segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ruina europeia empurra o mundo para recessão


jbdela
07/08 Blog do Vicente
POR ANA D'ANGELO E ROSANA HESSEL, do Correio Braziliense

Em uma Europa ensolarada, com os termômetros sempre acima dos 30 graus, as principais autoridades da União Europeia não se intimidaram em curtir as férias de verão. Depois de entregarem mais um pacote de socorro de 85 bilhões de euros à quebrada Grécia, em 22 de julho, a sensação do dever cumprido ficou latente. Na sexta-feira passada, no entanto, tiveram que voltar às pressas do descanso para tratar de novos enfermos que foram direto para a UTI. Com a Itália e a Espanha, a terceira e a quarta maiores economias da Zona do Euro, à beira do abismo, viu-se que o tratamento havia ficado pela metade. Enlouquecidos, os investidores foram tomados pelo pânico. E, com os Estados Unidos no atoleiro, voltaram a bradar sobre o risco de uma nova recessão global.

A tormenta foi tamanha que as bolsas de valores de todo o mundo ruíram e computaram na semana passada – em São Paulo, o Ibovespa caiu 10% e o valor de mercado das empresas encolheu US$ 195 bilhões –, as maiores perdas desde novembro de 2008, quando o mundo agonizava com a quebra do quarto maior banco de investimentos dos EUA, o Lehman Brothers. O estouro da bolha imobiliária norte-americana havia sido tão violento, que os rastros de prejuízos se espalharam por todo o planeta.

Passados três anos, acreditava-se que as principais economias do globo tinham recuperado as forças. Mas o que se vê é um quadro dramático, com os governos sem capacidade para dar novos estímulos à atividade e ao consumo e com os bancos centrais quase de mãos atadas para tocar políticas monetárias – os juros nos EUA, na Europa e no Japão, só para citar os três maiores polos de riqueza do mundo, estão nos menores níveis da história.

Espectadora privilegiada da pior crise enfrentada pela Europa desde a Segunda Guerra Mundial, a diretora de Renda Fixa, em Portugal, do Espírito Santo Investment Bank (BES), Sandra Utsumi, resume: "Enquanto as dificuldades ficaram restritas a países periféricos, como a Grécia, a Irlanda e mesmo Portugal, a inquietação dos mercados estava em um nível pouco acima do moderado. Mas quando a crise de credibilidade começa a afetar a Itália e a Espanha, a história se agiganta e muda de configuração".

Tsunami

O que sustenta o tsunami de desconfiança é a certeza dos investidores de que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), criado para resgatar as combalidas economias grega, irlandesa e portuguesa não tem recursos suficientes para livrar a Itália e a Espanha do pior. Estima-se que o caixa do fundo tenha hoje 440 bilhões de euros para uma necessidade de pelo menos 800 bilhões de euros, caso os países comandados por Silvio Berlusconi e José Luis Zapatero peçam arrego.

Na sexta-feira à noite, quando as bolsas europeias contabilizavam a pior semana em três anos, o primeiro-ministro italiano reagiu e prometeu antecipar a adoção de duras medidas de um ajuste fiscal. A reação de Berlusconi foi motivada pelo ataque especulativo sofrido pela Itália e a Espanha no dia anterior, quando as taxas de juros pedidas pelos mercados para comprar títulos das dívidas dos dois países atingiram os maiores patamares da história. Como temem um calote, os investidores cobram o que os especialistas chamam de prêmio de risco. A dívida da Itália corresponde a 120% de seu Produto Interno Bruto (PIB). A da Espanha também é elevadíssima, com o agravante de o país ostentar as maiores taxas de desemprego da região.

"A situação na Europa realmente é muito séria", afirma a professora do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Margarida Gutierrez. Ela ressalta que as dificuldades europeias ganham uma dimensão sem precedentes porque, do outro lado do Atlântico, a maior locomotiva do planeta está em decadência, a ponto de perder o status de país mais seguro do mundo para o capital. O título foi tirado pela agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P), que ainda ameaçou os EUA de um novo rebaixamento, devido ao seu elevado nível de endividamento e à luta política fratricida que divide os norte-americanos.

A leitura dos mercados é clara. De um lado, os investidores afirmam que se os EUA ficaram a um passo de dar o calote, o mesmo se pode esperar de qualquer país europeu. De outro, lembram que o presidente norte-americano, Barack Obama, vai se preocupar apenas em salvar a própria pele. Com a popularidade desabando e disputando a reeleição em 2012, ele terá olhos apenas para a economia doméstica, que enfrentará um corte de US$ 2,4 trilhões nos gastos públicos nos próximos 10 anos. Ou seja, os Estados Unidos não terão como estender as mãos à Europa e ao resto do mundo.

"Os mercados concluíram que as combalidas economias europeias não poderão contar com a ajuda norte-americana desta vez", diz o estrategista-chefe para a América Latina do banco alemão WestLB, Roberto Padovani. “Foi esse entendimento que provocou uma reavaliação profunda do cenário atual", emenda o diretor da Quest Investmentos, Paulo Pereira Miguel. O resultado foi uma fuga de ativos de risco, como ações e títulos de países muito endividados e com problemas para fazer ajuste fiscal. Nas contas dos investidores, a Espanha e a Itália engrossaram a lista que já tinha Grécia, Portugal e Irlanda.

Brasília, 14h33min

Na TV

BOLETIM DO BANCO CENTRAL TRAZ REVISÃO DE BAIXA DE INFLAÇÃO, CRESCIMENTO E JUROS
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
A piora do mercados já chegou nas previsões dos bancos brasileiros. O boletim Focus do Bando Central traz hoje revisão pra baixo de inflação, crescimento e juros. A previsão para a taxa de cambio no final do ano não mudou, mas o importante indicador da solvência brasileira, a capacidade do governo de pagar a dívida ficou menor.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

CRISE NA DÍVIDA DOS EUA (BLOCO 1)
07/08/2011 - 23:30 - BANDEIRANTES, CANAL LIVRE
Boa noite. Começa agora mais um Canal Livre. E no programa desta noite, nós recebemos o economista e ex-ministro Delfim Netto.
Gostei muita da decisão da PRESIDENTE de controlar um pouco a Petrobrás.
* Delfim Netto, economista.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
CRISE NA DÍVIDA DOS EUA (BLOCO 2)
07/08/2011 - 23:30 - BANDEIRANTES, CANAL LIVRE
Boa noite. Começa agora mais um Canal Livre. E no programa desta noite, nós recebemos o economista e ex-ministro Delfim Netto.
Na verdade, ele vai experimentar, vai ver o resultado disso, assumiu o compromisso de honrar o déficit adicional da PREVIDÊNCIA.
Até quando o BANCO CENTRAL vai resistir fazendo apenas a lipoaspiração aí diária?
* Delfim Netto, economista.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
CRISE NA DÍVIDA DOS EUA (BLOCO 3)
07/08/2011 - 23:30 - BANDEIRANTES, CANAL LIVRE
Boa noite. Começa agora mais um Canal Livre. E no programa desta noite, nós recebemos o economista e ex-ministro Delfim Netto.
O índice do BANCO CENTRAL é 42%.
* Delfim Netto, economista.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

PREOCUPAÇÃO COM ECONOMIA DOS EUA
08/08/2011 - 08:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL MANHÃ
Por causa da preocupação com a economia dos EUA, o grupo que reune as 7 maiores economias do mundo vai fazer nesta segunda feira uma tele conferencia de emergência com ministros da Finanças e representantes de Bancos Centrais.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Arminio Fraga - Clima de medo


Valor 08/08
A situação na Europa "é um tanto precária", pode gerar um "pânico financeiro" e conduzir as economias para uma "recessão global". O rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência de rating Standard and Poor's "só reforça o clima de medo". Essa é, em síntese, a avaliação que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, da Gávea Investimentos, faz do tumultuado cenário internacional, que na semana passada deu mostras do potencial de destruição ao varrer riquezas em todas as bolsas de valores do mundo.

Apesar do rebaixamento do crédito americano de AAA para AA+, Armínio lembra que a economia dos EUA é mais dinâmica e, portanto, lá a crise é mais administrável do que na Europa e no Japão. Mesmo antes da decisão da agência de rating, o mercado estava cobrando e o governo americano já estava pagando taxas de juros por seus títulos acima do que paga um país triplo A. "É um sinal dos tempos", disse. Ainda assim, ele não acredita que os Estados Unidos vão entrar numa espiral de rebaixamento. Medidas concretas para colocar o país de volta aos eixos só podem ser esperadas para depois das eleições presidenciais, em novembro de 2012. "Em alguns anos eles revertem isso", acredita.

"Quando você tem uma economia que está se desacelerando e lideranças políticas que não estão conseguindo agir de maneira proativa, você está lidando com um material real frágil. Isso não é um problema psicológico dos mercados. Existem problemas reais que não estão sendo resolvidos nem sequer abordados", disse Armínio, referindo-se à crise na Europa, para ele mais preocupante do que a americana. Na sexta-feira o governo da Itália acenou com a antecipação de medidas fiscais (cortes de benefícios sociais e reformas no mercado de trabalho) para obter apoio do Banco Central Europeu.

O BCE, em contrapartida, indicou que pode vir a comprar títulos da dívida dos países em dificuldades, para dar sustentação aos mercados. Mas são apenas intenções, sem nada de concreto por enquanto. "Os Estados Unidos deram uma empurrada com a barriga mais razoável. Na Europa, eles estão sistematicamente chegando atrasados na bola e a coisa está apertando", disse Armínio.

Nesse ambiente de tantas incertezas, olhando para o Brasil, "parece razoável o Banco Central pelo menos fazer uma pausa (na política de elevação dos juros) para ver o que vem por aí e, se as coisas piorarem, eventualmente até cortar a taxa Selic. O BC tem a flexibilidade para fazer isso. As expectativas de inflação não estão 100% onde se gostaria que estivessem, mas estão apontando para baixo. Se houver um problema maior o BC pode naturalmente cortar a taxa", observou.

Ele não conta com a possibilidade de um "calote" iminente da Espanha e da Itália. "Não se pode falar que isso vai acontecer assim tão rápido." Mas também não considera factível esses países arcarem com um custo de captação de 400 pontos base acima do que paga a Alemanha, como está ocorrendo e que vai gradualmente apertando o cerco. "Há uma sensação muito ruim de que isso possa piorar e virar uma corrida."

Os bancos da zona do euro estão carregados de dívidas dos governos. Não são instituições muito transparentes, "mas há uma percepção de que eles não se capitalizaram de 2008 para cá, pelo menos não tanto quanto os bancos americanos", comentou.

Quando se olha a Europa como um todo, os indicativos de solvência não são espetaculares, assim como não o são os dos Estados Unidos e menos ainda os do Japão, "mas são razoáveis", considerou. A relação dívida/PIB na Europa é de cerca de 90%, e o déficit fiscal corresponde a uns 4% do PIB. A dívida pública americana caminha para 100% do PIB e o déficit é maior, mas lá a economia cresce mais e a carga tributária é mais baixa do que na Europa, o que dá margem para um ajuste. O caso do Japão, segundo Armínio, "é o pior deles", pois além da dívida ser elevada - na casa dos 220% do PIB -, embora predominantemente em mãos domésticas, a economia não cresce desde os anos 90. A Europa, porém, hoje tem vários elos frágeis - a Grécia e Portugal e, agora, numa situação de aperto, a Espanha e a Itália, "o que torna o risco de um acidente lá bem maior".

A gravidade da situação demandaria respostas tanto estruturais quanto de reforço financeiro por parte dos líderes europeus. No caso dos países menores, como Portugal e Grécia, seria mais fácil reagir à crise, mas quando entram nações do porte da Espanha e da Itália, as saídas são mais estruturais.

"A solução de mais longo prazo seria aprofundar a união, caminhar para uma união fiscal pelo menos parcial", sugeriu. Ele se refere a algo na linha do que foi feito no Brasil nos anos 90, quando a União teve que patrocinar uma reestruturação por 30 anos das dívidas dos Estados, que estavam praticamente falidos. "Não precisaria unificar tudo, mas talvez ter um imposto compartilhado e caminhar nessa direção seria a solução mais natural do ponto de vista econômico, embora do ponto de vista político seja mais complicado."

Não é razoável achar que qualquer movimento nessa direção possa ocorrer da noite para o dia, mas uma ação imediata possível seria os líderes políticos da zona do euro sinalizarem com um aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Hoje o fundo dispõe de apenas € 440 bilhões, recursos insuficientes para fazer frente à dimensão dos problemas. "Poderiam triplicar o tamanho do fundo, mas parece que isso é difícil", comentou Armínio. "Não está nada claro para onde exatamente isso vai. Tudo está muito no ar."

O Brasil queimou algumas gorduras depois da crise de 2008, mas ainda tem capacidade de reação a uma eventual recessão global. Hoje a inflação é mais alta, há déficit nas transações do balanço de pagamentos e o gasto público subiu muito. A expansão do crédito foi muito acelerada e houve alguma corrosão na base de clientes dos bancos. Mas a situação, aqui, é administrável e ainda há espaço para uma política anticíclica se esse for o caso, na visão de Armínio.

"Eu diria que a fotografia é boa, mas o filme mostrou um desgaste nos ultimos tempos." Para ele, "as preocupações maiores, aqui, são de médio e longo prazo", relacionadas aos caminhos que o país deve tomar para investir mais e melhor e a como se pretende educar a população. "Essas são coisas que precisam acontecer."

FSP 09/08/2011

VINICIUS TORRES FREIRE

Armínio Fraga e a Bolsa


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Economista comenta as últimas da Bolsa no Brasil e a influência de ações do governo sobre os mercados
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A BOVESPA sangra faz tempo. Desde o último pico, em novembro, o Ibovespa caiu cerca de 33%. Das Bolsas de ações mais importantes do mundo, é a campeã do tombo.
Investidores daqui e de fora apontam vários fatores para a avaria do mercado de ações brasileiro.
Inflação e, pois, juros em alta reduziram as expectativas de crescimento, dizem -mas a perspectiva de crescimento econômico aqui é muito maior que no mundo rico.
Outra hipótese seria a intervenção do governo em grandes empresas, como Petrobras e Vale, que têm grande peso na Bolsa. Enfim, note-se que os investimentos estrangeiros em ações foram taxados.
Ontem, o Ibovespa caiu mais de 8% -chegou a mergulhar 9,7%.
Algum problema especial e pontual com o Brasil? Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, da Gávea Investimentos, duvida de explicações simples, a quente. "Foi tudo junto [as Bolsas daqui e de fora]. Não dá para explicar tudo", diz.
Numa conversa que começou no final da semana passada, a coluna perguntou a Fraga qual a interpretação para o massacre que vinha acontecendo na Bovespa.
"Sempre difícil dizer. Alguns fatores: problemas recentes de governança [em relação a empresas como Petrobras, Vale e Pão de Açúcar], percepção de problemas nos bancos, impostos sobre investimentos e a natural reação de um mercado que é um dos favoritos e [ainda] líquido", diz o economista.
Fraga também é presidente do Conselho de Administração (conselheiro independente) da BM&F, que tenta lidar com o recente pacote do governo sobre câmbio, que taxou operações com derivativos, negociados na casa. Especialistas no assunto veem grande dificuldade em tornar operacional a taxação.
A BM&F acha que vai chegar a algum acordo com o governo sobre o pacotaço dos derivativos?
"Não estamos buscando acordo. Governo não faz acordo. Sugestões foram apresentadas para melhorar aspectos operacionais e minimizar distorções", diz Fraga.
Dá para implementar o pacote? O que mais está pegando?
Fraga: "Problemas operacionais no curto prazo e sinais antimercado e pró-business (sugiro a leitura do artigo de Zingales: "Capitalism After the Crisis")".
Fraga se refere ao economista e professor da Universidade de Chicago Luigi Zingales, que advoga reformas que reforcem princípios como meritocracia e liberdade; a rejeição das "socializações de prejuízos" e da ideia de que certas firmas sejam "grandes demais para quebrar". Zingales critica o "capitalismo de compadres", a influência indevida de grandes empresas sobre o governo: é isso que o economista de Chicago chama de "abordagem pró-mercado, e não pró-empresas.
E os negócios com derivativos? Vão mesmo migrar para fora?
"Não acontece instantaneamente, mas já está ocorrendo [volume local na Bolsa versos ADR, por exemplo]", diz Fraga.
Qual o maior dano ao mercado que vocês [BM&F] já notaram?
Cedo para dizer, mas a médio prazo a oferta de capital para empresas brasileiras pode se reduzir. Para um país que precisa investir e empreender mais, seria muito ruim. O Brasil ficará mais na mão de grandes grupos locais e multinacionais, como no passado", conclui.

vinit@uol.com.br

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Limites


O Banco de NY começou a cobrar taxas de grandes depósitos em conta-corrente.
Em resposta à recessão e à anêmica recuperação econômica dos EUA, o FED baixou as taxas básicas de juros para patamares próximos do zero e adquiriu US$ 2,6 trilhões em empréstimos e papeis to tesouro. No processo, ele inundou o mercado com dinheiro em cash. Porém, tanto os bancos como os investidores relutam em aplicar o dinheiro na produção, desmotivados pelo estado “desinteressante” em que se encontra a economia.

Não tendo destino, o dinheiro permanece estacionado nos bancos.

Economistas chamam isso de “armadilha da liquidez” – dinheiro vivo (líquido) permanece preso no sistema financeiro sem o desejável destino às atividades produtivas ou consumo em parte pela fragilidade da demanda.
Em seu blog, Paul Krugman, em 2008, já tinha alertado sobre o risco dos EUA enveredarem por este caminho. Foi combatido veementemente pelos teóricos com a máxima de que a emissão de dinheiro é sempre inflacionária.
Mas pelo que parece a teoria na prática é outra, os bancos começaram a pagar taxas negativas ou a cobrar pelos grandes depósitos em reforço a tese de Krugman.

O que sempre achei é o que a mídia começou a veicular nesses últimos tempos, a crise de 2008 ainda está presente , mas vou um pouco além.

Diferentemente de 1930, a maior economia do mundo, hoje, está escassa dos recursos naturais que a levaram a este status pelo moto “energia abundante e barata”.
Hoje, para qualquer tentativa de crescimento, as pretensões são logo rechaçadas pela rápida evolução dos preços das commodities, em especial, os do petróleo.
É o que temos observado e o que também parece ser de irrefutável lógica: haveremos de chegar, se não chegamos, a algum limite.

Ronaldo Pignataro

NA TV


PERSISTE CRISE NOS EUA 16:00 - GLOBO NEWS, ARQUIVO N
A gravidade dos problemas financeiros nos EUA persiste mesmo com o acordo. Ameaça a saúde do capitalismo mundial e nos leva a pensar em outras crises.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
PERSISTE CRISE NOS EUA
16:00 - GLOBO NEWS, ARQUIVO N
No Brasil, um câmbio atrelado ao dólar dificultava o manejo da crise e o presidente do BANCO CENTRAL renunciou, para abrir espaço para flutuação da moeda.
Âncora: Leilane Neubarth
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
ENTREVISTA: LUIZ ROBERTO CUNHA, ECONOMISTA DA PUC/RJ 13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
A seguir, entrevista com Luiz Roberto Cunha, economista da PUC/RJ, fala sobre a crise econômica internacional e os reflexos na economia brasileira.
Âncora: Sidney Rezende.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
ENTREVISTA COM ALEXANDRE TOMBINI, PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL 04/08/2011 - 21:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL NOITE
O presidente do BANCO CENTRAL ALEXANDRE TOMBINI também acredita que o Brasil está preparado para enfrentar a crise econômica mundial.
* ALEXANDRE TOMBINI, presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: Ana Luísa Médici, Carla Ramos, Florestan Fernandes, Lincoln Macário e Luciana Barreto
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

BOLSAS CONTINUAM CAINDO E INVESTIDORES VENDEM AÇÕES
05/08/2011 - 07:30 - GLOBO, BOM DIA BRASIL
No mercado financeiro só tem uma boa notícia. A semana termina hoje. Em todo mundo os investidores tem medo. Medo de uma nova recessão nos Estados Unidos.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

A "posição" em derivativos




Por Gustavo Franco - Valor 05/08



A principal inovação conceitual do novo "pacote cambial" consiste na tentativa de transpor o conceito de "posição de câmbio", que há décadas constitui o principal instrumento de controle cambial no país, para o novo mundo dos derivativos.

O assunto aqui é meio técnico: a "posição de câmbio" corresponde às compras acumuladas líquidas de vendas das instituições autorizadas a operar em câmbio, compreendendo o "à vista" e o "para entrega futura" ("forward"), em ambos os casos com entrega física de moeda estrangeira, o que só pode ser feito no âmbito do interbancário de câmbio nos sistemas do Banco Central (BC).

Quando, tipicamente, um banco, ou o conjunto deles, aumenta sua "posição comprada", o efeito é semelhante ao do BC adquirir reservas. Quando os bancos aumentam sua "posição comprada" em excesso do fluxo cambial, o câmbio "spot" fica pressionado, mas o BC pode sempre atuar de forma compensatória dispondo de suas reservas. Desde os anos 1930 a autoridade cambial aprendeu, todavia, que podia regular e limitar as posições compradas e vendidas dos bancos, pois possui autoridade sobre eles, e assim introduz algum viés no mercado "spot" ao tratar desigualmente quem compra e quem vende.

O mecanismo perde sua centralidade nos anos 90 com o crescimento dos derivativos, e a determinação do preço migra para um "meio caminho" entre o "spot" e os derivativos, aqui e no exterior, como ocorre com diversos outros mercados de câmbio e de commodities mundo afora.

Pois bem, o transporte do conceito de "posição de câmbio" - algo que fazia sentido no câmbio centralizado, em contexto de semirracionamento de divisas escassas de outros tempos - para o mundo dos derivativos encontra dificuldades operacionais imensas, talvez insuperáveis. A começar pelo fato de que nesses mercados há enorme participação de instituições não financeiras, para os quais o BC não pode determinar coisa alguma sobre suas posições cambiais consolidadas. Foi preciso uma lei para criar a tributação, e um decreto presidencial para estabelecer a sua incidência. Contudo, sem definições operacionais muito precisas, sobretudo a especificação do que vem a ser "exposição líquida vendida" em derivativos cambiais, há risco de que as medidas criem mais problemas que soluções.

Como não é possível estabelecer "limites de posição" nesse ambiente, inclusive pela heterogeneidade de contratos e contratantes, as autoridades optaram por introduzir um IOF de 1% sobre a variação para cima da "exposição líquida vendida" de agentes que operam em derivativos - bancos, fundos, exportadores, empresas, especuladores, "hedgers". Mas como se define a "exposição líquida vendida"? Se a isto compreender apenas a posição visível para a BM&F e à Cetip, entidades responsáveis pelo recolhimento do imposto, a conclusão é muito simples: foi criado um imposto sobre a exportação.

O caso mais frequente de titular de uma posição vendida é o do exportador que quer travar a cotação de hoje por meio de uma "venda futura" ou de uma opção. No novo cenário, o exportador seria punido ao tomar essa providência prudencial, e se a intenção não era essa, as autoridades estão em maus lençóis. Ou vão redefinir a incidência de forma a preservar a retórica do "ataque ao especulador", com a ressalva de que, nesse caso, o especulador especula "a favor" da moeda brasileira, ou vamos entrar num labirinto, talvez sem saída, ao lidar com a definição operacional de "exposição líquida vendida".

Ambas as opções são ruins; é o preço que se paga por anunciar medidas sem as devidas definições operacionais e todas as explicações sobre as novas regras.

No primeiro caso, as possibilidades são as de restringir o IOF aos não residentes que atuam em derivativos, direta ou indiretamente, pela janela da resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 2.689. Com isso a culpa fica nos estrangeiros, sempre eles, e ficamos assim para não ficar pior. Na segunda alternativa, o esforço de não punir o exportador resultaria em se definir "exposição líquida vendida" incluindo as exportações contratadas ou embarcadas, e outros recebíveis em dólares que não caibam na definição de capital especulativo ou nos casos de incidência do IOF. Os aspectos operacionais dessa solução rapidamente se tornam complexos demais.

Portanto, para que a medida não seja um fiasco, vai ser necessário elevar em várias oitavas o controle sobre todos que têm envolvimento com operações com o exterior de uma maneira que faria reviver os velhos tempos do controle cambial. A sensação é que a chance de haver excessos e abusos, para não falar de burocracia, dúvidas e "red tape", e toda sorte de operações mirabolantes para contornar o imposto, é imensa. Melhor seria haver um recuo.

Independente da solução, duas conclusões já parecem claras: regulação mal feita é pior que ausência de regulação e o esgotamento das possibilidades em se tratando de medidas restritivas à entrada de recursos do exterior.

Gustavo H. B. Franco economista, é sócio fundador da Rio Bravo Investimentos e ex-presidente do Banco Central

CRASH



Valor 05/08




O pessimismo voltou a tomar conta do mercado mundial de ações ontem, levando o Índice Bovespa a perder 5,72%, a maior queda em um dia deste 21 de novembro de 2008, ecoando as lembranças da grande crise global iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers. O índice recuou para 52.811 pontos, o menor nível desde 17 de julho de 2009. Outro sinal ruim foi o volume negociado, de R$ 9,6 bilhões, o dobro do habitual, indicando apostas pesadas na queda.

Só na semana, o Ibovespa acumula uma perda de 10,2%, ou 23,8% no ano. O que significa que R$ 395 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras foram pulverizados no ano, dos quais R$ 160 bilhões apenas nesta semana.

A queda da bolsa tem fundamentos econômicos claros, baseados na piora das expectativas para as economias americana e europeia e que trazem o risco de uma nova recessão. Isso afetaria a demanda por commodities, setor com forte presença na bolsa brasileira. Ontem, o índice de matérias-primas CRB Reuters caiu 2,77%, acumulando no mês queda de 4,12%.

Assim, papéis importantes no Ibovespa e na carteira dos investidores como Petrobras e Vale fecharam ontem acumulando perdas de 11,37% e 9,53% nesta semana, respectivamente. Outra empresa de commodities, MMX, lidera os prejuízos, com 24,75%.

Mas o lado emocional amplificou os sinais ruins da economia, afirmam analistas. Ontem, o catalisador da forte queda foi a decisão do Banco Central do Japão de vender ienes e derrubar a moeda como forma de conter a valorização provocada pela busca por segurança dos investidores. Anteontem, a Suíça agiu na mesma linha cortando os juros.

A falta de coordenação global contra a crise e a busca irracional por proteção fizeram os juros de papéis de curtíssimo prazo americanos despencarem, levando o título do Tesouro de um mês a ser negociado com ágio, ou seja, o investidor pagaria para aplicar no papel. E o Bank of New York Mellon anunciou que vai cobrar taxa de 0,13% de quem tiver mais de US$ 50 milhões em conta.

A má notícia é de que esse movimento de queda da bolsa pode continuar. Segundo o operador de um importante banco estrangeiro no Brasil, vem aí "mais uma pernada" de baixa, que pode durar mais um ou dois meses. "Devemos ter agora saques em fundos globais dedicados a mercados emergentes, América Latina e Brasil, e esses fundos terão de vender papéis aqui", afirma o operador, que pediu para não ter seu nome citado.

Segundo ele, apesar de as perspectivas de longo prazo para o Brasil serem boas, é o lado emocional que está dirigindo os investidores. Ontem, houve um movimento forte de zeragem ("stop loss"), em que os preços das ações atingem limites de baixa que acionam vendas automáticas e ampliam ainda mais a queda do mercado. "Mas os preços das ações brasileiras estão ficando muito convidativos, apesar das previsões de menor crescimento mundial", acrescenta.

A falta de espaço fiscal e monetário para novos incentivos nos EUA e na Europa cria insegurança sobre o futuro da economia mundial e isso tem reflexos em todas as bolsas, diz Dório Ferman, do Opportunity, gestor do fundo Lógica II, que reúne R$ 2,6 bilhões. "Mas minha única convicção é que a Vale está muito barata, assim como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú ", diz. Redecard e Cielo também aparecem na lista de Ferman. Mesmo Petrobras, com seus investimentos polêmicos, também está atrativa, diz.

Ferman observa que estamos vivendo uma situação totalmente nova, com risco de uma recessão nos países desenvolvidos, mas que pode ser compensada pelo crescimento chinês. Ao investidor, ele aconselha que se concentre no conteúdo e no fundamento das empresas, sem perder a racionalidade, escolhendo o que está barato no mercado. "Salvo uma catástrofe mundial, quem tem sangue-frio nesses momentos é que consegue ganhar dinheiro", diz.

O momento é de reversão, de ajuste dos preços dos ativos a um crescimento mais moderado e dúvidas se a economia americana vai se recuperar, afirma Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria. "É essa incerteza que permeia o mercado; não se sabe o fundo do poço."

No início do ano, havia uma perspectiva positiva com a economia americana. Mas, recentemente, o desempenho econômico dos EUA se mostrou mais fraco. O economista diz que não trabalha, porém, com cenário de recessão nos Estados Unidos e projeta crescimento de 1,5% do PIB.

Na avaliação de Martello, a bolsa brasileira vem sofrendo mais porque havia gordura para queimar. Em 2009, por exemplo, o desempenho da bolsa brasileira foi muito bom, com alta de 82,66%. Para o investidor, comprar ações agora é entrar num momento de altíssima volatilidade. "Se a pessoa tiver horizonte para daqui a cinco anos, talvez faça sentido, pois várias janelas de oportunidade vêm se abrindo", afirma Martello. "Mas o cenário continua extremamente incerto e a bolsa pode cair mais; o investidor deve estar preparado para perder 10% ou 15% num único dia."

A bolsa deve continuar a sofrer nos próximos dias por conta de novos movimentos de zeragem de perdas, mas sem mudar para um novo nível de preços muito abaixo do atual, acredita Demosthenes Madureira de Pinho Neto, ex-diretor do Banco Central e diretor-executivo da Itaú Asset Management. "Mas em termos de fundamentos, os preços das empresas estão interessantes, apesar das incertezas todas", diz.

Ele alerta, porém, que as crises nos EUA e na Europa devem ser muito mais longas do que a que se viu logo após 2008, e que fragilizou muito as economias desenvolvidas, o que adiará uma recuperação dos mercados. Demosthenes observa que, nos EUA, não há problema no setor financeiro. "Mas na Europa não se sabe a exposição dos bancos a papéis governamentais, que estão se desvalorizando fortemente, um problema que se soma à crise fiscal."

Se os pessimistas de plantão estiverem certos e de fato houver recessão mundial, essa queda dos mercados estará longe de ser algo irracional, diz o economista-coordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Ele acredita, no entanto, que a desaceleração da economia global não chegará a tanto, portanto, os mercados parecem estar exagerando na dose de pessimismo.

Mas não existem apenas pessimistas no mercado. O presidente da Citi Corretora, Roberto Serwaczak, acha que as quedas desta semana se mostram como uma oportunidade. "Já existem vários papéis superdepreciados e de empresas que possuem fundamentos sólidos", diz Serwaczak. Segundo ele, os investidores estrangeiros estão percebendo essas oportunidades e vêm comprando algumas dessas ações. "Nos últimos dias, o saldo na Citi e em outras corretoras bastante atuantes entre estrangeiros tem sido positivo", diz o executivo.

Serwaczak afirma também que o mercado esquece que uma desaceleração mundial e nas commodities pode fazer a taxa Selic no Brasil passar a cair. "E as quedas de juros costumam ser positivas para a renda variável."

Mercado tem um dia para ser esquecido


Os mercados ontem tiveram um dia para ser esquecido. No Brasil, o pregão foi de horror. No pior momento dos negócios, o Índice Bovespa chegou a cair 6%, ficando aos 52.628 pontos. O fechamento não foi muito melhor do que isso: queda de 5,72%, aos 52.811 pontos, menor pontuação desde 17 de julho de 2009, quando encerrou aos 52.072 pontos. Já em termos percentuais a situação é ainda pior: é a maior desvalorização desde 21 de novembro de 2008 (ápice da crise americana), quando o indicador caiu 6,45%.

Neste mês, que significa apenas quatro pregões, o Ibovespa já cai 10,2%. O desempenho é tão sofrível que nenhuma ação que faz parte do índice está no campo positivo em agosto. A ação que menos cai no mês é a ordinária (ON, com voto) da Cielo, em queda de 0,67%; e a que mais cai é a ON da MMX, em baixa de 24,75%.

No ano, os números também são assustadores. O Ibovespa acumula uma queda de 23,8% e apenas 13 papéis que compõem o indicador apresentam alguma valorização em 2011. Algumas ações chegam a acumular queda de mais de 50% no ano. As preferenciais (PN, sem voto) da Gol caem 59,73%, as ON da B2W, 57,21%, e as ON da Hypermarcas outros 51,25%.

O índice VIX, que mede a volatilidade das opções da bolsa americana, subiu 35,41% ontem. Esse indicador é visto como um importante termômetro do mercado.

Mas nem tudo parece estar perdido. Existem alguns indicadores que mostram que a queda do mercado pode ter chegado ao seu ponto máximo, dando lugar a um movimento de recuperação.

Uma maneira de olhar a questão é observar o chamado Índice de Força Relativa (IFR), que mede o nível de força dos movimentos de alta ou de queda do mercado. Esse indicador vai de 0 a 100 - quanto mais baixo, mais sobrevendido está o mercado e, portanto, as chances de recuperação são maiores. Isso porque o fluxo de vendas deve se esgotar. Já o referencial em níveis entre 80 e 100 mostra que os ativos estão sobrecomprados, ou seja, a alta pode perder o fôlego.

O que se vê atualmente no mercado brasileiro, segundo apurou a repórter Luciana Monteiro, é o Ibovespa com IFR em 10. Historicamente, um índice entre 0 e 20 significa que os investidores já venderam demasiadamente as ações. "Praticamente não há mais força para o Ibovespa cair", diz Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos e professor de finanças da ESPM-RJ e do Ibmec-RJ.

Só para se ter ideia, os papéis preferenciais da Gol estão com IFR de zero. "Em 24 anos de mercado, nunca vi isso", afirma ele. Já as ações ordinárias da CSN registram IFR de 3. O indicador da Petrobras PN ainda se sustenta nos 26, enquanto na Vale PNA é de 11, mesmo nível de Usiminas PNA. "O mercado se mostra exaurido de baixas", diz Espírito Santo.


Sardenberg: há razões de sobra para justificar quedas



Análise: Professor que elaborou indicador que mede grau de estresse das bolsas afirma que pressão vendedora deve se aprofundar mais.

Índice baseado em terremoto prevê novas quedas para bolsa

Depois da derrocada do Índice Bovespa de 10,2% somente nesta semana, elevando para 23,8% a queda no ano, os investidores se perguntam se este é o fundo do poço. As perspectivas, no entanto, não são positivas. Pelo menos é o que alerta o Índice de Mudanças Abruptas de entrada, batizado de IMA-entrada.

O indicador foi desenvolvido pelos pesquisador Marco Antonio Leonel Caetano, professor de Sistemas de Informação do Insper, em conjunto com Takashi Yoneyama, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). O índice avalia o grau de estresse das bolsas nos períodos que antecedem crises ou que revelam bons momentos para compras. O referencial leva em conta as frequências com que os preços se moveram nos últimos 60 dias e, em seguida, revela a tendência do mercado.

A base para o índice veio de um estudo de sinais para prever terremotos. Parece loucura? O professor explica que, antes de uma grande virada, o mercado se torna absolutamente nervoso e frenético, fazendo com que as frequências das negociações oscilem muito rapidamente em uma determinada faixa.

Mas o que isso tem a ver com terremotos? Observando-se os dados de sismógrafos antes de um terremoto, é possível perceber que, quando as placas tectônicas se deslizam umas sobre as outras causando um certo movimento frenético no gráfico. Os sismólogos explicam ainda que, depois de um grande terremoto, tremores secundários ocorrem, mas vão diminuindo de frequência até desaparecerem.

Pois bem, com base nisso, o IMA foi elaborado e, em seguida, foi subdividido em dois. O primeiro, o IMA-crash, mede o risco de reversão de uma tendência de alta da bolsa. O segundo, o IMA-entrada, mensura o risco de uma mudança na tendência de queda. Ambos variam de zero a 1, sendo 1 o "fundo do poço", explica Caetano.

Hoje o IMA-entrada encontra-se em 0,76 e deve buscar o nível 1. Isso significa que o Ibovespa deverá aprofundar ainda mais sua queda, fazendo com que o índice alcance rapidamente algo próximo a 1. Ainda não será hora de entrar, explica o professor. "Só quando começar a reverter e cair será a melhor hora para o investidor de longo prazo entrar", diz Caetano.

Enquanto o indicador permanecer no alto, acima de 0,9, é melhor o investidor esperar. Já o IMA-crash está em zero. "Quando o índice indica que o mercado vai virar, as pessoas acham que o movimento vai acontecer amanhã, mas essa é uma tendência de longo prazo", ressalta o professor.

Se pelo lado do índice não é possível ser otimista neste momento, pelos fatores macroeconômicos a situação também não se mostra positiva. Caetano diz acreditar que o mundo entrará em recessão. "Alguns achavam que, depois da crise, a economia ia se comportar em forma de V, outros em W, mas na minha opinião será em M [ou seja, alta, queda, alta e uma queda violenta]", diz ele. "Algum grande banco vai quebrar, como nas outras crises, e teremos outro efeito manada."

Desde a pontuação máxima do Ibovespa neste ano - de 71.631, registrada em 12 de janeiro -, o principal referencial da bolsa brasileira acumula queda de 26,27%. Só para se ter ideia, naquele momento, o IMA-crash chegava a 0,76, enquanto o índice de entrada era zero. Ou seja, a frequência estava alta, abrindo espaço para quedas.

Já durante a crise de 2008, o índice de "crash" chegou próximo da máxima, a 0,96, em meados de maio. Vale lembrar que o Ibovespa despencou de 73.516 pontos no dia 20 de maio para 29.435 pontos em 27 de outubro - uma desvalorização de 60%.

Segundo Caetano, o grande culpado por essa crise chama-se Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que injetou mais de US$ 1 trilhão no mercado. "Ben Bernanke achava que, injetando dinheiro no sistema financeiro, a economia ia acalmar e haveria geração de emprego, o que não aconteceu", afirma o professor. Ao colocar dinheiro na economia, o Fed incentivou os grandes fundos a emprestar recursos no mercado para comprar títulos, o que resultou em uma movimentação artificial, diz Caetano. "Agora que o dinheiro fácil parou, os fundos vão naturalmente sair vendendo."

A situação na Europa deixa o cenário ainda pior, ressalta o professor, que acredita que Itália e Espanha vão, sim, precisar de um socorro financeiro dos países da União Europeia. "E não há recursos suficientes para ajudar essas duas economias", afirma Caetano. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) poderá gastar, no máximo, €340 bilhões. O problema é que, o socorro, nos moldes aplicados a Portugal, exigiria € 800 bilhões. Ontem, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, tentou acalmar o mercado ao sinalizar que deve retomar o programa de compra de títulos e afirmar que pretende injetar mais liquidez nos mercados.

No caso da bolsa brasileira, os grandes fundos de investimento ficaram fora por um tempo neste ano para se concentrar no mercado americano. Agora, esses investidores estrangeiros voltaram, mas estão vendidos em índice futuro, ou seja, apostando na queda.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crises e hecatombes



Por José Luís Fiori
Originalmente publicado em 26/03/2008

No início da década de 1970, o economista norte-americano, Charles Kindelberger, formulou uma teoria que exerceu grande influência acadêmica e política, dentro e fora dos Estados Unidos. Segundo Kindelberger, "a economia mundial liberal precisa de um país estabilizador e só um país estabilizador" (Kindelberger, C. (1973) The World in Depression, University of California Press, Berkeley, p: 304) . Um país que forneça aos demais, alguns "bens públicos" indispensáveis ao bom funcionamento da economia internacional, como a moeda, o livre-comércio, e a coordenação das políticas econômicas nacionais. O mundo estava vivendo a crise final do Sistema de Bretton Woods, e estava assistindo a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. E Charles Kindelberger estava preocupado com a possibilidade de uma nova grande crise e depressão que fosse provocada como nos anos 30, pela falta de uma "liderança mundial". Durante as décadas seguintes, esta "teoria da estabilidade hegemônica" se transformou no denominador comum de um grande debate sobre as "crises" e as "transições" hegemônicas na história do sistema mundial. Incluindo, um grupo de autores marxistas norte-americanos, como Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi, que atribuem a ordem mundial dos últimos séculos à sucessão de três grandes potências hegemônicas: Holanda, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Os participantes deste debate tinham posições teóricas diferentes, mas quase todos compartiam a tese de que os Estados Unidos estariam vivendo seu "declínio hegemônico", depois da "crise dos anos 70". E mais recentemente, quase todos consideram que o fracasso americano no Oriente Médio, e o "derretimento do dólar", neste início do século XXI, fazem parte já agora, de uma "crise terminal" da hegemonia americana. Assim mesmo, estes autores não conseguem responder de forma satisfatória a três perguntas fundamentais: I) como foi que a crise dos anos 70 acabou restaurando a hegemonia e fortalecendo o poder americano; II) porque esta nova crise de 2007-2008, não poderá ter um desdobramento semelhante, no longo prazo; III) e por fim, mesmo que a crise adquirisse natureza catastrófica, quem substituiria os Estados Unidos, e como funcionaria o novo sistema monetário e financeiro internacional, depois da morte do dólar?


Começando pela "crise dos 70": hoje se pode ver que não houve declínio, pelo contrário, foi na década de 70 que se definiram as novas políticas e regras responsáveis pela multiplicação exponencial da riqueza e do poder americano no último quarto do século XX. Foi quando os Estados Unidos deixaram de ser "credores", e passaram para a condição de "grandes devedores" da economia mundial. Mas ao mesmo tempo, sua dívida e sua capacidade de endividamento se transformaram no primeiro motor da economia mundial, destes últimos 30 anos. Foi também na década de 70 que o "padrão dólar-ouro" foi substituído pelo novo sistema monetário internacional "dólar-flexível", lastreado, em última instância, no poder americano e nos seus títulos da dívida publica. Por outro lado, são também da década de 70 as políticas de desregulação dos mercados financeiros anglo-americanos, que lideraram o processo de globalização financeira do final do século XX. E por fim, foi à sombra da derrota americana no Vietnã, em 1973, que os Estados Unidos e a China negociaram sua nova parceria econômica que se transformou na grande locomotiva da economia mundial no início do século XXI. Ou seja, desde a crise de 70, em vez do "declínio americano", o que se assistiu foi uma mudança profunda da economia mundial e um aumento exponencial do poder dos Estados Unidos.

Agora de novo, depois do fracasso das guerras do Afeganistão e do Iraque e da desvalorização dólar, provocada pela crise financeira de 2007 e 2008, volta-se a falar no "colapso" e na "crise final" da hegemonia americana (Craig Roberts, P.(2008) The Collapse of American Power, Paul Craig Roberts Archive). Mas até o momento ainda não se configurou uma crise estrutural ou global, nem existe sinal de que os Estados Unidos venham a desocupar sua liderança capitalista. Pelo contrário, apesar das suas dimensões, tudo indica ser uma crise "regular", dentro de um sistema que é, por excelência, contraditório, instável e conflitivo. Dentro das novas regras e estruturas criadas a partir da crise dos 70, os Estados Unidos definem de forma exclusiva o valor de uma moeda que é nacional e internacional a um só tempo, e que está lastreada nos títulos da dívida pública do próprio poder emissor da moeda. Além disto, os Estados Unidos possuem um sistema financeiro nacional desregulado e são - ao mesmo tempo - a cabeça de uma "máquina de crescimento global", que funciona em conjunto com a economia nacional chinesa. Dentro deste sistema, extremamente complexo, toda crise financeira interna da economia americana pode afetar a economia mundial pela corrente sanguínea do "dólar flexível" e das finanças globalizadas. E todos os seus ciclos internos de "valorização de ativos", (em particular, imóveis, câmbio e bolsa de valores) se descolam com facilidade dos circuitos produtivos e mercantis e se balizam pelas variações da dívida publica e da política de juros do governo norte-americano. Por isto, as "bolhas" são sempre uma ameaça potencial para a economia mundial, mas não são apenas "capital fictício", nem são apenas "especulação". São mais do que isto, é um ciclo específico de valorização do capital que só é possível dentro de um sistema monetário e financeiro desregulado e atrelado diretamente ao endividamento público do governo americano.

A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano nem muito menos do capitalismo. Por enquanto, não é provável uma "fuga do dólar", porque o euro, o yuan e o yen não tem fôlego financeiro internacional

E acreditar na criação de uma moeda supra-nacional, é fugir para o mundo da fantasia, desconhecendo o sistema mundial em que vivemos. "Dentro deste sistema, não existe a menor possibilidade de que a liderança da expansão econômica do capitalismo possa sair das mãos dos 'Estados-economias nacionais' expansivos e conquistadores, com suas moedas nacionais e com seus 'grandes predadores'" (Fiori, J.L., (2007) O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações, Editora Boitempo, São Paulo , p:38).

"Por fim, como 'ciência ficção', pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e Estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um 'mundo melhor'."

José Luís Fiori é professor titular do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro "O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações" (Editora Boitempo, 2007)

NA TV



QUEDA DA BOLSA SUPERA 5%
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
No Brasil a queda supera 5%, mas, já foi até maior. Agora a queda é de 4,8% para o IBovepa, então reduz um pouquinho o índice de perda, mas ainda muito acentuado.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

TOMBINI PREGA CAUTELA SOBRE AS DÍVIDAS ASSUMIDAS EM DÓLAR
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
Diante da atual conjuntura a economia internacional não vaio ter esse crescimento vibrante. A alta das comodities pelo menos essa não vai pressionar os preços.
* Alexandre Tombini, presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

PRESIDENTE DO BC: "INFLAÇÃO VAI ATINGIR PICO EM AGOSTO"
10:00 - BANDNEWS, BANDNEWS
O presidente do BANCO CENTRAL afirma que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, atingirá o pico esse mês. Mas, deve ter recuo expressivo depois disso. A afirmação de ALEXANDRE TOMBINI foi feita nesta quinta-feira durante o programa Bom Dia Ministro.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

GOVERNO VAI REDUZIR IPI DE MONTADORAS DE AUTOMÓVEIS 03/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
A Receita Federal brasileira anunciou que vai reduzir até meados de 2016 o IPI para automóveis de montadoras que usarem mais peças nacionais. As alíquotas serão definidas por decreto presidencial. O governo também vai mudar a forma de tributar os cigarros, o que deve aumentar a arrecadação.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

MANTEGA: BRASIL DEVE USAR ''CORDÃO DE ISOLAMENTO'' DA CRISE VINDA DOS EUA E EUROPA
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil tem que se defender da crise que afeta os Estados Unidos e Europa com um ''cordão de isolamento''. Ele falou um dia depois do anúncio de várias medidas para proteger os vários setores industriais prejudicados pelo câmbio.
Âncora: Guto Abranches.

FLUXO CAMBIAL
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
Apesar das medidas para conter a desvalorização da moeda americana frente ao real, a entrada líquida no Brasil foi a maior desde 2007.
* Marília Ângelo Taveira, economista-chefe do Icatu Vanguarda.
Âncora: Guto Abranches.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

FMI DIZ QUE HÁ SINAIS DE SUPERAQUECIMENTO NA ECONOMIA BRASILEIRA
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O Fundo Monetário Internacional fez um alerta nesta quarta-feira: há sinais de superaquecimento na economia brasileira.
Âncora: Guto Abranches.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

BC: PREÇO DAS COMMODITIES CAI MAIS DE 3% EM JULHO
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O índice de commodities brasileira, calculada pelo BANCO CENTRAL, caiu mais de 3% em julho. Maior queda foi sentida no setor agropecuário.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

INADIMPLÊNCIA SUBIU 8,55% EM JULHO
03/08/2011 - 21:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL NOITE
O brasileiro está com mais dificuldade para pagar as contas em dia. A inadimplência subiu 8,55% no mês passado em comparação com o mesmo período de 2010.
Âncora: Ana Luísa Médici, Carla Ramos, Florestan Fernandes, Lincoln Macário e Luciana Barreto
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

MERCADO FINANCEIRO
03/08/2011 - 19:20 - BANDEIRANTES, JORNAL DA BAND
A seguir, o jornalista Joelmir Beting comenta sobre o desempenho do mercado financeiro.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Enxurrada de dólares


Valor 04/08
O fluxo de recursos para o Brasil não deu trégua na última semana e fechou o mês de julho em patamar recorde de US$ 15,825 bilhões. Em meio a importantes mudanças no mercado de câmbio, os investidores estrangeiros, bancos locais e exportadores continuaram a trazer dólares para o mercado interno, seja para ajustar suas posições nos mercados à vista e futuro, seja para aplicações e investimento estrangeiro direto (IED).

Somente na última semana do mês, o fluxo somou US$ 4,955 bilhões, sendo US$ 1,878 bilhão na conta financeira e outros US$ 3,077 bilhões trazidos por exportadores para o Brasil. As empresas que vendem produtos no mercado internacional estão aproveitando a alta do dólar que sucedeu tanto às medidas do governo de controle no mercado de derivativos quanto da piora do cenário externo.

No mês, o saldo da movimentação em moeda estrangeira foi recorde, tendo alcançado US$ 15,825 bilhões. A maior parcela veio do segmento financeiro, responsável por US$ 9,571 bilhões. Esse fluxo decorreu da necessidade dos bancos de ajustar suas posições "vendidas" (apostando na baixa da moeda americana), após a redução da margem permitida pelo Banco Central (BC), de US$ 3 bilhões para US$ 1 bilhão - 60% do excedente passou a ser recolhido no BC.

As instituições financeiras chegaram a ficar levemente desenquadradas entre os dias 14 e 20, em pouco menos de US$ 100 milhões, mas logo corrigiram suas posições com nova internalização de moeda estrangeira. A posição vendida dos bancos no mercado à vista caiu de US$ 14,696 bilhões, em junho, para US$ 6,302 bilhões agora em julho.

No segmento comercial, que registra as movimentações da balança comercial, despejou no país outros US$ 6,253 bilhões em julho, o segundo maior montante do ano, inferior apenas a maio (US$ 7,263 bilhões). As linhas de adiantamento de contratos de câmbio (ACC) estão, em média, 40% superiores neste ano, na comparação com o ano passado, o que explica parte do fluxo.

Já a autoridade monetária recolheu US$ 6,637 bilhões em julho, em intervenções no mercado à vista. As compras ampliaram as reservas, que chegaram a US$ 347,621 bilhões em 2 de agosto.

O governo também divulgou na semana passada uma série de medidas para os derivativos cambiais, com aumento das restrições e elevações de impostos para as posições vendidas no mercado futuro. Mas uma série de dúvidas travou o mercado de câmbio no país.

Ainda não está claro para o mercado quem fará a cobrança do IOF sobre as posições vendidas nem como será feita a eventual compensação entre as duas câmaras de liquidação nos casos em que os investidores tiverem posições complementares entre Cetip e BM&FBovespa. Não se sabe também qual será a fórmula de cálculo dos valores dos contratos dos diferentes produtos existentes.

Sem essas respostas, a posição vendida no mercado futuro dos investidores estrangeiros recuou cerca de US$ 3 bilhões desde o anúncio das medidas, de um patamar superior a US$ 22 bilhões, para algo próximo dos US$ 19 bilhões.

CHINA AMEAÇA NO PAPEL


Valor 04/08
As relações entre China e Brasil relativas ao comércio internacional de celulose e papel azedaram nos últimos meses e agora atravessam um momento crítico. A indústria chinesa de papel ameaça reduzir as compras de celulose brasileira e responder com a abertura de um processo de investigação por dumping, no caso dos preços da matéria-prima, se o país mantiver as medidas que estão dificultando a importação do produto asiático ou iniciar alguma ação antidumping na área.

Pelo menos quatro grandes papeleiras, representadas pela China Paper Association, já levaram suas queixas ao governo chinês e prometem reagir duramente ao fim da licença automática para importação de papéis produzidos na Ásia e à obrigatoriedade do certificado de origem, que passou a ser exigido pelo Brasil no primeiro semestre. Além disso, os chineses temem que o Brasil esteja avaliando medidas similares às adotadas por Estados Unidos e Europa, que impuseram elevadas tarifas antidumping sobre as importações de papel revestido asiático.

A ameaça de substituição de fornecedores de celulose teria incomodado a indústria brasileira em razão do tamanho do apetite chinês. Maior produtor mundial de papel, com mais de 90 milhões de toneladas anuais dos diferentes tipos, a China colocará em operação, até 2015, novas linhas de produção com capacidade total para mais 35 milhões de toneladas por ano, sem investimentos significativos para a produção local de matéria-prima. Além disso, o país asiático, que não tem tradição em celulose, é o principal comprador individual da fibra de eucalipto produzida no Brasil, absorvendo cerca de 2 milhões de toneladas anuais.

Por outro lado, um eventual pedido de investigação de dumping não teria assustado os produtores brasileiros de celulose em razão de a matéria-prima ser negociada como commodity, com formação de preços internacional e estabelecimento de cotações em três mercados de referência: América do Norte, Europa e Ásia. Nessa última região se pratica o menor preço de referência, porém os valores são seguidos por toda a indústria mundial de celulose.

De acordo com o principal executivo da APP China, Rui Zheng, as fabricantes chinesas - APP, April (com sede na Indonésia), Sun Paper e Chenming - não entendem as motivações do governo brasileiro ao exigir o certificado de origem do papel produzido na Ásia, especialmente China e Indonésia, para liberar importações. Há dois meses, Zheng esteve em Brasília para encontros com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), acompanhado de representantes das embaixadas da China e da Indonésia, e não saiu satisfeito.

"Foi um pouco promissor", afirmou o executivo, que se prepara para assumir o escritório da APP na Áustria. "Estamos tentando a via do diálogo, mas estão nos forçando a adotar medidas mais drásticas." Para acompanhar de perto o desenrolar das negociações, a companhia, que tem sedes e operação na China e na Indonésia, chegou a contratar um lobista em Brasília. Na China, estreitou relações com o Ministério do Comércio (Mofcom), que estaria apoiando a reação das papeleiras. "Não praticamos dumping ou qualquer outra irregularidade", defende.

Segundo fonte da indústria brasileira, o maior rigor na liberação das importações do produto asiático veio na esteira do crescente desvio de papel isento de impostos (o chamado papel imune) para finalidades que não as previstas em lei - impressões educacionais e culturais. Atualmente, cerca de 95% do papel importado que entra no país recebe essa classificação e a maior parte - ou mais de 600 mil toneladas por ano - seria desviada para uso ilegal. Ao não recolher impostos, o produto chega ao consumidor final com diferença de preços de até 40%. Os protagonistas dessas operações, conforme a indústria, seriam justamente os papéis dos tipos imprimir e escrever e cartão oriundos da Ásia.

Em São Paulo, a Secretaria da Fazenda apertou o cerco contra operações ilegais com papel imune e aplicou mais de R$ 100 milhões em multas. Procuradas, Fibria, Suzano Papel e Celulose e Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) não se pronunciaram sobre o assunto.

Minério de ferro salva mais uma vez os balanços dos fabricantes de aço


Valor 04/08
Minerar ferro tornou-se a atividade mais rentável para as fabricantes de aço no país. Parece um contrassenso, mas as siderúrgicas argumentam que se trata de um movimento defensivo contra a alta exorbitante dos preços de suas duas principais matérias-primas - minério de ferro e carvão - desde 2005.

As margens de ganho no resultado operacional advindas da atividade de produção de minério de ferro são de dar água na boca - alcançaram 68% tanto na Usiminas quanto na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no segundo trimestre. Bem diferente do aço: 29% na CSN e apenas 7% na siderúrgica mineira, que ainda engatinha na atividade de mineração.

A CSN, que divulgou seu balanço desse período ontem pela manhã, um dia depois da concorrente Usiminas, tem uma estratégia não apenas defensiva. Ao contrário, enxerga esse ramo como um grande negócio, tocado obstinadamente por seu principal acionista, Benjamin Steinbruch.

A CSN, até 2001, era uma das principais acionistas da Vale, maior mineradora de ferro do mundo. Ao deixar o bloco de controle da mineradora, decidiu explorar não apenas cativamente as ricas reservas de minério de sua mina, Casa de Pedra. O plano é agressivo: ficar entre as cinco maiores mineradoras de ferro do mundo.

Com isso, a empresa, dona de minério de ferro, autossuficiente em energia e dona de logística ferroviária e portuária, obtém margens operacionais acima da média mundial da siderurgia, liderando a geração de valor aos seus acionistas, conforme estudo recente do Citigroup baseado no conceito de valor econômico agregado (EVA, na sigla em inglês).

O balanço da CSN mostra que a venda de minério de ferro rendeu receita líquida de R$ 1,52 bilhão de abril a junho, 34% do total de R$ 4,3 bilhões obtidos nos cinco negócios da companhia. No entanto, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 1,04 bilhão, representando 54% do resultado operacional da companhia. A fabricação de aço, com 57% (R$ 2,51 bilhões) da receita líquida foi responsável por 38% do Ebitda, com valor de R$ 733 milhões.

Essa inversão de papéis vem se verificando a cada trimestre, desde o último período do ano passado. O aço passou de R$ 1,16 bilhão entre outubro e dezembro para R$ 693 milhões no primeiro trimestre deste ano. Já o resultado da mineração seguiu crescente: saiu, no mesmo período, de R$ 551 milhões, subiu para R$ 792 milhões de janeiro a março e, agora, superou a marca de R$ 1 bilhão.

Além de aço e mineração, a CSN atua em três outros negócios: logística - 6% da receita líquida e do Ebitda -, cimento (2% da receita e 1% do resultado operacional) e energia, com 1% de cada.

A atividade de minério de ferro, com venda acima de 13 milhões de toneladas no ano, levou a CSN a obter recorde de receita líquida em um determinado semestre, com R$ 8,1 bilhões de janeiro a junho passado. E a meta de Steinbruch, em algum ano até 2015, é fazer mais de 100 milhões de toneladas do produto por ano.

Graças ao desempenho desse negócio, acelerado a partir de 2005, com receita de R$ 2,7 bilhões até junho, a empresa de Steinbruch pode obter uma margem Ebitda média de 41% no segundo trimestre. Quase quatro vezes o índice de 12% obtido pela Usiminas.

Empresa avalia comprar mais ações da Usiminas


Em conferência de apresentação de resultados a analistas e investidores, executivos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) disseram que a empresa continua "avaliando alternativas" em relação a seu investimento na Usiminas.

O diretor de finanças e de relações com investidores, Alberto Monteiro, disse que a empresa continua estudando adquirir ações. "Estamos avaliando alternativas em relação a esse investimento, inclusive aquisições adicionais de ações", disse em resposta ao questionamento de um analista sobre as aquisições neste mês.

A CSN já alcançou 10,84% das ações ordinárias (com direito a voto) e 10,2% dos papéis preferenciais (sem voto) da Usiminas. O diretor, no entanto, não quis dar detalhes sobre o assunto. "Queremos manter [em silêncio] questões de estratégia de aproximação com o grupo", ressaltou.

Ontem, o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, também foi questionado sobre a investida da CSN e evitou fazer comentários. "Prefiro não discutir as estratégias da CSN", afirmou o executivo durante evento com jornalistas sobre os resultados do trimestre.

Brumer diz que não há fato novo em relação ao tema, repetindo que as compras da CSN se dão fora do bloco de controle. A Usiminas é controlada pela Nippon Steel e pelos grupos brasileiros Camargo Corrêa e Votorantim, além do clube dos empregados da empresa.

Economistas veem risco elevado de recessão nos EUA

Imagen CNN- Money

Agências Internacionais - Valor 04/08

O vigor da recuperação americana, que já dura dois anos, parece estar diminuindo, à medida que consumidores e o governo cortam seus gastos. É o que dizem cinco de nove economistas da comissão acadêmica responsável pela datação das recessões nos EUA.

"Essa economia está realmente em equilíbrio precário", disse ontem Martin Feldstein, professor de economia da Harvard University e membro da comissão de datação dos ciclos econômicos do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), em entrevista ao programa "Surveillance Midday", na Bloomberg Television. "Existe agora uma chance de 50% de que poderemos entrar novamente em recessão. Nada nos deu muito crescimento."

Uma desaceleração maior do que a esperada no primeiro semestre de 2011 cria riscos para a maior economia do mundo, disse o economista Robert Hall, da Universidade Stanford, presidente da comissão. O PIB cresceu a uma taxa anual de 1,3% de abril a junho, após um avanço de 0,4% no trimestre anterior, inferior à estimada anterior, é o que mostraram números do Departamento de Comércio em 29 de julho.

"Quanto mais lenta a taxa de crescimento, maior a probabilidade de que um choque adverso possa deflagrar uma recessão", disse Hall em entrevista.

Embora não seja missão da comissão prever a probabilidade de uma recessão, cada membro pode fazer suas próprias previsões, disse Hall. A comissão levou mais de um ano para determinar que a mais profunda contração desde os anos 1930 terminou em junho de 2009, uma conclusão a que chegou em setembro de 2010.

O PIB encolheu 5,1% do quarto trimestre de 2007 ao segundo trimestre de 2009, em comparação com a queda anteriormente reportada de 4,1%, segundo divulgou o Departamento de Comércio na semana passada. A segunda pior contração no pós-Segunda Guerra Mundial foi um declínio de 3,7% em 1957-58.

"Os riscos de mais uma recessão cresceram, em comparação com onde estávamos seis meses atrás", disse Christina Romer, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, em entrevista ao programa "Street Smart",, na TV Bloomberg, em 1º de agosto. Ela, porém, previu um crescimento, "anêmico, mas positivo".

Membros da comissão citaram o esfriamento da confiança nos setores de habitação, emprego e negócios e esforços para reduzir o endividamento por parte dos consumidores e do governo como obstáculos ao crescimento. Quatro acadêmicos na comissão negaram-se a sugerir as chances de uma recessão ou não responderam a pedidos de comentários.

Os gastos dos consumidores caíram inesperadamente, em junho, pela primeira vez em quase dois anos, ao passo que a taxa de poupança cresceu, é o que revelaram ontem números do Departamento de Comércio, em Washington.

"O consumo está baixo porque o pagamento de dívidas está espremendo os gastos, mesmo tanto tempo após a crise", disse Hall. "Será um processo doloroso, até que consumidores dependentes de crédito fiquem de novo em pé."

Os fabricantes estão contendo sua produção em resposta à fraca demanda do consumidor. A atividade industrial nos EUA quase parou em julho, segundo um relatório do Institute for Supply Management (ISM) de 1º de agosto.

A taxa de desemprego provavelmente permaneceu em 9,2%, em julho (o Departamento de Trabalho divulga o dado nesta sexta). Até junho, a economia recuperou cerca de 1,77 milhão de 8,75 milhões de postos de trabalho perdidos em consequência da recessão que começou em dezembro de 2007 e que durou 18 meses.

"Estamos certamente numa situação mais vulnerável agora", e um novo choque pode causar uma crise semelhante à contração ocorrida na esteira da disparada do petróleo após a invasão do Kuait pelo Iraque, em 1990, disse James Stock, economista de Harvard e membro da comissão do NBER. "Olhando a situação mundial, é certamente possível imaginar choques da magnitude do caso do Kuait que nos empurrem para o precipício".

A confiança dos empresários foi abalada pelo impasse político, que durou meses, sobre o teto de endividamento, disse Stock.

O presidente Barack Obama assinou ontem um acordo, incorporando mútuas concessões (de republicanos e de democratas) sobre o limite de endividamento, evitando um default americano. A medida eleva teto de dívida do país até 2013 e incorpora ameaças de cortes automáticos de despesas, para impor US$ 2,4 trilhões em redução de gastos nos próximos 10 anos.

"O debate sobre o teto da dívida americana realmente minou a confiança de consumidores e empresas, além de criar incertezas", disse Stock. "A solução das incertezas resultante do acordo não restaurou a imagem de competência legislativa na gestão econômica."

Os cortes nos gastos do governo serão um entrave ao crescimento em 2012, disse Jeffrey Frankel, outro professor de Harvard que atua na comissão da NBER. Embora os riscos de recessão tenham aumentado, "não cresceram, necessariamente, o suficiente para levar a probabilidade para mais de 50%".

"O governo é uma fonte de contração neste ano", disse ele. "O estímulo fiscal está sendo retirado nas esferas federal, estadual e local."

Robert Gordon, membro da comissão e professor na Northwestern University (e que não estimou a chance de recessão), e Feldstein concordaram que a "ressaca" da bolha no mercado habitacional continua a assolar a economia. "Há um vasto excedente de oferta habitacional que esmagou qualquer chance de recuperação na construção residencial", disse Gordon.

Indicadores americanos apontam semestre fraco

A indústria de serviços nos Estados Unidos expandiu-se em julho no ritmo mais lento dos últimos 17 meses. Outros dados divulgados ontem, sobre encomendas às fábricas e criação de empregos, também indicam que a economia americana iniciou o segundo semestre sem muita força.

O índice do Institute for Supply Management (ISM) para a indústria de serviços, que inclui setores como varejo e saúde e cobre cerca de 90% da economia americana, caiu de 53,3 em junho para 52,7 (números acima de 50 indicam expansão). Entre 2002 e 2007, quando teve início a última recessão, a média do índice ficou em 56,1.

"A economia continuará a patinar", disse Yelena Shulyatyeva, economista do BNP Paribas, em Nova York. "Isso não ajuda a reduzir a taxa de desemprego. O ímpeto econômico para o segundo semestre não é tão forte quanto o esperado." Chris Low, economista do FTN Financial, concorda: "O índice do ISM mostra uma economia travada em primeira marcha."

De acordo com um relatório da ADP Employer Services, as empresas do setor privado contrataram menos trabalhadores no mês passado. Foram preenchidas 114 mil vagas em julho, contra 145 mil no mês anterior (dado revisado). Na sexta-feira, o governo anuncia o relatório sobre a criação de empregos em julho. Economistas preveem que apenas 90 mil vagas surgiram no mês passado - seria necessário aproximadamente o triplo disso para reduzir a taxa de desemprego, atualmente em 9,2%.

Segundo o Departamento do Comércio, as encomendas de bens manufaturados às fábricas caíram 0,8% em junho, refletindo um refluxo na demanda por aviões, automóveis e maquinário pesado. Em maio, havia sido registrado um aumento de 0,6% (dado revisado).

Estatísticas econômicas divulgadas nas últimas duas semanas mostraram queda na venda de casas, na confiança do consumidor e o primeiro recuo em dois anos nos gastos das famílias americanas.

Cortes em defesa ameaçam segurança, diz secretário

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou ontem que quaisquer cortes por atacado nos gastos militares do país, como parte da próxima etapa dos esforços de redução do déficit orçamentário, poderão causar "danos sérios" à segurança americana.

Segundo uma alta autoridade que pediu para não ter seu nome revelado, semelhantes cortes exigiriam a demissão de milhares de funcionários do Departamento da Defesa, interromperiam programas de armamentos e possivelmente cortariam de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões, aproximadamente 10%, do orçamento anual do Pentágono.

Esses gastos cancelados se somariam a cortes na segurança de cerca de US$ 350 bilhões, já definidos na primeira fase do pacote de cortes assinado pelo presidente Barack Obama anteontem.

Panetta disse que uma potencial segunda rodada de cortes, estimada em torno de US$ 600 bilhões entre 2012 e 2021, seria "totalmente inaceitável". "Se isso acontecer, poderia deflagrar uma onda de perigosos cortes por atacado na defesa que causariam danos sérios à nossa segurança, aos nossos soldados e suas famílias e à nossa capacidade de proteger a nação", afirmou em uma mensagem a funcionários do Departamento da Defesa.

O secretário disse que irá trabalhar em conjunto com líderes do Congresso para "realizar os cortes de bom senso necessários para evitar esse mecanismo de sequestro". O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, disse esperar que boa parte dos cortes caia sobre sistemas de armas que o Pentágono está desenvolvendo ou planejando comprar. "Creio que programas que apresentam maus resultados serão encerrados", disse Mullen.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TV ON LINE





ITÁLIA E GRÉCIA PREOCUPAM INVESTIDORES

03/08/2011 - 08:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL MANHÃ
Já na Europa a preocupação é com Espanha e Itália. Os dois países estão no centro das atenções dos investidores que analisam a possibilidade de ajuda como aconteceu com a Grécia, Irlanda e Portugal.
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PROBLEMAS NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA ESTÃO IDENTIFICADOS

03/08/2011 - 07:30 - GLOBO, BOM DIA BRASIL
O governo anunciou na terça-feira (2) medidas para aquecer alguns setores da indústria. Os fabricantes de calçados, móveis e confecções foram beneficiados. É uma reação contra o dragão chinês, que está inundando os mercados mundiais com produtos de preços muito baixos. Uma das medidas anunciadas é a desoneração, ou seja, a redução nos impostos que os empresários pagam. O custo de contratação dos trabalhadores, por exemplo, ficará menor.
* Rosina Bitter, empresária.
* Alfredo Bonduki, vice-pres. da assc. bras. de indústria têxtil.
* ROBSON DE ANDRADE, PRESIDENTE DA CNI.
* DILMA ROUSSEFF, presidente da República.
* Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
* dep. Duarte Nogueira PSDB-SP, presidente do partido.
* Fernando Pimentel, ministro do desenvolvimento.
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BANCO CENTRAL DETERMINA COBRANÇA DO IOF




02/08/2011 - 23:40 - SBT, JORNAL DO SBT (NOITE)
Quem usa o cartão de crédito para pagar conta de luz, telefone, academia ou condomínio terá que pagar um imposto sobre operações financeiras. O BANCO CENTRAL determinou que todos os bancos cobre o IOF.
* Rogério Barbacena, gerente de contas.
* Rogério Piscitelli, economista.
Âncora: Carlos Nascimento e Cynthia Benini
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BOLSA DE SÃO PAULO RECUOU 3% NO FINAL DA MANHÃ

13:00 - CANAL RURAL, RURAL MEIO DIA
A bolsa de valores de São Paulo chegou a recuar 3% no final da manhã e atingir a menor pontuação desde setembro de 2009.
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GAME OVER


Valor 03/08/2011
A derrocada das bolsas e a queda nas taxas de juros em âmbito global no pregão de ontem são um sinal claro de "game over" (fim de jogo): as esperanças quanto a um crescimento mais firme da economia mundial foram abandonadas.

E boa parte dessa percepção, que culminou na movimentação de ontem, pode ser creditada ao circo político americano envolvendo o teto do endividamento federal. Assunto banal que ganhou repercussão inimaginável (pensamos em "default" e rebaixamento de nota soberana americana!) dentro de uma dissociação política há tempos não vista nos Estados Unidos.

Conforme notou o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, toda essa discussão sobre o endividamento americano tirou da sombra o fato de que os EUA serão obrigados a fazer um ajuste em suas contas.

"Os políticos americanos trouxeram luz para um problema que não estava no foco. As atenções até então estavam voltadas à crise na Europa. Agora, cai a ficha de que a situação fiscal dos EUA não pode ficar como está 'ad eternum'", diz Folchini.

E essa necessidade de corte de gastos, como bem evidenciada pelas discussões e pelo projeto final sobre o teto da dívida, vai limitar as chances de crescimento da economia americana no curto prazo (curto prazo aqui são alguns anos).

O problema, segundo Folchini, é que esse ajuste fiscal se processará em cima de uma economia que já está bastante fragilizada. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre, bem como a atividade industrial e os gastos do consumidor confirmaram isso.

E essa mesma necessidade de ajuste limita o raio de ação do governo americano para tentar estimular a atividade. O lado fiscal está fora do baralho, sobra o Federal Reserve (Fed), banco central americano, com a emissão de mais dinheiro ainda. Embora a efetividade de tal estratégia seja questionável.

Segundo um estrategista que prefere não se identificar, o Fed sabe que se injetar ainda mais liquidez nos mercados pode ver o preço das commodities, em especial do petróleo, voltar a disparar. "O Fed já viu isso acontecer e corroer o crescimento que se desenhava no começo do ano", disse.

Soma-se ao fator americano, a crise na Europa, onde a necessidade de se equalizar dívida também representa uma barreira ao crescimento.

Para esse mesmo estrategista é questão de dias até a dívida da Itália explodir. Já foi dito, mas não custa repetir: o país tem de rolar € 115 bilhões em agosto e setembro. No quarto final do ano vencem outros € 67,5 bilhões.

Temperando todo esse noticiário triste sobre as economias dos EUA e Europa estão anúncios e mais anúncios de demissões. Recentemente, mais de 20 grandes empresas, como HSBC, Merck e Lockheed Martin anunciaram cortes. Por cima, mais de 80 mil postos de trabalho foram eliminados.

Como os pacotes de estímulo tentados até agora não tem mostrado eficiência, esse estrategista aponta que os mercados estão "à deriva".

Para esse especialista, estamos assistindo a uma ruptura, uma mudança estrutural.

"Talvez tenhamos de aceitar esse ajuste e entrar em uma nova situação econômica. Os EUA terão de reinventar sua economia. Eles terão de crescer sem consumo e alavancagem", diz.

Essa percepção de menor crescimento e, consequentemente, juros baixos "para sempre" apareceu primeiro no mercado de juros. A taxa de retorno do papel de 10 anos da dívida americana caiu a 2,61%, menor leitura desde meados de novembro do ano passado. As taxas dos títulos de dois e 30 anos também afundaram.

Por aqui, os juros futuro seguiram tal movimento, como bem mostra o gráfico abaixo, que traz o contrato para janeiro de 2013.

A propósito, tudo isso reforça a ideia de que a Selic deve mesmo ficar em 12,50% ao ano.

Eduardo Campos é repórter

E-mail eduardo.campos@valor.com.br

Câmbio flutuante amortece turbulências, diz Tombini


Valor 03/08/2011

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vê no sistema de câmbio flutuante um amortecedor dos custos de adaptação a turbulências externas que poderão atingir o Brasil. No evento "Cenário para investimento de médio prazo no Brasil", realizado na BM&FBovespa, que marcou o pré-lançamento do novo portal do Valor, ele citou a flutuação cambial como um aliado importante no ambiente de incertezas que poderão advir do "adiamento do prazo de normalização das condições financeiras globais".

Com isso, o BC parece sinalizar que, apesar das recentes medidas tomadas para combater a especulação com o real no mercado de derivativos por capitais de curto prazo, a instituição não apostará sua reputação para sustentar uma cotação artificial da moeda. A ação do BC tentará estabelecer a difícil separação entre o que é uma tendência inexorável de valorização do real ao longo do tempo e o que é efeito de jogadas especulativas, cujos efeitos caminham na mesma direção da apreciação do real.

Tombini vê "maior dramaticidade em algumas áreas" no cenário externo, fonte de potenciais contratempos. Na zona do euro, as medidas tomadas para enfrentar a crise da dívida soberana não parecem ter sido suficientes para debelar expectativas fortemente negativas.

Nos EUA, a economia mostra uma "sistemática perda de dinamismo" ao mesmo tempo em que há o "esgotamento da margem de manobra da política fiscal" e a decorrente "perda de possibilidade de novos impulsos fiscais", como ficou demonstrado pelo impasse sobre a elevação do teto da dívida pública no Congresso americano. A consequência imediata dessas crises será "o baixo crescimento da economia global pelos próximos anos".

Para a economia brasileira, essas crises trazem desafios. Nesse cenário, segundo Tombini, o real é agora uma opção tanto para alocação de recursos como para diversificação de riscos. O Brasil se tornou "um polo de atração de capitais de todos os tipos, dos investimentos de longo prazo aos especulativos de curto prazo".

A intensidade da valorização da moeda brasileira, inevitável no caso, é outro assunto, que comporta medidas da autoridade monetária. "Não sejamos ingênuos", advertiu. "Há pressões de posições alavancadas que podem colocar em risco o sistema financeiro". A aposta do mercado em uma direção é sempre uma fonte de perigos.

Tombini desenhou um quadro de instabilidade à frente para mostrar que agora, como em 2008, o câmbio pode se tornar volátil e suscetível de rápidas desvalorizações, com poder destrutivo sobre bancos, empresas e seus acionistas. "Não podemos nos descuidar. Precisamos ficar vigilantes, tomando medidas tempestivamente", disse.

Tombini também afirmou que, se houver uma deterioração no exterior, as medidas preventivas adotadas em 2008 e que já foram desativadas poderão ser rapidamente reintroduzidas.

BC vê "impacto máximo" sobre inflação no 4º tri

A queda da inflação e sua trajetória de convergência para a meta ficarão mais evidentes no último trimestre do ano, quando as medidas já tomadas pelo Banco Central terão seu "impacto máximo", previu ontem o presidente do BC, Alexandre Tombini. Em um discurso mais tranquilo em relação ao rumo da inflação do que o adotado por parte do mercado, o presidente do BC mostrou que já há sinais de que a inflação corrente, assim como as expectativas, começam a ceder, o que permitirá que o IPCA convirja para o centro da meta, de 4,5%, em 2012.

Em seu discurso, o BC reiterou, portanto, que não mudou sua estratégia e continua esperando que o recuo da inflação para o centro da meta ocorra no ano que vem. Com isso, corrigiu a interpretação feita pelo mercado, a partir da leitura da última ata do Copom, de que o novo horizonte da política monetária seria 2013. Isso porque o documento omitiu o "compromisso" do BC em fazer com que o IPCA caminhe para o alvo em 2012. Temendo um BC mais "leniente" com a inflação, a curva de juros futuros chegou a reagir - os contratos mais longos subiram, como reflexo do entendimento de que uma atitude menos rigorosa com a inflação no curto prazo poderia forçar o Copom a subir a taxa Selic mais à frente.

Ontem, Tombini ajustou essa leitura ao garantir que o BC está pronto para agir caso haja seja necessário - ou seja, se houver riscos de o IPCA em 2012 "escapar" dos 4,5% perseguidos. Porém, o cenário apresentado por ele é muito mais tranquilo em relação ao comportamento dos preços do que parte do mercado está enxergando. "A inflação já está em trajetória declinante. Mas o BC continua vigilante e não hesitará em adotar medidas, se necessário, para garantir a convergência da inflação ao centro da meta em 2012."

Tombini enfatizou, entretanto, que há sinais de que tanto a inflação corrente quando as expectativas de inflação começam a ceder, como consequência das ações de ajuste monetário adotadas ao longo dos últimos sete meses, período em que o BC teve de agir para combater pesadas pressões de inflação. "Esse processo (as medidas de aperto monetário) já vem assentando as bases para que a inflação convirja para o centro da meta em 2012", afirmou.

"A inflação acumulada nos últimos três meses de 2011 será significativamente menor do que em igual período de 2010. E o mesmo ocorrerá no primeiro trimestre de 2012 em relação a igual período de 2011, também caracterizado por uma inflação mensal bastante dramática", previu.

Além disso, disse, a média mensal da inflação projetada pelo mercado para o segundo semestre de 2011 "é compatível com o centro da meta de inflação". E, segundo ele, essa trajetória ficará mais evidente no quarto trimestre de 2011. É nesse período em que o ajuste das condições monetárias adotadas terão impacto máximo sobre a economia brasileira", afirmou.

Os riscos apontados por Tombini estão concentrados no cenário internacional. "Desde o início do ano, o BC tem lidado com a complexidade do cenário econômico internacional. No entanto, os acontecimentos observados nas últimas semanas se mostraram ainda mais complexos", afirmou, citando a crise da dívida na zona do euro, cujo processo de acomodação será "longo e sujeito a contratempos", e a economia americana, que vive processo sistemático de perda de dinamismo e redução da expectativa de crescimento, além de um nítido esgotamento do grau de manobra da política fiscal.

"Tudo indica que, qualquer que seja a solução do impasse, e assim se encaminha para que haja uma solução, a economia americana não só perderá a possibilidade de novos impulsos fiscais como terá que viver com o fim dos hoje existentes. Isso deve afetar a expectativa de crescimento da maior economia do mundo nos próximos anos".

Distorções

Por Antonio Delfim Netto FSP 03/08

Analistas que se pensam portadores da "verdadeira" teoria econômica fizeram duras críticas às medidas complementares que, em legítima defesa, foram anunciadas pelo ministro da Fazenda.
Ninguém discute que seu uso precisa de moderação, porque tem larga influência na economia. As críticas mais ferozes, entretanto, foram fundadas numa proposição absolutamente infundada: que a liberdade de movimento de capitais está implícita na natureza das coisas, como as "vantagens comparativas".
Por que infundada? Porque, em primeiro lugar, com relação ao comércio de bens, a teoria das vantagens comparativas é pouco mais do que uma relação aritmética engenhosa, verdadeira por definição. Em segundo lugar, porque a sua extensão ao movimento de capitais é apenas mais uma das analogias despropositadas com frequência negadas empiricamente.
Basta dizer que uma de suas conclusões é que elas fluiriam para seu uso mais produtivo, como investimento físico, para os países com maior taxa de retorno físico, maximizando, assim, a taxa de crescimento mundial! Trata-se de pura teologia com chance de tornar-se "ciência" somente num mundo habitado por anjos...
O que revela a ampla, geral e irrestrita liberdade de movimento dos capitais? Apenas que ela, devido à flutuação do comportamento dos intermediários financeiros internacionais e da sua tendência à imitação e ao comportamento de "manada", cria movimentos destrutivos de "euforia" e "depressão" que perturbam as economias que, por motivos reais ou imaginários, escolhe como "bolas da vez".
Compromete a sua política monetária e retira da taxa de câmbio o papel decisivo de "preço relativo" que mantém em equilíbrio o balanço em conta-corrente. Até o FMI reconheceu isso, surpreendido pela crise de 2007-09.
São fatos claramente confirmados pela crise asiática de 1997-98 e, agora, no Brasil e em outros emergentes. Estes tornaram-se refúgio de incansáveis e espertos capitais bucaneiros sempre à procura de maior lucro financeiro. Retorno de qualquer natureza, menos o produzido pelo efetivo investimento direto que aumenta a oferta de bens e produtos, os únicos que realmente interessam aos emergentes.
Há dois sistemas financeiros: 1) o que está a serviço do processo produtivo de bens e serviços e é indispensável para o desenvolvimento econômico e 2) o que é um fim em si mesmo, controla o poder político dos Estados nacionais e, mais dia, menos dia, interrompe o "circuito econômico".
Não deixa de ser curioso ouvir que as medidas tomadas "causam distorções". Distorções em relação a quê? Ao sistema financeiro das "inovações", que se transformou em arma de destruição em massa?

ANTONIO DELFIM NETTO

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Produção de petróleo aumentou 3,2% em junho em relação a maio


Fonte: Assessoria de Imprensa da ANP - (21) 2112 8333 - imprensa@anp.gov.br

Houve aumento de aproximadamente 3,2% na produção de petróleo no Brasil em junho de 2011 na comparação com maio e de 4,2% em relação a junho de 2010. A produção de gás natural aumentou em torno de 6,9% se comparada ao mesmo mês em 2010 e 0,9% frente a maio de 2011. A produção de petróleo no Brasil, em junho de 2011, foi de aproximadamente 2,137 milhões de barris/dia e a de gás natural, de 67,3 milhões de metros cúbicos/dia, totalizando em torno de 2,560 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), o que ultrapassa os 2,491 milhões de boe/dia registrados em maio.

Em junho de 2011, 307 concessões operadas por 25 empresas foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 82 são concessões marítimas e 225 são terrestres. Das 307 concessões, 10 encontram-se em atividades exploratórias e produziram através de Testes de Longa Duração (TLD), e outras 11 são de campos licitados contendo acumulações marginais. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 23,8°. Essas informações fazem parte do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural referente a junho de 2011, que a ANP divulga em sua página na internet.

Pré-sal
O poço 9BRSA716RJS, do campo de Lula, figura pela segunda vez consecutiva como o poço de maior produção de petróleo. Com produção de 28,5 Mbbl/d, o poço produziu mais do que o campo de Carmópolis, campo terrestre com maior produção de petróleo e que produziu por meio de 1062 poços.

A produção do pré-sal aumentou 1,3% em junho de 2011 em comparação ao mês anterior. Foram produzidos 129,6 mil barris por dia de petróleo e 3,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 154,2 mil boe/dia. Esse volume foi extraído de sete poços: 6BRSA639ESS, em Jubarte, 9BRSA716RJS e 3BRSA755ARJS, em Lula, 6BRSA806RJS em Caratinga e Barracuda, 6BRSA770DRJS, em Marlim e Voador, 6BRSA817RJS em Marlim Leste e 1BRSA594SPS no TLD-BM-S-9.

Campos produtores
O campo de Peregrino, operado pela Statoil, após três meses do início da produção, já figura entre os 20 maiores campos produtores de petróleo. Dos 20 maiores campos produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, três são operados por empresas estrangeiras (Frade/Chevron, Ostra/Shell e Peregrino/Statoil). Em torno de 91,5% da produção de petróleo e 74,4% do gás natural foram extraídos de campos marítimos.

Os campos terrestres Rio do Urucu e Leste do Urucu, ambos localizados na Bacia de Solimões, ocuparam a primeira e a segunda posição, respectivamente, no ranking de maiores produtores de gás natural, e também figuram entre os 20 maiores produtores em barris de óleo equivalente.

Seis poços terrestres, sendo cinco do campo de Rio Urucu e um do campo Leste de Urucu, estão na relação dos 30 poços com maior produção de gás natural.

Bacia de Santos
A Bacia de Santos manteve em junho a posição de segunda maior produtora, conquistada em maio deste ano, ultrapassando Solimões e Espírito Santo. O volume produzido na Bacia de Santos, que era de 86 mil boe/dia em abril, passou para 130 mil boe/dia em maio e chegou a 134 mil boe/dia em junho.

Bacias maduras terrestres
A produção das bacias maduras terrestres (campos e TLDs nas Bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Sergipe e Alagoas) foi de 179,4 mil boe/dia. Deste total, 3,1 mil boe/dia foram produzidos por concessões não operadas pela Petrobras.



Plataformas
A P-52, localizada no campo de Roncador, produziu aproximadamente 136,8 mil boe/dia e foi a plataforma com maior produção.

Queima de gás
Houve redução de 22,8% na queima de gás natural em junho de 2011, em comparação ao mesmo mês em 2010. Em relação a maio de 2011, houve aumento de 11,7%. Os principais motivos para o aumento foram a retomada da produção do teste de longa duração (TLD) do bloco SOL-T-171, na Bacia do Solimões, e problemas no sistema de compressão da plataforma P-50, no campo de Albacora Leste. Do volume total de gás natural queimado, 81,4% são oriundos de campos na fase de produção e 18,6% de TLDs da fase de exploração. Considerando-se apenas as concessões na fase de produção, o aproveitamento de gás natural no mês foi de 94,5%.