quinta-feira, 21 de julho de 2011

Energia - Embate entre eólicas e térmicas a gás será destaque de leilão



Valor 21/07/2011
A estratégia do governo federal de fazer com que empreendedores de térmicas a gás disputem com os donos de parques eólicos no leilão de curto prazo de energia não agradou nem um lado nem o outro. A reação das térmicas era esperada, já que nos últimos leilões o preço da energia eólica foi capaz de derrubar os outros concorrentes. Mas empreendedores eólicos começam a mostrar que temem a competição das térmicas, principalmente aquelas que terão o gás disponível sem precisar de contratos com a Petrobras.
O próprio secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, diz que há uma expectativa sobre a competitividade das térmicas da MPX, que podem usar contratos de gás do próprio grupo, que tem poços de exploração do combustível no Maranhão. "E será um gás que não terá custo de transporte", disse o secretário em evento realizado em São Paulo nesta semana.
A ideia de fazer todos concorrem entre si, segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é permitir que o mercado faça a divisão da matriz pelo preço. "Fazendo leilões em separado nós é que teríamos que fazer a divisão da demanda de energia e poderíamos acabar contratando energia mais cara", disse Tolmasquim. Mas ele também afirmou que não se poderá fazer indefinidamente leilões em que todas as fontes, com exceção da hídrica que é mais barata, concorram entre si já que o planejamento pode exigir a contratação de mais térmicas, que são usadas como um seguro para os tempos de pouca chuva.
O consultor Marco Tavares, da Gas Energy, afirma que é injusto fazer essa disputa por igual já que as eólicas têm mostrado que a capacidade de produção pode não ser efetivamente àquela declarada no leilão. Além disso, Tavares faz críticas ao fato de que o Nordeste já tem problemas para transmissão e a maior parte das eólicas são vendidas nessa região. A consultoria de Tavares desenvolveu um grande projeto no Rio Grande do Sul, à base de GNL, que não teve ainda sua energia vendida. Mas Tolmasquim diz que ainda não é necessário fazer qualquer leilão regional pois ainda não foi identificada um problema de transmissão que exija essa decisão. "Não podemos fazer com que o país pague uma energia mais cara sem necessidade".
Os empreendedores eólicos argumentam que o próprio consumidor sairá prejudicado, já que o governo está misturando projetos que têm um custo de combustível que é repassado. Tolmasquim explica que boa parte da previsão do uso do combustível já estará na tarifa que irá a leilão. Mas de qualquer forma admite que em anos de pouca chuva é possível que as térmicas tenham que operar em regime extraordinário e com isso o custo pode ficar maior.
O leilão de curto prazo, conhecido como A-3 (A menos três, com alusão ao ano de entrega da energia), será realizado em agosto e será seguido de um leilão de reserva, exclusivo para energias renováveis. O preço teto para térmicas, eólicas e biomassa foi estabelecido em R$ 139 o MWh e para o de reserva a R$ 146 o MWh. Para as hidrelétricas, no caso de Jirau participar, será R$ 102. Ao todo mais de 27 mil MW em capacidade instalada foram inscritos.

Fluxo cambial ao Brasil dispara após BC aumentar o compulsório




Valor 21/07/2011



A entrada líquida de dólares no Brasil disparou neste mês para US$ 10,132 bilhões, graças ao fluxo positivo do dia 11, primeiro pregão depois que o Banco Central (BC) apertou as regras de posição vendida dos bancos numa tentativa de conter a forte valorização do real.
Os dados divulgados pelo BC mostram que em julho, até o dia 15, as operações comerciais tiveram entrada líquida de US$ 3,245 bilhões e as financeiras foram superavitárias em US$ 6,887 bilhões. Somente no dia 11, ingressaram no país US$ 7,358 bilhões, já descontada a saída de dólares. O grosso dessa cifra (US$ 6,671 bilhões) se deu no segmento financeiro.


"O mais provável é que o dinheiro tenha entrado para promover o enquadramento" à regra do BC, afirma o estrategista de um banco estrangeiro. "Não houve efeito de preço do dólar que justificasse uma entrada dessa magnitude."


Operadores destacaram que a entrada, apesar de volumosa, não foi percebida pelo mercado em geral até a divulgação dos dados. A explicação é que os dólares podem ter sido trazidos para o Brasil em operação "direta", em que um banco com subsidiária no exterior cuida da operação, que não é vista pelos demais operadores, mas registrada no BC.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também atribuiu o forte ingresso do dia 11 ao enquadramento dos bancos, e não mostrou preocupação com uma nova enxurrada de recursos ao país. "Não está entrando todo esse dinheiro; entrou num dia para ajustar à norma. O fluxo está contido e regular, tanto assim que não há alterações na cotação do câmbio", disse.
O BC anunciou a mudança sobre a posição vendida dos bancos no dia 8, após o dólar cair para o menor nível em comparação ao real desde 1999. As instituições tinham até o dia 15 para se adequar à regra, pela qual devem recolher ao BC como depósito compulsório 60% sobre o valor da posição vendida de câmbio que exceder US$ 1 bilhão ou o patrimônio de referência - o que for menor.
Além dessa "sobra" de dólares, o BC também ajudou os bancos a zerar posição vendida, ao adquirir no mercado à vista bem menos dólares do que o fluxo. Em julho, também até o dia 15, foram incorporados às reservas internacionais do país US$ 2,484 bilhões por meio de leilões de compra.
Disso resulta um "fluxo efetivo" positivo de US$ 7,648 bilhões (fluxo cambial descontadas as compras do BC) no mês. Como essa "sobra" é absorvida pelos bancos, é possível estimar que a posição vendida das instituições financeiras no mercado à vista caiu de US$ 14,7 bilhões no fim de junho para cerca de US$ 7 bilhões em 15 de julho.
No ano, o país contabiliza fluxo cambial positivo de US$ 49,965 bilhões, bem acima do registrado em todo o ano passado (de US$ 24,354 bilhões).
Para o diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme, não se deve esperar ingressos fortes no curto prazo.


"Não vejo fluxo muito intenso, nem para a bolsa. Esse quadro externo sugere um pouco de cautela e os investidores estão preferindo se preservar", diz.


"O principal problema é na Europa (com a crise de dívida soberana dos países chamados periféricos) e há perigo de contágio."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sexo e câmbio




Por ANTONIO DELFIM NETTO Folha 20/07/2011








O National Bureau of Economic Research organizou, em junho, o seu "22º Annual East Asian Seminar on Economics".

Um dos mais originais trabalhos apresentados foi o dos economistas da Universidade Columbia (EUA) Qingyuan Du e Shang-jin Wei, a começar pelo título "Uma perspectiva darwiniana sobre a taxa de câmbio chinesa".

Nele, afirmam (tradução livre) isto:"Em geral, é aceita como indiscutível a proposição de que um grande desvio da taxa de câmbio com relação à de equilíbrio (paridade do poder de compra), combinado com a existência de superavit em conta-corrente, é sinal de que a taxa de câmbio vigente está subvalorizada.

Neste trabalho, dizemos que essa visão convencional deixa de levar em conta algo importante, ainda que não considerado na teoria corrente da taxa de câmbio.

Nosso argumento é que a relação entre sexos, maior número de homens no mercado de casamentos (sic) na China, pode ter produzido, simultaneamente, um declínio na taxa de câmbio real de equilíbrio e um aumento do superavit em conta-corrente.

Mostramos a lógica dessa afirmação por meio de dois canais: um da poupança e outro de uma efetiva oferta de trabalho. Neste modelo, uma taxa real de câmbio desvalorizada não é causa de superavit em conta-corrente, nem é consequência de manipulação monetária. Demonstramos, empiricamente, que as economias com elevada relação homens/mulheres tendem a ter uma menor taxa de câmbio real, além de... outros efeitos, como o maior nível de renda per capita, desenvolvimento do mercado financeiro, regimes de câmbio etc.

Uma vez levados em conta todos esses efeitos, concluímos que a taxa de câmbio chinesa está mesmo subvalorizada, mas subvalorizada num nível relativamente trivial".


Como demonstram isso?

Com grossa artilharia matemática, usam 20 páginas em grego fora do texto (dois terços do original com divertido algebrismo), engenhosa econometria e rica imaginação e coragem para "calibrar" valores a parâmetros que não podem ser estimados diretamente.

Para entender aonde chegam, leiam este trecho que encerra o trabalho:

"Se o planejador central (talvez alguém com a visão do líder Mao?) puder reduzir a relação entre os sexos (agora matando os nascituros masculinos?), ele produzirá uma redução da conta-corrente de acordo com a proposição 2" (que exige uma fantástica coleção de hipóteses para ser demonstrada).

Como disse, nos anos 1910, Vilfredo Pareto, sociólogo e economista matemático sério, "concedam-me as hipóteses e eu lhes demonstrarei qualquer coisa".


De que são capazes pequenos matemáticos supostos grandes economistas...

Real é a moeda mais valorizada entre as 58 principais economias



Valor 20/07/2011




O Brasil se consolida como o país com a moeda mais valorizada entre as 58 principais economias do mundo, enquanto o G-20 continua a discutir sobre câmbio e utilização dos instrumentos de controle de capital.
Um índice do Banco Internacional de Compensações (BIS), banco central dos bancos centrais, que acaba de ser atualizado, mostra o avanço da moeda brasileira desde a última reunião de cúpula do G-20, em novembro, em Seul, onde as autoridades brasileiras insistiam na importância de se evitar uma guerra de moedas.

BIS calcula a taxa de câmbio efetiva real (EER) de 58 países e da moeda única europeia. A EER representa a média cambial da moeda de um país relativa a uma cesta de outras moedas ajustadas pelo preço ao consumidor. Se o ranking da moeda está abaixo de 100, significa que está desvalorizada e tem espaço para se apreciar.
Na cúpula de Seul, há sete meses, a taxa de câmbio efetiva real era de 148,1 por unidade do real. O BIS mostra agora que a taxa pulou para 157,68 em junho, ou seja, o real se valorizou ainda mais.
Já a moeda chinesa continua se desvalorizando em termos reais. Estava em 119,65 e agora caiu para 116,31.
Também no caso do dólar americano, continua se desvalorizando: a taxa efetiva real era de 89,41 em novembro, passando nesta última sondagem a 84,51. O euro estava em 93,95, agora subiu ligeiramente para 97,48.
O BIS mostra que o peso argentino está em 77,8 no índice, menos da metade da valorização da moeda brasileira. A Coreia do Sul, em 83,2, e o México em 93,4, ou seja, todos com amplo espaço para valorizar suas moedas.
Em recente passagem por Paris, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistiu que a guerra das moedas está longe de acabar. Mas no G-20 não só um acordo internacional não avança, como as tentativas são de limitar a imposição de controle de capital.
O Brasil, porém, avalia que o G-20 vai, no máximo, dar uma "opinião" sobre o uso de instrumentos para controle de capital. Nada de recomendação ou código de conduta, como propôs o FMI.

Apetite de bancos segue elevado

Valor 20/07/2011

O Banco Central (BC) já tem em mãos a mais recente pesquisa "Indicador das Condições de Crédito", levantamento trimestral criado no início do ano para tentar medir a expectativa dos bancos para o comportamento tanto da oferta quanto da demanda por novas linhas de financiamento. A primeira pesquisa, relativa ao segundo trimestre, mostrou que as instituições financeiras continuavam com apetite para oferta de empréstimos tanto para o consumo quanto para as pequenas e médias empresas, mesmo depois da série de medidas macroprudenciais adotadas pelo BC desde o fim de 2010.
Os novos dados ainda estão sendo compilados, mas a expectativa de técnicos do BC é que esse novo levantamento já aponte dados mais favoráveis ao processo de desaquecimento da atividade econômica e de controle da inflação. Os dados mais recentes devem servir de referência também para a decisão sobre a taxa Selic, que será tomada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Até junho, no entanto, a situação permanecia inalterada, apesar do aperto monetário, como mostrou a primeira pesquisa realizada em abril, a partir de consultas aos principais agentes de crédito (cerca de 95% do mercado). A percepção geral era de que mesmo com as restrições impostas pelo BC (alta dos juros e da exigência de capital) o crédito às pessoas físicas permaneceria nos níveis atuais ao longo de todo o primeiro semestre.
Em outras palavras, os bancos permaneceram com grande apetite ao longo do primeiro semestre, com manutenção do ritmo de aprovação de novas linhas. As instituições também esperavam que a procura por empréstimos pelas famílias permanecesse inalterada, mesmo com o aumento dos juros.
No caso das pequenas e médias empresas, a expectativa dos bancos era por um aumento na aprovação das linhas e uma demanda "moderadamente forte", o que indica que as instituições financeiras não esperavam um desaquecimento da atividade. Apenas o segmento de empréstimos às grandes empresas apresentava uma expectativa de crescimento mais fraco para o período de abril a junho.
Parte da manutenção da oferta e da demanda em níveis elevados, apesar do cenário mais restritivo, pode ser explicada pela renda ainda em elevação. De acordo com o estudo, o fator mais importante para a oferta de crédito para as famílias por parte dos bancos é o nível de emprego e as condições salariais, seguido pelo nível de comprometimento de renda. A inadimplência vem em terceiro lugar. No crédito imobiliário, o preço dos imóveis ganha relevância.
No caso das micro e pequenas empresas, o mais relevante na visão dos bancos é a condição dos clientes, seguido pelo nível de inadimplência do sistema. Para as grandes companhias, o mais importante é a condição da economia doméstica e do setor. A percepção de risco do cliente é apenas o terceiro fator mais importante.
A pesquisa é composta por seis grupos de perguntas, três relacionados à oferta de crédito, dois à demanda e um à aprovação de novas linhas de crédito. O BC estuda a divulgação periódica desses dados, que foram apresentados pela primeira vez no último relatório de inflação, publicado em junho.

Ainda sobre a independência do BC



Luís Eduardo Assis
Valor 20/07/2011

Faz parte do nosso imaginário a ideia de que o Banco Central (BC) deve se constituir em uma instância estritamente 'técnica', a ser mantida em uma campânula hermética, devidamente a salvo dos humores e odores da vida política brasileira. Ainda que contenha alguns grãos de verdade, essa visão caricata simplifica em demasia um debate complexo que adquire importância cada vez maior. Há tempos a teoria econômica abriga o debate sobre a conveniência de atribuir independência ao Banco Central. No atual quadro da economia brasileira, no entanto, que combina pressão inflacionária com virtual pleno emprego, não é preciso fervor conceitual para concluir que o BC tem, sim, papel relevante no controle da inflação.
O argumento central a favor da independência se baseia no viés inflacionário dos governos que, motivados por benefícios de curto prazo, preferem priorizar o crescimento e o combate ao desemprego, mesmo que temporários, em detrimento da estabilidade dos preços, dando margem ao surgimento de ciclos políticos, ritmados pelo calendário eleitoral. Isso porque os eleitores definem suas escolhas tendo como referência a sensação de bem- estar no período imediatamente anterior às eleições, o que induz o governo a afrouxar a política monetária em anos de eleição, ainda que o ajuste mais adiante seja penoso.
Essa situação se ajusta muito bem ao conceito de escolhas intertemporais, tema de crescente interesse na literatura econômica, que oferece um arcabouço teórico apropriado para a situação vivemos hoje. Escolhas intertemporais representam a decisão entre um benefício no presente em troca de uma penalidade, certa ou provável, no futuro.

O governo afrouxa a política monetária em anos de eleição, ainda que o ajuste mais adiante seja penoso

Isso se aplica à escolha entre usar drogas ou não, fumar ou não fumar, entre fazer regime ou comer um doce, entre aplicar num fundo de pensão ou trocar de carro. Regra geral, a escolha dependerá de como o agente descontará o futuro, isto é, de que forma atribuirá valor subjetivo ao evento negativo que se seguirá. É apenas natural que os governos priorizem o curto prazo em anos de eleição, já que tudo ocorre como se a única prioridade fosse a vitória nas urnas - o que, equivale a dizer que os problemas no futuro, por exemplo uma inflação mais alta, são descontados a uma taxa muito alta e assim tem pouco valor no presente.
Vale perceber que esse tipo de escolha não é atribuição exclusiva de políticos caquéticos de cabelo acaju. É improvável, por exemplo, que um CEO invista pesadamente em melhorias que trarão resultados apenas num futuro remoto, supostamente após o término de sua gestão.
A ruptura com esse padrão de comportamento que privilegia o curto prazo não pode depender de uma improvável mudança espontânea nas preferências de eleitores e candidatos. Melhor prover um rearranjo institucional que dirima conflitos de interesses e estimule uma visão mais cuidadosa do futuro. O primeiro passo, contudo, é institucionalizar formalmente o princípio de que a estabilidade de preços é um bem público cuja ausência afeta principalmente os mais pobres. Não é demais lembrar que uma inflação baixa atende aos interesses dos menos privilegiados, não dos poderosos.
Para os partidos de esquerda que estão no governo não deveria ser difícil admitir que a bandeira do combate à inflação é progressista, não conservadora. Também é de todo conveniente formalizar que a missão na terra do banco central é unicamente a de combater a inflação, usando os instrumentos a seu alcance.
A tendência a ciclos políticos seria, por sua vez, mitigados com a atribuição de mandatos à diretoria do Banco Central por períodos não coincidentes com as eleições presidenciais. Completa o rearranjo a definição clara de penalidades a serem aplicadas em caso de não cumprimento da meta definida pelo Poder Executivo, assim como a periódica prestação de contas por parte do presidente do BC ao Senado. Isso diminuirá a possibilidade de que o banco seja 'capturado' pelos interesses privados do mercado financeiro e também tornará mais difícil que a autoridade monetária jogue a favor dos interesses eleitorais de um governo de sua preferência.
Tudo ficará mais fácil e menos doloroso se o governo se engajar em um esforço sincero pela desindexação da economia, ampliando o prazo mínimo para reajustes de preços e salários e tornando as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs, assim como seus clones, os fundos DI) objetos de colecionadores disponíveis apenas em feiras de artesanato. Tudo ficará muito difícil, senão impossível, sem um rigoroso e verossímil programa de contenção das despesas públicas, em que pesem todas as dificuldades conhecidas.
Não há arranjo institucional que possa dar ao BC forças para, isoladamente, se contrapor a uma política fiscal expansionista sem provocar fricção de interesses que mais se assemelham a um exercício de autoflagelação. Sem unidade de propósitos, não é possível perseguir uma inflação mais baixa.
Luís Eduardo Assis é economista. Foi diretor de política monetária do Banco Central e professor da PUC-SP e FGV-SP.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Explosão de consumo na Arabia Saudita coloca mais pressão na demanda pelo óleo



By Javier Blas – FT – 19/07/2011



A Arábia Saudita é reconhecidamente o maior produtor e exportador de petróleo, com a produção de 9,7 milhões de barris por dia no mês passado, o segundo maior nível em três décadas, o país caminha para se tornar também um dos maiores consumidores. A sua entrada ao clube dos gastões poderá ter implicações profundas nos preços do produto nos próximos anos, apertando ainda mais o mercado global.


O país deverá alcançar neste ano a marca de 2,81 milhões de barris ao dia na média, tornando-se o sexto maior consumidor atrás dos EUA, China, Japão, Índia e Rússia. Em base per capita, o consumo é astronômico. Somente neste ano o consumo deverá saltar 5,6%, bem acima da média global de 1,4%.


A demanda de oleo na Arábia Saudita cresceu 75% nestes últimos dez anos devido ao forte crescimento econômico e industrial e aos preços subsidiados.
O forte crescimento contrasta com os bem mais modestos 39% ocorridos entre 1990 e 2000.
A contribuição maior para o forte crescimento está a queima do petróleo cru para a geração de energia elétrica, que deverá alcançar quase 600.000 barris por dia neste verão. Ao invés de queimar gás natural ou óleo combustível, o país usa petróleo bruto. O consumo de eletricidade explode durante o verão pelo uso do ar-condicionado, quando as temperaturas alcançam máximas acima dos 40ºC.


A Agencia Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês), que recentemente revisou os dados de queima de petróleo para eletricidade, diz que da média de menos de 200.000 barris por dia no início dos anos 2.000, mais que dobrou atingindo 450.000 b/d em 2009. Nesta época muitos dos observadores pensavam que Riyadh estava queimando mais devido ao colapso da demanda pela crise global. Porém a queima continuou em ascensão a despeito da recuperação econômica.


O IEA agora estima que Riyadh queimará em média 581.000 b/d este ano (com pico de 740.000 b/d entre abril e setembro). Para fins de comparação, Equador, o menor membro da OPEP produz 500.000 b/d e Qatar 800.000 b/d.

A explosão de consumo durante o terceiro trimestre, quando as temperaturas são máximas, é tão intensa que o país tem o consumo quase igualado ao consumo da India e Russia, o quarto e quinto maiores consumidores mundiais, neste período.


Assim, nenhuma surpresa por Riyadh estar aumentando sua produção.


Ela necessita para seu próprio consumo.

O Estado Indutor que Precisamos


Por Antonio Delfim Netto - Valor 19/07/2011



Há alguns sinais preocupantes no horizonte para os quais temos de prestar atenção. O primeiro é a clara desarrumação política nos EUA revelada pelo cabo de guerra entre democratas e republicanos. O segundo é com relação à sucessão na China: há indícios de desacordos e ela não parece tão tranquila quanto as últimas. Ninguém sabe ao certo quando alguns problemas econômicos e sociais escondidos revelarão a sua cara. O terceiro é que a Eurolândia continua a tratar um problema de insolvência como se fosse de liquidez, o que a levará a maiores dificuldades. E o quarto é a visível mudança da mídia internacional com relação às perspectivas brasileiras. A impressão é que o setor financeiro se fartou de comer nosso peru com farofa fora do dia de Ação de Graças! Agora os "vendidos" parecem inquietar-se com os mecanismos que, em legítima defesa, o ministro Mantega tem tentado implementar.

A situação americana é realmente complicada: o presidente Obama aproveitou muito mal o "we can" que empolgou o país. Perdeu a confiança do setor real da economia. No início foi mal aconselhado política e economicamente pelos assessores que já devolveu à Academia. Em lugar de prestar atenção ao problema dos honestos que perderam o emprego, exagerou na salvação dos desonestos que produziram a crise. Os efeitos da política econômica com relação ao desemprego, que é a forma mais cruel de desperdício humano, podem ser vistos no gráfico 1, onde se compara a saída da crise de 2007/09 com as quatro que ocorreram desde o início dos anos 70. Ele revela o nível do desemprego nos EUA tendo como referência o mês em que o National Bureau of Economic Research estima o fim de cada recessão. Vemos que depois de um ano e meio do fim da recessão de 2007/09, a taxa de desemprego ainda ronda quase 10%, quando em todas as outras crises ela já havia se reduzido a qualquer coisa como 7,5%. O pior é que o "jeitão" do gráfico não é nada tranquilizador. Nada vai acontecer se o presidente Obama não recuperar a credibilidade e reduzir as incertezas.


O dado mais sintético, que é a taxa de crescimento do PIB, também não parece confortador, como se vê no gráfico 2. Nele se registra o crescimento anual (trimestre contra o trimestre homônimo). Vemos uma rápida recuperação (em V) que depois de atingir o crescimento de "cruzeiro" (3%) dá sinais claros de enfraquecimento.

A informação fundamental para os emergentes é sobre a possível variação do dólar. Como ele é (e continuará a ser durante muito tempo ainda) a moeda que é a unidade de conta, de liquidação de compromissos e de reserva internacionais, o seu valor é determinante na formação dos preços nominais das "commodities". Isso influencia nossas relações de troca, o que explica, pelo menos em parte, a valorização do real. A trajetória de queda do dólar sugere que ainda há espaço para sua maior desvalorização. Não parece, portanto, que o mundo possa contar com uma recuperação robusta da economia americana antes das eleições de 2012.

Quanto à China, ela provavelmente vai crescer, mas não na mesma intensidade nos próximos 20 anos. Ela continuará a busca das três autonomias que caracterizam as potências: a alimentar (que ela persegue firme internamente com novas tecnologias e externamente com a compra de recursos naturais); a energética (com energias renováveis e métodos modernos da extração do "shale" gás); e a militar (que ela já tem suficientemente "dissuasiva"), com investimentos cada vez maiores para garantir o seu controle do "Mar da China".

É preciso não esquecer com respeito à China (e as nossas relações de troca), que os "preços acabam funcionando" e que seus níveis atuais acabarão elevando a oferta mundial de todos os nossos produtos de exportação (principalmente soja e minério de ferro) com consequências sobre eles.





O Brasil precisa colocar suas barbas de molho! Nosso modelo exportador agromineral induzido será incapaz de garantir empregos de boa qualidade para os 150 milhões de brasileiros que terão entre 15 e 65 anos em 2030. É disso que se trata. Precisamos apoiar um programa de desenvolvimento industrial e de serviços que promova forte competição interna e dê aos nossos trabalhadores e empresários inteligente proteção externa com condições isonômicas para exigir deles capacidade competitiva internacional.

É, parece, o que nos oferecerá em breve a presidente Dilma Rousseff.




Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Como reduzir os juros


Demian Fiocca
Valor - 14/07/2011
Dos interessantes artigos publicados pelo Valor sobre câmbio, juros e inflação, emergiram mais perplexidades do que consensos. Modelos abstratos não dão conta desse misterioso equilíbrio brasileiro com juros reais tão altos. A explicação está no exame mais concreto dos mecanismos de transmissão da política monetária.

Face a juros reais médios de 6% a 7%, normalmente se pergunta quais condições excepcionais do Brasil exigem tamanho contrapeso na política monetária.

Uns especulam se o brasileiro tem uma inusual propensão a consumir e somente juros muito altos podem fazê-lo poupar. Outros dizem que é a forte expansão de gastos públicos que exige a contenção do setor privado. Ou seria para compensar o crédito direcionado, segurando o crédito livre. Talvez um alto risco da dívida pública, ou a incerteza jurídica etc.

Nessas hipóteses, a ideia é quase sempre que os juros altos estão compensando alguma outra coisa anômala. Só que não estão. E é essa a grande peculiaridade do Brasil.

Em qualquer parte do mundo, juros reais de mais de 5% deveriam conter o mercado de crédito. Mas, no Brasil, entre 2004 e 2008, por exemplo, os juros reais foram de 9,1% em média e o crédito livre cresceu 25,6% ao ano!

Ou seja, a peculiaridade do Brasil é a baixa eficiência dos próprios juros de curto prazo: muitos, para pouca contenção do mercado privado de crédito.

E note-se que, contrariamente ao que alguns disseram, o crédito direcionado (BNDES, agrícola e habitacional) cresceu menos. Aumentou 17,1% ao ano no mesmo período. Ou seja, foi o crédito livre que os juros reais muito altos não conseguiram conter. A demanda agregada teria crescido ainda mais, exigindo juros ainda mais altos, se o crédito direcionado reagisse como o crédito livre.

A ideia é quase sempre que a taxa elevada está compensando alguma outra coisa anômala. Só que não estão

Mas deixemos de lado o crédito direcionado e examinemos o crédito livre, que é a ponta final do mecanismo de transmissão pelo qual a Selic deveria conter a demanda e segurar a inflação.

Na maior parte do mundo, a dívida pública é prefixada e de longo prazo. Os bancos são grandes detentores de dívida pública e sofrem perdas quando os juros sobem. Essa perda de capital deixa os bancos mais cautelosos. Eles então alteram suas políticas, no sentido de conter a oferta de crédito.

Deveria funcionar assim: o Banco Central (BC) muda os juros de curto prazo; o mercado corrige as taxas de longo prazo na mesma direção; estes provocam ganhos ou perdas de capital; que influenciam a política bancária; que altera a oferta de crédito; que afeta a demanda agregada; que influencia a inflação.

No Brasil, grande parte da dívida pública é indexada aos juros de curto prazo. Assim, os ganhos ou perdas de capital dos bancos são menos relevantes e não alteram a oferta de crédito na mesma intensidade.

Além disso, como essa dívida corresponde a 24% do Produto Interno Bruto (PIB), cada alta dos juros de 1% expande a demanda agregada em 0,24% do PIB, pela maior injeção de dinheiro na economia, pago aos investidores de curto prazo. Esse efeito indesejado é insignificante nas economias com dívida pública prefixada.

Desse modo, é como se no Brasil a Selic fosse um freio que, além de ser fraco, ainda estivesse enganchado no acelerador. Pelo lado do crédito livre, contém menos a demanda que em outras economias. Pelo aumento imediato do pagamento de juros, estimula a demanda. O efeito líquido felizmente ainda está na direção esperada. Ou seja, o carro perde velocidade. Mas gasta muito mais pastilha de freio e combustível ao mesmo tempo.

Essa baixa eficiência da Selic significa que os juros no Brasil são altos, não porque precisam ser altos, mas porque podem ser altos. A boa notícia é que eles também podem ser mais baixos.

Imagine-se que o efeito "freio fraco com acelerador enganchado" fosse neutro, ou seja, que as forças opostas do freio e do motor se compensassem. Nesse caso, o carro pode manter a mesma velocidade tanto freando e acelerando muito (com juros altos), como freando e acelerando pouco (com juros baixos).

A baixa eficiência da Selic implica que uma taxa mais baixa provavelmente não trará um impulso expansionista tão forte e, portanto, demandará ajustes apenas moderados em outros condicionantes da demanda agregada. A consequência teórica disso é que é promissora a intuição de Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que o Brasil pode apresentar dois equilíbrios, um com juros altos e outro com normais.

A consequência prática é que temos um caminho viável para conduzir a economia a taxas de juros de curto prazo mais próximas dos padrões mundiais.

Não se trata de questões mitológicas, como mudar a psicologia de um brasileiro supostamente ultra-consumista, ou tentar convencer-se da hipótese de que um déficit público de apenas 2,5% do PIB e uma dívida/PIB em queda afugentam credores.

Trata-se de desenhar uma transição da política monetária mesmo, utilizando instrumentos complementares, como os controles macroprudenciais. Fazer uso menos intenso da Selic e uso mais intenso de instrumentos que tenham o mesmo efeito sobre a oferta de crédito, sem o efeito contrário e indesejado da injeção de dinheiro na economia.

Uma transição gradual combinaria a manutenção do elevado superávit primário e, possivelmente, juros de longo prazo nos níveis atuais, para evitar uma inflação de ativos. É desejável que o efeito compensatório das medidas macroprudenciais seja cada vez mais mensurado e explicitado, visando à coordenação de expectativas.

Em todo o mundo, a discussão sobre mecanismos de transmissão da política monetária é mais familiar a profissionais de Bancos Centrais do que a macroeconomistas. Talvez por isso ela não receba espontaneamente grande atenção.

No Brasil, porém, a visível baixa eficiência da Selic demanda esse tratamento menos abstrato e mais detalhado da política monetária.

A competência que a diretoria do BC mostrou neste início de ano, debelando com serenidade o suposto risco de descontrole da inflação propagandeado por alguns economistas, mostra que o Brasil está à altura de superar mais esse desafio.

Demian Fiocca é autor de "A Oferta de Moeda na Macroeconomia Keynesiana". Foi presidente do BNDES e da Nossa Caixa. É sócio-diretor da Mare Investimentos.

Mercado começa a fazer as contas de uma desaceleração da China

Dexter Roberts | Bloomberg Businessweek
18/07/2011

A agência de classificação de crédito Moody's Investors Service diz que a China subestimou em meio trilhão de dólares a exposição das carteiras de empréstimos de bancos estatais a governos locais. Apesar de cinco elevações dos juros desde outubro passado, a inflação agora está em 6,4%, a mais rápida desde 2008. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 9,5%, seu ritmo mais lento em quase dois anos.

Ninguém está afirmando que a economia da China vai esfriar. Em abril, uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg junto a economistas estimou que a economia crescerá mais de 9% neste ano. O governo está repleto de dinheiro e pronto a dar apoio aos principais bancos e empresas, caso as coisas começarem a escapar ao controle.

Mas investidores pessimistas como James Chanos, da Kynikos Associates, questiona se a China poderá domar a inflação e impedir o excesso de investimentos em projetos imobiliários e em fábricas sem provocar um pouso forçado.

"Muita gente no mercado está agora fazendo essas perguntas que antes não estavam colocando", diz Patrick Chovanec, professor de negócios da Universidade de Tsinghua. "Antes, o caso chinês era tão vigoroso que superava todas as dúvidas. Agora, há uma grande mudança de percepção".

Se ocorrer um crash ou uma desaceleração - o que a maioria dos analistas define como um crescimento abaixo de 7% - isso será resultado de inflação ou de uma reversão no mercado imobiliário. O Partido Comunista Chinês está relutante em permitir que a inflação fique alta, diz Chovanec.

Na década de 1940, a hiperinflação converteu os cidadãos chineses comuns em comunistas. Uma inflação de aproximadamente 20% foi uma das razões pelas quais manifestantes tomaram a Praça da Paz Celestial em 1989.

Caso a inflação ultrapasse 10% por muito tempo, "eles vão tirar um Volcker do chapéu", diz Chovanec. Paul Volcker, o ex-presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), derrotou a alta inflação nos EUA com taxas juros tão altas que mergulhou o país em grave recessão.

No setor imobiliário, a festa durou tempo demais. Como assinala Nicholas Lardy, do Instituto Peterson de Economia Internacional, a inflação na China está "comendo" o rendimento dos depósitos em poupança, hoje de 3,5%. Isso levou muitos chineses a aplicar parte de sua poupança em apartamentos. Atualmente, 9% do produto da economia vem de investimentos em habitação residencial. O número era 3,4% em 2003. Com o boom de construção já bem avançado, a oferta está, finalmente, superando a demanda.

Se os preços dos apartamentos caírem muito, os chineses comuns correrão o risco de perder suas poupanças e os governos locais não serão capazes de pagar os empréstimos que levantaram para investir em projetos residenciais e comerciais. Em alguns casos, os governos locais também dependem da venda de terrenos para obter mais de 60% de suas receitas, diz Joseph Cheng, cientista político na City University, em Hong Kong.

Em caso de estouro de uma bolha no mercado imobiliário, poucos estarão comprando terrenos. Uma reversão no mercado imobiliário derrubaria os fabricantes locais de aço, cimento e de equipamentos para residências.

Victor Shih, cientista político da Northwestern University que estuda o problema da dívida local, diz que os bancos estão reagindo aos fracos retornos sobre seus investimentos em todo o seu leque de atividades - de imóveis a linhas de metrô. "O foco dos bancos, agora, é usar os crédito existentes para garantir que haja não calote dos empréstimos", diz Shih. "Isso torna o crédito para novos projetos mais difíceis, razão pela qual estamos vendo uma desaceleração."

A Moody's estima que entre 8% e 12% da carteira total de empréstimos na China podem não estar sendo honradas. O número oficial é 1,2%. Neste ano, a Fitch Ratings alertou que a inadimplência dos tomadores de empréstimos poderá subir para até 30%. Especialmente vulneráveis são as pequenas empresas. Elas respondem por 80% do emprego, segundo o Ministério da Indústria e de Tecnologia da Informação, mas têm dificuldades para obter crédito. "Eles não têm liquidez suficiente para todos", diz Tao Dong, economista-chefe regional do Credit Suisse, em Hong Kong.

A China consome quase metade da produção mundial de minério de ferro, carvão e aço, e 40% de seu cobre. O impacto de uma desaceleração no Chile, produtor de cobre que envia 23% de suas exportações para a China, seria considerável. A Samsung, que em 2010 obteve 20% de sua receita na China, venderia muito menos televisores e telefones celulares. Multinacionais que fabricam equipamentos de infraestrutura sentiriam os efeitos. O mesmo aconteceria com a Toyota, General Motors e Volkswagen.

A Fitch, que em junho publicou um estudo sobre o que um lento crescimento chinês causaria ao mundo, diz que os principais parceiros comerciais da China na região Ásia-Pacífico seriam os mais afetados. Se a China crescer apenas 4% em 2012, diz o relatório da Fitch, uma queda acentuada nas exportações de commodities para a China prejudicaria o dólar australiano, provocando uma alta dos juros que, por fim, prejudicaria o superaquecido mercado imobiliário.

Se o governo chinês tiver de recapitalizar seus bancos e fomentar obras públicas, diz Tony Stringer, diretor da Fitch, a tensão no Orçamento poderia obrigar os chineses a comprar muito menos títulos do Tesouro dos EUA. Os americanos teriam de oferecer juros mais altas por seus títulos para atrair outros compradores, o que elevaria o custo do serviço da dívida. Os EUA, porém, se beneficiariam da queda nos preços das commodities, especialmente do petróleo, com uma diminuição do apetite chinês.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O meu é maior



O Professor Doutor Francisco Nepomuceno, foi a Londres dizer que as descobertas do pré-sal podem conter um volume equivalente ao do mar do norte antes do início da exploração, ou seja, 62 bilhões de barris.

Disse também que a Petrobrás pretende triplicar sua atual produção até 2020 para 6 milhões de barris por dia.

Parece coisa de adolescente.

Imagino que os impassíveis ingleses tenham desconfiado do tamanho do “peixe” que foi lá o Chico vender munido somente de uma foto 3X4, fazendo constar em nota o seguinte:

1- Que de acordo com o órgão regulador do país de Quixadá, as reservas brasileiras estão milhas abaixo do solo oceânico debaixo de várias camadas de rochas de sal, chutadas em 50 bilhões de barris.

2- Que o poço Lula, a maior descoberta em três décadas e o mais produtivo, jorrou para fora em maio somente 36.322 barris por dia em óleo e gás natural.
3- Que a produção de petróleo no mar do norte teve seu pico em 1999 em 6 milhões de barris por dia.

Tudo muito sutilmente, claro, para não deixar o Chico como reles vendedor de rifa, com seu plano de qüinqüenal de investimentos de 224 bilhões de dólares...


Ronaldo Pignataro

DEFICIT EUA



GLOBO 15/07/2011

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Importação afeta emprego na indústria de SP


Valor 15/07/2011
A concorrência do produto importado afetou parte da indústria paulista e provocou queda no nível de emprego em três dos 22 setores pesquisados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na comparação entre janeiro e junho de 2011 e 2010. As demissões aconteceram em artefatos de couro, calçados e artigos para viagem, confecção de artigos do vestuário e acessórios e produtos têxteis, com recuo de 6%, 1,3% e 0,7%, respectivamente. No mesmo período, o nível de emprego do conjunto da indústria do Estado de São Paulo cresceu 4,5%, com a criação de 116,5 mil vagas.

Entre junho e maio, a queda de 0,13% do nível de ocupação, com o fechamento de 500 vagas, foi distribuída em nove dos 22 setores e em 17 das 36 regiões. Os segmentos de têxteis e calçado registraram saldo negativo de 661 e 575 vagas, respectivamente. Das regiões que compõem a pesquisa da Fiesp, a queda mais acentuada no nível de emprego foi registrada em Botucatu, com recuo de 9,5% sobre maio. Segundo a Fiesp, o setor que mais influenciou esse movimento foi o de confecção e artigos de vestuário e acessórios - queda de 69,4%.

Moacir Fernandes Filho, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Botucatu, explica que o fechamento de uma grande empresa da região que está em processo de recuperação judicial é responsável pelo péssimo resultado mensal. Algumas das outras indústrias do setor alocadas nos 41 municípios da regional, porém, ainda estão contratando.

De acordo com ele, a produção da empresa em concordata era em sua maioria voltada ao mercado externo, e perdeu espaço para o produto asiático. Segundo outra fonte da Ciesp, que não quis se identificar, o fechamento da fábrica resultou em 500 demissões.

Fernandes reconhece, porém, que o setor têxtil vive um mau momento. "Sabemos que existem algumas barreiras para a importação, o que continua dando um certo alento, mas alguma coisa tem de ser feita para conter o câmbio. Algumas empresas conseguem sobreviver porque estão inovando, mas outras perdem competitividade para produtos asiáticos".

Para Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, o que mais afeta a indústria no cenário atual é o aumento do coeficiente de importação - o peso no consumo local. "Quando você sai de uma taxa de 18,6% em 2008 e vai para 22% em 2010, isso reduz uma barbaridade de empregos e renda", argumentou.

De acordo com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o volume importado de produtos têxteis pelo Brasil aumentou 24,5% entre janeiro e maio de 2011, na comparação com mesmo período ano passado. A importação no setor de artefatos de couro e calçados foi 35,6% maior no mesmo período.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Números da IEA



GENEBRA - O crescimento da demanda de petróleo deve acelerar no ano que vem, e a América Latina será a região fora do cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) com maior expansão na produção, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).
A agência apresentou ontem sua primeira projeção para 2012, menos conservadora que a da Opep e apontando para pressões no suprimento da principal commodity mundial.
A expectativa é de que o uso de petróleo crescerá em 1,47 milhão de barris por dia, basicamente nas economias emergentes, que continuarão sendo o motor da economia global.
A América Latina terá o maior crescimento na produção, com a oferta aumentando em 270 mil barris por dia, para totalizar 4,6 milhões de barris diários.
O Brasil dará a maior contribuição, com aumento da produção total de petróleo em 175 mil barris/dia, totalizando 2,4 milhões de barris diários, graças também a exploração de oleo no pré-sal.
Mas a AIE destaca que, apesar de o Brasil ter uma longa lista de novos projetos de "upstream", persistem algumas preocupações sobre a espiral de custos e a capacidade da oferta doméstica da indústria de serviços para satisfazer um cronograma do projeto ambicioso com conteúdo local obrigatório.'
Nota que a Petrobras adiou novamente a publicação do seu tão aguardado plano de investimentos 2011-2015, "supostamente por disputas sobre os custos, especialmente para os ambiciosos projetos de downstream e temores do governo resultante de preços dos combustíveis e da inflação".
A Colômbia será outra fonte chave da região. A produção deverá aumentar em 85 mil barris/dia, alcançando 1 milhão de barris/dia em 2012. Na Argentina, as greves que tinham atingido a produção de petróleo na região de Santa Cruz teriam fracassado. Projeções para 2012 apontam produção estável em 675 mil barris/dia.
Os preços do petróleo em Nova York e em Londres avançaram ontem com a divulgação do relatório de energia dos EUA e com o crescimento da economia chinesa. O contrato WTI para agosto teve alta de 62 centavos de dólar, para US$ 98,05. O contrato de setembro subiu 64 centavos de dólar, cotado a US$ 98,49. Em Londres, o Brent para agosto elevou-se US$ 1,03, a US$ 118,78. O vencimento de setembro registrou elevação de US$ 1,03, fechando o dia cotado a US$ 118,78.
As reservas americanas de petróleo caíram em 3,1 milhões de barris na semana passada e as de gasolina cederam em 800 mil barris. As reservas de destilados, contudo, subiram na semana encerrada em 8 de julho. As refinarias utilizaram 88% da capacidade operacional na semana passada.

Um fato estranho é a divulgação pelo site da agência da seguinte nota:

"Global oil supply in June increased by 1.2 mb/d from May, to average 88.3 mb/d, with OPEC crude rising by 0.8 mb/d to 30 mb/d as Saudi Arabia boosted supply. Non-OPEC supply is now seen averaging a lower 53.1 mb/d in 2011, on prolonged production outages, before rising to 54 mb/d in 2012. The ‘call on OPEC crude and stock change’ now rises by 1.3 mb/d in 3Q11 to 31.3 mb/d. It averages 30.7 mb/d for 2012, +0.1 mb/d versus 2011. "

dizendo que a oferta de petroleo foi aumentada em 1,2 milhões de barris diários em junho, proporcionado, basicamente, pelo incremento de produção da Arábia Saudita.

Volume considerável , e estranho, não ter havido contrapartida na redução dos preços.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PARQUE INDUSTRIAL MUNDIAL



A produção mundial de aço em maio de 2011, representada pela consolidação dos 64 países integrantes da WSA (World Steel Association), foi de 130 milhões de toneladas, volume 4,2% maior quando comparado ao mesmo mês do ano anterior.
A produção da China sozinha foi de 60,2 milhões de toneladas, maior em 7,8% quando comparado a maio de 2010. Japão produziu 9,0 milhões de toneladas, uma redução de 7,0% devido aos desastres climáticos. A Coréia do Sul produziu 5,9 milhões de toneladas, 12,8% maior que em maio de 2010.
Na zona do euro, a produção da Alemanha foi de 4,1 milhões de toneladas, com aumento de 1,1%, Itália 2,6 com aumento de 6,9% e Espanha queda de 5,5% para 1,6 milhões de toneladas.
A produção brasileira em maio de 2011 foi de 3,3 milhões de toneladas, com incremento de 14,7% quando comparado com maio de 2010, Estados Unidos estável em 7,3 milhões, e Iran 1,1 milhões, com incremento de 4,5%.

O que chama a atenção além da esmagadora supremacia chinesa é que o país vem se consolidando como o parque industrial mundial, situação que poderia se reverter somente com uma forte alta no custo dos transportes. Mesmo assim, a cristalização da dependência mundial à industria chinesa poderá colocar aquele país a reinar de forma absoluta no futuro em condições inimagináveis ao olhar pelo passado da humanidade.



Crise mundial e ausência de precaução




Por Carlos Lessa - Valor 13/07/2011




Uma crise financeira mundial pode ser considerada um câncer cujas metástases se manifestam por muito tempo, se não for estirpado o núcleo e suas infiltrações. O presidente Lula considerou-a, inicialmente, produtora de simples "marolinha" no Atlântico Sul. Posteriormente, foi obrigado a levá-la a sério, porém tão logo o Federal Reserve (Fed, banco central americano) socorreu o sistema bancário americano, assumiu que o câncer havia sido debelado. A presidente Dilma parece ter a mesma postura e o Brasil continua sem salvaguardas (sequer são discutidas) contra as metástases.
Na zona do euro, a doença progride de forma inexorável. Irlanda, Grécia e Portugal já foram indicados para uma "Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)". A progressão já ameaçou a Espanha e, agora, a Itália parece estar sendo atingida. Toda a Europa está amedrontada e perplexa em relação ao modo de enfrentar a crise; França, Alemanha e Grã Bretanha apresentam propostas pouco convergentes.
No Brasil, persiste uma euforia quase ininteligível. Sofremos com a crise e, apesar da recuperação parcial, não conseguimos sequer igualar-nos ao desempenho da Argentina, que cresceu mais que o Brasil. Cada vez mais assumimos a configuração econômica de país exportador de alimentos e matérias primas. Ressurgiu o discurso de "Brasil celeiro do mundo", que se nutrirá exportando alimentos para saciar a fome do mundo. Essa autodenominação é retórica, pois existem milhões de famílias brasileiras com fome e péssima qualidade de vida. O Brasil deveria se preocupar, em primeiro lugar, com a boa alimentação dos brasileiros. Seria uma medida elementar restaurar o imposto de exportação sobre alimentos; com esse imposto, poderíamos desfrutar dos altos preços internacionais e praticar internamente preços em real menores, favorecendo os consumidores nacionais. Hoje, 80% da população é urbana e compra alimentos referenciados a taxa cambial do dólar. O governo brasileiro não tem mais estoques reguladores de suprimento interno de alimentos; quem deles dispõe são empresas que, quando monopólicas, desfrutam de vantagens excessivas. Aliás, essa é a razão do Banco Central praticar a política de juros elevados, pois dessa forma atrai capitais especulativos do exterior e valoriza o real.
Apesar da recuperação parcial, não conseguimos igualar-nos ao resultado da Argentina, que cresceu mais que o Brasil
A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária. A valorização sustentada do real reduz o preço dos produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação) o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É extremamente perversa a repercussão da hipervalorização do real sobre a atividade econômica interna. Empresas que dominam fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados que o Brasil produzia e domina a tecnologia.
Há um silêncio sobre o s custos, a longo prazo, desse padrão de política anti-inflacionária. As reservas internacionais brasileiras crescem, porém o Banco Central (BC), gestor dessas reservas, as constitui emitindo Títulos de dívida do Tesouro. O povo brasileiro paga a taxa Selic por essa dívida e o BC recebe uma ínfima remuneração da reserva que aplica em papéis do Tesouro americano. Esse é um buraco sem fundo, que recolhe impostos e paga juros. Parcela significativa dos impostos e contribuições se alimentam do superávit primário e, sendo insuficientes, engendram novas emissões de títulos de dívida do Tesouro brasileiro.
Em tempo: são mantidas as indexações das principais tarifas de serviços públicos e, indiretamente, via sistema bancário, há uma proteção (pelo menos parcial) do caixa das empresas. Os bancos remuneram os depósitos à vista com parcela dos juros que recebem dos Títulos de dívida pública.
Simultaneamente a essa "política anti-inflacionária", que mutila o investimento público e orienta as empresas para especulações financeiras, as famílias são induzidas a se endividarem a longo prazo não para comprar a moradia, mas com eletrodomésticos, móveis, veículos, etc. Em uma economia pouco dinâmica, que admite a destruição de empregos e sacrifica o crescimento econômico em nome da estabilização, o endividamento familiar cria uma perigosa bolha cuja manifestação mais evidente é a inadimplência das famílias. Em junho o recorde na taxa de inadimplência reproduziu o cenário de nove anos atrás.
A crescente inadimplência familiar é, em curto prazo, o efeito combinado da alta da taxa de juros com a elevação do IOF. Em longo prazo, a estagnação e o medíocre crescimento continuarão a produzir inadimplência e assistiremos a consolidação de duas tendências inquietantes: pela primeira, nossa juventude sem esperança lança seu olhar para o resto do mundo e emigra; pela segunda, uns poucos grupos brasileiros bem sucedidos passarão a adquirir empresas em outros países. A defesa do nível de atividade da economia, mediante um modelo "Casas Bahia", não é sustentável a longo prazo. Após um longo período, em que a frota de veículos cresceu 9% ao ano e foi implantado o congestionamento como padrão urbano brasileiro, com elevação de acidentes rodoviários, no momento os pátios das montadoras estão lotados e serão concedidas férias coletivas. É difícil imaginar o Brasil exportando crescentemente veículos; é visível o aumento de carros importados do exterior.
É assustadora a ausência de discussão sobre salvaguardas e sobre a retomada de um padrão de desenvolvimento nacional que gere empregos e renda para os jovens.


Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. carlos-lessa@oi.com.br

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desafios da Política Macroeconômica





Por Yoshiaki Nakano Valor 12/07/2011





Os desdobramentos da grande crise financeira, a ascensão da China e mudanças estruturais pelas quais passa a economia global e a economia brasileira nos últimos anos colocam enormes desafios aos economistas brasileiros. Vivemos uma época histórica ímpar em que somos obrigados a repensar a economia diante das mudanças impostas pela necessidade de enfrentar os novos problemas ou velhos problemas em novos contextos.
Os desafios e os problemas estão postos, mas o verdadeiro debate nem começou ainda. Os economistas ainda se reúnem em grupos doutrinários e de interesses, continuam defendendo as suas "verdades", contidas nos seus pressupostos ou aquelas que convêm aos seus interesses. Em vez de destilar doutrinas, é preciso caminhar para um debate pragmático para enfrentarmos os problemas novos que nos apresentam.


Vamos nos restringir ao problema da inflação que ganhou novos componentes e impõe alguns desafios, particularmente o fato de os instrumentos até agora utilizados tornarem-se insuficientes diante do novo contexto trazido pelas mudanças tanto na economia global, como doméstica. Além disso, sabemos que, para cada problema, devidamente convertido em objetivo da política, é necessário um instrumento para resolvê-lo. Hoje, os instrumentos utilizados são em número muito menor do que as metas e objetivos a serem enfrentados.


Pleno emprego e inflação dos serviços estão aí para exigir mais eficácia da política de juros do que no passado


Hoje todos concordam que a inflação tem origens externa e interna. Do lado externo, a elevação dos preços das commodities causada pelo excesso de demanda global gerado pela rápida expansão econômica da China e de outros países asiáticos. Esse novo quadro inflacionário veio substituir o quadro anterior de desinflação, em função da contenção dos salários nos países desenvolvidos, pelo "deslocamento" das fábricas e empregos para China e outros países com baixos salários e da queda nos preços das manufaturas pela acirrada competição global. No quadro desinflacionário, a política de metas de inflação, com os bancos centrais perseguindo uma única meta, com um instrumento, a taxa de juros, podia ser aceitável, já que a meta de emprego ou de crescimento era providenciada pelo "boom de crédito".
Com a crise financeira, a política monetária assumiu novas funções e a política de metas de inflação precisará ser repensada, incorporando no mínimo novos instrumentos e metas.
Essa elevação generalizada dos preços de commodities, especialmente no caso dos alimentos, é um fenômeno novo, pelo menos no período pós-guerra, e tem também uma inovação. A causa original do excesso de demanda global tem sido impulsionada pela inovação financeira, que converteu as commodities e as moedas de países produtores em ativos financeiros, objeto hoje de forte especulação.
No novo quadro inflacionário, o instrumento taxa de juros tem eficácia limitada, pois a demanda tanto de alimentos como de petróleo são inelásticas e não consegue inibir a especulação financeira.
Além disso, a atual pressão inflacionária não é passageira, decorrente de simples quebra de safra, mas um deslocamento persistente para cima na demanda, em função do rápido crescimento da China e Índia em que a oferta só conseguirá eliminar o excesso de demanda no longo prazo. E mais, a elevação da taxa de juros atrai fluxo de capitais e aprecia a taxa de câmbio e tem efeitos perversos.
Taxa de juros elevadas e taxa de câmbio apreciada inibem novos investimentos em vez de ampliar a oferta de commodities e geram déficits em transações correntes. O aumento do fluxo de capitais acaba expandindo a oferta de moeda e de crédito.
Do lado interno, a causa da aceleração da inflação no Brasil que preocupa neste momento é a elevação dos salários, acima da produtividade, e que está pressionando principalmente o setor de serviços. Aqui há um fenômeno novo, pois, pela primeira vez, atingimos o "pleno emprego" e, com isso tudo indica que a chamada "curva de Phillips" que estabelece um "trade off" entre variação da taxa de salário e taxa de desemprego começa a valer de fato no Brasil. Não é o esgotamento da capacidade ociosa na indústria, nem a depreciação da taxa de câmbio ou algum choque de oferta doméstica que pressionam a inflação, mas o esgotamento relativo do excesso de oferta de trabalho.
Mudanças demográficas ocorridas ainda na década de 70 e 80, com redução na taxa de natalidade e que já há alguns anos vem diminuindo o número de trabalhadores que procuram o seu primeiro emprego, modificou completamente a dinâmica do mercado de trabalho no Brasil.
Além disso, é do setor de não "tradables" que vem a maior pressão inflacionária, pois a apreciação da taxa de câmbio não tem efeito anti-inflacionário neste setor, ao contrário, a apreciação, ao elevar os salários, geram pressões de demanda e inflação, exatamente em setores não expostos à competição das importações. É importante lembrar que a apreciacão da taxa de câmbio significa elevação relativa de preços dos setores não "tradables" onde a produtividade aumenta menos do que no setor de "tradables", expostos a competição internacional. Isso somado à desindustrialização fará com que a produtividade cresça lentamente na economia brasileira, fazendo com que os custos unitários de trabalho tenham que ser repassados aos preços.
Os desafios estão postos: "pleno emprego" e inflação do setor de serviços estão aí para exigir muito maior eficácia da política de juros do que no passado.


Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do governo Mário Covas (SP), professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas - FGV/EESP.

NOVAS RESTRIÇÕES TENTAM CONTER APRECIAÇÃO DO REAL

VALOR - 12/07/2011


O Banco Central (BC) voltou à carga em seu esforço para conter a apreciação do real. Foi esse o alvo final da medida anunciada sexta-feira para inibir o aumento crescente das apostas na desvalorização do dólar, embora a justificativa oficial tenha sido evitar perdas para o sistema financeiro em caso de uma virada súbita na tendência de queda da moeda americana.
A valorização do real é inegavelmente resultado do sucesso da economia do Brasil, que, assim como outros mercados emergentes, saiu mais rápido da crise internacional, atraindo os investidores internacionais. As agências de rating reconheceram isso e melhoraram a classificação do país, o que trouxe mais dinheiro estrangeiro.
O excesso de fluxo de capital para os países emergentes foi um dos principais temas do discurso de Christine Lagarde ao assumir o posto de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana passada. Christine disse que está havendo um desequilíbrio global, em que as economias avançadas, sob o peso de gigantesca dívida pública, não conseguem voltar a crescer, enquanto os emergentes já enfrentam superaquecimento e inflação em alta.
O Brasil e outros mercados emergentes recorreram à elevação dos juros para segurar a inflação e esfriar a economia, o que acabou trazendo mais dólares, uma vez que as economias avançadas estão com os juros perto de zero para tentar animar os negócios.
Contribui também para a valorização do real a crescente receita em dólares obtida pelas exportações de commodities, cujos preços estão em alta e contribuem com cerca de 70% das vendas externas neste ano.
Desde outubro de 2010, o Banco Central já anunciou mais de uma dezena de providências para suavizar a alta do real e dar alguma sustentação ao dólar, sem muito sucesso.
O dólar fechou o primeiro semestre com uma queda de 6,24% frente ao real e começou julho com a menor cotação desde janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou a política de câmbio fixo.
As medidas tomadas procuraram inibir o investimento estrangeiro especulativo em operações de renda fixa, que entra no país como aplicações ou empréstimos de curto prazo. A primeira providência foi tomada em outubro de 2010, quando o IOF sobre investimento estrangeiro em renda fixa foi elevado para 4% e, pouco depois, para 6%. Em março deste ano, foi aplicado um IOF de 6% sobre os empréstimos de um ano e, pouco depois, estendido a operações de até dois anos.
Apesar de o Brasil ter fechado o primeiro semestre com captação externa recorde de US$ 30,6 bilhões, entre empréstimos e bônus, segundo levantamento feito pelo Valor , os resultados das restrições já podem ser sentidos. Os primeiros sinais apareceram no segundo trimestre, culminando em junho, quando o saldo no câmbio foi negativo pela primeira vez no ano. No câmbio financeiro, as saídas superaram as entradas em US$ 3,934 bilhões; e no comercial, em US$ 1,378 bilhão. Como resultado, o saldo ficou negativo em US$ 2,556 bilhões.
O sinal amarelo passou para o vermelho quando, apesar de ter saído mais dólares do que entrado, a moeda americana mergulhou para a menor cotação em 12 anos.
A contradição disparou as ameaças de sempre do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse ainda ter mais armas para a guerra cambial.
As ameaças se traduziram, de fato, em novas restrições no mercado de câmbio, desta vez dirigidas para as operações vendidas dos bancos. No início do ano, o BC já havia limitado as apostas dos bancos na queda do dólar a US$ 3 bilhões ou o valor do patrimônio, o que fosse menor. Agora, o limite caiu para US$ 1 bilhão ou o valor do patrimônio. Sobre o que exceder esse montante recai um compulsório de 60%. Além disso, o BC pretendeu esvaziar a especulação também no mercado futuro, voltando a vender swaps reversos, operação que equivale à compra futura de dólares, na primeira operação do ano sem a finalidade de rolar posições antigas.
Como o dólar vem perdendo valor, o BC já perdeu R$ 1,73 bilhão com essas operações neste ano.
É difícil saber se as novas medidas terão efeito significativo e duradouro. Quando a primeira restrição às posições vendidas foi implantada, em março, elas foram reduzidas. Mas voltaram a subir depois, fechando junho em US$ 14,69 bilhões. Agora o BC quer que o mercado volte para os US$ 10 bilhões, patamar que considera adequado.
E o governo acabou emitindo sinais contraditórios ao mercado porque, pouco antes de o Banco Central anunciar as medidas restritivas, o Tesouro lançou papéis no exterior, captando US$ 500 milhões.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

CHINA PRONTA PARA QUEBRAR O MUNDO



The Wall Street Journal


Mais de um ano depois de a China começar a deixar sua moeda se valorizar em relação ao dólar, o país se tornou uma potência exportadora ainda maior, o que aumentou seu domínio do setor e tem complicado os esforços de outros países para tirar dela empregos no setor manufatureiro.
A prova mais recente da potência da China surgiu ontem, quando o governo divulgou que as


exportações atingiram US$ 162 bilhões em junho e US$ 874 bilhões no primeiro semestre, ambos recordes que representam uma alta de quase 20% em relação a um ano antes.

O crescimento, que ocorreu apesar das dificuldades econômicas em mercados importantes como os EUA e a Europa, bem como as paralisações na cadeia de produção no Japão, deve aumentar a pressão dos EUA e de outros países para Pequim deixar o yuan se valorizar mais e com maior rapidez.
O superávit comercial da China em junho, acompanhado com atenção, aumentou para mais de US$ 22 bilhões, ante US$ 13 bilhões em maio, números que indicam ausência de progresso na meta do G-20 de reequilibrar o crescimento mundial. Mas o superávit comercial da China no primeiro semestre caiu 18%, o que reflete suas compras crescentes de matérias-primas usadas em projetos de infraestrutura. Isso aumentou o valor das importações ainda mais que o das exportações.
O forte desempenho exportador chinês surge em meio à alta dos custos dos fabricantes locais, que enfrentam a maior inflação em três anos, reajustes salariais determinados pelo governo e um yuan que subiu mais de 5,5% em relação ao dólar nos cerca de 13 meses desde que o país começou a deixá-lo se valorizar - embora tenha caído frente a outras moedas importantes no mesmo período.
Realmente, desde que a China começou a deixar o yuan se valorizar em relação ao dólar, em junho de 2010, as exportações chinesas acabaram é crescendo nos maiores mercados, segundo dados compilados pela Global Trade Information Services, uma provedora de dados americana de Columbia, na Carolina do Sul.
Os críticos da China, como os integrantes mais furiosos do Congresso americano, dizem que a moeda subvalorizada da China representa uma ajuda injusta a seus exportadores. Os EUA - e vários economistas chineses - dizem que o yuan também impede que a economia da China evolua para uma dependência menor do comércio internacional e atenda mais à demanda interna.
"É impressionante quanto já foi escrito sobre o yuan, mas quando se veem os dados, tão pouco mudou", diz Luca Silipo, economista-chefe para a Ásia do banco francês de investimento Natixis.
Como a China se adapta à alta dos custos tem consequências importantes para o resto do mundo. Países na África, Ásia e América Latina estão tentando aproveitar o momento para roubar da China empregos de baixo salário.
Embora existam indícios de que têm se conseguido pequenos ganhos em áreas específicas como vestuário e calçados, a China continua na vantagem por causa do vigor da cadeia de suprimento desenvolvida no país durante décadas, e porque as empresas chinesas estão se ajustando rapidamente à nova realidade, transferindo a produção para mercados mais baratos na zona rural, reformando fábricas com automação e expandindo para produtos de maior valor agregado, como os eletrônicos.
Um exemplo é a indústria de brinquedos. Os trabalhadores chineses fabricaram 64% dos brinquedos exportados no mundo em 2010, segundo a Global Trade Information Services, e o país têm a maior e mais diversa rede de fornecedores de peças e embalagens de brinquedo no mundo.
A alta do custo na China levou Ronnen Harary, presidente do conselho e co-fundador da Spin Master, uma das maiores fabricantes de brinquedos da América do Norte, a estabelecer a meta de transferir 20% de sua produção de bonecos, baralhos colecionáveis e outros brinquedos pra fora da China. Hoje ela fabrica no país praticamente todos os seus brinquedos.
Mas até agora Harary tem tido dificuldades para justificar a mudança. Depois de um ano procurando no sudeste da Ásia, sua preferência é o vizinho Vietnã, onde as autoridades estão "famintas e motivadas" pelo negócio, "como a China era há 15 anos", disse ele. Mas a vantagem no custo parece efêmera: ele acha que os salários do Vietnã, hoje 10% menores que os da China, vão subir logo.
"O problema é você ir para o Vietnã e só conseguir talvez uns três anos de alívio", disse ele. E mudar para o Vietnã significa abrir escritórios lá, transportar suprimentos de caminhão da China e enfrentar as estradas, portos e armazéns menos desenvolvidos do país.
Durante os 12 meses até abril, os números mais recente disponíveis, 18,9% do valor total das importações americanas vieram da China, frente a 18,5% em 2007, antes de o comércio mundial entrar em parafuso por causa da crise financeira.
Na Europa, a China respondeu por 18,4% do valor total das importações nos 12 meses encerrados em abril, ante 17,7% nos 12 meses anteriores e 16% em 2007.
O apelo chinês para os consumidores europeus também foi incrementado pela queda de 11% no yuan em relação ao euro desde junho, embora a moeda chinesa tenha se valorizado em relação ao dólar. Isso barateia os produtos chineses na zona do euro. O enfraquecimento do yuan em relação ao euro também ajuda a China a derrotar países como Itália e Espanha na disputa para exportar para mercados como os EUA.
Quando comparado a todas as moedas dos maiores parceiros comerciais da China, o yuan caiu quase 5% nos 12 meses encerrados em maio, segundo o Banco de Compensações Internacionais.
O domínio chinês sobre as exportações, especialmente em segmentos com uso intensivo de mão de obra, provavelmente vai enfraquecer com o tempo, à medida que as empresas abram fábricas em outros lugares. Os políticos chineses esperam que os aumentos salariais dos trabalhadores chineses e a valorização da moeda acabem direcionando a economia para produzir mais para o mercado interno e a distanciem da dependência das exportações. Mas economistas dizem que uma mudança como essa pode demorar uma geração inteira.


Inflação na China
· A variação anual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da China atingiu 6,4% em junho, em nova aceleração frente ao mês precedente e em ritmo acima das expectativas dos economistas (6,2%), de acordo com pesquisa da Agência Dow Jones. Os preços dos alimentos avançaram 14,4%, também em aceleração em relação ao mês anterior (11,7%).
· A variação anual do Índice de Preços ao Produtor (IPP) atingiu 7,1% em junho, ante 6,8% em maio, superando as expectativas dos economistas (6,9%).

PETROLEO TENDÊNCIA DE QUEDA

SINGAPORE/TOKYO (Reuters) – A oferta de volume extra de petróleo da Arábia Saudita para agosto despertou pouco interesse das refinarias através do nordeste da Asia que declinaram diante da oferta além dos volumes já contratados, enquanto um comprador na India e outro no sudeste da Ásia aceitaram barris extras de óleo leve.
Dez refinarias na China, Japão, Korea do Sul e Taiwan declinaram diante da oferta saudita, disseram os traders nesta segunda, enquanto uma sobre-oferta de petróleo de alta qualidade russo prevalece na região em adição ao fato de que as importações chinesas caíram 11,5 % em junho quando comparada ao mesmo mês do ano anterior, ao seu menor valor em oito meses.
A demanda limitada por barris adicionais na Ásia, o mercado que mais cresce no mundo, deixaram poucas opções para que os sauditas achassem destino para as suas cargas adicionais.

O maior exportador SAUDI ARAMCO, acredita-se, elevou sua produção para quase 10 milhões de barris por dia (bpd) em junho.

Em NY o óleo caiu pelo segundo dia atribuída à retração nas importações Chinesas e aumento do desemprego nos EUA.

Cresce ainda o temor que a crise de débito alcance a Itália.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Em volume China ganha ainda mais espaço no Brasil


Por Marta Watanabe - Valor 08/07/2011
Sem o aumento contido dos preços, os importados procedentes da China representariam um valor muito maior do total desembarcado no Brasil. No primeiro trimestre, o desembarque físico de produtos chineses no Brasil aumentou 25,5% na comparação com o mesmo período de 2010, bem mais que a média de 12,4% ou do crescimento de 10,9% no volume importado dos EUA.

Nos preços, porém, os chineses ficaram abaixo da média, enquanto os americanos puxaram o aumento de preços nas importações do período, com alta de 14%. Os produtos chineses chegaram ao Brasil 8,6% mais caros, abaixo do aumento médio de 11,6%. Os dados são da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
Esse movimento é ainda mais acentuado na comparação com 2009. No primeiro trimestre deste ano, o país importou da China o dobro do volume importado no primeiro trimestre daquele ano, com preço médio 1,49% menor. No mesmo período, o volume comprado dos EUA cresceu 30,7%, com preços 3,17% maiores.

Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, diz que a divergência no comportamento das exportações ao Brasil está relacionada às diferenças na pauta exportadora dos dois países. O aumento de volume nos desembarques com origem China, diz ele, comprova a crescente importância do país asiático como fornecedor, prestes a tornar-se o maior exportador de bens para o país.

Com taxa de câmbio favorável à exportação, diz Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, os chineses estão diversificando o perfil de produtos vendidos ao Brasil, que englobam intermediários e acabados classificados como bens de consumo e capital. "Eles estão mais preocupados em se fortalecer em novos mercados e o Brasil é um deles. Por enquanto, não precisam elevar tanto os preços."

Já os americanos, lembra Campos Neto, têm mantido uma pauta exportadora mais estabilizada, ou sem mudanças tão aceleradas quanto a da China. "Por isso, os EUA tendem a exigir um comportamento mais equilibrado na variação entre volumes e preços dos itens exportados ao Brasil."

O economista da Tendências lembra também que os americanos fornecem bens de capital e itens de maior valor agregado, que ainda estavam com preços mais baixos no período pós-crise. Com a recuperação atual dos mercados internacionais, existe oportunidade para uma recomposição de preços desse tipo de bem. Outro fator que pesa no aumento de preço dos desembarques originados dos EUA são os combustíveis, um dos principais itens exportados pelos americanos ao Brasil e que apresentaram recuperação de preços.

Os preços dos importados dos EUA, lembra Flávio Samara, economista da LCA Consultores, já refletem também o efeito do choque de commodities nas cadeias de produção americanas. "Já se percebe na economia dos EUA o repassse de parte do choque para os produtos finais, o que também eleva os preços dos produtos exportados."

Apesar de representar um ritmo forte, a taxa de crescimento de 25,5% no volume importado da China representa uma desaceleração em relação ao que vinha ocorrendo. No primeiro trimestre de 2010, na comparação com o mesmo período de 2009, o aumento havia sido de 61,6%. Os preços, porém, foram em sentido inverso, com queda de 9,29%.

A perspectiva, agora, é que os preços devolvam um pouco do valor perdido até o ano passado e reflitam a recuperação esperada para a zona do euro e para os EUA. A tendência que se desenha para o ano, diz Samara, é que os preços das importações cresçam em ritmo maior que o anterior e que o aumento no volume importado se desacelere.

Samara lembra que o menor ritmo de crescimento do volume importado também reflete a desaceleração da economia brasileira em 2011, na comparação com o desempenho de 2010. As dúvidas em relação ao comportamento de preços dos importadores, diz ele, ficam por conta da taxa de crescimento dos EUA e da continuidade - ou não - da recuperação dos países da zona do euro.

DETERIORAÇÃO DA INDUSTRIA BRASILEIRA



The sharp rise in Brazilian industrial production in May largely reflects a rebound from the drop in output seen in April. The sector has broadly stagnated over the past couple of months and the fall in June’s manufacturing PMI to below 50 suggests that the outlook for industry is getting worse rather than better.

• On the face of it, at least, today’s industrial production data were actually pretty good. For a start, output rose by a greater-than-expected 1.3% on the month, taking the annual rate of growth to 2.7% y/y (from-1.5% y/y in April). (See Chart 1.)
• What’s more, the breakdown of the contributions to growth looks encouraging too. In particular, capital goods production rose by 1.7% on the month, compared to a more modest increase in the production ofconsumer goods of 1.0% m/m. This is good news given our concerns that Brazil’s economy has become excessively skewed towards consumer spending at the expense of much-needed investment.
• But looks can be deceiving. The reality is that the jump in industrial output in May reflects a bounce from April (when production fell by 1.2% m/m) rather than a fundamental improvement in the outlook for the sector. Over the past couple of months, output has more or less stagnated. More worryingly, perhaps,while industrial production staged a rapid recovery after collapsing in late-2008, it has since struggled to break through its pre-crisis highs (in contrast, for example, with much of Asia). (See Chart 1.)
What’s more, June’s manufacturing PMI (also released today) suggests that outlook is deteriorating rather than improving.


The headline index fell to 49.0, from 50.8 in May – below the 50-mark, which in theory at least divides expansion from contraction, and well below the 52-mark, which marks the dividing line in practice. (See Chart 2.) Although the relationship with actual activity data is far from perfect, at this level the PMI appears consistent with monthly falls in industrial production of more than 1%.
• The breakdown of the PMI survey shows a sharp fall in the output balance (to 48.8, from 52.4), the new orders balance (to 47.2, from 49.9) and the new export orders balance (to 47.4, from 49.1). Of course, at least some of the slowdown in output and new orders will be related to the temporary impact on global supply chains of the huge earthquake in Japan earlier this year. Note that Brazil is not the only country to report a drop in the manufacturing PMI today. But even so, we suspect that there are more fundamental forces at work, the most important of which is the continued strength of the currency.
• In nominal term, the real (BRL) is now trading at 1.55/$ - a fraction above its pre-crisis high of 1.56/$. But in real trade-weighted terms, Brazil’s currency is now more than 10% stronger than it was prior to the crisis.

The broad stagnation in industry, coupled with the on going boom in consumer facing sectors(notably retail) is the clearest sign that the strength of the real is distorting Brazil’s economy.


• As we’ve been arguing for well over a year now, the policy prescription is simple: fiscal policy must tighten in order to allow monetary policy to loosen (and the currency to fall). But there are obvious political barriers to such action. This raises the risk of a much sharper adjustment in the economy (and the currency) further down the line and we are becoming increasingly concerned about the growth outlook for 2013 on (for now we think growth will slow to 4% in 2012 and perhaps to 2-3% in 2013). In the meantime, we expect industry to continue to lag behind other sectors of the economy.


Neil Shearing Senior Emerging Markets Economist (+44 (0)20 7808 4985, neil.shearing@capitaleconomics.com)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Produção Estável




Fonte: Assessoria de Imprensa da ANP - (21)2112-8333 - imprensa@anp.gov.br



Houve aumento de aproximadamente 1% na produção de petróleo no Brasil em maio de 2011 na comparação com abril e redução de 0,2% em relação a maio de 2010. A produção de gás natural aumentou em torno de 7,4% se comparada ao mesmo mês em 2010 e 6,6% frente a abril de 2011. A produção de petróleo no Brasil, em maio de 2011, foi de aproximadamente 2,072 milhões de barris/dia e a de gás natural, de 66,7 milhões de metros cúbicos/dia, totalizando em torno de 2,491 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), o que ultrapassa os 2,445 milhões de boe/dia registrados em abril.
Em maio de 2011, 303 concessões operadas por 23 empresas foram responsáveis pela produção nacional. Destas, 80 são concessões marítimas e 223 são terrestres. Das 303 concessões, oito encontram-se em atividades exploratórias e produziram através de Testes de Longa Duração (TLD), e outras 10 são de campos licitados contendo acumulações marginais. O grau API médio do petróleo produzido no mês foi de aproximadamente 23,9°. Essas informações fazem parte do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural referente a maio de 2011, que a ANP divulga em sua página na internet.

Bacia de Santos
Em maio de 2011, a Bacia de Santos ultrapassou em produção as Bacias de Solimões e do Espírito Santo, tornando-se a segunda maior produtora do país, atrás apenas da Bacia de Campos. O volume produzido na Bacia de Santos passou de 86 mil boe/dia em abril para 130 mil boe/dia em maio.

Pré-sal
A produção do pré-sal aumentou 38% em maio de 2011 em comparação ao mês anterior. Foram produzidos 128,1 mil barris por dia de petróleo e 3,8 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, totalizando 152,2 mil boe/dia. Esse volume foi extraído de sete poços: 6BRSA639ESS, em Jubarte, 9BRSA716RJS e 3BRSA755ARJS, em Lula, 6BRSA806RJS em Caratinga e Barracuda, 6BRSA770DRJS, em Marlim e Voador, 6BRSA817RJS em Marlim Leste e 1BRSA594SPS no TLD-BM-S-9.
Queima de gás
Houve redução de 43,8% na queima de gás natural em maio de 2011, em comparação ao mesmo mês em 2010. Em relação a abril de 2011, houve aumento de 39,6%. Os principais motivos para o aumento foram a retomada da produção do teste de longa duração (TLD) de Guará (BM-S-9), o início da produção de Lula Nordeste no final de abril e problemas no sistema de compressão da FPSO do campo de Marlim Leste.
Do volume total de gás natural queimado, 87,5% são oriundos de campos na Fase de Produção e 12,5% de TLDs da Fase de Exploração. Considerando-se apenas as concessões na Fase de Produção, o aproveitamento de gás natural no mês foi de 94,7%.
Campos produtores
O campo de Roncador foi o maior produtor de petróleo e o Rio Urucu o maior produtor de gás natural. Dos 20 maiores campos produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, dois são operados por empresas estrangeiras (Frade/Chevron e Ostra/Shell). Em torno de 92,2% da produção de petróleo e gás natural são provenientes de campos operados pela Petrobras e aproximadamente 91,4% da produção de petróleo e 74,1% da produção de gás natural do Brasil foram extraídos de campos marítimos.
Os três maiores campos terrestres produtores de petróleo e gás natural, em barris de óleo equivalente, foram Rio do Urucu, Leste do Urucu e Carmópolis. Os campos terrestres Rio do Urucu e Leste do Urucu, ambos localizados na Bacia de Solimões, ocuparam a primeira e a terceira posição, respectivamente, no ranking de maiores produtores de gás natural, e também figuram entre os 20 maiores produtores em barris de óleo equivalente.
Sete poços terrestres, sendo seis do campo de Rio Urucu e um do campo Leste de Urucu, estão na relação dos 30 poços com maior produção de gás natural.
Bacias maduras terrestres
A produção das bacias maduras terrestres (campos e TLDs nas Bacias do Espírito Santo, Potiguar, Recôncavo, Sergipe e Alagoas) foi de 175 mil boe/dia. Deste total, 3,4 mil boe/dia foram produzidos por concessões não operadas pela Petrobras.

Plataformas
A plataforma P-52, localizada no campo de Roncador, produziu aproximadamente 142,2 mil boe/dia, sendo 125,5 barris de petróleo e 2,7 mil metros cúbicos/dia de gás natural, e foi a plataforma com maior produção.

Playing For Change | Satchita

Playing For Change | Satchita

GUERRA DAS MOEDAS

Sem perspectivas para alteração do valor relativo do Real , na visão da comunidade internacional.

Latin America Economics Update - Fresh controls unlikely to signal end of Brazil's 'currency war'

News that Brazil is planning a range of new measures to stem the rise in the real hit the currency yesterday but any such action is unlikely to have a lasting impact.

Regards,
Capital Economics Ltd150 Buckingham Palace Road LondonSW1W 9TR Tel: +44 (0)20 7823 5000Fax: +44 (0)20 7823 6666

China investe US$ 2,3 bi para construir maior ponte sobre mar


Enquanto a China está inaugurando hoje a maior ponte marítima do mundo, a obra do metrô de Salvador, com apenas 6 km (o menor do mundo), ainda não terminou e se arrasta por mais de quinze anos, já tendo consumido mais de um BILHÃO DE REAIS.



Para piorar, os geniais ministros (com todas as letras minúsculas mesmo) do STJ "inventaram" uma tese genial para evitar que os empreiteiros da obra e os políticos baianos (de quase todos os partidos) fossem condenados. Segundo o STJ, não vale denúncia anônima para iniciar investigação criminal de peso (leia-se, contra políticos e empresários).



Curioso mesmo é notar que, segundo outros julgados STJ, a denúncia anônima continua valendo contra traficante, assaltante de banco, etc.




- Trocando em miúdos:



O dólar comercial vale hoje R$ 1,5630, ou seja, a ponte marítima chinesa, com quase 40 km e que levou apenas quatro anos para ser concluída, custou 3,6 bilhões de reais em valores aproximados. O metrô de Salvador, feito em terra firme, medindo apenas 6 km (o menor do mundo - e o mais ridículo também), que após quinze anos ainda não está pronto e liga o nada a coisa nenhuma, custou até agora 1,2 bilhão de reais. Não dá para engolir uma história dessas...