quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Petroleo tipo Brent - produção em queda - Petrobras acompanha


Financial Times

A aceitação cada vez maior do petróleo bruto do tipo Brent como referencial mais importante do mundo depara-se com um obstáculo, também cada vez maior - sua produção vem caindo rapidamente.

O problema de encolhimento das reservas é conhecido há anos, mas o fortalecimento do petróleo bruto do Mar do Norte em relação ao West Texas Intermediate (WTI), seu homólogo nos Estados Unidos, levou o setor a buscar soluções urgentes.

O grande problema para o WTI é que seu preço referencial descolou-se dos demais. Na semana passada, era negociado com um desconto recorde superior a US$ 26 por barril em relação ao Brent. Há dois anos, a diferença era de apenas US$ 2.

Esse descolamento pronunciado no mercado do WTI levou algumas empresas, como a Delta Air Lines, por exemplo, a abandonar o WTI em favor do Brent como seu referencial.

O Brent, no entanto, "tem suas próprias fraquezas", afirmou Bassam Fattouh, do Oxford Institute for Energy Studies e autor do estudo "An Anatomy of the Crude Oil Pricing System" (numa tradução livre, algo como uma anatomia do sistema de precificação do petróleo bruto, em inglês).

"O principal problema [para o Brent] é o declínio concreto da produção e o risco de apertos [na relação oferta e procura] associados aos baixos volumes de produção", acrescentou Fattouh. O declínio agravou-se recentemente por interrupções em um dos principais campos de petróleo no Mar do Norte.

A Platts, uma agência especializada em determinar preços para o setor petrolífero, propôs uma série de medidas, de curto e longo prazos, para aumentar a liquidez do Brent. A agência é uma unidade da McGraw-Hill, empresa com ações em Nova York, e na prática é reguladora do mercado físico de Brent. As propostas, no entanto, enfrentaram oposição no setor.

As mudanças impactariam o mercado multibilionário de entregas físicas do Brent, o de contratos futuros, swaps e opções.

De acordo com a empresa de consultoria Purvin & Gertz, de Houston, o Brent e seus derivativos associados são referenciais de até 65% do comércio de petróleo bruto mundial.

Companhias petrolíferas como BP, Royal Dutch Shell e Total e empresas de comercialização de petróleo, como a Vitol, Glencore e Phibro, são os maiores participantes desse mercado.

Os ajustes no setor, no entanto, afetariam investidores como fundos de pensão, já que o Brent é integrante central em índices de commodities como o S&P GSCI, um dos mais acompanhados no mercado mundial.

Embora o referencial continue sendo chamado de "Brent", na verdade, se trata de uma cesta de vários tipos de petróleo bruto do Mar do Norte.

Com o declínio da produção, o Brent foi combinado em 1990 com outro tipo de petróleo bruto, o Ninian, criando o chamado Brent "blend". Em julho de 2002, a Platts ampliou a mistura, incluindo outros dois tipos regionais, o Forties e o Oseberg. Em 2007, foi adicionado o Ekofisk, criando o atual referencial Brent, também conhecido como BFOE.

A Platts planeja novas reformas no setor. Sua primeira proposta é aumentar o número de dias que as agências têm para estimar o preço do referencial no mercado físico à vista, no caso o chamado Brent "datado".

Atualmente, as agências avaliam os negócios realizados durante uma janela de 12 dias - um período de 10 e 21 dias antes do embarque. Como a produção da cesta BFOE caiu de 1,6 milhão de barris diários há cinco anos, para 875 mil barris diários mais recentemente, o número de carregamentos de Brent nessa janela caiu quase pela metade.

A Platts propõe aumentar o período a partir de janeiro para 16 dias, estendendo a avaliação para um período entre 10 e 25 dias antes do embarque. "A mudança aumentaria em um terço o número de carregamentos de Brent que incluímos em nossa avaliação, aumentando a liquidez do preço de referência", diz Jorge Montepeque, diretor de mercados da Platts.

A mudança, contudo, criaria seus próprios problemas, já que enfraqueceria a relação entre o mercado físico e o de derivativos, que por motivos históricos é baseado em 15 dias. A Bolsa Intercontinental de Futuros de Londres (ICE Futures) divulgou que consultará a indústria petrolífera quanto às mudanças. Os operadores de petróleo prefeririam que a Platts e a ICE alterassem sua metodologia ao mesmo tempo.

Caso contrário, "a divergência entre o mercado físico e o de derivativos seria grande demais", disse um operador sênior de petróleo Brent.

A Shell enviou carta à Platts pedindo para adiar qualquer mudança, informando que os ajustes no sistema BFOE e nos contratos futuros "deveriam ser concomitantes e ocorrer no primeiro trimestre de 2013".

O aumento da janela, no entanto, não resolveria o problema básico - os campos petrolíferos da cesta BFOE são antigos e a produção está irremediavelmente em queda.

Por esse motivo, a Platts também planeja uma solução mais ambiciosa: ampliar a cesta e incluir, pela primeira vez, algum tipo de petróleo bruto de fora do Mar do Norte. Montepeque diz que a Platts precisa agir "bem antes que exista um problema", que ele prevê para quando a produção cair abaixo da marca de 500 mil barris por dia.

Especialistas no setor petrolífero acreditam que, no início de 2012, a agência proporá agregar um ou mais tipos de petróleo bruto do Mar do Norte à cesta BFOE, como o Statfjord. Além disso, talvez por volta de 2015, especialistas dizem que a Platts poderia considerar colocar tipos de petróleo extraídos fora da região, mas de alta qualidade e baixo teor de enxofre, similares ao Brent, como os encontrados na Ásia Central, África Ocidental e Norte da África.

"O objetivo final é sustentar o referencial Brent mesmo se a produção do Mar do Norte cair a níveis mínimos", diz Montepeque.

A perda de produção da Líbia pressionou o valor do Brent acima dos outros referenciais, como o de Dubai e o West Texas Intermediate. O país africano produzia 1,6 milhão de barris por dia de petróleo bruto de alta qualidade antes do início da guerra civil.

Com a oferta menor, as refinarias aumentaram os lances pelo Brent, que tem qualidade semelhante ao petróleo líbio.

Dessa forma, a volta da produção líbia depois do fim da guerra poderá levar o preço do Brent a cair e ficar mais próximo do valor de outros referenciais. (Tradução de Sabino Ahumada)


Produção mundial de petróleo e gás da Petrobras cai 2,78% em julho


Por Stella Fontes - Valor 24/08

SÃO PAULO - A produção média de petróleo e gás natural da Petrobras, considerando-se as operações no país e no exterior, recuou 2,78% em julho, na comparação com o mês imediatamente anterior, para 2,568 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Frente a julho do ano passado, contudo, o volume produzido manteve-se estável.

Em nota, a Petrobras informa ainda que a produção de petróleo e gás no Brasil, no mês passado, caiu 3,5% frente ao verificado em junho, totalizando 2,325 milhões de barris por dia.

Conforme a companhia, esse desempenho deveu-se ao programa de manutenções operacionais em plataformas do campo de Marlim (P-20, P-35 e P-37), Albacora Leste (P-50), Parque das Baleias (FPSO Capixaba) e de Unidades da corrente de Cabiúnas.

Segundo a Petrobras, considerando-se apenas a produção nacional de óleo, houve queda de 3,8% em julho ante junho, para 1,968 milhão de barris por dia.

A produção média de gás natural no Brasil, excluindo o volume liquefeito, ficou em 56,7 milhões de metros cúbicos por dia, estável na comparação com junho, porém 8% superior ao registrado um ano antes.

TUDO AO CONTRARIO

Basta converter ao contrário do que noticia a Petrobras para se obter a tradução do artigo abaixo:


(Reuters) - When Brazil discovered huge offshore crude reserves four years ago, state oil company Petrobras (PETR4.SA) sketched out plans to become a regional fuel exporter.That plan has since been turned upside down.

Rapid domestic economic growth and rising fossil fuels use has turned it into a recurrent fuels importer, with occasional gasoline purchases in 2010 evolving into regular imports that may not cease until the end of the decade.

This leaves Brazil following the path of other emerging markets such as China, which upended the oil products markets ten years ago with explosive demand, and the Middle East, where rising incomes have spurred demand growth.

With few signs that Brazil in the short term will be able to boost supply of sugar cane ethanol, which supplies almost half the fuel for its cars, the country is shaping up to be a demand center that energy markets will watch more closely.

"In 2006 and 2007 the focus of our discussion was adding value to Brazilian petroleum and exporting products. We were going to have a surplus of products. But in 2010 the world changed," said Paulo Roberto Costa, Petrobras refining chief.

"The rule was that fuel demand grew slower than GDP, but this changed," he said, adding Petrobras will likely maintain its dependence on foreign fuel markets.

Petrobras says gasoline imports will reach 3.2 million barrels by the end of August, an amount almost equal to the total imported in 2010. It is likely to rise by the end of the year on the seasonal demand increase.

Supplies may tighten even further within the next five years following Petrobras' decision to postpone the 300,000 barrel per day Premium I refinery by two years as it focuses on more profitable exploration and production operations.

The company plans four new refineries. The first is slated to open by late 2012 or early 2013, though construction delays could push back its start-up. Even though all the refineries will provide fuel for the local market, Brazil still expects at least 5 percent of its domestic fuel to come from abroad.

The imports should have less impact on global fuel markets in the medium term, as a slowdown in Europe and the United States has eased tightness on oil products markets.

"Brazil's fuel demand growth is likely to slow down in the near future as economies around the world begin to slow," said Mark Routt, an energy industry consultant with KBC Advanced Technologies. "But the forecast for Brazil's growth remains very robust -- it's going to be a major feature of product markets going forward."

SUGAR BOOM SOURS ETHANOL

Complicating the picture is the dim outlook for new supply of sugar-cane ethanol used by Brazil's flex-fuel cars, which can run on any combination of the biofuel and gasoline. More than 90 percent of all autos sold in 2010 were flex-fuel models.

An 85 percent jump in the price of sugar over the last year has led millers to switch away from ethanol and toward the sweetener, pushing up prices at the pump just as policy makers struggle to cool inflation.

Brazil's cane output is about 120 million tonnes shy of the capacity of mills to crush the crop. The mills in turn are unable to produce enough ethanol to meet market demand.

"It will take about three to four years before we see new ethanol mills coming onstream again," said Plinio Nastari, president of sugar consultancy Datagro. "It will take that long before the cane crop catches up to current crushing capacity."

Both Petrobras and U.S.-based Bunge have promised to boost output recently with major investments, but this will probably take several years for this to meaningfully affect supplies.

While Brazilian officials for years have decried U.S. tariff barriers that protect less efficient corn-based ethanol, Brazil's fuel supplies are so tight that it has imported 400 million liters, equivalent to 2.5 million barrels, since the start of the 2011/2012 sugar cane season.

Datagro expects ethanol imports -- from the United States mainly -- to top 1.4 billion liters by the end of the season.

Many of Brazil's family-run ethanol businesses never recovered from the 2008 financial crisis, meaning that big milling groups with cash in their pockets see better returns from snatching up distressed rivals than from starting expensive greenfield projects from scratch.

"We are in a race to supply potential markets locally, internationally, with sugar and ethanol," said Eduardo Pereira de Carvalho, the former head of the cane industry association Unica and president of industry consultant Expressao.

Antonio Barros de Castro


Por Carlos Lessa - Valor 24/08

Dia 21 de agosto faleceu meu velho amigo Antonio Barros de Castro, em um acidente quase que único, pois um pedaço de laje caiu ferindo-o mortalmente sem que houvesse sequer a destruição do computador onde trabalhava a sua frente. Castro, professor com fala de mel, extremamente responsável, estava trabalhando no domingo, preparando a aula-conferência do dia seguinte, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre a China.

Professor Emérito, reverenciado ao longo de toda a vida como docente respeitoso da dignidade e do compromisso essencial do ser professor. Brasileiro com B maiúsculo, Castro sempre pensou o mundo, a economia e a sociedade a serviço do sonho de uma civilização brasileira, sem xenofobia, sem arrogância, sem prepotência, como uma outorga de nossas qualidades potenciais.

Poderia ocupar todas estas linhas falando sobre dimensões de Castro. O professor morreu trabalhando, procurando decifrar a esfinge chamada China. Corretamente, dedicou seus últimos tempos como pesquisador comprometido debruçando-se sobre o "milagre chinês". Como modesta e sincera homenagem, quero colocar algumas linhas sobre o "milagre chinês".

Mao Tse Tung dizia, no passado revolucionário, que era necessário aprender com o povo. Hoje, em tempos de neoliberalismo, é necessário apreender o fenômeno China. Do ponto de vista geopolítico, duas visões antagônicas e complementares têm epicentro na China. Por uma vertente, assume uma bipolaridade EUA-China, que amplia, em tese, o raio de manobra para a periferia do mundo; o ascenço econômico da China estaria reduzindo o peso relativo do império americano.

Por outra vertente, a parceria EUA-China concentra poder geopolítico. Do ponto de vista econômico, o G-7 não evolui para G-20, mas, sim, é um G-2, pois praticamente todas as grandes organizações empresariais americanas fincaram pé na China. A maioria das exportações manufaturadas chinesas é realizada por filiais americanas no território chinês. O imenso superávit comercial da China absorve, sem parar, títulos do Tesouro americano. As reservas chinesas contêm a maior parcela da dívida pública americana. A filial americana na China dispõe de mão de obra treinada, educada, disciplinada. O Estado chinês fornece a base das condições sociais (educação, saúde e segurança); regula a família chinesa (inclusive a autorização para ter filhos). O Estado chinês planeja e executa todos os investimentos de infraestrutura e aperfeiçoamento de cobertura social; está implantando um gigantesco programa de Ciência e Tecnologia. Essa moldura estatal, planejada, se abriu a uma "economia de mercado" (?!) que lhe permite exercer uma política econômica interna de assimilação do conhecimento mercantil das grandes empresas não-chinesas e uma política econômica externa sem as restrições do neoliberalismo.

O Estado chinês regula câmbio, controla com mão de ferro a atividade financeira a partir de seus bancos estatais e proibições contratuais e lança mão de qualquer artifício para reproduzir vantagens "victorianas". Por exemplo, compra o bom minério de ferro brasileiro e o combina com carvão metalúrgico chinês, que é barato (subsídio disfarçado) para a siderurgia chinesa e contingenciado para a exportação. Pela "economia de mercado" (?!) compra minério de ferro brasileiro, que invade o Mercosul convertido em aço chinês, deslocando o aço brasileiro. Aliás, pela fronteira institucional do Mercosul, o Brasil está importando ônibus chineses, apenas montados no Uruguai. A empresa chinesa, seus empresários e os chineses em geral obedecem e acatam as orientações governamentais, enquanto que a empresa brasileira responde a seus puros e privados apetites. Assim sendo, a Embraer instalou uma fábrica na China, para fornecer aviões regionais; os chineses já "clonaram" os aviões da Embraer e nós, brasileiros, criamos mais um competidor internacional. Em tempo, a China zerou encomendas internas à Embraer na China. A Vale do Rio Doce, para cultivar o apetite chinês pro seu minério de ferro e, ao mesmo tempo, comprar vagões ferroviários baratos, está importando da China milhares de composições. O Brasil faz com a China negócios com a China perdedores a longo prazo para o Brasil. Não cabe crítica à China e sim deploração à cega ideologia neoliberal e a um governo serventuário não da nação, mas sim de interesses empresariais privados brasileiros e alienígenas.

Não invejo a China. Tem uma gigantesca população, em sua maioria vivendo fora das cidades; suas reservas naturais são insuficientes em petróleo e alimentos; com o crescente consumo de água para a industrialização e a vida urbana em crescimento vertiginoso, os lençóis freáticos da China do norte estão no limite de sua exploração. A China, tal como a Inglaterra dos tempos da rainha Vitória, optou por ser potência industrial, tecnológica, diplomática e militar e dominar as fontes de commodities (em bom português: energia e produtos primários). Para tal, está conquistando e submetendo economicamente a África, lançando oleodutos e gasodutos para o coração petrolífero do mundo, penetrando de maneira assustadora no Cone Sul.

Acho que o Brasil deve estudar, como meu amigo Castro estava fazendo (aliás, os chineses estudaram a industrialização brasileira, principalmente o Plano de Metas) Creio que não devemos cair no conto da Bric; o Brasil é, estruturalmente, diferente da China, da Índia e da Rússia e eu agregaria: felizmente. Temos água, enorme potencial energético (hidrelétrico e pré-sal), sol, chuva e terra para produzir todos os alimentos. No presente, nossa principal carência é de um plano de desenvolvimento que, pela industrialização e prioridade de enfrentamento da questão social, torne efetivas as potencialidades nacionais.

Num mundo em crise, o Brasil-nação tem que ser afirmado, reafirmado e explicitado. É uma estupidez dizer que o Brasil é "celeiro do mundo", tendo fome interna. É outra estupidez não desenvolver os recursos hidrelétricos da Bacia Amazônica. É outra estupidez permitir que o real se valorize em relação ao dólar (os chineses mantêm o yuan alinhado com o dólar). É uma retórica fácil e imprudente afirmar que a crise de 2008 atingiria o Brasil como uma "marola"; é uma retórica fácil e imprudente afirmar que o Brasil está bem preparado para enfrentar as ressurgências inexoráveis de uma crise que se prolongará pelos próximos anos. Entendo que o governante não deve alarmar os atores sociais, mas não perdoo a imprudência de não constituir salvaguardas em uma espécie de confiança num inexistente "jeitinho brasileiro". Recordo que, quando da crise do petróleo dos anos 70, houve governante que afirmou ser "bendita"; o Brasil do ano 2000 seria uma grande potência. O discurso do Brasil na Bric, com o mundo se deslocando para a Bric é o equivalente à bendição dos anos 70. Eu - e certamente o professor Castro - jamais desejamos que o Brasil venha a ser um satélite da China potência ou da dualidade geopolítica EUA-China.

Castro, creia que um segmento importante dos economistas brasileiros percebem que isso é uma maldição. Esteja certo que você ajudou a criar imunidades intelectuais e morais.

Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES.

TV ON LINE



SARDENBERG ANALISA DESEMPENHO DA INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS COM A CRISE MUNDIAL TEMPO: 00:03:51
Em comentário ao Jornal da Globo, Carlos Alberto Sardenberg analisa a situação dos bancos na bolsa de valores de Nova Iorque. Segundo ele, as ações das instituições financeiras já caíram 25% ao longo deste ano.

Sardenberg também fala sobre as declarações o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com relação ao crescimento do Brasil. Governo esperava que o PIB saltasse 4,5% a 5% em 2011, mas essa previsão caiu para 4%.

* CARLOS ALBERTO SARDENBERG, comentarista

*GUIDO MANTEGA, ministro da Fazenda

TV: TV GLOBO DF PROGRAMA: JORNAL GLOBO APRESENTADOR: WILLIAM WAACK

SARDENBERG: BRASIL CONTINUARÁ SENDO UM PAÍS ATRAENTE NÃO SÓ PARA APLICAÇÕES FINANCEIRAS TEMPO: 00:05:30
Em comentário ao Jornal das Dez, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg falou sobre o cenário econômico nacional e internacional e a balança comercial brasileira. De acordo com o jornalista, o Brasil continuará sendo um país atraente não só para aplicações financeiras. O fato é que os investimentos externos estão chegando a níveis superiores aos melhores dos últimos anos.

*CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista

TV: GLOBO NEWS PROGRAMA: JORNAL DAS DEZ APRESENTADOR: ANDRÉ TRIGUEIRO

Essa é a hora


Por Antonio Delfim Netto - FSP 24/08

Há uma nuvem escura sobre a economia mundial, anunciadora de possíveis dificuldades. Talvez a manifestação mais típica dessa ameaça seja a procura dos papéis do Tesouro das duas maiores economias de mercado.
Os EUA, com uma inflação anual da ordem de 3,6% ao ano e a Alemanha, com 2,4%, têm taxas de juros reais virtualmente nulas para papéis com menos de um ano.
Diante das incertezas que envolvem a economia mundial, há uma procura de abrigo nos papéis do Tesouro das duas economias. A despeito do ridículo exibicionismo da S&P, a demanda de papéis americanos tem aumentado com taxa de juro real cadente... Sinal ainda mais evidente da desesperada busca de segurança é o preço do ouro: US$ 1.873,9 por onça, em 19/8.
Se você não está confuso, é porque está desinformado!
São, no fundo, sinais de pânico no mundo em que prevalecem: 1º) a disfuncionalidade política dos EUA; 2º) as complicações da administração da Comunidade Europeia; 3º) o esgotamento das medidas tocadas por tecnocratas (as políticas fiscal e monetária) e 4º) mais importante, a evidente falta de estadistas.
O grave é que o problema se autoalimenta. A fuga para a segurança produz mais insegurança: destrói valor nas Bolsas (particularmente dos bancos "sob suspeita") e pode levar a outra interrupção do crédito interbancário, condição suficiente para ampliar a crise da economia real. O Brasil, como parte do mundo, também sentirá os efeitos da tempestade.
Nossa situação é melhor do que a da maioria dos países, mas ainda temos a maior taxa de juros real e a moeda mais sobrevalorizada do mundo!
Talvez tenhamos a chance de iniciar a solução desses problemas, ao reduzir substancialmente a taxa de juro real.
O movimento preliminar preparatório deve aproveitar a credibilidade do governo e estabelecer uma política fiscal de longo prazo, cuidadosa e crível: de crescimento de custeio abaixo do crescimento do PIB;
regras claras para a redução da taxa do financiamento da dívida com LFT; colocação de papéis do Tesouro em reais no exterior; políticas de estímulo à poupança; aumento do superavit primário; atenção ao problema da aposentadoria do servidor público; desindexação ampla, geral e irrestrita;
ajustamento da caderneta de poupança e medidas microeconômicas que reduzam o estresse do ajustamento do mercado de trabalho. A curva de juros atual parece indicar que é hora de um programa fiscal bem conformado e amplo, acompanhado de políticas microeconômicas que retirem do Banco Central o peso das incertezas fiscais (vistas pelo mercado) e lhe deem musculatura e tranquilidade para, num prazo adequado, reduzir a taxa de juros real a qualquer coisa entre 2% e 3%.

A nova política cambial da China


Por Martin Feldstein
O governo da China pode estar prestes a permitir, nos próximos meses, uma valorização mais rápida do yuan em relação ao dólar do que durante o ano passado. O câmbio permaneceu efetivamente congelado durante a crise financeira, mas o governo chinês permitiu que a moeda valorizasse desde o verão de 2010. Nos últimos 12 meses, o yuan valorizou-se 6% em relação ao dólar, sua moeda de referência.

Um incremento mais rápido da relação cambial yuan/dólar provocaria uma diminuição das exportações chinesas e incrementaria suas importações. Isso também permitiria que outros países asiáticos deixassem suas moedas se valorizar ou expandir suas exportações à custa dos produtores chineses. Isso poderia deixar satisfeitos os vizinhos da China, mas não seria atraente para os produtores chineses. Por que, então, poderiam as autoridades chinesas deliberadamente permitir que o yuan se valorizasse mais rapidamente? Existem duas razões fundamentais: reduzir o seu risco de portfólio e conter sua inflação doméstica.

Consideremos, inicialmente, a preocupação das autoridades com os riscos implícitos em seu portfólio de títulos estrangeiros. A atual carteira chinesa de US$ 3 trilhões em títulos denominados em dólar e em outros títulos estrangeiros a expõe a dois riscos distintos: inflação nos EUA e na Europa e uma rápida desvalorização do dólar em relação ao euro e outras moedas.

Inflação nos EUA ou na Europa reduziria o poder de compra dos títulos denominados em dólar ou das obrigações europeias. Os chineses continuariam possuindo o mesmo montante de dólares ou euros, mas esses dólares e euros comprariam menos bens no mercado mundial.

A única maneira de a China reduzir esses riscos é diminuir o montante de títulos em moeda estrangeira em seu portfólio. Mas a China não pode fazer isso enquanto está registrando um grande superávit em conta corrente. Durante os últimos 12 meses, o país manteve um superávit em conta corrente próximo de US$ 300 bilhões que precisa ser somado à carteira chinesa de títulos denominados em dólares, euros e outras moedas.

A segunda razão pela qual os líderes políticos da China poderiam preferir um yuan mais forte seria para reduzir a taxa de inflação doméstica na própria China. Um yuan mais forte reduziria, para os consumidores e para as empresas chinesas, os custos de produtos importados expressos em yuans. Um barril de petróleo poderia continuar custando US$ 90, mas um aumento de 10% no câmbio yuan/dólar reduziria em 10% seu preço em yuans.

Reduzir o custo das importações é significativo, porque a China importa muitos bens de consumo, equipamentos e matérias-primas. Com efeito, o total de importações anuais pela China totaliza aproximadamente US$ 1,4 trilhão, ou cerca de 40% do PIB.

Uma meta principal do recém apresentado 12º Plano Quinquenal é aumentar a renda familiar e os gastos dos consumidores a um ritmo mais rápido do que o do crescimento do PIB.

A combinação de crescimento mais rápido dos gastos domésticos e o nível atual das exportações poderia criar gargalos e tensões na capacidade de produção, provocando um rápido aumento dos preços dos bens produzidos internamente. Com o objetivo de abrir espaço para um crescimento dos gastos dos consumidores é necessário permitir uma valorização da moeda para reduzir o nível das exportações.

No que diz respeito ao que ocorreu no ano passado, o aumento de 6% na taxa do câmbio yuan/dólar poderia subestimar o aumento do custo relativo dos produtos chineses para os compradores americanos devido a diferenças nas taxas de inflação domésticas. Os preços para o consumidor chinês cresceram cerca de 6,5% no decorrer do ano passado, ao passo que os preços ao consumidor americano subiram apenas cerca de 3,5%. A diferença de três pontos percentuais implica que a taxa de câmbio yuan-dólar "real" ajustada pela inflação cresceu 9% em relação ao ano passado (ou seja, 6% de apreciação nominal acrescidos da diferença de 3% entre as inflações).

Embora essa seja a forma como governos calculam variações em taxas de câmbio reais, esse cálculo, sem dúvida, exagera a variação relativa nos preços dos bens que os americanos compram da China, porque grande parte da inflação chinesa foi causada pela alta nos preços das casas, verduras locais e outros itens não comercializáveis. É possível que os preços, em yuans, dos produtos manufaturados na China e exportados para os EUA não tenham sofrido nenhum aumento.

Embora o yuan tenha se valorizado em relação ao dólar, o dólar se desvalorizou em relação a outras importantes moedas. O declínio de 10% do dólar em relação ao euro nos últimos 12 meses implica que o yuan está efetivamente cerca de 4% mais desvalorizado em relação ao euro. O franco suíço valorizou-se mais de 40% em relação ao dólar - e, portanto, mais de 30% em relação ao yuan. Levar em conta todo o leque de países com os quais a China mantém relações comerciais implica que o valor geral do yuan provavelmente declinou nos últimos 12 meses.

O dólar provavelmente continuará caindo em relação ao euro e a outras moedas, ao longo dos próximos anos. Em consequência, os chineses poderão permitir que o yuan valorize substancialmente em relação ao dólar, caso queiram incrementar seu valor geral para diminuir o risco de portfólio da China e controlar pressões inflacionárias.

Martin Feldstein, professor de Economia em Harvard, foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Ronald Reagan. Copyright: Project Syndicate, 2011.

www.project-syndicate.org

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Petrobras reduz projeção de produção para 2020


Mas ainda sonha alto


SANTOS – A Bacia de Santos deverá atingir produção de 1 milhão de barris de óleo por dia até 2017, estimou nesta segunda-feira José Luiz Marcusso, gerente geral da unidade da Petrobras de Negócios de Exploração e Produção da bacia. A projeção foi feita durante o seminário “Desafios e Oportunidades na Baixada Santista”, promovido pelo Valor Econômico em Santos, com o objetivo de discutir oportunidades e desafios impostos à região com a exploração do pré-sal.

A Petrobras estima que a produção da Bacia de Santos deverá ultrapassar a de Campos em 2016. Em 2011, deverá atingir 150 mil barris diários. Hoje o Brasil produz aproximadamente 2,3 milhões de barris de óleo por dia, sendo quase metade desse volume fornecido por Campos, a principal bacia do país.

Marcusso destacou “mudança significativa” no direcionamento dos investimentos da estatal. O pré-sal receberá cerca de 45% dos US$ 118 bilhões a serem investidos nos próximos cinco anos na área de exploração e produção. No plano de investimentos anterior, a parcela destinada ao pré-sal foi de 30% dos investimentos na área.

Segundo Marcusso, em 2020 a produção total brasileira atingirá 4,9 milhões de barris de óleo por dia, sendo que o regime de concessões, de cessão onerosa e do pré-sal representará 69% da produção adicional.

Sobre a sede da Petrobras em Santos, o gerente prevê que a primeira torre com capacidade para 2,2 mil funcionários esteja pronta até o fim de 2013. Além dela, haverá mais dois prédios, com a mesma capacidade. Hoje a estatal ocupa seis endereços na cidade, ocupados por mil funcionários.

(Arícia Martins Valor)

Em alta em plena safra, etanol pode subir ainda mais


Valor 23/08
Diante dos sinais de que a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul do país poderá cair abaixo de 500 milhões de toneladas, o mercado começou a corrigir para cima suas projeções para os preços domésticos do etanol, que nas usinas de São Paulo já estão 44% mais altos do que em igual período de 2010.

Somente na semana passada, tanto as cotações do etanol anidro (misturado à gasolina) quanto as do hidratado (usado diretamente nos tanques) subiram 4,9% nas usinas paulistas, conforme os respectivos indicadores do Cepea/Esalq.

Segundo Alísio Mendes Vaz, presidente executivo do Sindicato Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom), a situação obriga a uma nova avaliação sobre uma eventual mudança no percentual de mistura do anidro na gasolina, atualmente em 25%. Ele afirma que o grupo de monitoramento dos estoques de etanol integrado por representantes dos segmento de distribuição e produção de etanol, além do governo, vai discutir o assunto agora em setembro.

Na média do Estado de São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o litro do etanol nos postos ainda está vantajoso em relação à gasolina. Equivale, em média, a 67,5% do preço do combustível fóssil, quando o "limite" é 70% A viabilidade se estende aos Estados de Goiás e Mato Grosso, com uma relação de 64,4% e 61,9%, respectivamente, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP) referente à semana encerrada na última sexta-feira.

No entanto, diz Vaz, é provável que nos próximos dias distribuidoras e postos de combustíveis comecem a repassar essa alta recente dos preços do etanol ocorrida nas usinas nas últimas semanas. Ontem, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado posto em Paulínia (SP) registrou alta de 0,75%, com o metro cúbico a R$ 1.284,50. Em agosto, o indicador acumula valorização de 8,67%.

Esse repasse é necessário para frear o consumo, que reagiu para cima em agosto. Ainda sem estatísticas oficiais, o Sindicom estima que as vendas semanais de etanol neste mês superaram em 10% a comercialização semanal registrada em julho. "Houve um aquecimento da demanda que deve ser estancada com o repasse de preços da usina para o consumidor", diz Vaz.

Assim, a tendência é que o etanol perca vantagem em relação à gasolina também no Estado de São Paulo. O presidente da maior comercializadora de etanol do país, a SCA Trading, Martinho Seiiti Ono, acredita que haja espaço para aumento nos preços nas bombas de até R$ 0,10 por litro. Se isso ocorrer, diz Seiiti Ono, há grandes chances de haver queda abrupta do consumo, sobretudo no Estado de São Paulo. A situação pode redundar até em nova queda dos preços do etanol na usina. As recentes altas, segundo ele, foram "precipitadas", uma vez que neste momento as usinas do Centro-Sul encontram-se na entressafra da cana.

Miriam Bacchi, a pesquisadora do Cepea e professora da Esalq, nota que, apesar de o preço do etanol hidratado no Estado de São Paulo estar próximo do limite competitivo de 70% do preço da gasolina, há várias razões que fazem com que o consumidor não adote de forma linear essa referência e não deixe o etanol de lado. "Alguns não fazem conta. Outros, têm veículos cujo rendimento do etanol é superior a 70% do rendimento da gasolina e chega a 75% ou 78%. Há aqueles, ainda, que estão conscientizados dos benefícios do etanol ao meio ambiente", resume a pesquisadora.

Para Tarcilo Rodrigues, diretor da comercializadora Bioagência, há poucas chances de os preços do etanol voltarem a recuar. "O movimento daqui em diante é de estabilização ou alta. É muito improvável que haja queda", diz.

Por enquanto, Rodrigues não identificou alteração na demanda por importação de etanol dos Estados Unidos. Desde abril até agora, segundo levantamento da Bioagência, 190 milhões de litros do biocombustível foram importados e entraram no país. Até março do ano que vem já estão contratados mais 600 milhões de litros do mercado externo.

O investimento estrangeiro no agronegócio brasileiro


Valor 23/08

A discussão causada pelo novo parecer da Advocacia Geral da União (AGU) a respeito da aquisição de terras rurais por estrangeiros despertou controvérsias e voltou a pautar um tema jurídico-econômico que já recebeu tratamento legal ainda no início da década de 1970, com a edição da Lei 5.709, que regula os procedimentos de compra e venda de terras. Os tempos eram outros e a preocupação política então era o controle, ou seja: a aquisição de terras rurais acima de determinada metragem apenas seria possível após autorização governamental, resultando em procedimento complexo pouco ou nada usado nos anos seguintes. O controle também chegava à origem do capital, já que empresas brasileiras com a maioria do seu capital social detido por estrangeiros também deveriam obter previamente a autorização.

Já na década de 1990, o cenário começa a ser alterado por razões econômicas, pois o Brasil iniciava a sua abertura ao mundo e necessitava de investimentos. Buscou-se a facilitação para o ingresso de capitais e o substrato jurídico foi alterado, especialmente com o advento da Emenda Constitucional nº 6 e do Parecer nº CG-181 da AGU de 1997, que levaram à equiparação entre empresa brasileira e a empresa brasileira detida por capital estrangeiro. Prevaleceu, desta forma, o princípio da isonomia por 14 anos, período em que inúmeras aquisições de terras rurais com capitais externos ocorreram.

Essa situação perdurou até agosto de 2010, quando novo parecer da AGU revogou o anterior sobre a matéria, que vigorou por mais de uma década, e mudou o marco regulatório sobre a realização de investimentos no agronegócio brasileiro. Até então, não havia restrições à aquisição ou arrendamento de terras rurais, desde que a empresa adquirente fosse constituída no Brasil, independentemente da origem de seu capital.

Durante os anos de vigência do Parecer da AGU então revogado, inúmeros negócios foram, de fato, formalizados. Consequentemente, esses negócios foram revestidos de juridicidade, consistindo em atos jurídicos perfeitos e, como tais, protegidos pela Constituição. Essa situação até então estável foi ameaçada por mudanças nas regras, ou mais propriamente, na verdade jurídica que até então prevalecia, da igualdade entre empresas brasileiras, independentemente da origem do capital

Tanto foi assim que os órgãos de controle, com destaque especial para o Incra, não receberam estrutura e pessoal técnico, com preparo suficiente para responder e dar vazão de forma célere e ágil a essa demanda.

A preocupação do Governo com essa situação foi acentuada a partir de 2008, quando começou a busca por fórmulas para reverter esse quadro. Com a publicação do novo parecer da AGU e sua aprovação pela Presidência da República, o documento adquiriu força similar à da lei, vinculando a administração pública, e reinterpretou a visão de 1997 em sentido diametralmente oposto: agora também a empresa brasileira detida por capital estrangeiro deve requerer autorização, revogando o princípio da isonomia. Ressalta-se que ambas as posições da AGU foram baseadas no mesmo diploma: a Constituição Federal.

Dessa maneira, uma empresa que for brasileira com maioria de capital estrangeiro não poderá comprar terras rurais sem autorização prévia do governo federal, Congresso Nacional e (ou) Incra. Além disso, há ainda limites máximos dentro de cada município que podem ser objeto de aquisição por estrangeiros, ou sociedades brasileiras com maioria do capital ou controle detido por estrangeiros.

A restrição ora imposta abrange também a possibilidade de empresas brasileiras (com capital estrangeiro) arrendar terras rurais, restringindo negócios como a produção de grãos e alimentos, ou mesmo a produção de insumos para a cadeia de produção energética e biocombustíveis, como a cana-de-açúcar, que apresenta demanda crescente.

O anúncio desse novo parecer teve como resultado prático a suspensão dos investimentos por empresas com essas características e à espera de nova regulamentação. O impacto foi imediato e estima-se que alguns bilhões em investimentos no setor agroindustrial estejam suspensos, em vista do cenário de incertezas jurídicas criado.

Um dos temores presentes em relação a essa indefinição é a preocupação com o destino do investimento que seria aplicado no Brasil. Acredita-se que esses aportes não ficarão simplesmente aguardando uma definição governamental clara sobre a segurança jurídica para sua aplicação. Dessa maneira, investidores estrangeiros poderão empregar seus recursos em outros países. Em um momento em que o Brasil vive a interiorização do desenvolvimento e riqueza, certamente tal investimento em muito contribuiria para a aceleração do avanço econômico e social do país.

A mudança na interpretação feita a partir dos mesmos diplomas denota e reforça a sensação de insegurança jurídica em nosso sistema, o que é prejudicial não só aos investidores (locais ou de outras origens), mas a todos os brasileiros. Não é positivo que o mesmo grupo de regras possa ser ora interpretado de uma forma e ora de outro, pelo mesmo órgão, a Advocacia Geral da União. Decisões sobre matérias de tamanha relevância não deveriam ficar concentradas nas mãos de poucos, mas sim levadas a debate com a sociedade, garantindo a sua participação.

Enquanto esse debate não é promovido, o governo federal deveria se manifestar, de forma clara e inequívoca, sobre o procedimento a ser adotado por sociedades brasileiras que se encontram em situação kafkaniana, esclarecendo e detalhando qual é o procedimento a ser adotado a partir da lei para aprovação de um projeto de desenvolvimento de agronegócio. Esse esclarecimento poderia inclusive conter diretrizes definidas sobre como se dará o processo de aprovação ou não - de forma clara, para que todos saibam quais são as efetivas regras do jogo. A tendência natural é que empresas invistam em ambientes que considerem mais favoráveis e seguros.

É necessário estabelecer urgentemente novo marco para a matéria, traduzindo e refletindo os anseios da sociedade brasileira, de modo a equilibrar de maneira mais racional dois valores importantíssimos: a segurança nacional e o desenvolvimento econômico do país. Não se pode continuar com a atual situação de incerteza jurídica; a questão deve ser de uma vez por todas tratada e definida pelo Congresso Nacional.

Ivandro Ristum Trevelim, doutor em Direito Civil e Imobiliário pela USP, é advogado do Souza, Cescon, Barrieu & Flesch Advogados.

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MANTEGA RECEBE PRÊMIO EM SÃO PAULO
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu o prêmio de economista do ano concedido pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). O principal assunto da noite foi a crise global.
Mantega abriu seu discurso falando sobre o cenário negativo que o mundo vive, e apontou um pequeno crescimento dos países desenvolvidos.
SONORA:
* GUIDO MANTEGA, Ministro da Fazenda.

TV: TV BAND PROGRAMA: JORNAL DA NOITE APRESENTADOR: BORIS CASOY

NÃO SE PODE DEIXAR QUE O BRASIL ENTRE EM DÉFICIT, AFIRMA DIRETOR-EXECUTIVO DO FMI
Em entrevista ao Conta Corrente, o professor e diretor-executivo do FMI, Paulo Nogueira Batista, falou sobre a balança comercial brasileira e o cenário econômico nacional. De acordo com o professor, o câmbio subrevalorizado causado por causa da alta dos preços dos produtos primários que o Brasil exporta fazendo com que o setor industrial sofra.
SONORA
*PAULO NOGUEIRA JR - diretor-executivo do FMI
*GEORGE VIDOR, jornalista
TV: GLOBO NEWS PROGRAMA: CONTA CORRENTE APRESENTADOR: GUTO ABRANCHES
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GASTOS DE BRASILEIROS NO EXTERIOR SOMAM MAIS DE US$ 2 BILHÕES EM JULHO
Com o dólar baixo, os brasileiros estão fazendo a festa dos lojistas pelo mundo. Em julho, os gastos dos brasileiros no exterior somaram quase 2,2 bilhões de dólares, um crescimento de 43% em relação ao mês anterior. O gasto dos estrangeiros no Brasil também cresceu, mas em volume menos: 12%. Com essa diferença, o Banco Central acredita que o saldo negativo deste ano será de aproximadamente 15 bilhões de dólares.
Em entrevista à Globo News, o professor e consultor de finanças Ruy Quintans afirma que, entre outras coisas, esse resultado é fruto do preço baixo nos Estados Unidos e o crescimento da renda dos brasileiros.
SONORA:
*RUY QUINTANS, professor e consultor de finanças
TV: GLOBO NEWS | PROGRAMA: EDIÇÃO DAS DOZE | APRESENTADOR: LUCIANO CABRAL
MINISTRO DA FAZENDA FALA SOBRE CRISE ECONÔMICA INTERNACIONAL EM DEBATE NO SENADO TEMPO: 00:04:2
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa de audiência no Senado para debater a crise econômica internacional. Ele afirmou que o governo fará um esforço para que as despesas de custeio sejam controladas, cresçam menos do que o PIB e que novas despesas não sejam criadas.
Mantega disse, ainda, que a consolidação fiscal tem como objetivo abrir espaço para mais investimento e reduzir os juros.
SONORA:
*GUIDO MANTEGA, ministro da Fazenda
TV: BAND NEWS | PROGRAMA: A NOTÍCIA | APRESENTADOR: CHRISTIANO BLOTA
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Ainda não é o fim do capitalismo


Por Antonio Delfim Netto - Valor 23/08

É cada vez mais claro que os EUA não souberam lidar com os descalabros produzidos pelo seu setor financeiro com estímulos explícitos do governo e sob os olhos complacentes do Fed. Pior, agiram com inacreditável miopia na solução do Lehman Brothers.

Por outro lado, a "corrida" bancária iluminou o que estava escondido na Comunidade Econômica Europeia: os truques fiscais (feitos também com a conivência do setor financeiro e das agências de risco) para ilidir os compromissos assumidos pelos países-membros no acordo de Maastricht. Ninguém, nem o G-20, o Tesouro Americano, os governos da CEE, o Fed, o BCE e o FMI, e nem os mais sofisticados analistas econômicos que "surfaram" a grande onda da aparente "moderação" do ciclo econômico, entendeu o que estava se passando...

Talvez a prova mais irrecusável dessa absoluta inconsistência sobre o que estava ocorrendo no mundo, e o que se pensava dele, seja a frase pronunciada pelo Chanceller of the Exchequer britânico, Gordon Brown, ao apresentar o projeto de orçamento na Câmara dos Comuns, em 2007. Disse ele: "Estamos vivendo uma era de desenvolvimento econômico continuado e jamais retornaremos às velhas flutuações de expansão e retração do passado". Pois bem. Antes de terminar 2007, elas estavam de volta, fortes como raramente haviam sido.

Surpreendidos, todos agiram, mas a falta de coordenação desperdiçou os enormes esforços para debelá-la: o G-20 é apenas um parlatório sem consequência; a disfuncionalidade da política dos EUA tornou seu Congresso um produtor de volatilidade, incapaz de dar confiança a produtores e consumidores; o Fed e o BEC, lidando com taxas de juros reais negativas, continuam tão perdidos como o cachorro que caiu do caminhão de mudança, e o FMI, com "cara de paisagem", assiste a tudo, produzindo "papers" que ninguém leva a sério...

O resultado final desse lamentável processo é que as custosas medidas não conseguiram cooptar a confiança dos agentes que movem o "circuito econômico" e, portanto, não conseguiram regularizá-lo: os consumidores, com medo do desemprego, aceleram a redução das suas dívidas; as empresas (com quase US$ 2 bilhões em caixa) preferem comprar papéis da dívida do governo a investir, porque não têm garantia que existirá demanda e, quando investem, o fazem em tecnologias poupadoras de mão de obra. Os bancos (com reservas gigantescas) continuam a desconfiar uns dos outros... e com razão!

O que ameaça a economia é a possibilidade de que a morna resposta do sistema econômico às políticas econômicas descoordenadas e sem eficiência (porque sem credibilidade!), acabará reduzindo o crescimento durante muitos anos, impedindo a solução do problema fiscal criado por elas mesmas. Hoje, o remédio tecnocrático (despesas públicas e juro real negativo) esgotou sua potencialidade. Os balanços do Fed e do BCE estão em limites preocupantes e os Tesouros dos EUA e dos países da CEE estão tão endividados que não se pode esperar deles muita coisa.

Essa visão pessimista da situação da economia mundial estimula alguns ingênuos, persistentes e generosos otimistas a acreditarem (pela décima vez, nos últimos 170 anos) que chegamos, enfim, ao fim do capitalismo e vamos entrar na era do solidarismo, onde o lucro será anátema e os mercados serão sociais.

A história mostra que talvez seja um pouco prematuro declarar tal morte. Capitalismo é o codinome da "economia de mercado", que foi lentamente construída ao longo da história, por uma seleção quase biológica na procura, pelo homem, de uma organização social que lhe desse, ao mesmo tempo, liberdade individual e eficiência produtiva. Ele nunca é o mesmo e modernamente tem evoluído num jogo dialético entre a escolha democrática nas urnas (onde cada cidadão tem um voto) e o mercado (onde cada um tem tantos votos quanto seja seu patrimônio).

Quando a urna erra, impondo restrições ao mercado que não cabem na contabilidade nacional, o sofrimento do eleitor leva-o a corrigir o poder incumbente; quando o mercado erra e impõe mais sofrimento do que benefícios, o eleitor é levado a corrigi-lo nas urnas.

É a urna, no fundo, que garante o aperfeiçoamento contínuo do processo de busca simultânea da liberdade de iniciativa individual e da eficiência produtiva. É a urna que vai restabelecer a "credibilidade" perdida que impediu o funcionamento da solução tecnocrática. A boa notícia é que, nos próximos 12 meses, teremos eleições livres em 24 países! O capitalismo não vai acabar. Vai dar mais um passo na mesma direção do lento processo civilizatório, como tem feito nos últimos 170 anos...

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

Fabricantes de bens duráveis lideram aumento de importações


Valor 23/08

Os fabricantes de bens de consumo duráveis predominam entre os grandes importadores que apresentaram ritmo mais vigoroso de compras no primeiro semestre deste ano. Dos 40 maiores importadores do país, 23 tiveram aumento superior à média de 29,6% de crescimento nas compras do exterior. Desse universo, nove são fabricantes de bens duráveis - Caoa, Volks wagen, Renault, Volvo, Mitsubishi, Iveco, Moto Honda, Samsung e Motorola -, cinco são tradings e quatro são da área de fertilizantes. As outras se dividem entre mineradoras e produtoras de aço, além da Petrobras.

Com elevação de 39% nas importações durante o primeiro semestre, na comparação com mesmo período do ano passado, a Samsung é a maior importadora entre as indústrias de manufaturados, à frente das montadoras de veículos e também da Embraer. Com US$ 1,48 bilhão desembarcado de janeiro a junho deste ano, as importações da Samsung só perdem para a Petrobras e para a refinaria Refap.

Benjamin Sicsú, vice-presidente de novos negócios da coreana, diz que a elevação da importação deve-se ao avanço da empresa no mercado doméstico e à falta de produção de componentes no Brasil. O faturamento da empresa cresceu 20% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período de 2010. "A empresa passou a fabricar notebooks no Brasil, produto que tem maior dependência de componentes importados." Além de computadores portáteis, a coreana produz no Brasil TVs, celulares, câmeras fotográficas e aparelhos de ar-condicionado. Também fabricante de celulares, a Motorola elevou sua importação em 91%. O valor desembarcado pela empresa no primeiro semestre foi US$ 431,9 milhões.

Para atender um mercado doméstico aquecido durante o primeiro semestre, muitas montadoras de automóveis também tiveram desembarques acima da média. A Caoa, que comercializa a marca Hyundai no Brasil, e a Volkswagen tiveram crescimento semelhante nas importações, com 32%. A Caoa desembarcou US$ 975,5 milhões e a Volkswagen, US$ 852,7 milhões. A Renault importou valor total menor, de US$ 610,2 milhões, mas suas compras externas cresceram em ritmo mais acelerado - 44,2% de janeiro a junho.

Alguns fabricantes de veículos como Toyota e Honda, porém, tiveram comportamento inverso, com redução no valor importado, embora ainda figurem entre as 40 maiores importadoras do país. A Toyota apresentou redução de 6,2% e a Honda, de 17,7%.

O quadro provavelmente é resultado da redução na produção de carros anunciada pelas duas montadoras no Brasil em razão do terremoto no Japão. A catástrofe afetou a produção de componentes naquele país, o que levou as montadoras japonesas a reduzir, ou paralisar, a produção de itens exportados ao Brasil. A Honda anunciou, porém, que a produção de motos se manteria normal, o que levou a Moto Honda da Amazônia a importar 94,6% mais.

Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, diz que o melhor desempenho das indústrias de bens de consumo duráveis reflete o crescimento da massa salarial e o ganho de renda das classes mais baixas. "Esse fenômeno, aliado ao câmbio e às operações de crédito, muito importantes para a aquisição de bens de consumo duráveis, permitiu aos fabricantes desse tipo de produto expandir vendas e provocou o aumento das importações", avalia. Os desembarques aconteceram principalmente em itens que o Brasil não produz ou nos quais houve perda de competitividade em razão da valorização do real frente ao dólar.

"Há também uma questão estrutural influenciado as importações por produtores de bens de consumo duráveis: a consolidação das cadeias globais", diz Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores. "O Brasil parou de produzir e desenvolver bens do setor eletroeletrônico, por exemplo. O Brasil ficou com a montagem final, tendo como fornecedores os países nos quais se instalaram os provedores mundiais de componentes para toda a cadeia."

A Samsung ficou, em 2010, entre os maiores importadores no Brasil com origem China e foi a segunda maior em desembarques vindos da Coreia do Sul, perdendo somente para a Caoa. No ano passado, a fabricante de eletroeletrônicos importou US$ 2,3 bilhões, o equivalente a 46% do seu faturamento anual no Brasil, de US$ 5 bilhões.

Segundo Sicsú, a expectativa da empresa é chegar ao fim do ano com crescimento de 15% a 20% do faturamento em relação a 2010. Para isso, deverá manter o mesmo ritmo de elevação de importações do primeiro semestre.

O vice-presidente de negócios lembra que a Samsung tem diversificado seu mix de produtos. Em 2009 passou a produzir no Brasil ar-condicionado e câmaras fotográficas. No ano passado foram os notebooks e há planos de lançamentos neste ano. Isso, lembra ele, tem levado a investimentos e a novas contratações. Atualmente a coreana emprega 11 mil trabalhadores diretos e houve, no primeiro semestre, crescimento de 20% no número de empregados. Ele lembra que a empresa tem feito constantes investimentos para ampliar a produção em Manaus.

"Também temos tentado aumentar a verticalização", diz Sicsú. Ele lembra que a empresa iniciou a montagem de displays no Brasil. Antes, esse componente já vinha montado. A estratégia teve como objetivo reduzir custos. "Com isso economizamos 15% do custo da importação do display já montado."

Segundo Sicsú, as encomendas para o segundo semestre estão cumprindo as expectativas para atingir o crescimento de vendas estimado para 2011. Para o executivo, há preocupação em relação ao comportamento do mercado interno em razão da nova crise financeira global, mas a companhia, diz, deve manter a estratégia de lançamento de produtos para atender novas demandas. A produção da Samsung no Brasil, lembra ele, está baseada no mercado doméstico. As exportações já chegaram a alcançar 20% da produção brasileira num período em que mercadorias eram embarcadas para Estados Unidos e México. Atualmente, diz, o custo logístico inviabiliza a exportação a distâncias maiores. Por isso, os embarques oscilam entre 5% e 10% da produção brasileira e estão restritas a países da América do Sul.

Fabricantes de ônibus e caminhões temem invasão chinesa no Brasil

Fabricantes de ônibus e caminhões brasileiros estão preocupados com a concorrência chinesa. Há receio de que fabricantes chineses, como é o caso da montadora de ônibus Yutong, utilizem o Uruguai para vender veículos ao Brasil por preços baixos, valendo-se das facilidades tributárias do Mercosul. É o que executivos do setor chamam de triangulação. Só em 2011 a Yutong tem como meta vender mais de cem ônibus no mercado uruguaio, todos importados de sua fábrica em Zhengzhou, província de Henan.

Na visão de empresas brasileiras, a importação de ônibus montados da China pode ser o primeiro passo para fazer a montagem de veículos no Uruguai. Depois de prontos, parte dos ônibus teria como destino o Brasil, onde os veículos poderiam entrar sem pagar imposto de importação. Entre executivos do setor existe também a avaliação de que a valorização do real permite aos chineses exportar diretamente e entrar no mercado brasileiro de forma competitiva, mesmo pagando 35% de imposto de importação.

"Há receio de que o Uruguai seja usado em triangulação para trazer ônibus desmontados ou semi-montados da China", disse Rodrigo Pikussa, gerente de exportações da Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus com sede em Caxias do Sul (RS). Segundo Pikussa, o que existe por enquanto são movimentos indicando a possibilidade de uma montagem local no Uruguai, mas sem nenhum fato concreto.

Mesmo assim, a empresa vem tratando o assunto no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Pikussa avaliou que o Uruguai é hoje o mercado próximo ao Brasil onde os ônibus chineses estão mais consolidados. Além da Yutong, há outros fabricantes chineses de ônibus presentes com vendas no Uruguai, como é o caso da Foton.

Em caminhões, nomes como Howo, pertencente à Sinotruk, e Shacman, além da própria Foton, marcam presença no mercado uruguaio, segundo a consultoria Autodata. Dados da empresa indicam que a Shacman vendeu 117 caminhões no Uruguai este ano e a Howo, 28 unidades.

A Yutong fez vendas de ônibus urbanos e rodoviários para duas das principais empresas uruguaias do setor, Cutcsa e Copsa. S.P. Chang, consultor da Primatur, empresa que representa a Yutong no Uruguai, disse que qualquer decisão sobre montar ônibus chineses no mercado uruguaio depende da matriz da empresa, na China.

Ele minimizou a preocupação da indústria brasileira sobre a concorrência a ser imposta pelos chineses. E disse que um executivo da Yutong já manteve contatos no Brasil de olho no potencial do mercado nacional de ônibus. A Primatur representa a Yutong no Uruguai desde dezembro de 2006 e, até o fim de 2010, vendeu cerca de 200 ônibus no país. Esse número deverá ultrapassar 300 unidades até o fim deste ano, disse.

Pela primeira vez este ano, os fabricantes chineses de caminhões estarão participando da Fenatran, a principal feira de transporte de carga do Brasil, de 24 a 28 de outubro, no Anhembi, em São Paulo. Hércules Ricco, diretor da Fenatran, disse que os fabricantes Shacman, Sinotruk e Foton estarão presentes ao evento com estandes médios de 340 metros quadrados cada um. Os chineses vão apresentar seus produtos ao lado de fabricantes nacionais tradicionais. De forma inédita, será possível fazer test drive de caminhões no evento.

Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, disse que a preocupação com os chineses inclui tanto caminhões como ônibus. E não se limita ao curto prazo, mas também em horizonte de tempo maior, levando em conta a necessidade de os chineses contarem, no Brasil, com uma rede de assistência técnica para prestar serviços nas várias regiões do país.

Os caminhões chineses podem chegar, segundo Cortes, por preços muito baixos, mesmo pagando imposto de importação. O presidente da MAN reconheceu, porém, que é difícil provar danos para permitir a aplicação de medidas de defesa comercial contra os chineses, como o antidumping.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Central de crédito estreia com R$ 80 bi


Valor 22/08

Após quatro meses de atraso, começa a funcionar na segunda-feira a tão esperada Central de Cessão de Crédito (C3), onde todas as operações de compra e venda de carteiras de crédito entre os bancos terão de ser registradas. A expectativa de governo e bancos é conferir maior transparência e, consequentemente, segurança às operações de cessão de carteira, fonte tradicional de captação de recursos de bancos pequenos e médios. Desde a descoberta do rombo bilionário no PanAmericano, a compra e venda de ativos de crédito entre bancos patina.

A C3 dá início aos trabalhos com 13,153 milhões de contratos de créditos já negociados em estoque, que contemplam 1 bilhão de parcelas e volume financeiro estimado em R$ 80 bilhões. Os bancos vinham alimentando o sistema desde março. Cerca de 60% dos ativos são créditos consignados em folha de pagamento e os 40% restantes, originados em financiamentos de veículos. No ano que vem, outras modalidades deverão ser incluídas no rol da C3, como créditos pessoal e imobiliário.

A expectativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é que o atual saldo de R$ 80 bilhões em operações de cessão de crédito possa, em seis meses, passar para R$ 130 bilhões. Tal patamar marcaria a volta à "normalidade" do mercado de cessões, como no período anterior a novembro de 2010, quando estourou o escândalo do PanAmericano.

A cifra pode até ser maior, caso a segurança a ser conferida pela C3 não só ajude a expandir o volume de operações como também traga de volta a esse mercado bancos, sobretudo estrangeiros, que haviam parado de comprar carteiras. Até o momento, 55 instituições financeiras participam da C3 - 41 como vendedoras (cedentes) e 14 como compradoras (cessionárias).

A Febraban trabalha com um número potencial de 116 bancos participantes. "Instituições financeiras que nunca haviam atuado no mercado de cessão de crédito já vieram nos sondar", observa Ademiro Vian, diretor adjunto de produtos e financiamento da entidade.

A C3 é operada pela Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), ligada à Febraban. O sistema cruza os dados de carteiras vendidas e, na outra ponta, de portfólios comprados, checando as informações. O objetivo é evitar a duplicidade na venda de ativos, como aquelas detectadas no escândalo do PanAmericano, assegurando que o comprador do crédito está, de fato, levando um ativo que não foi cedido para outro banco.

Por enquanto, dinheiro não circula pela C3, só papel. Mas, a partir de 21 de novembro, a CIP passará também a liquidar as transações financeiras das operações de cessão de crédito. O banco comprador terá o valor do negócio debitado eletronicamente e transferido para o banco vendedor. A custódia dos títulos de crédito poderá ser feita tanto pela CIP como pela Cetip.

A CIP também trabalha na adaptação da C3 para que as garantias dos financiamentos possam ser incluídas nas operações de cessão ainda no primeiro semestre de 2012. No caso de um financiamento de automóvel, por exemplo, cuja garantia é o veículo, a alienação do carro poderá ser transferida do banco financiador (que liberou o empréstimo) para o banco que eventualmente for comprar a carteira. Hoje, essa alternativa não existe. "Por isso que grande parte das cessões é feita com coobrigação", diz Vian. "Como a garantia não acompanha a cessão, o banco comprador do crédito prefere dividir o risco."

Além das cessão de crédito entre bancos, a C3 vai intermediar a compra e venda de ativos entre fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs). Esses fundos estão registrando participação na central de cessão aos poucos, por meio dos bancos que prestam serviço de custódia para eles. Boa parte da indústria - existem 334 FIDCs cadastrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com patrimônio total de R$ 60 bilhões - ainda não está com os sistemas adaptados para participar da C3, segundo Vian. Encontram-se registrados 2,9 milhões de contratos de FIDCs na central, com volume estimado em R$ 11,6 bilhões. "Dentro de 30 dias, a maioria dos fundos de recebíveis já deve estar apta."

Por determinação do Conselho Monetário Nacional, todas as operações de cessão de crédito que envolvam empréstimos consignados e financiamentos de veículos, incluindo os ativos que estão em FIDCs, sejam registradas na C3.

TV ON LINE


CRISE NOS EUA E EUROPA DEVE REDUZIR CRESCIMENTO DO BRASIL
21/08/2011 - 22:00 - GLOBO NEWS, JORNAL DAS DEZ
A crise que abala os Estados Unidos e a Europa pode reduzir o crescimento do Brasil este ano. A equipe econômica já trabalha com projeções menores para o PIB. Mas com a inflação em alta, a expectativa é que o BANCO CENTRAL não mexa na taxa de juros.
Âncora: Ana Carolina Raimundi
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

''China desacelerará para inimagináveis 3%''



Mesmo que isso não ocorra, Pettis diz que demanda por commodities não alimentícias cairá,afetando o Brasil
22 de agosto de 2011 0h 00 Agencia Estado


ENTREVISTA

Michael Pettis, professor na Universidade de Pequim

Tradicionalmente pessimista em relação à China, o americano Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, acredita que o país vai desacelerar de maneira "dramática" depois de 2013, para inimagináveis 3% de crescimento ao ano. Mas, mesmo que isso não ocorra, ele afirma que haverá queda na demanda por commodities não alimentícias, em razão do inevitável processo de correção dos profundos desequilíbrios da economia chinesa, que se manifestam no excessivo investimento e anêmico consumo. Para o Brasil, essa eventual mudança é crucial, já que pode afetar diretamente as vendas de minério de ferro, o principal produto de exportação nacional. A seguir, os principais trechos da entrevista, feita num café em Pequim:

Qual seu cenário para a China? Eu acredito que a China vai desacelerar de maneira dramática, para 3% depois de 2013. Mesmo que o crescimento fique em 9%, no que eu não acredito, o ritmo do investimento vai ter de diminuir de maneira significativa e ser substituído pela expansão no consumo, no processo de reequilíbrio da economia. Se houver a substituição do investimento pelo consumo, isso terá grande impacto sobre o Brasil. Quando os chineses consumirem, eles vão comprar roupas, ir a restaurantes, consumir serviços de saúde e construir menos metrôs e prédios. Eu acredito que a demanda total vai cair muito, mas, mesmo que ela permaneça a mesma, ela vai mudar de bens de investimentos para bens de consumo. Portanto, a demanda por commodities não alimentícias, como minério de ferro e cobre, vai cair de qualquer maneira.

O agravamento da crise nos Estados Unidos e na Europa aumentou a pressão sobre a China para reequilibrar sua economia?

Sim. Nos anos 70, os Estados Unidos e a Europa tiveram uma crise e o Brasil, não. Graças à reciclagem de petrodólares, houve um enorme aumento dos investimentos e um boom no preço de ativos, o que atrasou o ajuste no Brasil. Mas isso se tornou insustentável quando os níveis de endividamento ficaram muito altos. Nós vamos ver a mesma coisa.

Mas por que a China vai desacelerar?

Porque o que está promovendo o crescimento também está agravando os desequilíbrios. O consumo está aumentando muito lentamente, porque o rápido crescimento é gerado por transferências das famílias, por meio de baixos salários, baixa taxa de juros e moeda depreciada. Isso reduz o consumo e subsidia o crescimento, gerando dois grandes desequilíbrios. O primeiro é o fato de o consumo ser muito baixo em relação ao PIB (34%). O crescimento chinês está sendo sustentado pelo superávit comercial - e com o mundo em uma situação difícil, ele não pode continuar a crescer - e investimento, mas o investimento tem sido mal alocado. Isso significa que a dívida está crescendo, o que gera um problema de sustentabilidade.

O que isso significa para países como o Brasil, que dependem da China em razão da exportação de commodities?

Mesmo que o crescimento chinês continue elevado, a taxa de investimento vai cair de maneira dramática e isso vai provocar queda no preço de commodities não alimentícias. Se o consumo se expandir, o consumo de alimentos vai aumentar, já que as pessoas terão mais dinheiro para comprar comida. Se a China conseguir manter elevadas taxas de consumo, os alimentos não serão afetados de maneira dramática. Mas, se a taxa de consumo também desacelerar, isso também afetará o preço dos alimentos. O Brasil exporta os dois tipos de commodities. As não alimentícias serão afetadas dramaticamente e as alimentícias podem ou não ser afetadas.

O ajuste chinês é necessariamente ruim para o Brasil?

Depende do horizonte de tempo. No curto prazo, será muito ruim. Mas o que aconteceu nos últimos 10 a 20 anos no Brasil é que o País gastou grande parte dos anos 70 e 80 tentando reverter a crescente dependência de commodities. Acreditava-se que o excesso de dependência das commodities era uma das fontes de fragilidade dos países em desenvolvimento e houve um esforço para diversificar e criar uma fonte de crescimento mais equilibrada. Se eles estavam certos - e eu acredito que estavam -, a queda no preço das commodities vai forçar o Brasil a reduzir seu peso, o que será muito doloroso, mas necessário. A menos que você acredite que, desta vez, as pessoas que dizem que o preço das commodities nunca vai cair estão certas. E elas disseram isso muitas vezes nos últimos 200 anos e sempre estiveram erradas.

A falta de transparência do BC e da política monetária


Por Luiz Antônio de Oliveira Lima - Valor 22/08

Índices sobre o desemprego formal e informal divulgados pelo IBGE apontam para uma taxa de 6,2% no mês de junho, inferior à de maio (6,4%) e à do mesmo mês em 2010 (7%). À primeira vista tal resultado indica uma tendência para o aquecimento no mercado de trabalho e a continuação de pressões inflacionárias. Uma análise mais detalhada de dados complementares indica que tal conclusão pode ser enganosa. Primeiramente, verificou-se que a taxa caiu proporcionalmente muito mais para o desemprego informal do que para o formal e que a indústria criou apenas 22 mil postos de trabalho no mês de junho, metade do valor criado no mesmo mês do ano passado.

Dos 215 mil postos formais criados no mês de junho, um terço pertence ao setor agrícola, o que é um crescimento pontual, dependente de fatores sazonais. De acordo com o Ministério do Trabalho, foram criadas no primeiro semestre deste ano 200 mil vagas a menos do que em igual período de 2010.

Tais considerações indicam em primeiro lugar que a pressão no mercado por trabalho informal aumentou, caindo para o formal (o rendimento real médio do setor informal cresceu bem acima do setor formal, supostamente mais qualificado), colocando em dúvida hipótese de que a escassez de mão de obra qualificada estaria pressionando a inflação. O segundo ponto a ser considerado é de que o modelo de "regras inflacionárias" adotado pelo Banco Central para justificar sua política de aumento da Selic (atualmente em 12,5%) toma como referência apenas a taxa de desemprego vigente expresso por um só numero, sem considerar a dinâmica complexa do mercado de trabalho.

A definição de tal estratégia é geralmente baseada em dois tipos de argumento: o primeiro diz respeito ao mercado de trabalho e o segundo à obediência de uma regra monetária ou a aquilo que alguns chamam de uma "boa gestão monetária". A meu ver nenhum desses argumentos apresenta uma justificativa empírica ou conceitual adequada. Subjacente ao primeiro argumento está a hipótese de que há uma taxa de desemprego não compatível com pressões inflacionárias, que pode ser identificada pela expressão "taxa natural de desemprego".

A hipótese corrente é que o desemprego no Brasil já atingiu tal patamar que uma política de elevação da taxa de juro básica (Selic) seria a forma adequada para evitar a aceleração maior da inflação. Não há dúvida de que a elevação de juros juntamente com a redução do gasto público terá como efeito a redução da demanda global, levando as empresas a se livrarem de seus estoques, tudo isto provocando a queda da produção e dos preços.

Porém, não se tem discutido as consequências de tal dinâmica: uma recessão provoca a desqualificação da mão de obra que fica desempregada e uma deterioração dos equipamentos das empresas de tal forma que, no caso de recuperação, a economia estará mais frágil do que antes.

O problema com esse diagnóstico é a dificuldade em especificar o valor da taxa natural de desemprego e o correspondente Produto Interno Bruto (PIB) potencial da economia, isto é, aquele valor que poderia ser produzido sem pressões inflacionárias. Econometristas da Universidade de Harvard, embora reconhecendo uma certa regularidade empírica entre inflação e desemprego calcularam para a economia americana que o valor de tal taxa encontra-se entre 4,3 e 7,3 pontos percentuais de tal maneira que qualquer um desses valores nesse intervalo poderia ser consistente com essa taxa. Para o Brasil será diferente? Sabemos qual a taxa natural de desemprego?

O segundo argumento mencionado diz respeito à aplicação de uma regra monetária a qual alguns articulistas econômicos identificam com o que chamam "boa gestão monetária". Segundo tal argumento, toda vez que a taxa da inflação for maior que a meta inflacionária (atualmente 4,5%) o BC deveria elevar a taxa de juro em um valor maior que a taxa de juro vigente, de modo a atingir no longo prazo uma taxa que não levasse a pressões inflacionárias, ou seja, a taxa de juro real de equilíbrio de longo prazo. Os problemas que decorrem da aplicação do modelo de metas têm a ver com a determinação da taxa natural de desemprego já discutido acima, bem como com a determinação da taxa de juro de equilíbrio de longo prazo. Segundo Alan Blinder, ex-vice-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), tal taxa "é difícil de calcular e conhece-la, deve ser pensada antes como um conceito do que como um número real".

O modelo de metas do BC para a determinação da taxa básica de juro não leva em consideração tais dificuldades e faz a enorme simplificação de identificar a taxa real de juro de longo prazo com a taxa de crescimento potencial de nossa economia.

Finalmente, uma regra monetária para determinar se a taxa de juro básica em uma situação em que ocorre elevação autônoma dos custos de produção (preço do petróleo, preço dos alimentos e matéria-prima etc.) é temporária, de acordo com o próprio John Taylor, o formulador do modelo de meta inflacionárias, não deve ser aplicada mecanicamente. Para citá-lo textualmente "quando isso ocorre, e se espera que o choque de custos retroceda automaticamente, convém que o BC retarde o aumento da taxa de juro, podendo-se evitar assim uma queda no PIB real".

A discussão de todas essas implicações da "boa gestão monetária" mostra que é necessário torna-las públicas. É o mínimo que se pode exigir para a transparência na aplicação de uma política econômica que se pretende racional.

Luiz Antônio de Oliveira Lima é professor do Depto de Planejamento e Análise Econômica da Escola de Administração de Empresas de São Paulo- Fundação Getulio Vargas

'Foi um motim de consumidores excluídos', diz sociólogo Zygmunt Bauman - O Globo


'Foi um motim de consumidores excluídos', diz sociólogo Zygmunt Bauman - O Globo

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Demanda de BCs por ouro quadruplicou no 2º tri


Rhiannon Hoyle | Dow Jones Newswires
19/08/2011

Os bancos centrais estão recompondo suas reservas de ouro, o que quadruplicou o total de suas compras no mercado no último trimestre, na tentativa de reduzir sua dependência em relação às tradicionais moedas de reserva, como o dólar americano.

Mesmo com os preços do ouro em níveis recordes de alta, os bancos centrais dos mercados emergentes reacenderam o interesse do setor oficial pela compra de ouro. Eles estão diversificando suas reservas cambiais, que cresceram com a expansão de seu setor exportador. Mais recentemente, eles também compraram ouro em resposta às persistentes crises da dívida soberana que afetaram moedas de reserva tradicionais, como o dólar e o euro. Os analistas dizem que essa tendência, muito provavelmente, persistirá.

"Prevemos que teremos mais sustentação da demanda proveniente das compras do setor oficial, uma vez que vários países influentes estão ficando pessimistas quanto à situação do dólar americano como moeda de reserva", disseram analistas do banco suíço Credit Suisse.

Os bancos centrais compraram 64,9 toneladas de ouro no segundo trimestre, volume mais do que quatro vezes maior que as 14,1 toneladas computadas no mesmo período do ano passado, disse ontem o Conselho Mundial do Ouro.

No primeiro semestre do ano as compras de ouro pelos bancos centrais totalizaram 192,3 toneladas, mais do que 2,5 vezes o volume de 72,9 toneladas adquirido nos seis primeiros meses de 2010, informou o conselho.

Antes de 2009, no entanto, os bancos centrais foram vendedores líquidos de barras de ouro por cerca de duas décadas. Segundo os analistas, o metal era encarado como um investimento obsoleto e, em vista de seu baixo valor durante a década de 1990 até o início da década de 2000, as autoridades do governo optavam por reduzir suas participações em ouro, em grande medida em favor de papel-moeda.

O crescimento da demanda da parte do setor oficial - que engloba os bancos centrais e outras instituições, como o Banco de Compensações Internacionais (BIS, pelas iniciais em inglês) -,está atraindo outros investidores de volta para o ouro. As compras pelas instituições oficiais torna o metal um ativo mais atraente, uma vez que ele é visto como uma reserva de valor alternativa saudável.

Os preços do ouro subiram para um novo recorde de alta de US$ 1.826,61 a onça no mercado à vista ontem, enquanto as bolsas e outros ativos de risco continuavam a cair diante do agravamento das preocupações em torno da saúde das economias americana e da zona do euro.

O ouro é encarado em amplos círculos como um ativo que proporciona um refúgio seguro em tempos de incerteza da economia.

"Vimos os bancos centrais migrarem para a ponta da demanda do mercado, principalmente num momento em que países com superávits [da balança comercial] da Ásia e da América Latina tiveram que reequilibrar suas posições em metal", disse Marcus Grubb, diretor-executivo de investimentos do Conselho Mundial do Ouro.

A mudança tende a contribuir para instilar confiança no ouro entre os investidores não pertencentes ao setor financeiro, num momento em que procuram um "selo de aprovação" para ativos financeiros alternativos em meio à turbulência dos mercados mundiais, disse Grubb.

A demanda mundial total por ouro recuou 17% no segundo trimestre, para 919,8 toneladas, comparativamente ao mesmo período do ano passado. O Conselho Mundial do Ouro atribuiu a queda à retração da demanda pelo produto negociado em bolsa, que ficou muito aquém de seus notáveis recordes de alta do início de 2010.

Em termos de valor, a demanda por ouro alcançou US$ 44,5 bilhões no segundo trimestre - o segundo nível trimestral mais elevado já registrado. A demanda por ouro da parte do setor de joias também subiu 6% no segundo trimestre, enquanto a demanda do metal para fins tecnológicos cresceu 2% e a procura por barras e moedas subiu 9%.

Prevê-se que os bancos centrais, que foram por tanto tempo fornecedores do mercado, serão uma fonte sustentável de demanda nos próximos anos.

Este ano, o México aumentou suas reservas de ouro em quase 100 toneladas -- elevando seus volumes, até então mínimos, para cerca de 106 toneladas. O Banco do México, que tradicionalmente mantém a maior parte de suas reservas em investimentos denominados em dólar, disse que as compras foram parte da política do banco com relação aos investimentos e à diversificação dos ativos. Desde que vendeu mais de US$ 30 bilhões no mercado de câmbio para respaldar o peso, entre outubro de 2008 e outubro de 2009, durante a crise financeira mundial, o banco central vem acumulando reservas em níveis recorde como proteção contra futuros surtos de turbulência financeira mundiais.

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TV ON LINE


MERCADO FINANCEIRO EM BAIXA 18/08/2011 - 23:40 - SBT, JORNAL DO SBT (NOITE) O pessimismo no mercado internacional voltou a derrubar as bolsas de valores no mundo. Nesta sexta-feira, Tóquio e Seul já abriram o pregão em baixa. Âncora: Carlos Nascimento e Cynthia Benini Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
COMENTÁRIO DE SARDENBERG
18/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
Comentário de Carlos Alberto Sardenberg.
* Assunto: Queda do mercado financeiro.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL AFIRMA QUE A INFLAÇÃO CAIRÁ MAIS
18/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
Mais a inflação brasileira cairá fortemente a partir de setembro segundo o Presidente do BANCO CENTRAL ALEXANDRE TOMBINI.
Âncora: Guto Abranches.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
IPEA: BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR A TURBULÊNCIA ECONÔMICA
18/08/2011 - 20:50 - NBR, NBR NOTÍCIAS (NOITE)
A instabilidade financeira internacional é uma oportunidade para o Brasil fazer mudanças na política monetária. A conclusão é de um estudo do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
* Cláudio Hamilton. pesquisador do Ipea.
Âncora: Natália Pereira e Renata Corsini
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
BOLSAS DO MUNDO TODO FECHARAM EM BAIXA
18/08/2011 - 20:55 - REDE TV!, REDE TV NEWS
As bolsas despencaram no mundo todo nesta quinta-feira por conta de novos temores de uma recessão global.
* Kané Badaa, prof. da Univ. Sorbonne.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Uma dor de cabeça de US$ 3,2 trilhões


Yao Yang
19/08/2011 Valor 19/08

Embora o rebaixamento dos títulos de dívidas do governo dos Estados Unidos pela Standard & Poor's (S&P) tenha chocado os mercados financeiros em todo o mundo, a China tem mais razões do que a maioria para preocupar-se: a maior parte - mais de 60% - de suas reservas internacionais oficiais, de US$ 3,2 trilhões, é denominada em dólares, incluindo US$ 1,1 trilhão em bônus do Tesouro dos EUA.

Desde que os EUA não entre em moratória, qualquer perda que a China possa ter com o rebaixamento será pequena. Naturalmente, o valor do dólar recuará, impondo perdas no balanço do Banco do Povo da China (BPC, o banco central chinês). A queda do dólar, no entanto, tornaria mais barata a compra de bens americanos pelos consumidores e empresas da China. Se os preços ficarem estáveis nos EUA, como é o caso agora, os ganhos com a compra de bens americanos deverão compensar as perdas no balanço do BPC.

O rebaixamento poderia, além disso, obrigar o Tesouro dos EUA a elevar os juros nos novos bônus, caso em que a China sairia beneficiada. O rebaixamento promovido pela S&P, no entanto, foi uma decisão ruim, tomada no momento errado. Se as dívidas dos Estados Unidos realmente se tornaram menos confiáveis, eram ainda menos confiáveis antes do acordo para elevar o teto de endividamento do governo, alcançado em 2 de agosto pelo Congresso e o presidente do país, Barack Obama.

O acordo permitiu que o mundo tivesse esperança de que a economia dos EUA embarcaria em um caminho mais previsível em direção à recuperação. O rebaixamento corroeu essa esperança. Algumas pessoas até preveem uma recaída recessiva. Se isso acontecer, a chance de inadimplência dos EUA seria muito maior do que é hoje.

Essas novas preocupações vêm fazendo soar alarmes na China. Diversificar-se, afastando-se dos ativos em dólar, é o conselho do dia. A tarefa, contudo, não é fácil, particularmente no curto prazo. Se o BPC começasse a comprar ativos não denominados em dólar em grandes volumes, precisaria invariavelmente converter alguns dos atuais ativos em dólar em outras moedas, o que empurraria o valor do dólar para baixo, aumentando, portanto, os custos do BPC.

Outra ideia em discussão nos círculos políticos chineses é permitir a valorização do yuan em relação ao dólar. Grande parte das reservas oficiais da China foi acumulada porque o BPC tenta controlar a taxa de câmbio do yuan, mantendo sua valorização dentro de uma faixa razoável e em ritmo moderado. Caso permitisse uma maior valorização do yuan, o BPC não precisaria comprar grandes volumes de moedas estrangeiras.

Para a valorização do yuan funcionar, no entanto, seria preciso reduzir os influxos líquidos de capital, assim como o superávit em conta corrente. A experiência internacional sugere que, no curto prazo, quando uma moeda se valoriza, mais capital entra no país; e a maioria dos estudos empíricos mostra que valorizações graduais têm impacto apenas limitado na posição de conta corrente dos países.

Se a valorização não reduzir o superávit em conta corrente e a entrada de capitais, a taxa de câmbio do yuan está destinada a enfrentar mais pressões de alta. É por isso que algumas pessoas defendem que a China promova uma grande valorização de uma só vez - grande o suficiente para neutralizar as expectativas de mais valorização e dissuadir a entrada de dinheiro "quente", especulativo. Tal revalorização também desencorajaria as exportações e encorajaria as importações, reduzindo o superávit comercial crônico da China.

Uma medida como essa, entretanto, seria quase suicida para a economia da China. Entre 2001 e 2008, o crescimento das exportações representou mais de 40% da expansão total da economia chinesa. Ou seja, o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) da China seria 4 pontos percentuais menor, se as exportações não crescessem. Além disso, um estudo do Centro de Análises Econômicas da China mostrou que uma valorização de 20% em relação ao dólar traria queda de 3% no emprego - mais de 20 milhões de empregos.

Não há cura de curto prazo para o problema chinês de US$ 3,2 trilhões. O governo precisa recorrer a medidas de longo prazo para mitigar o problema, entre os quais a internacionalização do yuan. A possibilidade de usar o yuan na liquidação das contas de comércio internacional da China ajudaria o país a escapar da política dos EUA de "empobrecer o vizinho" ao permitir a drástica queda do valor do dólar em relação às moedas dos rivais comerciais.

O problema de US$ 3,2 trilhões da China, no entanto, se tornaria um problema de 20 trilhões de yuans, se a China não conseguisse reduzir seu superávit em conta corrente e evitar a entrada de capital. Não existe escapatória da necessidade de ajustes domésticos estruturais.

Para conseguir isso a China precisa elevar a participação do consumo doméstico em seu PIB. Isso já está, por escrito, no 12º Plano Quinquenal do governo. Infelizmente, como a inflação está elevada, o ajuste estrutural foi adiado, com os esforços para controlar a expansão do crédito tornando-se a prioridade do governo. Essa desaceleração forçada nos investimentos, por si só, vem aumentando a poupança líquida da China, ou seja, o superávit em conta corrente, enquanto restringe a expansão do consumo doméstico.

A valorização real do yuan é inevitável enquanto o padrão de vida da China estiver correndo atrás do verificado nos EUA. De fato, o governo chinês não pode conter a inflação enquanto mantém o valor do yuan estável. O BPC deveria almejar uma valorização real da taxa de câmbio do yuan, em vez de tentar controlar o índice de inflação com um yuan estável. E, depois, o governo precisa dar mais atenção ao ajuste estrutural - a única cura eficiente para a dor de cabeça de US$ 3,2 trilhões da China.

Yao Yang é diretor do Centro para a Reforma Econômica da China, da Universidade de Pequim. Copyright: Project Syndicate, 2011.

Sinais de desaceleração começam a se multiplicar

EDITORIAl valor 19/08

Alguns indicadores do nível de atividades da economia brasileira divulgados nesta semana vão certamente influenciar as expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim do mês. Se o cenário internacional já sugeria cautela, o doméstico reforça essa posição e certamente vai pesar no futuro da taxa básica de juros (Selic), que está em 12,50% ao ano.

A informação mais significativa foi o recuo de 0,26% do IBC-BR de junho em relação a maio - a primeira queda desde dezembro de 2008, quando a crise internacional já atingia o Brasil com intensidade, exigindo medidas anticíclicas para tentar reativar a economia. Com o recuo de junho, o índice do segundo trimestre fechou com alta de apenas 0,69% em comparação com o trimestre anterior.

Calculado pelo Banco Central (BC) como indicador que busca antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-BR tem desempenhado bem esse papel. Por isso, o IBC-BR que acaba de ser divulgado sinaliza importante desaceleração da economia e que as medidas tomadas pelo governo para esfriar o nível de atividades começam a fazer efeito. A estimativa do PIB para o segundo trimestre, com base no IBC-BR, é de 0,7% de crescimento, abaixo do 1,3% de variação do primeiro trimestre. O desempenho do IBC-BR no segundo trimestre, em termos anualizados, é inferior a 3%, bem abaixo das taxas de 4,5% a 5,5% dos trimestres anteriores.

O resultado do IBC-BR levou várias instituições financeiras a revisarem as estimativas para o PIB do ano, mais para perto de 3% do que dos 4% anteriormente esperados. É um número bem inferior aos 7,5% exuberantes de 2010 e ao que outros emergentes prometem para este ano - a China deve crescer 9,5% -, mas obviamente muito melhor do que parece reservado para as economias avançadas.

Por outro lado, crescer menos tira pressão da inflação e, portanto, dos juros. Fontes do Banco Central vazaram para a imprensa a avaliação de que o resultado do IBC-BR reforça a convicção do Copom de que a inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convergirá para o centro da meta (4,5%) já em 2012.

Analistas já esperavam o recuo do nível de atividades em função do comportamento da indústria e do varejo nos últimos meses. Depois de ter crescido 1,1% em maio, a produção industrial encolheu 1,6% em junho. A retração indústria de transformação influenciou o resultado do setor, apesar da estabilidade na construção. Até regiões tradicionais como São Paulo foram atingidas. No semestre, a expansão foi de 1,7%. O Valor apurou que o segundo semestre com estoques elevados nas revendas de automóveis e distribuição de aço, o que indica compras menores junto à industria. No varejo as vendas perderam o ímpeto e, depois do aumento de 0,7% em maio, cresceram apenas 0,2% em junho.

Sugerem igualmente uma desaceleração os dados da geração de emprego formal, calculada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados 140.563 postos de trabalho em julho, quase 40% a menos do que em junho, quando 234 mil novas vagas foram criadas. Em comparação com igual mês de 2010, a queda foi de 22,5%.

Foi o terceiro mês consecutivo de redução no número de vagas criadas, encolhimento que atingiu inclusive o setor de serviços, que vinha puxando o emprego no país. De janeiro a julho, surgiram 1,59 milhão de novos postos de trabalho, 14,1% a menos do que o 1,85 milhão de vagas criadas em igual período de 2010.

Mas, prever o futuro nunca é tão fácil. Na contramão desses indicadores, a receita de impostos continua explodindo, sugerindo uma economia em expansão. A Receita Federal acaba de divulgar que arrecadou, em julho, R$ 90,247 bilhões em impostos, contribuições federais e previdenciárias, segundo maior valor do ano. O crescimento real sobre o mês anterior foi de 8,92% e sobre o mesmo mês de 2010 foi de 21,31%. No acumulado do ano, a arrecadação é também recorde e soma R$ 555,857 bilhões, com aumento real de 13,98%. Apenas a receita de impostos cresceu 14,40% reais no ano.

Contribuiram para o recorde receitas extraordinárias com o pagamento de R$ 5,8 bilhões em CSLL devido por uma das maiores empresas do país em razão de encerramento de uma disputa judicial, e de R$ 2,264 bilhão referentes ao Refis da crise. Mesmo sem isso a arrecadação continua expressiva.

O mais perigoso nesse momento é que informações contraditórias podem conduzir a avaliações erradas da conjuntura.

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