS | PROGRAMA: JORNAL DAS DEZ | APRESENTADOR: ANDRÉ TRIGUEIRO

BC no "Day Trade"

Valor 26/08



Corretora terá acesso a linha de redesconto do BC


O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o universo de instituições financeiras que podem tomar empréstimos intradia no Banco Central. Essa linha de redesconto, que não tem custo financeiro, poderá ser acessada por qualquer instituição com Conta de Liquidação no Sistema de Transferência de Reservas (STR), como corretoras, distribuidoras de valores, cooperativas de crédito e outras empresas cujo funcionamento é autorizado pelo Banco Central.

Até então, somente instituições bancárias, ou seja, com conta de reserva no BC, podiam tomar empréstimo para devolução no mesmo dia, sem pagar juros. Com isso, o uso desse instrumento de socorro de liquidez estava restrito a bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de câmbio, bancos de investimento, de desenvolvimento e caixas econômicas.

A ampliação do acesso foi decidida ontem e tem como objetivo "aumentar a competição" do sistema financeiro e "favorecer a fluidez" no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), do qual o STR é parte, justificou o BC. É pelo STR que são feitas as transações entre instituições financeiras. Antes março de 2009, quando foram criadas as contas de liquidação no STR, as empresas não bancárias dependias dos bancos inclusive para fazer transações nesse sistema.

O desenho da linha intradia não muda. Os recursos podem ser tomados mediante entrega de garantia de 100%, somente na forma de títulos públicos federais. Trata-se de operação com compromisso de recompra do papel no mesmo dia pelo tomador do recurso.

Enquanto isso...

O gato de Bernanke pode ter subido no telhado


Por Daniele Camba

Desde segunda-feira, analistas e investidores não pensam em outra coisa: a possibilidade do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, anunciar hoje a terceira versão do pacote de recompra de títulos - o "Quantitative Easing 3". Ontem, no entanto, o mercado funcionou como se o gato de Bernanke tivesse subido no telhado.

Os investidores começaram a colocar nos preços dos ativos uma possibilidade bem maior de que o presidente do Fed tente acalmar os ânimos apenas na lábia, sem anunciar um tostão a mais de estímulo à economia.

A reação dos mercados foi de queda. Nem mesmo a Bovespa se safou de ficar no vermelho, mesmo com a elevação da perspectiva da nota do Brasil, pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, de estável para positiva.

O Índice Bovespa passou boa parte do pregão em queda, fechando em baixa de 1,57%, aos 52.953 pontos. O volume de negócios foi de R$ 5,1 bilhões, abaixo da média diária recente.

Para o diretor da Ativa Corretora, Álvaro Bandeira, depois de muita resistência, os investidores caíram em si. A reunião de hoje, em Jackson Hole, deve ser no máximo uma carta de intenções, nada mais do que isso. "Deve sair algo bem teórico, longe de uma terceira versão do pacote de recompra de títulos", diz Bandeira.

O diretor da Ativa cita alguns motivos para que não saia nada muito "mão na massa" da reunião de hoje. Primeiro por não ser um fórum ideal para decisões tão práticas, apesar do "Quantitative Easing 2" ter saído exatamente desse encontro, no ano passado. No entanto, a situação da economia era bem diferente.

Para se ter ideia, naquela época, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) em 12 meses estava em 1%. Já agora, a inflação ultrapassa a marca dos 3,5%. Em outras palavras, isso significa que o governo dos EUA tem muito menos condições de gastar dinheiro para estimular a economia e, por tabela, satisfazer o desejo do mercado.

"O Fed sempre deixou claro que um afrouxamento monetário deve ocorrer quando há deflação, sendo que agora o que existe é uma inflação já alta, ou seja, algo bem diferente", explica o diretor da Ativa.

Um outro motivo para que não saia nada de palpitante das montanhas de Jackson Hole, segundo Bandeira, é que faz mais sentido uma ação coordenada entre o BC dos Estados Unidos e outros bancos centrais, como o que ocorreu durante a crise de 2008, o que parece pouco provável, pelo menos por enquanto.

A pergunta agora é se o mercado vai retomar a tendência de queda acentuada que se viu no começo do mês, caso Bernanke realmente não tire um novo pacote da cartola hoje. Os analistas acreditam que não. "O mercado deve cair num primeiro momento e depois voltará a ficar volátil, à mercê de notícias dos EUA e da Europa", diz o gestor da Infinity Asset Management, George Sanders. A conferir.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

A fama marxista em Wall Street


Por Samuel Brittan - FT

Em meio a quase todas crises periódicas que afetam as economias mercantis, erguem-se vozes dizendo que "No fim das contas, Marx estava certo". Alguns anos atrás, Nicolas Sarkozy foi visto empunhando uma cópia de "Das Capital", enquanto nas últimas semanas gurus financeiros, entre eles Nouriel Roubini e George Magnus, escreveram artigos com referências ao pensador comunista.

Quando a recuperação acontece, a grita se dissipa, apenas para ressurgir na vez seguinte em que ocorre uma contração brusca. A primeira coisa errada no slogan é que ele tem pouco a ver com Karl Marx. Lembro-me de uma senhora, sob outros aspectos uma profissional extremamente inteligente que, quando indagada sobre por que era marxista, respondeu: "Eu fiquei entediada com os amigos de meu pai".

Marx sofreu nas mãos não apenas dos que distorceram interesseiramente seu pensamento, mas de críticos que o identificaram com a ditadura de Stalin ou mesmo com o regime de Mao Tsetung. É, evidentemente, absurdo culpar Marx, que viveu de 1818 a 1883, pelos crimes cometidos décadas após sua morte. Na verdade, o grande homem disse certa vez: "Seja lá que outra coisa eu possa ser, não sou um marxista". Muitos analistas sérios têm escrito sobre o que Marx quis dizer ou deve ter desejado dizer. Não sou um deles e minha desculpa principal para dar minha própria opinião extremamente seletiva é que nunca demonizei nem adorei esse homem.

O aspecto de Marx que originalmente me intrigou foi sua divisão da história após o fim da Idade das Trevas: feudalismo, capitalismo, socialismo e comunismo. Por socialismo, Marx entendia algo semelhante a uma versão extrema da antiga quarta cláusula do Partido Trabalhista britânico, que contemplava a propriedade pública de todos os meios de produção, de distribuição e de trocas. Mas comunismo não implicava nada semelhante a seu significado posterior. Era uma utopia na qual um dia de trabalho curto proveria todas as necessidades da sociedade e as pessoas ficariam livres para "caçar de manhã, pescar à tarde e discutir filosofia à noite". A visão de uma sociedade assim reteve no campo marxista alguns idealistas que, do contrário, poderiam ter abandonado a causa.

Eu considerei essa visão mais interessante do que a abordagem típica de historiadores ingleses, segundo a qual o objeto de seu estudo era apenas uma coisa após outra.

Entretanto, há muitos problemas na versão marxista. Será que o capitalismo começou nas repúblicas da Itália no século XV ou ainda não tivera início em muitas regiões da Europa onde a Revolução Industrial não se firmou efetivamente até um momento bem avançado do século XIX? E o que dizer sobre a Rússia, que ainda não tivera uma revolução capitalista, mas onde Marx tinha um número surpreendente de discípulos? Isso começou a preocupá-lo no fim de sua vida, quando ponderou se a Rússia poderia passar diretamente ao socialismo.

A importância de Marx para muitos socialistas está no fato de que ele lhes disponibilizou, a um só tempo, uma análise moral devastadora sobre o capitalismo e a profecia de que o capitalismo estava fadado a perecer. Em sua análise, o trabalhador passava, digamos, 10 horas por dia produzindo para si e as outras duas horas para seu empregador. A diferença entre o custo do trabalho (inclusive o dispendido com insumos) e o preço final ficou conhecida como "mais-valia" e caracterizada como uma medida de "exploração". Isso é, de longe, excessivamente simplista. Em toda sociedade, o preço dos produtos deve exceder os custos do trabalho em diferentes montantes para assegurar uma margem para cobrir investimentos, impostos e muito mais. O verdadeiro argumento ético não é contra a existência de um retorno sobre o capital, mas de que a propriedade do capital seja tão altamente concentrada.

O que Marx quer dizer com "as contradições do capitalismo"? Basicamente, que o sistema produz um fluxo cada vez maior de bens e serviços que uma população empobrecida proletarizada não tinha condições de adquirir. Uns 20 anos atrás, após o desmoronamento do sistema soviético, isso teria soado fora de moda. Mas o argumento convida um outro olhar, na esteira do aumento da concentração de riqueza e de renda. Com efeito, um ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Raghuram Rajan, atribuiu a recente explosão do crédito, em parte, à estagnação dos salários reais, o que estimulou as pessoas a tomar empréstimos.

Mas, mesmo que a análise esteja correta, o remédio está errado. A justificativa para uma redistribuição é ética. Se a única coisa de errado no capitalismo é insuficiente poder generalizado de compra, então, com certeza, o remédio é lançar dinheiro de helicópteros, conforme Milton Friedman. Para isso, não necessitamos tanto uma revolução política, mas sim intelectual, ou seja, a derrubada do fetiche do orçamento equilibrado.

Como sugere A J P Taylor em sua introdução do "Manifesto Comunista" (editora Penguin), o marxismo foi uma peculiaridade do mundo de língua alemã. Sua elaboração mais interessante veio de Rudolf Hilferding, um social-democrata austríaco cuja contribuição duradoura foi formulada em seu livro "Das Finanzkapital". Nele, Hilferding chamou a atenção para uma nova faceta sinistra, a ascensão de banqueiros e financistas por trás da crescente cartelização do sistema produtivo. Ele não previu a importância bem maior da massa de dinheiro artificial cruzando fronteiras, o que certamente é extremamente relevante, num momento em que os banqueiros centrais estão quebrando a cabeça sobre como reanimar a economia mundial.

Samuel Brittan é articulista do FT

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Será que vamos ter que contratar mercenários?


Erdanet
A tomada de poder pelos “insurgentes” na Líbia pode servir de momento para reflexão de nossas condutas como cidadãos. Percebe-se, pelas imagens, que um movimento legitimamente popular não contaria com todo o aparato bélico mostrado. Metralhadoras ponto 50, sim aquelas que são usadas para derrubar aviões, são dirigidas aleatoriamente, com objetivo puramente intimidatório.

Interesses econômicos de países foram atingidos, principalmente da França e da Itália, desconstruindo todo um mito de democracia na Líbia. Mito que até recentemente era apoiado por esses países, em troca do Ouro Negro.

A Ciência Política ensina que nenhum país pode apoiar sua economia em bens primários, commodities no Comércio Internacional, sob pena de ter sua soberania invadida. O Capitalismo Selvagem que se instala nesses países exportadores é que leva à degradação do meio ambiente, aos mais vis meios de exploração do trabalho humano e ao desnível econômico da população. Aqui a mais-valia deve ser máxima.

O importador quer mais produtos a preços menores, buscando nos cartéis ponto de apoio para maximizar e legitimar sua esperteza.

Nessa balança, os países que apoiam sua economia em commodities sempre ficarão em desvantagem, seja na OMC, na ONU e em outros organismos internacionais de comércio. A infra-estrutura montada nesses organismos é o que legitima seus atos, inclusive movimentos “insurgentes” contra a “ordem estabelecida”, como no Kuwait, Irã, Zaire etc, países produtores de bens primários e com histórico de lideranças corruptas. Essa conjunção de fatores somada a um povo inepto leva à instabilidade na democracia.
Líderes que não prestam contas, que agem como déspotas, fazendo desdém com a paciência do povo, esquecem-se que pelo menos uma parcela, ínfima que seja, é esclarecida.

Carlos Benedito da Silva Brito

Crise do euro: saída é monetária


Por José Luis Oreiro - Valor 25/08

Nas últimas semanas temos vivenciado mais uma rodada de queda generalizada das bolsas, aumento da aversão ao risco e instabilidade das taxas de câmbio. Crescem os temores de uma crise financeira sistêmica na Europa. Muitos economistas têm afirmado que a raiz de todos esses problemas é fiscal. Os mercados desconfiam da solvência dos governos europeus e cobram elevados prêmios de risco sobre os títulos soberanos desses países, aumentando assim o custo de rolagem dessas dívidas e o déficit público, o que acaba por "realizar" a expectativa de insolvência. A saída seria fazer um fortíssimo ajuste fiscal para sinalizar de forma inequívoca aos mercados que as condições de solvência dos países da área do euro estão garantidas. Está claro que, nesse cenário, o Estado do Bem-Estar Social teria que ser desmontado na maior parte dos países europeus. Seria a vitória definitiva do neoliberalismo.

A realização de um "ajuste fiscal a frio" não irá resolver a crise financeira europeia; pelo contrário, pode ainda agravá-la.

Para entender o porque dessa afirmação é necessário esclarecer a origem da atual crise. A mesma não se originou de um descontrole fiscal dos países da área do euro (exceção feita à Grécia). Com efeito, entre 1999 e 2007 a dívida pública (bruta) consolidada desses países ficou estável em torno de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). O que se observa nesse período é um notável crescimento do endividamento do setor privado. A dívida das empresas não financeiras passou de 250% para 280% do PIB; o endividamento dos bancos, de 190% para 250% do PIB; e as famílias aumentaram o seu endividamento em quase 50%. A indisciplina "fiscal" estava centrada no setor privado, não no setor público.

Após o colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008, os governos dos países europeus realizaram amplos programas de socorro ao setor financeiro e estímulo à economia em recessão, os quais impediram o colapso das economias europeias após uma forte queda em 2009, mas contribuíram para aumentar o endividamento público na área do euro.

A expansão fiscal, no entanto, não foi suficiente para garantir a volta ao crescimento sustentado nos países do sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, Grécia) por duas razões. Em primeiro lugar, esses países se defrontaram com uma forte apreciação cambial nos anos pré-crise em função da ocorrência de aumentos salariais acima da expansão da produtividade do trabalho, ocasionando um forte aumento do custo unitário do trabalho. Na Alemanha, ao contrário, verificou-se uma redução desse custo em razão da política de moderação salarial implementada com a chancela dos sindicatos alemães. O resultado disso foi uma deterioração da competitividade dos países do Sul da Europa com relação à Alemanha, dando origem a grandes déficits em conta corrente nos primeiros e um crescente superávit no último. Em segundo lugar, o setor privado na Europa iniciou um processo de "deflação de dívidas" no qual o gasto corrente e de capital é reduzido com o intuito de se aumentar a poupança privada e assim reduzir o nível de endividamento.

O efeito combinado da apreciação cambial e do aumento da poupança privada nos países do sul da Europa acabou por amortecer o impacto expansionista da política fiscal anticíclica, contribuindo para manter o desemprego a nível elevado e a atividade econômica semiestagnada. Nesse contexto, cria-se um ciclo vicioso no qual o aumento inicial do endividamento público eleva a percepção de risco por parte dos agentes econômicos quanto à solvência dos países do Sul da Europa, aumentando o custo de refinanciamento das dívidas desses países e, por conseguinte o seu déficit nominal. A elevação do déficit "realiza" as expectativas pessimistas quanto à solvência dos Piigs, criando assim as pré-condições para um default soberano.

Uma contração fiscal irá apenas aumentar a taxa de desemprego e deprimir os lucros das empresas financeiras e não financeiras da área do euro. Isso irá reduzir a poupança privada, retardando assim o processo de deflação de dívidas, o que irá alongar o período de contração dos gastos privados de consumo e de investimento. Dessa forma, a semiestagnação irá se prolongar por vários anos, deprimindo a receita tributária e impedindo a recuperação das finanças públicas dos países do Sul da Europa.

A saída para a crise fiscal da área do euro passa por um "relaxamento quantitativo" da política monetária. Uma alternativa seria o Banco Central Europeu (BCE) monetizar uma parte da dívida pública de forma a reduzir a relação entre juros e PIB para algo como 2% em todos os países da área do euro.

A monetização resolveria numa só tacada dois problemas. Em primeiro lugar, permitiria aos bancos europeus se livrar de uma parte dos títulos públicos "micados" de seus balanços, reduzindo assim o seu próprio risco de insolvência. Em segundo lugar, ocorreria uma forte depreciação do euro frente ao dólar e ao yuan, aumentando assim a competitividade das exportações europeias, viabilizando uma recuperação do nível de atividade por intermédio das exportações. Além disso, a inflação certamente se elevaria como resultado dessa medida, transferindo riqueza dos credores para os devedores, aliviando parte do problema do elevado endividamento do setor privado na Europa do euro.

José Luis Oreiro é professor do departamento de Economia da Universidade de Brasília e diretor da Associação Keynesiana Brasileira. E-mail: joreiro@unb.br.

TV ON LINE


25/08/2011 - 00:50:00
TAXA DE JUROS DO CHEQUE ESPECIAL BATE RECORDE TEMPO: 00:04:38
A taxa de juros do cheque especial bateu recorde em julho e são as mais altas dos últimos 12 anos. Quem ficou no vermelho no mêspagou juros de até 188% ao ano. O comentarista Joelmir Beting analisa os números.

TV: TV BAND | PROGRAMA: JORNAL DA NOITE | APRESENTADOR: BORIS CASOY

JOSÉ PASTORE FALA SOBRE O EMPREGO E DESEMPREGO NO PAÍS E PROGRAMA DO MICROEMPREENDEDOR TEMPO: 00:08:30
Em entrevista ao Jornal da Gazeta, o professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo (USP), José Pastore, falou sobre a relação do emprego e desemprego no país.

*JOSÉ PASTORE, professor da USP.

TV: TV GAZETA | PROGRAMA: JORNAL DA GAZETA | APRESENTADOR: SILVIA CORRÈA


24/08/2011 - 20:02:00


ECONOMIA BRASILEIRA NÃO APRESENTA ROBUSTEZ, AFIRMA ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS TEMPO: 00:05:11
Em entrevista ao Conta Corrente, o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, fala sobre o enfrentamento do País contra a dívida pública. De acordo Vale, com o Brasil no relativo em relação aos números fiscais, macro em geral, superávit primário e a própria dívida, este número está muito melhor do que os países envolvidos na crise econômica internacional neste momento. Mas isso não é sinal de robustez. Segundo o economista, todo ano o Governo não atinge a meta da economia e fica difícil de fechar a conta.

*SÉRGIO VALE, economista-chefe da MB Associados

*GEORGE VIDOR, jornalista

TV: GLOBO NEWS | PROGRAMA: CONTA CORRENTE | APRESENTADOR: GUTO ABRANCHES

25/08/2011 - 13:48:06

JUROS COMEÇAM DIA EM ALTA NA BOVESPA TEMPO: 00:04:00
A Bolsa de Valores de São Paulo cai mais de 1%, acompanhando o pessimismo do exterior. Já os juros subiram logo nos primeiros minutos de abertura da Bovespa. Os papeis mais afetados foram os de vencimento mais longos, como janeiro de 2013. A alta que chegou à 0,40% começou a perder o ritmo e sobe 0,09% neste momento.


Segundo economistas e analistas financeiros, o resultado é um reflexo da taxa de desemprego divulgada pelo IBGE.

TV: GLOBO NEWS | PROGRAMA: CONTA CORRENTE | APRESENTADOR: SIDNEY REZENDE


Inadimplência em alta


FSP 25/08
A inadimplência dos consumidores voltou a subir em julho, depois da estabilidade do mês anterior. Segundo dados do Banco Central, a taxa passou de 6,4% para 6,6%, a maior em 14 meses.
Economistas avaliam que os atrasos podem crescer, mas a alta será moderada e pode ser revertida.
Alexandre Andrade, da consultoria Tendências, prevê que a inadimplência terá um pico neste semestre, para recuar até o início de 2012.
A piora se deve ao aumento de juros e às restrições de prazo em linhas mais baratas, como consignado e veículos, o que levou muitas pessoas ao cheque especial.
O emprego ainda em expansão e a renda mais alta, diz, esfriarão o movimento.
Carlos Thadeu de Freitas, economista da Confederação Nacional do Comércio, acha que apenas uma piora significativa na crise externa, que afete o emprego, levaria a uma disparada nos atrasos. "A inadimplência não vai cair como o BC está achando, mas também não vai subir muito", afirma.

Wemerson França, da LCA, espera que o indicador chegue a 7% nos próximos meses, e fique estável em 2012. "Está dentro do esperado porque as medidas de restrição trouxeram o custo do crédito para outro patamar."

O BC diz que a tendência é de estabilidade seguida de queda: "Essas oscilações são naturais, mas a expectativa é de acomodação, tendo em vista a continuidade de crescimento do emprego e da massa salarial", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Cresce dependência do Brasil em relação à China, diz banco


Valor 25/08

O Brasil está ajustando "passivamente" sua economia a demandas da China, numa forma crescente de dependência, avalia o banco Nomura, em Nova York, em nota enviada aos clientes. "Vemos a dependência se aprofundar. Para o melhor ou pior, o futuro econômico do Brasil será mais e mais em função de decisões tomadas em Pequim", estima o banco.

A relação econômica bilateral, avaliam os economistas da instituição, está sendo marcada por uma parceria do tipo Norte-Sul (rico e pobre) entre duas economias em desenvolvimento. O relatório destaca que o Brasil se torna mais dependente das exportações de commodities para o mercado chinês. Ao mesmo tempo, companhias brasileiras estão cada vez mais dependentes de componentes baratos produzidos na China.

O mercado chinês absorveu 15,2% das vendas externas brasileiras em 2010, ante 2% em 2000, segundo estudo divulgado em abril pelo Banco Central. A autoridade monetária ressalta que o saldo comercial da balança voltou a ser "amplamente favorável" ao Brasil a partir de 2009, ano em que o país asiático passou a ser o principal parceiro comercial do Brasil, destronando os EUA. Em 2010, o Brasil exportou US$ 30,8 bilhões à China e importou US$ 25,6 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 5,2 bilhões, praticamente igual ao registrado em 2009.

As exportações brasileiras à China se concentram em matérias-primas. Em 2001, 63% dos embarques brasileiros eram representados por produtos básicos. No ano passado, o número cresceu para 84%. Em 2010, os chineses absorveram 46,1% das exportações brasileiras de minério de ferro, 64,6% das de soja e 24,9% do petróleo.

Na prática, a relação Brasil-China replica a relação de dependência experimentada pelo Brasil com os EUA no período pós-Segunda Guerra Mundial, escrevem os analistas Tony Volpon e George Lei, do Nomura. O banco constata que, com a eleição de Dilma Rousseff, a natureza do debate envolvendo a política econômica no país mudou e mais atenção tem sido dada aos perigos da desindustrialização e da excessiva valorização do real. No entanto, estima que o governo Dilma "não desenvolveu alternativa coerente para sua crescente dependência em relação à China".

Analistas consultados pelo Valor concordam em parte com o Nomura. Segundo um deles, a dependência existe no setor de commodities, mas a exportação total do país tem outros destinos relevantes além do mercado chinês.

Caso o país asiático diminua a taxa de crescimento, como reflexo das turbulências externas, o superávit comercial brasileiro seria atingido com a queda do volume de importações chinesas, assim como do preço das commodities, influenciados pela forte demanda da China, projetam economistas. A única saída para diminuir a dependência chinesa seria fortalecer a indústria nacional e aumentar as exportações de manufaturados.

"Se a relação Brasil-China não é igual à relação Brasil-EUA no passado, uma hora será", prevê Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, que vê como "óbvia" a redução do crescimento chinês nos próximos anos. Em um primeiro momento, diz, o impacto seria relativamente pequeno, mas no prazo de um ano e meio a dois anos, a exportação brasileira seria prejudicada e a atividade interna teria desaceleração mais forte.

Para Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores, a dependência do Brasil em relação à China só é verdadeira no mercado de commodities, mas não se estende a toda a pauta de exportações. Segundo ele, apesar de a China ser no momento o principal parceiro comercial do Brasil, não há como comparar a relação Brasil-China com a Brasil-EUA há dez anos.

"A China não chega a ter um percentual tão grande das exportações brasileiras. Os EUA, ao contrário, já chegaram a ter 26% das vendas externas do Brasil", observa o consultor. Barral ressalta, no entanto, que o país sai perdendo com a pouca diversificação das exportações destinadas aos chineses. "O Brasil é muito dependente da China em algumas commodities. Isso não é bom para o país."

Relatório do departamento de relações internacionais e comércio exterior (Derex) da Fiesp mostra que o predomínio de produtos básicos na pauta exportadora brasileira à China se aprofundou em 2011. De janeiro a julho, enquanto as commodities representaram 88% do valor exportado à China, 96% das importações procedentes do país asiático foram de manufaturados. O superávit total do Brasil com a China atingiu US$ 16,2 bilhões em sete meses, mas a balança de manufaturados acumula déficit de US$ 16,2 bilhões de janeiro a julho, com previsão de encerrar o ano em US$ 32 bilhões.

O setor de commodities, nota o Derex, tem receita garantida pelo aumento de preços, já que, em volume, as exportações de minério de ferro tiveram crescimento pouco expressivo entre janeiro e julho (13%), enquanto as de soja caíram 5% e a de óleos brutos de petróleo, 14%. No mesmo período, as importações brasileiras de manufaturados chineses aumentaram 34% em quantidade embarcada e 33% em valores absolutos.

Para Barral, caso a China desacelere o crescimento nos próximos anos, o Brasil seria afetado de três formas: o quantum de exportações seria reduzido, assim como o valor delas, e o real seria desvalorizado. "Boa parte do superávit brasileiro vem de preços de commodities. Se houver redução da demanda, o preço cai. Se cai o preço, o real se desvaloriza."

Para reagir ao impacto, Silveira, da RC, diz que o Brasil poderia, em um primeiro momento, praticar políticas anticíclicas, como o incentivo ao crédito, mas não pode "queimar reservas para o resto da vida". "Chegará uma hora em que os preços das commodities vão ser ajustados para baixo. Isso vai custar caro para o país", diz o economista.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Petroleo tipo Brent - produção em queda - Petrobras acompanha


Financial Times

A aceitação cada vez maior do petróleo bruto do tipo Brent como referencial mais importante do mundo depara-se com um obstáculo, também cada vez maior - sua produção vem caindo rapidamente.

O problema de encolhimento das reservas é conhecido há anos, mas o fortalecimento do petróleo bruto do Mar do Norte em relação ao West Texas Intermediate (WTI), seu homólogo nos Estados Unidos, levou o setor a buscar soluções urgentes.

O grande problema para o WTI é que seu preço referencial descolou-se dos demais. Na semana passada, era negociado com um desconto recorde superior a US$ 26 por barril em relação ao Brent. Há dois anos, a diferença era de apenas US$ 2.

Esse descolamento pronunciado no mercado do WTI levou algumas empresas, como a Delta Air Lines, por exemplo, a abandonar o WTI em favor do Brent como seu referencial.

O Brent, no entanto, "tem suas próprias fraquezas", afirmou Bassam Fattouh, do Oxford Institute for Energy Studies e autor do estudo "An Anatomy of the Crude Oil Pricing System" (numa tradução livre, algo como uma anatomia do sistema de precificação do petróleo bruto, em inglês).

"O principal problema [para o Brent] é o declínio concreto da produção e o risco de apertos [na relação oferta e procura] associados aos baixos volumes de produção", acrescentou Fattouh. O declínio agravou-se recentemente por interrupções em um dos principais campos de petróleo no Mar do Norte.

A Platts, uma agência especializada em determinar preços para o setor petrolífero, propôs uma série de medidas, de curto e longo prazos, para aumentar a liquidez do Brent. A agência é uma unidade da McGraw-Hill, empresa com ações em Nova York, e na prática é reguladora do mercado físico de Brent. As propostas, no entanto, enfrentaram oposição no setor.

As mudanças impactariam o mercado multibilionário de entregas físicas do Brent, o de contratos futuros, swaps e opções.

De acordo com a empresa de consultoria Purvin & Gertz, de Houston, o Brent e seus derivativos associados são referenciais de até 65% do comércio de petróleo bruto mundial.

Companhias petrolíferas como BP, Royal Dutch Shell e Total e empresas de comercialização de petróleo, como a Vitol, Glencore e Phibro, são os maiores participantes desse mercado.

Os ajustes no setor, no entanto, afetariam investidores como fundos de pensão, já que o Brent é integrante central em índices de commodities como o S&P GSCI, um dos mais acompanhados no mercado mundial.

Embora o referencial continue sendo chamado de "Brent", na verdade, se trata de uma cesta de vários tipos de petróleo bruto do Mar do Norte.

Com o declínio da produção, o Brent foi combinado em 1990 com outro tipo de petróleo bruto, o Ninian, criando o chamado Brent "blend". Em julho de 2002, a Platts ampliou a mistura, incluindo outros dois tipos regionais, o Forties e o Oseberg. Em 2007, foi adicionado o Ekofisk, criando o atual referencial Brent, também conhecido como BFOE.

A Platts planeja novas reformas no setor. Sua primeira proposta é aumentar o número de dias que as agências têm para estimar o preço do referencial no mercado físico à vista, no caso o chamado Brent "datado".

Atualmente, as agências avaliam os negócios realizados durante uma janela de 12 dias - um período de 10 e 21 dias antes do embarque. Como a produção da cesta BFOE caiu de 1,6 milhão de barris diários há cinco anos, para 875 mil barris diários mais recentemente, o número de carregamentos de Brent nessa janela caiu quase pela metade.

A Platts propõe aumentar o período a partir de janeiro para 16 dias, estendendo a avaliação para um período entre 10 e 25 dias antes do embarque. "A mudança aumentaria em um terço o número de carregamentos de Brent que incluímos em nossa avaliação, aumentando a liquidez do preço de referência", diz Jorge Montepeque, diretor de mercados da Platts.

A mudança, contudo, criaria seus próprios problemas, já que enfraqueceria a relação entre o mercado físico e o de derivativos, que por motivos históricos é baseado em 15 dias. A Bolsa Intercontinental de Futuros de Londres (ICE Futures) divulgou que consultará a indústria petrolífera quanto às mudanças. Os operadores de petróleo prefeririam que a Platts e a ICE alterassem sua metodologia ao mesmo tempo.

Caso contrário, "a divergência entre o mercado físico e o de derivativos seria grande demais", disse um operador sênior de petróleo Brent.

A Shell enviou carta à Platts pedindo para adiar qualquer mudança, informando que os ajustes no sistema BFOE e nos contratos futuros "deveriam ser concomitantes e ocorrer no primeiro trimestre de 2013".

O aumento da janela, no entanto, não resolveria o problema básico - os campos petrolíferos da cesta BFOE são antigos e a produção está irremediavelmente em queda.

Por esse motivo, a Platts também planeja uma solução mais ambiciosa: ampliar a cesta e incluir, pela primeira vez, algum tipo de petróleo bruto de fora do Mar do Norte. Montepeque diz que a Platts precisa agir "bem antes que exista um problema", que ele prevê para quando a produção cair abaixo da marca de 500 mil barris por dia.

Especialistas no setor petrolífero acreditam que, no início de 2012, a agência proporá agregar um ou mais tipos de petróleo bruto do Mar do Norte à cesta BFOE, como o Statfjord. Além disso, talvez por volta de 2015, especialistas dizem que a Platts poderia considerar colocar tipos de petróleo extraídos fora da região, mas de alta qualidade e baixo teor de enxofre, similares ao Brent, como os encontrados na Ásia Central, África Ocidental e Norte da África.

"O objetivo final é sustentar o referencial Brent mesmo se a produção do Mar do Norte cair a níveis mínimos", diz Montepeque.

A perda de produção da Líbia pressionou o valor do Brent acima dos outros referenciais, como o de Dubai e o West Texas Intermediate. O país africano produzia 1,6 milhão de barris por dia de petróleo bruto de alta qualidade antes do início da guerra civil.

Com a oferta menor, as refinarias aumentaram os lances pelo Brent, que tem qualidade semelhante ao petróleo líbio.

Dessa forma, a volta da produção líbia depois do fim da guerra poderá levar o preço do Brent a cair e ficar mais próximo do valor de outros referenciais. (Tradução de Sabino Ahumada)


Produção mundial de petróleo e gás da Petrobras cai 2,78% em julho


Por Stella Fontes - Valor 24/08

SÃO PAULO - A produção média de petróleo e gás natural da Petrobras, considerando-se as operações no país e no exterior, recuou 2,78% em julho, na comparação com o mês imediatamente anterior, para 2,568 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Frente a julho do ano passado, contudo, o volume produzido manteve-se estável.

Em nota, a Petrobras informa ainda que a produção de petróleo e gás no Brasil, no mês passado, caiu 3,5% frente ao verificado em junho, totalizando 2,325 milhões de barris por dia.

Conforme a companhia, esse desempenho deveu-se ao programa de manutenções operacionais em plataformas do campo de Marlim (P-20, P-35 e P-37), Albacora Leste (P-50), Parque das Baleias (FPSO Capixaba) e de Unidades da corrente de Cabiúnas.

Segundo a Petrobras, considerando-se apenas a produção nacional de óleo, houve queda de 3,8% em julho ante junho, para 1,968 milhão de barris por dia.

A produção média de gás natural no Brasil, excluindo o volume liquefeito, ficou em 56,7 milhões de metros cúbicos por dia, estável na comparação com junho, porém 8% superior ao registrado um ano antes.

TUDO AO CONTRARIO

Basta converter ao contrário do que noticia a Petrobras para se obter a tradução do artigo abaixo:


(Reuters) - When Brazil discovered huge offshore crude reserves four years ago, state oil company Petrobras (PETR4.SA) sketched out plans to become a regional fuel exporter.That plan has since been turned upside down.

Rapid domestic economic growth and rising fossil fuels use has turned it into a recurrent fuels importer, with occasional gasoline purchases in 2010 evolving into regular imports that may not cease until the end of the decade.

This leaves Brazil following the path of other emerging markets such as China, which upended the oil products markets ten years ago with explosive demand, and the Middle East, where rising incomes have spurred demand growth.

With few signs that Brazil in the short term will be able to boost supply of sugar cane ethanol, which supplies almost half the fuel for its cars, the country is shaping up to be a demand center that energy markets will watch more closely.

"In 2006 and 2007 the focus of our discussion was adding value to Brazilian petroleum and exporting products. We were going to have a surplus of products. But in 2010 the world changed," said Paulo Roberto Costa, Petrobras refining chief.

"The rule was that fuel demand grew slower than GDP, but this changed," he said, adding Petrobras will likely maintain its dependence on foreign fuel markets.

Petrobras says gasoline imports will reach 3.2 million barrels by the end of August, an amount almost equal to the total imported in 2010. It is likely to rise by the end of the year on the seasonal demand increase.

Supplies may tighten even further within the next five years following Petrobras' decision to postpone the 300,000 barrel per day Premium I refinery by two years as it focuses on more profitable exploration and production operations.

The company plans four new refineries. The first is slated to open by late 2012 or early 2013, though construction delays could push back its start-up. Even though all the refineries will provide fuel for the local market, Brazil still expects at least 5 percent of its domestic fuel to come from abroad.

The imports should have less impact on global fuel markets in the medium term, as a slowdown in Europe and the United States has eased tightness on oil products markets.

"Brazil's fuel demand growth is likely to slow down in the near future as economies around the world begin to slow," said Mark Routt, an energy industry consultant with KBC Advanced Technologies. "But the forecast for Brazil's growth remains very robust -- it's going to be a major feature of product markets going forward."

SUGAR BOOM SOURS ETHANOL

Complicating the picture is the dim outlook for new supply of sugar-cane ethanol used by Brazil's flex-fuel cars, which can run on any combination of the biofuel and gasoline. More than 90 percent of all autos sold in 2010 were flex-fuel models.

An 85 percent jump in the price of sugar over the last year has led millers to switch away from ethanol and toward the sweetener, pushing up prices at the pump just as policy makers struggle to cool inflation.

Brazil's cane output is about 120 million tonnes shy of the capacity of mills to crush the crop. The mills in turn are unable to produce enough ethanol to meet market demand.

"It will take about three to four years before we see new ethanol mills coming onstream again," said Plinio Nastari, president of sugar consultancy Datagro. "It will take that long before the cane crop catches up to current crushing capacity."

Both Petrobras and U.S.-based Bunge have promised to boost output recently with major investments, but this will probably take several years for this to meaningfully affect supplies.

While Brazilian officials for years have decried U.S. tariff barriers that protect less efficient corn-based ethanol, Brazil's fuel supplies are so tight that it has imported 400 million liters, equivalent to 2.5 million barrels, since the start of the 2011/2012 sugar cane season.

Datagro expects ethanol imports -- from the United States mainly -- to top 1.4 billion liters by the end of the season.

Many of Brazil's family-run ethanol businesses never recovered from the 2008 financial crisis, meaning that big milling groups with cash in their pockets see better returns from snatching up distressed rivals than from starting expensive greenfield projects from scratch.

"We are in a race to supply potential markets locally, internationally, with sugar and ethanol," said Eduardo Pereira de Carvalho, the former head of the cane industry association Unica and president of industry consultant Expressao.

Antonio Barros de Castro


Por Carlos Lessa - Valor 24/08

Dia 21 de agosto faleceu meu velho amigo Antonio Barros de Castro, em um acidente quase que único, pois um pedaço de laje caiu ferindo-o mortalmente sem que houvesse sequer a destruição do computador onde trabalhava a sua frente. Castro, professor com fala de mel, extremamente responsável, estava trabalhando no domingo, preparando a aula-conferência do dia seguinte, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre a China.

Professor Emérito, reverenciado ao longo de toda a vida como docente respeitoso da dignidade e do compromisso essencial do ser professor. Brasileiro com B maiúsculo, Castro sempre pensou o mundo, a economia e a sociedade a serviço do sonho de uma civilização brasileira, sem xenofobia, sem arrogância, sem prepotência, como uma outorga de nossas qualidades potenciais.

Poderia ocupar todas estas linhas falando sobre dimensões de Castro. O professor morreu trabalhando, procurando decifrar a esfinge chamada China. Corretamente, dedicou seus últimos tempos como pesquisador comprometido debruçando-se sobre o "milagre chinês". Como modesta e sincera homenagem, quero colocar algumas linhas sobre o "milagre chinês".

Mao Tse Tung dizia, no passado revolucionário, que era necessário aprender com o povo. Hoje, em tempos de neoliberalismo, é necessário apreender o fenômeno China. Do ponto de vista geopolítico, duas visões antagônicas e complementares têm epicentro na China. Por uma vertente, assume uma bipolaridade EUA-China, que amplia, em tese, o raio de manobra para a periferia do mundo; o ascenço econômico da China estaria reduzindo o peso relativo do império americano.

Por outra vertente, a parceria EUA-China concentra poder geopolítico. Do ponto de vista econômico, o G-7 não evolui para G-20, mas, sim, é um G-2, pois praticamente todas as grandes organizações empresariais americanas fincaram pé na China. A maioria das exportações manufaturadas chinesas é realizada por filiais americanas no território chinês. O imenso superávit comercial da China absorve, sem parar, títulos do Tesouro americano. As reservas chinesas contêm a maior parcela da dívida pública americana. A filial americana na China dispõe de mão de obra treinada, educada, disciplinada. O Estado chinês fornece a base das condições sociais (educação, saúde e segurança); regula a família chinesa (inclusive a autorização para ter filhos). O Estado chinês planeja e executa todos os investimentos de infraestrutura e aperfeiçoamento de cobertura social; está implantando um gigantesco programa de Ciência e Tecnologia. Essa moldura estatal, planejada, se abriu a uma "economia de mercado" (?!) que lhe permite exercer uma política econômica interna de assimilação do conhecimento mercantil das grandes empresas não-chinesas e uma política econômica externa sem as restrições do neoliberalismo.

O Estado chinês regula câmbio, controla com mão de ferro a atividade financeira a partir de seus bancos estatais e proibições contratuais e lança mão de qualquer artifício para reproduzir vantagens "victorianas". Por exemplo, compra o bom minério de ferro brasileiro e o combina com carvão metalúrgico chinês, que é barato (subsídio disfarçado) para a siderurgia chinesa e contingenciado para a exportação. Pela "economia de mercado" (?!) compra minério de ferro brasileiro, que invade o Mercosul convertido em aço chinês, deslocando o aço brasileiro. Aliás, pela fronteira institucional do Mercosul, o Brasil está importando ônibus chineses, apenas montados no Uruguai. A empresa chinesa, seus empresários e os chineses em geral obedecem e acatam as orientações governamentais, enquanto que a empresa brasileira responde a seus puros e privados apetites. Assim sendo, a Embraer instalou uma fábrica na China, para fornecer aviões regionais; os chineses já "clonaram" os aviões da Embraer e nós, brasileiros, criamos mais um competidor internacional. Em tempo, a China zerou encomendas internas à Embraer na China. A Vale do Rio Doce, para cultivar o apetite chinês pro seu minério de ferro e, ao mesmo tempo, comprar vagões ferroviários baratos, está importando da China milhares de composições. O Brasil faz com a China negócios com a China perdedores a longo prazo para o Brasil. Não cabe crítica à China e sim deploração à cega ideologia neoliberal e a um governo serventuário não da nação, mas sim de interesses empresariais privados brasileiros e alienígenas.

Não invejo a China. Tem uma gigantesca população, em sua maioria vivendo fora das cidades; suas reservas naturais são insuficientes em petróleo e alimentos; com o crescente consumo de água para a industrialização e a vida urbana em crescimento vertiginoso, os lençóis freáticos da China do norte estão no limite de sua exploração. A China, tal como a Inglaterra dos tempos da rainha Vitória, optou por ser potência industrial, tecnológica, diplomática e militar e dominar as fontes de commodities (em bom português: energia e produtos primários). Para tal, está conquistando e submetendo economicamente a África, lançando oleodutos e gasodutos para o coração petrolífero do mundo, penetrando de maneira assustadora no Cone Sul.

Acho que o Brasil deve estudar, como meu amigo Castro estava fazendo (aliás, os chineses estudaram a industrialização brasileira, principalmente o Plano de Metas) Creio que não devemos cair no conto da Bric; o Brasil é, estruturalmente, diferente da China, da Índia e da Rússia e eu agregaria: felizmente. Temos água, enorme potencial energético (hidrelétrico e pré-sal), sol, chuva e terra para produzir todos os alimentos. No presente, nossa principal carência é de um plano de desenvolvimento que, pela industrialização e prioridade de enfrentamento da questão social, torne efetivas as potencialidades nacionais.

Num mundo em crise, o Brasil-nação tem que ser afirmado, reafirmado e explicitado. É uma estupidez dizer que o Brasil é "celeiro do mundo", tendo fome interna. É outra estupidez não desenvolver os recursos hidrelétricos da Bacia Amazônica. É outra estupidez permitir que o real se valorize em relação ao dólar (os chineses mantêm o yuan alinhado com o dólar). É uma retórica fácil e imprudente afirmar que a crise de 2008 atingiria o Brasil como uma "marola"; é uma retórica fácil e imprudente afirmar que o Brasil está bem preparado para enfrentar as ressurgências inexoráveis de uma crise que se prolongará pelos próximos anos. Entendo que o governante não deve alarmar os atores sociais, mas não perdoo a imprudência de não constituir salvaguardas em uma espécie de confiança num inexistente "jeitinho brasileiro". Recordo que, quando da crise do petróleo dos anos 70, houve governante que afirmou ser "bendita"; o Brasil do ano 2000 seria uma grande potência. O discurso do Brasil na Bric, com o mundo se deslocando para a Bric é o equivalente à bendição dos anos 70. Eu - e certamente o professor Castro - jamais desejamos que o Brasil venha a ser um satélite da China potência ou da dualidade geopolítica EUA-China.

Castro, creia que um segmento importante dos economistas brasileiros percebem que isso é uma maldição. Esteja certo que você ajudou a criar imunidades intelectuais e morais.

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES.

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SARDENBERG ANALISA DESEMPENHO DA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS COM A CRISE MUNDIAL TEMPO: 00:03:51
Em comentário ao Jornal da Globo, Carlos Alberto Sardenberg analisa a situação dos bancos na bolsa de valores de Nova Iorque. Segundo ele, as ações das instituições financeiras já caíram 25% ao longo deste ano.

Sardenberg também fala sobre as declarações o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com relação ao crescimento do Brasil. Governo esperava que o PIB saltasse 4,5% a 5% em 2011, mas essa previsão caiu para 4%.

* CARLOS ALBERTO SARDENBERG, comentarista

*GUIDO MANTEGA, ministro da Fazenda

TV: TV GLOBO DF PROGRAMA: JORNAL GLOBO APRESENTADOR: WILLIAM WAACK

SARDENBERG: BRASIL CONTINUARÁ SENDO UM PAÍS ATRAENTE NÃO SÓ PARA APLICAÇÕES FINANCEIRAS TEMPO: 00:05:30
Em comentário ao Jornal das Dez, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg falou sobre o cenário econômico nacional e internacional e a balança comercial brasileira. De acordo com o jornalista, o Brasil continuará sendo um país atraente não só para aplicações financeiras. O fato é que os investimentos externos estão chegando a níveis superiores aos melhores dos últimos anos.

*CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista

TV: GLOBO NEWS PROGRAMA: JORNAL DAS DEZ APRESENTADOR: ANDRÉ TRIGUEIRO

Essa é a hora


Por Antonio Delfim Netto - FSP 24/08

Há uma nuvem escura sobre a economia mundial, anunciadora de possíveis dificuldades. Talvez a manifestação mais típica dessa ameaça seja a procura dos papéis do Tesouro das duas maiores economias de mercado.
Os EUA, com uma inflação anual da ordem de 3,6% ao ano e a Alemanha, com 2,4%, têm taxas de juros reais virtualmente nulas para papéis com menos de um ano.
Diante das incertezas que envolvem a economia mundial, há uma procura de abrigo nos papéis do Tesouro das duas economias. A despeito do ridículo exibicionismo da S&P, a demanda de papéis americanos tem aumentado com taxa de juro real cadente... Sinal ainda mais evidente da desesperada busca de segurança é o preço do ouro: US$ 1.873,9 por onça, em 19/8.
Se você não está confuso, é porque está desinformado!
São, no fundo, sinais de pânico no mundo em que prevalecem: 1º) a disfuncionalidade política dos EUA; 2º) as complicações da administração da Comunidade Europeia; 3º) o esgotamento das medidas tocadas por tecnocratas (as políticas fiscal e monetária) e 4º) mais importante, a evidente falta de estadistas.
O grave é que o problema se autoalimenta. A fuga para a segurança produz mais insegurança: destrói valor nas Bolsas (particularmente dos bancos "sob suspeita") e pode levar a outra interrupção do crédito interbancário, condição suficiente para ampliar a crise da economia real. O Brasil, como parte do mundo, também sentirá os efeitos da tempestade.
Nossa situação é melhor do que a da maioria dos países, mas ainda temos a maior taxa de juros real e a moeda mais sobrevalorizada do mundo!
Talvez tenhamos a chance de iniciar a solução desses problemas, ao reduzir substancialmente a taxa de juro real.
O movimento preliminar preparatório deve aproveitar a credibilidade do governo e estabelecer uma política fiscal de longo prazo, cuidadosa e crível: de crescimento de custeio abaixo do crescimento do PIB;
regras claras para a redução da taxa do financiamento da dívida com LFT; colocação de papéis do Tesouro em reais no exterior; políticas de estímulo à poupança; aumento do superavit primário; atenção ao problema da aposentadoria do servidor público; desindexação ampla, geral e irrestrita;
ajustamento da caderneta de poupança e medidas microeconômicas que reduzam o estresse do ajustamento do mercado de trabalho. A curva de juros atual parece indicar que é hora de um programa fiscal bem conformado e amplo, acompanhado de políticas microeconômicas que retirem do Banco Central o peso das incertezas fiscais (vistas pelo mercado) e lhe deem musculatura e tranquilidade para, num prazo adequado, reduzir a taxa de juros real a qualquer coisa entre 2% e 3%.

A nova política cambial da China


Por Martin Feldstein
O governo da China pode estar prestes a permitir, nos próximos meses, uma valorização mais rápida do yuan em relação ao dólar do que durante o ano passado. O câmbio permaneceu efetivamente congelado durante a crise financeira, mas o governo chinês permitiu que a moeda valorizasse desde o verão de 2010. Nos últimos 12 meses, o yuan valorizou-se 6% em relação ao dólar, sua moeda de referência.

Um incremento mais rápido da relação cambial yuan/dólar provocaria uma diminuição das exportações chinesas e incrementaria suas importações. Isso também permitiria que outros países asiáticos deixassem suas moedas se valorizar ou expandir suas exportações à custa dos produtores chineses. Isso poderia deixar satisfeitos os vizinhos da China, mas não seria atraente para os produtores chineses. Por que, então, poderiam as autoridades chinesas deliberadamente permitir que o yuan se valorizasse mais rapidamente? Existem duas razões fundamentais: reduzir o seu risco de portfólio e conter sua inflação doméstica.

Consideremos, inicialmente, a preocupação das autoridades com os riscos implícitos em seu portfólio de títulos estrangeiros. A atual carteira chinesa de US$ 3 trilhões em títulos denominados em dólar e em outros títulos estrangeiros a expõe a dois riscos distintos: inflação nos EUA e na Europa e uma rápida desvalorização do dólar em relação ao euro e outras moedas.

Inflação nos EUA ou na Europa reduziria o poder de compra dos títulos denominados em dólar ou das obrigações europeias. Os chineses continuariam possuindo o mesmo montante de dólares ou euros, mas esses dólares e euros comprariam menos bens no mercado mundial.

A única maneira de a China reduzir esses riscos é diminuir o montante de títulos em moeda estrangeira em seu portfólio. Mas a China não pode fazer isso enquanto está registrando um grande superávit em conta corrente. Durante os últimos 12 meses, o país manteve um superávit em conta corrente próximo de US$ 300 bilhões que precisa ser somado à carteira chinesa de títulos denominados em dólares, euros e outras moedas.

A segunda razão pela qual os líderes políticos da China poderiam preferir um yuan mais forte seria para reduzir a taxa de inflação doméstica na própria China. Um yuan mais forte reduziria, para os consumidores e para as empresas chinesas, os custos de produtos importados expressos em yuans. Um barril de petróleo poderia continuar custando US$ 90, mas um aumento de 10% no câmbio yuan/dólar reduziria em 10% seu preço em yuans.

Reduzir o custo das importações é significativo, porque a China importa muitos bens de consumo, equipamentos e matérias-primas. Com efeito, o total de importações anuais pela China totaliza aproximadamente US$ 1,4 trilhão, ou cerca de 40% do PIB.

Uma meta principal do recém apresentado 12º Plano Quinquenal é aumentar a renda familiar e os gastos dos consumidores a um ritmo mais rápido do que o do crescimento do PIB.

A combinação de crescimento mais rápido dos gastos domésticos e o nível atual das exportações poderia criar gargalos e tensões na capacidade de produção, provocando um rápido aumento dos preços dos bens produzidos internamente. Com o objetivo de abrir espaço para um crescimento dos gastos dos consumidores é necessário permitir uma valorização da moeda para reduzir o nível das exportações.

No que diz respeito ao que ocorreu no ano passado, o aumento de 6% na taxa do câmbio yuan/dólar poderia subestimar o aumento do custo relativo dos produtos chineses para os compradores americanos devido a diferenças nas taxas de inflação domésticas. Os preços para o consumidor chinês cresceram cerca de 6,5% no decorrer do ano passado, ao passo que os preços ao consumidor americano subiram apenas cerca de 3,5%. A diferença de três pontos percentuais implica que a taxa de câmbio yuan-dólar "real" ajustada pela inflação cresceu 9% em relação ao ano passado (ou seja, 6% de apreciação nominal acrescidos da diferença de 3% entre as inflações).

Embora essa seja a forma como governos calculam variações em taxas de câmbio reais, esse cálculo, sem dúvida, exagera a variação relativa nos preços dos bens que os americanos compram da China, porque grande parte da inflação chinesa foi causada pela alta nos preços das casas, verduras locais e outros itens não comercializáveis. É possível que os preços, em yuans, dos produtos manufaturados na China e exportados para os EUA não tenham sofrido nenhum aumento.

Embora o yuan tenha se valorizado em relação ao dólar, o dólar se desvalorizou em relação a outras importantes moedas. O declínio de 10% do dólar em relação ao euro nos últimos 12 meses implica que o yuan está efetivamente cerca de 4% mais desvalorizado em relação ao euro. O franco suíço valorizou-se mais de 40% em relação ao dólar - e, portanto, mais de 30% em relação ao yuan. Levar em conta todo o leque de países com os quais a China mantém relações comerciais implica que o valor geral do yuan provavelmente declinou nos últimos 12 meses.

O dólar provavelmente continuará caindo em relação ao euro e a outras moedas, ao longo dos próximos anos. Em consequência, os chineses poderão permitir que o yuan valorize substancialmente em relação ao dólar, caso queiram incrementar seu valor geral para diminuir o risco de portfólio da China e controlar pressões inflacionárias.

Martin Feldstein, professor de Economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Ronald Reagan. Copyright: Project Syndicate, 2011.

www.project-syndicate.org

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Petrobras reduz projeção de produção para 2020


Mas ainda sonha alto


SANTOS – A Bacia de Santos deverá atingir produção de 1 milhão de barris de óleo por dia até 2017, estimou nesta segunda-feira José Luiz Marcusso, gerente geral da unidade da Petrobras de Negócios de Exploração e Produção da bacia. A projeção foi feita durante o seminário “Desafios e Oportunidades na Baixada Santista”, promovido pelo Valor Econômico em Santos, com o objetivo de discutir oportunidades e desafios impostos à região com a exploração do pré-sal.

A Petrobras estima que a produção da Bacia de Santos deverá ultrapassar a de Campos em 2016. Em 2011, deverá atingir 150 mil barris diários. Hoje o Brasil produz aproximadamente 2,3 milhões de barris de óleo por dia, sendo quase metade desse volume fornecido por Campos, a principal bacia do país.

Marcusso destacou “mudança significativa” no direcionamento dos investimentos da estatal. O pré-sal receberá cerca de 45% dos US$ 118 bilhões a serem investidos nos próximos cinco anos na área de exploração e produção. No plano de investimentos anterior, a parcela destinada ao pré-sal foi de 30% dos investimentos na área.

Segundo Marcusso, em 2020 a produção total brasileira atingirá 4,9 milhões de barris de óleo por dia, sendo que o regime de concessões, de cessão onerosa e do pré-sal representará 69% da produção adicional.

Sobre a sede da Petrobras em Santos, o gerente prevê que a primeira torre com capacidade para 2,2 mil funcionários esteja pronta até o fim de 2013. Além dela, haverá mais dois prédios, com a mesma capacidade. Hoje a estatal ocupa seis endereços na cidade, ocupados por mil funcionários.

(Arícia Martins Valor)

Em alta em plena safra, etanol pode subir ainda mais


Valor 23/08
Diante dos sinais de que a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país poderá cair abaixo de 500 milhões de toneladas, o mercado começou a corrigir para cima suas projeções para os preços domésticos do etanol, que nas usinas de São Paulo já estão 44% mais altos do que em igual período de 2010.

Somente na semana passada, tanto as cotações do etanol anidro (misturado à gasolina) quanto as do hidratado (usado diretamente nos tanques) subiram 4,9% nas usinas paulistas, conforme os respectivos indicadores do Cepea/Esalq.

Segundo Alísio Mendes Vaz, presidente executivo do Sindicato Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom), a situação obriga a uma nova avaliação sobre uma eventual mudança no percentual de mistura do anidro na gasolina, atualmente em 25%. Ele afirma que o grupo de monitoramento dos estoques de etanol integrado por representantes dos segmento de distribuição e produção de etanol, além do governo, vai discutir o assunto agora em setembro.

Na média do Estado de São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o litro do etanol nos postos ainda está vantajoso em relação à gasolina. Equivale, em média, a 67,5% do preço do combustível fóssil, quando o "limite" é 70% A viabilidade se estende aos Estados de Goiás e Mato Grosso, com uma relação de 64,4% e 61,9%, respectivamente, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) referente à semana encerrada na última sexta-feira.

No entanto, diz Vaz, é provável que nos próximos dias distribuidoras e postos de combustíveis comecem a repassar essa alta recente dos preços do etanol ocorrida nas usinas nas últimas semanas. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado posto em Paulínia (SP) registrou alta de 0,75%, com o metro cúbico a R$ 1.284,50. Em agosto, o indicador acumula valorização de 8,67%.

Esse repasse é necessário para frear o consumo, que reagiu para cima em agosto. Ainda sem estatísticas oficiais, o Sindicom estima que as vendas semanais de etanol neste mês superaram em 10% a comercialização semanal registrada em julho. "Houve um aquecimento da demanda que deve ser estancada com o repasse de preços da usina para o consumidor", diz Vaz.

Assim, a tendência é que o etanol perca vantagem em relação à gasolina também no Estado de São Paulo. O presidente da maior comercializadora de etanol do país, a SCA Trading, Martinho Seiiti Ono, acredita que haja espaço para aumento nos preços nas bombas de até R$ 0,10 por litro. Se isso ocorrer, diz Seiiti Ono, há grandes chances de haver queda abrupta do consumo, sobretudo no Estado de São Paulo. A situação pode redundar até em nova queda dos preços do etanol na usina. As recentes altas, segundo ele, foram "precipitadas", uma vez que neste momento as usinas do Centro-Sul encontram-se na entressafra da cana.

Miriam Bacchi, a pesquisadora do Cepea e professora da Esalq, nota que, apesar de o preço do etanol hidratado no Estado de São Paulo estar próximo do limite competitivo de 70% do preço da gasolina, há várias razões que fazem com que o consumidor não adote de forma linear essa referência e não deixe o etanol de lado. "Alguns não fazem conta. Outros, têm veículos cujo rendimento do etanol é superior a 70% do rendimento da gasolina e chega a 75% ou 78%. Há aqueles, ainda, que estão conscientizados dos benefícios do etanol ao meio ambiente", resume a pesquisadora.

Para Tarcilo Rodrigues, diretor da comercializadora Bioagência, há poucas chances de os preços do etanol voltarem a recuar. "O movimento daqui em diante é de estabilização ou alta. É muito improvável que haja queda", diz.

Por enquanto, Rodrigues não identificou alteração na demanda por importação de etanol dos Estados Unidos. Desde abril até agora, segundo levantamento da Bioagência, 190 milhões de litros do biocombustível foram importados e entraram no país. Até março do ano que vem já estão contratados mais 600 milhões de litros do mercado externo.

O investimento estrangeiro no agronegócio brasileiro


Valor 23/08

A discussão causada pelo novo parecer da Advocacia Geral da União (AGU) a respeito da aquisição de terras rurais por estrangeiros despertou controvérsias e voltou a pautar um tema jurídico-econômico que já recebeu tratamento legal ainda no início da década de 1970, com a edição da Lei 5.709, que regula os procedimentos de compra e venda de terras. Os tempos eram outros e a preocupação política então era o controle, ou seja: a aquisição de terras rurais acima de determinada metragem apenas seria possível após autorização governamental, resultando em procedimento complexo pouco ou nada usado nos anos seguintes. O controle também chegava à origem do capital, já que empresas brasileiras com a maioria do seu capital social detido por estrangeiros também deveriam obter previamente a autorização.

Já na década de 1990, o cenário começa a ser alterado por razões econômicas, pois o Brasil iniciava a sua abertura ao mundo e necessitava de investimentos. Buscou-se a facilitação para o ingresso de capitais e o substrato jurídico foi alterado, especialmente com o advento da Emenda Constitucional nº 6 e do Parecer nº CG-181 da AGU de 1997, que levaram à equiparação entre empresa brasileira e a empresa brasileira detida por capital estrangeiro. Prevaleceu, desta forma, o princípio da isonomia por 14 anos, período em que inúmeras aquisições de terras rurais com capitais externos ocorreram.

Essa situação perdurou até agosto de 2010, quando novo parecer da AGU revogou o anterior sobre a matéria, que vigorou por mais de uma década, e mudou o marco regulatório sobre a realização de investimentos no agronegócio brasileiro. Até então, não havia restrições à aquisição ou arrendamento de terras rurais, desde que a empresa adquirente fosse constituída no Brasil, independentemente da origem de seu capital.

Durante os anos de vigência do Parecer da AGU então revogado, inúmeros negócios foram, de fato, formalizados. Consequentemente, esses negócios foram revestidos de juridicidade, consistindo em atos jurídicos perfeitos e, como tais, protegidos pela Constituição. Essa situação até então estável foi ameaçada por mudanças nas regras, ou mais propriamente, na verdade jurídica que até então prevalecia, da igualdade entre empresas brasileiras, independentemente da origem do capital

Tanto foi assim que os órgãos de controle, com destaque especial para o Incra, não receberam estrutura e pessoal técnico, com preparo suficiente para responder e dar vazão de forma célere e ágil a essa demanda.

A preocupação do Governo com essa situação foi acentuada a partir de 2008, quando começou a busca por fórmulas para reverter esse quadro. Com a publicação do novo parecer da AGU e sua aprovação pela Presidência da República, o documento adquiriu força similar à da lei, vinculando a administração pública, e reinterpretou a visão de 1997 em sentido diametralmente oposto: agora também a empresa brasileira detida por capital estrangeiro deve requerer autorização, revogando o princípio da isonomia. Ressalta-se que ambas as posições da AGU foram baseadas no mesmo diploma: a Constituição Federal.

Dessa maneira, uma empresa que for brasileira com maioria de capital estrangeiro não poderá comprar terras rurais sem autorização prévia do governo federal, Congresso Nacional e (ou) Incra. Além disso, há ainda limites máximos dentro de cada município que podem ser objeto de aquisição por estrangeiros, ou sociedades brasileiras com maioria do capital ou controle detido por estrangeiros.

A restrição ora imposta abrange também a possibilidade de empresas brasileiras (com capital estrangeiro) arrendar terras rurais, restringindo negócios como a produção de grãos e alimentos, ou mesmo a produção de insumos para a cadeia de produção energética e biocombustíveis, como a cana-de-açúcar, que apresenta demanda crescente.

O anúncio desse novo parecer teve como resultado prático a suspensão dos investimentos por empresas com essas características e à espera de nova regulamentação. O impacto foi imediato e estima-se que alguns bilhões em investimentos no setor agroindustrial estejam suspensos, em vista do cenário de incertezas jurídicas criado.

Um dos temores presentes em relação a essa indefinição é a preocupação com o destino do investimento que seria aplicado no Brasil. Acredita-se que esses aportes não ficarão simplesmente aguardando uma definição governamental clara sobre a segurança jurídica para sua aplicação. Dessa maneira, investidores estrangeiros poderão empregar seus recursos em outros países. Em um momento em que o Brasil vive a interiorização do desenvolvimento e riqueza, certamente tal investimento em muito contribuiria para a aceleração do avanço econômico e social do país.

A mudança na interpretação feita a partir dos mesmos diplomas denota e reforça a sensação de insegurança jurídica em nosso sistema, o que é prejudicial não só aos investidores (locais ou de outras origens), mas a todos os brasileiros. Não é positivo que o mesmo grupo de regras possa ser ora interpretado de uma forma e ora de outro, pelo mesmo órgão, a Advocacia Geral da União. Decisões sobre matérias de tamanha relevância não deveriam ficar concentradas nas mãos de poucos, mas sim levadas a debate com a sociedade, garantindo a sua participação.

Enquanto esse debate não é promovido, o governo federal deveria se manifestar, de forma clara e inequívoca, sobre o procedimento a ser adotado por sociedades brasileiras que se encontram em situação kafkaniana, esclarecendo e detalhando qual é o procedimento a ser adotado a partir da lei para aprovação de um projeto de desenvolvimento de agronegócio. Esse esclarecimento poderia inclusive conter diretrizes definidas sobre como se dará o processo de aprovação ou não - de forma clara, para que todos saibam quais são as efetivas regras do jogo. A tendência natural é que empresas invistam em ambientes que considerem mais favoráveis e seguros.

É necessário estabelecer urgentemente novo marco para a matéria, traduzindo e refletindo os anseios da sociedade brasileira, de modo a equilibrar de maneira mais racional dois valores importantíssimos: a segurança nacional e o desenvolvimento econômico do país. Não se pode continuar com a atual situação de incerteza jurídica; a questão deve ser de uma vez por todas tratada e definida pelo Congresso Nacional.

Ivandro Ristum Trevelim, doutor em Direito Civil e Imobiliário pela USP, é advogado do Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados.

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MANTEGA RECEBE PRÊMIO EM SÃO PAULO
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu o prêmio de economista do ano concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). O principal assunto da noite foi a crise global.
Mantega abriu seu discurso falando sobre o cenário negativo que o mundo vive, e apontou um pequeno crescimento dos países desenvolvidos.
SONORA:
* GUIDO MANTEGA, Ministro da Fazenda.

TV: TV BAND PROGRAMA: JORNAL DA NOITE APRESENTADOR: BORIS CASOY

NÃO SE PODE DEIXAR QUE O BRASIL ENTRE EM DÉFICIT, AFIRMA DIRETOR-EXECUTIVO DO FMI
Em entrevista ao Conta Corrente, o professor e diretor-executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista, falou sobre a balança comercial brasileira e o cenário econômico nacional. De acordo com o professor, o câmbio subrevalorizado causado por causa da alta dos preços dos produtos primários que o Brasil exporta fazendo com que o setor industrial sofra.
SONORA
*PAULO NOGUEIRA JR - diretor-executivo do FMI
*GEORGE VIDOR, jornalista
TV: GLOBO NEWS PROGRAMA: CONTA CORRENTE APRESENTADOR: GUTO ABRANCHES
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GASTOS DE BRASILEIROS NO EXTERIOR SOMAM MAIS DE US$ 2 BILHÕES EM JULHO
Com o dólar baixo, os brasileiros estão fazendo a festa dos lojistas pelo mundo. Em julho, os gastos dos brasileiros no exterior somaram quase 2,2 bilhões de dólares, um crescimento de 43% em relação ao mês anterior. O gasto dos estrangeiros no Brasil também cresceu, mas em volume menos: 12%. Com essa diferença, o Banco Central acredita que o saldo negativo deste ano será de aproximadamente 15 bilhões de dólares.
Em entrevista à Globo News, o professor e consultor de finanças Ruy Quintans afirma que, entre outras coisas, esse resultado é fruto do preço baixo nos Estados Unidos e o crescimento da renda dos brasileiros.
SONORA:
*RUY QUINTANS, professor e consultor de finanças
TV: GLOBO NEWS | PROGRAMA: EDIÇÃO DAS DOZE | APRESENTADOR: LUCIANO CABRAL
MINISTRO DA FAZENDA FALA SOBRE CRISE ECONÔMICA INTERNACIONAL EM DEBATE NO SENADO TEMPO: 00:04:2
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa de audiência no Senado para debater a crise econômica internacional. Ele afirmou que o governo fará um esforço para que as despesas de custeio sejam controladas, cresçam menos do que o PIB e que novas despesas não sejam criadas.
Mantega disse, ainda, que a consolidação fiscal tem como objetivo abrir espaço para mais investimento e reduzir os juros.
SONORA:
*GUIDO MANTEGA, ministro da Fazenda
TV: BAND NEWS | PROGRAMA: A NOTÍCIA | APRESENTADOR: CHRISTIANO BLOTA
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