quinta-feira, 4 de agosto de 2011

CHINA AMEAÇA NO PAPEL


Valor 04/08
As relações entre China e Brasil relativas ao comércio internacional de celulose e papel azedaram nos últimos meses e agora atravessam um momento crítico. A indústria chinesa de papel ameaça reduzir as compras de celulose brasileira e responder com a abertura de um processo de investigação por dumping, no caso dos preços da matéria-prima, se o país mantiver as medidas que estão dificultando a importação do produto asiático ou iniciar alguma ação antidumping na área.

Pelo menos quatro grandes papeleiras, representadas pela China Paper Association, já levaram suas queixas ao governo chinês e prometem reagir duramente ao fim da licença automática para importação de papéis produzidos na Ásia e à obrigatoriedade do certificado de origem, que passou a ser exigido pelo Brasil no primeiro semestre. Além disso, os chineses temem que o Brasil esteja avaliando medidas similares às adotadas por Estados Unidos e Europa, que impuseram elevadas tarifas antidumping sobre as importações de papel revestido asiático.

A ameaça de substituição de fornecedores de celulose teria incomodado a indústria brasileira em razão do tamanho do apetite chinês. Maior produtor mundial de papel, com mais de 90 milhões de toneladas anuais dos diferentes tipos, a China colocará em operação, até 2015, novas linhas de produção com capacidade total para mais 35 milhões de toneladas por ano, sem investimentos significativos para a produção local de matéria-prima. Além disso, o país asiático, que não tem tradição em celulose, é o principal comprador individual da fibra de eucalipto produzida no Brasil, absorvendo cerca de 2 milhões de toneladas anuais.

Por outro lado, um eventual pedido de investigação de dumping não teria assustado os produtores brasileiros de celulose em razão de a matéria-prima ser negociada como commodity, com formação de preços internacional e estabelecimento de cotações em três mercados de referência: América do Norte, Europa e Ásia. Nessa última região se pratica o menor preço de referência, porém os valores são seguidos por toda a indústria mundial de celulose.

De acordo com o principal executivo da APP China, Rui Zheng, as fabricantes chinesas - APP, April (com sede na Indonésia), Sun Paper e Chenming - não entendem as motivações do governo brasileiro ao exigir o certificado de origem do papel produzido na Ásia, especialmente China e Indonésia, para liberar importações. Há dois meses, Zheng esteve em Brasília para encontros com técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), acompanhado de representantes das embaixadas da China e da Indonésia, e não saiu satisfeito.

"Foi um pouco promissor", afirmou o executivo, que se prepara para assumir o escritório da APP na Áustria. "Estamos tentando a via do diálogo, mas estão nos forçando a adotar medidas mais drásticas." Para acompanhar de perto o desenrolar das negociações, a companhia, que tem sedes e operação na China e na Indonésia, chegou a contratar um lobista em Brasília. Na China, estreitou relações com o Ministério do Comércio (Mofcom), que estaria apoiando a reação das papeleiras. "Não praticamos dumping ou qualquer outra irregularidade", defende.

Segundo fonte da indústria brasileira, o maior rigor na liberação das importações do produto asiático veio na esteira do crescente desvio de papel isento de impostos (o chamado papel imune) para finalidades que não as previstas em lei - impressões educacionais e culturais. Atualmente, cerca de 95% do papel importado que entra no país recebe essa classificação e a maior parte - ou mais de 600 mil toneladas por ano - seria desviada para uso ilegal. Ao não recolher impostos, o produto chega ao consumidor final com diferença de preços de até 40%. Os protagonistas dessas operações, conforme a indústria, seriam justamente os papéis dos tipos imprimir e escrever e cartão oriundos da Ásia.

Em São Paulo, a Secretaria da Fazenda apertou o cerco contra operações ilegais com papel imune e aplicou mais de R$ 100 milhões em multas. Procuradas, Fibria, Suzano Papel e Celulose e Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) não se pronunciaram sobre o assunto.

Minério de ferro salva mais uma vez os balanços dos fabricantes de aço


Valor 04/08
Minerar ferro tornou-se a atividade mais rentável para as fabricantes de aço no país. Parece um contrassenso, mas as siderúrgicas argumentam que se trata de um movimento defensivo contra a alta exorbitante dos preços de suas duas principais matérias-primas - minério de ferro e carvão - desde 2005.

As margens de ganho no resultado operacional advindas da atividade de produção de minério de ferro são de dar água na boca - alcançaram 68% tanto na Usiminas quanto na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no segundo trimestre. Bem diferente do aço: 29% na CSN e apenas 7% na siderúrgica mineira, que ainda engatinha na atividade de mineração.

A CSN, que divulgou seu balanço desse período ontem pela manhã, um dia depois da concorrente Usiminas, tem uma estratégia não apenas defensiva. Ao contrário, enxerga esse ramo como um grande negócio, tocado obstinadamente por seu principal acionista, Benjamin Steinbruch.

A CSN, até 2001, era uma das principais acionistas da Vale, maior mineradora de ferro do mundo. Ao deixar o bloco de controle da mineradora, decidiu explorar não apenas cativamente as ricas reservas de minério de sua mina, Casa de Pedra. O plano é agressivo: ficar entre as cinco maiores mineradoras de ferro do mundo.

Com isso, a empresa, dona de minério de ferro, autossuficiente em energia e dona de logística ferroviária e portuária, obtém margens operacionais acima da média mundial da siderurgia, liderando a geração de valor aos seus acionistas, conforme estudo recente do Citigroup baseado no conceito de valor econômico agregado (EVA, na sigla em inglês).

O balanço da CSN mostra que a venda de minério de ferro rendeu receita líquida de R$ 1,52 bilhão de abril a junho, 34% do total de R$ 4,3 bilhões obtidos nos cinco negócios da companhia. No entanto, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 1,04 bilhão, representando 54% do resultado operacional da companhia. A fabricação de aço, com 57% (R$ 2,51 bilhões) da receita líquida foi responsável por 38% do Ebitda, com valor de R$ 733 milhões.

Essa inversão de papéis vem se verificando a cada trimestre, desde o último período do ano passado. O aço passou de R$ 1,16 bilhão entre outubro e dezembro para R$ 693 milhões no primeiro trimestre deste ano. Já o resultado da mineração seguiu crescente: saiu, no mesmo período, de R$ 551 milhões, subiu para R$ 792 milhões de janeiro a março e, agora, superou a marca de R$ 1 bilhão.

Além de aço e mineração, a CSN atua em três outros negócios: logística - 6% da receita líquida e do Ebitda -, cimento (2% da receita e 1% do resultado operacional) e energia, com 1% de cada.

A atividade de minério de ferro, com venda acima de 13 milhões de toneladas no ano, levou a CSN a obter recorde de receita líquida em um determinado semestre, com R$ 8,1 bilhões de janeiro a junho passado. E a meta de Steinbruch, em algum ano até 2015, é fazer mais de 100 milhões de toneladas do produto por ano.

Graças ao desempenho desse negócio, acelerado a partir de 2005, com receita de R$ 2,7 bilhões até junho, a empresa de Steinbruch pode obter uma margem Ebitda média de 41% no segundo trimestre. Quase quatro vezes o índice de 12% obtido pela Usiminas.

Empresa avalia comprar mais ações da Usiminas


Em conferência de apresentação de resultados a analistas e investidores, executivos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) disseram que a empresa continua "avaliando alternativas" em relação a seu investimento na Usiminas.

O diretor de finanças e de relações com investidores, Alberto Monteiro, disse que a empresa continua estudando adquirir ações. "Estamos avaliando alternativas em relação a esse investimento, inclusive aquisições adicionais de ações", disse em resposta ao questionamento de um analista sobre as aquisições neste mês.

A CSN já alcançou 10,84% das ações ordinárias (com direito a voto) e 10,2% dos papéis preferenciais (sem voto) da Usiminas. O diretor, no entanto, não quis dar detalhes sobre o assunto. "Queremos manter [em silêncio] questões de estratégia de aproximação com o grupo", ressaltou.

Ontem, o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, também foi questionado sobre a investida da CSN e evitou fazer comentários. "Prefiro não discutir as estratégias da CSN", afirmou o executivo durante evento com jornalistas sobre os resultados do trimestre.

Brumer diz que não há fato novo em relação ao tema, repetindo que as compras da CSN se dão fora do bloco de controle. A Usiminas é controlada pela Nippon Steel e pelos grupos brasileiros Camargo Corrêa e Votorantim, além do clube dos empregados da empresa.

Economistas veem risco elevado de recessão nos EUA

Imagen CNN- Money

Agências Internacionais - Valor 04/08

O vigor da recuperação americana, que já dura dois anos, parece estar diminuindo, à medida que consumidores e o governo cortam seus gastos. É o que dizem cinco de nove economistas da comissão acadêmica responsável pela datação das recessões nos EUA.

"Essa economia está realmente em equilíbrio precário", disse ontem Martin Feldstein, professor de economia da Harvard University e membro da comissão de datação dos ciclos econômicos do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), em entrevista ao programa "Surveillance Midday", na Bloomberg Television. "Existe agora uma chance de 50% de que poderemos entrar novamente em recessão. Nada nos deu muito crescimento."

Uma desaceleração maior do que a esperada no primeiro semestre de 2011 cria riscos para a maior economia do mundo, disse o economista Robert Hall, da Universidade Stanford, presidente da comissão. O PIB cresceu a uma taxa anual de 1,3% de abril a junho, após um avanço de 0,4% no trimestre anterior, inferior à estimada anterior, é o que mostraram números do Departamento de Comércio em 29 de julho.

"Quanto mais lenta a taxa de crescimento, maior a probabilidade de que um choque adverso possa deflagrar uma recessão", disse Hall em entrevista.

Embora não seja missão da comissão prever a probabilidade de uma recessão, cada membro pode fazer suas próprias previsões, disse Hall. A comissão levou mais de um ano para determinar que a mais profunda contração desde os anos 1930 terminou em junho de 2009, uma conclusão a que chegou em setembro de 2010.

O PIB encolheu 5,1% do quarto trimestre de 2007 ao segundo trimestre de 2009, em comparação com a queda anteriormente reportada de 4,1%, segundo divulgou o Departamento de Comércio na semana passada. A segunda pior contração no pós-Segunda Guerra Mundial foi um declínio de 3,7% em 1957-58.

"Os riscos de mais uma recessão cresceram, em comparação com onde estávamos seis meses atrás", disse Christina Romer, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, em entrevista ao programa "Street Smart",, na TV Bloomberg, em 1º de agosto. Ela, porém, previu um crescimento, "anêmico, mas positivo".

Membros da comissão citaram o esfriamento da confiança nos setores de habitação, emprego e negócios e esforços para reduzir o endividamento por parte dos consumidores e do governo como obstáculos ao crescimento. Quatro acadêmicos na comissão negaram-se a sugerir as chances de uma recessão ou não responderam a pedidos de comentários.

Os gastos dos consumidores caíram inesperadamente, em junho, pela primeira vez em quase dois anos, ao passo que a taxa de poupança cresceu, é o que revelaram ontem números do Departamento de Comércio, em Washington.

"O consumo está baixo porque o pagamento de dívidas está espremendo os gastos, mesmo tanto tempo após a crise", disse Hall. "Será um processo doloroso, até que consumidores dependentes de crédito fiquem de novo em pé."

Os fabricantes estão contendo sua produção em resposta à fraca demanda do consumidor. A atividade industrial nos EUA quase parou em julho, segundo um relatório do Institute for Supply Management (ISM) de 1º de agosto.

A taxa de desemprego provavelmente permaneceu em 9,2%, em julho (o Departamento de Trabalho divulga o dado nesta sexta). Até junho, a economia recuperou cerca de 1,77 milhão de 8,75 milhões de postos de trabalho perdidos em consequência da recessão que começou em dezembro de 2007 e que durou 18 meses.

"Estamos certamente numa situação mais vulnerável agora", e um novo choque pode causar uma crise semelhante à contração ocorrida na esteira da disparada do petróleo após a invasão do Kuait pelo Iraque, em 1990, disse James Stock, economista de Harvard e membro da comissão do NBER. "Olhando a situação mundial, é certamente possível imaginar choques da magnitude do caso do Kuait que nos empurrem para o precipício".

A confiança dos empresários foi abalada pelo impasse político, que durou meses, sobre o teto de endividamento, disse Stock.

O presidente Barack Obama assinou ontem um acordo, incorporando mútuas concessões (de republicanos e de democratas) sobre o limite de endividamento, evitando um default americano. A medida eleva teto de dívida do país até 2013 e incorpora ameaças de cortes automáticos de despesas, para impor US$ 2,4 trilhões em redução de gastos nos próximos 10 anos.

"O debate sobre o teto da dívida americana realmente minou a confiança de consumidores e empresas, além de criar incertezas", disse Stock. "A solução das incertezas resultante do acordo não restaurou a imagem de competência legislativa na gestão econômica."

Os cortes nos gastos do governo serão um entrave ao crescimento em 2012, disse Jeffrey Frankel, outro professor de Harvard que atua na comissão da NBER. Embora os riscos de recessão tenham aumentado, "não cresceram, necessariamente, o suficiente para levar a probabilidade para mais de 50%".

"O governo é uma fonte de contração neste ano", disse ele. "O estímulo fiscal está sendo retirado nas esferas federal, estadual e local."

Robert Gordon, membro da comissão e professor na Northwestern University (e que não estimou a chance de recessão), e Feldstein concordaram que a "ressaca" da bolha no mercado habitacional continua a assolar a economia. "Há um vasto excedente de oferta habitacional que esmagou qualquer chance de recuperação na construção residencial", disse Gordon.

Indicadores americanos apontam semestre fraco

A indústria de serviços nos Estados Unidos expandiu-se em julho no ritmo mais lento dos últimos 17 meses. Outros dados divulgados ontem, sobre encomendas às fábricas e criação de empregos, também indicam que a economia americana iniciou o segundo semestre sem muita força.

O índice do Institute for Supply Management (ISM) para a indústria de serviços, que inclui setores como varejo e saúde e cobre cerca de 90% da economia americana, caiu de 53,3 em junho para 52,7 (números acima de 50 indicam expansão). Entre 2002 e 2007, quando teve início a última recessão, a média do índice ficou em 56,1.

"A economia continuará a patinar", disse Yelena Shulyatyeva, economista do BNP Paribas, em Nova York. "Isso não ajuda a reduzir a taxa de desemprego. O ímpeto econômico para o segundo semestre não é tão forte quanto o esperado." Chris Low, economista do FTN Financial, concorda: "O índice do ISM mostra uma economia travada em primeira marcha."

De acordo com um relatório da ADP Employer Services, as empresas do setor privado contrataram menos trabalhadores no mês passado. Foram preenchidas 114 mil vagas em julho, contra 145 mil no mês anterior (dado revisado). Na sexta-feira, o governo anuncia o relatório sobre a criação de empregos em julho. Economistas preveem que apenas 90 mil vagas surgiram no mês passado - seria necessário aproximadamente o triplo disso para reduzir a taxa de desemprego, atualmente em 9,2%.

Segundo o Departamento do Comércio, as encomendas de bens manufaturados às fábricas caíram 0,8% em junho, refletindo um refluxo na demanda por aviões, automóveis e maquinário pesado. Em maio, havia sido registrado um aumento de 0,6% (dado revisado).

Estatísticas econômicas divulgadas nas últimas duas semanas mostraram queda na venda de casas, na confiança do consumidor e o primeiro recuo em dois anos nos gastos das famílias americanas.

Cortes em defesa ameaçam segurança, diz secretário

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, afirmou ontem que quaisquer cortes por atacado nos gastos militares do país, como parte da próxima etapa dos esforços de redução do déficit orçamentário, poderão causar "danos sérios" à segurança americana.

Segundo uma alta autoridade que pediu para não ter seu nome revelado, semelhantes cortes exigiriam a demissão de milhares de funcionários do Departamento da Defesa, interromperiam programas de armamentos e possivelmente cortariam de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões, aproximadamente 10%, do orçamento anual do Pentágono.

Esses gastos cancelados se somariam a cortes na segurança de cerca de US$ 350 bilhões, já definidos na primeira fase do pacote de cortes assinado pelo presidente Barack Obama anteontem.

Panetta disse que uma potencial segunda rodada de cortes, estimada em torno de US$ 600 bilhões entre 2012 e 2021, seria "totalmente inaceitável". "Se isso acontecer, poderia deflagrar uma onda de perigosos cortes por atacado na defesa que causariam danos sérios à nossa segurança, aos nossos soldados e suas famílias e à nossa capacidade de proteger a nação", afirmou em uma mensagem a funcionários do Departamento da Defesa.

O secretário disse que irá trabalhar em conjunto com líderes do Congresso para "realizar os cortes de bom senso necessários para evitar esse mecanismo de sequestro". O almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, disse esperar que boa parte dos cortes caia sobre sistemas de armas que o Pentágono está desenvolvendo ou planejando comprar. "Creio que programas que apresentam maus resultados serão encerrados", disse Mullen.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TV ON LINE





ITÁLIA E GRÉCIA PREOCUPAM INVESTIDORES

03/08/2011 - 08:00 - TV BRASIL, REPÓRTER BRASIL MANHÃ
Já na Europa a preocupação é com Espanha e Itália. Os dois países estão no centro das atenções dos investidores que analisam a possibilidade de ajuda como aconteceu com a Grécia, Irlanda e Portugal.
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PROBLEMAS NA PRODUÇÃO INDUSTRIAL BRASILEIRA ESTÃO IDENTIFICADOS

03/08/2011 - 07:30 - GLOBO, BOM DIA BRASIL
O governo anunciou na terça-feira (2) medidas para aquecer alguns setores da indústria. Os fabricantes de calçados, móveis e confecções foram beneficiados. É uma reação contra o dragão chinês, que está inundando os mercados mundiais com produtos de preços muito baixos. Uma das medidas anunciadas é a desoneração, ou seja, a redução nos impostos que os empresários pagam. O custo de contratação dos trabalhadores, por exemplo, ficará menor.
* Rosina Bitter, empresária.
* Alfredo Bonduki, vice-pres. da assc. bras. de indústria têxtil.
* ROBSON DE ANDRADE, PRESIDENTE DA CNI.
* DILMA ROUSSEFF, presidente da República.
* Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
* dep. Duarte Nogueira PSDB-SP, presidente do partido.
* Fernando Pimentel, ministro do desenvolvimento.
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BANCO CENTRAL DETERMINA COBRANÇA DO IOF




02/08/2011 - 23:40 - SBT, JORNAL DO SBT (NOITE)
Quem usa o cartão de crédito para pagar conta de luz, telefone, academia ou condomínio terá que pagar um imposto sobre operações financeiras. O BANCO CENTRAL determinou que todos os bancos cobre o IOF.
* Rogério Barbacena, gerente de contas.
* Rogério Piscitelli, economista.
Âncora: Carlos Nascimento e Cynthia Benini
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BOLSA DE SÃO PAULO RECUOU 3% NO FINAL DA MANHÃ

13:00 - CANAL RURAL, RURAL MEIO DIA
A bolsa de valores de São Paulo chegou a recuar 3% no final da manhã e atingir a menor pontuação desde setembro de 2009.
Âncora: Nenhum âncora cadastrado.
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GAME OVER


Valor 03/08/2011
A derrocada das bolsas e a queda nas taxas de juros em âmbito global no pregão de ontem são um sinal claro de "game over" (fim de jogo): as esperanças quanto a um crescimento mais firme da economia mundial foram abandonadas.

E boa parte dessa percepção, que culminou na movimentação de ontem, pode ser creditada ao circo político americano envolvendo o teto do endividamento federal. Assunto banal que ganhou repercussão inimaginável (pensamos em "default" e rebaixamento de nota soberana americana!) dentro de uma dissociação política há tempos não vista nos Estados Unidos.

Conforme notou o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, toda essa discussão sobre o endividamento americano tirou da sombra o fato de que os EUA serão obrigados a fazer um ajuste em suas contas.

"Os políticos americanos trouxeram luz para um problema que não estava no foco. As atenções até então estavam voltadas à crise na Europa. Agora, cai a ficha de que a situação fiscal dos EUA não pode ficar como está 'ad eternum'", diz Folchini.

E essa necessidade de corte de gastos, como bem evidenciada pelas discussões e pelo projeto final sobre o teto da dívida, vai limitar as chances de crescimento da economia americana no curto prazo (curto prazo aqui são alguns anos).

O problema, segundo Folchini, é que esse ajuste fiscal se processará em cima de uma economia que já está bastante fragilizada. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre, bem como a atividade industrial e os gastos do consumidor confirmaram isso.

E essa mesma necessidade de ajuste limita o raio de ação do governo americano para tentar estimular a atividade. O lado fiscal está fora do baralho, sobra o Federal Reserve (Fed), banco central americano, com a emissão de mais dinheiro ainda. Embora a efetividade de tal estratégia seja questionável.

Segundo um estrategista que prefere não se identificar, o Fed sabe que se injetar ainda mais liquidez nos mercados pode ver o preço das commodities, em especial do petróleo, voltar a disparar. "O Fed já viu isso acontecer e corroer o crescimento que se desenhava no começo do ano", disse.

Soma-se ao fator americano, a crise na Europa, onde a necessidade de se equalizar dívida também representa uma barreira ao crescimento.

Para esse mesmo estrategista é questão de dias até a dívida da Itália explodir. Já foi dito, mas não custa repetir: o país tem de rolar € 115 bilhões em agosto e setembro. No quarto final do ano vencem outros € 67,5 bilhões.

Temperando todo esse noticiário triste sobre as economias dos EUA e Europa estão anúncios e mais anúncios de demissões. Recentemente, mais de 20 grandes empresas, como HSBC, Merck e Lockheed Martin anunciaram cortes. Por cima, mais de 80 mil postos de trabalho foram eliminados.

Como os pacotes de estímulo tentados até agora não tem mostrado eficiência, esse estrategista aponta que os mercados estão "à deriva".

Para esse especialista, estamos assistindo a uma ruptura, uma mudança estrutural.

"Talvez tenhamos de aceitar esse ajuste e entrar em uma nova situação econômica. Os EUA terão de reinventar sua economia. Eles terão de crescer sem consumo e alavancagem", diz.

Essa percepção de menor crescimento e, consequentemente, juros baixos "para sempre" apareceu primeiro no mercado de juros. A taxa de retorno do papel de 10 anos da dívida americana caiu a 2,61%, menor leitura desde meados de novembro do ano passado. As taxas dos títulos de dois e 30 anos também afundaram.

Por aqui, os juros futuro seguiram tal movimento, como bem mostra o gráfico abaixo, que traz o contrato para janeiro de 2013.

A propósito, tudo isso reforça a ideia de que a Selic deve mesmo ficar em 12,50% ao ano.

Eduardo Campos é repórter

E-mail eduardo.campos@valor.com.br

Câmbio flutuante amortece turbulências, diz Tombini


Valor 03/08/2011

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vê no sistema de câmbio flutuante um amortecedor dos custos de adaptação a turbulências externas que poderão atingir o Brasil. No evento "Cenário para investimento de médio prazo no Brasil", realizado na BM&FBovespa, que marcou o pré-lançamento do novo portal do Valor, ele citou a flutuação cambial como um aliado importante no ambiente de incertezas que poderão advir do "adiamento do prazo de normalização das condições financeiras globais".

Com isso, o BC parece sinalizar que, apesar das recentes medidas tomadas para combater a especulação com o real no mercado de derivativos por capitais de curto prazo, a instituição não apostará sua reputação para sustentar uma cotação artificial da moeda. A ação do BC tentará estabelecer a difícil separação entre o que é uma tendência inexorável de valorização do real ao longo do tempo e o que é efeito de jogadas especulativas, cujos efeitos caminham na mesma direção da apreciação do real.

Tombini vê "maior dramaticidade em algumas áreas" no cenário externo, fonte de potenciais contratempos. Na zona do euro, as medidas tomadas para enfrentar a crise da dívida soberana não parecem ter sido suficientes para debelar expectativas fortemente negativas.

Nos EUA, a economia mostra uma "sistemática perda de dinamismo" ao mesmo tempo em que há o "esgotamento da margem de manobra da política fiscal" e a decorrente "perda de possibilidade de novos impulsos fiscais", como ficou demonstrado pelo impasse sobre a elevação do teto da dívida pública no Congresso americano. A consequência imediata dessas crises será "o baixo crescimento da economia global pelos próximos anos".

Para a economia brasileira, essas crises trazem desafios. Nesse cenário, segundo Tombini, o real é agora uma opção tanto para alocação de recursos como para diversificação de riscos. O Brasil se tornou "um polo de atração de capitais de todos os tipos, dos investimentos de longo prazo aos especulativos de curto prazo".

A intensidade da valorização da moeda brasileira, inevitável no caso, é outro assunto, que comporta medidas da autoridade monetária. "Não sejamos ingênuos", advertiu. "Há pressões de posições alavancadas que podem colocar em risco o sistema financeiro". A aposta do mercado em uma direção é sempre uma fonte de perigos.

Tombini desenhou um quadro de instabilidade à frente para mostrar que agora, como em 2008, o câmbio pode se tornar volátil e suscetível de rápidas desvalorizações, com poder destrutivo sobre bancos, empresas e seus acionistas. "Não podemos nos descuidar. Precisamos ficar vigilantes, tomando medidas tempestivamente", disse.

Tombini também afirmou que, se houver uma deterioração no exterior, as medidas preventivas adotadas em 2008 e que já foram desativadas poderão ser rapidamente reintroduzidas.

BC vê "impacto máximo" sobre inflação no 4º tri

A queda da inflação e sua trajetória de convergência para a meta ficarão mais evidentes no último trimestre do ano, quando as medidas já tomadas pelo Banco Central terão seu "impacto máximo", previu ontem o presidente do BC, Alexandre Tombini. Em um discurso mais tranquilo em relação ao rumo da inflação do que o adotado por parte do mercado, o presidente do BC mostrou que já há sinais de que a inflação corrente, assim como as expectativas, começam a ceder, o que permitirá que o IPCA convirja para o centro da meta, de 4,5%, em 2012.

Em seu discurso, o BC reiterou, portanto, que não mudou sua estratégia e continua esperando que o recuo da inflação para o centro da meta ocorra no ano que vem. Com isso, corrigiu a interpretação feita pelo mercado, a partir da leitura da última ata do Copom, de que o novo horizonte da política monetária seria 2013. Isso porque o documento omitiu o "compromisso" do BC em fazer com que o IPCA caminhe para o alvo em 2012. Temendo um BC mais "leniente" com a inflação, a curva de juros futuros chegou a reagir - os contratos mais longos subiram, como reflexo do entendimento de que uma atitude menos rigorosa com a inflação no curto prazo poderia forçar o Copom a subir a taxa Selic mais à frente.

Ontem, Tombini ajustou essa leitura ao garantir que o BC está pronto para agir caso haja seja necessário - ou seja, se houver riscos de o IPCA em 2012 "escapar" dos 4,5% perseguidos. Porém, o cenário apresentado por ele é muito mais tranquilo em relação ao comportamento dos preços do que parte do mercado está enxergando. "A inflação já está em trajetória declinante. Mas o BC continua vigilante e não hesitará em adotar medidas, se necessário, para garantir a convergência da inflação ao centro da meta em 2012."

Tombini enfatizou, entretanto, que há sinais de que tanto a inflação corrente quando as expectativas de inflação começam a ceder, como consequência das ações de ajuste monetário adotadas ao longo dos últimos sete meses, período em que o BC teve de agir para combater pesadas pressões de inflação. "Esse processo (as medidas de aperto monetário) já vem assentando as bases para que a inflação convirja para o centro da meta em 2012", afirmou.

"A inflação acumulada nos últimos três meses de 2011 será significativamente menor do que em igual período de 2010. E o mesmo ocorrerá no primeiro trimestre de 2012 em relação a igual período de 2011, também caracterizado por uma inflação mensal bastante dramática", previu.

Além disso, disse, a média mensal da inflação projetada pelo mercado para o segundo semestre de 2011 "é compatível com o centro da meta de inflação". E, segundo ele, essa trajetória ficará mais evidente no quarto trimestre de 2011. É nesse período em que o ajuste das condições monetárias adotadas terão impacto máximo sobre a economia brasileira", afirmou.

Os riscos apontados por Tombini estão concentrados no cenário internacional. "Desde o início do ano, o BC tem lidado com a complexidade do cenário econômico internacional. No entanto, os acontecimentos observados nas últimas semanas se mostraram ainda mais complexos", afirmou, citando a crise da dívida na zona do euro, cujo processo de acomodação será "longo e sujeito a contratempos", e a economia americana, que vive processo sistemático de perda de dinamismo e redução da expectativa de crescimento, além de um nítido esgotamento do grau de manobra da política fiscal.

"Tudo indica que, qualquer que seja a solução do impasse, e assim se encaminha para que haja uma solução, a economia americana não só perderá a possibilidade de novos impulsos fiscais como terá que viver com o fim dos hoje existentes. Isso deve afetar a expectativa de crescimento da maior economia do mundo nos próximos anos".

Distorções

Por Antonio Delfim Netto FSP 03/08

Analistas que se pensam portadores da "verdadeira" teoria econômica fizeram duras críticas às medidas complementares que, em legítima defesa, foram anunciadas pelo ministro da Fazenda.
Ninguém discute que seu uso precisa de moderação, porque tem larga influência na economia. As críticas mais ferozes, entretanto, foram fundadas numa proposição absolutamente infundada: que a liberdade de movimento de capitais está implícita na natureza das coisas, como as "vantagens comparativas".
Por que infundada? Porque, em primeiro lugar, com relação ao comércio de bens, a teoria das vantagens comparativas é pouco mais do que uma relação aritmética engenhosa, verdadeira por definição. Em segundo lugar, porque a sua extensão ao movimento de capitais é apenas mais uma das analogias despropositadas com frequência negadas empiricamente.
Basta dizer que uma de suas conclusões é que elas fluiriam para seu uso mais produtivo, como investimento físico, para os países com maior taxa de retorno físico, maximizando, assim, a taxa de crescimento mundial! Trata-se de pura teologia com chance de tornar-se "ciência" somente num mundo habitado por anjos...
O que revela a ampla, geral e irrestrita liberdade de movimento dos capitais? Apenas que ela, devido à flutuação do comportamento dos intermediários financeiros internacionais e da sua tendência à imitação e ao comportamento de "manada", cria movimentos destrutivos de "euforia" e "depressão" que perturbam as economias que, por motivos reais ou imaginários, escolhe como "bolas da vez".
Compromete a sua política monetária e retira da taxa de câmbio o papel decisivo de "preço relativo" que mantém em equilíbrio o balanço em conta-corrente. Até o FMI reconheceu isso, surpreendido pela crise de 2007-09.
São fatos claramente confirmados pela crise asiática de 1997-98 e, agora, no Brasil e em outros emergentes. Estes tornaram-se refúgio de incansáveis e espertos capitais bucaneiros sempre à procura de maior lucro financeiro. Retorno de qualquer natureza, menos o produzido pelo efetivo investimento direto que aumenta a oferta de bens e produtos, os únicos que realmente interessam aos emergentes.
Há dois sistemas financeiros: 1) o que está a serviço do processo produtivo de bens e serviços e é indispensável para o desenvolvimento econômico e 2) o que é um fim em si mesmo, controla o poder político dos Estados nacionais e, mais dia, menos dia, interrompe o "circuito econômico".
Não deixa de ser curioso ouvir que as medidas tomadas "causam distorções". Distorções em relação a quê? Ao sistema financeiro das "inovações", que se transformou em arma de destruição em massa?

ANTONIO DELFIM NETTO

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Produção de petróleo aumentou 3,2% em junho em relação a maio


Fonte: Assessoria de Imprensa da ANP - (21) 2112 8333 - imprensa@anp.gov.br

Houve aumento de aproximadamente 3,2% na produção de petróleo no Brasil em junho de 2011 na comparação com maio e de 4,2% em relação a junho de 2010. A produção de gás natural aumentou em torno de 6,9% se comparada ao mesmo mês em 2010 e 0,9% frente a maio de 2011. A produção de petróleo no Brasil, em junho de 2011, foi de aproximadamente 2,137 milhões de barris/dia e a de gás natural, de 67,3 milhões de metros cúbicos/dia, totalizando em torno de 2,560 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), o que ultrapassa os 2,491 milhões de boe/dia registrados em maio.

Em junho de 2011, 307 concessões operadas por 25 empresas foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 82 são concessões marítimas e 225 são terrestres. Das 307 concessões, 10 encontram-se em atividades exploratórias e produziram através de Testes de Longa Duração (TLD), e outras 11 são de campos licitados contendo acumulações marginais. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 23,8°. Essas informações fazem parte do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural referente a junho de 2011, que a ANP divulga em sua página na internet.

Pré-sal
O poço 9BRSA716RJS, do campo de Lula, figura pela segunda vez consecutiva como o poço de maior produção de petróleo. Com produção de 28,5 Mbbl/d, o poço produziu mais do que o campo de Carmópolis, campo terrestre com maior produção de petróleo e que produziu por meio de 1062 poços.

A produção do pré-sal aumentou 1,3% em junho de 2011 em comparação ao mês anterior. Foram produzidos 129,6 mil barris por dia de petróleo e 3,9 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 154,2 mil boe/dia. Esse volume foi extraído de sete poços: 6BRSA639ESS, em Jubarte, 9BRSA716RJS e 3BRSA755ARJS, em Lula, 6BRSA806RJS em Caratinga e Barracuda, 6BRSA770DRJS, em Marlim e Voador, 6BRSA817RJS em Marlim Leste e 1BRSA594SPS no TLD-BM-S-9.

Campos produtores
O campo de Peregrino, operado pela Statoil, após três meses do início da produção, já figura entre os 20 maiores campos produtores de petróleo. Dos 20 maiores campos produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, três são operados por empresas estrangeiras (Frade/Chevron, Ostra/Shell e Peregrino/Statoil). Em torno de 91,5% da produção de petróleo e 74,4% do gás natural foram extraídos de campos marítimos.

Os campos terrestres Rio do Urucu e Leste do Urucu, ambos localizados na Bacia de Solimões, ocuparam a primeira e a segunda posição, respectivamente, no ranking de maiores produtores de gás natural, e também figuram entre os 20 maiores produtores em barris de óleo equivalente.

Seis poços terrestres, sendo cinco do campo de Rio Urucu e um do campo Leste de Urucu, estão na relação dos 30 poços com maior produção de gás natural.

Bacia de Santos
A Bacia de Santos manteve em junho a posição de segunda maior produtora, conquistada em maio deste ano, ultrapassando Solimões e Espírito Santo. O volume produzido na Bacia de Santos, que era de 86 mil boe/dia em abril, passou para 130 mil boe/dia em maio e chegou a 134 mil boe/dia em junho.

Bacias maduras terrestres
A produção das bacias maduras terrestres (campos e TLDs nas Bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Sergipe e Alagoas) foi de 179,4 mil boe/dia. Deste total, 3,1 mil boe/dia foram produzidos por concessões não operadas pela Petrobras.



Plataformas
A P-52, localizada no campo de Roncador, produziu aproximadamente 136,8 mil boe/dia e foi a plataforma com maior produção.

Queima de gás
Houve redução de 22,8% na queima de gás natural em junho de 2011, em comparação ao mesmo mês em 2010. Em relação a maio de 2011, houve aumento de 11,7%. Os principais motivos para o aumento foram a retomada da produção do teste de longa duração (TLD) do bloco SOL-T-171, na Bacia do Solimões, e problemas no sistema de compressão da plataforma P-50, no campo de Albacora Leste. Do volume total de gás natural queimado, 81,4% são oriundos de campos na fase de produção e 18,6% de TLDs da fase de exploração. Considerando-se apenas as concessões na fase de produção, o aproveitamento de gás natural no mês foi de 94,5%.

Indústria global perto da estagnação


Valor - 02/08
A produção industrial global está próxima da estagnação, confirmando que a desaceleração na economia mundial é mais forte e ampla, e não só momentânea.

Ao mesmo tempo, cresce o sentimento no mercado de que o aperto fiscal nos Estados Unidos e na Europa vai entravar a economia internacional por vários anos, afetando o comércio internacional, os mercados de ações, os preços de commodities industriais e mantendo as taxas de juros baixas por mais tempo do que se previa.

O índice JPMorgan Global Manufacturing PMI, publicado pela consultoria britânica Markit, mostrou ontem que a produção industrial piorou em todas as grandes economias, com exceção do Japão. Para analistas, a maior surpresa foi o tamanho da desaceleração do índice dos EUA, que agora está no mais baixo nivel desde que a recessão americana acabou. Isso dificulta uma reação à expansão fraca do PIB no segundo trimestre.

Nos 17 países da zona do euro, a freada no crescimento da produção industrial é atribuída principalmente à Alemanha e à França, confirmando que os motores da economia europeia não estão mais imunes aos problemas da periferia. A produção na Espanha voltou a cair, sem surpresa, mas agravando o temor com o futuro do país.

Também nos emergentes a produção industrial desacelerou em julho. Na China, os dados foram melhores que as estimativas do mercado e reforçam o sentimento de que a segunda maior economia do mundo terá mesmo um pouso suave e não uma queda brusca, como temiam alguns economistas. Igualmente confirmou-se retração no Brasil, na Índia e na Rússia.

O Japão foi a única grande economia com crescimento mais sólido, mas sua produção industrial continua 5% abaixo do nível de antes do terremoto e do tsunami.

A desaceleração da economia global foi atribuída inicialmente a dois choques de oferta: primeiro, a alta nos preços do petróleo no rastro das turbulências políticas no Oriente Médio; e depois a interrupção na cadeia de suprimento causada pelo tsunami no Japão.

O impacto dos choques se atenuou no início deste segundo semestre e a atividade pode até subir um pouco. Mas todos os indicadores apontam para uma demanda do consumidor persistentemente fraca, com o desemprego alto na Europa e nos EUA e problemas no setor imobiliário americano.

Agora, dois outros fatores podem amortecer a demanda no médio prazo. Primeiro é a consolidação fiscal deflagrada este ano e que deve se intensificar em 2012. A expectativa é que, com as medidas bilionárias de estímulo expirando, a política nos EUA se tornará mais restritiva.

Segundo: boa parte dos analistas continua vendo sério risco de mais choques financeiros. Existe ainda a forte probabilidade de rebaixamento no rating de crédito dos EUA, mas sobretudo a crise da dívida soberana na zona do euro pode voltar com força.

Os mercados receberam o acordo político sobre o teto da dívida nos EUA primeiro com alívio e depois com ceticismo. O sentimento é que o rating de crédito da maior economia do mundo poderá ser rebaixado, já que o corte proposto no déficit não será suficiente para realmente combater o problema.

No entanto, a expectativa é que, mesmo se os EUA perderem o rating AAA, os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos já caíram muito e ficarão por volta de 2,5% ao final do ano. E o dólar é visto com perspectivas menos ruins que o euro. Já em relação ao franco suíço, o dólar caiu de novo ontem a um nível muito baixo. A moeda suíça, vista como refúgio seguro, valorizou 33% frente ao dólar e 22% frente ao euro em 12 meses.

Nos EUA, em todo caso, os dados apontam para uma queda importante nos ganhos das empresas este ano. No primeiro trimestre, o lucro foi superior a média de 11,8% que vem desde os anos 1960. Mas o desemprego por volta de 9% da população ativa reduz as perspectivas de mais negócios.

Na zona do euro, persiste o temor de que Espanha e Itália sejam mais afetados pela crise da dívida soberana. O modesto crescimento da região pode afetar mais a recuperação global em 2012 e 2013. A alta da inflação global, que preocupava os bancos centrais, poderá ser revertida assim que os preços de commodities se estabilizarem ou até caírem.

A taxa de desemprego na zona do euro sinaliza que o mercado de trabalho está enfraquecendo e que a economia europeia se desacelera. A taxa permaneceu em 9,9% da população ativa, estável há quatro meses, conforme dados anunciados ontem. Há 15,6 milhões de desempregados nos 17 países da zona do euro, 18 mil a mais em junho do que no mês anterior.

Levando em conta que o Índice de Gerente de Compras (PMI, em inglês) para emprego caiu em junho e julho, a conclusão é que as contratações estão diminuindo. Além disso, uma redução no emprego no setor privado deverá ser exacerbada pelos cortes de vagas no setor público em vários países.

TV ON LINE






ENXURRADA DE DÓLARES NO BRASIL
01/08/2011 - 23:30 - GLOBO, JORNAL DA GLOBO
E a insegurança sobre a economia americana também traz reflexos aqui para o Brasil, um deles é a enxurrada de dólares.
* Luiz Otávio Leal, economista.
* Luís Paulo, economista.
Âncora: William Waack e Cristiane Pellajo
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


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COMENTÁRIO DE JOELMIR BETING SOBRE MERCADO FINANCEIRO
01/08/2011 - 19:20 - BANDEIRANTES, JORNAL DA BAND
O comentarista Joelmir Beting fala sobre o mercado financeiro.
Âncora: Joelmir Beting
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.
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TOMBINI: BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR CRISES
01/08/2011 - 18:00 - GLOBO NEWS, EDIÇÃO DAS SEIS
O presidente do BANCO CENTRAL, ALEXANDRE TOMBINI, disse que o Brasil está pronto para enfrentar uma possível crise internacional. Ele falou para empresários de Minas Gerais e garantiu que a autoridade monetária vai defender as indústrias brasileiras da concorrência desleal.
* ALEXANDRE TOMBINI, presidente do BANCO CENTRAL.
Âncora: Leilane Neubarth
Repórter: Nenhum repórter cadastrado.


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Irracionalidade econômica e racionalidade política


Por Delfim Netto - Valor 02/08

O cabo de guerra que se instalou nos Estados Unidos entre o Executivo (dominado pelos democratas) e o Legislativo (dominado pelos republicanos) para a aprovação do aumento do endividamento público é um jogo político de alto risco, mas com altíssimo prêmio: o resultado da eleição presidencial de 2012. Não parece, entretanto, que o "mercado" da dívida pública americana tenha lhe dado até aqui maior importância, o que não se pode dizer dos mercados mais especulativos que vivem das incertezas que geram volatilidade. Isso se prova pelo fato que, semanalmente, o Tesouro americano vende, em média, qualquer coisa parecida com US$ 80 bilhões de papéis com vencimento de 30 dias (35%), de um ano (25%), e de dois anos (40%). No último leilão semanal, de 26/7, vendeu US$ 73 bilhões com as características apresentadas na tabela abaixo.

A demanda global dos papéis de vencimento em 30 dias, com relação ao nível de corte do Fed, foi de 5,3 vezes (para cada US$ 1 bilhão vendidos apresentaram-se potenciais compradores de US$ 5,3 bilhões). Nas quatro semanas de julho o Fed vendeu US$ 102 bilhões de papéis com vencimento de 30 dias. As demandas sempre foram mais do que 4,5 vezes o montante vendido, com taxa de juro media inferior a 0,06%. No mesmo mês, o Fed colocou mais de US$ 330 bilhões de papéis com vencimentos entre 30 e 720 dias (contra uma demanda superior a US$ 1,2 trilhão) com suas respectivas taxas de juros praticamente inalteradas.

Esses números não parecem revelar qualquer angústia maior do "mercado" da dívida pública com a possibilidade de um "default". Talvez porque esse seria o primeiro da gloriosa história da dívida interna americana desde que Hamilton, inteligentemente, decidiu honrar as dívidas das colônias após a conquista da independência. Não foi sem razão que o dólar transformou-se, depois da Segunda Guerra, na unidade de conta com poder liberatório e reserva de valor universais, e que os papéis do Tesouro dos EUA são a única aplicação com risco nulo. Isso ajuda a explicar porque a economia americana transformou-se no que é.

Essa é a maior demonstração que não se trata de um problema sobre a capacidade ou a eventual incapacidade de os EUA honrarem a sua dívida ou de continuarem a encontrar compradores para seus papéis a taxa de juros praticamente nula (de fato negativas). O Tesouro americano não enfrenta questão de solvência e, por definição (porque emitem a moeda de poder liberatório universal), muito menos de liquidez!

O único problema do Tesouro americano é o estabelecimento de um teto legal de endividamento nominal, que já foi alterado muitas vezes quando preciso. Em condições normais de pressão e temperatura isso tem sido feito sem grande celeuma, uma vez que o teto é corroído pelo próprio processo inflacionário e pelo crescimento do Produto Interno Bruto, o que mostra a irracionalidade institucional.

Irracionalidade? Muito pelo contrário! É apenas mais uma das medidas "racionais" do Congresso americano para controlar o Poder Executivo. O risco é que em condições especiais: 1) quase equilíbrio entre a representação republicana e democrática no Congresso; 2) uma situação de crise econômica muito mal resolvida; 3) uma política econômica fortemente contestada porque protegeu Wall Street à custa da Main Street; e 4) às vésperas de uma eleição presidencial, esse poder - por pura ignorância das consequências - tornar-se uma arma de destruição em massa.

Quando o poder está em jogo, a irracionalidade econômica pode ter racionalidade política e a insensatez tem sua chance! Mas, felizmente, ainda não foi agora que aconteceu.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

O câmbio e suas controvérsias




Por Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Valor 02/08/2011

Entregue às expectativas (como diria?) benfazejas dos mercados, nosso real prosseguiria - se é que não vai prosseguir - em sua trajetória de valorização diante do dólar e de outras moedas. A moeda americana dobra os joelhos sob o peso das injeções de liquidez inoculadas pelo Federal Reserve (para não falar das incertezas desatadas pelo acordo precário celebrado entre democratas e republicanos para encaminhar a elevação do teto da dívida). Desaçaimados em sua incessante busca de rendimentos, entre crispações e redemoinhos, os gestores de portfólios globais aprestaram-se a rearranjar suas carteiras de ativos. No rol dos preferidos, aqueles denominados pela moeda brasileira.

Na semana passada, o governo reagiu de forma mais contundente às ameaças de novas rodadas de valorização da moeda nativa. Como de hábito, em sua caducidade tediosa, renovou-se a discussão sobre a efetividade das intervenções no mercado de câmbio spot e futuros. Desde a desditosa aventura do câmbio semi-fixo dos anos 90, a opinião dos mercados sobre o câmbio reproduz os mesmos argumentos, tão acerbos quanto monótonos. Prodigiosas e religiosas teorias levaram a finança global ao colapso. Mas os autores da façanha não se vergaram ao peso do fracasso. Muito ao contrário. Com fé redobrada, os crentes devotam-se a afastar seus acabrunhamentos. Nessa quadra da vida e nesse espaço do mundo, reconfortam suas certezas com abluções agônicas na liquidez produzida abundantemente pelo Quantitative Easing do dr Bernanke.

Não julgue mal o leitor: os operadores dos mercados de câmbio são obrigados a se refestelar na arbitragem financeira e na especulação de mão única. Contritos em sua crença na infalibilidade dos mercados, os fiéis tomam, sim, decisões racionais no âmbito microeconômico. A racionalidade microeconômica, é verdade, só realiza seus desígnios enquanto mergulhada no "consenso altista" que induz os protagonistas privados a acreditar na valorização continuada da taxa de câmbio. Diria um keynesiano de boa cepa que no mercado de câmbio brasileiro as expectativas altistas são largamente predominantes.

Os servos da Razão engordam seus cabedais à sombra da cumplicidade da consciência ingênua incumbida de desempenhar uma dupla função: a de "naturalizar" o fenômeno da valorização cambial e, melhor ainda, a de suportar os efeitos de uma eventual "parada súbita", sempre acompanhada das desventuras da desvalorização violenta.

As consequências são conhecidas, mas quase sempre ignoradas: os fluxos de financiamento externo dos últimos dois anos e meio constituíram um alentado passivo bruto em moeda estrangeira. Esse passivo - direitos denominados em moeda estrangeira sobre a riqueza e a renda gerada no Brasil - se distribuem entre aplicações de portfólio, empréstimos intercompanhias e endividamento dos bancos e das empresas. Os descuidos da macroeconomia da poupança e do investimento, sem bancos nem finança, ocultam as transformações impostas pelos fluxos de capitais à composição dos balanços das instituições financeiras e das empresas.

As alterações nascem e se multiplicam nos períodos em que o crédito externo fácil e barato faz aliança com uma taxa de juro apetitosa. Salvo nos casos raros de hedge perfeito, não há como neutralizar os efeitos de uma desvalorização mais forte do real nos balanços contaminados pelo "descasamento de moedas". Os surtos eufóricos de liquidez fácil e de endividamento externo - acompanhado de elevação dos preços dos ativos (inclusive do câmbio) - são seguidos de "crises de confiança" e ajustamentos recessivos. Infelizmente, os movimentos de capitais são e sempre foram pró-cíclicos, para desgosto dos que acreditam em Papai Noel ou em modelos mais tolos do que inúteis.

Enquanto seu lobo não vem, as exportações brasileiras de manufaturados se debilita rapidamente. A derrocada exportadora faz parceria com a invasão das importações de produtos manufaturados, prenhes de incentivos e subsídios oferecidos generosamente pelos competidores espertos. Sob as delícias do câmbio valorizado cresce a ameaça da peste holandesa que promete transformar a economia urbano-industrial brasileira em escombros.

Do outro lado do mundo, graças a estratégias eficazes, os chineses não só crescem acima da média mundial, como ainda sustentam o crescimento com o dinamismo das exportações e uma elevada taxa de investimento. O yuan está na alça de mira dos capitais nervosos, mas sofreu lenta valorização nos últimos doze meses, protegido pelas intervenções do Peoples Bank of China que não só compra agressivamente divisas como exerce um efetivo controle e direcionamento quantitativo do crédito. Como demonstra o economista Patrick Artus, as autoridades chinesas conseguem ultrapassar de forma original as contradições entre o movimentação de capitais, a taxa de câmbio administrada e a independência da política monetária.

Eles colhem altas taxas de investimento na indústria e na infraestrutura e rápida escalada no gradiente do horizonte tecnológico. No caso da China, a política de defesa do yuan e a oferta ilimitada de mão de obra barata se juntam para esfolar o que resta das estruturas industriais nos parceiros/concorrentes incautos e desavisados da periferia.

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp

Explica mas...


Delfim Netto
Carta Capital

Por que os governantes permitiram que os Estados Unidos chegassem ao limite de endividamento, na iminência de suspender pagamentos?

Há várias respostas, mas, em síntese-, o que acontece é que, infelizmente, o presidente Obama não conseguiu recuperar a confiança da sociedade americana com as medidas que tomou para enfrentar o estrago que a crise financeira produziu na vida das pessoas e das empresas. Os democratas receberam o país das mãos dos republicanos já com as finanças públicas comprometidas e um elevado nível de desemprego, mas com um capital de esperança inspirado na principal mensagem de Obama na campanha eleitoral, o “eu posso, nós podemos”, que prometia uma revolução. No entanto, ele falhou.
Falhou desde o início, ao se assessorar mal politicamente e na escolha de uma equipe econômica muito ruim, que o levou a uma série de decisões equivocadas. Tenho sido cobrado pelo uso de uma expressão, digamos, demodée, chula. Mas não consigo me lembrar de outra mais adequada para explicar o grande equívoco de Obama e sua equipe: eles cuidaram de salvar os “patifes” que tinham produzido a crise e deixaram de lado os trabalhadores que tinham perdido o emprego por causa da crise.
O desdobramento foi a queda de confiança na capacidade de sua administração de enfrentar as consequências que o desastre financeiro estava produzindo nos níveis de emprego dos trabalhadores e na saúde das empresas. Incompetência que ainda mantém desempregados 15 milhões de trabalhadores americanos, que antes da crise ganhavam a vida honestamente.
A perda da confiança foi de tal ordem que hoje as empresas não financeiras nos Estados Unidos têm 2 trilhões de dólares em caixa e não investem, porque não enxergam num futuro próximo crescimento de demanda para seus produtos. O setor produtivo da economia não recebeu sinais amigáveis no início do governo e, na falta de estímulos críveis, segura o investimento porque não vê, por enquanto, melhora na confiança do consumidor, que teme o desemprego.
Apesar do enorme volume de recursos públicos injetado na economia, eles não funcionaram na direção correta de reanimar os setores produtivos: a economia não logrou emitir os sinais de recuperação que permitissem a retomada da confiança nas ações do governo. O gasto público continuou crescendo velozmente, a partir de uma base já bastante elevada deixada das administrações anteriores, com o nível do déficit atingindo a fronteira legal, digamos, para permitir ao governo honrar todos os seus compromissos. Obama deixou a porta aberta para os republicanos prepararem o troco aos democratas em 2012, nas eleições para a presidência, tornando a questão de pagar ou não pagar um problema político crucial.
O cabo de guerra entre republicanos e democratas que estamos assistindo no Congresso americano tem como objetivo definir quem chega mais bem fantasiado na festa eleitoral do ano que vem. Os republicanos estão se esforçando para passar o esmeril em Obama, exigindo, com precisão cirúrgica, cortes de despesas em cima daqueles programas de construção da sociedade de bem-estar que ele prometia rea-lizar na Presidência dos EUA. Obama precisará de alguma coisa mais que bons argumentos de defesa para explicar o fracasso de seus programas durante a campanha da reeleição que pretende disputar pelo partido democrata.
A situação não é nada confortável para os democratas, premidos pelo calendário e sabendo que não podem recusar o corte de alguns trilhões de dólares nos gastos públicos e a amputação de seus programas sociais. Resta a possibilidade única de direcionar a trajetória para outros programas e tentar o equilíbrio mediante aumento da arrecadação de tributos, coisa nada palatável mesmo se o contribuinte-alvo da nova alíquota do imposto estiver no patamar mais alto da renda (que nem por isso exclui os democratas).
Neste instante, há uma concentração do interesse político no calendário eleitoral, com os republicanos na dianteira dispostos a aplicar “lixa grossa” no Obama até a terça-feira 2 de agosto. Depois, é tratar de reunir os cacos.
Apesar de os EUA já terem, em outras ocasiões da sua história, atrasado contas e diferido pagamentos, ainda tenho dúvidas, neste momento (quarta-feira 27) se eles (mesmo com o radicalismo do Tea Party) cometeriam a loucura de promover um default que envolveria alguns dos próprios Estados americanos num verdadeiro furacão e provocaria traumas globais pré-datados…

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SONHANDO ALTO II



Petrobras pode ser a maior do mundo, afirma José Sergio Gabrielli

Agencia Estado



O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira (1.º) que a empresa pode se tornar a maior produtora de petróleo do mundo no futuro. Ele destacou que a estatal está crescendo mais rápido do que as estrangeiras, como Shell, Chevron, Gazprom, Eni, Total, entre outras citadas.

O executivo citou a possibilidade de a Petrobras superar o tamanho das concorrentes entre 2016 e 2017, dependendo da velocidade do aumento da produção. "Nós temos os recursos para isso; possuímos entre 30 bilhões e 40 bilhões de barris em reservas para desenvolver hoje, não amanhã", disse Gabrielli, em entrevista à imprensa em Londres.

O executivo não quis dar detalhes sobre a estratégia de desinvestimentos de US$ 13,6 bilhões em ativos prevista no novo plano anunciado na semana passada. Gabrielli reiterou que as iniciativas podem passar por farm-out (venda em bloco de ativos de petróleo em áreas exploratórias), venda de participações em empresas onde a Petrobras está e também uma melhoria na gestão de capital de giro.

Questionado se poderia haver venda de ativos de distribuição de gás, ele respondeu: "Não vou falar sobre detalhes". Gabrielli disse que irá otimizar a atividade internacional da companhia. A ideia é buscar complementaridade com as áreas da empresa, como Golfo do México. Entretanto, não existe o objetivo de fazer aquisições em países onde a estatal ainda não está, "a não ser que apareça uma grande oportunidade".
Captações

A Petrobras poderá testar captações em euro ou em libra, segundo o diretor Financeiro da empresa, Almir Barbassa. Ele reiterou que os recursos para financiamento nos próximos anos serão levantados no mercado de dívida, sem nova emissão de ações. "O mercado de capitais internacional é a nossa maior fonte para recursos de captação", disse, em entrevista à imprensa, em Londres.Barbassa lembrou que a Petrobras não vem acessando captações em euros ou libras recentemente. "Podemos olhar", disse.

Conforme o executivo, a empresa precisará levantar entre US$ 7 bilhões e US$ 12 bilhões por ano no mercado para financiamento. Os dois participaram, na manhã desta segunda, de apresentação a investidores em Londres.

Fechado acordo da dívida dos EUA

Valor 1/08 - Imagem CNN


Dois dias antes do vencimento do prazo para um possível default do governo americano e depois de um fim de semana de negociações frenéticas, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama e líderes do Congresso chegaram a um acordo, ontem à noite, que prevê a extensão do teto da dívida e, simultaneamente, cortes nas despesas, além de novas medidas para redução do déficit público. Ao anunciar o resultado das tratativas entre líderes dos Democratas e dos Republicanos, Obama disse que os termos do entendimento não eram o que ele desejava, mas que o arranjo impediria que houvesse um calote e que vai acabar com a crise que Washington impôs ao país.

Separadamente, o presidente da Câmara, o republicano John Boehner disse a membros do seu partido que tinha se chegado à moldura do acordo, que ainda precisa ser aprovado pelas duas casas do Congresso. O pacto aumentaria o teto de endividamento em US$ 2,4 trilhões em três etapas e traria inicialmente cerca de US$ 900 bilhões em cortes de gastos ao longo de dez anos.

Espera-se uma reação favorável dos mercados financeiros, ao menos a curto prazo já que persistem dúvidas sobre o estado da economia americana e sobre a extensão da crise na Europa. Ontem, às 22:30 horas (horário de Brasília), a Bolsa de Tóquio estava em alta.

"The debt ceiling deal struck by the nation's top lawmakers includes $350 billion in cuts to the defense budget over the next decade, according to the White House."

Ainda de acordo com a Casa Branca o corte atinge o Pentágono em 350 bilhões ao longo da próxima década.

Zona do euro desacelera e BCE deve adiar alta de juros


Valor 01/08

Uma nova alta de juros na zona euro poderá ser retardada por um bom tempo, diante de novos sinais de desaceleração da atividade econômica se propagando na região, o sentimento negativo de empresas e consumidores e a preocupação com a Itália e a Espanha.

O principal evento esta semana será a reunião do Banco Central Europeu (BCE). Em julho, ao insistir na importância de monitorar "muito de perto" os riscos para a estabilidade de preços, o presidente Jean-Claude Trichet deu a entender que a alta de 25 pontos básicos, para 1,5%, não era necessariamente a ultima este ano. A expectativa no mercado é de que Trichet provavelmente manterá sua opção aberta sobre elevação dos juros no médio prazo. Mas, na prática, isso agora não mais ocorrerá este ano.

De um lado, a atividade econômica está desacelerando agora também nas economias mais importantes. A Alemanha está sofrendo com menos exportações e claros sinais de que a demanda global está diminuindo. O anúncio esta semana dos dados da produção industrial tendem a mostrar que a forte recuperação manufatureira da maior economia da Europa está perdendo fôlego.

Grandes companhias europeias alertam que suas perspectivas de negócios estão piorando, num cenário de temores sobre o impacto da crise da dívida soberana e menos comércio global. Os resultados de grandes empresas no segundo trimestre reiteram essa mensagem de deterioração na demanda, preços de matérias-primas em forte alta e cortes de custos superando agora planos de expansão.

As vendas do varejo na zona do euro tiveram alta em junho, mas analistas sugerem que os gastos no geral continuaram modestos no segundo trimestre.

As estatísticas sobre o mercado de trabalho, esperadas para esta semana, podem sinalizar maior relutância das empresas em contratar. Com isso, a taxa de desemprego pode aumentar nos próximos meses. No momento, está em 9,9%, quase um recorde na Europa. Na Espanha, passa dos 20%.

O contraste é significativo em relação ao começo do ano, quando a Alemanha, motor da economia alemã, alimentava a esperança de que a zona euro poderia ter expansão econômica que daria fôlego às combalidas economias periféricas. Agora, o risco é que a situação nos países periféricos acabe por contaminar as grandes economias.

Outro fator contra alta de juros na zona euro é que o índice de preços ao consumidor caiu em julho para 2,5%, surpreendendo analistas, que apostavam em 2,7%. Esse resultado veio justamente quando a inflação na Alemanha subiu de 2,4% para 2,6%. Mas houve queda na Itália, de 3% para 2,1%, reforçando a posição de que a inflação na zona euro não deve aumentar.

A estagnação de vendas e a queda nos lucros de empresas na Europa ocorrem no momento em que elas enfrentam condições mais duras para obter crédito. O BCE informou que os bancos da região endureceram seus padrões de créditos no segundo trimestre, à medida que a perspectiva econômica piorou. A expectativa é que o crédito ficará ainda mais limitado.

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Loyola não acredita em uma reversão da atual tendência de queda do dólar

Agencia Estado

O ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola, classificou como "péssima" e "desesperada" as novas medidas cambiais anunciadas hoje pelo governo. Para ele, um dos efeitos colaterais das medidas será a exportação do mercado de derivativos do Brasil para a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago.

"No fundo, isso tende a reduzir a liquidez aqui e a aumentar no exterior. Acho que é uma medida que vai contra o Brasil", afirmou Loyola ao explicar que os estrangeiros que investem no Brasil utilizam a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) para fazer um hedge de sua posição. Ao lançar mão de mecanismos para encarecer essas operações, o governo, segundo ele, estimula o investidor estrangeiro a optar por fazer esse hedge lá fora.

"O mercado de Chicago negocia várias moedas. O Real não tem muita liquidez lá porque tem aqui. Não sou purista, acho que eventualmente você tem de tomar medidas drásticas em situações de emergência. Mas elas têm de, pelo menos, funcionar. Essa não funciona", disse.

Medida Provisória publicada hoje no Diário Oficial autoriza o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para as negociações de derivativos e a tributar com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de até 25% sobre o valor dessas operações. A tributação começa com alíquota de 1% de IOF sobre a posição vendida líquida - diferença entre a posição vendida e a posição comprada bruta - que exceder US$ 10 milhões. O governo também surpreendeu ao punir quem toma o empréstimo externo com prazo médio superior a 720 dias e antecipa a sua liquidação.

Loyola não acredita em uma reversão da atual tendência de queda do dólar devido a esse novo pacote cambial e argumenta que os efeitos da MP são apenas temporários. "Acho essa medida péssima, muito ruim. Quase uma medida desesperada, que não vai ter efeito nenhum, vai gerar mais distorções." Segundo ele, a ideia de taxar o mercado de derivativos deve criar ainda uma insegurança jurídica, com os investidores estrangeiros temendo novas mudanças de regras.

O ex-presidente do BC pondera ainda que o grande comprador de dólares hoje na BM&F é o Banco Central, que vem fazendo intervenções regulares, e, com isso, tirando a volatilidade do mercado cambial. "Se você quer aumentar o risco e reduzir com isso as entradas (de recursos), você tem de deixar o câmbio flutuar. Quando você retira a volatilidade, você torna o custo barato", disse.

Crise europeia longe da solução



Por Gustavo Loyola - Valor 01/08



O plano anunciado na semana passada pelos líderes europeus para lidar com a crise da dívida da Grécia e de outros países periféricos da zona do euro trouxe apenas ânimo passageiro aos mercados. Feitas as contas, tornou-se aparente que o alívio financeiro associado àquele plano será insuficiente para levar a uma solução sustentável para o endividamento da Grécia.

É certo que o anúncio da cúpula da Comunidade Europeia representou um grande avanço, após longo período de indecisão e procrastinação. O volume de recursos posto à disposição da Grécia por meio da EFSF (European Financial Stability Facility), assim como o alongamento dos prazos e redução dos juros associados a essa linha de crédito, representam um passo positivo no reconhecimento da seriedade da situação fiscal daquele país, assim como do potencial de contaminação da crise para outros países da zona do euro, igualmente marcados por aguda crise fiscal (Portugal e Irlanda, principalmente).

Da mesma forma, a previsão de envolvimento dos credores privados, por meio de renegociação "voluntária" da dívida da Grécia, mostra o abandono da equivocada ideia de que seria possível resolver o problema sem que houvesse algum tipo de redução do montante da dívida em poder do mercado, a exemplo do que ocorreu no Plano Brady, em relação à crise da dívida latino-americana dos anos 1980.

Além disso, a flexibilização no uso dos recursos da EFSF, permitindo seu uso na recapitalização de instituições bancárias, por meio de empréstimos aos governos nacionais, é outro movimento importante, tendo em vista as fragilidades que cercam alguns bancos europeus, mormente aqueles sediados nos países atingidos mais agudamente pela crise fiscal, em razão não apenas do carregamento de papéis emitidos pelos seus governos, como também pela anemia da atividade econômica que leva à deterioração de seus ativos de crédito. De fato, uma crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para os países já sofrendo de dificuldades crônicas para ativar suas economias.

Porém, embora significativos, tais avanços são insuficientes para tornar a Grécia um país solvente nos próximos anos. A dívida do governo corresponde a cerca de 140% do seu PIB e o déficit fiscal nominal foi de mais de 10% do PIB no ano passado. No primeiro semestre deste ano, apesar das medidas de austeridade já adotadas, o baixo crescimento da economia frustrou a previsão de receitas tributárias, o que fez com que as metas acordadas com o FMI e a Comunidade Europeia não fossem cumpridas. Não bastasse o déficit fiscal elevado, a Grécia exibe um expressivo déficit em conta-corrente, cerca de 10,5 % do PIB em 2010, o que configura uma situação de "déficits gêmeos", típica de um país que vem vivendo acima de suas possibilidades.

Numa situação como essa, a ausência de autonomia monetária dificulta enormemente o necessário ajuste da economia. Para aumentar sua competitividade e, desse modo, reduzir seu déficit externo, a Grécia necessita realizar uma "desvalorização interna", que passa pelo abaixamento dos salários e pela redução do déficit público, políticas que trazem enorme estresse político. Num contexto como esse, a permanência de um endividamento elevado não apenas é insustentável sob o ponto de vista de solvência, como se torna um ônus político incontornável. Desse modo, não há como escapar de uma solução que implique na redução sensível do fluxo dos encargos da dívida nos próximos anos, o que exige seu alongamento e também uma redução ("haircut") no seu valor nominal, o que trará perdas para os detentores dos papéis da dívida daquele país.

Por outro lado, a situação fiscal de Irlanda e Portugal, não obstante menos grave do que a da Grécia, também exige ação decidida da Comunidade Europeia. A flexibilização anunciada no emprego dos recursos da EFSF ajudará a melhora do perfil do endividamento desses países, assim como na eventual recapitalização de seus bancos. Contudo, a falta de uma solução definitiva para a Grécia pode diminuir a confiança dos mercados quanto à sustentabilidade das dívidas portuguesa e irlandesa, o que anularia os efeitos positivos da maior ajuda financeira proporcionada pela Comunidade. Assim, uma solução para Irlanda e Portugal deve necessariamente passar pela resolução definitiva para o problema grego.

Nas próximas semanas provavelmente saberemos se a reestruturação da dívida da Grécia e dos demais países afetados (Irlanda e Portugal) se dará de maneira ordenada ou não. Na primeira hipótese, uma crise bancária seria evitada, assim como a contaminação do financiamento da dívida de países maiores como Espanha e Itália. Nesse cenário, a zona do euro pode contar com uma retomada modesta da atividade econômica nos próximos anos e a economia mundial seguirá uma trajetória de crescimento, sem maiores percalços. Contudo, para tanto, é necessário que o mercado passe a confiar na sustentabilidade da posição fiscal dos países atingidos pela crise, assim como na higidez de seus sistemas bancários, para o que o pacote anunciado semana passada ainda se mostra aquém do necessário.

Gustavo Loyola, doutor em economia pela EPGE/FGV, foi presidente do Banco Central e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

CANA PARA TODOS


vALOR 29/07
O governo vai combater o desabastecimento de etanol e aumentar a produção de cana-de-açúcar no país por meio de medida provisória. O programa de financiamento para estocagem de etanol está em estágio avançado no Ministério da Fazenda. Também serão adotadas medidas de desoneração tributária para ampliar a área de plantio de cana no país.

O incentivo ao setor alcooleiro constará em uma MP que deve ser publicada na segunda semana de agosto, informou um fonte do Ministério da Fazendo ao Valor. As linhas de financiamento para estocagem terão "boas condições" de juros e prazos. "Pensamos que quem vende e quem compra deve estocar uma quantidade de etanol", disse a fonte oficial. O governo oferecerá linhas de crédito para estocagem de etanol do BNDES e do Banco do Brasil.

A produção de cana-de-açúcar terá estímulos ao aumento da produção. O governo não criará mais linhas de financiamento para o plantio. "Já foram criadas várias linhas neste sentido. Precisamos agora criar medidas tributárias para auxiliar no plantio da matéria-prima", disse a fonte do governo. As "medidas tributárias" devem incluir, principalmente, desoneração de impostos.

O governo estima capacidade ociosa para moer 150 milhões de toneladas nas usinas, o equivalente a 20% da capacidade total de processamento do país. Por isso, o governo resolveu dar um "voto de confiança" aos usineiros, que prometeram garantir o abastecimento por meio da importações de 1 bilhão de litros de anidro. O governo cobrará o "cumprimento à risca" do compromisso de abastecer, a preços razoáveis, o mercado interno (anidro e hidratado). As usinas não queriam fazer alardes sobre as compras externas para evitar elevações nos preços do anidro.

O país enfrenta um cenário de oferta apertada do etanol na temporada 2011/12. O governo decidiu apostar na importação do biocombustível para evitar a redução do percentual de álcool na gasolina, hoje em 25%. Na noite de quarta-feira, após reunião no Ministério de Minas e Energia, o ministro Edison Lobão, informou que o governo, por enquanto, não mudará a mistura, mas disse que poderá optar por este caminho no futuro, caso julgue necessário. A redução deve ficar para novembro, quando termina a safra de cana. Se o governo reduzir a mistura, a Petrobras terá que importar gasolina para suprir a demanda do país, já que a estatal não possui capacidade de refino para atender ao mercado.

Na reunião, o governo avaliou que o crescimento da economia está "muito acima" da capacidade de abastecimento de etanol no mercado interno. As medidas adotadas até agora estabilizaram os preços. "Não vamos fazer alterações neste momento, mas marcamos outra reunião para o dia 30 de agosto com possibilidade de antecipação, se preciso", disse Lobão.

O ministro afirmou que o mercado está "abastecido" e "estável", mas que o governo está preocupado com a alta de preços do etanol e o seu impacto na inflação. O governo já havia anunciado que criaria um plano para incentivar a renovação dos canaviais no país.

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PIB AMERICANO ESCORREGA


Gráfico CNN
A economia americana desaquece ainda mais, levantando temores para uma segunda recessão.
A começar pela decepcionante performance no primeiro trimestre, o PIB no segundo cresceu o 1,3% à taxas anualizadas, de acordo com o departamento de comércio.
O alto preço dos combustíveis (gasolina a 3,98 por galão) foi uma das causas principais, segundo analistas, deprimindo o dispêndio dos consumidores para os outros itens.
Bom lembrar que a crise desencadeada em 2008 foi antecedida pelos altos preços do petróleo, graças ao maior consumo dos emergentes, em especial pela China e Índia e a estagnação da produção mundial da principal commodity de nosso tempo.

Ronaldo Pignataro

Invasão da China no mercado financeiro


Após a vinda do Banco da China, em 2010, mais duas instituições manifestaram desejo de operar no Brasil

Folha 29/07
Dois anos depois de desbancar os EUA da posição de principal destino das exportações brasileiras, a China passa a mirar também o mercado financeiro nacional.
Com a vinda, em 2010, do Banco da China, um dos maiores do mundo, outras duas instituições manifestaram desejo de operar no Brasil --e aguardam autorização do Banco Central.
O Banco de Desenvolvimento, uma espécie de BNDES local, também quer expandir sua atuação aqui, segundo a Folha apurou.
Além disso, com dinheiro sobrando em casa, os chineses se tornaram parceiros ideais para bancos de pequeno e médio porte brasileiros, que precisam reforçar o capital.
Intermediador de negócios entre empresas nacionais e chinesas, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, diz ter em mãos um raio-X financeiro de duas instituições de pequeno porte que operam no Brasil e que estão interessadas em ter os chineses como sócios.
"Temos bancos chineses que ainda não estão no país e que podem firmar parcerias com os brasileiros", diz Tang.
Ele lembra ainda que o Fundo Soberano da China também veio para o Brasil em 2010 comprar uma parte do banco BTG Pactual. "A atuação chinesa na área financeira ainda é tímida porque os bancos não conhecem o Brasil", justifica Tang.
Mas ele diz que o interesse é crescente. "A Sany [empresa de máquinas e equipamentos para construção pesada, que já opera no país] quer criar aqui uma empresa de leasing para financiar a venda dos seus produtos."
Na avaliação do embaixador Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, a vinda das instituições financeiras é uma evolução natural da relação entre os dois países. "Isso mostra que foi feita uma aposta estratégica no Brasil."

AQUISIÇÕES
"Os bancos chineses estão usando o excesso de liquidez da China. Eles usam recursos estratégicos para financiar as suas próprias empresas", diz Rubens Sawaya, professor e coordenador do curso de economia da PUC-SP.
A compra parcial de empresas é a porta de entrada preferida deles em mercados pouco conhecidos. Segundo dados do Conselho Empresarial, 46% dos recursos chineses investidos no Brasil em 2010 foram nessas compras.
Do restante, 21% foram para compra integral, 23% para construir instalações novas e 10% em parcerias locais.
Os negócios entre a China e o Brasil crescem em ritmo acelerado. "Em 2009, o total de investimentos aqui era reduzido: US$ 392 milhões", diz Tang. Em 2010, o Conselho Empresarial registrou o montante de US$ 12,7 bilhões em projetos confirmados.

FIESP - Ano Medíocre


Valor 29/07
A atividade da indústria de transformação paulista teve forte desaceleração no primeiro semestre do ano, ao crescer apenas 3,4% sobre mesmo período de 2010. A variação é praticamente um terço da registrada de janeiro a junho do ano passado, quando o nível de atividade industrial de São Paulo havia crescido 12,7%. O número de 2011 também é o menor para o primeiro semestre desde 2007, com exceção de 2009, quando a atividade caiu 12,7% em consequência da crise financeira que atingiu em cheio o setor.

Segundo analistas consultados pelo Valor, o dado divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) antecede a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a ser publicada na próxima terça com os resultados de junho, que deve vir com estagnação, ou mesmo queda da produção fabril no mês.

Para Rogério César de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a perda de fôlego no primeiro semestre do ano era algo previsto, já que os primeiros seis meses de 2010 apenas recuperaram o tombo sofrido em 2009, mas, mesmo assim, o arrefecimento foi maior do que o esperado. "É um sinal bastante preocupante. A indústria paulista sempre influencia muito o resultado geral", diz.

O setor está vivendo um momento "nada favorável", avalia Souza, para quem os números de junho e do semestre indicam que a indústria está patinando, mas com tendência de retração ao longo do ano. A previsão do Iedi é que a produção industrial cresça ao redor de 3% em 2011, após avanço de 10,5% em 2010. "Eu tinha uma projeção mais otimista, de 3,5% no começo do ano, mas agora estou jogando ela para baixo".

O sócio-diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, afirma que a indústria terá um "bom esfriamento" neste ano, atingida pelas medidas macroprudenciais, o aumento dos juros e o câmbio excessivamente valorizado, além da elevação do nível de inadimplência, que leva a uma desaceleração nas vendas. "O INA só ratifica que devemos fechar o ano com taxa de crescimento muito baixa." A RC estima expansão de 2,8% frente 2010.

Na avaliação da Fiesp, as perspectivas da indústria também denotam estagnação da atividade. O Sensor Fiesp, que mede as expectativas dos empresários paulistas sobre a economia brasileira nos próximos meses, subiu de 50,6 pontos em junho para 51 pontos em julho, interrompendo três meses consecutivos de queda.

O indicador, no entanto, ainda está abaixo dos 56,9 pontos registrados em março, mês anterior ao início da piora na confiança do empresariado paulista. Em julho do ano passado, o sensor estava em 52,4 pontos. O índice varia de zero a 100. Abaixo de 50 pontos, indica empresários pessimistas e, acima de 50, otimistas.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, o número de julho demonstra o que a entidade espera para a indústria nos próximos meses. "O sensor está dizendo que nada de diferente vai acontecer no horizonte", diz.

Para Francini, nenhum dos cinco componentes do sensor apresenta variação significativa, o que aponta para um crescimento "medíocre" da indústria em 2011. "Estagnação é a melhor palavra. O PIB só tem crescimento expressivo quando a indústria de transformação cresce acima dele", sustenta.

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Mentalidade inflacionária e indexação



Luiz Carlos Bresser-Pereira
29/07/2011
Até 1980 o tema principal de minhas aulas e de meus artigos era o do desenvolvimento econômico. Quando, naquele ano, teve início a alta inflação inercial e desencadeou-se a crise da dívida externa, eu me voltei para a macroeconomia e para as crises de balanço de pagamentos. Assim, não me surpreendi quando, em 1987, ao assumir o Ministério da Fazenda em um momento de crise aguda, verifiquei que os problemas que tinha que enfrentar eram justamente aqueles - o da dívida externa que em 1993 foi em parte resolvido graças ao Plano Brady e o da alta inflação, que em 1994 foi resolvido pelo Plano Real.

Mas a estabilização foi parcial e, desde então, os dois grandes problemas que limitam o crescimento econômico são o alto nível da taxa de juros e uma taxa de câmbio cronicamente sobreapreciada.

Se aprendemos uma coisa nos 15 anos de alta inflação (1980-1994) foi que nada dificulta mais seu controle do que a indexação. É a indexação formal dos preços que habitua as pessoas e as empresas a também indexar informalmente seus próprios preços. Daí decorrem uma rigidez para baixo da inflação, e consequências localizadas absurdas como são as ações na justiça em relação aos planos de estabilização. Neles a mudança na forma de calcular o índice era necessária para sinalizar o fim da inflação, mas não causou prejuízo para os poupadores. Como os preços eram congelados em um determinado dia, e como no cálculo dos índices de preço compara-se a média do mês com a média do mês anterior, era necessário que fosse eliminado o "carregamento" da inflação do mês anterior. Se isso não fosse feito, a inflação, embora zerada, carregaria a metade da alta inflação do mês anterior, sinalizaria que o plano fracassara, e essa seria uma profecia autorrealizada porque, dada essa percepção, os agentes econômicos indexariam informalmente seus preços mais uma vez.

Equívocos como esse são apenas um tipo de distorção que traz a indexação formal. Mais amplamente ela é origem de mentalidade inflacionária e da prática da indexação informal. As empresas aumentam seus preços não de acordo com o aumento da demanda, mas de acordo com o índice de preço mais aceito no momento. Estabelece-se, assim, uma ciranda de aumentos defasados de preços na qual ninguém sabe quem aumentou primeiro, mas que não pode ser interrompida por nenhum dos agentes econômicos porque isso implicará perdas para ele. Por isso a inflação inercial é compatível com a recessão; por isso austeridade fiscal apenas não é eficaz em controlá-la. Para terminar com essa ciranda inercial decorrente da indexação é preciso neutralizá-la em um determinado dia, sem, no entanto, causar prejuízo para os agentes econômicos que naquele mês ainda não haviam aumentado seus preços. A solução para isso é o congelamento de preços com uma tabela que desconte a inflação futura das contas a pagar das empresas, ou então o uso de uma moeda indexada ao dólar durante alguns meses.

A alta inflação inercial terminou em 30 de junho de 1994, mas continuamos a ter uma inflação inercial, porque a instituição da indexação formal continua a existir e, em consequência, se perpetua a indexação informal. Até hoje cerca de 30% dos preços são formalmente indexados (em relação a seu peso no índice). São principalmente os preços dos contratos de concessão do Estado para as empresas, e recentemente decidiu-se, de forma absurda, indexar o salário mínimo. Alimenta-se, assim, a mentalidade inflacionária. E essa é uma das razões pelas quais o Banco Central adota um nível de taxas de juros altíssimo - o maior do mundo em termos reais desde 1994.

Como resolver esse problema? Não proponho a quebra de contratos, mas que o governo envie para a aprovação do Congresso projeto de lei proibindo que o Estado brasileiro assine ou renove contratos com cláusula de indexação em qualquer um dos seus níveis (federal, estadual, e municipal). Isso não significa que os preços contratados não possam ser revisados tomando-se em conta a inflação. Isso continuará a ser feito, mas não de acordo com um índice previamente determinado. No contrato estará previsto que um dos critérios de reajuste será a inflação, de maneira que, no momento da renegociação de preços, o governo possa fazer o que os demais países fazem: discutir com a concessionária do serviço público o reajuste levando-se em conta o aumento dos preços que incidem mais diretamente em sua atividade e o aumento de produtividade.

Essa proibição deverá, naturalmente, se estender aos títulos emitidos pelo Estado. Assim as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à Selic, deixarão imediatamente de ser emitidas, eliminando-se gradualmente outra causa fundamental das altas taxas de juros.

A solução que apresento não é mágica, não resolverá a pressão inflacionária atual nem desestimulará as ações na Justiça cobrando créditos injustificados, mas os bons governos legislam para o futuro. Aprovada a lei, a indexação formal e a mentalidade inflacionária aos poucos desaparecerão da economia brasileira, e o Brasil poderá ter uma taxa de inflação de padrão internacional. Por outro lado, na medida em que o Banco Central deixe de precisar de altas taxas de juros para controlar a inflação, o nível da taxa de juros baixará, o que contribuirá para que a taxa de câmbio caminhe na direção de um nível de equilíbrio.

Luiz Carlos Bresser-Pereira professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas "Globalização e Competição" (also in French, English and Spanish)

O governo e a batalha do câmbio


Por
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS FSP 29/07

COM O real chegando a seu momento de maior força em relação ao dólar, o governo Dilma Rousseff cruzou uma nova fronteira em sua confusa e pouco eficiente estratégia de proteger a indústria brasileira.
Pela primeira vez desde que o ministro Guido Mantega cunhou a expressão "guerra cambial", o governo tomou medidas para atingir o mercado futuro de câmbio na BM&F.
Ao taxar essas operações com o IOF e estabelecer um marco legal para fixar --por medidas administrativas do CMN-- o nível de garantias exigidas, o governo --como Cesar-- cruzou o Rubicão.
Não há mais volta, pois, ao interferir em um mercado tão grande e tão interligado com o lado real da economia sem a devida reflexão sobre seus efeitos --e esse é certamente o caso--, o governo criou algo muito perto do caos.
Estou fora do país, mas os relatos que tive sobre a coletiva do ministro Mantega são suficientes para compor esse quadro de desconhecimento profundo das consequências das medidas adotadas.
Posso afirmar isso porque participei em 1986, quando era diretor do Banco Central, de algo muito semelhante. Pressionado para enfrentar a questão das expectativas de inflação embutidas nas taxas de juros dos títulos públicos, o Banco Central mudou a tributação desses papéis sem a necessária avaliação de suas consequências na economia como um todo.
Tudo virou um inferno, e uma sequência de novas medidas foi necessária para tentar enfrentar as maiores distorções que apareceram. E, a cada tentativa de correção, novos problemas se colocavam. No final, tivemos de voltar atrás...
A questão do real forte é ainda mais complexa do que a que o Banco Central enfrentou décadas atrás. E isso ocorre por várias razões.
A mais importante delas está relacionada às complexas relações entre mercados internos e externos que existem hoje na economia brasileira.
E não estou falando apenas de relações financeiras, mas sim da complexa interação entre as cadeias produtivas em setores importantes do tecido produtivo. As importações fazem parte do cotidiano das empresas brasileiras, o que as obrigam a realizar operações de proteção contra a flutuação da taxa cambial.
Também os exportadores, principalmente no setor de produtos primários, precisam de mecanismos de proteção contra as flutuações de grandes proporções que ocorrem hoje nos mercados futuros desses produtos no exterior. E essas operações de proteção trazem, juntas, as flutuações nos mercados de câmbio.
Poderia escrever muito mais sobre as relações econômicas, e, como já disse, não apenas as financeiras, que estão por trás das operações de taxas de câmbio futuro na BM&F.
Mas tenho certeza de que isso não é necessário para mostrar ao leitor da Folha a fragilidade que está por trás das decisões tomadas pelo governo Dilma nos últimos dias.
Quando escrevo esta coluna, os mercados estão paralisados à espera de esclarecimentos do governo sobre as medidas tomadas. Já tenho muito tempo de estrada para acreditar que elas virão. Volto a afirmar que ninguém no Ministério da Fazenda --inclusive o ministro Mantega-- tem a menor ideia sobre a caixa de surpresas que eles abriram agora.
Uma coisa é certa: ao longo dos próximos dias um mercado futuro de taxas de câmbio, tendo o real como uma das pontas das operações, vai aparecer em Chicago ou em outras praças financeiras.
As demandas por operações desse tipo fazem parte hoje do que chamo de metabolismo da economia brasileira. Por isso, elas vão reaparecer em outros lugares. Mas, como sempre ocorre nessas situações, os custos de transação vão aumentar para quem faz negócios no Brasil e com o Brasil.
Um dos pensamentos estratégicos que os chineses, em seus 5.000 anos de história, nos deixaram foi o de nunca usar um canhão para matar uma formiga.
Os efeitos colaterais que ocorrem quando isso acontece são sempre muito maiores do que os eventuais benefícios gerados.
Vamos testar no Brasil de hoje a sabedoria estratégica dos chineses.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 68, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo Fernando Henrique Cardoso)