sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CRASH



Valor 05/08




O pessimismo voltou a tomar conta do mercado mundial de ações ontem, levando o Índice Bovespa a perder 5,72%, a maior queda em um dia deste 21 de novembro de 2008, ecoando as lembranças da grande crise global iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers. O índice recuou para 52.811 pontos, o menor nível desde 17 de julho de 2009. Outro sinal ruim foi o volume negociado, de R$ 9,6 bilhões, o dobro do habitual, indicando apostas pesadas na queda.

Só na semana, o Ibovespa acumula uma perda de 10,2%, ou 23,8% no ano. O que significa que R$ 395 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras foram pulverizados no ano, dos quais R$ 160 bilhões apenas nesta semana.

A queda da bolsa tem fundamentos econômicos claros, baseados na piora das expectativas para as economias americana e europeia e que trazem o risco de uma nova recessão. Isso afetaria a demanda por commodities, setor com forte presença na bolsa brasileira. Ontem, o índice de matérias-primas CRB Reuters caiu 2,77%, acumulando no mês queda de 4,12%.

Assim, papéis importantes no Ibovespa e na carteira dos investidores como Petrobras e Vale fecharam ontem acumulando perdas de 11,37% e 9,53% nesta semana, respectivamente. Outra empresa de commodities, MMX, lidera os prejuízos, com 24,75%.

Mas o lado emocional amplificou os sinais ruins da economia, afirmam analistas. Ontem, o catalisador da forte queda foi a decisão do Banco Central do Japão de vender ienes e derrubar a moeda como forma de conter a valorização provocada pela busca por segurança dos investidores. Anteontem, a Suíça agiu na mesma linha cortando os juros.

A falta de coordenação global contra a crise e a busca irracional por proteção fizeram os juros de papéis de curtíssimo prazo americanos despencarem, levando o título do Tesouro de um mês a ser negociado com ágio, ou seja, o investidor pagaria para aplicar no papel. E o Bank of New York Mellon anunciou que vai cobrar taxa de 0,13% de quem tiver mais de US$ 50 milhões em conta.

A má notícia é de que esse movimento de queda da bolsa pode continuar. Segundo o operador de um importante banco estrangeiro no Brasil, vem aí "mais uma pernada" de baixa, que pode durar mais um ou dois meses. "Devemos ter agora saques em fundos globais dedicados a mercados emergentes, América Latina e Brasil, e esses fundos terão de vender papéis aqui", afirma o operador, que pediu para não ter seu nome citado.

Segundo ele, apesar de as perspectivas de longo prazo para o Brasil serem boas, é o lado emocional que está dirigindo os investidores. Ontem, houve um movimento forte de zeragem ("stop loss"), em que os preços das ações atingem limites de baixa que acionam vendas automáticas e ampliam ainda mais a queda do mercado. "Mas os preços das ações brasileiras estão ficando muito convidativos, apesar das previsões de menor crescimento mundial", acrescenta.

A falta de espaço fiscal e monetário para novos incentivos nos EUA e na Europa cria insegurança sobre o futuro da economia mundial e isso tem reflexos em todas as bolsas, diz Dório Ferman, do Opportunity, gestor do fundo Lógica II, que reúne R$ 2,6 bilhões. "Mas minha única convicção é que a Vale está muito barata, assim como Banco do Brasil, Bradesco e Itaú ", diz. Redecard e Cielo também aparecem na lista de Ferman. Mesmo Petrobras, com seus investimentos polêmicos, também está atrativa, diz.

Ferman observa que estamos vivendo uma situação totalmente nova, com risco de uma recessão nos países desenvolvidos, mas que pode ser compensada pelo crescimento chinês. Ao investidor, ele aconselha que se concentre no conteúdo e no fundamento das empresas, sem perder a racionalidade, escolhendo o que está barato no mercado. "Salvo uma catástrofe mundial, quem tem sangue-frio nesses momentos é que consegue ganhar dinheiro", diz.

O momento é de reversão, de ajuste dos preços dos ativos a um crescimento mais moderado e dúvidas se a economia americana vai se recuperar, afirma Raphael Martello, economista da Tendências Consultoria. "É essa incerteza que permeia o mercado; não se sabe o fundo do poço."

No início do ano, havia uma perspectiva positiva com a economia americana. Mas, recentemente, o desempenho econômico dos EUA se mostrou mais fraco. O economista diz que não trabalha, porém, com cenário de recessão nos Estados Unidos e projeta crescimento de 1,5% do PIB.

Na avaliação de Martello, a bolsa brasileira vem sofrendo mais porque havia gordura para queimar. Em 2009, por exemplo, o desempenho da bolsa brasileira foi muito bom, com alta de 82,66%. Para o investidor, comprar ações agora é entrar num momento de altíssima volatilidade. "Se a pessoa tiver horizonte para daqui a cinco anos, talvez faça sentido, pois várias janelas de oportunidade vêm se abrindo", afirma Martello. "Mas o cenário continua extremamente incerto e a bolsa pode cair mais; o investidor deve estar preparado para perder 10% ou 15% num único dia."

A bolsa deve continuar a sofrer nos próximos dias por conta de novos movimentos de zeragem de perdas, mas sem mudar para um novo nível de preços muito abaixo do atual, acredita Demosthenes Madureira de Pinho Neto, ex-diretor do Banco Central e diretor-executivo da Itaú Asset Management. "Mas em termos de fundamentos, os preços das empresas estão interessantes, apesar das incertezas todas", diz.

Ele alerta, porém, que as crises nos EUA e na Europa devem ser muito mais longas do que a que se viu logo após 2008, e que fragilizou muito as economias desenvolvidas, o que adiará uma recuperação dos mercados. Demosthenes observa que, nos EUA, não há problema no setor financeiro. "Mas na Europa não se sabe a exposição dos bancos a papéis governamentais, que estão se desvalorizando fortemente, um problema que se soma à crise fiscal."

Se os pessimistas de plantão estiverem certos e de fato houver recessão mundial, essa queda dos mercados estará longe de ser algo irracional, diz o economista-coordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Ele acredita, no entanto, que a desaceleração da economia global não chegará a tanto, portanto, os mercados parecem estar exagerando na dose de pessimismo.

Mas não existem apenas pessimistas no mercado. O presidente da Citi Corretora, Roberto Serwaczak, acha que as quedas desta semana se mostram como uma oportunidade. "Já existem vários papéis superdepreciados e de empresas que possuem fundamentos sólidos", diz Serwaczak. Segundo ele, os investidores estrangeiros estão percebendo essas oportunidades e vêm comprando algumas dessas ações. "Nos últimos dias, o saldo na Citi e em outras corretoras bastante atuantes entre estrangeiros tem sido positivo", diz o executivo.

Serwaczak afirma também que o mercado esquece que uma desaceleração mundial e nas commodities pode fazer a taxa Selic no Brasil passar a cair. "E as quedas de juros costumam ser positivas para a renda variável."

Mercado tem um dia para ser esquecido


Os mercados ontem tiveram um dia para ser esquecido. No Brasil, o pregão foi de horror. No pior momento dos negócios, o Índice Bovespa chegou a cair 6%, ficando aos 52.628 pontos. O fechamento não foi muito melhor do que isso: queda de 5,72%, aos 52.811 pontos, menor pontuação desde 17 de julho de 2009, quando encerrou aos 52.072 pontos. Já em termos percentuais a situação é ainda pior: é a maior desvalorização desde 21 de novembro de 2008 (ápice da crise americana), quando o indicador caiu 6,45%.

Neste mês, que significa apenas quatro pregões, o Ibovespa já cai 10,2%. O desempenho é tão sofrível que nenhuma ação que faz parte do índice está no campo positivo em agosto. A ação que menos cai no mês é a ordinária (ON, com voto) da Cielo, em queda de 0,67%; e a que mais cai é a ON da MMX, em baixa de 24,75%.

No ano, os números também são assustadores. O Ibovespa acumula uma queda de 23,8% e apenas 13 papéis que compõem o indicador apresentam alguma valorização em 2011. Algumas ações chegam a acumular queda de mais de 50% no ano. As preferenciais (PN, sem voto) da Gol caem 59,73%, as ON da B2W, 57,21%, e as ON da Hypermarcas outros 51,25%.

O índice VIX, que mede a volatilidade das opções da bolsa americana, subiu 35,41% ontem. Esse indicador é visto como um importante termômetro do mercado.

Mas nem tudo parece estar perdido. Existem alguns indicadores que mostram que a queda do mercado pode ter chegado ao seu ponto máximo, dando lugar a um movimento de recuperação.

Uma maneira de olhar a questão é observar o chamado Índice de Força Relativa (IFR), que mede o nível de força dos movimentos de alta ou de queda do mercado. Esse indicador vai de 0 a 100 - quanto mais baixo, mais sobrevendido está o mercado e, portanto, as chances de recuperação são maiores. Isso porque o fluxo de vendas deve se esgotar. Já o referencial em níveis entre 80 e 100 mostra que os ativos estão sobrecomprados, ou seja, a alta pode perder o fôlego.

O que se vê atualmente no mercado brasileiro, segundo apurou a repórter Luciana Monteiro, é o Ibovespa com IFR em 10. Historicamente, um índice entre 0 e 20 significa que os investidores já venderam demasiadamente as ações. "Praticamente não há mais força para o Ibovespa cair", diz Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos e professor de finanças da ESPM-RJ e do Ibmec-RJ.

Só para se ter ideia, os papéis preferenciais da Gol estão com IFR de zero. "Em 24 anos de mercado, nunca vi isso", afirma ele. Já as ações ordinárias da CSN registram IFR de 3. O indicador da Petrobras PN ainda se sustenta nos 26, enquanto na Vale PNA é de 11, mesmo nível de Usiminas PNA. "O mercado se mostra exaurido de baixas", diz Espírito Santo.


Sardenberg: há razões de sobra para justificar quedas



Análise: Professor que elaborou indicador que mede grau de estresse das bolsas afirma que pressão vendedora deve se aprofundar mais.

Índice baseado em terremoto prevê novas quedas para bolsa

Depois da derrocada do Índice Bovespa de 10,2% somente nesta semana, elevando para 23,8% a queda no ano, os investidores se perguntam se este é o fundo do poço. As perspectivas, no entanto, não são positivas. Pelo menos é o que alerta o Índice de Mudanças Abruptas de entrada, batizado de IMA-entrada.

O indicador foi desenvolvido pelos pesquisador Marco Antonio Leonel Caetano, professor de Sistemas de Informação do Insper, em conjunto com Takashi Yoneyama, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). O índice avalia o grau de estresse das bolsas nos períodos que antecedem crises ou que revelam bons momentos para compras. O referencial leva em conta as frequências com que os preços se moveram nos últimos 60 dias e, em seguida, revela a tendência do mercado.

A base para o índice veio de um estudo de sinais para prever terremotos. Parece loucura? O professor explica que, antes de uma grande virada, o mercado se torna absolutamente nervoso e frenético, fazendo com que as frequências das negociações oscilem muito rapidamente em uma determinada faixa.

Mas o que isso tem a ver com terremotos? Observando-se os dados de sismógrafos antes de um terremoto, é possível perceber que, quando as placas tectônicas se deslizam umas sobre as outras causando um certo movimento frenético no gráfico. Os sismólogos explicam ainda que, depois de um grande terremoto, tremores secundários ocorrem, mas vão diminuindo de frequência até desaparecerem.

Pois bem, com base nisso, o IMA foi elaborado e, em seguida, foi subdividido em dois. O primeiro, o IMA-crash, mede o risco de reversão de uma tendência de alta da bolsa. O segundo, o IMA-entrada, mensura o risco de uma mudança na tendência de queda. Ambos variam de zero a 1, sendo 1 o "fundo do poço", explica Caetano.

Hoje o IMA-entrada encontra-se em 0,76 e deve buscar o nível 1. Isso significa que o Ibovespa deverá aprofundar ainda mais sua queda, fazendo com que o índice alcance rapidamente algo próximo a 1. Ainda não será hora de entrar, explica o professor. "Só quando começar a reverter e cair será a melhor hora para o investidor de longo prazo entrar", diz Caetano.

Enquanto o indicador permanecer no alto, acima de 0,9, é melhor o investidor esperar. Já o IMA-crash está em zero. "Quando o índice indica que o mercado vai virar, as pessoas acham que o movimento vai acontecer amanhã, mas essa é uma tendência de longo prazo", ressalta o professor.

Se pelo lado do índice não é possível ser otimista neste momento, pelos fatores macroeconômicos a situação também não se mostra positiva. Caetano diz acreditar que o mundo entrará em recessão. "Alguns achavam que, depois da crise, a economia ia se comportar em forma de V, outros em W, mas na minha opinião será em M [ou seja, alta, queda, alta e uma queda violenta]", diz ele. "Algum grande banco vai quebrar, como nas outras crises, e teremos outro efeito manada."

Desde a pontuação máxima do Ibovespa neste ano - de 71.631, registrada em 12 de janeiro -, o principal referencial da bolsa brasileira acumula queda de 26,27%. Só para se ter ideia, naquele momento, o IMA-crash chegava a 0,76, enquanto o índice de entrada era zero. Ou seja, a frequência estava alta, abrindo espaço para quedas.

Já durante a crise de 2008, o índice de "crash" chegou próximo da máxima, a 0,96, em meados de maio. Vale lembrar que o Ibovespa despencou de 73.516 pontos no dia 20 de maio para 29.435 pontos em 27 de outubro - uma desvalorização de 60%.

Segundo Caetano, o grande culpado por essa crise chama-se Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que injetou mais de US$ 1 trilhão no mercado. "Ben Bernanke achava que, injetando dinheiro no sistema financeiro, a economia ia acalmar e haveria geração de emprego, o que não aconteceu", afirma o professor. Ao colocar dinheiro na economia, o Fed incentivou os grandes fundos a emprestar recursos no mercado para comprar títulos, o que resultou em uma movimentação artificial, diz Caetano. "Agora que o dinheiro fácil parou, os fundos vão naturalmente sair vendendo."

A situação na Europa deixa o cenário ainda pior, ressalta o professor, que acredita que Itália e Espanha vão, sim, precisar de um socorro financeiro dos países da União Europeia. "E não há recursos suficientes para ajudar essas duas economias", afirma Caetano. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) poderá gastar, no máximo, €340 bilhões. O problema é que, o socorro, nos moldes aplicados a Portugal, exigiria € 800 bilhões. Ontem, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, tentou acalmar o mercado ao sinalizar que deve retomar o programa de compra de títulos e afirmar que pretende injetar mais liquidez nos mercados.

No caso da bolsa brasileira, os grandes fundos de investimento ficaram fora por um tempo neste ano para se concentrar no mercado americano. Agora, esses investidores estrangeiros voltaram, mas estão vendidos em índice futuro, ou seja, apostando na queda.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Crises e hecatombes



Por José Luís Fiori
Originalmente publicado em 26/03/2008

No início da década de 1970, o economista norte-americano, Charles Kindelberger, formulou uma teoria que exerceu grande influência acadêmica e política, dentro e fora dos Estados Unidos. Segundo Kindelberger, "a economia mundial liberal precisa de um país estabilizador e só um país estabilizador" (Kindelberger, C. (1973) The World in Depression, University of California Press, Berkeley, p: 304) . Um país que forneça aos demais, alguns "bens públicos" indispensáveis ao bom funcionamento da economia internacional, como a moeda, o livre-comércio, e a coordenação das políticas econômicas nacionais. O mundo estava vivendo a crise final do Sistema de Bretton Woods, e estava assistindo a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. E Charles Kindelberger estava preocupado com a possibilidade de uma nova grande crise e depressão que fosse provocada como nos anos 30, pela falta de uma "liderança mundial". Durante as décadas seguintes, esta "teoria da estabilidade hegemônica" se transformou no denominador comum de um grande debate sobre as "crises" e as "transições" hegemônicas na história do sistema mundial. Incluindo, um grupo de autores marxistas norte-americanos, como Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi, que atribuem a ordem mundial dos últimos séculos à sucessão de três grandes potências hegemônicas: Holanda, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Os participantes deste debate tinham posições teóricas diferentes, mas quase todos compartiam a tese de que os Estados Unidos estariam vivendo seu "declínio hegemônico", depois da "crise dos anos 70". E mais recentemente, quase todos consideram que o fracasso americano no Oriente Médio, e o "derretimento do dólar", neste início do século XXI, fazem parte já agora, de uma "crise terminal" da hegemonia americana. Assim mesmo, estes autores não conseguem responder de forma satisfatória a três perguntas fundamentais: I) como foi que a crise dos anos 70 acabou restaurando a hegemonia e fortalecendo o poder americano; II) porque esta nova crise de 2007-2008, não poderá ter um desdobramento semelhante, no longo prazo; III) e por fim, mesmo que a crise adquirisse natureza catastrófica, quem substituiria os Estados Unidos, e como funcionaria o novo sistema monetário e financeiro internacional, depois da morte do dólar?


Começando pela "crise dos 70": hoje se pode ver que não houve declínio, pelo contrário, foi na década de 70 que se definiram as novas políticas e regras responsáveis pela multiplicação exponencial da riqueza e do poder americano no último quarto do século XX. Foi quando os Estados Unidos deixaram de ser "credores", e passaram para a condição de "grandes devedores" da economia mundial. Mas ao mesmo tempo, sua dívida e sua capacidade de endividamento se transformaram no primeiro motor da economia mundial, destes últimos 30 anos. Foi também na década de 70 que o "padrão dólar-ouro" foi substituído pelo novo sistema monetário internacional "dólar-flexível", lastreado, em última instância, no poder americano e nos seus títulos da dívida publica. Por outro lado, são também da década de 70 as políticas de desregulação dos mercados financeiros anglo-americanos, que lideraram o processo de globalização financeira do final do século XX. E por fim, foi à sombra da derrota americana no Vietnã, em 1973, que os Estados Unidos e a China negociaram sua nova parceria econômica que se transformou na grande locomotiva da economia mundial no início do século XXI. Ou seja, desde a crise de 70, em vez do "declínio americano", o que se assistiu foi uma mudança profunda da economia mundial e um aumento exponencial do poder dos Estados Unidos.

Agora de novo, depois do fracasso das guerras do Afeganistão e do Iraque e da desvalorização dólar, provocada pela crise financeira de 2007 e 2008, volta-se a falar no "colapso" e na "crise final" da hegemonia americana (Craig Roberts, P.(2008) The Collapse of American Power, Paul Craig Roberts Archive). Mas até o momento ainda não se configurou uma crise estrutural ou global, nem existe sinal de que os Estados Unidos venham a desocupar sua liderança capitalista. Pelo contrário, apesar das suas dimensões, tudo indica ser uma crise "regular", dentro de um sistema que é, por excelência, contraditório, instável e conflitivo. Dentro das novas regras e estruturas criadas a partir da crise dos 70, os Estados Unidos definem de forma exclusiva o valor de uma moeda que é nacional e internacional a um só tempo, e que está lastreada nos títulos da dívida pública do próprio poder emissor da moeda. Além disto, os Estados Unidos possuem um sistema financeiro nacional desregulado e são - ao mesmo tempo - a cabeça de uma "máquina de crescimento global", que funciona em conjunto com a economia nacional chinesa. Dentro deste sistema, extremamente complexo, toda crise financeira interna da economia americana pode afetar a economia mundial pela corrente sanguínea do "dólar flexível" e das finanças globalizadas. E todos os seus ciclos internos de "valorização de ativos", (em particular, imóveis, câmbio e bolsa de valores) se descolam com facilidade dos circuitos produtivos e mercantis e se balizam pelas variações da dívida publica e da política de juros do governo norte-americano. Por isto, as "bolhas" são sempre uma ameaça potencial para a economia mundial, mas não são apenas "capital fictício", nem são apenas "especulação". São mais do que isto, é um ciclo específico de valorização do capital que só é possível dentro de um sistema monetário e financeiro desregulado e atrelado diretamente ao endividamento público do governo americano.

A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano nem muito menos do capitalismo. Por enquanto, não é provável uma "fuga do dólar", porque o euro, o yuan e o yen não tem fôlego financeiro internacional

E acreditar na criação de uma moeda supra-nacional, é fugir para o mundo da fantasia, desconhecendo o sistema mundial em que vivemos. "Dentro deste sistema, não existe a menor possibilidade de que a liderança da expansão econômica do capitalismo possa sair das mãos dos 'Estados-economias nacionais' expansivos e conquistadores, com suas moedas nacionais e com seus 'grandes predadores'" (Fiori, J.L., (2007) O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações, Editora Boitempo, São Paulo , p:38).

"Por fim, como 'ciência ficção', pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e Estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um 'mundo melhor'."

José Luís Fiori é professor titular do Instituto de Economia da UFRJ e autor do livro "O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações" (Editora Boitempo, 2007)

NA TV



QUEDA DA BOLSA SUPERA 5%
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
No Brasil a queda supera 5%, mas, já foi até maior. Agora a queda é de 4,8% para o IBovepa, então reduz um pouquinho o índice de perda, mas ainda muito acentuado.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

TOMBINI PREGA CAUTELA SOBRE AS DÍVIDAS ASSUMIDAS EM DÓLAR
13:20 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 1ª EDIÇÃO
Diante da atual conjuntura a economia internacional não vaio ter esse crescimento vibrante. A alta das comodities pelo menos essa não vai pressionar os preços.
* Alexandre Tombini, presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

PRESIDENTE DO BC: "INFLAÇÃO VAI ATINGIR PICO EM AGOSTO"
10:00 - BANDNEWS, BANDNEWS
O presidente do BANCO CENTRAL afirma que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, atingirá o pico esse mês. Mas, deve ter recuo expressivo depois disso. A afirmação de ALEXANDRE TOMBINI foi feita nesta quinta-feira durante o programa Bom Dia Ministro.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

GOVERNO VAI REDUZIR IPI DE MONTADORAS DE AUTOMÓVEIS 03/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
A Receita Federal brasileira anunciou que vai reduzir até meados de 2016 o IPI para automóveis de montadoras que usarem mais peças nacionais. As alíquotas serão definidas por decreto presidencial. O governo também vai mudar a forma de tributar os cigarros, o que deve aumentar a arrecadação.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

MANTEGA: BRASIL DEVE USAR ''CORDÃO DE ISOLAMENTO'' DA CRISE VINDA DOS EUA E EUROPA
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil tem que se defender da crise que afeta os Estados Unidos e Europa com um ''cordão de isolamento''. Ele falou um dia depois do anúncio de várias medidas para proteger os vários setores industriais prejudicados pelo câmbio.
Âncora: Guto Abranches.

FLUXO CAMBIAL
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
Apesar das medidas para conter a desvalorização da moeda americana frente ao real, a entrada líquida no Brasil foi a maior desde 2007.
* Marília Ângelo Taveira, economista-chefe do Icatu Vanguarda.
Âncora: Guto Abranches.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

FMI DIZ QUE HÁ SINAIS DE SUPERAQUECIMENTO NA ECONOMIA BRASILEIRA
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O Fundo Monetário Internacional fez um alerta nesta quarta-feira: há sinais de superaquecimento na economia brasileira.
Âncora: Guto Abranches.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

BC: PREÇO DAS COMMODITIES CAI MAIS DE 3% EM JULHO
03/08/2011 - 21:55 - GLOBO NEWS, CONTA CORRENTE 2ª EDIÇÃO
O índice de commodities brasileira, calculada pelo BANCO CENTRAL, caiu mais de 3% em julho. Maior queda foi sentida no setor agropecuário.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

INADIMPLÊNCIA SUBIU 8,55% EM JULHO
03/08/2011 - 21:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL NOITE
O brasileiro está com mais dificuldade para pagar as contas em dia. A inadimplência subiu 8,55% no mês passado em comparação com o mesmo período de 2010.
Âncora: Ana Luísa Médici, Carla Ramos, Florestan Fernandes, Lincoln Macário e Luciana Barreto
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

MERCADO FINANCEIRO
03/08/2011 - 19:20 - BANDEIRANTES, JORNAL DA BAND
A seguir, o jornalista Joelmir Beting comenta sobre o desempenho do mercado financeiro.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

Enxurrada de dólares


Valor 04/08
O fluxo de recursos para o Brasil não deu trégua na última semana e fechou o mês de julho em patamar recorde de US$ 15,825 bilhões. Em meio a importantes mudanças no mercado de câmbio, os investidores estrangeiros, bancos locais e exportadores continuaram a trazer dólares para o mercado interno, seja para ajustar suas posições nos mercados à vista e futuro, seja para aplicações e investimento estrangeiro direto (IED).

Somente na última semana do mês, o fluxo somou US$ 4,955 bilhões, sendo US$ 1,878 bilhão na conta financeira e outros US$ 3,077 bilhões trazidos por exportadores para o Brasil. As empresas que vendem produtos no mercado internacional estão aproveitando a alta do dólar que sucedeu tanto às medidas do governo de controle no mercado de derivativos quanto da piora do cenário externo.

No mês, o saldo da movimentação em moeda estrangeira foi recorde, tendo alcançado US$ 15,825 bilhões. A maior parcela veio do segmento financeiro, responsável por US$ 9,571 bilhões. Esse fluxo decorreu da necessidade dos bancos de ajustar suas posições "vendidas" (apostando na baixa da moeda americana), após a redução da margem permitida pelo Banco Central (BC), de US$ 3 bilhões para US$ 1 bilhão - 60% do excedente passou a ser recolhido no BC.

As instituições financeiras chegaram a ficar levemente desenquadradas entre os dias 14 e 20, em pouco menos de US$ 100 milhões, mas logo corrigiram suas posições com nova internalização de moeda estrangeira. A posição vendida dos bancos no mercado à vista caiu de US$ 14,696 bilhões, em junho, para US$ 6,302 bilhões agora em julho.

No segmento comercial, que registra as movimentações da balança comercial, despejou no país outros US$ 6,253 bilhões em julho, o segundo maior montante do ano, inferior apenas a maio (US$ 7,263 bilhões). As linhas de adiantamento de contratos de câmbio (ACC) estão, em média, 40% superiores neste ano, na comparação com o ano passado, o que explica parte do fluxo.

Já a autoridade monetária recolheu US$ 6,637 bilhões em julho, em intervenções no mercado à vista. As compras ampliaram as reservas, que chegaram a US$ 347,621 bilhões em 2 de agosto.

O governo também divulgou na semana passada uma série de medidas para os derivativos cambiais, com aumento das restrições e elevações de impostos para as posições vendidas no mercado futuro. Mas uma série de dúvidas travou o mercado de câmbio no país.

Ainda não está claro para o mercado quem fará a cobrança do IOF sobre as posições vendidas nem como será feita a eventual compensação entre as duas câmaras de liquidação nos casos em que os investidores tiverem posições complementares entre Cetip e BM&FBovespa. Não se sabe também qual será a fórmula de cálculo dos valores dos contratos dos diferentes produtos existentes.

Sem essas respostas, a posição vendida no mercado futuro dos investidores estrangeiros recuou cerca de US$ 3 bilhões desde o anúncio das medidas, de um patamar superior a US$ 22 bilhões, para algo próximo dos US$ 19 bilhões.

CHINA AMEAÇA NO PAPEL


Valor 04/08
As relações entre China e Brasil relativas ao comércio internacional de celulose e papel azedaram nos últimos meses e agora atravessam um momento crítico. A indústria chinesa de papel ameaça reduzir as compras de celulose brasileira e responder com a abertura de um processo de investigação por dumping, no caso dos preços da matéria-prima, se o país mantiver as medidas que estão dificultando a importação do produto asiático ou iniciar alguma ação antidumping na área.

Pelo menos quatro grandes papeleiras, representadas pela China Paper Association, já levaram suas queixas ao governo chinês e prometem reagir duramente ao fim da licença automática para importação de papéis produzidos na Ásia e à obrigatoriedade do certificado de origem, que passou a ser exigido pelo Brasil no primeiro semestre. Além disso, os chineses temem que o Brasil esteja avaliando medidas similares às adotadas por Estados Unidos e Europa, que impuseram elevadas tarifas antidumping sobre as importações de papel revestido asiático.

A ameaça de substituição de fornecedores de celulose teria incomodado a indústria brasileira em razão do tamanho do apetite chinês. Maior produtor mundial de papel, com mais de 90 milhões de toneladas anuais dos diferentes tipos, a China colocará em operação, até 2015, novas linhas de produção com capacidade total para mais 35 milhões de toneladas por ano, sem investimentos significativos para a produção local de matéria-prima. Além disso, o país asiático, que não tem tradição em celulose, é o principal comprador individual da fibra de eucalipto produzida no Brasil, absorvendo cerca de 2 milhões de toneladas anuais.

Por outro lado, um eventual pedido de investigação de dumping não teria assustado os produtores brasileiros de celulose em razão de a matéria-prima ser negociada como commodity, com formação de preços internacional e estabelecimento de cotações em três mercados de referência: América do Norte, Europa e Ásia. Nessa última região se pratica o menor preço de referência, porém os valores são seguidos por toda a indústria mundial de celulose.

De acordo com o principal executivo da APP China, Rui Zheng, as fabricantes chinesas - APP, April (com sede na Indonésia), Sun Paper e Chenming - não entendem as motivações do governo brasileiro ao exigir o certificado de origem do papel produzido na Ásia, especialmente China e Indonésia, para liberar importações. Há dois meses, Zheng esteve em Brasília para encontros com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), acompanhado de representantes das embaixadas da China e da Indonésia, e não saiu satisfeito.

"Foi um pouco promissor", afirmou o executivo, que se prepara para assumir o escritório da APP na Áustria. "Estamos tentando a via do diálogo, mas estão nos forçando a adotar medidas mais drásticas." Para acompanhar de perto o desenrolar das negociações, a companhia, que tem sedes e operação na China e na Indonésia, chegou a contratar um lobista em Brasília. Na China, estreitou relações com o Ministério do Comércio (Mofcom), que estaria apoiando a reação das papeleiras. "Não praticamos dumping ou qualquer outra irregularidade", defende.

Segundo fonte da indústria brasileira, o maior rigor na liberação das importações do produto asiático veio na esteira do crescente desvio de papel isento de impostos (o chamado papel imune) para finalidades que não as previstas em lei - impressões educacionais e culturais. Atualmente, cerca de 95% do papel importado que entra no país recebe essa classificação e a maior parte - ou mais de 600 mil toneladas por ano - seria desviada para uso ilegal. Ao não recolher impostos, o produto chega ao consumidor final com diferença de preços de até 40%. Os protagonistas dessas operações, conforme a indústria, seriam justamente os papéis dos tipos imprimir e escrever e cartão oriundos da Ásia.

Em São Paulo, a Secretaria da Fazenda apertou o cerco contra operações ilegais com papel imune e aplicou mais de R$ 100 milhões em multas. Procuradas, Fibria, Suzano Papel e Celulose e Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) não se pronunciaram sobre o assunto.

Minério de ferro salva mais uma vez os balanços dos fabricantes de aço


Valor 04/08
Minerar ferro tornou-se a atividade mais rentável para as fabricantes de aço no país. Parece um contrassenso, mas as siderúrgicas argumentam que se trata de um movimento defensivo contra a alta exorbitante dos preços de suas duas principais matérias-primas - minério de ferro e carvão - desde 2005.

As margens de ganho no resultado operacional advindas da atividade de produção de minério de ferro são de dar água na boca - alcançaram 68% tanto na Usiminas quanto na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no segundo trimestre. Bem diferente do aço: 29% na CSN e apenas 7% na siderúrgica mineira, que ainda engatinha na atividade de mineração.

A CSN, que divulgou seu balanço desse período ontem pela manhã, um dia depois da concorrente Usiminas, tem uma estratégia não apenas defensiva. Ao contrário, enxerga esse ramo como um grande negócio, tocado obstinadamente por seu principal acionista, Benjamin Steinbruch.

A CSN, até 2001, era uma das principais acionistas da Vale, maior mineradora de ferro do mundo. Ao deixar o bloco de controle da mineradora, decidiu explorar não apenas cativamente as ricas reservas de minério de sua mina, Casa de Pedra. O plano é agressivo: ficar entre as cinco maiores mineradoras de ferro do mundo.

Com isso, a empresa, dona de minério de ferro, autossuficiente em energia e dona de logística ferroviária e portuária, obtém margens operacionais acima da média mundial da siderurgia, liderando a geração de valor aos seus acionistas, conforme estudo recente do Citigroup baseado no conceito de valor econômico agregado (EVA, na sigla em inglês).

O balanço da CSN mostra que a venda de minério de ferro rendeu receita líquida de R$ 1,52 bilhão de abril a junho, 34% do total de R$ 4,3 bilhões obtidos nos cinco negócios da companhia. No entanto, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 1,04 bilhão, representando 54% do resultado operacional da companhia. A fabricação de aço, com 57% (R$ 2,51 bilhões) da receita líquida foi responsável por 38% do Ebitda, com valor de R$ 733 milhões.

Essa inversão de papéis vem se verificando a cada trimestre, desde o último período do ano passado. O aço passou de R$ 1,16 bilhão entre outubro e dezembro para R$ 693 milhões no primeiro trimestre deste ano. Já o resultado da mineração seguiu crescente: saiu, no mesmo período, de R$ 551 milhões, subiu para R$ 792 milhões de janeiro a março e, agora, superou a marca de R$ 1 bilhão.

Além de aço e mineração, a CSN atua em três outros negócios: logística - 6% da receita líquida e do Ebitda -, cimento (2% da receita e 1% do resultado operacional) e energia, com 1% de cada.

A atividade de minério de ferro, com venda acima de 13 milhões de toneladas no ano, levou a CSN a obter recorde de receita líquida em um determinado semestre, com R$ 8,1 bilhões de janeiro a junho passado. E a meta de Steinbruch, em algum ano até 2015, é fazer mais de 100 milhões de toneladas do produto por ano.

Graças ao desempenho desse negócio, acelerado a partir de 2005, com receita de R$ 2,7 bilhões até junho, a empresa de Steinbruch pode obter uma margem Ebitda média de 41% no segundo trimestre. Quase quatro vezes o índice de 12% obtido pela Usiminas.

Empresa avalia comprar mais ações da Usiminas


Em conferência de apresentação de resultados a analistas e investidores, executivos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) disseram que a empresa continua "avaliando alternativas" em relação a seu investimento na Usiminas.

O diretor de finanças e de relações com investidores, Alberto Monteiro, disse que a empresa continua estudando adquirir ações. "Estamos avaliando alternativas em relação a esse investimento, inclusive aquisições adicionais de ações", disse em resposta ao questionamento de um analista sobre as aquisições neste mês.

A CSN já alcançou 10,84% das ações ordinárias (com direito a voto) e 10,2% dos papéis preferenciais (sem voto) da Usiminas. O diretor, no entanto, não quis dar detalhes sobre o assunto. "Queremos manter [em silêncio] questões de estratégia de aproximação com o grupo", ressaltou.

Ontem, o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, também foi questionado sobre a investida da CSN e evitou fazer comentários. "Prefiro não discutir as estratégias da CSN", afirmou o executivo durante evento com jornalistas sobre os resultados do trimestre.

Brumer diz que não há fato novo em relação ao tema, repetindo que as compras da CSN se dão fora do bloco de controle. A Usiminas é controlada pela Nippon Steel e pelos grupos brasileiros Camargo Corrêa e Votorantim, além do clube dos empregados da empresa.

Economistas veem risco elevado de recessão nos EUA

Imagen CNN- Money

Agências Internacionais - Valor 04/08

O vigor da recuperação americana, que já dura dois anos, parece estar diminuindo, à medida que consumidores e o governo cortam seus gastos. É o que dizem cinco de nove economistas da comissão acadêmica responsável pela datação das recessões nos EUA.

"Essa economia está realmente em equilíbrio precário", disse ontem Martin Feldstein, professor de economia da Harvard University e membro da comissão de datação dos ciclos econômicos do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), em entrevista ao programa "Surveillance Midday", na Bloomberg Television. "Existe agora uma chance de 50% de que poderemos entrar novamente em recessão. Nada nos deu muito crescimento."

Uma desaceleração maior do que a esperada no primeiro semestre de 2011 cria riscos para a maior economia do mundo, disse o economista Robert Hall, da Universidade Stanford, presidente da comissão. O PIB cresceu a uma taxa anual de 1,3% de abril a junho, após um avanço de 0,4% no trimestre anterior, inferior à estimada anterior, é o que mostraram números do Departamento de Comércio em 29 de julho.

"Quanto mais lenta a taxa de crescimento, maior a probabilidade de que um choque adverso possa deflagrar uma recessão", disse Hall em entrevista.

Embora não seja missão da comissão prever a probabilidade de uma recessão, cada membro pode fazer suas próprias previsões, disse Hall. A comissão levou mais de um ano para determinar que a mais profunda contração desde os anos 1930 terminou em junho de 2009, uma conclusão a que chegou em setembro de 2010.

O PIB encolheu 5,1% do quarto trimestre de 2007 ao segundo trimestre de 2009, em comparação com a queda anteriormente reportada de 4,1%, segundo divulgou o Departamento de Comércio na semana passada. A segunda pior contração no pós-Segunda Guerra Mundial foi um declínio de 3,7% em 1957-58.

"Os riscos de mais uma recessão cresceram, em comparação com onde estávamos seis meses atrás", disse Christina Romer, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, em entrevista ao programa "Street Smart",, na TV Bloomberg, em 1º de agosto. Ela, porém, previu um crescimento, "anêmico, mas positivo".

Membros da comissão citaram o esfriamento da confiança nos setores de habitação, emprego e negócios e esforços para reduzir o endividamento por parte dos consumidores e do governo como obstáculos ao crescimento. Quatro acadêmicos na comissão negaram-se a sugerir as chances de uma recessão ou não responderam a pedidos de comentários.

Os gastos dos consumidores caíram inesperadamente, em junho, pela primeira vez em quase dois anos, ao passo que a taxa de poupança cresceu, é o que revelaram ontem números do Departamento de Comércio, em Washington.

"O consumo está baixo porque o pagamento de dívidas está espremendo os gastos, mesmo tanto tempo após a crise", disse Hall. "Será um processo doloroso, até que consumidores dependentes de crédito fiquem de novo em pé."

Os fabricantes estão contendo sua produção em resposta à fraca demanda do consumidor. A atividade industrial nos EUA quase parou em julho, segundo um relatório do Institute for Supply Management (ISM) de 1º de agosto.

A taxa de desemprego provavelmente permaneceu em 9,2%, em julho (o Departamento de Trabalho divulga o dado nesta sexta). Até junho, a economia recuperou cerca de 1,77 milhão de 8,75 milhões de postos de trabalho perdidos em consequência da recessão que começou em dezembro de 2007 e que durou 18 meses.

"Estamos certamente numa situação mais vulnerável agora", e um novo choque pode causar uma crise semelhante à contração ocorrida na esteira da disparada do petróleo após a invasão do Kuait pelo Iraque, em 1990, disse James Stock, economista de Harvard e membro da comissão do NBER. "Olhando a situação mundial, é certamente possível imaginar choques da magnitude do caso do Kuait que nos empurrem para o precipício".

A confiança dos empresários foi abalada pelo impasse político, que durou meses, sobre o teto de endividamento, disse Stock.

O presidente Barack Obama assinou ontem um acordo, incorporando mútuas concessões (de republicanos e de democratas) sobre o limite de endividamento, evitando um default americano. A medida eleva teto de dívida do país até 2013 e incorpora ameaças de cortes automáticos de despesas, para impor US$ 2,4 trilhões em redução de gastos nos próximos 10 anos.

"O debate sobre o teto da dívida americana realmente minou a confiança de consumidores e empresas, além de criar incertezas", disse Stock. "A solução das incertezas resultante do acordo não restaurou a imagem de competência legislativa na gestão econômica."

Os cortes nos gastos do governo serão um entrave ao crescimento em 2012, disse Jeffrey Frankel, outro professor de Harvard que atua na comissão da NBER. Embora os riscos de recessão tenham aumentado, "não cresceram, necessariamente, o suficiente para levar a probabilidade para mais de 50%".

"O governo é uma fonte de contração neste ano", disse ele. "O estímulo fiscal está sendo retirado nas esferas federal, estadual e local."

Robert Gordon, membro da comissão e professor na Northwestern University (e que não estimou a chance de recessão), e Feldstein concordaram que a "ressaca" da bolha no mercado habitacional continua a assolar a economia. "Há um vasto excedente de oferta habitacional que esmagou qualquer chance de recuperação na construção residencial", disse Gordon.

Indicadores americanos apontam semestre fraco

A indústria de serviços nos Estados Unidos expandiu-se em julho no ritmo mais lento dos últimos 17 meses. Outros dados divulgados ontem, sobre encomendas às fábricas e criação de empregos, também indicam que a economia americana iniciou o segundo semestre sem muita força.

O índice do Institute for Supply Management (ISM) para a indústria de serviços, que inclui setores como varejo e saúde e cobre cerca de 90% da economia americana, caiu de 53,3 em junho para 52,7 (números acima de 50 indicam expansão). Entre 2002 e 2007, quando teve início a última recessão, a média do índice ficou em 56,1.

"A economia continuará a patinar", disse Yelena Shulyatyeva, economista do BNP Paribas, em Nova York. "Isso não ajuda a reduzir a taxa de desemprego. O ímpeto econômico para o segundo semestre não é tão forte quanto o esperado." Chris Low, economista do FTN Financial, concorda: "O índice do ISM mostra uma economia travada em primeira marcha."

De acordo com um relatório da ADP Employer Services, as empresas do setor privado contrataram menos trabalhadores no mês passado. Foram preenchidas 114 mil vagas em julho, contra 145 mil no mês anterior (dado revisado). Na sexta-feira, o governo anuncia o relatório sobre a criação de empregos em julho. Economistas preveem que apenas 90 mil vagas surgiram no mês passado - seria necessário aproximadamente o triplo disso para reduzir a taxa de desemprego, atualmente em 9,2%.

Segundo o Departamento do Comércio, as encomendas de bens manufaturados às fábricas caíram 0,8% em junho, refletindo um refluxo na demanda por aviões, automóveis e maquinário pesado. Em maio, havia sido registrado um aumento de 0,6% (dado revisado).

Estatísticas econômicas divulgadas nas últimas duas semanas mostraram queda na venda de casas, na confiança do consumidor e o primeiro recuo em dois anos nos gastos das famílias americanas.

Cortes em defesa ameaçam segurança, diz secretário

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou ontem que quaisquer cortes por atacado nos gastos militares do país, como parte da próxima etapa dos esforços de redução do déficit orçamentário, poderão causar "danos sérios" à segurança americana.

Segundo uma alta autoridade que pediu para não ter seu nome revelado, semelhantes cortes exigiriam a demissão de milhares de funcionários do Departamento da Defesa, interromperiam programas de armamentos e possivelmente cortariam de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões, aproximadamente 10%, do orçamento anual do Pentágono.

Esses gastos cancelados se somariam a cortes na segurança de cerca de US$ 350 bilhões, já definidos na primeira fase do pacote de cortes assinado pelo presidente Barack Obama anteontem.

Panetta disse que uma potencial segunda rodada de cortes, estimada em torno de US$ 600 bilhões entre 2012 e 2021, seria "totalmente inaceitável". "Se isso acontecer, poderia deflagrar uma onda de perigosos cortes por atacado na defesa que causariam danos sérios à nossa segurança, aos nossos soldados e suas famílias e à nossa capacidade de proteger a nação", afirmou em uma mensagem a funcionários do Departamento da Defesa.

O secretário disse que irá trabalhar em conjunto com líderes do Congresso para "realizar os cortes de bom senso necessários para evitar esse mecanismo de sequestro". O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, disse esperar que boa parte dos cortes caia sobre sistemas de armas que o Pentágono está desenvolvendo ou planejando comprar. "Creio que programas que apresentam maus resultados serão encerrados", disse Mullen.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TV ON LINE





ITÁLIA E GRÉCIA PREOCUPAM INVESTIDORES

03/08/2011 - 08:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL MANHÃ
Já na Europa a preocupação é com Espanha e Itália. Os dois países estão no centro das atenções dos investidores que analisam a possibilidade de ajuda como aconteceu com a Grécia, Irlanda e Portugal.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.



PROBLEMAS NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA ESTÃO IDENTIFICADOS

03/08/2011 - 07:30 - GLOBO, BOM DIA BRASIL
O governo anunciou na terça-feira (2) medidas para aquecer alguns setores da indústria. Os fabricantes de calçados, móveis e confecções foram beneficiados. É uma reação contra o dragão chinês, que está inundando os mercados mundiais com produtos de preços muito baixos. Uma das medidas anunciadas é a desoneração, ou seja, a redução nos impostos que os empresários pagam. O custo de contratação dos trabalhadores, por exemplo, ficará menor.
* Rosina Bitter, empresária.
* Alfredo Bonduki, vice-pres. da assc. bras. de indústria têxtil.
* ROBSON DE ANDRADE, PRESIDENTE DA CNI.
* DILMA ROUSSEFF, presidente da República.
* Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
* dep. Duarte Nogueira PSDB-SP, presidente do partido.
* Fernando Pimentel, ministro do desenvolvimento.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


BANCO CENTRAL DETERMINA COBRANÇA DO IOF




02/08/2011 - 23:40 - SBT, JORNAL DO SBT (NOITE)
Quem usa o cartão de crédito para pagar conta de luz, telefone, academia ou condomínio terá que pagar um imposto sobre operações financeiras. O BANCO CENTRAL determinou que todos os bancos cobre o IOF.
* Rogério Barbacena, gerente de contas.
* Rogério Piscitelli, economista.
Âncora: Carlos Nascimento e Cynthia Benini
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


BOLSA DE SÃO PAULO RECUOU 3% NO FINAL DA MANHÃ

13:00 - CANAL RURAL, RURAL MEIO DIA
A bolsa de valores de São Paulo chegou a recuar 3% no final da manhã e atingir a menor pontuação desde setembro de 2009.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.

GAME OVER


Valor 03/08/2011
A derrocada das bolsas e a queda nas taxas de juros em âmbito global no pregão de ontem são um sinal claro de "game over" (fim de jogo): as esperanças quanto a um crescimento mais firme da economia mundial foram abandonadas.

E boa parte dessa percepção, que culminou na movimentação de ontem, pode ser creditada ao circo político americano envolvendo o teto do endividamento federal. Assunto banal que ganhou repercussão inimaginável (pensamos em "default" e rebaixamento de nota soberana americana!) dentro de uma dissociação política há tempos não vista nos Estados Unidos.

Conforme notou o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, toda essa discussão sobre o endividamento americano tirou da sombra o fato de que os EUA serão obrigados a fazer um ajuste em suas contas.

"Os políticos americanos trouxeram luz para um problema que não estava no foco. As atenções até então estavam voltadas à crise na Europa. Agora, cai a ficha de que a situação fiscal dos EUA não pode ficar como está 'ad eternum'", diz Folchini.

E essa necessidade de corte de gastos, como bem evidenciada pelas discussões e pelo projeto final sobre o teto da dívida, vai limitar as chances de crescimento da economia americana no curto prazo (curto prazo aqui são alguns anos).

O problema, segundo Folchini, é que esse ajuste fiscal se processará em cima de uma economia que já está bastante fragilizada. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre, bem como a atividade industrial e os gastos do consumidor confirmaram isso.

E essa mesma necessidade de ajuste limita o raio de ação do governo americano para tentar estimular a atividade. O lado fiscal está fora do baralho, sobra o Federal Reserve (Fed), banco central americano, com a emissão de mais dinheiro ainda. Embora a efetividade de tal estratégia seja questionável.

Segundo um estrategista que prefere não se identificar, o Fed sabe que se injetar ainda mais liquidez nos mercados pode ver o preço das commodities, em especial do petróleo, voltar a disparar. "O Fed já viu isso acontecer e corroer o crescimento que se desenhava no começo do ano", disse.

Soma-se ao fator americano, a crise na Europa, onde a necessidade de se equalizar dívida também representa uma barreira ao crescimento.

Para esse mesmo estrategista é questão de dias até a dívida da Itália explodir. Já foi dito, mas não custa repetir: o país tem de rolar € 115 bilhões em agosto e setembro. No quarto final do ano vencem outros € 67,5 bilhões.

Temperando todo esse noticiário triste sobre as economias dos EUA e Europa estão anúncios e mais anúncios de demissões. Recentemente, mais de 20 grandes empresas, como HSBC, Merck e Lockheed Martin anunciaram cortes. Por cima, mais de 80 mil postos de trabalho foram eliminados.

Como os pacotes de estímulo tentados até agora não tem mostrado eficiência, esse estrategista aponta que os mercados estão "à deriva".

Para esse especialista, estamos assistindo a uma ruptura, uma mudança estrutural.

"Talvez tenhamos de aceitar esse ajuste e entrar em uma nova situação econômica. Os EUA terão de reinventar sua economia. Eles terão de crescer sem consumo e alavancagem", diz.

Essa percepção de menor crescimento e, consequentemente, juros baixos "para sempre" apareceu primeiro no mercado de juros. A taxa de retorno do papel de 10 anos da dívida americana caiu a 2,61%, menor leitura desde meados de novembro do ano passado. As taxas dos títulos de dois e 30 anos também afundaram.

Por aqui, os juros futuro seguiram tal movimento, como bem mostra o gráfico abaixo, que traz o contrato para janeiro de 2013.

A propósito, tudo isso reforça a ideia de que a Selic deve mesmo ficar em 12,50% ao ano.

Eduardo Campos é repórter

E-mail eduardo.campos@valor.com.br

Câmbio flutuante amortece turbulências, diz Tombini


Valor 03/08/2011

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vê no sistema de câmbio flutuante um amortecedor dos custos de adaptação a turbulências externas que poderão atingir o Brasil. No evento "Cenário para investimento de médio prazo no Brasil", realizado na BM&FBovespa, que marcou o pré-lançamento do novo portal do Valor, ele citou a flutuação cambial como um aliado importante no ambiente de incertezas que poderão advir do "adiamento do prazo de normalização das condições financeiras globais".

Com isso, o BC parece sinalizar que, apesar das recentes medidas tomadas para combater a especulação com o real no mercado de derivativos por capitais de curto prazo, a instituição não apostará sua reputação para sustentar uma cotação artificial da moeda. A ação do BC tentará estabelecer a difícil separação entre o que é uma tendência inexorável de valorização do real ao longo do tempo e o que é efeito de jogadas especulativas, cujos efeitos caminham na mesma direção da apreciação do real.

Tombini vê "maior dramaticidade em algumas áreas" no cenário externo, fonte de potenciais contratempos. Na zona do euro, as medidas tomadas para enfrentar a crise da dívida soberana não parecem ter sido suficientes para debelar expectativas fortemente negativas.

Nos EUA, a economia mostra uma "sistemática perda de dinamismo" ao mesmo tempo em que há o "esgotamento da margem de manobra da política fiscal" e a decorrente "perda de possibilidade de novos impulsos fiscais", como ficou demonstrado pelo impasse sobre a elevação do teto da dívida pública no Congresso americano. A consequência imediata dessas crises será "o baixo crescimento da economia global pelos próximos anos".

Para a economia brasileira, essas crises trazem desafios. Nesse cenário, segundo Tombini, o real é agora uma opção tanto para alocação de recursos como para diversificação de riscos. O Brasil se tornou "um polo de atração de capitais de todos os tipos, dos investimentos de longo prazo aos especulativos de curto prazo".

A intensidade da valorização da moeda brasileira, inevitável no caso, é outro assunto, que comporta medidas da autoridade monetária. "Não sejamos ingênuos", advertiu. "Há pressões de posições alavancadas que podem colocar em risco o sistema financeiro". A aposta do mercado em uma direção é sempre uma fonte de perigos.

Tombini desenhou um quadro de instabilidade à frente para mostrar que agora, como em 2008, o câmbio pode se tornar volátil e suscetível de rápidas desvalorizações, com poder destrutivo sobre bancos, empresas e seus acionistas. "Não podemos nos descuidar. Precisamos ficar vigilantes, tomando medidas tempestivamente", disse.

Tombini também afirmou que, se houver uma deterioração no exterior, as medidas preventivas adotadas em 2008 e que já foram desativadas poderão ser rapidamente reintroduzidas.

BC vê "impacto máximo" sobre inflação no 4º tri

A queda da inflação e sua trajetória de convergência para a meta ficarão mais evidentes no último trimestre do ano, quando as medidas já tomadas pelo Banco Central terão seu "impacto máximo", previu ontem o presidente do BC, Alexandre Tombini. Em um discurso mais tranquilo em relação ao rumo da inflação do que o adotado por parte do mercado, o presidente do BC mostrou que já há sinais de que a inflação corrente, assim como as expectativas, começam a ceder, o que permitirá que o IPCA convirja para o centro da meta, de 4,5%, em 2012.

Em seu discurso, o BC reiterou, portanto, que não mudou sua estratégia e continua esperando que o recuo da inflação para o centro da meta ocorra no ano que vem. Com isso, corrigiu a interpretação feita pelo mercado, a partir da leitura da última ata do Copom, de que o novo horizonte da política monetária seria 2013. Isso porque o documento omitiu o "compromisso" do BC em fazer com que o IPCA caminhe para o alvo em 2012. Temendo um BC mais "leniente" com a inflação, a curva de juros futuros chegou a reagir - os contratos mais longos subiram, como reflexo do entendimento de que uma atitude menos rigorosa com a inflação no curto prazo poderia forçar o Copom a subir a taxa Selic mais à frente.

Ontem, Tombini ajustou essa leitura ao garantir que o BC está pronto para agir caso haja seja necessário - ou seja, se houver riscos de o IPCA em 2012 "escapar" dos 4,5% perseguidos. Porém, o cenário apresentado por ele é muito mais tranquilo em relação ao comportamento dos preços do que parte do mercado está enxergando. "A inflação já está em trajetória declinante. Mas o BC continua vigilante e não hesitará em adotar medidas, se necessário, para garantir a convergência da inflação ao centro da meta em 2012."

Tombini enfatizou, entretanto, que há sinais de que tanto a inflação corrente quando as expectativas de inflação começam a ceder, como consequência das ações de ajuste monetário adotadas ao longo dos últimos sete meses, período em que o BC teve de agir para combater pesadas pressões de inflação. "Esse processo (as medidas de aperto monetário) já vem assentando as bases para que a inflação convirja para o centro da meta em 2012", afirmou.

"A inflação acumulada nos últimos três meses de 2011 será significativamente menor do que em igual período de 2010. E o mesmo ocorrerá no primeiro trimestre de 2012 em relação a igual período de 2011, também caracterizado por uma inflação mensal bastante dramática", previu.

Além disso, disse, a média mensal da inflação projetada pelo mercado para o segundo semestre de 2011 "é compatível com o centro da meta de inflação". E, segundo ele, essa trajetória ficará mais evidente no quarto trimestre de 2011. É nesse período em que o ajuste das condições monetárias adotadas terão impacto máximo sobre a economia brasileira", afirmou.

Os riscos apontados por Tombini estão concentrados no cenário internacional. "Desde o início do ano, o BC tem lidado com a complexidade do cenário econômico internacional. No entanto, os acontecimentos observados nas últimas semanas se mostraram ainda mais complexos", afirmou, citando a crise da dívida na zona do euro, cujo processo de acomodação será "longo e sujeito a contratempos", e a economia americana, que vive processo sistemático de perda de dinamismo e redução da expectativa de crescimento, além de um nítido esgotamento do grau de manobra da política fiscal.

"Tudo indica que, qualquer que seja a solução do impasse, e assim se encaminha para que haja uma solução, a economia americana não só perderá a possibilidade de novos impulsos fiscais como terá que viver com o fim dos hoje existentes. Isso deve afetar a expectativa de crescimento da maior economia do mundo nos próximos anos".

Distorções

Por Antonio Delfim Netto FSP 03/08

Analistas que se pensam portadores da "verdadeira" teoria econômica fizeram duras críticas às medidas complementares que, em legítima defesa, foram anunciadas pelo ministro da Fazenda.
Ninguém discute que seu uso precisa de moderação, porque tem larga influência na economia. As críticas mais ferozes, entretanto, foram fundadas numa proposição absolutamente infundada: que a liberdade de movimento de capitais está implícita na natureza das coisas, como as "vantagens comparativas".
Por que infundada? Porque, em primeiro lugar, com relação ao comércio de bens, a teoria das vantagens comparativas é pouco mais do que uma relação aritmética engenhosa, verdadeira por definição. Em segundo lugar, porque a sua extensão ao movimento de capitais é apenas mais uma das analogias despropositadas com frequência negadas empiricamente.
Basta dizer que uma de suas conclusões é que elas fluiriam para seu uso mais produtivo, como investimento físico, para os países com maior taxa de retorno físico, maximizando, assim, a taxa de crescimento mundial! Trata-se de pura teologia com chance de tornar-se "ciência" somente num mundo habitado por anjos...
O que revela a ampla, geral e irrestrita liberdade de movimento dos capitais? Apenas que ela, devido à flutuação do comportamento dos intermediários financeiros internacionais e da sua tendência à imitação e ao comportamento de "manada", cria movimentos destrutivos de "euforia" e "depressão" que perturbam as economias que, por motivos reais ou imaginários, escolhe como "bolas da vez".
Compromete a sua política monetária e retira da taxa de câmbio o papel decisivo de "preço relativo" que mantém em equilíbrio o balanço em conta-corrente. Até o FMI reconheceu isso, surpreendido pela crise de 2007-09.
São fatos claramente confirmados pela crise asiática de 1997-98 e, agora, no Brasil e em outros emergentes. Estes tornaram-se refúgio de incansáveis e espertos capitais bucaneiros sempre à procura de maior lucro financeiro. Retorno de qualquer natureza, menos o produzido pelo efetivo investimento direto que aumenta a oferta de bens e produtos, os únicos que realmente interessam aos emergentes.
Há dois sistemas financeiros: 1) o que está a serviço do processo produtivo de bens e serviços e é indispensável para o desenvolvimento econômico e 2) o que é um fim em si mesmo, controla o poder político dos Estados nacionais e, mais dia, menos dia, interrompe o "circuito econômico".
Não deixa de ser curioso ouvir que as medidas tomadas "causam distorções". Distorções em relação a quê? Ao sistema financeiro das "inovações", que se transformou em arma de destruição em massa?

ANTONIO DELFIM NETTO

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Produção de petróleo aumentou 3,2% em junho em relação a maio


Fonte: Assessoria de Imprensa da ANP - (21) 2112 8333 - imprensa@anp.gov.br

Houve aumento de aproximadamente 3,2% na produção de petróleo no Brasil em junho de 2011 na comparação com maio e de 4,2% em relação a junho de 2010. A produção de gás natural aumentou em torno de 6,9% se comparada ao mesmo mês em 2010 e 0,9% frente a maio de 2011. A produção de petróleo no Brasil, em junho de 2011, foi de aproximadamente 2,137 milhões de barris/dia e a de gás natural, de 67,3 milhões de metros cúbicos/dia, totalizando em torno de 2,560 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), o que ultrapassa os 2,491 milhões de boe/dia registrados em maio.

Em junho de 2011, 307 concessões operadas por 25 empresas foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 82 são concessões marítimas e 225 são terrestres. Das 307 concessões, 10 encontram-se em atividades exploratórias e produziram através de Testes de Longa Duração (TLD), e outras 11 são de campos licitados contendo acumulações marginais. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 23,8°. Essas informações fazem parte do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural referente a junho de 2011, que a ANP divulga em sua página na internet.

Pré-sal
O poço 9BRSA716RJS, do campo de Lula, figura pela segunda vez consecutiva como o poço de maior produção de petróleo. Com produção de 28,5 Mbbl/d, o poço produziu mais do que o campo de Carmópolis, campo terrestre com maior produção de petróleo e que produziu por meio de 1062 poços.

A produção do pré-sal aumentou 1,3% em junho de 2011 em comparação ao mês anterior. Foram produzidos 129,6 mil barris por dia de petróleo e 3,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 154,2 mil boe/dia. Esse volume foi extraído de sete poços: 6BRSA639ESS, em Jubarte, 9BRSA716RJS e 3BRSA755ARJS, em Lula, 6BRSA806RJS em Caratinga e Barracuda, 6BRSA770DRJS, em Marlim e Voador, 6BRSA817RJS em Marlim Leste e 1BRSA594SPS no TLD-BM-S-9.

Campos produtores
O campo de Peregrino, operado pela Statoil, após três meses do início da produção, já figura entre os 20 maiores campos produtores de petróleo. Dos 20 maiores campos produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, três são operados por empresas estrangeiras (Frade/Chevron, Ostra/Shell e Peregrino/Statoil). Em torno de 91,5% da produção de petróleo e 74,4% do gás natural foram extraídos de campos marítimos.

Os campos terrestres Rio do Urucu e Leste do Urucu, ambos localizados na Bacia de Solimões, ocuparam a primeira e a segunda posição, respectivamente, no ranking de maiores produtores de gás natural, e também figuram entre os 20 maiores produtores em barris de óleo equivalente.

Seis poços terrestres, sendo cinco do campo de Rio Urucu e um do campo Leste de Urucu, estão na relação dos 30 poços com maior produção de gás natural.

Bacia de Santos
A Bacia de Santos manteve em junho a posição de segunda maior produtora, conquistada em maio deste ano, ultrapassando Solimões e Espírito Santo. O volume produzido na Bacia de Santos, que era de 86 mil boe/dia em abril, passou para 130 mil boe/dia em maio e chegou a 134 mil boe/dia em junho.

Bacias maduras terrestres
A produção das bacias maduras terrestres (campos e TLDs nas Bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Sergipe e Alagoas) foi de 179,4 mil boe/dia. Deste total, 3,1 mil boe/dia foram produzidos por concessões não operadas pela Petrobras.



Plataformas
A P-52, localizada no campo de Roncador, produziu aproximadamente 136,8 mil boe/dia e foi a plataforma com maior produção.

Queima de gás
Houve redução de 22,8% na queima de gás natural em junho de 2011, em comparação ao mesmo mês em 2010. Em relação a maio de 2011, houve aumento de 11,7%. Os principais motivos para o aumento foram a retomada da produção do teste de longa duração (TLD) do bloco SOL-T-171, na Bacia do Solimões, e problemas no sistema de compressão da plataforma P-50, no campo de Albacora Leste. Do volume total de gás natural queimado, 81,4% são oriundos de campos na fase de produção e 18,6% de TLDs da fase de exploração. Considerando-se apenas as concessões na fase de produção, o aproveitamento de gás natural no mês foi de 94,5%.

Indústria global perto da estagnação


Valor - 02/08
A produção industrial global está próxima da estagnação, confirmando que a desaceleração na economia mundial é mais forte e ampla, e não só momentânea.

Ao mesmo tempo, cresce o sentimento no mercado de que o aperto fiscal nos Estados Unidos e na Europa vai entravar a economia internacional por vários anos, afetando o comércio internacional, os mercados de ações, os preços de commodities industriais e mantendo as taxas de juros baixas por mais tempo do que se previa.

O índice JPMorgan Global Manufacturing PMI, publicado pela consultoria britânica Markit, mostrou ontem que a produção industrial piorou em todas as grandes economias, com exceção do Japão. Para analistas, a maior surpresa foi o tamanho da desaceleração do índice dos EUA, que agora está no mais baixo nivel desde que a recessão americana acabou. Isso dificulta uma reação à expansão fraca do PIB no segundo trimestre.

Nos 17 países da zona do euro, a freada no crescimento da produção industrial é atribuída principalmente à Alemanha e à França, confirmando que os motores da economia europeia não estão mais imunes aos problemas da periferia. A produção na Espanha voltou a cair, sem surpresa, mas agravando o temor com o futuro do país.

Também nos emergentes a produção industrial desacelerou em julho. Na China, os dados foram melhores que as estimativas do mercado e reforçam o sentimento de que a segunda maior economia do mundo terá mesmo um pouso suave e não uma queda brusca, como temiam alguns economistas. Igualmente confirmou-se retração no Brasil, na Índia e na Rússia.

O Japão foi a única grande economia com crescimento mais sólido, mas sua produção industrial continua 5% abaixo do nível de antes do terremoto e do tsunami.

A desaceleração da economia global foi atribuída inicialmente a dois choques de oferta: primeiro, a alta nos preços do petróleo no rastro das turbulências políticas no Oriente Médio; e depois a interrupção na cadeia de suprimento causada pelo tsunami no Japão.

O impacto dos choques se atenuou no início deste segundo semestre e a atividade pode até subir um pouco. Mas todos os indicadores apontam para uma demanda do consumidor persistentemente fraca, com o desemprego alto na Europa e nos EUA e problemas no setor imobiliário americano.

Agora, dois outros fatores podem amortecer a demanda no médio prazo. Primeiro é a consolidação fiscal deflagrada este ano e que deve se intensificar em 2012. A expectativa é que, com as medidas bilionárias de estímulo expirando, a política nos EUA se tornará mais restritiva.

Segundo: boa parte dos analistas continua vendo sério risco de mais choques financeiros. Existe ainda a forte probabilidade de rebaixamento no rating de crédito dos EUA, mas sobretudo a crise da dívida soberana na zona do euro pode voltar com força.

Os mercados receberam o acordo político sobre o teto da dívida nos EUA primeiro com alívio e depois com ceticismo. O sentimento é que o rating de crédito da maior economia do mundo poderá ser rebaixado, já que o corte proposto no déficit não será suficiente para realmente combater o problema.

No entanto, a expectativa é que, mesmo se os EUA perderem o rating AAA, os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos já caíram muito e ficarão por volta de 2,5% ao final do ano. E o dólar é visto com perspectivas menos ruins que o euro. Já em relação ao franco suíço, o dólar caiu de novo ontem a um nível muito baixo. A moeda suíça, vista como refúgio seguro, valorizou 33% frente ao dólar e 22% frente ao euro em 12 meses.

Nos EUA, em todo caso, os dados apontam para uma queda importante nos ganhos das empresas este ano. No primeiro trimestre, o lucro foi superior a média de 11,8% que vem desde os anos 1960. Mas o desemprego por volta de 9% da população ativa reduz as perspectivas de mais negócios.

Na zona do euro, persiste o temor de que Espanha e Itália sejam mais afetados pela crise da dívida soberana. O modesto crescimento da região pode afetar mais a recuperação global em 2012 e 2013. A alta da inflação global, que preocupava os bancos centrais, poderá ser revertida assim que os preços de commodities se estabilizarem ou até caírem.

A taxa de desemprego na zona do euro sinaliza que o mercado de trabalho está enfraquecendo e que a economia europeia se desacelera. A taxa permaneceu em 9,9% da população ativa, estável há quatro meses, conforme dados anunciados ontem. Há 15,6 milhões de desempregados nos 17 países da zona do euro, 18 mil a mais em junho do que no mês anterior.

Levando em conta que o Índice de Gerente de Compras (PMI, em inglês) para emprego caiu em junho e julho, a conclusão é que as contratações estão diminuindo. Além disso, uma redução no emprego no setor privado deverá ser exacerbada pelos cortes de vagas no setor público em vários países.

TV ON LINE






ENXURRADA DE DÓLARES NO BRASIL
01/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
E a insegurança sobre a economia americana também traz reflexos aqui para o Brasil, um deles é a enxurrada de dólares.
* Luiz Otávio Leal, economista.
* Luís Paulo, economista.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


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COMENTÁRIO DE JOELMIR BETING SOBRE MERCADO FINANCEIRO
01/08/2011 - 19:20 - BANDEIRANTES, JORNAL DA BAND
O comentarista Joelmir Beting fala sobre o mercado financeiro.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
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TOMBINI: BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR CRISES
01/08/2011 - 18:00 - GLOBO NEWS, EDIÇÃO DAS SEIS
O presidente do BANCO CENTRAL, ALEXANDRE TOMBINI, disse que o Brasil está pronto para enfrentar uma possível crise internacional. Ele falou para empresários de Minas Gerais e garantiu que a autoridade monetária vai defender as indústrias brasileiras da concorrência desleal.
* ALEXANDRE TOMBINI, presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: Leilane Neubarth
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


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Irracionalidade econômica e racionalidade política


Por Delfim Netto - Valor 02/08

O cabo de guerra que se instalou nos Estados Unidos entre o Executivo (dominado pelos democratas) e o Legislativo (dominado pelos republicanos) para a aprovação do aumento do endividamento público é um jogo político de alto risco, mas com altíssimo prêmio: o resultado da eleição presidencial de 2012. Não parece, entretanto, que o "mercado" da dívida pública americana tenha lhe dado até aqui maior importância, o que não se pode dizer dos mercados mais especulativos que vivem das incertezas que geram volatilidade. Isso se prova pelo fato que, semanalmente, o Tesouro americano vende, em média, qualquer coisa parecida com US$ 80 bilhões de papéis com vencimento de 30 dias (35%), de um ano (25%), e de dois anos (40%). No último leilão semanal, de 26/7, vendeu US$ 73 bilhões com as características apresentadas na tabela abaixo.

A demanda global dos papéis de vencimento em 30 dias, com relação ao nível de corte do Fed, foi de 5,3 vezes (para cada US$ 1 bilhão vendidos apresentaram-se potenciais compradores de US$ 5,3 bilhões). Nas quatro semanas de julho o Fed vendeu US$ 102 bilhões de papéis com vencimento de 30 dias. As demandas sempre foram mais do que 4,5 vezes o montante vendido, com taxa de juro media inferior a 0,06%. No mesmo mês, o Fed colocou mais de US$ 330 bilhões de papéis com vencimentos entre 30 e 720 dias (contra uma demanda superior a US$ 1,2 trilhão) com suas respectivas taxas de juros praticamente inalteradas.

Esses números não parecem revelar qualquer angústia maior do "mercado" da dívida pública com a possibilidade de um "default". Talvez porque esse seria o primeiro da gloriosa história da dívida interna americana desde que Hamilton, inteligentemente, decidiu honrar as dívidas das colônias após a conquista da independência. Não foi sem razão que o dólar transformou-se, depois da Segunda Guerra, na unidade de conta com poder liberatório e reserva de valor universais, e que os papéis do Tesouro dos EUA são a única aplicação com risco nulo. Isso ajuda a explicar porque a economia americana transformou-se no que é.

Essa é a maior demonstração que não se trata de um problema sobre a capacidade ou a eventual incapacidade de os EUA honrarem a sua dívida ou de continuarem a encontrar compradores para seus papéis a taxa de juros praticamente nula (de fato negativas). O Tesouro americano não enfrenta questão de solvência e, por definição (porque emitem a moeda de poder liberatório universal), muito menos de liquidez!

O único problema do Tesouro americano é o estabelecimento de um teto legal de endividamento nominal, que já foi alterado muitas vezes quando preciso. Em condições normais de pressão e temperatura isso tem sido feito sem grande celeuma, uma vez que o teto é corroído pelo próprio processo inflacionário e pelo crescimento do Produto Interno Bruto, o que mostra a irracionalidade institucional.

Irracionalidade? Muito pelo contrário! É apenas mais uma das medidas "racionais" do Congresso americano para controlar o Poder Executivo. O risco é que em condições especiais: 1) quase equilíbrio entre a representação republicana e democrática no Congresso; 2) uma situação de crise econômica muito mal resolvida; 3) uma política econômica fortemente contestada porque protegeu Wall Street à custa da Main Street; e 4) às vésperas de uma eleição presidencial, esse poder - por pura ignorância das consequências - tornar-se uma arma de destruição em massa.

Quando o poder está em jogo, a irracionalidade econômica pode ter racionalidade política e a insensatez tem sua chance! Mas, felizmente, ainda não foi agora que aconteceu.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

O câmbio e suas controvérsias




Por Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Valor 02/08/2011

Entregue às expectativas (como diria?) benfazejas dos mercados, nosso real prosseguiria - se é que não vai prosseguir - em sua trajetória de valorização diante do dólar e de outras moedas. A moeda americana dobra os joelhos sob o peso das injeções de liquidez inoculadas pelo Federal Reserve (para não falar das incertezas desatadas pelo acordo precário celebrado entre democratas e republicanos para encaminhar a elevação do teto da dívida). Desaçaimados em sua incessante busca de rendimentos, entre crispações e redemoinhos, os gestores de portfólios globais aprestaram-se a rearranjar suas carteiras de ativos. No rol dos preferidos, aqueles denominados pela moeda brasileira.

Na semana passada, o governo reagiu de forma mais contundente às ameaças de novas rodadas de valorização da moeda nativa. Como de hábito, em sua caducidade tediosa, renovou-se a discussão sobre a efetividade das intervenções no mercado de câmbio spot e futuros. Desde a desditosa aventura do câmbio semi-fixo dos anos 90, a opinião dos mercados sobre o câmbio reproduz os mesmos argumentos, tão acerbos quanto monótonos. Prodigiosas e religiosas teorias levaram a finança global ao colapso. Mas os autores da façanha não se vergaram ao peso do fracasso. Muito ao contrário. Com fé redobrada, os crentes devotam-se a afastar seus acabrunhamentos. Nessa quadra da vida e nesse espaço do mundo, reconfortam suas certezas com abluções agônicas na liquidez produzida abundantemente pelo Quantitative Easing do dr Bernanke.

Não julgue mal o leitor: os operadores dos mercados de câmbio são obrigados a se refestelar na arbitragem financeira e na especulação de mão única. Contritos em sua crença na infalibilidade dos mercados, os fiéis tomam, sim, decisões racionais no âmbito microeconômico. A racionalidade microeconômica, é verdade, só realiza seus desígnios enquanto mergulhada no "consenso altista" que induz os protagonistas privados a acreditar na valorização continuada da taxa de câmbio. Diria um keynesiano de boa cepa que no mercado de câmbio brasileiro as expectativas altistas são largamente predominantes.

Os servos da Razão engordam seus cabedais à sombra da cumplicidade da consciência ingênua incumbida de desempenhar uma dupla função: a de "naturalizar" o fenômeno da valorização cambial e, melhor ainda, a de suportar os efeitos de uma eventual "parada súbita", sempre acompanhada das desventuras da desvalorização violenta.

As consequências são conhecidas, mas quase sempre ignoradas: os fluxos de financiamento externo dos últimos dois anos e meio constituíram um alentado passivo bruto em moeda estrangeira. Esse passivo - direitos denominados em moeda estrangeira sobre a riqueza e a renda gerada no Brasil - se distribuem entre aplicações de portfólio, empréstimos intercompanhias e endividamento dos bancos e das empresas. Os descuidos da macroeconomia da poupança e do investimento, sem bancos nem finança, ocultam as transformações impostas pelos fluxos de capitais à composição dos balanços das instituições financeiras e das empresas.

As alterações nascem e se multiplicam nos períodos em que o crédito externo fácil e barato faz aliança com uma taxa de juro apetitosa. Salvo nos casos raros de hedge perfeito, não há como neutralizar os efeitos de uma desvalorização mais forte do real nos balanços contaminados pelo "descasamento de moedas". Os surtos eufóricos de liquidez fácil e de endividamento externo - acompanhado de elevação dos preços dos ativos (inclusive do câmbio) - são seguidos de "crises de confiança" e ajustamentos recessivos. Infelizmente, os movimentos de capitais são e sempre foram pró-cíclicos, para desgosto dos que acreditam em Papai Noel ou em modelos mais tolos do que inúteis.

Enquanto seu lobo não vem, as exportações brasileiras de manufaturados se debilita rapidamente. A derrocada exportadora faz parceria com a invasão das importações de produtos manufaturados, prenhes de incentivos e subsídios oferecidos generosamente pelos competidores espertos. Sob as delícias do câmbio valorizado cresce a ameaça da peste holandesa que promete transformar a economia urbano-industrial brasileira em escombros.

Do outro lado do mundo, graças a estratégias eficazes, os chineses não só crescem acima da média mundial, como ainda sustentam o crescimento com o dinamismo das exportações e uma elevada taxa de investimento. O yuan está na alça de mira dos capitais nervosos, mas sofreu lenta valorização nos últimos doze meses, protegido pelas intervenções do Peoples Bank of China que não só compra agressivamente divisas como exerce um efetivo controle e direcionamento quantitativo do crédito. Como demonstra o economista Patrick Artus, as autoridades chinesas conseguem ultrapassar de forma original as contradições entre o movimentação de capitais, a taxa de câmbio administrada e a independência da política monetária.

Eles colhem altas taxas de investimento na indústria e na infraestrutura e rápida escalada no gradiente do horizonte tecnológico. No caso da China, a política de defesa do yuan e a oferta ilimitada de mão de obra barata se juntam para esfolar o que resta das estruturas industriais nos parceiros/concorrentes incautos e desavisados da periferia.

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp

Explica mas...


Delfim Netto
Carta Capital

Por que os governantes permitiram que os Estados Unidos chegassem ao limite de endividamento, na iminência de suspender pagamentos?

Há várias respostas, mas, em síntese-, o que acontece é que, infelizmente, o presidente Obama não conseguiu recuperar a confiança da sociedade americana com as medidas que tomou para enfrentar o estrago que a crise financeira produziu na vida das pessoas e das empresas. Os democratas receberam o país das mãos dos republicanos já com as finanças públicas comprometidas e um elevado nível de desemprego, mas com um capital de esperança inspirado na principal mensagem de Obama na campanha eleitoral, o “eu posso, nós podemos”, que prometia uma revolução. No entanto, ele falhou.
Falhou desde o início, ao se assessorar mal politicamente e na escolha de uma equipe econômica muito ruim, que o levou a uma série de decisões equivocadas. Tenho sido cobrado pelo uso de uma expressão, digamos, demodée, chula. Mas não consigo me lembrar de outra mais adequada para explicar o grande equívoco de Obama e sua equipe: eles cuidaram de salvar os “patifes” que tinham produzido a crise e deixaram de lado os trabalhadores que tinham perdido o emprego por causa da crise.
O desdobramento foi a queda de confiança na capacidade de sua administração de enfrentar as consequências que o desastre financeiro estava produzindo nos níveis de emprego dos trabalhadores e na saúde das empresas. Incompetência que ainda mantém desempregados 15 milhões de trabalhadores americanos, que antes da crise ganhavam a vida honestamente.
A perda da confiança foi de tal ordem que hoje as empresas não financeiras nos Estados Unidos têm 2 trilhões de dólares em caixa e não investem, porque não enxergam num futuro próximo crescimento de demanda para seus produtos. O setor produtivo da economia não recebeu sinais amigáveis no início do governo e, na falta de estímulos críveis, segura o investimento porque não vê, por enquanto, melhora na confiança do consumidor, que teme o desemprego.
Apesar do enorme volume de recursos públicos injetado na economia, eles não funcionaram na direção correta de reanimar os setores produtivos: a economia não logrou emitir os sinais de recuperação que permitissem a retomada da confiança nas ações do governo. O gasto público continuou crescendo velozmente, a partir de uma base já bastante elevada deixada das administrações anteriores, com o nível do déficit atingindo a fronteira legal, digamos, para permitir ao governo honrar todos os seus compromissos. Obama deixou a porta aberta para os republicanos prepararem o troco aos democratas em 2012, nas eleições para a presidência, tornando a questão de pagar ou não pagar um problema político crucial.
O cabo de guerra entre republicanos e democratas que estamos assistindo no Congresso americano tem como objetivo definir quem chega mais bem fantasiado na festa eleitoral do ano que vem. Os republicanos estão se esforçando para passar o esmeril em Obama, exigindo, com precisão cirúrgica, cortes de despesas em cima daqueles programas de construção da sociedade de bem-estar que ele prometia rea-lizar na Presidência dos EUA. Obama precisará de alguma coisa mais que bons argumentos de defesa para explicar o fracasso de seus programas durante a campanha da reeleição que pretende disputar pelo partido democrata.
A situação não é nada confortável para os democratas, premidos pelo calendário e sabendo que não podem recusar o corte de alguns trilhões de dólares nos gastos públicos e a amputação de seus programas sociais. Resta a possibilidade única de direcionar a trajetória para outros programas e tentar o equilíbrio mediante aumento da arrecadação de tributos, coisa nada palatável mesmo se o contribuinte-alvo da nova alíquota do imposto estiver no patamar mais alto da renda (que nem por isso exclui os democratas).
Neste instante, há uma concentração do interesse político no calendário eleitoral, com os republicanos na dianteira dispostos a aplicar “lixa grossa” no Obama até a terça-feira 2 de agosto. Depois, é tratar de reunir os cacos.
Apesar de os EUA já terem, em outras ocasiões da sua história, atrasado contas e diferido pagamentos, ainda tenho dúvidas, neste momento (quarta-feira 27) se eles (mesmo com o radicalismo do Tea Party) cometeriam a loucura de promover um default que envolveria alguns dos próprios Estados americanos num verdadeiro furacão e provocaria traumas globais pré-datados…

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SONHANDO ALTO II



Petrobras pode ser a maior do mundo, afirma José Sergio Gabrielli

Agencia Estado



O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira (1.º) que a empresa pode se tornar a maior produtora de petróleo do mundo no futuro. Ele destacou que a estatal está crescendo mais rápido do que as estrangeiras, como Shell, Chevron, Gazprom, Eni, Total, entre outras citadas.

O executivo citou a possibilidade de a Petrobras superar o tamanho das concorrentes entre 2016 e 2017, dependendo da velocidade do aumento da produção. "Nós temos os recursos para isso; possuímos entre 30 bilhões e 40 bilhões de barris em reservas para desenvolver hoje, não amanhã", disse Gabrielli, em entrevista à imprensa em Londres.

O executivo não quis dar detalhes sobre a estratégia de desinvestimentos de US$ 13,6 bilhões em ativos prevista no novo plano anunciado na semana passada. Gabrielli reiterou que as iniciativas podem passar por farm-out (venda em bloco de ativos de petróleo em áreas exploratórias), venda de participações em empresas onde a Petrobras está e também uma melhoria na gestão de capital de giro.

Questionado se poderia haver venda de ativos de distribuição de gás, ele respondeu: "Não vou falar sobre detalhes". Gabrielli disse que irá otimizar a atividade internacional da companhia. A ideia é buscar complementaridade com as áreas da empresa, como Golfo do México. Entretanto, não existe o objetivo de fazer aquisições em países onde a estatal ainda não está, "a não ser que apareça uma grande oportunidade".
Captações

A Petrobras poderá testar captações em euro ou em libra, segundo o diretor Financeiro da empresa, Almir Barbassa. Ele reiterou que os recursos para financiamento nos próximos anos serão levantados no mercado de dívida, sem nova emissão de ações. "O mercado de capitais internacional é a nossa maior fonte para recursos de captação", disse, em entrevista à imprensa, em Londres.Barbassa lembrou que a Petrobras não vem acessando captações em euros ou libras recentemente. "Podemos olhar", disse.

Conforme o executivo, a empresa precisará levantar entre US$ 7 bilhões e US$ 12 bilhões por ano no mercado para financiamento. Os dois participaram, na manhã desta segunda, de apresentação a investidores em Londres.

Fechado acordo da dívida dos EUA

Valor 1/08 - Imagem CNN


Dois dias antes do vencimento do prazo para um possível default do governo americano e depois de um fim de semana de negociações frenéticas, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama e líderes do Congresso chegaram a um acordo, ontem à noite, que prevê a extensão do teto da dívida e, simultaneamente, cortes nas despesas, além de novas medidas para redução do déficit público. Ao anunciar o resultado das tratativas entre líderes dos Democratas e dos Republicanos, Obama disse que os termos do entendimento não eram o que ele desejava, mas que o arranjo impediria que houvesse um calote e que vai acabar com a crise que Washington impôs ao país.

Separadamente, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner disse a membros do seu partido que tinha se chegado à moldura do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelas duas casas do Congresso. O pacto aumentaria o teto de endividamento em US$ 2,4 trilhões em três etapas e traria inicialmente cerca de US$ 900 bilhões em cortes de gastos ao longo de dez anos.

Espera-se uma reação favorável dos mercados financeiros, ao menos a curto prazo já que persistem dúvidas sobre o estado da economia americana e sobre a extensão da crise na Europa. Ontem, às 22:30 horas (horário de Brasília), a Bolsa de Tóquio estava em alta.

"The debt ceiling deal struck by the nation's top lawmakers includes $350 billion in cuts to the defense budget over the next decade, according to the White House."

Ainda de acordo com a Casa Branca o corte atinge o Pentágono em 350 bilhões ao longo da próxima década.

Zona do euro desacelera e BCE deve adiar alta de juros


Valor 01/08

Uma nova alta de juros na zona euro poderá ser retardada por um bom tempo, diante de novos sinais de desaceleração da atividade econômica se propagando na região, o sentimento negativo de empresas e consumidores e a preocupação com a Itália e a Espanha.

O principal evento esta semana será a reunião do Banco Central Europeu (BCE). Em julho, ao insistir na importância de monitorar "muito de perto" os riscos para a estabilidade de preços, o presidente Jean-Claude Trichet deu a entender que a alta de 25 pontos básicos, para 1,5%, não era necessariamente a ultima este ano. A expectativa no mercado é de que Trichet provavelmente manterá sua opção aberta sobre elevação dos juros no médio prazo. Mas, na prática, isso agora não mais ocorrerá este ano.

De um lado, a atividade econômica está desacelerando agora também nas economias mais importantes. A Alemanha está sofrendo com menos exportações e claros sinais de que a demanda global está diminuindo. O anúncio esta semana dos dados da produção industrial tendem a mostrar que a forte recuperação manufatureira da maior economia da Europa está perdendo fôlego.

Grandes companhias europeias alertam que suas perspectivas de negócios estão piorando, num cenário de temores sobre o impacto da crise da dívida soberana e menos comércio global. Os resultados de grandes empresas no segundo trimestre reiteram essa mensagem de deterioração na demanda, preços de matérias-primas em forte alta e cortes de custos superando agora planos de expansão.

As vendas do varejo na zona do euro tiveram alta em junho, mas analistas sugerem que os gastos no geral continuaram modestos no segundo trimestre.

As estatísticas sobre o mercado de trabalho, esperadas para esta semana, podem sinalizar maior relutância das empresas em contratar. Com isso, a taxa de desemprego pode aumentar nos próximos meses. No momento, está em 9,9%, quase um recorde na Europa. Na Espanha, passa dos 20%.

O contraste é significativo em relação ao começo do ano, quando a Alemanha, motor da economia alemã, alimentava a esperança de que a zona euro poderia ter expansão econômica que daria fôlego às combalidas economias periféricas. Agora, o risco é que a situação nos países periféricos acabe por contaminar as grandes economias.

Outro fator contra alta de juros na zona euro é que o índice de preços ao consumidor caiu em julho para 2,5%, surpreendendo analistas, que apostavam em 2,7%. Esse resultado veio justamente quando a inflação na Alemanha subiu de 2,4% para 2,6%. Mas houve queda na Itália, de 3% para 2,1%, reforçando a posição de que a inflação na zona euro não deve aumentar.

A estagnação de vendas e a queda nos lucros de empresas na Europa ocorrem no momento em que elas enfrentam condições mais duras para obter crédito. O BCE informou que os bancos da região endureceram seus padrões de créditos no segundo trimestre, à medida que a perspectiva econômica piorou. A expectativa é que o crédito ficará ainda mais limitado.

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Loyola não acredita em uma reversão da atual tendência de queda do dólar

Agencia Estado

O ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, classificou como "péssima" e "desesperada" as novas medidas cambiais anunciadas hoje pelo governo. Para ele, um dos efeitos colaterais das medidas será a exportação do mercado de derivativos do Brasil para a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago.

"No fundo, isso tende a reduzir a liquidez aqui e a aumentar no exterior. Acho que é uma medida que vai contra o Brasil", afirmou Loyola ao explicar que os estrangeiros que investem no Brasil utilizam a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) para fazer um hedge de sua posição. Ao lançar mão de mecanismos para encarecer essas operações, o governo, segundo ele, estimula o investidor estrangeiro a optar por fazer esse hedge lá fora.

"O mercado de Chicago negocia várias moedas. O Real não tem muita liquidez lá porque tem aqui. Não sou purista, acho que eventualmente você tem de tomar medidas drásticas em situações de emergência. Mas elas têm de, pelo menos, funcionar. Essa não funciona", disse.

Medida Provisória publicada hoje no Diário Oficial autoriza o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para as negociações de derivativos e a tributar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 25% sobre o valor dessas operações. A tributação começa com alíquota de 1% de IOF sobre a posição vendida líquida - diferença entre a posição vendida e a posição comprada bruta - que exceder US$ 10 milhões. O governo também surpreendeu ao punir quem toma o empréstimo externo com prazo médio superior a 720 dias e antecipa a sua liquidação.

Loyola não acredita em uma reversão da atual tendência de queda do dólar devido a esse novo pacote cambial e argumenta que os efeitos da MP são apenas temporários. "Acho essa medida péssima, muito ruim. Quase uma medida desesperada, que não vai ter efeito nenhum, vai gerar mais distorções." Segundo ele, a ideia de taxar o mercado de derivativos deve criar ainda uma insegurança jurídica, com os investidores estrangeiros temendo novas mudanças de regras.

O ex-presidente do BC pondera ainda que o grande comprador de dólares hoje na BM&F é o Banco Central, que vem fazendo intervenções regulares, e, com isso, tirando a volatilidade do mercado cambial. "Se você quer aumentar o risco e reduzir com isso as entradas (de recursos), você tem de deixar o câmbio flutuar. Quando você retira a volatilidade, você torna o custo barato", disse.

Crise europeia longe da solução



Por Gustavo Loyola - Valor 01/08



O plano anunciado na semana passada pelos líderes europeus para lidar com a crise da dívida da Grécia e de outros países periféricos da zona do euro trouxe apenas ânimo passageiro aos mercados. Feitas as contas, tornou-se aparente que o alívio financeiro associado àquele plano será insuficiente para levar a uma solução sustentável para o endividamento da Grécia.

É certo que o anúncio da cúpula da Comunidade Europeia representou um grande avanço, após longo período de indecisão e procrastinação. O volume de recursos posto à disposição da Grécia por meio da EFSF (European Financial Stability Facility), assim como o alongamento dos prazos e redução dos juros associados a essa linha de crédito, representam um passo positivo no reconhecimento da seriedade da situação fiscal daquele país, assim como do potencial de contaminação da crise para outros países da zona do euro, igualmente marcados por aguda crise fiscal (Portugal e Irlanda, principalmente).

Da mesma forma, a previsão de envolvimento dos credores privados, por meio de renegociação "voluntária" da dívida da Grécia, mostra o abandono da equivocada ideia de que seria possível resolver o problema sem que houvesse algum tipo de redução do montante da dívida em poder do mercado, a exemplo do que ocorreu no Plano Brady, em relação à crise da dívida latino-americana dos anos 1980.

Além disso, a flexibilização no uso dos recursos da EFSF, permitindo seu uso na recapitalização de instituições bancárias, por meio de empréstimos aos governos nacionais, é outro movimento importante, tendo em vista as fragilidades que cercam alguns bancos europeus, mormente aqueles sediados nos países atingidos mais agudamente pela crise fiscal, em razão não apenas do carregamento de papéis emitidos pelos seus governos, como também pela anemia da atividade econômica que leva à deterioração de seus ativos de crédito. De fato, uma crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para os países já sofrendo de dificuldades crônicas para ativar suas economias.

Porém, embora significativos, tais avanços são insuficientes para tornar a Grécia um país solvente nos próximos anos. A dívida do governo corresponde a cerca de 140% do seu PIB e o déficit fiscal nominal foi de mais de 10% do PIB no ano passado. No primeiro semestre deste ano, apesar das medidas de austeridade já adotadas, o baixo crescimento da economia frustrou a previsão de receitas tributárias, o que fez com que as metas acordadas com o FMI e a Comunidade Europeia não fossem cumpridas. Não bastasse o déficit fiscal elevado, a Grécia exibe um expressivo déficit em conta-corrente, cerca de 10,5 % do PIB em 2010, o que configura uma situação de "déficits gêmeos", típica de um país que vem vivendo acima de suas possibilidades.

Numa situação como essa, a ausência de autonomia monetária dificulta enormemente o necessário ajuste da economia. Para aumentar sua competitividade e, desse modo, reduzir seu déficit externo, a Grécia necessita realizar uma "desvalorização interna", que passa pelo abaixamento dos salários e pela redução do déficit público, políticas que trazem enorme estresse político. Num contexto como esse, a permanência de um endividamento elevado não apenas é insustentável sob o ponto de vista de solvência, como se torna um ônus político incontornável. Desse modo, não há como escapar de uma solução que implique na redução sensível do fluxo dos encargos da dívida nos próximos anos, o que exige seu alongamento e também uma redução ("haircut") no seu valor nominal, o que trará perdas para os detentores dos papéis da dívida daquele país.

Por outro lado, a situação fiscal de Irlanda e Portugal, não obstante menos grave do que a da Grécia, também exige ação decidida da Comunidade Europeia. A flexibilização anunciada no emprego dos recursos da EFSF ajudará a melhora do perfil do endividamento desses países, assim como na eventual recapitalização de seus bancos. Contudo, a falta de uma solução definitiva para a Grécia pode diminuir a confiança dos mercados quanto à sustentabilidade das dívidas portuguesa e irlandesa, o que anularia os efeitos positivos da maior ajuda financeira proporcionada pela Comunidade. Assim, uma solução para Irlanda e Portugal deve necessariamente passar pela resolução definitiva para o problema grego.

Nas próximas semanas provavelmente saberemos se a reestruturação da dívida da Grécia e dos demais países afetados (Irlanda e Portugal) se dará de maneira ordenada ou não. Na primeira hipótese, uma crise bancária seria evitada, assim como a contaminação do financiamento da dívida de países maiores como Espanha e Itália. Nesse cenário, a zona do euro pode contar com uma retomada modesta da atividade econômica nos próximos anos e a economia mundial seguirá uma trajetória de crescimento, sem maiores percalços. Contudo, para tanto, é necessário que o mercado passe a confiar na sustentabilidade da posição fiscal dos países atingidos pela crise, assim como na higidez de seus sistemas bancários, para o que o pacote anunciado semana passada ainda se mostra aquém do necessário.

Gustavo Loyola, doutor em economia pela EPGE/FGV, foi presidente do Banco Central e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada.