terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sinais de retração


Financial Times - Londres

Os preços das commodities subiram ontem, à medida que os negociantes ensaiaram uma tentativa de retornar ao mercado, após uma semana tumultuada dominada por preocupações econômicas em todo o mundo e temores em relação a endividamento soberano.

O índice Reuters/Jefferies CRB, indicador referencial para preços de matérias-primas, subiu 0,9%, para 329,5 pontos. O índice subiu 4,5% desde que caiu a seu nível mais baixo em oito meses, na terça-feira passada.

Analistas disseram que investidores de longo prazo estavam na expectativa de poder entrar no mercado a preços mais baixos.

"Os investidores no mercado de commodities estão olhando para o petróleo e metais industriais, principalmente cobre, com muito interesse", disse Kevin Norrish, analista sênior de commodities do Barclays Capital.

Os contratos de petróleo tipo Brent para setembro na ICE, uma referência mundial de preços do petróleo, subiu 93 centavos, para US$ 108,96, ao passo que o petróleo tipo West Texas Intermediate na Nymex para setembro subiu US$ 1,40, para US$ 86,78.

O ânimo no mercado de petróleo permaneceu sem rumo definido. James Zhang, analista da Standard Bank, alertou que a calma nos mercados é ilusória.

"Embora o mercado pareça ter acalmado um pouco desde sexta-feira, não acho que podemos descartar inteiramente as preocupações com um duplo mergulho (recessivo)", disse ele.

No entanto, os negociantes estão cautelosos quanto a apostar numa queda dos preços do petróleo em meio a expectativas de uma intensa temporada de furacões.

O Commodity Weather Group, uma firma de consultoria, disse ontem acreditar que um grande furacão atingirá a área (americana) do Golfo (do México) produtora de petróleo e gás nesta temporada, que vai até outubro.

Apesar do incipiente retorno a ativos de risco, o ouro subiu 0,3%, para US$ 1.751,30, embora tenha permanecido bem abaixo do pico acima de US$ 1,8 mil atingido na quinta-feira.

Os metais básicos mostraram-se indefinidos, tendo o cobre para entrega em três meses na London Metal Exchange (LME) avançado um pouco rumo a uma marca de US$ 9 mil por tonelada. O metal subiu 0,4%, cotado a US$ 8.915 a tonelada, mas o alumínio caiu 1,1% no dia, para US$ 2.379,50 por tonelada. O níquel acentuou a queda ontem, com perda de 2,02%, terminando o pregão da LME cotado a US$ 21.360. Já a tonelada do estanho subiu 0,61% ontem, cotado a US$ 24.650.

Aplicações em fundos de ouro negociados em bolsa viveram um alívio na segunda metade da semana passada. O SPDR Gold Trust, maior dos Exchange Traded Funds (ETF), que negociam com ouro físico em bolsas, registrou uma saída líquida de 24 toneladas na quinta-feira, maior fluxo diário desde janeiro.

Isso revela-se coerente com dados da Comissão de Negócios com Contratos Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) dos EUA, que mostram os investidores reduzindo suas apostas otimistas no mercado de futuros de ouro nos EUA na semana que finda na terça-feira passada.

Companhias aéreas dos EUA devem reduzir voos
Bloomberg
16/08/2011

As companhias aéreas americanas poderão ter de reduzir seus voos, num momento em que a desaceleração da economia anula sua capacidade de aumentar as tarifas, ao mesmo tempo em que enfrentam alta dos custos com o querosene de aviação.

Esse aperto "pede contração", diz Hunter Keay, analista da Wolfe Trahan. O índice referencial das despesas com refino de combustível subiu para níveis recorde na semana passada, reforçando as pressões para que as companhias aéreas sigam o exemplo da Delta Air Lines e da Southwest Airlines na redução da atual capacidade ou do crescimento futuro.

O grau de confiança do consumidor despencou este mês para seu patamar mais baixo desde 1980, intensificando o temor de que os americanos reduzam seus gastos. Esse indicador se seguiu, no último dia 12, às oscilações recorde das ações americanas, quando o Índice Standard & Poor's 500 flutuou entre altas ou baixas de pelo menos 4,4% por quatro dias consecutivos.

"Acho que as companhias aéreas não deveriam encarar esse nervosismo como tendência de curto prazo", disse Keay em entrevista. "Se os executivos partirem para supor que os altos preços dos combustíveis vieram para ficar, eles deverão ter como premissa que o medo e a destruição do patrimônio do consumidor permanecerão indefinidamente também."

As empresas elevaram as tarifas na maior parte de seus voos domésticos por pelo menos oito vezes em 2011, e suas projeções apontaram para uma recuperação da economia que permitiria a adoção de novos aumentos. Essas expectativas estão se desfazendo depois dos três fracassos registrados nas últimas quatro tentativas do setor de aumentar seus preços.

"Está muito claro que a economia não está se recuperando" disse Gary Kelly, principal executivo da Southwest. "As viagens de negócios, por exemplo, não vão aumentar enquanto a economia não crescer realmente a uma taxa saudável."

Os executivos em viagem de negócios são os passageiros mais lucrativos do setor, pois normalmente compram as passagens mais caras, de última hora. O período de pico das viagens de lazer termina com o Feriado do Dia do Trabalho, comemorado nos EUA em 5 de setembro.

"Em algum momento, com as empresas vislumbrando uma economia fraca e um gasto do consumidor fraco, elas poderão se retrair" nos voos, disse Philip Baggaley, analista de papéis da S&P. "Será mais difícil para as aéreas continuarem a elevar os preços."

Isso desloca o foco das companhias aéreas para o corte de despesas. Elas poderão economizar dinheiro com medidas como a redução das frequências de voos, o cancelamento de algumas rotas e a substituição de aeronaves de maior porte por aviões menores. Todas essas medidas reduzem a capacidade disponível de assentos, pelo critério do número de assentos deslocados por milha.

A expansão da economia dos EUA poderá ser mais lenta no segundo semestre de 2011 do que o previsto pelos analistas, depois que a expansão do Produto Interno Bruto até junho ficou aquém das expectativas, o que sugere que "não conseguiremos escapar de um desaquecimento das viagens de negócios no terceiro trimestre", disse Michael Linenberg, do Deutsche Bank, por meio de relatório.

As expectativas dos investidores em relação às companhias aéreas caíram mesmo antes do colapso que ceifou US$ 6,8 trilhões em valor de mercado das bolsas mundiais de 26 de julho a 11 de agosto. O Índice Bloomberg de Companhias aéreas americanas ingressou num mercado vendedor no mês passado, ao despencar 20% em relação à sua alta recorde de 2011. Sua queda de 35% computada este ano, até o último domingo, ultrapassou o recuo de 6,3% registrado pelo Índice S&P 500.

O índice das empresas aéreas tinha aumentado 3,3% às 11h20 de ontem, horário de Nova York, em meio à alta da maioria dos papéis americanos. Embora o petróleo bruto tenha fechado a US$ 85,38 o barril a 12 de agosto na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), com uma queda de 25% em relação à sua alta recorde de 2011, nem todas as companhias aéreas se aproveitaram do recuo. O querosene de aviação alcançava o preço médio de US$ 3,08 o galão (de 3,785 litros) este ano até o fim da semana passada, cotação 45% superior à do mesmo período do ano passado.

O ônus para as companhias aéreas é maior quando medido pelo fator conhecido como spread de craqueamento entre o petróleo bruto e o óleo para calefação. Muitas empresas aéreas usam os contratos futuros de óleo para calefação para proteger com operações de hedge suas compras de querosene de aviação, produto que não é negociado na Bolsa Mercantil de Nova York. O spread alcançou US$ 37,45 o barril a 10 de agosto, seu maior nível de 25 anos da série histórica da Bloomberg, e mais do que duplicou este ano.

O principal executivo da Delta, Richard Anderson, disse aos funcionários da empresa na semana passada que eles não deveriam "se deixar enganar" pelo recuo do preço do petróleo bruto.

"A economia enfrenta muitos desafios, e não temos motivos para pensar que os preços baixos dos combustíveis vão persistir", disse ele. A Delta, sediada em Atlanta, vai reduzir sua capacidade nos próximos meses deste ano em 5%, em relação aos pretendidos 4%. Os rompimentos antecipados de contrato coletivo e os programas de demissão voluntária deste ano contribuíram para que a segunda maior companhia aérea do mundo fechasse mais de 2 mil vagas, disse seu porta-voz Eric Torbenson no mês passado.

A Southwest, maior companhia aérea de tarifas econômicas, reduziu o crescimento de sua capacidade para 2011 para uma faixa de 4 a 5%, em relação aos 6% avaliados anteriormente. O número de assentos da Southwest, sediada em Dallas, permanecerá inalterado em 2012, e "possivelmente sofrerá uma ligeira queda", disse Kelly.

A United Continental Holdings, a maior companhia aérea, disse que sua disponibilidade de poltronas de 2011 permanecerá inalterada. A American Airlines, a terceira maior do país, cortou seus planos de crescimento para 2011 por três vezes, para uma meta de 1,9%. É provável a adoção de mais ajustes no início de 2012, segundo a American, uma divisão da AMR.

"Apostar em viagens eletivas não é uma boa aposta neste momento", disse Robert Mann, ex-executivo da American e atual diretor da consultoria R.W. Mann de Port Washington, Estado de Nova York. "Tudo vai depender do grau pelo qual as viagens de negócios vão continuar e de quais serão os lucros corporativos no terceiro e quarto trimestres."

As companhias aéreas estão em condições de reagir depois de reduzir seus voos em meio ao duplo ônus dos preços recordes dos combustíveis de 2008 e do colapso das viagens de negócios da recessão, disse John Heimlich, economista-chefe da Associação de Transporte Aéreo, a entidade patronal do setor em Washington.

Mundo rico deve ter estagnação longa, dizem desenvolvimentistas
Sergio Lamucci De São Paulo
16/08/2011

Os países desenvolvidos devem enfrentar um longo período de estagnação econômica, num cenário em que Estados Unidos e Europa deixam os estímulos fiscais em segundo plano, os salários não acompanham a evolução da produtividade e a política monetária pouco afeta a atividade.

Reunidos ontem num seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV), economistas desenvolvimentistas traçaram esse diagnóstico para a economia global, considerando mais provável um quadro de vários anos de baixo crescimento do que uma ruptura como a que sucedeu a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A era de preços de commodities nas alturas tende a ficar para trás, afetando o Brasil, grande exportador de produtos primários.

O economista Thomas Palley, do instituto de políticas públicas New America Foundation, vê o cenário de uma longa estagnação nos países desenvolvidos como o cenário mais provável. "No curso dessa estagnação, contudo, haverá mais recessões", afirmou, avaliando que acabou o tempo de recuperações rápidas dos países mais industrializados. Um dos motivos é a separação entre o crescimento dos salários e da produtividade, um fator crucial para estimular a demanda, que deixou de ser uma realidade no mundo desenvolvido a partir dos anos 80, quando, segundo ele, o receituário keynesiano foi abandonado.

O economista-chefe da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), Heiner Flassbeck, também considera o divórcio entre os salários médios e a produtividade como um fator crucial para explicar a dificuldade do mundo desenvolvido em retomar o crescimento. É o que se passa nos EUA e no Japão, disse ele, destacando que salários em alta são fundamentais para impulsionar a demanda. Como Palley, Flassbeck participou ontem do primeiro dia do seminário "O novo desenvolvimentismo e uma nova macroeconomia do desenvolvimento", organizado pela Escola de Economia de São Paulo da FGV e pelo Centro Celso Furtado.

O economista Ricardo Carneiro, da Unicamp, também aposta num cenário de baixo crescimento por um longo período. Segundo ele, a digestão de uma crise financeira como a de 2008 costuma levar muito tempo para ser digerida, dado a necessidade de se reduzir o endividamento. A recuperação de crises desse tipo, disse Carneiro, é difícil mesmo quando se tomam as decisões corretas, o que não está longe de ocorrer nos EUA e na Europa. Com famílias endividadas e empresas sem investir, o impulso teria que vir do setor público, afirmou ele, mostrando ceticismo quanto a uma retomada do crescimento via exportações, já que essa estratégia não pode favorecer todos os países ao mesmo tempo.

Carneiro tampouco vê grande espaço para a ação da política monetária, com os juros próximos de zero no mundo desenvolvido. Caberia aos governos estimular a economia, caminho que não deve ser trilhado nem pelos EUA e nem pela Europa, pelo contrário.

O professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, também vê como imprescindível o uso da política fiscal neste momento, lamentando que o impasse político nos EUA tenha travado essa alternativa. As duas rodadas de afrouxamento quantitativo (a política do banco central americano de comprar títulos públicos e privados) tiveram pouco efeito sobre a demanda, segundo ele. Nesse cenário, o que se pode esperar é crescimento baixo no países ricos.

Esse cenário de estagnação não combina com preços de commodities elevados, o que terá impacto sobre o Brasil. Para Palley, aliás, os brasileiros têm se mostrado otimistas demais. O país, observou ele, depende muito das altas cotações de produtos primários, que devem sofrer num momento em que os países desenvolvidos, ainda 70% da economia global, tendem a ficar estagnados. Além disso, não está claro se a China conseguirá crescer ao ritmo dos últimos anos, já que o país exporta muito para os EUA e para a Europa e há o risco de ocorrer algum problema no sistema bancário chinês.

As distorções são a normalidade


Por Antonio Delfim Netto - Valor 16/08
Os recentes eventos no mercado internacional tiveram um grande mérito: tornaram claro que classificar como "distorções" a intervenção na economia dos governos de quase todos os países é apenas manifestação idiossincrática de analistas portadores de um "modelo" que tem muito pouco a ver com a realidade.

Não se trata de um problema científico, mas de um problema estético! Definem como distorção qualquer diferença entre a beleza humana e a que veem na Vênus de Milo. Tiram consequências "normativas" de modelos abstratos.

Agora, até a Suíça pratica "distorções" e chega a pensar em ligar o franco ao euro! É óbvio que dos Estados Unidos nem é preciso falar. A Inglaterra as praticou já em 2008. A Bélgica, que é ela mesma uma "construção teórica" e padrão de liberdade econômica, junta-se às mãos "sujas" de contumazes produtores de "distorções", como a França, a Espanha e a Itália, para cometer o "crime" de suspender por 15 dias a venda a descoberto nas bolsas (papéis que o vendedor não tem ou tomou emprestado) para especular na baixa...

Os efeitos deletérios de tais movimentos podem ser dramáticos e têm evoluído no tempo, à medida que aumentou a velocidade das comunicações. Hoje, as consequências da propagação de um "rumor" percorrem todos os mercados do mundo em um milésimo de segundo e impedem o efetivo conhecimento do assunto, o que pode transformá-lo em realidade!

No mundo das "redes", a velocidade da comunicação e o uso de algoritmos, cuja resposta é quase instantânea, transformaram potencialmente o mercado financeiro numa arma de destruição em massa passível de ser manipulada, irresponsavelmente, pelos "proprietários" do mercado (os bancos de investimento, as financeiras, os "fundos" de toda espécie, as agências de risco, as bolsas mal reguladas etc.).

Não se trata de um problema moral, que possa ser corrigido por um "imperativo categórico" autoimposto pelos próprios agentes financeiros. Como esses não são anjos, e as vantagens monetárias (preliminar do poder econômico) são de tal ordem, o desvio sempre valerá a pena. O comportamento de tais agentes está inscrito no seu DNA, à espera de uma oportunidade para se manifestar. Quando encontra um espaço desregulado, a tendência natural do setor financeiro é submeter ao seu controle o setor real da economia, ao qual deveria servir, e apropriar-se do poder político. O recente cabo de guerra nos EUA entre o Executivo e o Legislativo para a regulação financeira mostrou quem detém, efetivamente, o poder no Congresso.

A existência de um setor financeiro sofisticado e hígido é condição necessária (mas não suficiente) para a construção de um processo de desenvolvimento eficiente, que permita a maior mobilização possível dos recursos naturais e humanos disponíveis. A crise de 2007/09 (e a que ainda está ocorrendo em 2011) mostra que o colapso do sistema financeiro leva à destruição instantânea do circuito econômico: uma dúvida de confiança produz uma descontinuidade do crédito interbancário e leva ao encolhimento do crédito para produtores e consumidores.

Todos os agentes (bancos, produtores e consumidores) procuram salvar-se, aumentando sua liquidez: os bancos liquidam seus estoques para fazer "caixa" e os consumidores cortam suas compras, com medo do desemprego. Quando todos estão "líquidos", morrem afogados na sua própria "liquidez", porque interromperam o "circuito econômico"!

É por isso que, nos momentos de crise, os governos não podem deixar quebrar o sistema financeiro. Isso não significa, entretanto, que devam poupar os agentes da destruição que se infiltram, como células cancerosas, no tecido do organismo, de cuja higidez depende todo o processo de funcionamento econômico da sociedade, em particular as oportunidades de emprego.

Agora mesmo, estamos assistindo, ao vivo, como a ação de "fundos agressivos" (que na melhor das hipóteses produzem apenas transferência de renda) estão destruindo empresas que produzem bens e serviços e criam emprego. Apertado pelas circunstâncias, um deles desovou às pressas a participação acionária que tinha numa empresa. Literalmente, "destruiu" quase 1/3 do seu capital com graves consequências para seu futuro e depois... "quebrou". A pergunta é: por que precisamos dessas roletas?

Tudo isso mostra que alguns analistas deveriam ser um pouco mais cuidadosos quando afirmam que as medidas do governo Dilma estão causando "distorções". Deveriam dar uma chance à hipótese de que talvez essa distorção esteja nas suas próprias cabeças.

Terminei a semana com conforto. Soube que o sr. Sebastian Briozzo declarou, em Nova York, que a agência Standard & Poor's "garantiu" que os títulos do Brasil não correm o risco de serem rebaixados. Ah, bem...que alívio!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

TV ON LINE


FOCUS: MERCADO PREVÊ QUEDA DO PIB EM 2011
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
O mercado financeiro reviu para baixo pela segunda semana seguida as previsões para a inflação e o crescimento da economia brasileira em 2011.
Âncora: Sidney Rezende.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
MERCADO FINANCEIRO
13:00 - CANAL RURAL, RURAL MEIO DIA
Depois do sobe e desce das Bolsas na semana passada, a semana inicia com ganhos nos principais mercados internacionais ao redor do mundo.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Brasil ficou caro

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo

Por todo lugar onde passo, ouço histórias de indústrias brasileiras que perdem mercado para concorrentes chineses. Trata-se de uma dupla perda. De um lado, há companhias locais que não resistem à entrada dos produtos importados. Na outra ponta - e talvez seja o caso mais dramático -, empresas exportadoras são deslocadas pelos chineses de mercados na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa.


São situações bem diferentes, a exigir respostas diferentes. No caso da concorrência dos importados, é até mais fácil. No limite, e sem discutir, por ora, o mérito dessa política, o governo brasileiro pode impor severas restrições à importação, combinando-as com medidas de favorecimento ao produto nacional. Como, aliás, já começa a fazer.

Mas como fazer para equilibrar a concorrência com os chineses no mercado de ônibus urbanos no Peru? Pode-se até conseguir alguma coisa por meio da diplomacia - Hugo Chávez, por exemplo, a um dado momento, deu preferência a produtos e serviços brasileiros, como na construção de obras públicas. Mas está claro que isso é episódico. Governos estrangeiros, em regra, não vão conceder proteção às mercadorias brasileiras.

Que fazer? Executivos envolvidos nessas histórias têm suas explicações e propostas.

O real valorizado e o yuan, moeda chinesa, desvalorizado são, claro, parte importante do problema. Mas tenho ouvido cada vez mais outras interpretações, que colocam a questão da competitividade geral das duas economias.

Os salários chineses, por exemplo. Já não são baixos, pelo menos não nos setores mais avançados, como eletrônicos, informática e tecnologia da comunicação - contam executivos que lidam com essa concorrência. Dizem que os salários têm subido de maneira expressiva nos últimos anos e, mesmo assim, os produtos deles preservam preços competitivos no mundo todo.

Mas os impostos sobre a folha de salários fazem muita diferença. Ou seja, em diversos setores econômicos, o dinheiro que o trabalhador brasileiro leva para casa não é mais do que o obtido pelo chinês. A diferença efetiva está no imposto cobrado sobre a folha de salários: aqui, algo como 35%; lá, quase nada.

Na verdade, o peso dos impostos brasileiros fica cada vez mais evidente. Ouço frequentes relatos de executivos brasileiros que têm na ponta da língua a sequência infinita de impostos, taxas e contribuições que pagam desde o início da produção até colocar a mercadoria no navio.

Todo mundo sabe disso, a começar pelo governo. Tanto que todas as políticas industriais incluem como peça essencial a desoneração de impostos para setores e empresas. Mas não funciona, porque só podem ser beneficiados alguns poucos escolhidos, uma vez que o governo continua precisando de arrecadação para financiar gastos crescentes. Este ou aquele setor ganha uma competitividade extra, e dependente das autoridades de plantão, mas o geral da economia continua pagando caro.

O outro problema cada vez mais evidente é o custo de capital - a taxa de juros.

A empresa brasileira se financia a juros muito, mas muito maiores que a chinesa. De novo, a política industrial concede financiamentos a juros baixinhos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas poucos têm acesso a esse dinheiro barato. Quer dizer, barato para o tomador, mas caro para o governo, que o subsidia.

Acrescente o custo da infraestrutura - a gente não faz um aeroporto novo há décadas, os chineses fizeram uma rede - e se tem a história toda.

Nada disso é novo. O que me parece novo é o aparecimento frequente desse tema na bronca dos executivos. Antes, quase só se reclamava da taxa de câmbio. Hoje se fala mais do custo Brasil, antes do câmbio.

Essa é a abordagem correta. Claro que um real bem desvalorizado - a R$ 3 por dólar, digamos - tornaria mais competitivos os produtos brasileiros lá fora. Mas provocaria uma forte inflação local, ao encarecer os importados e os produtos locais comercializáveis internacionalmente. Seria um novo tipo de custo Brasil.

Por outro lado, a proteção ao produto brasileiro no mercado brasileiro também vai encarecer o preço, sem representar ajuda para a exportação.

Eis o ponto: produzir no Brasil ficou muito caro - pelos impostos e juros e pelo ambiente de negócios (custos burocráticos, de licenciamento, etc.) - e não há mais real desvalorizado que resolva.

Bobeamos nisso. Há anos que a carga tributária aumenta todos os anos - e isso tem passado quase sem oposição. Não digo que devemos importar os republicanos americanos, mas vamos reparar: a gente paga mais imposto que os americanos.

Há anos pagamos juros elevadíssimos e parece que está tudo bem. Até acreditamos quando nos dizem que sai em seis vezes no cartão sem juros. Ora, pessoal, essa autoenganação está passando do limite.

O que atrapalha o Brasil, o que impede o crescimento mais rápido, o que nos derrota na concorrência com os chineses é o governo - que arrecada demais, gasta demais, e mal, e ainda por cima deve muito, toma muito dinheiro emprestado, forçando os juros para a Lua.

Mais de Sardenberg - Ouça



JORNALISTA
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Andre Lara Resende - Crise


Cristiano Romero - Valor 15/08

O estresse vivido pelos mercados nas últimas semanas não representa uma nova crise financeira mundial, mas, sim, um desdobramento da crise de 2008. O que está ocorrendo nas bolsas é uma forte correção de preços das ações de bancos e empresas, em função da frustração do crescimento das principais economias desenvolvidas, especialmente da americana.

As medidas adotadas pelos governos no pós-crise recuperaram rapidamente os mercados acionários, mas não a economia real. Empresas e consumidores no mundo rico estão reduzindo seus níveis de endividamento e aumentando a poupança, e isso provoca contração da atividade econômica. No caso dos Estados Unidos, esse processo pode durar cinco anos.

As avaliações são do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, hoje sócio da Lanx Capital, uma das maiores gestoras de recursos do país. "Não houve nenhum dado novo, não é uma nova crise. Acho que é de fato um desdobramento da mesma crise. Ela apenas não acabou", diz Lara Resende nesta entrevista ao Valor.

No caso do Brasil, ele faz uma crítica dura à reação do governo à crise de 2008. Diz que, ali, foi perdida uma oportunidade histórica para derrubar a taxa de juros de forma agressiva. O país, que, na sua avaliação, caiu numa "armadilha" ao adotar o binômio juros altos-câmbio sobrevalorizado para atrair poupança externa e aumentar os gastos públicos, deveria ter mantido a austeridade das contas públicas, em vez de forçar a recuperação da demanda com estímulos fiscais.

Agora, se houver uma nova desaceleração mundial, a chance de reduzir os juros reaparecerá. Mas, para tirar proveito dela, diz Lara Resende, o governo deve fortalecer as contas fiscais.

Valor: Qual é a gravidade dessa crise que se anuncia nas economias centrais?

André Lara Resende: O que ocorreu agora foi a queda das bolsas, a desvalorização de ativos de risco, principalmente no mercado acionário. Não houve nenhum fato novo. Quando o impasse sobre a elevação do teto da dívida dos EUA foi resolvido, imaginou-se que isso deveria dar um alívio ao mercado. O problema é que veio o rebaixamento dos EUA pela Standard and Poor's. Como as coisas foram logo em seguida e a bolsa teve uma grande queda, deu uma certa sensação de que estávamos tendo uma nova rodada de crise como houve em 2008. Não é o caso.

Valor: Por quê?

Resende: Porque a questão dos ratings é, no fundo, burocrática. As agências de rating não deveriam ter a credibilidade que têm. Existem porque a regulamentação exige que alguns investidores institucionais tenham que ter em suas carteiras títulos de bom rating. Por causa disso, as agências têm um poder de oráculo que, na verdade, elas não possuem. Tanto que se equivocaram nos anos que antecederam a crise. Elas estão, de fato, desmoralizadas, mas acho que esse é um problema menor.

Valor: O que causou, então, esse estresse nos mercados nas últimas duas semanas?

Resende: Houve apenas uma revisão das expectativas de crescimento, especialmente da economia americana. Isso não me surpreende porque numa crise da gravidade da de 2008, em que um país como os EUA estava sobre-endividado, há um período longo em que os agentes vão tentar reduzir o endividamento. Ao fazer isso, aumentam muito a poupança e reduzem, portanto, a demanda. E isso é recessivo. Nos EUA, o super endividamento privado foi transferido para o setor público. Logo, os americanos estão tendo um problema de dívida pública que eles não tinham. E estão fazendo, com grande ambiguidade, uma política keynesiana de expansão.

Valor: Isso pode durar quanto tempo?

Resende: Nós sabemos que a experiência mais recente de sobre-endividamento é a japonesa. O Japão está há 17 anos em estagnação, depois de passar por uma crise de endividamento e de sobrevalorização de ativos.

Valor: Os EUA podem viver situação parecida com a japonesa?

Resende: A economia americana é mais flexível que a japonesa, então, não seria de se esperar que os EUA também tivessem um período tão longo, de mais de uma década, de estagnação, mas eu sempre disse, a partir da crise de 2008, que os EUA passariam por, pelo menos, cinco anos de estagnação. Aquela crise não foi uma recessão comum, em que se tem um recuperação rápida depois de um ano, 1,5 ano no máximo, de contração.

Valor: Era essa a expectativa do mercado?

Resende: O mercado passou um pouco a acreditar nisso. Houve uma recuperação grande dos mercados acionários, muito turbinados pela política do banco central americano de manter a taxa de juros extraordinariamente baixa. Mas o mercado acionário só não via que esses níveis exigiam que a recuperação da economia americana se confirmasse. Agora, ficou claro que a recuperação está muito mais lenta do que parecia. Então, houve nos mercados uma correção em relação às expectativas de crescimento da economia americana e de resultado das empresas. Mas há três problemas para a recuperação da economia mundial hoje.

Valor: Quais são?

Resende: Do lado americano, a situação está muito complicada do ponto de vista político. É evidente que há um impasse pelo menos até o fim do governo Obama [janeiro de 2013]. Não se pode, portanto, contar com estímulos à economia mundial vindo dos EUA. Os americanos demonstraram que vivem uma situação de semi-paralisia.

Valor: Isso piorou com o acordo para o aumento do teto da dívida?

Resende: O Obama foi chantageado pelo Tea Party, a ala radical do Partido Republicano, e cedeu. Isso mostrou a fraqueza do governo. Acho sempre difícil fazer previsões, mas não imagino que, dos EUA, venham novidades negativas.

Valor: O senhor mencionou três problemas. Quais são os outros dois?

Resende: O primeiro é a China, que está super aquecendo sua economia há alguns anos e, agora, está com a inflação bastante alta. Está fazendo neste momento um esforço de desaceleração gradual. Se der uma engasgada mais brusca, isso terá repercussões muito sérias sobre a economia mundial, especialmente quando a principal locomotiva, que até pouco tempo sempre foi a americana, vai estar estagnada.

Valor: Qual é o terceiro problema?

Resende: É a Europa. Este é o ponto mais frágil de todo esse cenário da economia global. A Europa sofreu do mesmo problema americano de super valorização de ativos, especialmente no mercado imobiliário. Alguns países mais, outros menos, mas todos foram vítimas da doença da bolha de ativos. A Europa vinha com uma experiência que considero a mais importante da nossa época moderna - o euro e a União Europeia.

Valor: Não se trata de uma experiência bem-sucedida?

Resende: O problema é que todos os economistas sabem que uma união monetária, sem algum tipo de união fiscal, é frágil. A Europa fez um movimento audacioso de permitir o livre trânsito de pessoas e de ter uma moeda única. O passo seguinte que com certeza ia ser feito em algum momento é a união fiscal, a criação de uma orçamento fiscal europeu, ainda que, evidentemente, preservando os orçamentos nacionais. O que poderia ser feito com calma e com sucesso pode acabar sendo feito obrigado pela crise.

Valor: Como?

Resende: Começou com a deficiência fiscal da Grécia, que claramente tinha falsificado suas contas e apareceu com um problema muito maior do que se imaginava. Foi criado um fundo de estabilidade financeira europeu, primeiro com mais de € 70 bilhões, e que já foi aumentado duas vezes, na última para cerca de € 400 bilhões. Isso, de certa forma, já é o primeiro passo de um orçamento fiscal europeu.

Valor: Há consenso na Europa em torno de um orçamento unificado?

Resende: Não. A união fiscal ainda enfrenta extraordinárias resistências políticas, especialmente, dos países mais superavitários e conservadores fiscalmente, como Alemanha e Holanda. A população desses países diz: 'Não estamos aqui para pagar impostos pelos excessos dos nossos sócios que foram irresponsáveis'. Isso é um clássico, um problema político muito complicado.

Valor: Por que a situação na Europa segue se deteriorando, apesar das medidas adotadas?

Resende: O que ocorreu nas últimas semanas é que a crise, que inicialmente parecia limitada aos países menores e periféricos, como Grécia, Portugal e Irlanda, começou a atingir a Espanha e, surpreendentemente, a Itália. Quando as taxas de dívida soberana desses países começam a crescer, significa dizer que os preços dos títulos em carteira começam a cair. Os bancos italianos, por exemplo, são muito frágeis, estão carregando papéis da dívida italiana que estão se desvalorizando, então, isso pode botar o sistema bancário novamente sob pressão.

Valor: A forte queda nas ações dos bancos reflete essa percepção?

Resende: Há uma perfeita simetria. O aumento das taxas dos títulos de dívida soberana é acompanhado, desde o início do ano, pela queda do valor das ações dos bancos. Esse processo já vem de algum tempo e se intensificou na semana passada. Não houve nenhum dado novo, portanto, não é uma nova crise. Acho que é de fato um desdobramento da mesma crise, ela apenas não acabou.

Valor: O senhor acha que há risco de uma nova crise bancária, como a de 2008?

Resende: Sempre há. Os bancos ainda estão muito fragilizados. Eles foram recapitalizados, boa parte de seus ativos, especialmente nos EUA com o "quantitative easing" [política em que o banco central compra papéis dos bancos para aumentar a liquidez da economia], foi transferida para o Federal Reserve [o BC americano]. Os bancos na Europa também foram recapitalizados, mas não estão no melhor da sua saúde.

Valor: Por quê?

Resende: Porque a desconfiança hoje passou a ser sobre a saúde dos bancos que estão carregando parte dos títulos de dívida soberana. Antes, havia um excesso de endividamento privado, então, você tinha dívida privada carregada pelos bancos. Com a crise de 2008, os ativos se desvalorizaram muito e parte disso foi transferida para o setor público. Agora, há uma percepção de que há um excesso de endividamento público, especialmente, em alguns países da Europa.

Valor: O Brasil, como sustenta o governo, está preparado para enfrentar uma nova crise?

Resende: A crise de 2008 foi uma crise bancária e financeira muito séria e interrompeu completamente os financiamentos do mercado internacional de crédito. O Brasil é um país que poupa pouco - menos de 17% do PIB -, enquanto a Índia poupa pouco mais de 30% do PIB e a China, mais de 50% do PIB. As razões da baixa poupança no Brasil são controversas, mas é um dado. O Brasil tem ambiciosas metas de investimento, especialmente de gastos públicos. Se essas metas são justificáveis ou não é outra questão, mas o fato é que esse quadro cria uma insuficiência de poupança.

Valor: Como o país enfrentou essa insuficiência ao longo do tempo?

Resende: Uma maneira foi criar poupança forçada através da inflação, usada pelo governo para financiar o excesso de investimentos e de gastos públicos. Esse modelo foi adotado desde o fim da Segunda Guerra Mundial e se esgotou quando a inflação subiu e ameaçou caminhar para uma hiperinflação. Com a estabilização promovida pelo Plano Real, a ideia de usar poupança forçada via inflação tornou-se disfuncional.

Valor: O que foi feito a partir daí?

Resende: Em vez de usar poupança forçada, o país passou a usar poupança externa, que é outro nome para déficit externo ou déficit em conta corrente. Como estabilizou a inflação e estava com as contas públicas relativamente estabilizadas, surgiu um espaço de confiança muito grande e, assim, o Brasil teve acesso a financiamento externo. O país caiu, no entanto, numa armadilha.

Valor: Qual?

Resende: É o que chamo de 'armadilha brasileira', que é o juro real muito alto e o câmbio sobrevalorizado para viabilizar o acesso à poupança externa. O Brasil está amordaçado numa taxa de juros elevada porque essa é a forma de viabilizar o uso de poupança externa. Substituíram-se a inflação e a poupança forçada pelo juro alto com câmbio valorizado e poupança externa. O que ocorreu no Brasil em 2008 é que o financiamento externo se interrompeu temporariamente, o real se desvalorizou subitamente e a economia parou. A reação de política econômica brasileira foi totalmente equivocada. O país perdeu uma oportunidade de sair da armadilha.

Valor: O que deveria ter sido feito?

Resende: O Brasil deveria ter reagido com uma política monetária muito mais folgada, mantendo a política fiscal restritiva. O que o país fez foi totalmente equivocado. Adotou uma política fiscal expansionista, elevando os gastos correntes do governo. Se tivesse fortalecido a situação fiscal e reduzido os juros de forma mais agressiva, poderia ter terminado a crise com nível de juros mais baixo e câmbio mais desvalorizado do que no período pré-crise. O governo reagiu, no entanto, como se o país tivesse um problema de insuficiência de demanda keynesiana, que é o caso dos EUA, mas não do Brasil.

Valor: Por quê?

Resende: Porque o Brasil não estava com sobre-endividamento, não tinha esse problema de demanda doméstica, as pessoas aqui não estavam poupando para reduzir o endividamento. É o contrário! O que houve foi uma certa desculpa. Afinal, no Brasil, sempre se gosta de aumentar o gasto público. À medida que a economia mundial se recuperou um pouco, houve pressões cada vez maiores tanto de aumento do déficit externo quanto inflacionárias. Por quê? Porque, para que o Brasil pudesse não ter pressão inflacionária, teria que deixar o déficit em conta corrente aumentar mais e a moeda se valorizar mais ainda, mas isso é intolerável porque provoca pressões sobre a indústria doméstica inteira. O governo acabou reagindo.

Valor: De que forma?

Resende: Começou a dizer: 'Eu boto um teto na valorização do real ou um piso na desvalorização do dólar'. Ao fazer isso, começa a acumular reservas, mas, como está com a taxa de juros muito alta, fica oneroso para o Estado. Acho que o momento atual não é igual ao de 2008, mas, se a coisa se agravar e houver de fato uma nova desaceleração da economia mundial, que afete o Brasil, a reação correta é baixar os juros e apertar a política fiscal, desfazer o que foi feito em 2008.

Valor: O governo alegou naquela época que, sem o afrouxamento da política fiscal, a recessão teria sido mais forte. Além disso, a taxa de juros foi reduzida (de 13,75% para 8,75% ao ano).

Resende: Poderia ter caído muito mais. Poderia ter usado aquele momento para sair da armadilha.

Valor: O governo, agora, anunciou que preservará a situação fiscal, dando a entender que a resposta, para enfrentar uma nova crise, será monetária.

Resende: Está corretíssimo. Este é o caminho. Se você quer pôr um piso na queda do dólar, deve baixar a taxa de juros. Agora, se você quer manter a taxa de juros alta, tem que aceitar a valorização do real.

Valor: Mas, se baixar os juros, não vai ter inflação?

Resende: Então, tem que usar a política fiscal para enfrentar a inflação. É o excesso de política monetária apertada, dado que a política fiscal é folgada, que está provocando a valorização da moeda.

domingo, 14 de agosto de 2011

Um filme que todo mundo deveria assistir





Temos uma boa notícia: a presidenta Dilma Rousseff viu o filme Inside Job.




Segue comentário dela feito em entrevista à revista Carta Capital. Como diriam os latinos, ipsis litteris:




“Temos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público.



Ontem, por acaso, estava com dificuldade de dormir e voltei a assistir ao documentário Inside Job, um filme que todo mundo deveria assistir. É impressionante como, por meio dos depoimentos, o absoluto descontrole fica patente. E em vez de tomarem medidas cabíveis para retomar as condições de crescimento, encheram os bancos de dinheiro outra vez, mantiveram a desregulamentação, continuaram com o processo de descontrole e agora a crise se exprime de forma muito mais forte na Europa.



Há duas utopias apresentadas como possíveis. Há aquela americana, a solução dos republicanos, que acham ser possível sair de uma das maiores crises, gerada não pelo descontrole dos gastos públicos, diminuindo o papel do Estado.



Nesse debate há a tentativa dos republicanos de reduzir a nada o Estado. Não se recupera uma economia desse jeito.”




Ninguém continua a ser a mesma pessoa depois de ver esse filme. O sujeito pode até piorar, mas não permanece o mesmo.
Abraços
acoelhof




sábado, 13 de agosto de 2011

Venda de imóvel despenca no 1º semestre

FSP 13/08
Balanços divulgados por algumas das maiores construtoras mostram queda de até 26% de unidades negociadas
Por valorização imobiliária, volume com vendas não caiu; companhias defendem "demanda sustentável"

CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO

Algumas das maiores construtoras do país venderam menos imóveis novos no primeiro semestre deste ano que no mesmo período de 2010. É o que mostram os balanços das empresas divulgados nesta semana.
A Rossi foi a que teve o maior percentual de redução (26%), seguida por Gafisa (22,1%), Cyrela (10,6%) e MRV (0,6%). A Tecnisa não informou os dados referentes a número de unidades.
Ontem, as ações da Rossi, Gafisa e Cyrela lideraram as baixas do Ibovespa, o principal índice da Bolsa do país.
Por causa da valorização imobiliária dos últimos 12 meses -que fez o preço do m² novo em bairros como Perdizes, zona oeste de SP, saltar 65%-, essa queda de unidades comercializadas não representou, para as companhias, redução do valor das vendas contratadas.
Mas é sinal de que a explosão imobiliária perdeu ritmo.
Reportagem da Folha mostrou, em julho, a diminuição da velocidade de venda de lançamentos residenciais em estandes montados em diversos bairros.
Agora, o número menor de negociações aparece nos resultados financeiros das construtoras.
"Já imaginávamos essa queda", disse José Florêncio Rodrigues Neto, vice-presidente financeiro da Cyrela.
"Mas é preciso considerar que o 1º semestre costuma ser mais fraco. Além disso, nosso objetivo é crescer de forma sustentável. O ritmo de expansão dos últimos anos não deve mesmo se manter."
João Crestana, presidente do Secovi (Sindicato da Habitação), aposta em uma "estabilidade de vendas" daqui para a frente, com o mercado mais acomodado.

ANO ATÍPICO
"Chegamos a uma 'velocidade de cruzeiro', voltando a índices históricos de venda -com até 30% do empreendimento total comercializado no 1º mês de lançamento e o restante vendido a um ritmo de 10% ao mês", diz.
"O ano passado foi atípico, com uma demanda muito reprimida que resultou em vendas aceleradas", completa.
Mas Ricardo Almeida, professor de mercados financeiros e avaliação de empresas do Insper, diz que "não se deve ter a falsa impressão de que o mercado brasileiro está saturado".
Na avaliação de Almeida, há faixas de renda e regiões -como classes C e D e Nordeste e Centro-Oeste- ainda com grande demanda.
"E, considerando que não estamos vendo retração do crédito imobiliário, esses são nichos a serem explorados, desde que as construtoras se estruturem para isso."
Essa análise pode ajudar a explicar por que a MRV, focada no segmento de residências econômicas, do Minha Casa, Minha Vida, teve uma queda de unidades vendidas bem mais suave que a concorrência (apenas 0,6%).


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

TV CLIPES


BOLSAS FECHAM EM ALTA PELO MUNDO
11/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
Depois de muita turbulência ao longo da semana o dia foi de calmaria no mercado financeiro. As bolsas de valores fecharam em alta, coisa um tanto rara nos últimos dias.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DIZ QUE O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA A CRISE
11/08/2011 - 22:00 - GLOBO NEWS, JORNAL DAS DEZ
Em um evento agora a noite em São Paulo o Presidente do BANCO CENTRAL ALEXANDRE TOMBINI garantiu que o Brasil está preparado para o agravamento do cenário internacional.
* ALEXANDRE TOMBINI, Presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: André Trigueiro.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
FEBRABAN LANÇA CAMPANHA PARA EVITAR ALTA DA INADIMPLÊNCIA
11/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
Quem compra a prazo sente o peso dos juros altos. O crédito está mais alto e a inadimplência preocupa o governo e os bancos.
* Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais/ Febraban
* Sérgio Odilon, chefe do Departamento de Normas/ Banco Central
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
SP: BANCOS LIDERAM RECLAMAÇÕES NO PROCON
12/08/2011 - 08:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL MANHÃ
Os bancos lideram na quantidade de reclamações do Procon de São Paulo, o maior do País. Para tentar mudar essa situação a Federação dos Bancos entidades de defesa do consumidor discutem na capital paulista como atender melhor os clientes.
* Adilson Luís Silva, comerciante.
* Eli Lopes aposentada.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

De Nouriel Roubini, em entrevista ao Wall Street Journal


“Nos últimos dois ou três anos tivemos uma maciça redistribuição de renda dos trabalhadores para o capital, dos salários para o lucro, desigualdade de renda e de riqueza aumentaram”.

“Karl Marx acertou: a certa altura o capitalismo pode se autodestruir, porque você não pode continuar a transferir renda do trabalho para o capital sem ter capacidade ociosa e falta de demanda”.

O desemprego nos Estados Unidos, segundo ele, é de 20%: 17% de desempregados e 3% de norte-americanos que estão nos presídios.

Segundo Roubini, não dá para ter guns & butter, ou seja, armas e comida, sem cobrar impostos: a carga tributária das empresas nos Estados Unidos caiu de 19% para 14%.

George Bush assumiu com 300 bilhões de dólares em caixa e entregou o poder a Barack Obama com um rombo de U$ 1,2 trilhão.

Veja o vídeo
Do Viomundo
AcoelhoF

SELIC, IMPORTADOS, CHINA E RESERVAS



Claudia Safatle - Valor 12/08
Os sinais de desaceleração da economia começam a ficar evidentes. Os grandes bancos funcionam em bases sólidas. Não há notícias de que empresas brasileiras estejam altamente alavancadas em derivativos, como ocorreu no segundo semestre de 2008. E, além dessas diferenças entre as condições brasileiras para o enfrentamento da crise de 2008 e hoje, há informações até então desconhecidas sobre os efeitos de políticas anticíclicas no país, sejam fiscais ou monetárias. O quadro em 2011 é mais claro.

Em 2008, o que se sabia da experiência histórica do país era que, ao menor sinal de turbulências no mercado internacional, a resposta da política econômica no Brasil era sempre a mesma: aumentar a taxa de juros para atrair capitais e fechar as contas do balanço de pagamentos. E, quando possível, apertar as condições fiscais para garantir a solvência do governo. Era a reação clássica de um país acostumado com crises cambiais. O Brasil nunca havia feito política monetária contracíclica e as autoridades temiam seus efeitos, avaliam fontes que estavam no governo em 2008.

Por outro lado, descobriu-se no início das turbulências daquele ano que empresas brasileiras estavam com elevadíssima alavancagem em derivativos cambiais, expostas em cerca de US$ 40 bilhões, com contratos recheados de truques e gatilhos. Uma redução precipitada dos juros e a desvalorização mais acentuada da moeda doméstica poderiam agravar a situação.

Além do mais, a toda desvalorização do câmbio no país seguia-se a elevação da inflação. No segundo semestre de 2008, a economia ainda estava com crescimento acelerado e as expectativas de inflação esbarravam no teto da meta (6,5%). Foi nesse ambiente que o Copom fez a reunião de outubro, após a quebra do Lehman Brothers em setembro, quando os créditos externos para o Brasil já haviam secado e a liquidez bancária estava empoçada, com grandes dificuldades para instituições de pequeno e médio porte. Em 29 de outubro, o comitê decidiu manter a Selic em 13,75% - após a alta de agosto. Em dezembro, ao contrário do esperado, o Copom manteve os juros inalterados, sinalizando com redução só a partir de janeiro de 2009.

Esse foi um dos momentos em que o Copom recebeu mais críticas por parte de economistas e analistas de mercado. E, também, de políticos como o ex-governador José Serra, que considerou aquela foi uma oportunidade perdida para o país ousar em busca de taxas mais módicas de juros. O BC poderia ter reduzido a Selic em quatro pontos percentuais durante o ciclo recessivo que se iniciou então, argumentava o governador de São Paulo.

Revisitando a história recente, é possível descobrir alguns fatos não divulgados à época. Poucos dias após a quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro, os diretores do BC tiveram uma conversa em São Paulo. Alexandre Tombini, então diretor de Normas, foi o único a opinar a favor da redução dos juros naquele momento. O que foi ouvido com certa perplexidade pelos demais presentes.

Na reunião de dezembro, Tombini foi mais incisivo e posicionou-se totalmente a favor da redução da Selic. Outros diretores foram contra e ele chegou a dizer que não estava convencido dos argumentos contrários, mas votou com os demais pelo adiamento da decisão para janeiro. Naquela reunião, o Copom foi unânime, mas a ata trouxe um malabarismo verbal que deu o que falar.

Ela dizia que as restrições financeiras em curso poderiam esfriar a demanda e, portanto, conter a inflação. Nessas circunstâncias, a maioria dos membros do Copom discutiu a redução de 0,25 ponto percentual da Selic. Mas prevaleceu o entendimento pela manutenção da taxa inalterada até o mês seguinte, janeiro, quando o corte foi de um ponto. A direção do BC em 2008 se preocupou mais em fornecer liquidez para o sistema bancário e suprir o crédito em moeda estrangeira, que havia desaparecido, centrando todas suas atenções para evitar uma crise financeira no país.

À parte os engenheiros de obra feita, o fato é que ficou marcado na história da política monetária que o BC perdeu ocasião de ouro para reduzir os juros, como, aliás, fizeram os demais países. A experiência daquele período passou a pautar as análises do atual governo. Tudo o que não se quer nessa crise, dizem fontes oficiais, é repetir o "erro" de 2008. Ao contrário, a avaliação que se faz no governo - em meio às preocupações quanto às dívidas soberanas dos países da zona do euro e o temor de uma recessão global - é que há boas possibilidades para o Brasil aproveitar a maré e, finalmente, reduzir os juros.

A favor dessa ideia há vários argumentos. Diferentemente de 2008, o agravamento da turbulência externa coincide com a desaceleração da economia brasileira. Ontem saíram dados do IBGE sobre o varejo, que mostram desaquecimento moderado. As vendas cresceram 0,2% em junho sobre maio.

As empresas que não quebraram aprenderam com o susto dos derivativos e hoje estão mais comportadas. Os efeitos de uma desvalorização do câmbio sobre a inflação podem ser neutralizados pela queda nos preços das commodities que o Brasil exporta, atenuando, assim, as pressões sobre preços domésticos. Em 2008, isso não era claro, explicam fontes da época.

Há, portanto, melhores condições, estruturais e conjunturais, para se administrar uma política monetária contracíclica e forma-se um consenso, no mercado e no governo, de que a crise na Europa, EUA e Japão pode ajudar o país a começar a remover sua maior aberração: a de campeão de juros.

Importados já abastecem 23% do mercado interno

O coeficiente de importação, que mede a participação dos produtos importados no consumo interno do país, alcançou 22,9% no segundo trimestre do ano e atingiu seu maior nível histórico, com alta de 2,2 pontos percentuais sobre mesmo período de 2010, informou ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em relação ao primeiro trimestre, sem ajuste sazonal, o avanço foi de 1,3 ponto percentual. O coeficiente é calculado pela entidade desde 1997.

O coeficiente de exportação, que mede a fatia das exportações sobre o total produzido no país, também subiu 2,2 pontos percentuais no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 19,9%, ainda abaixo do nível pré-crise, de 20,8%, no segundo trimestre de 2007. Em comparação aos primeiros três meses do ano, a alta é de 2,4 pontos percentuais.

A Fiesp alerta, no entanto, que 45% do crescimento do coeficiente de exportação se deve ao desempenho de apenas dois setores: as indústrias extrativas, como minério de ferro e petróleo, e a de equipamentos de transporte, devido às plataformas de petróleo - que não são exportações efetivas, já que são considerados exportados do ponto de vista fiscal para ter isenção de impostos, mas fisicamente operam no país.

Dos 33 setores analisados, 18 tiveram aumento do coeficiente de exportação e 15, queda. As maiores altas foram em outros equipamentos de transporte (19,7%), máquinas e equipamentos para indústria extrativa mineral e construção (9,3%), ferro-gusa e ferroligas (6%) e metalurgia (5,3%). Os maiores decréscimos ocorreram em aeronaves (-11,7%), preparação de couro e seus artefatos (-3,3%), material eletrônico e aparelhos de comunicação (-3,1%) e produtos diversos (-2,8%).

Nas importações, 28 dos 33 setores tiveram alta e apenas cinco, queda - equipamentos de instrução médico-hospitalar (-10,4%), aeronaves (-3,9%), siderurgia (-3,4%), produtos farmacêuticos (-2,3%) e fundição e tubos de ferro e aço (1%). Os avanços mais expressivos foram em máquinas e equipamentos para indústria extrativa mineral e construção (11%), tratores e máquinas para agricultura (8,8%), máquinas e equipamentos para fins industriais e comerciais (7,5%) e outros equipamentos de transporte (6,5%).

Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti, o crescimento do consumo de bens no mercado brasileiro tem sido em grande parte apropriado pelas importações, que estão ganhando a preferência do consumidor. Para ele, apenas parte do problema da competitividade da indústria está no câmbio. "Temos uma estrutura tributária também perversa."

Brasileiros vão à China para comprar

Mesmo com a crise financeira mundial, um número inesperado de empresários do Brasil mostrou grande interesse pela Feira de Cantão, a maior da China, que ocorre em outubro. O interesse, porém, é como compradoras. Apenas duas companhias, uma fabricante de máquinas de lavar e outra de ferramentas metálicas, vão à China para vender produtos, relatou ontem o secretário-geral da China Import and Export Fair, Wang Zhiping. Se o Brasil quer ampliar suas vendas aproveitando oportunidades na China, tem de fazer um esforço para enviar produtos de maior tecnologia, advertiu o executivo.

"Se querem vender mais produtos brasileiros à China, os empresários têm de trazer produtos em que tenham competitividade, como tecnologia espacial, automóveis, produtos em que há vantagem sobre outros países", disse Wang, dando a entender que não considera as mercadorias a serem promovidas pelos brasileiros muito competitivas. Ele esteve em Manaus, onde esperava pouco mais de 50 representantes de empresas e se surpreendeu com 150 interessados na oferta de mercadorias chinesas que haverá na feira.

Neste ano, os chineses reservaram um espaço especial para a América Latina, até com espetáculos musicais, para o qual convidaram ministros da região - um deles, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A viagem ao Brasil é um desdobramento dos encontros entre autoridades dos dois países, nos quais os brasileiros pediram maior abertura da China aos manufaturados vendidos pelo Brasil. "Levar produtos competitivos à feira é uma chance de vender não só à China, mas a outros países", disse Wang.

Os organizadores da feira chinesa, que terá 24 mil empresas chinesas e 860 estrangeiras, não creem que a crise atual e a retração dos grandes mercados da Europa e Estados Unidos afete significativamente os negócios neste ano. Os mercados emergentes pouco a pouco estão ocupando o espaço dos países desenvolvidos como mercado, especialmente a própria China, segundo argumenta Wang.

"Em três anos, a China importará US$ 5 trilhões em produtos estrangeiros", lembra ele (em 2010, a cifra passou de US$ 1,3 trilhão). "É um mercado grande, espaçoso, mas também muito competitivo." Apesar dos números e valores envolvidos, o interesse de vendedores brasileiros caiu neste ano, lamentou o executivo. No ano passado, três empresas foram a Cantão.

Além dos empresários, a Agência de Promoção de Exportações (Apex) reservou um pequeno estande na feira, mas para participação meramente institucional.

Custo das reservas atinge R$ 19 bilhões no 1º tri

A opção do governo brasileiro de manter elevado nível de reservas cambiais produziu custo fiscal de R$ 19,158 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor corresponde a cerca de 40% do registrado no ano passado inteiro, que foi de R$ 48,529 bilhões. Vistas como um seguro anticrise, no entanto, as reservas internacionais seguem crescendo e atingiram US$ 350,88 bilhões no último dia 10, informou ontem o Banco Central (BC).

O custo de carregamento das reservas decorre principalmente da diferença entre as taxas de juro interna e externa. O BC paga taxa Selic sobre os recursos captados internamente, que é bem maior do que a remuneração recebida pelas aplicações das reservas no exterior. No primeiro trimestre de 2011, essa diferença representou R$ 11,108 bilhões.

A rentabilidade obtida lá fora foi de apenas 0,06% no período, ante um custo médio de captação interna de 2,24%, segundo informa o balancete do BC no trimestre. A incorporação de juro sobre as reservas foi positiva em 0,54%. Mas a remuneração total foi mais baixa porque houve queda no preço dos títulos e de outros ativos sujeitos à contabilização pelo valor de mercado (marcação a mercado).

O balancete não especifica que papéis se desvalorizaram. Apenas informa que, no fim de março, 85,18% das reservas estavam em títulos de dívida. Mas sabe-se que o Brasil aplica pesadamente em títulos do Tesouro americano, que recentemente tiveram o grau de classificação de risco rebaixado pela agência Standard & Poor's. No último relatório disponível, referente a dezembro de 2009, o BC informou que 74% do saldo, então de US$ 238,52 bilhões, estava aplicado em ativos nos Estados Unidos.

A parte restante do custo total de carregamento no trimestre (US$ 8,05 bilhão) refere-se ao efeito da taxa de câmbio sobre o valor das reservas em reais. Quedas do dólar resultam em variação negativa do saldo, neutralizando os ganhos com aplicações. Incluindo esse efeito, a rentabilidade foi negativa em 1,52%, ao invés de positiva.

Seja positivo ou negativo, o resultado do balanço do BC é sempre repassado ao Tesouro Nacional, que cobre o prejuízos ou recebe os lucros do ano anterior no início de cada ano. Daí a atenção de muitos economistas com o custo das reservas cambiais, que afeta negativamente o balanço da instituição.

Por outro lado, a acumulação de reservas dá à autoridade monetária capacidade de intervenção em momentos de baixa liquidez. Foi assim em 2008, quando as linhas para financiamento às exportações sumiram e o BC emprestou aos bancos US$ 13 bilhões.

Quando estourou a crise, em setembro de 2008, as reservas estavam em US$ 206 bilhões. Com as linhas de socorro e as vendas de dólares no mercado interbancário à vista para suprir escassez de recursos externos para financiar o balanço de pagamentos do país, caíram para US$ 193,78 bilhões.

Desde então, o BC aproveitou todos os momentos de fluxo líquido positivo de capitais estrangeiro para recomprar divisas. Graças sobretudo a essas aquisições, as reservas cambiais brasileiras já subiram 81% desde fim de 2008 e 21,6% só em 2011.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, não vê nova falta de liquidez. Mas já deixou claro que, se isso ocorrer, o BC não hesitará em usar suas reservas para enfrentá-la.

Cresce entre economistas temor de recessão nos EUA



Phil Izzo e Ben Casselman The Wall Street Journal
12/08/2011

O risco de os EUA voltarem à recessão cresceu bastante devido ao golpe duplo da desaceleração no crescimento e das oscilações vertiginosas nas bolsas mundiais, segundo economistas entrevistados pelo "Wall Street Journal" na última semana.

Os 46 economistas que participaram da pesquisa - nem todos respondem a todas as perguntas - calculam uma chance de 13% de que os Estados Unidos já tenham entrado numa nova recessão, enquanto as chances de seguir por esse caminho ano que vem estão em 29% - ante 17% apenas um mês atrás.

O retorno à recessão não é uma certeza. A bolsa subiu ontem, em parte por causa de indícios tranquilizadores de que o mercado de trabalho dos EUA ainda não descarrilou de vez. Os pedidos iniciais de seguro desemprego caíram semana passada para 395.000, deixando o total abaixo do piso de 400.000 pedidos, que geralmente indica que a economia está criando mais empregos do que perdendo. Os temores de uma crise de dívida soberana na Europa também diminuíram ligeiramente.

Mas o cenário mais amplo é o de uma economia em que o crescimento desacelerou tanto que não precisa muito para empurrá-la para uma contração total. Uma recessão - segundo a Comissão de Definição do Ciclo Empresarial do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), o grupo sem fins lucrativos considerado o juiz oficial das recessões - "é um declínio significativo na atividade econômica disseminado na economia e que dura mais que alguns meses". A comissão estuda o PIB, os dados do emprego e a renda para determinar quando as recessões começam e terminam.

O problema é que a comissão geralmente só declara o início da recessão bem depois de ela ter começado. O início oficial da última, em 2007, por exemplo, só foi anunciado em dezembro de 2008.

Para alguns economistas, a diferença entre uma recessão e o crescimento extremamente lento registrado até agora no ano é praticamente insignificante. "Provavelmente estamos discutindo apenas palavras a esta altura; a volta à recessão já está acontecendo", disse Paul Ballew, economista-chefe do Nationwide.

As revisões do PIB divulgadas no fim do mês passado mostram que a recuperação tem sido lenta, com crescimento no primeiro semestre menor que 1% a um índice anualizado e dessazonalizado. O segundo trimestre teve expansão de apenas 1,3% e, depois da divulgação ontem de um déficit comercial maior que o de junho, os economistas do Goldman Sachs sugeriram que o crescimento pode ser revisado ainda mais, para cerca de 0,9%. O crescimento mais lento do primeiro semestre levou os economistas entrevistados pelo WSJ a diminuir suas previsões para o restante do ano, bem como para o próximo. Eles calculam agora crescimento de apenas 1,6% para 2011 e meros 2,5% para 2012.

"A economia já foi atingida por uma série de choques este ano, então acho que só precisa mais um choque modesto para empurrá-la de volta à recessão", disse a economista Michelle Meyer, do Bank of America.

Ela citou a turbulência na Europa como o choque mais provável por trás disso, com boas chances de contaminar os EUA. Outra possibilidade é a volatilidade recente em Wall Street.

"Com certeza, isso aumenta o risco de uma volta à recessão", disse Steve Blitz, economista sênior da ITG Investment Research, em Nova York. "É difícil que não contribua para isso." Grandes quedas nas bolsas, disse Blitz, podem levar as pessoas a diminuir o consumo, o que pode prejudicar ainda mais uma economia já enfraquecida. O efeito pode ser especialmente visível no consumo dos americanos ricos, que têm mais aplicações na bolsa - e cujos gastos até agora eram uma das poucas fontes de otimismo.

Alguns analistas estão mais otimistas. Maury Harris, economista-chefe do UBS para os EUA, afirmou que vê um risco relativamente pequeno de uma volta à recessão. Ela disse que muitos economistas estão concentrados demais na falta de opções do governo e ignoram os sinais de que a economia já está melhorando por conta própria. A cotação do petróleo está em queda, o que pode permitir às pessoas gastar menos no posto de gasolina e mais em outras coisas. Enquanto isso, os bancos estão aumentando a concessão de crédito tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

Mas a pesquisa mostra como um elemento crucial da economia - o mercado de trabalho - continua sob forte pressão. Os economistas preveem que o desemprego ainda será de 9% no fim do ano, ante os atuais 9,1%. Eles calculam que a economia vai criar em média apenas 145.000 empregos por mês nos próximos 12 meses, praticamente suficiente para absorver o crescimento populacional, mas pouco para os 13,9 milhões que continuam procurando emprego no país.

Outros fatores estão prejudicando a economia americana, como notou o Federal Reserve, o banco central do país, na previsão sombria divulgada em seu comunicado desta semana. O Fed apontou para o fraco consumo das famílias, a deterioração do mercado de trabalho e a desvalorização do mercado imobiliário.

De fato, os economistas continuam prevendo que a construção civil continuará num nível moribundo até 2012. Eles acham que o preço dos imóveis vai cair 3% este ano e subir apenas 1,5% ano que vem. O Fed também expressou temores de que fatores temporários como a alta no preço do petróleo no início do ano e os problemas de cadeia de suprimento causados pelo terremoto no Japão são apenas parte do que está enfraquecendo a economia.

Déficit comercial americano tem alta inesperada

As empresas americanas venderam menos motores industriais, geradores elétricos e produtos agrícolas ao resto do mundo em junho, levando o déficit na balança comercial para o mais alto nível desde outubro de 2008.

O déficit teve um aumento de 4,4% em junho, atingindo US$ 53,1 bilhões, de acordo com relatório divulgado ontem pelo Departamento do Comércio dos EUA. As importações caíram 0,8% (US$ 223,9 bilhões), em grande parte devido à primeira queda do petróleo em nove meses. As exportações recuaram 2,3% (US$ 170,9 bilhões), o maior declínio em mais de dois anos.

A queda nas exportações pelo segundo mês consecutivo alimenta os temores de que uma desaceleração global comprometa a economia americana, que corre o perigo de estagnar.

O déficit anual até junho já está em US$ 576,6 bilhões, 15,3% a mais do que o de 2010. A alta no déficit surpreendeu analistas, que esperavam um resultado melhor em função da queda do petróleo. Um déficit maior na balança é prejudicial para o crescimento da economia dos EUA porque significa que os consumidores estão comprando mais produtos estrangeiros e menos produtos fabricados por trabalhadores americanos.

"A verdadeira deficiência está nas exportações e é consistente com o menor crescimento no resto do mundo", disse Jay Bryson, economista do Wells Fargo. Segundo ele, "a contribuição das exportações [ao crescimento] vai ser um pouco mais instável".

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mais crise, mais dólar


O Estado de S. Paulo - 11/08/2011
Alberto Tamer
Enquanto as bolsas continuam caindo lá fora, os investidores correram para os títulos do Tesouro americano, aqueles mesmos que a Standard & Poor"s pretendia desvalorizar reduzindo a nota de crédito dos Estados Unidos. São os mais seguros (e menos rentáveis) neste vendaval que assola os mercados nos dois lados do Atlântico.

A opção para os títulos americanos, são os títulos americanos, comentou o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, com o qual todos concordam. No momento, apenas China, Japão, Grã-Bretanha e Brasil detêm 58% de todos os títulos do Tesouro americano. E estão comprando mais por falta de opção. O que todos temem, agora, não é a incapacidade de os EUA não honrarem sua dívida, mas o risco maior de recessão.

O bom e o mau.
Quais as consequências de tudo isso para o Brasil?
Muitas, mas nem todas são negativas. O preço das commodities está recuando com a fuga das aplicações de risco. O índice das commodities em geral está ainda valorizado no ano (28%), mas aumentou apenas 1,5% na última semana. E tendem a recuar mais. Motivos: fuga do risco para títulos americanos e menor demanda provocada pela desaceleração econômica, que se acentua. Tudo isso é bom e mal para o Brasil. Bom, porque reduz a pressão de alta sobre os preços dos alimentos e derivados de petróleo que alimentam a inflação e, ao mesmo tempo, deve conter a entrada de dólares decorrente das exportações de matérias-primas. Ao lado das aplicações financeiras, essa é a porta de entrada até agora escancarada por onde entra a moeda americana. Mas é mal porque enfraquece a balança comercial. Muitos analistas já estimam que o superávit deve ficar ainda em US$ 10 bilhões este ano porque os contratos já estão fechados, mas pode virar déficit em 2012. Não seria de todo mal considerando as reservas de US$ 343 bilhões, mas também não é bom diante da crise lá fora que pode conter os investimentos.

Juro compensa. A decisão do Fed de manter juros reais negativos no mínimo por mais dois anos, vai atrair mais investidores para papéis do Brasil. Mesmo que o BC venha a reduzir os juros, o diferencial entre a taxa interna e externa é enorme. Juro real negativo lá fora, e 6% aqui, descontada a inflação. E isso num mercado de menor risco, com reservas cambiais que podem ser usadas.

O que eles dizem lá fora?

Os economistas mais respeitados no exterior estão preocupados, mas se recusam a aceitar o clima de pânico que dominou as bolsas. Entre eles, dois prêmios Nobel, Paul Krugman e Joseph Stiglitz, aos quais se juntou o não menos respeitado Kenneth Rogoff. O erro foi considerar que a economia americana (e europeia também) tinha saído da recessão. A solução? Rogoff, Krugman e Stiglitz rompem de alguma forma com os ortodoxos e não aceitam a teoria de cortar gastos para reduzir a dívida mesmo com risco de recessão. A saída é atrair investimentos privados, afrouxar a política monetária, criar e injetar dólares no mercado. Até aceitam mais inflação.

Bom para eles, não para nós. O banco central americano pode anunciar ainda este mês nova compra de títulos (QE 3), agora de Estados e municípios, injetando mais alguns bilhões ou trilhões de dólares no mercado. Ruim para o Brasil, pois desvaloriza ainda mais a moeda americana, bom para eles que estão dizendo aos consumidores americanos, venham, peguem dinheiro a custo zero e saiam comprando. Ou se cria emprego a qualquer custo, ou a economia mundial vai continuar assim ainda por alguns anos.

O que se espera? O mercado previa ontem que os bancos centrais aumentarão as intervenções no mercado e que, de uma forma ou de outras, os EUA vão adotar medidas fiscais e monetárias para reanimar a economia. Quanto ao Brasil, o BC aumentou as reservas em US$ 150 bilhões nos últimos meses e ainda ontem comprou mais dólares. No mais, é manter e não desestimular a demanda interna que foi fortalecida pela entrada no mercado de 35 milhões de consumidores. Deu certo em 2008, quando a crise era pior. Pode dar certo agora.

TV CLIPES


AUTORIDADES DISCUTEM CRISE FINANCEIRA
10/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL, ALEXANDRE TOMBINI, afirmou que a nossa economia continua suejita a sobressaltos, mas está preparada.
* ALEXANDRE TOMBINI, PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
GOVERNO ANUNCIA MAIS UMA MEDIDA PARA INCENTIVAR PRODUÇÃO NACIONAL
10/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O governo anunciou mais uma medida para incentivar a produção nacional. As importações de bens de capital, informática e telecomunicação não poderão mais ser realizadas com alíquotas de importação reduzidas.
* Carlos Nunes, estrategista HSBC
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
CNI:PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL AFIRMA QUE BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR A CRISE 10/08/2011 - 21:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL NOITE
Em Brasília, o governo fez mais um dia de reuniões pra discutir os efeitos da crise mundial no país. O presidente do BANCO CENTRAL disse que o cenário é desafiador.
No Planalto, a PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF se reuniu com o conselho político para mais uma vez pedir o apoio dos parlamentares diante dos problemas mundiais que podem ter reflexo no país.
* ALEXANDRE TOMBINI, presidente do BANCO CENTRAL.
* Melvyn Fox, presidente da Abramat.
* Luigi Nese, presidente da CNS.
* ROBSON BRAGA DE ANDRADE, presidente da CNI.
Âncora: Ana Luísa Médici, Carla Ramos, Florestan Fernandes, Lincoln Macário e Luciana Barreto
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Petrobras prevê petróleo acima dos US$ 100


O recuo das cotações do petróleo para menos de US$ 100 o barril quando estourou a crise da dívida americana e a zona do euro entrou em turbulência foi apenas temporário, afirmou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras. Para Costa, responsável por toda compra e venda de combustível da Petrobras, o preço médio do petróleo ficará entre US$ 100 e US$ 110 o barril nos próximos dois a três anos, sustentado por uma demanda que continuará crescendo e pela queda natural da produtividade nos campos de produção da commodity.

Costa informou que a previsão é que a demanda mundial de petróleo vai crescer dos atuais 88,5 milhões a 89 milhões para 110 milhões de barris por dia em 2020, mesmo que as economias avançadas patinem, puxada pelos mercados emergentes. Os maiores consumidores são, atualmente, os Estados Unidos, com 20 milhões de barris por dia, dos quais 9 milhões para gasolina, e a China, com 9 milhões barris por dia, dos quais produz apenas um terço e importa todo o restante e é um dos principais compradores do produto brasileiro. O Brasil, atualmente oitavo maior consumidor mundial, com 2,15 milhões de barris por dia, dos quais 1,15 milhão são produzidos internamente, passará a quarto maior em 2020, com consumo de 3,2 milhões de barris por dia. Esse é um dos motivos pelos quais a Petrobras está construindo cinco novas refinarias no país, afirmou Costa.

No Brasil, contou o executivo, o consumo de derivados líquidos tradicionalmente sempre cresceu menos do que a economia - cerca da metade - até que essa correlação foi quebrada em 2010, quando o crescimento da classe C aumentou as compras de automóveis e as viagens aéreas. Em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%, o consumo de derivados líquidos de petróleo aumentou 10%; o de gasolina, 19%; e o de querosene de avião, 17%. No primeiro semestre deste ano, o consumo de derivados líquidos de petróleo cresceu 6,6% enquanto a previsão para o PIB foi de variação ao redor de 4%.

O preço do petróleo teve forte alta ontem em Nova York e em Londres com o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a demanda da commodity pode cair e com os investidores acompanhando as turbulências nos mercados internacionais, com importantes baixas nas bolsas de valores.

Em Nova York, o WTI para setembro registrou alta de US$ 3,59, para US$ 82,89. O vencimento de outubro ficou em US$ 83,25, expansão de US$ 3,58. Em Londres, o Brent para setembro subiu US$ 4,11, cotado a US$ 106,68. O contrato de outubro teve alta de US$ 4,10, saindo a US$ 106,62.

A agência de energia notou que a debilidade econômica pode diminuir o consumo de petróleo. A agência citou, por exemplo, as preocupações com os altos níveis de endividamento na Europa e nos Estados Unidos.

Também nesta jornada, o governo americano mostrou que as reservas de petróleo do país recuaram em 5,2 milhões de barris na semana passada, em relação à anterior, para 349,8 milhões de barris. Os estoques de gasolina caíram em 1,6 milhão de barris e os de destilados, em 700 mil barris.

A alta do petróleo seguiu na contramão da nova queda dos mercados de ações, em especial nos principais pregões da Europa. (Com agências internacionais)

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FLUXO DE CAPITAIS


VALOR 11/08
Em meio às preocupações do mundo com a situação fiscal dos Estados Unidos e de países da Europa, os primeiros números de agosto do mercado primário de câmbio dão sinais de desaceleração do ingresso de capitais externos no Brasil. O movimento de compra e venda de moeda estrangeira liquidamente até gerou déficit, de US$ 362 milhões, nos primeiros cinco dias do mês, se excluídas as operações vinculadas ao comércio exterior.

Isso significa inversão do fluxo líquido de julho passado, quando os negócios no segmento financeiro do mercado doméstico de câmbio resultaram em entrada de expressivos US$ 9,57 bilhões.

Esse segmento engloba todas as operações que impactam a conta financeira do balanço de pagamentos externos do país e, por isso, pode ser visto como indicador da tendência do movimento de capitais estrangeiros.

Em termos brutos, nos cinco primeiros dias de agosto, até houve ingresso de moeda estrangeira pelo segmento financeiro do mercado cambial, de US$ 6,745 bilhões. Ainda assim houve déficit de US$ 362 milhões porque as saídas alcançaram US$ 7,1 bilhões no período. Comparada com a de julho inteiro, a média diária de ingressos brutos caiu no início de agosto, de US$ 1,87 bilhão para US$ 1,35 bilhão. Ou seja, olhando só o ingresso também se vê redução do ímpeto dos investidores estrangeiros. Já a média diária de saídas pelo mesmo segmento registrou ligeira elevação, de US$ 1,41 bilhão para US$ 1,42 bilhão.

Somando-se as operações cambiais vinculadas ao comércio, o fluxo ainda segue positivo nesse início de mês, período em que foi registrado ingresso líquido de US$ 3,79 bilhões. A média diária, nesse caso, é até superior à de julho, mês em que o fluxo cambial total do mercado primário foi positivo em US$ 15,8 bilhões. Na média, entraram por dia útil, em agosto, US$ 753,5 milhões aproximadamente, ao passo que em julho a média ficou em US$ 715,8 milhões.

Comparativamente a igual período de 2010, quando foi de US$ 1,79 bilhão, a entrada de dólares também subiu e praticamente dobrou no total de operações do mercado primário. Isoladamente, o segmento vinculado ao comércio gerou superávit de US$ 3,94 bilhões de 1 a 5 de agosto, resultado de uma oferta de US$ 7,05 bilhões pelos exportadores e demanda de US$ 3,11 bilhões pelos importadores.

Em julho, o fluxo positivo dessas operações também foi alto (US$ 6,25 bilhões). Mas o do segmento financeiro foi ainda maior.

No acumulado do ano, a entrada líquida de moeda estrangeira agora soma US$ 59,23 bilhões, dos quais US$ 32,85 bilhões ligados a outras operações que não de comércio do país com o exterior. No segmento comercial, o saldo acumulado no ano é de US$ 26,38 bilhões até dia 5 de agosto.

A sobra de moeda estrangeira no mercado primário, que refere-se apenas a contratos entre bancos e clientes, permitiu ao Banco Central continuar suas intervenções de compra no interbancário. O BC agregou a suas reservas cambiais US$ 2,17 bilhões nesses cinco dias, US$ 1,3 bilhão dos quais relativos a compras feitas até dia 3. Como o dado de reserva é informado pelo critério de liquidação, que difere em dois dias úteis do de contratação, não se sabe ainda o valor exato das contratações feitas até dia 5 pelo BC. O valor liquidado de compras elevou as reservas cambiais para US$ 348,5 bilhões até dia 5. Mas ontem elas já estavam em US$ 349 bilhões.

O BC não informou o novo saldo da carteira de câmbio dos bancos (os dados são atualizados apenas no fim do mês). No fim de julho, a posição cambial do sistema financeiro ainda estava vendida (dólares a entregar) em US$ 6,3 bilhões. Mas em relação a junho, quando era de US$ 14,69 bilhões, houve relevante redução nessas posições.

RECORDE NO OURO

Em meio ao crescimento do clima de aversão ao risco, o ouro ampliou os ganhos ontem. Os contratos futuros do metal fecharam em US$ 1.784 a onça-troy, alta de 2,4%. Durante o pregão, atingiram nível recorde de US$ 1.801 a onça-troy. Na semana, o ouro acumula 8% de alta, o melhor desempenho em três dias desde 2008. A demanda pelo metal aumenta com as tentativas de investidores de se afastarem de ativos de maior risco, em busca de um porto seguro.

Empresas e consumidor já cortam gastos nos EUA


Valor 11/08
O colapso do mercado nesta semana está confirmando o que muitos empresários e consumidores já pensavam: que a economia americana se inclina a voltar para a recessão e, portanto, eles precisam se agarrar a cada centavo.

O perigo agora é uma nova espiral de queda, em que empresas e consumidores começam a cortar ainda mais agressivamente os seus gastos enquanto esperam para ver o desenrolar da crise.

Mas empresas como a Terex, fabricante de equipamentos pesados, entraram num ritmo de aperto de cintos antes mesmo que os mercados entrassem em parafuso.

Ron DeFeo, diretor-presidente da Terex, há várias semanas ordenou a diretores de várias unidades, que estão crescendo, para encontrar maneiras de reduzir o pessoal.

"A forma como os mercados estão agindo reflete a maneira como muitos líderes empresariais vinham se sentindo" muito antes da volatilidade do mercado, disse ele.

Para uma economia já à beira de uma crise, tal precaução pode muito bem ser a diferença entre crescimento e recessão. O Produto Interno Bruto (a soma total de bens e serviços produzidos no país e a medida mais ampla do crescimento econômico) cresceu a uma taxa anualizada de menos de 1% nos primeiros seis meses de 2011. Umas poucas decisões de atrasar gastos poderiam empurrar a taxa de volta ao território negativo.

"Os consumidores vão decidir se teremos um segundo semestre melhor ou não", disse Dean Maki, economista-chefe para os EUA do Barclays Capital, em Nova York.

Rick DeToto, advogado de 39 anos do Texas, diz que não está surpreso com a onda de pânico em Wall Street. "É o que todo mundo que conheço vinha sentindo", diz. "Não acho que havia ninguém muito confiante sobre a economia." DeToto tem reduzido seus gastos cortando, por exemplo, os passeios de US$ 150 ao aquário local que seus dois filhos adoram.

À medida que os consumidores gastam menos, as empresas reagem com suas próprias medidas. George Carey, proprietário do Finz, um restaurante de mariscos em Massachusetts, diz que seus clientes vão reagir à queda das bolsas e que, por isso, ele também vai. Quando fizer o pedido semanal de vinhos, na segunda-feira, diz, vai comprar menos das garrafas sofisticadas e caras, na expectativa de que seus clientes farão o mesmo.

"Meu padrão de compra vai mudar esta semana", diz Carey. "Agora, se meus clientes comprarem vinho, vão comprar as garrafas de US$ 25 a US$ 30 em vez de US$ 45."

Carey disse que seu restaurante à beira-mar esteve movimentado nesta temporada de verão nos EUA, mas ele não pôde aumentar os preços apesar da alta nos custos dos alimentos. A reviravolta dos últimos dias só reforça a necessidade de cautela. Carey diz que planejava gastar cerca de US$ 50 mil em reformas, mas agora vai esperar até o próximo ano e reavaliar.

Nicholas Bloom, professor de economia na Universidade Stanford que estudou como a incerteza econômica afeta o ciclo de negócios, diz que tal sentimento pode ser uma profecia autorrealizável. À medida que os consumidores e empresas recuam em meio a uma fraca recuperação econômica, suas preocupações sobre um novo mergulho na recessão poderiam levá-los a cortar ainda mais os gastos - e provocar a recessão que eles próprios temem.

Bloom estudou mais de seis choques de incerteza, desde o assassinato do presidente John F. Kennedy até escândalos contábeis que derrubaram empresas como a Enron e a WorldCom no início dos anos 2000, e concluiu que cada choque é geralmente seguido por uma forte, mas breve, recessão. Os setores mais afetados são os chamados bens duráveis, produtos mais caros como carros e computadores que são produzidos para durar mais de três anos e cuja aquisição pode geralmente ser adiada por alguns meses.

"Se todos adiarem planos para investir em novos produtos, teremos uma recessão curta e acentuada", afirmou Bloom.

Os governos, que ainda têm de recuperar o pico de arrecadação fiscal de 2008 e cujo reduzido ritmo de gastos afeta o crescimento no curto prazo, já tinham apertado os cintos quando a recente volatilidade do mercado começou.

Na segunda-feira, o diretor de orçamento do Estado de Washington, no noroeste dos EUA, Marty Brown, enviou um memorando dizendo que todos os diretores de agências estaduais precisavam preparar 10% em cortes adicionais, que poderiam ter de ser efetivados se a economia não se aquecer.

Brown observou que, depois de cortar o orçamento nos últimos três anos, isso não é nada de novo.

"Apesar de difícil, não estamos começando esta análise a partir do zero", escreveu no memorando, notando que os diretores de agências já tinham preparado uma longa lista de cortes antes do orçamento 2011-2013, que entrou em vigor em julho.

Da mesma forma que os gastos do governo diminuem, as empresas terão de tomar providências. Mas as recentes turbulências tornam menos provável que elas vão fazê-lo.

John Clemenzi, que administra um parque industrial em Beverly, Massachusetts, disse ter visto alguma melhora no final de 2010 e início de 2011, à medida que empresas começaram a assinar contratos para espaços no parque.

Mas esse impulso acabou, e Clemenzi disse que estava adiando ainda mais projetos de manutenção que já estão atrasados. Ele também está adiando planos de contratar pessoal.

"Vamos só para preservar os ativos que temos, todo o dinheiro que temos", disse. "Preciso de uma equipe, mas não estou contratando ninguém. Na verdade, estou estudando novos cortes, porque não sei que direção isso vai tomar."

Indústria acumula estoques indesejados


Valor 11/08
A indústria começou o segundo semestre com estoques elevados - e, em alguns casos, crescentes, como no setor automobilístico. O acúmulo de inventários indesejados é mais um fator a apontar para um desempenho fraco da atividade industrial nos próximos meses, que já sofre com a feroz concorrência do importado e com a dificuldade em exportar, devido ao câmbio valorizado, e terá de enfrentar um período de maior incerteza na economia global.

Com informações quantitativas sobre o nível de estoques, os setores de automóveis e de distribuição de aço mostram um quadro pouco animador. Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelam que, em julho, os inventários atingiram o nível recorde de 367,1 mil unidades, 25 mil a mais do que no mês anterior.

"Isso representa um número crítico, equivalente a 36 dias de vendas", nota o economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero. Segundo o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, estoques normalizados correspondem a cerca de 27 dias de vendas.

Montero diz que esse volume de inventários "obrigará um primeiro ajuste na produção, transitório, que leve os estoques a níveis mais condizentes com as vendas projetadas". Ele observa ainda que o" fato de os estoques estarem aumentando 25 mil carros por mês significa uma produção rodando esse tanto acima da demanda final [considerando aí as vendas internas e externas, excluindo as importações]." O cenário, segundo ele, é de mais desaceleração. A produção de veículos automotores, que cresceu 24% em 2010, aumentou no primeiro semestre 6,2% sobre igual período do ano passado.

No setor de distribuição de aço, a situação também não é das melhores em termos de estoques. Em junho, os inventários equivaliam a 3,7 meses de vendas, somando 1,213 milhão de toneladas. Segundo o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, estimativas preliminares apontam que, em julho, esse número caiu para 3,4 meses, ainda assim um nível elevado. "O mais confortável, para nós, é que os estoques sejam equivalentes a algo como 2,5 meses de vendas", diz ele. Esse é o nível que vigorava em setembro de 2008, quando a economia real ainda não havia sentido com força o impacto do agravamento da crise global e o Brasil crescia de modo robusto.

"Tudo o que o setor não precisa agora é de uma nova crise", diz Loureiro, observando, porém, que ainda não se sabe a extensão da nova turbulência, por ora bem menos grave que a de 2008. De qualquer modo, a expectativa para os próximos meses é que o setor tente ajustar os inventários, o que acena com desempenho ruim para o segmento. Loureiro estima hoje um crescimento de apenas 5% para a distribuição de aço em 2011. Na virada do ano, ele chegou a projetar um aumento de 15%.

Indicadores qualitativos sobre estoques também apontam para um acúmulo indesejado de inventários nos últimos meses. É o caso do índice da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que compara o estoque efetivo com o planejado pelas empresas. Ele subiu de 51 pontos, em maio, para 53 pontos em junho - acima de 50, o número indica que mais companhias relatam ter inventários acima do planejado do que abaixo. O indicador da CNI mostra que o acúmulo de estoques indesejados foi mais expressivo nas empresas de grande porte - o número subiu de 51,4 em maio para 54,2 pontos em junho -, mas também se deu nas companhias de pequeno e médio porte.

Dos 26 setores acompanhados pela sondagem da CNI, 17 registraram um indicador superior a 50 pontos. Houve forte acúmulo de estoques em setores como os de têxteis, calçados, máquinas e equipamentos, material elétrico e de comunicação e material de transporte e outros equipamentos de transporte. Alguns deles são os que têm sofrido muito com a competição do produto importado, como é o caso dos quatro primeiros.

A Sondagem da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (FGV), por sua vez, indicou a continuidade do acúmulo de estoques em julho. A fatia de empresas que informaram ter inventários acima do desejado subiu de 5,3% em junho para 6,6% em julho. Ao mesmo tempo, a parcela das que relatam estoques insuficientes caiu de 3,3% para 2,2%.

O comportamento dos estoques aponta para um terceiro trimestre difícil para a indústria, que pode ficar ainda mais complicado caso a crise de fato se agrave e ganhe proporções maiores. Depois de crescer 10,5% em 2010, a produção industrial deve ter uma expansão muito mais fraca neste ano. Montero considera um número na casa de 2% como factível - no primeiro semestre, houve alta de 1,7% sobre igual período de 2010.

Depois do fraco resultado da indústria em junho, quando houve recuo de 1,6% em relação a maio, feito o ajuste sazonal, o economista Alexandre Antunes, da MCM Consultores Associados, revisou a sua estimativa para o setor de 3,8% para 2,5%. O efeito negativo do câmbio valorizado, o aumento do custo da mão de obra e a fraqueza das economias desenvolvidas apontam para um cenário difícil para a indústria, que terá de lidar com estoques elevados.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

SALDÃO DA CRISE


VALOR 10/08
A queda de 13,04% do Índice Bovespa neste mês, que elevou para 26,19% as perdas no ano até ontem, abriu uma série de oportunidades na bolsa para o investidor que tem sangue-frio e que acredita que pode obter ganhos no longo prazo, apesar da forte volatilidade vista nos últimos dias. Mesmo a trégua do mau humor visto ontem, com o Ibovespa em alta de 5,10%, não foi suficiente para tirar a atratividade de muitas ações.

Levantamento realizado pelo Valor Data mostra que, das 58 empresas com balanço consolidado que compõem o Índice Bovespa, 21 delas, ou 36,20%, vêm sendo negociadas abaixo de seu valor patrimonial, ou seja, abaixo do patrimônio líquido da empresa. Só para se ter ideia, no início deste ano, apenas seis companhias eram negociadas abaixo de seu valor patrimonial. O estudo considerou apenas uma ação por empresa, a de maior liquidez.

Batizado de P/VPA (preço sobre valor patrimonial), este é um indicador bastante usado pelos analistas para saber se um papel está caro ou barato. Quando esse índice está abaixo de 1, pode significar que a companhia está uma barbada, ou seja, se mostra subavaliada em relação aos ativos que possui. Claro que o investidor não deve olhar apenas o P/VPA na hora de escolher um papel, já que, isoladamente, ele não mostra que a empresa é um ótimo negócio. Mas o índice pode dar uma ideia do potencial de valorização de uma ação, principalmente quando se fala de papéis que compõem o Ibovespa.

Nos últimos dias, quando o pânico tomou conta do mercado diante das expectativas de uma recessão nos Estados Unidos, desaceleração do crescimento global e dúvidas com a solvência de Itália e Espanha, as pessoas passaram a vender suas ações de maneira muito pouco racional, diz Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos e professor de finanças da ESPM-RJ e Ibmec-RJ. Para ele, o fato de vários papéis estarem sendo negociados abaixo do patrimônio líquido da empresa já é um sinal de que as vendas são fruto de um movimento de pânico, sem que o investidor olhe os fundamentos das empresas.

Entre as companhias negociadas abaixo de seu valor patrimonial e que integram o Ibovespa aparecem, por exemplo, as preferenciais (PN, com direito a voto) da Petrobras, as ordinárias (ON, com voto) da empresa de bens de consumo Hypermarcas, além de Gafisa ON, Gol PN e Gerdau PN. As empresas de telefonia Brasil Telecom e Telemar também integra a lista.

O forte movimento de vendas dos últimos dias foi comandado principalmente pelos investidores locais, enquanto os estrangeiros continuaram a colocar dinheiro na bolsa brasileira. Em agosto, até o dia 5, a entrada líquida (compras menos vendas) de recursos externos na bolsa foi de R$ 382,4 milhões. Na ponta oposta, os institucionais acumulam saída de R$ 727,5 milhões, enquanto o investidor pessoa física mostrou retirada líquida de recursos de R$ 356,7 milhões. Mas os dados ainda não contemplam a movimentação de segunda-feira, quando o Ibovespa caiu 8,08%.

Em momentos de pânico, a maioria dos investidores vende suas ações a qualquer preço e é quando surgem ótimas oportunidades, afirma Paulo Levy, diretor-executivo da Icap do Brasil. Para ele, a volatilidade da bolsa deve continuar alta e as chances de novas perdas não podem ser descartadas. Esse tipo de distorção, no entanto, de empresas sendo negociadas abaixo de seu valor patrimonial, deve ser eliminada. "O investidor com visão de médio prazo pode se aproveitar para comprar ações a preços mais baixos."

Na avaliação de Levy, o cenário atual é complicado diante da possibilidade de uma recessão, mas nada que se compare ao risco sistêmico visto durante a crise de 2008. O desespero apresentado pelos investidores, no entanto, foi praticamente o mesmo visto há três anos, diz o executivo, que continua acreditando nos bons desempenhos dos setores de consumo e bancos.

Há uma semana, ao analisar um universo de 265 ações da Bovespa, o professor Espírito Santo constatou que 23% delas estavam sendo negociadas abaixo do valor patrimonial. Agora, dias depois, esse número subiu para 33,5%. "E os números mostram que as empresas brasileiras vêm apresentando resultados interessantes, portanto, neste momento é preciso sangue-frio para não sair vendendo papéis bons", diz ele.

A queda da bolsa trouxe tantas oportunidades que escolher hoje uma boa ação não requer prática nem experiência, brinca Fernando Camargo, sócio da Orbe Investimentos. "Momentos como este são bons não apenas para olhar novas oportunidades, mas para elevar a exposição em boas ações que já estavam em carteira", diz. Ele ressalta ainda que mesmo fora do Ibovespa há papéis em níveis bastante interessantes, como GP ou BicBanco.